sábado, 24 de janeiro de 2026

EDUCAR PRA QUE?

 

Despois de descobrirmos como acender o fogo tivemos que aprender como mantê-lo aceso e, claro, quais seus usos e como empregá-lo em cada um deles, começou aí sob os fulgores do fogo, não somente a necessidade de estudar, mas, principalmente, a percepção de nossa desenvoltura no processo EDUCAÇÃO. Incontestavelmente, a manutenção do fogo não foi apenas uma conquista de sobrevivência, mas o primeiro currículo prático da humanidade. Os hominídeos tiveram que entender materiais combustíveis, atrito e faíscas. A transição de usar fogo natural (raios/vulcões) para produzi-lo exigia observação, tentativa e erro.

 

Foi ao redor da fogueira, que a comunicação evoluiu, histórias foram contadas e conhecimentos técnicos (como fazer ferramentas) foram passados de geração em geração, inclusive o modus de alimentar a chama sem deixar que ela se apagasse ou fugisse do controle. Nesta ambiência percebeu-se que o fogo servia para diferentes fins (aquecer, proteger, cozinhar, forjar) exigiu um estudo sobre métodos e intensidades, o que hoje chamaríamos de "conhecimento aplicado". Ergueram-se os pilares fundamentais da Educação: Transmissão do saber, Socialização e Linguagem e Especialização

 

Essa reflexão traça um paralelo profundo entre o domínio técnico e o nascimento da cultura humana. O fogo criou um ambiente central para os grupos humanos, portanto, funcionou como um motor de aprendizado contínuo, transformando o modo como os seres humanos interagem com o ambiente e entre si.  Sob os "fulgores do fogo", deixamos de apenas reagir à natureza para começarmos a projetar o futuro através do ensino - a ação intencional, sistemática e instrucional, geralmente escolar, focada na transmissão de conhecimentos, habilidades e técnicas para auxiliar a educação.

 

ensino é uma das ferramentas utilizadas pela educação para atingir seus fins. Enquanto o ensino provê a base intelectual e técnica, a educação utiliza esses conhecimentos para integrar o indivíduo de forma crítica e ética na sociedade. A educação é um processo amplo de desenvolvimento integral do ser humano (físico, intelectual e moral) que ocorre ao longo da vida, englobando valores e hábitos, dentro ou fora de instituições. Como o fogo, a educação é uma ativo que não se pode deixar apagar, como também, lhe devemos estabelecer o modus operandi mais excelente aos fins a que se destina.

 

O desígnio magno da educação se realiza no desenvolvimento humano - caráter, valores, habilidades socioemocionais, pensamento crítico e capacidade de tomar decisões conscientes – e social – ao transformar indivíduos em sujeitos da própria história, permite-lhes a compreensão de direitos e deveres, fortalecendo a democracia. Transformadora social, a educação atua como ferramenta contra a violência, ao diminuir disparidades sociais e promover tolerância diante das diferenças, sendo crucial para garantir a diversidade e o desenvolvimento integral dos sujeitos em todas as suas dimensões (intelectual, física, emocional). 

 

Ao proporcionar o conhecimento e as habilidades necessárias para que as pessoas alcancem seu pleno potencial, a educação aumenta a produtividade e a empregabilidade, sendo essencial para reduzir a pobreza e impulsionar a inovação tecnológica e econômica de um país, segundo a UNESCO. Funciona como um motor de mobilidade social, oferecendo oportunidades para que indivíduos de diferentes origens alcancem melhores condições de vida. Níveis mais altos de escolaridade estão diretamente ligados a melhores hábitos de saúde, maior expectativa de vida e menores taxas de mortalidade infantil.

 

Educadoramente, o filósofo Immanuel Kant sintetizou essa ideia ao dizer que "o homem é aquilo que a educação dele faz". Enquanto a maioria dos animais é guiada predominantemente por instintos, os seres humanos utilizam a cultura e a educação para aprender comportamentos, valores e hábitos, progredindo sobre o conhecimento acumulado por gerações. Portanto, diferente de outros animais, que são condicionados por seu programa genético, o ser humano tem a capacidade de transcender suas determinações naturais e transformar sua própria realidade e ambiente em sua busca por bem-estar.

