sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

UMA ERA DE MODERNISMO COM CRITÉRIO, MAS PROGRESSISTA

 

“Tudo me é permitido, mas, nem tudo me convém”, esclarece Paulo em sua primeira carta aos Coríntios, como que a admoestar a Saulo de Tarso, que ainda em si habita com sua irreverência, sua euforia e, principalmente, com seu proativo stalking sempre direcionado ao que lhe é contrário. Saulo é para Paulo o que o lado negro é para a lua: obscuro, tenebroso e, indiscutivelmente, imprevisível. Todos nós temos um lado escuro, cuja força indelével é domada pelos limites que lhe impomos, pois, ainda que reine licitude, todo feito tem consequências, sendo sábio e sadio aferir se seus efeitos trazem bonança e protagonismo à coletividade da qual se é parte.

 

Responsáveis socialmente, ao invés de uma imagem idealizada do Brasil, os modernistas traziam uma visão antropofágica retratada numa arte comprometida com a realidade nacional – crítica e, por vezes, "grotesca" da identidade nacional –, “afastando-se da mera cópia dos modelos europeus” – frase que define o cerne da independência cultural brasileira. Proposta por Oswald de Andrade, a antropofagia não significava rejeitar a cultura europeia, mas sim, "devorá-la", absorvendo suas técnicas vanguardistas e reprocessando-as com elementos nativos (indígenas, africanos e populares) para o ciese do (i)novo – autêntico e original – permanente desde então no Brasil.

 

Os modernistas revolucionam a literatura brasileira, permitindo que ela passasse de uma "mera herança cultural" para uma "composição cultural" autônoma. Liderado por figuras como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, o movimento buscou romper com o academicismo, o parnasianismo e a dependência estética de Portugal e da França. Houve uma forte valorização da identidade brasileira, da língua coloquial (o "português falado no Brasil" em vez do padrão lusitano), das lendas, da fauna, da flora e da temática social brasileira. Especialmente com a Geração de 30, a literatura mergulhou nos problemas sociais do Nordeste e de outras regiões.

 

O Estado Novo (de Vargas) auroresceu os anos 30, valorizando o modernismo, mas, depurado de suas experiências mais radicais, transformando-o em símbolo oficial do nacionalismo cívico. Aproveitou-se do conceito de miscigenação (influenciado por Gilberto Freyre) e fomentou a ideia de união nacional, transformando elementos da cultura popular, como o samba e o futebol, em símbolos oficiais do país. O modernismo é (desde sempre) uma ferramenta cultural que dialoga com as estruturas autoritárias e nacionalistas, não só da Era Vargas, e age constantemente como mediador, apoiando desde o nacionalismo varguista, enquanto a arte oficial do Estado Novo focava na ordem, pátria e no trabalho; rumando até a construção da identidade brasileira como a temos hoje.

 

Justiça seja feita, o positivismo, forte na maçonaria brasileira e no Exército, influencia a busca por uma nova ordem social e cultural, alinhando-se com o desejo de renovação dos modernistas, a pleno vapor na Era Vargas. A Maçonaria, no Estado Novo, atuou no bastidor político e educacional para a "modernização educativa" do Brasil, através da defesa da educação laica e racional. Embora não haja um registro unânime sobre quais modernistas eram maçons ativos, a influência do liberalismo maçônico preparou o terreno intelectual para a aceitação de novas ideias estéticas e filosóficas propostas pelos modernistas, sendo parte da história intelectual brasileira. Ainda assim, cabe destacar entes humanos magníficos como Benjamim Constant – capital intelectual maçônico cativante – que deixaram seu legado glorioso a disposição dos Brasileiros

 

Embora a Maçonaria seja uma instituição tradicionalmente masculina, muitos maçons apoiaram as causas sufragistas do início do século XX, vendo o voto feminino como uma extensão natural da liberdade civil e da cidadania. Sob este auspício, o Brasil instituiu o voto feminino em 24 de fevereiro de 1932 – a exemplo do Equador que o fez primeiro – por meio do Código Eleitoral promulgado por Getúlio Vargas, que não foi Maçom, porém, era virilmente influenciado por seu pai, Manoel do Nascimento Vargas (Loja Vigilância Fé) e pelos irmãos, Coronel Manoel Viriato Dornelles Vargas (Loja Brasil) e o Coronel Protásio Vargas (Loja Brasil). Quem sai aos seus, não degenera!

 

Decididamente, a relevância do voto feminino vai muito além do simples ato de depositar uma cédula na urna; ele é o alicerce da democracia moderna e o ponto de partida para a conquista de direitos civis básicos para as mulheres. Antes do sufrágio, as mulheres eram frequentemente consideradas juridicamente incapazes, subordinadas a pais ou maridos e impedidas de participar de decisões públicas. O direito ao voto simbolizou o reconhecimento da mulher como cidadã plena, com voz própria e capacidade de influenciar os rumos da nação, como deve ser! Atualmente, as mulheres são a maioria do eleitorado (cerca de 52,4%), o que as torna a força decisiva na escolha de representantes em todos os níveis.

 

Uma democracia só é plena quando todos os grupos da sociedade estão representados. O voto feminino permitiu que pautas específicas (saúde da mulher, proteção à infância, equidade no trabalho) entrassem na agenda política. A legislação evoluiu para garantir que pelo menos 30% das candidaturas sejam de um dos gêneros, além de exigir que recursos públicos de campanha e tempo de TV sejam distribuídos proporcionalmente às candidatas. A entrada das mulheres na política pressionou por legislações que antes eram ignoradas. Conquistas como o direito à educação superior e igualdade salarial, dentre outras, são exemplos de leis que foram impulsionadas por essa maior participação e representatividade feminina.

 

Getúlio Vargas, embora tenha suspendido atividades de maçonaria durante o Estado Novo, promulgou a CLT, concluindo a semeadura de Washington Luiz, que abrira caminho para isto com a criação de Câmara de Mediação. Muitos juristas e políticos influentes na época, maçons ou influenciados por seus ideais de "fraternidade", defendiam a regularização do trabalho para evitar conflitos de classe. Cabendo destacar, Joaquim Pedro Salgado Filho, Primeiro Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio (1932-1934), responsável pela criação da Carteira de Trabalho e das regulamentações sobre férias e jornada. Salgado Filho, maçom dedicado, teve grande participação na Loja Capitular Harmonia, sendo considerado ícone da maçonaria paraense e sustentáculo do jornal maçônico "O Pelicano”.

