sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A MAÇONARIA HOJE FAZ O QUE?

 

Estabelecida desde sua mais tenra idade como uma instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressista, com a finalidade específica de promover o aperfeiçoamento moral e intelectual do homem, a quem prepara para a construção de uma sociedade justa e equitativa, a Maçonaria avança rumo ao futuro mantendo suas seculares tradições discretamente, atuando como um lábaro de sobriedade, ética e solidariedade, ancorada pela alteridade que a torna majestosa na inclusão social que patrocina.

 

Com cerca de 6 milhões de membros contabilizados no mundo, a Maçonaria busca unir homens de diferentes status quo, respeitando a diversidade de crenças, pois, sendo religiosa, exige apenas a fé em um ser superior, sem jamais requer filiação religiosa específica daqueles a quem acolhe em seu seio. Através de ordens paramaçônicas, como a Ordem DeMolay, por exemplo, a Maçonaria investe na formação de jovens líderes, ensinando virtudes como patriotismo, companheirismo e amor filial.

 

Comprometida com a melhoria da humanidade, a partir do homem que faz aperfeiçoado, a Maçonaria atua como um sistema de moralidade que utiliza símbolos e ritos para ensinar valores como justiça, verdade, honra e progresso, incentivando seus membros a serem cidadãos melhores. Conscienciosa, a Maçonaria valoriza o conhecimento e a educação –posicionando-se contra a ignorância – e promove o desenvolvimento intelectual da sociedade – indiretamente a partir daqueles a quem educa. 

 

Em um contexto global de rápidas transformações na sociedade líquida que viceja nos dias atuais, a Maçonaria se posiciona como guardiã de valores universais. A Ordem promove a coexistência pacífica de diferentes opiniões e religiões, combatendo o fanatismo e a intolerância. Cidadã, a Maçonaria foca em causas (ambientais, sociais, culturais) e incentiva que seus membros participem na política, sem se subordinar a partidos, embora aceite membros de diferentes partidos, desde que respeitem sua neutralidade.

 

Cumpre ressaltar que ser apartidário é sobre não ter partido, mas sim, sobre manter a liberdade de atuação e decisão, sem se vincular a uma sigla, o que permite maior amplitude e foco em objetivos específicos.  A natureza apartidária da Maçonaria garante que o foco seja em valores humanos universais, e não em agendas políticas específicas. Isto sustenta o postulado maçônico universal que proíbe a discussão de matéria político-partidária, racial ou religiosa dentro dos templos, preservando a harmonia.

 

Apesar de preservar rituais tradicionais, a instituição é progressista e tem se modernizado através do uso de tecnologias para comunicação interna e gestão. Em 2026, líderes maçônicos reforçam a necessidade de combater o preconceito e a desinformação, buscando uma maior interação e transparência com a sociedade moderna a partir das   Lojas maçônicas que realizam trabalhos de assistência social e apoio a comunidades carentes, muitas vezes, de forma pro bono, em áreas como saúde e educação.

 

Determinada construir um mundo melhor, a maçonaria define a ignorância como um dos maiores obstáculos ao progresso humano e a combate por meio do incentivo à educação, às ciências e à investigação da verdade, sem dogmatismos, pois, um Maçom educado é (auto) consciente e (auto) responsável, capaz de assumir-se responsável por feitos com coragem e pronto a todo momento para exemplar seus pares e aos homens em coletividade através de atitudes sóbrias e coerentes com suas convicções.

 

Em 2026, há um reforço ao já contínuo desmistificar da própria Maçonaria, combatendo teorias da conspiração e preconceitos externos sofridos por seus membros. A ordem (re)afirma seu compromisso com a erradicação do preconceito racial e de quaisquer outras formas de discriminação, ancorando-se, como sempre o fez, nos pilares da Igualdade e Fraternidade. O objetivo é a construção de uma sociedade equitativa onde o mérito e a virtude sobreponham-se à origem, à cor da pele e/ou ao status quo.

 

A Maçonaria notabilizou-se, desde sua infância, no combate que faz aos vícios morais e injustiças – para as quais cava masmorras – como a corrupção e a desigualdade de oportunidades, em 2026, a partir dos maçons que lhe dão força, sabedoria e beleza, foca seu esmero em "trazer a razão de volta à política", combatendo privilégios de elites e buscando uma república mais justa e independente. Porém, o faz de forma discreta, embora pujante, sob a tutela do capital intelectual que dispõe: o maçom.

 

Não se pode esquecer em momento algum, que Maçonaria sem Maçom é relesmente um “Clube do Bolinha” cultivando apenas vícios (intolerância generalizada, inclusive a religiosa, o racismo, o sectarismo ideológico, o preconceito de gênero, além dos mundanos prazeres que a vaidade incita), pois, o verdadeiro maçom não é apenas quem frequenta o templo ("clube"), mas sim, aquele ente humano colhido no pomar social (comunidade) que aplica os ensinamentos maçônicos na sua vida profana (o mundo exterior).

 

Educadora desde sua ciese, a maçonaria tem na literatura sua mais providencial alavanca a retirar os entulhos das desinformações, das meias-verdades, das perfídias etc, pois, à literatura é dado o condão de constituir homens probos. E o Maçom é integro, consciente e responsável. Responsável inclusive por fazer da Maçonaria majestosa, digna e eficaz, pois, ela tão somente diz onde cortar a pedra, como dar-lhe o brilho e quanto esta pedra (maçom) de fato vale. Valoramos o que nos valoriza!

 

Compreensivelmente, a maçonaria não existe por si mesma, mas, para servir à evolução do ser humano e ao coletivo (humanidade). Ela ensina que, antes de ser um "irmão" ou um "mestre", o indivíduo é um homem. Sem os atributos básicos da humanidade – como empatia, ética e consciência social – os títulos e ritos perdem o sentido. Sem foco na melhoria do ser humano a Maçonaria perde seu propósito de humanizar a humanidade a partir dos inefáveis valores que professa e inculca nas mentes dos maçons.

 

Não resta dúvida alguma, a Humanidade é a matéria-prima e o objetivo final da Maçonaria. Sem o compromisso com o bem comum e com os valores humanos, a ela seria apenas um clube social vazio de propósito transformador. Não havendo humanidade no homem, a estrutura da Maçonaria colapsaria, pois, não haveria base para a implementação e exercício da alteridade. Alteridade que bem disseminada e empreendida transforma solos áridos em excelentes pomares sociais onde se colhem futuros maçons.

