quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

DUO MILÉSIMO VIGÉSIMO SEXTO ANO – ANO UNIVERSAL 1

 

Chegamos finalmente ao fim. Alcançamos o trecentésimo sexagésimo quinto dia do ano 2025 e os experienciamos, segundo a segundo, em tudo que ele nos oportunizou de bom e/ou ruim, de feliz e/ou triste, porém, tudo vivido nos fortaleceu, nos engrandeceu e nos fez mais rico naquilo que é a mais aquilatada riqueza: a fé inabalável em nossas potencialidades, o amor incondicional com o qual adornamos tudo que tocamos e produzimos e a certeza irrefutável de que Deus é conosco em momento do nosso viver.

 

Em Doze horas e cinquenta e sete minutos chega-nos – e nós a ele – ao duo milésimo vigésimo sexto ano do calendário gregoriano, nascendo numa alvissareira quinta-feira, como todos os anos que o antecederam, este novo ano é apenas o espaço em branco; a caneta que escreve a história continua sendo a sua disciplina diária. Ele não muda hábitos ou escolhas por si só. O que transforma é o entendimento de que a mudança exige (auto)consciência, constância e (auto)responsabilidade, pois, são os vetores para os grandes feitos.

 

Isto nos faz perceber que o calendário marca a passagem do tempo, porém a evolução pessoal depende da intenção aplicada. Nossos cérebros não aprendem com grandes eventos isolados, mas sim, com a repetição, portanto, é melhor ser 1% melhor todos os dias do que tentar mudar 100% em uma única semana e desistir. Saiamos do papel de passageiro, pois, ainda que não tenhamos controle sobre tudo o que nos acontece, temos controle total sobre como reagimos e quais decisões tomamos diante dos fatos, sob o lume da esperança. 

 

Segundo a Teoria da Esperança, de Charles Snyder, pessoas esperançosas são aquelas que conseguem visualizar caminhos possíveis e acreditar que podem agir sobre eles, mesmo diante de dificuldades. O centenário Harvard Study of Adult Development reforça: sentido de propósito e perspectiva de futuro são fatores decisivos para a saúde mental. A esperança funciona como um motor que nos dá fôlego para atravessar tempestades, sob os auspícios conscienciosos da perseverante (auto)disciplina e portentoso (auto) respeito.

 

Essa é uma reflexão poderosa sobre a arquitetura da superação pessoal. Ao definirmos a esperança não como um desejo passivo, mas, como um motor, nos deslocamos do campo do sentimento para o campo da vontade, o que destaca a importância da força interior e da perseverança na jornada da vida. Tendo a (auto)disciplina como Guia, mantemos o movimento constante mesmo quando não há entusiasmo. É o "leme" que impede o barco de ficar à deriva sob o pretexto do cansaço. É a força motriz das mudanças necessárias.

 

Porém, sem o (auto)respeito, a disciplina se torna tirania e a esperança se esgota. Respeitar os próprios limites e a própria dignidade garante que a travessia não destrua o navegador. O (auto)respeito em níveis ótimos requer proba consciência e altruísta perseverança, para que suas agências emerjam robustamente da junção da clareza mental (auspícios conscienciosos) com a insistência prática. Essa prática transforma a resiliência em soberania pessoal.

 

A esperança vislumbra o destino, mas, é o rigor amoroso consigo mesmo que percorre a distância. O rigor amoroso refere-se à disciplina, resiliência e ao autocuidado necessário para realmente progredirmos. É a ação consciente e contínua, a prática diária e a capacidade de sermos firmes em nossos propósitos, sem se punir por eventuais falhas. É essa combinação de amor (motivação) e rigor (disciplina) que nos permite superar obstáculos e, de fato, percorrer o caminho em direção ao destino vislumbrado pela esperança. 