 

Orgulhosamente, desde 1943, o Brasil é referência na proteção ao trabalhador devido à robustez de sua legislação trabalhista, especialmente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que consolidou direitos fundamentais e continua sendo um dos conjuntos de leis mais extensos do mundo.  Sob a regência do nível e do prumo, o direito do trabalho brasileiro é guiado pelo "princípio da proteção" (norma mais favorável ao trabalhador), que visa equilibrar a relação de desigualdade entre patrão e empregado. Plenamente absorvida pela Constituição Federal de 1988, que colocou o trabalho como direito fundamental e fortalecendo a proteção social, as garantias já existentes na CLT foram ampliadas.

 

A participação da maçonaria na elaboração técnica do direito brasileiro não só é incontestável, como formidável são seus produtos. E no Estado Novo de Vargas isso não foi diferente. O Código de 1940 refletia o caráter técnico e secular, consolidando a autoridade do Estado na aplicação da norma penal, um princípio caro à visão positivista compartilhada por muitos maçons da elite política. Roberto Lyra, renomado jurista brasileiro conhecido como o "Príncipe do Ministério Público" e Grande Orador do Grande Oriente do Brasil (Loja Liberdade e União) foi o principal responsável pela parte do Código Penal que trata das medidas de segurança.

 

Sendo o terceiro e mais longevo código da história do Brasil, O Código Penal Brasileiro demonstra prodigiosa capacidade de adaptação através de reformas pontuais, mantendo sua Parte Geral técnica, enquanto a Parte Especial evolui sempre que pertinente para acompanhar as mudanças sociais. Funciona hoje como uma "tríade" junto ao Código de Processo Penal e à Lei de Execução Penal, garantindo que o convívio em sociedade seja regido por normas claras e previsíveis. Com o advento da Lei de Execução Penal (1984), o sistema buscou ir além do castigo, focando na reeducação do condenado. Absorvido pela Constituição Federal de 1988, O Código firmou-se como instrumento que operacionaliza princípios constitucionais como a Legalidade (não há crime sem lei anterior) e a Humanidade das penas (proibição de tortura ou penas cruéis).

 

Sob a tutela modernista avança o Brasil sempre progressista. Além da arte, o ideário modernista influenciou o urbanismo e a arquitetura, culminando em projetos como a construção de Brasília, que ainda hoje estimula a busca por um Brasil moderno, funcional e com identidade própria, tendo “voz” a partir da liberdade de expressão, livre dos condicionamentos trazidos por quem não tem em si a brasilidade nativa, vetores que impulsionam a nação a superar-se diuturnamente, valorizando a língua falada pelo povo, os temas nacionais, o folclore, a cultura popular. Ao contestar o tradicional e abraçar a liberdade de estilo, o Modernismo forçou o Brasil a olhar para suas próprias peculiaridades com mais consciência, senso de humor, ironia e, sobretudo, discernimento crítico.   

 

Discernir me lembra que “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém" (1 Coríntios 6:12), significa que, embora o ser humano tenha livre arbítrio para realizar qualquer ação, nem todas as escolhas são benéficas, construtivas ou saudáveis para si, para a família ou para a comunidade. Traz como conceito central a liberdade com responsabilidade, pois, embora o ser humano possua o livre-arbítrio para agir como desejar, a maturidade reside em filtrar essas ações através de dois critérios: Edificação - ação que constrói algo positivo para si ou para o próximo - e Domínio Próprio - a capacidade de não se tornar escravo de seus próprios desejos ou hábitos. É um "choque" de realidade que nos leva à reflexão sobre a "brasilidade".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

INOVO É BRASILIDADE MANIFESTANDO PROGRESSO

 

O (i)novo sempre assusta, mas, apesar da forte resistência, vaias e críticas conservadoras (como as de Monteiro Lobato a Anita Malfatti em 1917), os modernistas foram fundamentais para consolidar avanços significativos no Brasil, que passou a (auto)valorizar suas raízes indígenas, afrodescendentes, além dos incontáveis contributos de outras etnias que compõe o DNA Brasileiro, desta brasilidade emerge a identidade cultural brasileira.

 

Sob a inventividade do (i)novo constante, o Brasil assume sua cor, tendo seu primeiro presidente negro (ou pardo), o Excelentíssimo Brasileiro, Nilo Peçanha, ainda que pesquisas históricas confirmem que fotos oficiais de Peçanha foram retocadas para "clarear" sua pele, refletindo o racismo estrutural da elite da época (de sempre) que tenta apagar suas origens africanas. Uma tímida hipocrisia que jamais tirará a luz deste maçom formidável.

 

O Governo de Nilo, embora curto, porém, habilidoso, produziu reformas institucionais profundas, que sobriamente mantiveram o leme da “Nau Brasil” firme rumo ao melhor futuro que se via à frente vanguardista diligência brasileira, ainda que, a disputa sucessória entre maçons: Marechal Hermes da Fonseca e a “Águia de Haya”: Rui Barbosa, tenha gerado animosidades, instabilidades e promovido intervenções federais em Estados. 

 

Nilo, laborou pelo bem do povo brasileiro e pela glória do Brasil que seu altruísmo e alteridade fomentavam. Inaugurou as Escolas de Aprendizes e Artífices, base para o que hoje é a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (embrião dos IFs/CEFETs). Isto o fez reconhecido, desde então, como o Patrono da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil. Educar faz bem ao homem, que cura o mundo!

 

Instituiu o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, modernizando a gestão econômica do país, ainda hoje este Tripé fenomenal que dá asas ao povo que produz e não reclama, pois, cria soluções e não espera a pedra de corisco e ele fez do Brasil uma “Potência Exportadora” sob seu labor intenso e profícuo. A alta nos preços internacionais de grãos e minério de ferro impulsionam o PIB independentemente de quem governa o Brasil.

 

Vanguardista Nilo, criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), por ele criado o objetivo de integrar as comunidades indígenas, protegê-las de conflitos, garantia indiretamente preservação da Amazonia, sob a gestão do Marechal Cândido Rondon. O zelo com o meio-ambiente é dever do homem, primeiramente, cuidado este que tem êxito pleno quando as instituições ofertam as alavancas necessárias. Com este animus, fez saneada a Baixada Fluminense.