 

Notadamente, a falta de alteridade nas relações sociais resulta em aumento de conflitos e em exclusão, pois, sem essa base de reconhecimento mútuo, a "Ordem" se transforma em mero caos ou autoritarismo, pois, as normas sociais perdem o sentido ético e se sustentam apenas pela força, tornando insustentável a convivência pacífica. Sem o reconhecimento do outro, a estrutura social se desfaz. A relação eu-outro é a base da ética indispensável para qualquer contrato social, bem como, ao senso de pertencimento – que diz somos humanos.

 

Se não há humanidade (entendida aqui como a capacidade inerente de empatia, ética e reconhecimento mútuo), as leis, costumes, rituais e consensos perdem sua finalidade de promover o bem comum e passam a ser ferramentas de dominação puramente técnica ou força bruta – meramente mecânica ou coercitiva, gerando uma fragmentação social que prejudica tanto o indivíduo quanto a coletividade. Não há a formação de um tecido social estável, por falta de uma ambiência social coesa.

 

A falta de diálogo facilita a criação de "bolhas", onde o isolamento impede a compreensão de diferentes perspectivas, o que enfraquece os pilares da sociedade. Contrapondo-se a isto, a proximidade e a troca entre pessoas geram maior colaboração e criatividade, sendo esta interatividade social imprescindível para o desenvolvimento de habilidades e para adaptação a contextos sociais; para a humanização que emerge da harmoniosa inclusão social que é objeto das mais verazes e proficientes práticas maçônicas.

 

Sapientíssima, a Maçonaria percebe a partir do olhar do maçom que a humanização não é um estado natural ou automático, mas um processo contínuo, consciente e coletivo de construção de sentidos, valores e atitudes que nos tornam mais humanos, empáticos e benevolentes, portanto, o Maçom carece do homem integral, aquele que busca viver em harmonia, autoconsciência e responsabilidade, indo além do superficial para uma vida plena, mas, com o propósito de ser o mais robusto elo na corrente do amor incondicional. 

 

O "homem integral" é o próximo estágio da consciência humana (a consciência aperspectiva), pois, consegue integrar as estruturas anteriores de consciência (arcaica, mágica, mítica e mental), transcendendo a dualidade e a visão puramente racional do mundo, apregoa Jean Gebser. Ele concilia suas necessidades biológicas e emocionais com sua realidade espiritual e ética, ao passo que opera com uma visão sistêmica e inclusiva da realidade, sobre as quais alcança a madureza intelectual, moral e espiritual.

 

Sob os auspícios deste homem integral que seus ensinamentos constroem, a Maçonaria preceitua que a realização humana depende da não fragmentação, na qual o homem não nega sua sombra, seus instintos ou sua espiritualidade, ao contrário, ele os integra moldando para si uma personalidade responsável, equilibrada, consciente e livre em sua interatividade com o mundo, onde trabalha o aperfeiçoando de si, (re)aperfeiçoa pelo exemplo, tudo que lhe orbita, inclusive a Maçonaria.

 

(Re)novar-se continuamente, porém, mantendo vivas e eficazes – portanto, atuais – suas tradições, e o desafio assumido pela Maçonaria segue gloriosa a vanguarda que lhe conduz ao porvir da Humanidade, estabelecendo-se, diuturnamente, como mestria progressista equilibrando o uso de tecnologias modernas com ritos simbólicos. Não olhando apenas para o passado; ela se posiciona à frente dos tempos, contribuindo para o progresso moral e social da humanidade, sendo um elo entre a sabedoria ancestral e as aspirações futuras. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

SEM HUMANIDADE NÃO HÁ HOMENS, TÃO POUCO MAÇONARIA

 

Perceber que o homem deve ser homem o tempo todo, senão cessa a humanidade e o mundo se desumaniza estabelece uma visão ética e existencial profunda, onde a mantença da essência humana se realiza de forma contínua e, claramente, sob os auspícios da (auto)responsabilidade, pois, "o tempo todo" implica uma vigilância constante sobre as próprias ações.

 

Este fito vai além do sentido de gênero (masculino) e alcança com exata proficuidade o sentido genérico de “ser humano”. O que reverbera conceitos de que o ser humano é um fim em si mesmo, devendo viver com propósito e moralidade, em vez de se tornar um meio para fins de terceiros. Assim, manter-se humano significa agir com empatia e consciência, assumindo as consequências de suas escolhas.

 

É um apelo à responsabilidade moral e à manutenção da dignidade humana, indicando que a desumanização ocorre não vivemos sob a égide dos valores humanos mais elevados. O que lembra que a filosofia heideggeriana discute que a metafísica muitas vezes se prende apenas à aparência (ente) do ser humano, esquecendo sua essência (o ser), contribuindo para uma forma de desumanização.

 

Ao falhamos em agir com humanidade em um único momento crítico, colocamos em xeque a nossa própria essência. Quando renunciamos aos valores que definem nossa humanidade – como a empatia, a consciência, a responsabilidade e a justiça – sobrando é apenas o instinto ou a mecânica social. O mundo se desumaniza ao permitirmos "exceções" à nossa própria humanidade.

 

A negação da plena humanidade de outros e a redução de pessoas a objetos se manifesta quando o homem falha em sua essência (seja por omissão, crueldade ou coisificação), o mundo se torna desumanizado, o que gera alienação e desconexão. Isto me faz entender que a veraz humanidade não é suprimir emoções, mas, reconhecê-las e agir de forma ética e amorosa, exercendo-as.

 

Envolve, ainda, aceitá-las sem julgamento, aprendendo a geri-las de forma construtiva, usando práticas como dar nome aos sentimentos, expressar-se criativamente (arte, escrita), respirar fundo para diminuir a ativação emocional, promovendo a inteligência emocional e o autoconhecimento através da auto-observação para entender gatilhos e escolher respostas mais adequadas.

 

As emoções são guias valiosos, pois, sinalizam como estamos diante de situações. São úteis e trazem informações sobre nossos desejos e limites, sem se deixar dominar ou reprimir. Cuidemo-nos, pois, “a desumanização ocorre quando o pensamento crítico e a moralidade são relegados– e nos tornamos reles engrenagens de sistemas, muitas vezes cruéis”, assegura Hannah Arendt.

 

A moral não pode ser "part-time". Se a ética é deixada de lado quando ninguém está olhando ou quando a situação é difícil, ela nunca foi, de fato, um princípio, mas apenas uma aparência. Seu objetivo é construir uma vida mais harmoniosa e não eliminar as emoções, mas mudar a forma como nos relacionamos com elas e equilíbrio alcançado cultivamos conexões humanizadas. 

 

Conexões humanizadas valorizam o "fator humano", priorizando acolhimento, escuta ativa e comunicação clara para criar vínculos autênticos e de confiança. Promovem interações baseadas na empatia, no respeito mútuo e na compreensão de que, por trás de toda troca profissional ou pessoal, existem seres humanos com emoções, histórias e necessidades únicas. 

