Dentre
as coisas mais notáveis praticadas pelo “ser humano”, defender a liberdade é incontestavelmente
a mais enobrecedora, pois, é o ato de sustentar o direito fundamental de agir,
de pensar e de se expressar - sem restrições indevidas do Estado ou terceiros que
violando o princípio da proporcionalidade, ultrapassando o "estritamente
necessário", ou seja, que ocorrem quando o limite entre a
responsabilização posterior e a censura prévia é ultrapassado, vilipendiando
direitos constitucionais (compasso).
Claramente,
todos percebem que a liberdade de expressão não é absoluta, porém, qualquer
restrição a ela deve ser excepcional, prevista em lei e justificada pela
proteção de outros direitos constitucionais, como a honra e a imagem, por
exemplo. Negar sistematicamente pedidos via Lei de Acesso à
Informação (LAI) ou impor sigilos indevidos (como os de 100 anos) para
ocultar dados de interesse público, são viris atentados ao direito de conhecer,
que é um dos mais basilares dos direitos do qual emerge o “Cidadão”.
O
acesso à informação e a educação são, acima de tudo, ferramentas que capacitam
o indivíduo a exercer sua cidadania plena, entender seus direitos e deveres, e
participar ativamente da vida política e social, podendo proteger a liberdade
de imprensa, de crença e econômica, o debate de ideias e a resistência contra a
opressão, crucial para a democracia, sob a égide de sua autonomia individual,
pois, um homem livre luta pela liberdade de todos a qualquer custo.
Nestes
quase 526 anos pós-descoberta do Brasil, ainda não nos demos conta que a falta
de conhecimento sobre direitos e deveres é um dos principais fatores que
perpetuam a corrupção e a desigualdade. Fechamos os olhos ao fato de uma
população informada é crucial para garantir a aplicação das leis. Ocorre que o conhecimento
das leis e das garantias constitucionais protege o indivíduo contra abusos de
poder e o capacita a exigir seus direitos, consolidando o "direito de ter
direitos" (nível).
O
direito a ter direito, notadamente, estabelece a dignidade da pessoa humana a
partir do conhecimento vindo da educação ancorada no acesso livre à informação,
pois, são motores para o desenvolvimento cultural, científico e humano. A
educação e o conhecimento empoderam o homem, permitindo que ele saia de uma
postura passiva e atue como agente de transformação social, fiscalizando o
poder público e participando de decisões coletivas.
Foi
esta inspiração para que augustos cidadãos desta República Federativa do Brasil
elaborassem a mais cidadãs das constituições, a Constituição Brasileira de
1988, que eleva a educação ao status de direito fundamental social (art. 6º),
essencial para a formação crítica e para a dignidade da pessoa humana. Curiosamente,
a República Brasileira declarada provisória por Deodoro em 1889, permanecendo nesta
provisoriedade até o Plebiscito de 1993, ato democrático realizado em 21 de
abril que pôs fim a um retardo de 104 anos e consolido a república
presidencialista no Brasil, com 66,28% dos votos.
Vanguardista,
Ulysses Guimarães – presidente da Assembleia Nacional Constituinte, da qual
emergiu a Constituição Brasileira de 1988 – em seu discurso ‘ódio e nojo à
ditadura’ preceituou: “cabe à educação capacitar os cidadãos a reconhecer e
combater ameaças à democracia, para a possam defendê-la pois, a liberdade
democrática, é inegociável e deve ser constantemente defendida contra a tirania
e a Constituição de 1988 é o grande marco de sua defesa”.
Além
deste arguto construtor social (Ulysses), robusteceram as fileiras dos
defensores da liberdade 68 ilustres maçons – 63 na Câmara dos Deputados
Federais e 5 no Senado Federal – dentre os quais destaco o Jair Assis Ribeiro, pois,
declarou ao Jornal “O País”, em sua edição de 5 de Novembro de 1995, que a
participação maçônica no Congresso Nacional aportava inovações imprescindíveis
ao texto constitucional, o que contentava ao Presidente Jose Sarney.
Embora
a lista completa não seja pública, a Mesa da Assembleia Nacional Constituinte
era composta por parlamentares maçons como Marcelo Cordeiro (1º
Secretário), Mário Maia (2º Secretário), Arnaldo Faria de
Sá (3º Secretário), Maurício Corrêa (constituinte e mais
tarde Ministro do STF) e os suplentes Luis Soyer e Sotero
Cunha são associados à maçonaria em registros biográficos e homenagens de
lojas maçônicas.
De
fato, a mobilização dos maçons com intuito de aportar, não somente seus préstimos,
mas, principalmente, seus valores à jovem constituição foi formidável. A XVI
Assembleia da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB) de 1987, presidida
por Orpheu Paraventi Sobrinho, emitiu a "Carta de São Paulo",
direcionada à Constituinte, defendendo pautas como a preservação dos recursos
naturais, livre iniciativa com justiça social e o uso do solo.
Ainda que a
Maçonaria nada faz por si própria no tocante à transformação do mundo, seus ensinamentos inculcados nas mentes habilidosas e perspicazes daqueles por
ela educados tem o condão de mudar pensamentos, atitudes e modos de vida, além
claro, de harmonizar os sentimentos, porém, cabe-lhes aceitar – ou não – esta
benfazeja agencia a favor de si, pois, quando um homem decide se tornar melhor,
suas ações se tornam exemplo, transformando o ambiente através de um novo
comportamento.
Contemplar
tão notáveis exemplos de abnegação e coragem a serviço de todos os brasileiros,
alimenta nossa convicção de que a educação não somente constrói cidadãos
conscienciosos, aos quais capacita a exercerem plenamente a liberdade e a
democracia, como também, abre as portas para que os direitos cheguem a todos e
que o poder jamais se concentre em poucas mãos. A liberdade é dulcíssimo fruto
dos exemplos que adornam nosso viver.
A
liberdade responsável é ensinada e herdada através do exemplo de outros, que
demonstram como viver com autonomia sem prejudicar o próximo. Escolhas boas e
conscientes e o agir com integridade (um bom exemplo pessoal) é o que permite
ao indivíduo ser livre e sereno. Sócrates preceituou que o homem livre é aquele
que domina a si mesmo, e o exemplo de autodomínio é o que liberta das paixões e
da escravidão interna.
Irrefutavelmente,
a liberdade é uma conquista humana intima que inspira a coletividade,
desenvolvida através da elevação moral e da cultura, onde o exemplo de uma
sociedade justa equilibra direitos e deveres. Sob essa ótica, ela é o
resultado de uma conduta ética, onde a responsabilidade individual constrói um
espaço coletivo de autonomia. E a maior de todas as autorresponsabilidades
é o continuado compromissos de ser-se livre defensor da liberdade de todos.
Maranguape, Ceará, 25 de Janeiro de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
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