 

Vindo de origem humilde e do interior do Rio de Janeiro. Nilo rompeu barreiras na elite aristocrática, mesmo sofrendo intenso racismo. Ele afirmava que "onde existe afeto, existe compreensão", tentando superar as divisões políticas da época. Seu governo viu o fim da harmonia entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais na "Campanha Civilista", o que provocou seu rompimento com o influente líder Pinheiro Machado.

 

Ainda assim, o lema "Paz e Amor" e sua postura íntegra, serena, embora firme, levaram Nilo a ser alvo de charges e críticas da imprensa da época, que debochava de sua origem humilde e de sua mestiçagem, com um foco no racismo científico da época, ridicularizavam sua ascendência, utilizando a expressão pejorativa "mestiço do Morro do Coco". A Revista “O Malho”, por exemplo, enfatizava sua cor de pele de maneira caricata e preconceituosa. 

 

Curiosamente, quem o açoitava era a revista O Malho (Rio de Janeiro, 1902-1954), uma das mais influentes publicações ilustradas de sátira política e humor da Primeira República brasileira, caracterizada por seu estilo crítico e irreverente, não mantinha nenhum a relação com maçonaria formalmente, ainda assim, a revista em seu bojo era a mais augusta expressão do contexto ideológico e cultural maçônico, inclusive presença do simbolismo da maçonaria.

 

Filho de um Padeiro laborioso e de mãe exímia, que souberam criar excelentemente o menino Nilo dotando-o de excelsos valores, suficientes para elegê-lo a proeminente político brasileiro e a membro ativo da Maçonaria, na qual atingiu o grau 33 e a recompensa maior do dedicado labor do maçom: Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. Maçonicamente ou não, Nilo, exemplo de dedicação à educação e cultura, é objeto de estudos e publicações. 

 

Incontestavelmente, o governo de Nilo Peçanha (1909-1910), embora breve, deixou um legado estrutural significativo que funciona até os dias atuais, especialmente nas áreas de educação profissional e proteção indígena. Essas ações transformaram o ensino técnico em uma política de estado (pública e gratuita) e iniciaram uma abordagem institucional de proteção aos povos originários que se reflete, de forma evoluída, nas instituições modernas.

 

Embora não seja um "órgão", o lema (conceito) "Paz e Amor", frequentemente citado na história política brasileira, é uma das primeiras tentativas de conciliação nacional. O amor de Nilo pelo brasileiro, que constitui o Brasil com sua abnegação, coragem e magnífica inteligência, é recompensado pelo Ministério da Educação que o tornou patrono do monitoramento de dados da rede federal de ensino: Plataforma Nilo Peçanha.

 

O (i)novo é sempre bravo porque alarga fronteira; feliz porque promove pertencimento – união, convivência e empatia –; formidável porque desvela mistérios, segredos ao passo que compartilha conhecimentos e educa a plântula da sabedoria. Inovar é a aurorescente missão da brasilidade, para a qual tudo é infante, vivaz; tudo é novo! Nada envelhece, nada resta obsoleto, ao contrário, a brasilidade (re)inventa, renova, faz novo tudo que ela toca.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ABRE O ZÓI!

“O pior cego é aquele que não quer enxergar” é um veemente lampejo sobre as limitações humanas e o direito presentes na obra de José Saramago. Pra mim, é cascudo seguido da fala: “abre o zói” – uma expressão norteadora de caminhos, atitudes, além de instrutiva, proferida pela mais augusta das mulheres: “a mãe nordestina”.

 

Celebrada como um símbolo de força, coragem e resiliência é a coluna mestra (a "matriarca") da família. Caracterizada por sua capacidade de superação frente aos desafios históricos e sociais da região, tem no amor incondicional e na postura firme os vetores para a educação dos filhos, dentro dos padrões de retidão altruísta e prudente coragem.

 

Moldada por um sincretismo religioso que une tradições católicas, indígenas e de matriz africana, onde a fé atua tanto como proteção quanto como herança cultural, ser “mãe nordestina é uma identidade sagrada e guerreira, contemplada e festejada como uma "entidade" que nutre, cuida e cura, perpetuando o poder feminino ancestral na sociedade. 

 

Ser mãe nordestina é uma "obra à parte", que mistura a "terra vermelha" (raízes) com a necessidade de se adaptar e superar, mantendo a alegria e a tradição. Reconhecida como patrimônio cultural, a matriarca é a guardiã do que há de mais inefável na arte de “ser nordestino", riqueza com que ela adorna gerações e gerações de seres humanos dignos.

 

A "arte de ser nordestino" é reverbera continuamente a resiliência, a criatividade e a humanidade de um povo que transforma sua história em um adorno para o mundo. Ser nordestino é carregar um legado vibrante que transforma as dificuldades em identidade e beleza, com a qual influencia através da música e das artes em geral todo o Brasil.

 

Ser nordestino é carregar uma herança onde a escassez de chuva nunca significou escassez de alma. Essa "riqueza" que adorna gerações é forjada na resistência, na (re)inventividade e em uma dignidade que transforma o barro em arte e o repente em sabedoria. O Nordeste não é apenas um lugar no mapa, mas um estado de espírito que enobrece quem o vive. 

 

A relevância de ser nordestino é carregar a essência da brasilidade, valorizando a família, a fé, a alegria, a hospitalidade e a honra, valores que são passados como joias de pais para filhos, mantendo viva a chama da ancestralidade, mesmo diante das adversidades. O nordestino é, acima de tudo, perseverante, cativante, proeminente e, por que não, radiante.

 

Ser nordestino é ser um pilar central da identidade brasileira, unindo uma herança histórica profunda a um protagonismo econômico e político crescente. O Nordeste é berço de grandes intelectuais e artistas que moldaram a literatura e a música brasileira, como Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Luiz Gonzaga, entre outros.

 

Augusto dos Anjos, destacado nordestino e poeta brasileiro singular do pré-modernismo explora, em sua poesia, o "Eu", o cosmos e a busca por verdades universais através de uma linguagem técnica e metafísica, o que por vezes ressoa com a busca por conhecimento defendida pela Maçonaria, embora com ela nenhum vínculo documentado exista, que não sejam homenagens póstumas. 