 

Humanizar conexões é "tornar benévolo, afável e tratável" as relações, transformando trocas frias em experiências significativas. Tais conexões humanizadas manifestam interações ancoradas na autenticidade e vulnerabilidade, além da empatia, priorizando o valor intrínseco das pessoas acima de resultados transacionais ou métricas. O bem-estar do outro é relevante!

 

No ambiente corporativo, este conceito é aplicado através do Human Experience (HX), que promove o respeito ao ritmo e à dignidade humana. Organizações focadas em servir e resolver problemas da humanidade, como a Maçonaria, tratam colaboradores, fornecedores e clientes como pessoas, não como recursos; valorizam a colaboração e respeito; e não, apenas, resultados financeiros.

 

A maçonaria não existe por si mesma, mas, para servir à evolução do ser humano e ao coletivo (humanidade). Ela ensina que, antes de ser um "irmão" ou um "mestre", o indivíduo é um homem. Sem os atributos básicos da humanidade – como empatia, ética e consciência social – os títulos e ritos perdem o sentido. Sem foco na melhoria do ser humano a instituição perde seu propósito.

 

Não resta dúvida que a Humanidade é a matéria-prima e o objetivo final da Maçonaria. Sem o compromisso com o bem comum e com os valores humanos, a ela seria apenas um clube social vazio de propósito transformador. Não havendo humanidade no homem, a estrutura da Ordem colapsaria, pois, não haveria base para a implementação e exercício da alteridade. 

 

A falta de alteridade nas relações sociais resulta em aumento de conflitos e exclusão, pois, sem essa base de reconhecimento mútuo, a "Ordem" se transforma em mero caos ou autoritarismo, pois, as normas sociais perdem o sentido ético e se sustentam apenas pela força, tornando insustentável a convivência pacífica. Sem o reconhecimento do outro, a estrutura social se desfaz.

 

A relação eu-outro é a base da ética indispensável para qualquer contrato social ou sistema jurídico. Se não há humanidade (entendida aqui como a capacidade inerente de empatia, ética e reconhecimento mútuo), as leis perdem sua finalidade de promover o bem comum e passam a ser ferramentas de dominação puramente técnica ou força bruta – meramente mecânica ou coercitiva. 

 

A Maçonaria depende da expectativa de que as regras serão seguidas não apenas pelo medo da punição, mas, pelo reconhecimento de sua necessidade para a convivência. A falta de vínculos humanos genuínos dificulta a criação de um ambiente coeso, gerando uma fragmentação social que prejudica tanto o indivíduo quanto a coletividade. Não há a formação de um tecido social estável.

 

A falta de diálogo facilita a criação de "bolhas", onde o isolamento impede a compreensão de diferentes perspectivas, o que enfraquece os pilares da sociedade. Contrapondo, a proximidade e a troca entre pessoas geram maior colaboração e criatividade, sendo a interação social imprescindível para o desenvolvimento de habilidades e adaptação a contextos sociais; para a humanização.

 

A humanização não é um estado natural ou automático, mas um processo contínuo, consciente e coletivo de construção de sentidos, valores e atitudes que nos tornam mais humanos, empáticos e benevolentes, portanto, carece do homem integral, que busca viver em harmonia, autoconsciência e responsabilidade, indo além do superficial para uma vida plena e com propósito. 

 

Para o filósofo Jean Gebser, o "homem integral" é o próximo estágio da consciência humana (a consciência aperspectiva), pois, consegue integrar as estruturas anteriores de consciência (arcaica, mágica, mítica e mental), transcendendo a dualidade e a visão puramente racional do mundo. Ele concilia suas necessidades biológicas e emocionais com sua realidade espiritual e ética.

 

Embora utilize o termo "Integral", a abordagem de Ken Wilber foca na integração de "AQAL" (Todos os Quadrantes, Todos os Níveis, Todas as Linhas, Todos os Estados e Todos os Tipos) para descrever um ser humano que opera com uma visão sistêmica e inclusiva da realidade. Este homem se opõe à visão fragmentada que foca apenas no intelecto ou na produtividade biológica.

 

O homem integral é aquele que constrói uma identidade sólida, defendendo que a realização humana depende da não fragmentação, onde o indivíduo não nega sua sombra, seus instintos ou sua espiritualidade, mas, os integra em uma personalidade responsável, equilibrada, consciente e livre em sua interatividade com o mundo, onde trabalha ativamente seu próprio aperfeiçoamento. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

UM TRIBUTO AOS GUERREIROS DO AMOR QUE É A (RE)LIGAÇÃO PERFEITA

 

Religião é um sistema de crenças, práticas, rituais e valores que conecta os seres humanos ao sagrado ou divino, buscando sentido para a existência, oferecendo respostas sobre a vida, a morte e o universo; e, claro, unindo as pessoas sob a égide de comunidades morais através de símbolos, textos sagrados e doutrinas. Ela organiza a experiência espiritual, fornece uma visão de mundo e influencia a conduta individual e social. 

 

A palavra "religião" vem do latim religio, com duas principais etimologias discutidas. Uma, defendida por Cícero (século I a.C.), relegere – reler, examinar com atenção, ter respeito pelo sagrado. E a outra, proposta por Lactâncio (século III d.C.) e difundida por Agostinho de Hipona, religare – religar, reconectar –, refletindo o forte vínculo entre o ser humano e o divino. Agostinho, via a religião como um elo entre mortais e Deus, um ato de "ligar novamente”. 

 

A "religião" abrange tanto a prática cuidadosa do dever e respeito (de relegere) quanto o ato de se religar a algo sagrado (de religare), refletindo um modo de vida com foco no divino e nas obrigações para com ele, não apenas em crenças e dogmas. Indiscutivelmente, não se trata somente de um conjunto de dogmas, mas de modo de vida que integra a atenção meticulosa às obrigações morais e rituais de conexão espiritual com o sagrado.

 

A relevância da religião reside em seu papel fundamental na formação de identidade e valores e propósito de vida, a partir dos quais promove a integração social e influencia cultura e moralidade, além de atuar como motor de bem-estar, paz e transformação social, através de redes de apoio e solidariedade que criam uma ambiência vital para o estabelecimento do senso de pertencimento e da coesão social que ela enseja.

 

Incontestavelmente, a religião é uma força complexa que molda o ser humano e a sociedade, sendo uma fonte de sentido, valores, apoio e cultura – as bases morais que orientam o comportamento individual e as normas de convivência em diversas culturas – embora, exija uma visão crítica de suas manifestações, pois, a secularização ainda teima em avançar em algumas regiões. Ainda assim, a religião se mantém o elo perfeito a unir o mundano ao sagrado.