 

O homem não apenas conhece, mas "sabe que sabe" (Homo sapiens sapiens), possuindo uma consciência de sua finitude e da relação com o tempo que os animais não possuem. Embora animais possam demonstrar inteligência e aprendizado, a "educação" no contexto humano envolve a transmissão de sistemas simbólicos complexos, linguagem simbólica e a capacidade de viver conforme regras morais e éticas. A educação forma o homem dentro de relações sociais (família, escola, sociedade). Aristóteles definia o homem como um "animal social" (ou político), que necessita da interação para se desenvolver plenamente.

 

Sob este fito, a educação interativa revoluciona o aprendizado ao integrar tecnologias, transformando alunos em sujeitos ativos e colaborativos, em vez de receptores passivos. Ela estimula a autonomia, o pensamento crítico e o engajamento através de gamificação, simuladores e plataformas digitais. Essa abordagem favorece o diálogo, a cooperação e a construção conjunta do conhecimento. Utilizando vídeos, infográficos, jogos, Realidade Virtual (RV) e plataformas como Google Classroom simula experiências e facilita a compreensão de conceitos complexos. Com isso, melhora a retenção de conteúdo, desenvolve raciocínio lógico, aumenta a motivação e estimula a curiosidade.

 

Indubitavelmente, a interatividade, quando bem aplicada, torna o aprendizado mais dinâmico, personalizado e condizente com a sociedade digital, superando o ensino "engessado". Focada nas relações aluno-conteúdo, aluno-aluno e aluno-professor, essenciais na educação a distância (EaD) e no ensino presencial, ela permite que a mestria como mediadora e orientadora no processo de cocriação, movendo-se do ensino tradicional (unidirecional) para um paradigma comunicacional. Ou seja, a interatividade não se resume ao uso de dispositivos digitais; trata-se da troca constante entre professor, aluno e conteúdo.

 

Prudentemente, é necessário equilibrar o uso de telas com a interação humana, desenvolvendo também habilidades socioemocionais, como empatia e trabalho em equipe, tornadas essenciais, tanto na BNCC quanto para o futuro mercado de trabalho. Isso envolve o uso de metodologias ativas que incentivem a empatia, o autoconhecimento e o respeito mútuo, integrando tecnologia com o cuidado socioemocional. Porém, é mister primevo capacitar os professores para integrar inovações tecnológicas de forma pedagógica, promovendo uma educação humanizada e personalizada, com o auxílio da tecnologia e não sua substituição.

 

Eis o desafio em 2026, criar ambientes de aprendizagem que unam a tecnologia a serviço de uma educação integral e humanizada.  A tecnologia (incluindo IA e realidade aumentada) deve oportunizar experiências imersivas e ativas de aprendizado, superando o uso meramente recreativo ou passivo das telas. O uso da tecnologia para coletar dados ou pesquisar, mas neste processo, realizar a síntese e a criação através de debates, prototipagem física e resolução conjunta de problemas, alterna momentos de foco individual em dispositivos com atividades em grupo que exijam o olho no olho, o que robustece laços de pertencimento.

 

Notoriamente, embora a educação atual passe por transformações digitais intensas, focadas na personalização do ensino, uso de inteligência artificial, metodologias híbridas e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, superando o modelo tradicional de memorização. Espera-se dela um ambiente de aprendizagem ativo, com alunos protagonistas e professores mediadores, equilibrando tecnologia e interatividade presencial. Esta transição tem um fim único: preparar alunos para um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), onde a habilidade de aprender a aprender é fundamental. Portanto, EDUCAR garante nossa humanidade!

Maranguape, Ceará, 24 de Janeiro de 2026

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessor Especial da Presidência – Artes Visuais
Cleber Tomás Vianna 
Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo


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