 

João Cabral de Melo Neto, famosamente conhecido como o "poeta engenheiro" por seu estilo racional e por obras como “A Educação pela Pedra”, onde termos como "pedra bruta", "lapidação" e "construção" são centrais em sua poética, referindo-se ao rigor formal e à estética literária, e não a rituais maçônicos, pelo que defendia, teria sido um excelente maçom.

 

Sua a trajetória é amplamente documentada pela Academia Brasileira de Letras, focando em sua carreira como diplomata e um dos maiores expoentes da Geração de 45 – do qual é expoente máximo, buscando um retorno ao equilíbrio e à pesquisa estética, após as rupturas mais explosivas do no Teatro Municipal Paulistano (1922), onde vaias e gritos repudiavam aos modernistas.  

 

Sua carreira no Itamaraty, laborada por mais de quatro décadas, o levou a cidades como Barcelona e Sevilha, além de outros significativos países, cujas paisagens e cultura (como as touradas e o flamenco) fundiram-se à sua temática nordestina original. As paisagens e culturas estrangeiras influenciaram sua visão de mundo e a construção de sua obra. 

 

A obra de João Cabral é marcada pela temática do Nordeste (seus engenhos, o rio Capibaribe), pela secura do sertão e pela objetividade, sem sentimentalismo. O poema dramático "Morte e Vida Severina" é seu trabalho mais celebrado, utilizando o rigor técnico para denunciar a realidade social e o “êxodo nordestino” – um marco da literatura engajada socialmente no Brasil.

 

Luiz Gonzaga, "Rei do Baião" e Pernambucano arretado, foi um membro ativo da Maçonaria, iniciado em abril de 1971 na Loja Paranapuan, no Rio de Janeiro. Exerceu uma política cultural e social através da música, denunciando mazelas do Nordeste, como em "Vozes da Seca", embora mantendo postura conservadora, o que conflitava com seu filho, Gonzaguinha.

 

Durante a ditadura militar, Luiz Gonzaga manteve uma relação cordial com o regime, uma postura pragmática de aproximação com o poder instituído para tentar viabilizar projetos de desenvolvimento e infraestrutura para sua região, muitas vezes ignorada. Ele “zoiava” o mosaico-vida e via que o progresso, em todos os sentidos, é fruto da feliz convivência que o diálogo constrói.

 

Chamado ao político-partidaríssimo, percebeu que políticos e eleitores tentavam "comprar e vender" votos, uma argucia que aborreceu Gonzaga, que declarou não precisar pagar para ser eleito. Incorruto, preferiu manter sua posição como “súdito do amor de seu povo” e como "monarca da sanfona", em vez de entrar em um sistema que considerava estranho aos seus valores. 

 

Em 2024, Luiz Gonzaga foi oficialmente inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, consolidando seu papel político como símbolo da resistência cultural nordestina. Suas músicas, ainda hoje, exigem condições básicas para prosperarem os nordestinos, destacando a seca e a desigualdade, denunciando a marginalização da região, como que dizendo: “abre o zói”!

 

Abre o zói, representa, além de um olhar curioso, observador, com venturante boa vontade e vivaz respeito pelo outro, um efusivo chamado estar atento, vigilante ou alerta a sinais de alerta, principalmente, quando algo pode sair fora de controle ou há iminente engano à vista. É olhar digressões e perfídias sob a candieiro da alteridade, com faz a “Mãe Nordestina.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A BRASILIDADE IMORTALIZA O BRASILEIRO

 

Nada mais magnífico do que o povo brasileiro, fruto de um processo de mistura e intercâmbio, conhecido como miscigenação, que envolve elementos de diversas etnias, saberes, crenças religiosas e formas de arte, formando um povo cujas características não são nem um pouco homogêneas.

 

A diversidade fulcrou-se característica basilar deste povo. No conceito de povo estão incluídos os brasileiros natos e naturalizados, conhecidos por transmitirem sua essência nas pequenas atitudes: espontaneidade, a alegria, a irreverência e a simpatia podem ser elencadas como as principais.

 

São elementos que evidenciam o “jeitinho brasileiro” – expressão amplamente citada e são as características peculiares existentes em cada pessoa do país –, como também, o é o dinamismo. A brasilidade, mais que um aspecto comercial, configura-se como algo vivencial.

 

No segmento de economia criativa, que valoriza a criatividade, a inovação e a cultura como motor para o desenvolvimento, transparecer esses aspectos e imprimi-los nos mais diversos produtos a brasilidade é um diferencial competitivo fomentado pelo notável capital intelectual do povo brasileiro.

 

Ainda que formidável, o capital humano brasileiro vive um momento de contradição: embora o país tenha subido 5 posições no ranking global de Desenvolvimento Humano da ONU em 2025, a desigualdade de oportunidades ainda limita o potencial econômico e social de milhões de cidadãos. 

 

O acesso ao desenvolvimento do capital humano é restringido pela forte concentração de riqueza – 63% da riqueza total está nas mãos de apenas 1% da população. Essa disparidade cria pontos de partida desiguais, onde o CEP de nascimento muitas vezes define o teto do sucesso individual. 

 

Mesmo que a Teoria do Capital Humano aponte que a qualificação eleva a renda e a qualidade de vida, o sistema brasileiro enfrenta desafios estruturais. A discrepância entre o ensino público e privado ainda barra a mobilidade social, embora o analfabetismo esteja caindo entre os jovens

 

A igualdade plena – tão cultuada pela Maçonaria – ainda esbarra em preconceitos estruturais. Mulheres ainda ganham menos que homens, e a equiparação salarial entre negros e brancos permanece estagnada, com negros ganhando, em média, metade do salário de brancos.

 

Aquecido – com desemprego em mínimos históricos de 5,2% em 2025 –, o mercado de trabalho impõe obstáculos tanto para jovens sem experiência quanto para profissionais acima de 40 anos. A desigualdade social é o maior medo dos brasileiros, aponta o Instituto Ipsos.

 

Para superar essas barreiras, o mercado está migrando para a lógica de "skills-first" (habilidades vem primeiro), onde o impacto mensurável e as habilidades humanas (criatividade, pensamento crítico e potencial de engajamento) ganham mais peso que o diploma, idade e/ou gênero.

 

O Brasil vive um momento de "dualidade" empolgante, apresenta um crescimento econômico robusto, embora distribuir essa riqueza de forma equitativa, seja uma meta desafiadora. Apesar da melhora, ainda é o 5º país mais desigual do mundo, segundo o World Inequality Report de 2025.