 

Conscienciosamente, afirmo que a religião molda o ser humano tanto para o bem quanto para o mal, o que desvela a natureza dual da influência religiosa, atuando como uma força poderosa que pode promover coesão social e ética, mas também, age virilmente na gerar conflitos e fanatismo. Ou seja, a espiritualidade tanto pode ser uma "força para o bem", oferecendo conforto e propósito, quanto pode ser utilizada para justificar a crueldade e o ódio na história.

 

Potenciais construtoras de valores, as religiões estruturaram o comportamento humano, incitando a prática perene de virtudes como a solidariedade, justiça, paz e fraternidade.  Mais de 90% dos frequentadores assíduos de serviços religiosos costumam fazer doações para caridade e quase 70% se envolvem em voluntariado, constituindo um formidável e operativo "capital social" religioso oportunizando a felicidade humana.

 

Indubitavelmente, a luz é mãe das sombras metaforizo para ressaltar que a sombra é uma consequência inevitável e um "produto" da luz, pois a sombra é a ausência de luz criada quando um objeto bloqueia seus raios. Isto representa a dualidade da vida, onde a luz (o bem, o conhecimento) está sempre ligada à sombra (o mal, o desconhecido), sendo que uma não existe sem a outra, com a intensidade da luz definindo o tamanho da sombra.

 

Neste influxo, práticas religiosas mal-conduzidas provocam angústia, culpa excessiva e impactos negativos na saúde mental. Além disso, a interpretação dogmática ou "cega" enseja a utilização das religiões para manter estruturas de poder, doutrinar e controlar o comportamento social, limitando a liberdade de pensamento e, isto, leva à perversidade, crueldade e intolerância religiosa, resultando em segregação e violência.

 

A religião atua como um reflexo e, ao mesmo tempo, um modelador da cultura e da sociedade, podendo tanto humanizar quanto desumanizar, dependendo do contexto e da forma como é vivida ou imposta. Habilidosamente amplifica potencialmente a natureza humana: elevando o espírito ao sacrifício pelo próximo ou sendo o pretexto para as maiores atrocidades, dependendo da interpretação e do uso do poder institucional.

 

Dispensando-me do (pré)julgamento, percebo que "a melhor religião é aquela que faz uma pessoa melhor", pois, reverbera a ideia amplamente compartilhada por duas figuras espirituais de mestrias distintas, como o Dalai Lama e o teólogo Leonardo Boff, que convergem o entendimento de que o valor da fé reside em sua capacidade de cultivar virtudes como amor, compaixão, ética e humanidade, independentemente de rótulos ou dogmas específicos. 

 

Promover a crescimento interior e fomentar atitudes positivas no dia a dia e o fito único daquele que busca iluminar-se e, assim alcançar a religação com o sagrado de forma inequívoca, indissolúvel e, portanto, plena. O essencial não é a religião em si, mas, a transformação pessoal que ela inspira naqueles que a buscam, tornando-os mais compassivos, sensíveis e (auto)responsáveis. A religação é um ato de autorresponsabilidade plena.

 

A autorresponsabilidade manifesta a mudança interior e, esta, se reflete nas atitudes diárias, no tratamento dedicado aos outros e na forma como se vive os valores, sendo este comportamento o verdadeiro indicador. A religião se manifesta em ações que te aproximam do Sagrado ou do Infinito, como ser mais ético, humilde e amoroso com o próximo e o mundo, com um só propósito a evolução humana, e não a superioridade de uma crença sobre outra. 

 

A evolução humana é impulsionada pela superação do egoísmo e do orgulho, substituindo-os por ações de serviço e amor, o que contribui para um mundo mais harmônico. Envolve evolução espiritual e moral, onde o amor ao próximo é o cerne da conduta, refletindo o encontro com o divino. A verdadeira religiosidade exige uma agência coerente com princípios éticos, tais como honestidade, perdão e ajuda mútua, comuns a diversas tradições.

 

Vendo por este foco, a religião é uma ferramenta de transcendência e humanismo, fulcrada na essência do comportamento humano em vez de dogmas institucionais, pois, quando a prática religiosa prioriza a ética, a humildade e o amor, ela deixa de ser um sistema de exclusão para se tornar um caminho de aperfeiçoamento moral. Portanto, o valor da religião é aferido mediante os frutos por ela gerados na sociedade e no caráter do indivíduo.

 

O que ressoa com o conceito de Espiritualidade Laica ou com a Ética Universal, que se ancora na compreensão de que valores morais e uma sensação de conexão com algo maior (o cosmos, a humanidade, o sagrado) existir sem a necessidade de dogmas, religiões organizadas ou crenças sobrenaturais. Essa perspectiva encontra sinergia com a valorização da autonomia racional do indivíduo, empatia e a busca por bem-estar coletivo.

 

Evoco a Maçonaria, que age como uma ponte que une uma espiritualidade laica (não dogmática) a uma ética universal. Ela se define como uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica e progressista, baseada na busca da verdade, na tolerância e na fraternidade humana. Embora ela não seja uma religião, cultiva a espiritualidade, exigindo de seus membros a crença em uma Força Superior, à qual denomina Grande Arquiteto do Universo.

 

Em seu já longevo caminhar pelo orbe terrestre a Maçonaria busca conciliar o aperfeiçoamento moral individual com princípios que transcendem doutrinas religiosas específicas, fundamenta-se na Ética Universal, na promoção e perpetuação de valores que independem de raça, nacionalidade ou credo. A espiritualidade laica lhe serve como motor interno de evolução e a ética universal como guia de conduta para com o próximo e a sociedade.

 

Há incontestável uma relação entre a religião, a maçonaria e a "iluminação do homem" e, esta, se notabiliza na busca pelo aperfeiçoamento moral e espiritual. A iluminação, nesse contexto, simboliza a busca pela Verdade, pelo (auto)conhecimento e o desenvolvimento moral e espiritual do indivíduo, muitas vezes descrito como "lapidar a si mesmo, pelos adeptos da Maçonaria, que os conduz a esta prática, pois, somos o que habitualmente fazemos.

 

Unidos no propósito do (auto)aperfeiçoamento moral, metaforicamente chamado de transformar a "pedra bruta" – o homem comum com defeitos – em uma "pedra polida" – um homem melhor – para o templo social, os adeptos da Maçonaria seguem rumo à “verdadeira luz” que é por eles compreendida como o "fogo sagrado" no coração do homem que o liga ao Grande Arquiteto do Universo, simbolizando o despertar da consciência.