 

A esperança é a inspiração, mas, o rigor amoroso é a transpiração necessária para transformar a visão em realidade. Ela é a nossa capacidade de sonhar, de definir metas e de ter uma visão positiva do futuro. É o que transforma a distância em passos concretos e o potencial em realidade, ou seja: "A visão sem ação não passa de um sonho; a ação sem visão é apenas um passatempo; mas a visão com ação pode mudar o mundo.", afirma Joel Barker, resumindo o alinhamento estratégico entre planejamento e execução.

 

Essa mentalidade é essencial para tirar projetos do papel, seja na carreira, nos estudos ou em iniciativas sociais. Se você tem um projeto em mente, o próximo passo é transformá-lo em um cronograma executável. E neste o duo milésimo e vigésimo sexto ano, existem trecentésimos sexagésimos quintos dias esperançosos de poder contribuir para nossa evolução, prosperidade e alegrias. Encarando cada o dia como esse 1/365 de esperança ativa, a soma dessas frações certamente resultará em uma transformação real e duradoura.

 

Focando no autoconhecimento para entendermos nossas motivações e valores, e desenvolvendo resiliência para superar os obstáculos, não há atalhos, mas sim, um processo gradual de ação estratégica, definição de metas realistas e execução consciente, tornando a mudança parte permanente de nós, e não algo temporário. Envolve estabelecer datas para começar e para fazer check-ins, transformando as ações em hábitos arraigados e automáticos. O objetivo não é ser perfeito, mas ser consistente.

 

A transformação duradoura é uma maratona, não um sprint. Se buscamos mudanças, o segredo é diminuir a carga e aumentar a frequência. É melhor ler 5 páginas de um livro todos os dias do que ler 100 páginas em um único dia e nunca mais abrir o livro. Na vida, tentar mudar todos os hábitos de uma vez gera um esgotamento mental (fadiga de decisão) que leva à desistência. São os "juros compostos" dos pequenos hábitos: 1% melhor a cada dia resulta em uma transformação gigantesca ao final de um ano.

 

hábito faz o monge", já que a repetição de ações (o hábito) molda quem somos, tornando-nos competentes e definindo nosso papel, como em um músico que se torna bom pela prática constante. A palavra "hábito" se refere tanto à roupa quanto à rotina; reflete a tensão entre a importância da aparência externa e a formação do caráter pelas atitudes repetidas. A disciplina de treinar todos os dias faz o atleta, assim como a prática leva à maestria em qualquer área, tornando a ação quase automática. 

 

Esse conceito defende que o valor real de um indivíduo está em suas ações e caráter, e não no "uniforme" que ele escolhe usar. A capacidade de nos apresentarmos de forma genuína (autêntica) ajuda significativamente na atração de parceiros compatíveis, que valorizam a essência da pessoa, e não um papel social. Nossa consciência de nós mesmos, e a nossa abertura às novéis experienciações, permitem uma maior flexibilidade e uma exímia adaptabilidade a diferentes contextos e desafios. É um traço evolutivo valioso. 

 

Quando um indivíduo é autêntico, ele libera recursos cognitivos e emocionais para o aprendizado e a criatividade, acelerando seu próprio desenvolvimento. Portanto, essa autenticidade buscada por todos nós, não é apenas um traço de personalidade desejável, mas sim, uma característica que, no contexto da evolução social humana, promove a coesão e a capacidade de adaptação, funcionando como um astrolábio a conduzir-nos pelos rumos mais seguros da exequibilidade dos nossos protagonismos almejados para 2026.

 

Neste toar, externamos nossas esperanças que 2026 (Ano Universal 1) seja um período de decisões acertadas e de iniciativas que promovam a autonomia e a liderança pessoal em franca sinergia a responsabilidade coletiva, onde os compromissos climáticos obtenham resultados práticos ao melhorar a saúde pública, aumentar a segurança alimentar e hídrica, e proteger as comunidades de eventos climáticos extremos, o que, por sua vez, fomenta uma vida mais plena e um mundo mais justo e equilibrado.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Dezembro de 2025

 

Bruno Bezerra de Macedo
Rosélia Ferreira Bezerra de Macedo
Bruna Ferreira Bezerra de Macedo
Rosilda Ferreira Bezerra de Macedo
Jorge Ferreira Bezerra de Macedo