 

Mesmo assim, a inventividade do povo brasileiro é audaz, sagaz e eficaz. O desenvolvimento do Pix pelo Banco Central do Brasil é reconhecido internacionalmente como um modelo de sucesso em digitalização e democratização bancária. Agilidade é alma do progresso!

 

Em poucas décadas, o Brasil deixou de ser um importador de alimentos para se tornar um dos maiores exportadores do mundo, graças aos avanços tecnológicos desenvolvidos pela Embrapa. Yes! Nós temos bananas (João de Barro/1937); temos muito mais do que somente bananas para alimentar o mundo inteiro.

 

O Brasil destaca-se mundialmente como líder em transição energética, com uma das matrizes mais limpas do planeta, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2025, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

 

Imbativelmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) é, de fato, um gigante global, garantindo acesso universal e gratuito a mais de 200 milhões de brasileiros. Aportando, ainda, o maior sistema público de transplantes do mundo, onde cerca de 90% dos procedimentos são financiados pelo Estado.

 

Estudos indicam que o capital humano (educação e esforço da força de trabalho) é o principal motor da economia brasileira em períodos recentes. Enquanto outros países avançaram via inovação, o modelo brasileiro focou intensamente no esforço e na dedicação do trabalhador para elevar o PIB.

 

O desafio atual é converter essa dedicação em valor agregado, investindo em qualificação e tecnologia para que o crescimento não dependa apenas do bônus demográfico, que está chegando ao fim, passando a exigir investimento em capital humano para operar em setores de alta complexidade. 

 

Irrefutavelmente, o capital humano brasileiro – conjunto de conhecimentos, habilidades e saúde da nossa população – vive um momento crítico de transição, ajudado pelo "jeitinho brasileiro" – capacidade de improvisação e pensamento lateral – cujo protagonismo que sustenta grande parte da economia.

 

Como transformar essa capacidade de improvisação em inovação sistemática? Sem saúde e educação de qualidade para todos, o "jeitinho" – a capacidade de adaptação – deixa de ser um diferencial competitivo para se tornar apenas um mecanismo de sobrevivência, evitando maiores colapsos em tempos de crise.

 

Com o fim do bônus demográfico, a saúde e a longevidade da força de trabalho tornaram-se pilares críticos. O Banco Mundial destaca que investir na primeira infância é a estratégia mais eficaz para garantir um capital humano sustentável a longo prazo. “Deixai vir a mim os pequeninos...” (Mateus 19:14)

 

Sob os auspícios da brasilidade tudo é infante, vivaz; tudo é novo! Nada envelhece, nada resta obsoleto, ao contrário, a brasilidade (re)inventa, renova, faz novo tudo que ela toca. Graças à brasilidade o magnífico povo brasileiro se imortaliza, transcende e ascende às glórias do futuro construído por suas mãos.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PENSEI QUE CAIA DO CÉU!

 

A pedra do corisco é um símbolo de resistência, proteção energética e da crença popular na força da natureza sobre o homem. Conhecida cientificamente como fulgurito (quando formada pela fusão da areia pelo raio), ela simboliza a materialização da energia divina ou celestial no plano terrestre. Por ser associada ao impacto do raio (um evento súbito e poderoso), acredita-se que ela ajude a despertar desejos e energizar objetivos pessoais.

 

No folclore, há a crença de que, ao cair, o raio enterra a pedra a sete palmos ou sete metros de profundidade, e ela "sobe" um palmo por ano até chegar à superfície. Embora a lenda popular atribua a origem diretamente ao raio, arqueólogos identificam muitas dessas pedras encontradas como machados de pedra polida pré-históricos, que também carregam um valor cultural e de resistência, que submetida à persistência e à paciência faz bom legado.

 

Assim, a ideia de que "tudo cai do céu" é uma falsa esperança, sendo preferível ter disciplina, constância e responsabilidade. O conceito de "maná que caía do céu" (Êxodo 16) é usado para ilustrar o sustento diário de Deus, mas mesmo esse relato ensina que o maná precisava ser recolhido (trabalhado) diariamente, não acumulado. O prumo nos concita a não ficar parados e a continuarmos trabalhando enquanto se aguarda o resultado (a sega).

 

O vilipêndio à dignidade da pessoa humana – definido como o desprezo, humilhação ou aviltamento do ser humano através de atos como tortura, trabalho escravo, crimes sexuais ou objetificação – não produz "boas colheitas" de forma direta ou ética, sendo um comportamento inaceitável e inconstitucional. Por que devemos esperar que outrem cuide do que nos é cabível de direitos, deveres e obrigações? Glorias não se terceirizam!

 

Há algo mais glorioso do que “ter uma vida tranquila, cuidar dos seus próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos”. (1 Tessalonicenses 4:11)? Não! Pois, nos compete combater o ócio e a fofoca; a exercer a honestidade, a gestão financeira sábia e planejamento, servindo ao próximo com integridade. Cada um deve se concentrar em suas próprias responsabilidades e manter-se em convívio feliz e próspero.

 

O trabalho e o cuidado com as finanças devem considerar o sustento da família e a transmissão de um legado para futuras gerações, quem assim faz jamais se perde em meios as ilusões da sociedade líquida que se move nesta contemporaneidade. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, verso icônico da música "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", composta e interpretada por Geraldo Vandré (1968) é um bem-vindo hino à atitude.

 

O Brasil – a partir do povo que produz e não reclama, pois, cria soluções e não espera a pedra de corisco – faz-se acontecer como “Potência Exportadora” há quase duas décadas de labor intenso e profícuo, pois, possui motores próprios ligados ao setor privado e a instituições de Estado que garantem a continuidade dos índices. A alta nos preços internacionais de grãos e minério de ferro impulsionam o PIB independentemente da gestão política.

 

A pecuária brasileira em 2025 encerrou com faturamento recorde de R$ 506,7 bilhões, representando um crescimento de 12% em relação a 2024, impulsionado pela valorização de 17,5% nos preços da carne bovina. O país consolidou-se como o maior produtor e um dos maiores exportadores mundiais de carne, com alto desempenho nas cadeias de carne bovina, suína e de aves, o que notabiliza o aquecimento no mercado de trabalho.