 

Ainda que na Maçonaria, a "iluminação" tenha unicamente o sentido intelectual e moral ligado ao Iluminismo, sua religiosidade é perceptível por um livro sagrado – geralmente a Bíblia, mas pode ser o Alcorão ou a Torá, dependendo dos membros – sempre aberto em seus templos, simbolizando a presença divina. Assim, ela aceita homens de diversas fés e os incita o uso da alteridade, não somente quanto as religiões, mas, como coluna mestra da harmonia.

 

Esta iluminação é o despertar da sabedoria, a clareza mental e o entendimento profundo da existência, vetores do equilíbrio que aplicado nas relações humanas, ancora o respeito à diversidade e institui a cooperação com vetor da fraternidade a nos unir como verdadeiros irmãos sob os auspícios do sagrado, pois, “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação. (Tiago 1:17)

 

(Re)ligados ao sagrado, lembrando, sempre, que nenhum de nós avança em nossas lutas, empresas e/ou protagonismos sem antes rogar os auspícios do Grande Arquiteto do Universo, CELEBREMOS hoje as vitórias contra a Intolerância Religiosa já conquistadas, renovando o animus para este combate que jamais cessa enquanto reinar a irascibilidade que desumaniza o homem não assumir o lugar que lhe compete nas masmorras onde habitam vícios e erros.

 

Neste “Dia das Religiões”, lembremos que a coesão social é o objetivo final alcançado através da virtude, do respeito mútuo e da "harmonia sem uniformidade", que valoriza a diversidade sob a egrégora do amor que é o “elo perfeito” garantidor da unidade entre pessoas diferentes, permitindo a convivência pacífica e o perdão, sendo ele o atributo que mais aproxima o ser humano da natureza do Sagrado.

 

Maranguape, Ceará, 21 de Janeiro de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

SOIS OU NÃO SOIS, EIS A RAZÃO

 

Legitimidade é a característica, particularidade ou condição de quem está em conformidade com as leis morais (divina ou dos homens), com a justiça, com a razão etc. Do que é legítimo, ou seja, quando algo concorda com a razão ou com o que é considerado justo ou razoável, afirmam os melhores dicionários. Assim, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.  (Filipenses 4:8)

 

Carl Schmitt afirma que a legitimidade difere da legalidade, da relação do poder com a lei estabelecida, exigindo um padrão superior que permita considerar certas leis como injustas, tendo mais a ver com a conformidade relativamente ao direito do que com a conformidade face à lei. Sendo a legalidade um mero requisito do exercício do poder – a justificação deste – a legitimidade é o requisito da titularidade do poder, a sustentação deste título – trata da aceitação e do consenso sobre quem detém o poder.

  

Max Weber compreende a legitimidade como a crença na validade de um regime, fazendo com que a obediência venha da adesão e não só da força, transformando o poder em autoridade respeitada e consentida, sustentada por tipos ideais de dominação que fundamentam essa aceitação social: tradicional – fulcrado no costume; carismática – Fundamentada nas qualidades extraordinárias de um líder (ex: profetas, heróis) e a racional-legal – Ancorada na crença em regras, leis impessoais e na legalidade dos procedimentos.


A legitimidade é o que garante a estabilidade de um sistema de gestão – inclusive, político –, pois, faz com que os subordinados sintam o dever moral de obedecer, reduzindo a necessidade do uso da força física ou coação. Quando subordinados (sejam cidadãos no Estado, funcionários em uma empresa e/ou voluntários numa instituição secular como a Maçonaria) consideram o sistema legítimo, eles obedecem por acreditar que é o "certo" a fazer e, não apenas, por medo de punição. Respeito se cativa, jamais se impõe!

 

Segundo Ulysses Guimarães – Câmara dos Deputados em 19 de Agosto de 1987 – “a Maçonaria é um legítimo símbolo nacional, inspirador dos nossos ideais mais nobres, tradicional sentinela da liberdade e da serena altivez que a vimos cultivando perante os países do mundo. Conceituada a partir de uma das mais dignas profissões, a de pedreiro, há de sempre possuir trajetória invulgar, solidamente ligada aos destinos da raça humana. A evolução histórica desta instituição é um testemunho do quanto pode o ideal humano”.

 

Sob o olhar do Construtor Social, a legitimação ocorre no "nós", onde a preocupação ética com o outro se torna possível ao compreendê-lo como parte de nossa coletividade, não apenas como um indivíduo isolado. O outro é quem nos legitima, ao nos confirmar como seres válidos, com um mundo interno único e digno de respeito, o que é fundamental para o amor, o pertencimento e a construção de relações saudáveis, contrapondo o individualismo egoísta.

 

Esse visão incita nossa capacidade de ver o outro como "legítimo outro na convivência", o que é fundamental para amar e construir relações genuínas, onde não se tenta mudar o outro, mas se permite que ele seja. Aceitação do outro nos torna pertencidos ao grupo social que formamos. Portanto, o outro é essencial para nossa legitimação porque nos oferece o espelho e o reconhecimento que nos confirmam como seres humanos completos e valiosos, fortalecendo nossa identidade e nosso lugar no mundo que, assim, nos pertence.

 

Sob o fito do reconhecimento do ser, o outro não somente nos vê, ele aceita nosso mundo interno, nossas escolhas e comportamentos – mesmo que diferentes dos dele, sem reduzi-los aos seus erros ou inconsistências – e nos valida em nossa singularidade, ajudando a solidificar quem somos, especialmente em momentos de dúvida. Essa legitimação emerge como um ato de humanidade, construindo uma base de apoio e confiança mútua, contrapondo a cultura que muitas vezes valoriza o apagar ou competir com o outro.

 

Embora a autonomia seja importante, e não sendo redundante afirmar, nós nos tornamos "alguém" através do olhar e da resposta que recebemos do mundo ao nosso redor, ou seja, nossa identidade é construída socialmente. Segundo filósofos como Hegel, a consciência de si depende do reconhecimento do outro. Só passamos a ter plena noção de quem somos quando somos "vistos" e validados por outra consciência. Isso reverbera um conceito fundamental da filosofia e da psicologia social: a intersubjetividade.

 

Entendida como a compreensão mútua e compartilhada entre duas ou mais consciências ou sujeitos, a intersubjetividade eflui das interações e da comunicação para formar significados e experiências comuns, indo além da subjetividade individual e criando um espaço de entendimento recíproco, como o diálogo Eu-Tu, fundamental na filosofia, psicologia e ciências sociais para entender a relação humana e a construção de sentido,  transformando experiências individuais em conhecimento e cultura compartilhados.