DEZENOVE MESES DE ATIVA PROSPECÇÃO DE FELICIDADES

Nascida aos 31 de Maio de 2024, fruto do mais augusto ciclo virtuoso, onde quanto mais se busca a sabedoria, mais o amor cresce; e quanto mais se cultiva esse amor, mais sábios nos tornamos. É a fundação do que muitos filósofos chamariam de "Bom Viver", porém, nós, a denominamos AIMI – ACADEMIA INTERNACIONAL DOS MAÇONS IMORTAIS.

 

Um amor semente que vividamente logo é plântula erguendo suas jovens ramificação rumo ao sol da sabedoria a que nos chama com a mesma intensidade que o cultivamos, e o cultuamos com fervorosidade que leva a prestar-lhe nosso amor-dedicação. É o estágio da maturidade intelectual que alcançamos, onde o ímpeto da paixão se transforma na constância do propósito.

 

É a manifestação conscienciosa de um grande ardor, intensidade e entrega em algo, como uma oração portentosa ou um trabalho formidável, indicando que se faz algo com todo o coração e com grande energia. Reflete um entusiasmo contagiante e a entrega total à realização do propósito assumido de levar aos quatro cantos do orbe terrestre cultura, lazer e transformação.

 

Imbuída desta magnificência, a AIMI debuta todos os dias a cada novo projeto que em si tem ciese. Gratos frutos das rutilantes mentes que a constituem – atualmente, mais de 200 luzidios homens de letras compõem esta constelação do saber que os identifica como pertencentes à ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS.

 

Exemplada por legados irrefutavelmente dignificantes do homem – e da humanidade que ele enseja – como a antiga Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (depois (1816), Academia de Belas-Artes no Brasil), efloresce a AIMI, fomentando pintores, escultores, músicos, etc., pois, são legatários do modus de comunicação mais antigo, ainda in voga desde a mais tenra idade do homem.

 

Cativada por esta relevância a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS – AIMI inaugurou o do Museu do Som, da Imagem e das Artes Virtuais Irmão Cleber Tomás Vianna, que tem por missão estimular o culto à memória da Sociedade Maçônica, ao passo que desvela pitorescos fatos da História dos Maçons em atuação nas sociedades.   

 

Cônscia de que a pintura, a escultura e a música são as precursoras das letras com as quais legamos ao futuro os prodigiosos protagonismos do Homem, a AIMI é, desde sua cioforia, a guardiã da literatura, tutelada por seu Patrono-Mor, General Morivalde Calvet Fagundes, que diz: “a literatura faz homens probos, cultivá-la é o que se faz de melhor para a humanidade”.

 

Com este animus, emerge a Biblioteca Virtual Irmão João Darcy Ruggeri com o dever de protagonizar uma nova relação com a informação – um espaço memória influindo na identidade e na cultura –, pois, “com o diálogo entre os repertórios culturais da biblioteca e das pessoas que se movem naquele meio, cria-se um espaço de trocas de experiências”, afirma Pierrotti.

 

Como ocorre com as bibliotecas virtuais, os Museus – virtuais e/ou não – sua atratividade está na capacidade de oferecer uma experiência cultural rica, acessível e inovadora, utilizando as ferramentas digitais para romper barreiras do tempo e do espaço; e para que a imersividade, por elas providas, possa dotar o patrimônio cultural de um poder sine qua non de conexão e cativação.

 

Estes protagonismos da AIMI são cultivados para estabelecer parcerias com quaisquer instituições cultoras das memórias da humanidade para compartilhar acervos, realizar exposições virtuais conjuntas ou desenvolver projetos educativos colaborativos, aportando recursos valiosos para estudantes, pesquisadores e entusiastas da cultura.