 

A agricultura brasileira em 2025 teve desempenho recorde com uma safra superou 341 milhões de toneladas, recuperando-se de problemas climáticos anteriores e registrando um recorde de exportações com U$ 169bilhões e superávit de U$ 149,07 bilhões. Com isso, o agronegócio contribuiu para a redução da inflação e para o crescimento do PIB, com estimativa de expansão de 9,6% para o PIB do agronegócio em 2026.

 

O setor de serviços no Brasil manteve expansão em 2025, com crescimento acumulado próximo a 3%, impulsionado pela digitalização, transportes e logística, segundo Fecomercio - SP e Fenacor. O setor liderou a abertura de empresas, concentrando 64% dos novos negócios no Brasil até novembro, impulsionado por MEIs, o Ceará superou-se com alta de 26,4% na abertura de novos empreendimentos, impulsionado pelo setor de serviços, conforme a JUCEC.

 

Em 2025, o setor de serviços consolidou-se como um dos principais pilares do crescimento econômico brasileiro, com o volume de atividades do setor de serviços em superou em 20% o nível pré-pandemia – o turismo 12,7% acima deste patamar – registrando a mais longa sequência de crescimento, mesmo com pressões no consumo familiar devido a juros elevados, destacaram-se: informação e comunicação, transporte de cargas, logística e o turismo.

 

Em um ano (2025) marcado por um recorde na abertura de novas empresas no Brasil, totalizando 5,1 milhões de novos negócios, com o varejo de vestuário e acessórios figurando entre as áreas mais procuradas por novos empreendedores. O setor do comercio registrou um crescimento de 2,9% no ano, superando as expectativas em um cenário de Selic alta - o e-commerce que faturou mais de R$ 224 bilhões, obtendo crescimento superior a 10%

 

A maçonaria brasileira, em 2025, se consolida como o terceiro país com maior número de maçons no mundo, totalizando cerca de 170 mil filiados ativos neste ano; e continuou seu trabalho de união, realizando conferências (como o Congresso GOSP 25: "Herdeiros da Luz") para planejar inovações exequíveis. Campanhas coordenadas pelos maçons resultaram na arrecadação de mais de 423 toneladas de alimentos para famílias necessitadas.

 

Em novembro de 2025, realizou-se o 1º Congresso Brasileiro de Pesquisa Maçônica, organizado pela Grande Loja Maçônica do Distrito Federal (GLMDF), em parceria com a CMSB e a Confederação Maçônica Interamericana (CMI). O congresso marcou um momento histórico para a produção de conteúdo maçônico no Brasil, com foco no aprofundamento intelectual da Arte Real na sua constante busca por torna feliz a humanidade.

 

A felicidade é o labor mais excelso do homem alcançado somente pela prática da virtude e pelo uso da razão. Não é um estado passivo, mas uma atividade da alma ajustada à virtude ao longo de uma vida inteira, segundo Aristóteles. Ela é o pleno desenvolvimento da natureza humana, o "florescimento" através da excelência diária, portanto, jamais terceirizada – delegada a outrem. A felicidade é resultado do trabalho constante, maduro e consciencioso daqueles que a veem na evolução e progresso dos seus iguais (da humanidade).

 

Somente o feliz produz o melhor para o mundo, sustentam as pesquisas da Saïd Business School da Universidade de Oxford e outras instituições, pois, mostram que trabalhadores felizes são até 13% a 20% mais produtivosEmpresas que investem no bem-estar e na felicidade dos colaboradores podem ser até 70% mais rentáveis, pois, um ambiente de trabalho mais positivo, reflete na qualidade do produto final ou serviço prestado.

 

Formosura da resistência, a felicidade é o dínamo da mais vivaz energia que anima o homem na construção do povir mais aprazível e belo, onde a natureza humana encontra ambiência para manifestar-se com exemplo de intelectualidade humana em sua promoção constante da humanização do homem. A felicidade é, portanto, o "fruto" (o resultado) do "labor" (o esforço/empenho). Não é passiva; é "laborada" ou trabalhada diariamente.

 

Assim como o trabalho físico transforma a matéria, o "labor pela felicidade" envolve transformar dificuldades e emoções em aprendizado e resiliência. Ela é uma construção ativa, onde o trabalho dedicado de cada um cultiva os frutos da realização pessoal e da alegria. Não cai do céu, nem é formada por nenhum efeito celestes como a pedra do corisco, porém, seu efeito contagiante, cativa e motiva o progresso desde tempos imemoriais.


domingo, 25 de janeiro de 2026

DEFENSORES DA LIBERDADE

 

Dentre as coisas mais notáveis praticadas pelo “ser humano”, defender a liberdade é incontestavelmente a mais enobrecedora, pois, é o ato de sustentar o direito fundamental de agir, de pensar e de se expressar - sem restrições indevidas do Estado ou terceiros que violando o princípio da proporcionalidade, ultrapassando o "estritamente necessário", ou seja, que ocorrem quando o limite entre a responsabilização posterior e a censura prévia é ultrapassado, vilipendiando direitos constitucionais (compasso).

 

Claramente, todos percebem que a liberdade de expressão não é absoluta, porém, qualquer restrição a ela deve ser excepcional, prevista em lei e justificada pela proteção de outros direitos constitucionais, como a honra e a imagem, por exemplo. Negar sistematicamente pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) ou impor sigilos indevidos (como os de 100 anos) para ocultar dados de interesse público, são viris atentados ao direito de conhecer, que é um dos mais basilares dos direitos do qual emerge o “Cidadão”.

 

O acesso à informação e a educação são, acima de tudo, ferramentas que capacitam o indivíduo a exercer sua cidadania plena, entender seus direitos e deveres, e participar ativamente da vida política e social, podendo proteger a liberdade de imprensa, de crença e econômica, o debate de ideias e a resistência contra a opressão, crucial para a democracia, sob a égide de sua autonomia individual, pois, um homem livre luta pela liberdade de todos a qualquer custo.

 

Nestes quase 526 anos pós-descoberta do Brasil, ainda não nos demos conta que a falta de conhecimento sobre direitos e deveres é um dos principais fatores que perpetuam a corrupção e a desigualdade. Fechamos os olhos ao fato de uma população informada é crucial para garantir a aplicação das leis. Ocorre que o conhecimento das leis e das garantias constitucionais protege o indivíduo contra abusos de poder e o capacita a exigir seus direitos, consolidando o "direito de ter direitos" (nível).