 

Na tecnologia e nas ciências sociais, a intersubjetividade refere-se à colaboração e troca de conhecimento facilitadas pelas interações digitais, formando uma base de compreensão compartilhada. Na filosofia, ela é explorada por pensadores como Husserl e Stein, segundo os quais, a empatia (Einfühlung) é o conceito-chave que permite ultrapassar o solipsismo (o eu isolado), reconhecendo o "Outro" não como um objeto, mas, como outro sujeito com sua própria vivência espiritual. 

 

A legitimação pelo outro nos traz a sensação de pertencimento. Ser ignorado ou "invisibilizado" é uma das formas mais profundas de sofrimento humano, pois, retira essa validação da nossa existência, o que nos faz perceber que os papéis que desempenhamos (filho, profissional, amigo, irmão) só existem na relação com as outras pessoas. O sociólogo Charles Cooley chamava isso de "eu especular": a ideia de que usamos o julgamento e a percepção dos outros como um espelho para entender nossa própria imagem e valor.

 

James Clear – Hábitos Atômicos – preceitua que cada ação que realizamos é como um "voto" para o tipo de pessoa que queremos ser. Por exemplo, arrumar a cama todo dia legitima a identidade de uma pessoa organizada. Ou seja, nossa identidade –"eu" autêntico – não é definida apenas pelo que pensamos ou desejamos, mas, pelas ações que repetimos consistentemente no dia a dia, que moldam nossa personalidade. Por oportuno, ressalto que 40% das nossas ações diárias são habituais, funcionando de forma automática.

 

Nossos hábitos atuais são uma reflexão direta de sua identidade atual, agindo como evidência interna de quem você acredita ser. Assim, o legitimo Maçom é aquele que estuda com frequência e conhece o significado dos símbolos de seu próprio rito; que é assíduo na loja à qual é filiado, arcando e cumprindo com todas as obrigações assumidas com sua potência maçônica; que reflete na própria família os ensinamentos adquiridos nas lojas que frequenta; e que é um exemplo de vida e de compostura diante da sociedade.

 

Segundo Ruy Nogueira, “não é Maçom quem quer. Não é por alguém se proclamar maçom regular que efetivamente o é. Ser maçom regular é difícil. Ninguém é obrigado a ser Maçom regular. Mas, quem o quiser ser tem de seguir e praticar os Princípios da Regularidade - e fazê-lo de forma inequívoca, de forma a que os demais maçons regulares reconheçam que assim é!” Se mantemos o hábito de cumprir promessas (mesmo as pequenas), construímos uma identidade de alguém confiável e íntegro.

 

Indubitavelmente, nosso cérebro observa nosso comportamento (hábitos) para concluir quem somos. Eles fornecem ao cérebro evidências concretas de nossa realidade, o que acaba imprimindo nossa autoimagem.  Nossos hábitos são a materialização dos nossos valores, portanto, a legitimidade ("assinatura") de nossa moralidade e de nossos objetivos de vida.  A legitimidade vem da coerência entre o discurso e a prática, assim construímos nossa autoconfiança e credibilidade que inspiramos nos outros e no mundo.  

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NADA HÁ COMO O OITO

 

Representando a união do mundo físico e espiritual, divino e terreno, além do equilíbrio entre ambição e justiça, o número oito simboliza vitórias, superação de obstáculos e um forte senso de honestidade e justiça. Cabendo aqui ressaltar que nenhuma conquista se galga, tão pouco permanece firme e duradoura, sem a dedicação de total atenção e carinho a tudo o que se faz, como que estivéssemos construindo nosso próprio "túmulo" (conhecimento e/ou legado que destinamos aos que virão depois de nós) através do esforço e do trabalho, com cuidado de não explodir valores íntimos. 

 

Assim reverbera a mestria de Antoine de Saint-Exupéry, através do “Pequeno Principe”: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" a nos ensinar que ao criarmos laços e conexões com algo ou alguém (cativação), assumimos um compromisso solene e duradouro de cuidado, afeto e responsabilidade por essa relação, que se torna única e especial, exatamente pelo nosso zelo, já que, “se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. (1 Timóteo 5:8). Nosso credo nos compromissa e responsabiliza!

 

Nisto compreendemos que a essência das relações humanas está na reciprocidade, na responsabilidade mútua que surge ao nos conectarmos verdadeiramente e no tempo dedicado, sob os auspícios do número oito que, deitado, forma o símbolo do infinito, indicando ciclos contínuos, sem começo, tão pouco fim, eternidade e renovação, firmando-se como um número de grande força, material e espiritual, que fala de poder para transformar e abundância quando há disciplina e equilíbrio, das quais brota a (auto)responsabilidade que conduz em segurança pelos caminhos relacionais.

 

É um lembrete poderoso de que as escolhas que fazemos ao nos conectarmos com o mundo criam deveres e um amor duradouro, e que essas relações, uma vez formadas, exigem nossa dedicação e cuidado para sempre, o que nos faz recordar da importância da interdependência funcional, cuja capacidade de integrar diferentes partes (pessoas, funções, sistemas) alcança um objetivo comum de promover coesão, inovação e eficácia, refletindo nosso dever de cuidar das nossas relações (amizade, amor ou mesmo com objetos e propósitos), pois, elas têm relevantes impactos em nossas vidas.


A interdependência funcional, para Émile Durkheim, é a base da solidariedade orgânica nas sociedades modernas, onde a divisão do trabalho especializa indivíduos e instituições (como família, escola, Estado) em funções distintas, tornando-os interdependentes para o funcionamento harmonioso do "organismo social", similar aos órgãos de um corpo humano, mantendo a coesão e a ordem social através da necessidade mútua, apesar da crescente individualização. A interdependência garante que, quando as partes funcionam corretamente, a sociedade se mantém estável e coesa.

 

Também conhecida como Solidariedade Orgânica, surge com a complexidade social e a especialização. Ao contrário da solidariedade mecânica (comum em sociedades simples, baseada na semelhança), a orgânica se baseia na diferença e na necessidade mútua: o padeiro precisa do professor, que precisa do médico, etc. É a contribuição de um fenômeno ou instituição para o equilíbrio e a construção da sociedade. Uma função (especialistas, trabalhadores, profissionais de diversas áreas) específica não é melhor que outra, mas todas são vitais para a harmonia.

 

A anomalia ocorre quando uma parte falha em sua função, ou quando as regras morais são frágeis, pode surgir a anomia (falta de normas), levando a problemas sociais, como o suicídio anômico, ilustrando a fragilidade da interdependência em crises, cumprindo às instituições (família –  socialização, escola – adaptação ao modo de vida –, Estado – regulação –, Igreja – moral –, todas com funções interdependentes para a estabilidade, garantir a harmonia e a ordem social nas civilizações, transformando a autonomia individual em uma conexão interdependência eficazmente funcional.

