domingo, 18 de janeiro de 2026

HABBEMUS REIPUBLICAE PERITUS?

 

Procura-se um estadista, pois, lhe cabe ir além da política do dia a dia para liderar com integridade e visão estratégica, priorizando o progresso da nação sobre vantagens pessoais ou partidárias. Dele é esperado domínio próprio, pois, é “melhor o homem paciente do que o guerreiro e mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”. (Provérbios 13:32)

 

Eis o que que diferencia o estadista busca reles político: a ideia de que o estadista pertence à coletividade, enquanto o político pensa que a coletividade lhe pertence, sublinha a diferença entre liderar com visão de longo prazo e buscar apenas vantagens pessoais. Um exímio planejamento estratégico foca no progresso da nação, superando a política do "dia a dia".

 

Dominar-se a si mesmo é essencial ao estadista buscado, pois o verdadeiro líder governa o seu espírito, demonstrando paciência e sabedoria, em vez de se deixar levar pela impulsividade ou pela sede de poder. Ele ancora suas relações – pessoais, profissionais e/ou sociais – na integridade e na honestidade que emergem de seus efeito e efeitos em prol do interesse público.

 

Erguendo-se sobre a paciência que de si transcende e tendo-o como estratégia, o estadista buscado compreende melhor o tempo dos processos históricos e a necessidade de construir consensos duradouros – nascidos do diálogo franco – diferente do "guerreiro", que "guerreiro" procura a vitória imediata pelo confronto, tendo o poder bruto a alavanca para expandir seus domínios.

 

Conhecendo-se a si mesmo, o estadista buscado percebe que a veraz vitória não é a acumulação de poder, mas, a preservação da integridade institucional e do bem comum, mesmo que isso exija sacrifício pessoal ou político. A liderança de Estado exige uma temperança que transcende a retórica, transformando a autoridade em serviço e a visão estratégica em legado social.

 

Evoco Platão, que historicamente enfatiza que o governante deve ser um sóphron (moderado), indicando que a capacidade de se dominar é pré-requisito para gerenciar os assuntos públicos. Radicando a temperança, como o "equilíbrio que sustenta grandes líderes" e garante que a autoridade não se transforme em tirania ou arbitrariedade – deméritos desumanizantes do homem.

 

A temperança, portanto, é fundamental para um estadista que buscamos, porque assegura-lhe o domínio da razão sobre as paixões e instintos, permitindo decisões equilibradas e a moderação no exercício do poder. Sendo uma virtude cardeal, a temperança protege o governante contra os excessos (corrupção, orgulho, ira) e promove o equilíbrio necessário para o bem comum.

 

Ao controlar lhe os apetites e o desejo por prazeres ou poder excessivo, a temperança ajuda o estadista buscado a manter-se em conduta honesta, prevenindo vícios e escândalos.  Temperante ele age com sobriedade e prudência, evitando decisões impulsivas, precipitadas ou guiadas apenas por interesses pessoais ou emoções passageiras, que uma leve brisa carrega para longe.

 

Propiciadora do diálogo e decoro, a temperança aponta a necessidade de diálogo, Mansidão e moderação nas atitudes, essencial para a democracia, pois, somente alguém hábil no emprego do equilíbrio emocional e da racionalidade, pois, transformam o detentor do poder em um servidor da justiça, garantindo que a razão prevaleça sobre a soberba e a ganância.  

 

Sem dúvida, este é o alicerce da integridade ética, já que, permite uma liderança imune à pressa, à raiva ou à vaidade. Um governante temperante analisa dados e consequências antes de agir, evitando políticas populistas ou autoritárias baseadas apenas em desejos imediatos, além de torna-se menos vulnerável a subornos ou ao uso da coisa pública para benefício próprio.

 

O autocontrole do líder transmite confiança à sociedade e às instituições. Em momentos de crise, a capacidade de manter a calma e a moderação, fruto do uso eficaz da temperança, evita a polarização extrema e promove a coesão social que é promovida, também, por justiça nas atitudes e pela igualdade de oportunidades para todos quantos compõem a coletividade.

 

Coesão social envolve inclusão e diversidade valorizadas, participação cívica e comunitária, políticas públicas inclusivas, comunicação eficaz, valores e identidade compartilhados, e um forte senso de pertencimento e solidariedade, reduzindo desigualdades e promovendo bem-estar e estabilidade social. O estadista buscado deve revestir-se de “Amigo de Todos”.

 

O “Amigo de Todos”, conscienciosamente, percebe que a coesão social é construída quando as pessoas se sentem conectadas, valorizadas e com oportunidades justas para participar da sociedade, promovendo a harmonia e o bem-estar coletivo. Requer diálogo aberto e interações positivas entre diferentes grupos, pois, criam confiança e compreensão, além do senso de unicidade.

 

O bom estadista vê na coesão social – processo pelo qual os indivíduos aprendem e internalizam as normas, valores e comportamentos necessários para funcionar na sociedade – a oportunidade de resgate da ética e o apoio a causas sociais transparentes, pois, são essenciais para renovar o pacto social e evitar a desintegração social, principalmente, em sede de sociedade líquida.

 

Sapiente do que é humano de fato, o estadista buscado entende que compete a condução de tudo que lhe orbita e que por ele é regido a um propósito da mais augusta relevância, educar e forma indivíduos respeitáveis pelo respeito que dedicam aos preceitos sociais comuns, inaugurando a solidariedade orgânica onde cada indivíduo dependa das habilidades dos outros.

 

Essa disposição para cooperar e ajudar o próximo, baseada na confiança mútua, é um indicador crucial de quão coesa é uma coletividade, pois, o envolvimento ativo dos indivíduos nos processos de decisão e a garantia de direitos leva-os à sensação de são parte integrante da Estado. Pois, “o fruto (deste) Espírito é: amor, alegria, paz, bondade, fidelidade, domínio próprio”. (Gálatas 5:22-23)

 

Do estadista é o cultivo de uma visão de longo prazo que engaje e direcione a coletividade para um futuro melhor, inspirar e dar sentido à ação coletiva, pois, seu legado vai além do seu tempo de mandato. Um legado construído sobre a fundação sólida da coragem para decisões difíceis, da humildade, da coerência, do conhecimento histórico e sensibilidade social.

 

Incondicionalmente, o estadista que buscamos alimenta propósitos focados no desenvolvimento estrutural e no bem-estar duradouro da população, pois, é seu o compromisso de servir ao bem comum com integridade, de agir como um "desenvolvimentista moderno" que equilibra crescimento com responsabilidade social e fiscal, ancorado em sabedoria e habilidade técnica.

 

Em suma: o estadista que buscamos (nato) surge em momentos críticos e é alguém humilde e ousado, que se equilibra entre a coragem para tomar decisões difíceis e inovadoras (ousadia) e o reconhecimento de que o poder é transitório e emana do povo (humildade). Uma figura integradora, que busca o consenso e evita a fragmentação excessiva em quais campos do viver coletivo.


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