 

O direito a ter direito, notadamente, estabelece a dignidade da pessoa humana a partir do conhecimento vindo da educação ancorada no acesso livre à informação, pois, são motores para o desenvolvimento cultural, científico e humano. A educação e o conhecimento empoderam o homem, permitindo que ele saia de uma postura passiva e atue como agente de transformação social, fiscalizando o poder público e participando de decisões coletivas.

 

Foi esta inspiração para que augustos cidadãos desta República Federativa do Brasil elaborassem a mais cidadãs das constituições, a Constituição Brasileira de 1988, que eleva a educação ao status de direito fundamental social (art. 6º), essencial para a formação crítica e para a dignidade da pessoa humana. Curiosamente, a República Brasileira declarada provisória por Deodoro em 1889, permanecendo nesta provisoriedade até o Plebiscito de 1993, ato democrático realizado em 21 de abril que pôs fim a um retardo de 104 anos e consolido a república presidencialista no Brasil, com 66,28% dos votos. 

 

Vanguardista, Ulysses Guimarães – presidente da Assembleia Nacional Constituinte, da qual emergiu a Constituição Brasileira de 1988 – em seu discurso ‘ódio e nojo à ditadura’ preceituou: “cabe à educação capacitar os cidadãos a reconhecer e combater ameaças à democracia, para a possam defendê-la pois, a liberdade democrática, é inegociável e deve ser constantemente defendida contra a tirania e a Constituição de 1988 é o grande marco de sua defesa”. 

 

Além deste arguto construtor social (Ulysses), robusteceram as fileiras dos defensores da liberdade 68 ilustres maçons – 63 na Câmara dos Deputados Federais e 5 no Senado Federal – dentre os quais destaco o Jair Assis Ribeiro, pois, declarou ao Jornal “O País”, em sua edição de 5 de Novembro de 1995, que a participação maçônica no Congresso Nacional aportava inovações imprescindíveis ao texto constitucional, o que contentava ao Presidente Jose Sarney.

 

Embora a lista completa não seja pública, a Mesa da Assembleia Nacional Constituinte era composta por parlamentares maçons como Marcelo Cordeiro (1º Secretário), Mário Maia (2º Secretário), Arnaldo Faria de Sá (3º Secretário), Maurício Corrêa (constituinte e mais tarde Ministro do STF) e os suplentes Luis Soyer e Sotero Cunha são associados à maçonaria em registros biográficos e homenagens de lojas maçônicas.

 

De fato, a mobilização dos maçons com intuito de aportar, não somente seus préstimos, mas, principalmente, seus valores à jovem constituição foi formidável. A XVI Assembleia da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB) de 1987, presidida por Orpheu Paraventi Sobrinho, emitiu a "Carta de São Paulo", direcionada à Constituinte, defendendo pautas como a preservação dos recursos naturais, livre iniciativa com justiça social e o uso do solo.

 

Ainda que a Maçonaria nada faz por si própria no tocante à transformação do mundo, seus ensinamentos inculcados nas mentes habilidosas e perspicazes daqueles por ela educados tem o condão de mudar pensamentos, atitudes e modos de vida, além claro, de harmonizar os sentimentos, porém, cabe-lhes aceitar – ou não – esta benfazeja agencia a favor de si, pois, quando um homem decide se tornar melhor, suas ações se tornam exemplo, transformando o ambiente através de um novo comportamento.

 

Contemplar tão notáveis exemplos de abnegação e coragem a serviço de todos os brasileiros, alimenta nossa convicção de que a educação não somente constrói cidadãos conscienciosos, aos quais capacita a exercerem plenamente a liberdade e a democracia, como também, abre as portas para que os direitos cheguem a todos e que o poder jamais se concentre em poucas mãos. A liberdade é dulcíssimo fruto dos exemplos que adornam nosso viver.

 

A liberdade responsável é ensinada e herdada através do exemplo de outros, que demonstram como viver com autonomia sem prejudicar o próximo. Escolhas boas e conscientes e o agir com integridade (um bom exemplo pessoal) é o que permite ao indivíduo ser livre e sereno. Sócrates preceituou que o homem livre é aquele que domina a si mesmo, e o exemplo de autodomínio é o que liberta das paixões e da escravidão interna.

 

Irrefutavelmente, a liberdade é uma conquista humana intima que inspira a coletividade, desenvolvida através da elevação moral e da cultura, onde o exemplo de uma sociedade justa equilibra direitos e deveres. Sob essa ótica, ela é o resultado de uma conduta ética, onde a responsabilidade individual constrói um espaço coletivo de autonomia. E a maior de todas as autorresponsabilidades é o continuado compromissos de ser-se livre defensor da liberdade de todos.


Maranguape, Ceará, 25 de Janeiro de 2026


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

sábado, 24 de janeiro de 2026

EDUCAR PRA QUE?

 

Despois de descobrirmos como acender o fogo tivemos que aprender como mantê-lo aceso e, claro, quais seus usos e como empregá-lo em cada um deles, começou aí sob os fulgores do fogo, não somente a necessidade de estudar, mas, principalmente, a percepção de nossa desenvoltura no processo EDUCAÇÃO. Incontestavelmente, a manutenção do fogo não foi apenas uma conquista de sobrevivência, mas o primeiro currículo prático da humanidade. Os hominídeos tiveram que entender materiais combustíveis, atrito e faíscas. A transição de usar fogo natural (raios/vulcões) para produzi-lo exigia observação, tentativa e erro.

 

Foi ao redor da fogueira, que a comunicação evoluiu, histórias foram contadas e conhecimentos técnicos (como fazer ferramentas) foram passados de geração em geração, inclusive o modus de alimentar a chama sem deixar que ela se apagasse ou fugisse do controle. Nesta ambiência percebeu-se que o fogo servia para diferentes fins (aquecer, proteger, cozinhar, forjar) exigiu um estudo sobre métodos e intensidades, o que hoje chamaríamos de "conhecimento aplicado". Ergueram-se os pilares fundamentais da Educação: Transmissão do saber, Socialização e Linguagem e Especialização

 

Essa reflexão traça um paralelo profundo entre o domínio técnico e o nascimento da cultura humana. O fogo criou um ambiente central para os grupos humanos, portanto, funcionou como um motor de aprendizado contínuo, transformando o modo como os seres humanos interagem com o ambiente e entre si.  Sob os "fulgores do fogo", deixamos de apenas reagir à natureza para começarmos a projetar o futuro através do ensino - a ação intencional, sistemática e instrucional, geralmente escolar, focada na transmissão de conhecimentos, habilidades e técnicas para auxiliar a educação.