 

Curiosamente, a Maçonaria é analisada, sociologicamente, como um mecanismo de regulação da interdependência funcional, atuando como um sistema que conecta indivíduos de diferentes esferas sociais, econômicas e políticas (uma rede heterogênea) através de normas éticas e laços de fraternidade (a "unidade" simbólica). Essa abordagem sugere que, em uma sociedade funcionalmente diferenciada (onde cada um faz uma coisa diferente), a Maçonaria, incontestavelmente, cria uma formidável ambiência de coesão, solidariedade e regulação moral para seus membros. 

 

Promotora da Integração Funcional, a ambiência maçônica – distribuída em lojas como chama tais espaços que funcionam como centros de sociabilidade – é "regulada" pela fraternidade, que transforma conhecidos em irmãos, o que facilita cooperação mútua e eficazmente solidifica a interdependência funcional que os agrega num mesmo propósito que se ancora na solidariedade e suporte mútuo, a partir do qual regula as relações entre os adeptos, gerando confiança em um ambiente muitas vezes impessoal (modernidade). Vê-se, pois, que a Fraternidade maçônica não é meramente social.

 

Eticamente laboriosa, a Maçonaria assume a missão – e a busca cumprir com eficácia e precisão – de "aprimorar vidas" e "dedicar-se às boas obras", agindo como vetor de regulação, incentivando que a interdependência entre os membros no mercado de trabalho seja pautada pela honestidade. Atua como um sistema de regulação ao impor um código ético e de fraternidade (a "moral maçônica") sobre as interdependências funcionais de seus membros, unindo-os em uma teia de solidariedade, confiança e ação social direta, com foco em princípios como liberdade, igualdade e fraternidade. 

 

Embora a ajuda seja um efeito e não o fim, o ambiente maçônico facilita relações de confiança (capital social) que influenciam sagazmente o andamento de demandas pessoais e profissionais, exigindo que elas sejam justas, dignamente aferidas por seu Sistema de Moralidade que utiliza símbolos e alegorias das guildas de pedreiros medievais (como esquadro e compasso) para ensinar valores éticos aplicáveis no cotidiano. A filantropia maçônica é mais uma ferramenta de desenvolvimento moral, servindo como uma forma de "regulação" de sua presença e impacto na comunidade. 

 

Padronização de Comportamento de seus adeptos, chamados de ("Pedra Bruta" (que busca o aperfeiçoamento) atua como regulação interna daquele que busca moldar-se com uma “Pedra Cúbica” (perfeitamente utilizável na grande obra de si – seu templo interior), um cidadão magnificamente aprimorado, que age de forma justa e ética, que sob a regulação maçônica exerce plenamente a interdependência funcional na construção de uma sociedade inclusiva, harmônica, positivamente evolutiva, próspera e feliz, que são, indiscutivelmente, propósitos comuns aos homens sãos e sábios.

 

Como nenhuma outra forma de agremiação humana, a Maçonaria funciona como um amálgama social, pois, seus rituais e símbolos criam uma identidade comum que transcende as especializações profissionais e políticas, pois, sua essência iminentemente apascentadora (sereníssima) oportuniza aos indivíduos de diferentes estratos e funções sociais colaboram, mitigando as tensões inerentes à divisão do trabalho, sob a vigência de um código de conduta universalista que facilita a confiança e a previsibilidade nas interações entre membros na solidariedade orgânica com os congrega no mesmo propósito.

 

Indubitavelmente, percebemos que a Maçonaria funciona como uma rede de capital social de alta densidade, onde a confiança mútua, a fraternidade e a "preferência" dada a membros (irmãos) em igualdade de condições facilitam a troca de informações e o apoio mútuo. Essa estrutura reduz a "fricção" — ou os custos de transação — em interações econômicas e sociais, operando através de laços fortes e coesos. Cabendo dizer que a seleção e os laços sociais maçônicos funcionam como mecanismos de garantia que permite aos adeptos agirem com menor risco e maior confiança.

 

Uma confiança talhada nos feitos e efeitos da autorresponsabilidade que anima o homem, pois, é moldada e/ou construída ao longo do tempo através de atitudes proativas, resoluções de problemas e superação de desafios. São os "feitos" (ações concretas) que comprovam ao indivíduo sua própria competência, a partir dos resultados (efeitos) obtidos, principalmente, ao parar de culpar terceiros e assumir as rédeas da vida geram um ciclo positivo. Essa postura dá "ânimo" (força, motivação, coragem) porque elimina a vitimização e foca a energia no que é controlável. 

 

Notadamente, o sucesso ou o aprendizado com o erro aumenta a certeza de que a pessoa pode mudar seu destino. Um destino construído sobre as fundações sólidas da autoestima e autoconfiança sólidas, baseadas não em otimismo cego, mas, em evidências concretas da capacidade de gerar resultados por meio de suas próprias ações. É a convicção de que assumir a responsabilidade pela própria vida (autorresponsabilidade) transforma o "homem" de uma vítima das circunstâncias em um protagonista do mais augusto dos legados: o exemplo com o qual cativação arregimenta seus pares. 

 

O exemplo confere-nos uma confiança inabalável, que não nasce do otimismo vago, mas, da autorresponsabilidade. Ela é edificada através de condutas sólidas, superação e presença, gerando segurança emocional. Envolve a compreensão de que somos os agentes de mudança, responsáveis pelas nossas escolhas e resultados (arquitetos da realidade). Realidade (re) novada a cada novo ciclo, mediante a pertinente aferição do vivido no ciclo anterior (custo-benefício, positividade-negatividade, mérito-demérito, etc), pois, o infinito em nós não é inerte, tão pouco estático.

 

O infinito reflete eternidade, continuidade e ausência de limites, representado pelo símbolo lemniscata (oito deitado), introduzido por John Wallis no século XVII, que remete a ciclos sem fim e a uma fita contínua, sendo usado em matemática para valores sem fronteiras e em joias para amor e amizade eternos. O oito representa a força de conexões que se renovam infinitamente, baseadas na responsabilidade e na sabedoria (trocas justas, lealdade e no equilíbrio entre ambições materiais e espirituais). Ele reflete a máxima de "dar e receber", essencial às conexões saudáveis, seja no trabalho ou no amor. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

HABBEMUS REIPUBLICAE PERITUS?

 

Procura-se um estadista, pois, lhe cabe ir além da política do dia a dia para liderar com integridade e visão estratégica, priorizando o progresso da nação sobre vantagens pessoais ou partidárias. Dele é esperado domínio próprio, pois, é “melhor o homem paciente do que o guerreiro e mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”. (Provérbios 13:32)

 

Eis o que que diferencia o estadista busca reles político: a ideia de que o estadista pertence à coletividade, enquanto o político pensa que a coletividade lhe pertence, sublinha a diferença entre liderar com visão de longo prazo e buscar apenas vantagens pessoais. Um exímio planejamento estratégico foca no progresso da nação, superando a política do "dia a dia".

 

Dominar-se a si mesmo é essencial ao estadista buscado, pois o verdadeiro líder governa o seu espírito, demonstrando paciência e sabedoria, em vez de se deixar levar pela impulsividade ou pela sede de poder. Ele ancora suas relações – pessoais, profissionais e/ou sociais – na integridade e na honestidade que emergem de seus efeito e efeitos em prol do interesse público.

 

Erguendo-se sobre a paciência que de si transcende e tendo-o como estratégia, o estadista buscado compreende melhor o tempo dos processos históricos e a necessidade de construir consensos duradouros – nascidos do diálogo franco – diferente do "guerreiro", que "guerreiro" procura a vitória imediata pelo confronto, tendo o poder bruto a alavanca para expandir seus domínios.

 

Conhecendo-se a si mesmo, o estadista buscado percebe que a veraz vitória não é a acumulação de poder, mas, a preservação da integridade institucional e do bem comum, mesmo que isso exija sacrifício pessoal ou político. A liderança de Estado exige uma temperança que transcende a retórica, transformando a autoridade em serviço e a visão estratégica em legado social.

 

Evoco Platão, que historicamente enfatiza que o governante deve ser um sóphron (moderado), indicando que a capacidade de se dominar é pré-requisito para gerenciar os assuntos públicos. Radicando a temperança, como o "equilíbrio que sustenta grandes líderes" e garante que a autoridade não se transforme em tirania ou arbitrariedade – deméritos desumanizantes do homem.

 

A temperança, portanto, é fundamental para um estadista que buscamos, porque assegura-lhe o domínio da razão sobre as paixões e instintos, permitindo decisões equilibradas e a moderação no exercício do poder. Sendo uma virtude cardeal, a temperança protege o governante contra os excessos (corrupção, orgulho, ira) e promove o equilíbrio necessário para o bem comum.

 

Ao controlar lhe os apetites e o desejo por prazeres ou poder excessivo, a temperança ajuda o estadista buscado a manter-se em conduta honesta, prevenindo vícios e escândalos.  Temperante ele age com sobriedade e prudência, evitando decisões impulsivas, precipitadas ou guiadas apenas por interesses pessoais ou emoções passageiras, que uma leve brisa carrega para longe.

 

Propiciadora do diálogo e decoro, a temperança aponta a necessidade de diálogo, Mansidão e moderação nas atitudes, essencial para a democracia, pois, somente alguém hábil no emprego do equilíbrio emocional e da racionalidade, pois, transformam o detentor do poder em um servidor da justiça, garantindo que a razão prevaleça sobre a soberba e a ganância.  

 

Sem dúvida, este é o alicerce da integridade ética, já que, permite uma liderança imune à pressa, à raiva ou à vaidade. Um governante temperante analisa dados e consequências antes de agir, evitando políticas populistas ou autoritárias baseadas apenas em desejos imediatos, além de torna-se menos vulnerável a subornos ou ao uso da coisa pública para benefício próprio.

 

O autocontrole do líder transmite confiança à sociedade e às instituições. Em momentos de crise, a capacidade de manter a calma e a moderação, fruto do uso eficaz da temperança, evita a polarização extrema e promove a coesão social que é promovida, também, por justiça nas atitudes e pela igualdade de oportunidades para todos quantos compõem a coletividade.

 

Coesão social envolve inclusão e diversidade valorizadas, participação cívica e comunitária, políticas públicas inclusivas, comunicação eficaz, valores e identidade compartilhados, e um forte senso de pertencimento e solidariedade, reduzindo desigualdades e promovendo bem-estar e estabilidade social. O estadista buscado deve revestir-se de “Amigo de Todos”.

 

O “Amigo de Todos”, conscienciosamente, percebe que a coesão social é construída quando as pessoas se sentem conectadas, valorizadas e com oportunidades justas para participar da sociedade, promovendo a harmonia e o bem-estar coletivo. Requer diálogo aberto e interações positivas entre diferentes grupos, pois, criam confiança e compreensão, além do senso de unicidade.

 

O bom estadista vê na coesão social – processo pelo qual os indivíduos aprendem e internalizam as normas, valores e comportamentos necessários para funcionar na sociedade – a oportunidade de resgate da ética e o apoio a causas sociais transparentes, pois, são essenciais para renovar o pacto social e evitar a desintegração social, principalmente, em sede de sociedade líquida.

 

Sapiente do que é humano de fato, o estadista buscado entende que compete a condução de tudo que lhe orbita e que por ele é regido a um propósito da mais augusta relevância, educar e forma indivíduos respeitáveis pelo respeito que dedicam aos preceitos sociais comuns, inaugurando a solidariedade orgânica onde cada indivíduo dependa das habilidades dos outros.

 

Essa disposição para cooperar e ajudar o próximo, baseada na confiança mútua, é um indicador crucial de quão coesa é uma coletividade, pois, o envolvimento ativo dos indivíduos nos processos de decisão e a garantia de direitos leva-os à sensação de são parte integrante da Estado. Pois, “o fruto (deste) Espírito é: amor, alegria, paz, bondade, fidelidade, domínio próprio”. (Gálatas 5:22-23)

 

Do estadista é o cultivo de uma visão de longo prazo que engaje e direcione a coletividade para um futuro melhor, inspirar e dar sentido à ação coletiva, pois, seu legado vai além do seu tempo de mandato. Um legado construído sobre a fundação sólida da coragem para decisões difíceis, da humildade, da coerência, do conhecimento histórico e sensibilidade social.

 

Incondicionalmente, o estadista que buscamos alimenta propósitos focados no desenvolvimento estrutural e no bem-estar duradouro da população, pois, é seu o compromisso de servir ao bem comum com integridade, de agir como um "desenvolvimentista moderno" que equilibra crescimento com responsabilidade social e fiscal, ancorado em sabedoria e habilidade técnica.

 

Em suma: o estadista que buscamos (nato) surge em momentos críticos e é alguém humilde e ousado, que se equilibra entre a coragem para tomar decisões difíceis e inovadoras (ousadia) e o reconhecimento de que o poder é transitório e emana do povo (humildade). Uma figura integradora, que busca o consenso e evita a fragmentação excessiva em quais campos do viver coletivo.


CARIDOSO DIA PARA TODOS NÓS!

  Eis que o dia hoje (05/09) resplandece, é Dia do Irmão! Cuidem, pois, o primeiro irmão a ser festejado somos nós mesmos, já que, somente q...