 

ensino é uma das ferramentas utilizadas pela educação para atingir seus fins. Enquanto o ensino provê a base intelectual e técnica, a educação utiliza esses conhecimentos para integrar o indivíduo de forma crítica e ética na sociedade. A educação é um processo amplo de desenvolvimento integral do ser humano (físico, intelectual e moral) que ocorre ao longo da vida, englobando valores e hábitos, dentro ou fora de instituições. Como o fogo, a educação é uma ativo que não se pode deixar apagar, como também, lhe devemos estabelecer o modus operandi mais excelente aos fins a que se destina.

 

O desígnio magno da educação se realiza no desenvolvimento humano - caráter, valores, habilidades socioemocionais, pensamento crítico e capacidade de tomar decisões conscientes – e social – ao transformar indivíduos em sujeitos da própria história, permite-lhes a compreensão de direitos e deveres, fortalecendo a democracia. Transformadora social, a educação atua como ferramenta contra a violência, ao diminuir disparidades sociais e promover tolerância diante das diferenças, sendo crucial para garantir a diversidade e o desenvolvimento integral dos sujeitos em todas as suas dimensões (intelectual, física, emocional). 

 

Ao proporcionar o conhecimento e as habilidades necessárias para que as pessoas alcancem seu pleno potencial, a educação aumenta a produtividade e a empregabilidade, sendo essencial para reduzir a pobreza e impulsionar a inovação tecnológica e econômica de um país, segundo a UNESCO. Funciona como um motor de mobilidade social, oferecendo oportunidades para que indivíduos de diferentes origens alcancem melhores condições de vida. Níveis mais altos de escolaridade estão diretamente ligados a melhores hábitos de saúde, maior expectativa de vida e menores taxas de mortalidade infantil.

 

Educadoramente, o filósofo Immanuel Kant sintetizou essa ideia ao dizer que "o homem é aquilo que a educação dele faz". Enquanto a maioria dos animais é guiada predominantemente por instintos, os seres humanos utilizam a cultura e a educação para aprender comportamentos, valores e hábitos, progredindo sobre o conhecimento acumulado por gerações. Portanto, diferente de outros animais, que são condicionados por seu programa genético, o ser humano tem a capacidade de transcender suas determinações naturais e transformar sua própria realidade e ambiente em sua busca por bem-estar.

 

O homem não apenas conhece, mas "sabe que sabe" (Homo sapiens sapiens), possuindo uma consciência de sua finitude e da relação com o tempo que os animais não possuem. Embora animais possam demonstrar inteligência e aprendizado, a "educação" no contexto humano envolve a transmissão de sistemas simbólicos complexos, linguagem simbólica e a capacidade de viver conforme regras morais e éticas. A educação forma o homem dentro de relações sociais (família, escola, sociedade). Aristóteles definia o homem como um "animal social" (ou político), que necessita da interação para se desenvolver plenamente.

 

Sob este fito, a educação interativa revoluciona o aprendizado ao integrar tecnologias, transformando alunos em sujeitos ativos e colaborativos, em vez de receptores passivos. Ela estimula a autonomia, o pensamento crítico e o engajamento através de gamificação, simuladores e plataformas digitais. Essa abordagem favorece o diálogo, a cooperação e a construção conjunta do conhecimento. Utilizando vídeos, infográficos, jogos, Realidade Virtual (RV) e plataformas como Google Classroom simula experiências e facilita a compreensão de conceitos complexos. Com isso, melhora a retenção de conteúdo, desenvolve raciocínio lógico, aumenta a motivação e estimula a curiosidade.

 

Indubitavelmente, a interatividade, quando bem aplicada, torna o aprendizado mais dinâmico, personalizado e condizente com a sociedade digital, superando o ensino "engessado". Focada nas relações aluno-conteúdo, aluno-aluno e aluno-professor, essenciais na educação a distância (EaD) e no ensino presencial, ela permite que a mestria como mediadora e orientadora no processo de cocriação, movendo-se do ensino tradicional (unidirecional) para um paradigma comunicacional. Ou seja, a interatividade não se resume ao uso de dispositivos digitais; trata-se da troca constante entre professor, aluno e conteúdo.

 

Prudentemente, é necessário equilibrar o uso de telas com a interação humana, desenvolvendo também habilidades socioemocionais, como empatia e trabalho em equipe, tornadas essenciais, tanto na BNCC quanto para o futuro mercado de trabalho. Isso envolve o uso de metodologias ativas que incentivem a empatia, o autoconhecimento e o respeito mútuo, integrando tecnologia com o cuidado socioemocional. Porém, é mister primevo capacitar os professores para integrar inovações tecnológicas de forma pedagógica, promovendo uma educação humanizada e personalizada, com o auxílio da tecnologia e não sua substituição.

 

Eis o desafio em 2026, criar ambientes de aprendizagem que unam a tecnologia a serviço de uma educação integral e humanizada.  A tecnologia (incluindo IA e realidade aumentada) deve oportunizar experiências imersivas e ativas de aprendizado, superando o uso meramente recreativo ou passivo das telas. O uso da tecnologia para coletar dados ou pesquisar, mas neste processo, realizar a síntese e a criação através de debates, prototipagem física e resolução conjunta de problemas, alterna momentos de foco individual em dispositivos com atividades em grupo que exijam o olho no olho, o que robustece laços de pertencimento.

 

Notoriamente, embora a educação atual passe por transformações digitais intensas, focadas na personalização do ensino, uso de inteligência artificial, metodologias híbridas e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, superando o modelo tradicional de memorização. Espera-se dela um ambiente de aprendizagem ativo, com alunos protagonistas e professores mediadores, equilibrando tecnologia e interatividade presencial. Esta transição tem um fim único: preparar alunos para um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), onde a habilidade de aprender a aprender é fundamental. Portanto, EDUCAR garante nossa humanidade!

Maranguape, Ceará, 24 de Janeiro de 2026

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessor Especial da Presidência – Artes Visuais
Cleber Tomás Vianna 
Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo


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  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...