 

A palavra network, neste momento, atinge seu apogeu unindo de forma galantemente eficaz e eficientemente a maçonaria e a sociedade, a partir da cultura que viceja e se fortalece com a aculturação que promove, a partir do Arquipélago Cultural Maçônico da AIMI, uma inovação procedimental que é encanto mil, pois, abre portas a excelentíssimas possibilidades de interatividade.

 

Este arquipélago é, por si só, já é um manancial de protagonismos a realizar na comunhão de propósitos com que anima, principalmente, para as arcádias que não dispõem do fisicismo – embora abrace igualmente a todos –, pois, são virtuais e tem uma proficiente leveza abençoando os empreendimentos que o ancoram com suas tecnologias de imersividade: a Biblioteca e os Museus AIMI.

 

Defensora Perpétua da “Maçonaria Sem Fronteiras", pois, compreende que a cultura não está limitada por limites territoriais ou identidades fixas. Em vez disso, a cultura é vista como um processo dinâmico e em constante transformação, a AIMI enriquece a tudo que em torno si orbita, com a interatividade e com o intercâmbio entre diferentes comunidades, nações etc.

 

A "imersão na maçonaria sem fronteiras" patrocina uma profunda experienciação tecnologias de realidade virtual e aumentada, que permitem interagir com ambientes virtuais e locais reais de forma a sentir-se parte deles. São "espaços compartilhados" de troca e diversidade cultural contribuindo para o desenvolvimento psicológico, social e cognitivo.

 

Como acontece às Bibliotecas, Museus, etc. a alavanca tecnologia da informação e a imersão, laboram em sinergia com o potencial intermédio-prospector da AIMI – e seu Arquipélago Cultural Maçônico, conjuntamente com os silogeus que lhe dão vida –, fomentando interações em todos os campos dos inter-relacionamentos: contratos de mútuo, joint ventures etc.

 

Abrangendo diversas áreas, como educação, tecnologia, saúde e cultura, a ACADEMIA INTERNANCIONAL DE MAÇONS IMORTAIS se (com)firma dia a dia como a magnificente zeladora da memória dos povos, resguardando suas artes e conhecimentos, com a mesma galhardia com os difunde para o bem, progresso e felicidade da humanidade.

 

Neste abordar da arte em geral, a AIMI reúne artistas e pesquisadores de diferentes países, além do Brasil, para discutir e apresentar trabalhos relacionados à cultura artística e outras temáticas, com exposições virtuais e painéis online, sob os auspícios das plataformas digitais que realizam a interação em tempo real entre audientes e expositores.

 

Perenemente vanguardista, a AIMI - ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS agradece a cada um dos seus mais de 200 acolhedores dos seus ideais, com a mesmo entusiasmo com que os acolhe em si neste caminhar de protagonismo vivaz, onde juntos fizeram prodígios magníficos nestes últimos 365 dias vividos; e os convida a mais 365 dias de audazes venturanças em 2026.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Dezembro de 2025

 

 ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo
Assessor Especial da Presidência – Artes Visuais
Cleber Tomás Vianna

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A CICLICIDADE DA VIDA RESPIRA AMOR INCONDICIONAL

 

Ciclicamente experienciada num influxo perene de começos, términos e (re)começos, vive a vida. Cada novo ciclo simboliza tanto a inevitabilidade da mudança, quanto a oportunidade de renovação constante. É um período de renovação, transformação e recomeço (pessoal, profissional, espiritual, etc., onde em qualquer área da experienciação humana há mudanças.

 

A filosofia, especialmente o autoconhecimento, é crucial para entender suas dimensões (física, emocional) e o tempo necessário para cada mudança. Envolve esperança, restauração e amadurecimento, quebrando padrões e buscando crescimento e fidelidade, seguindo a jornada cíclica de aprendizado, perdas e recomeços em contínuo aprimoramento.

 

Um novo ciclo, portanto, intrinsecamente ligado à esperança, sedimenta a ideia de que cada término traz consigo momentos de transição a nos convidar à autoavaliação, a partir da qual repensamos prioridades, reajustamos planos e estabelecemos novos significados para a existência. É um caminho aberto para a plenitude procurada desde a infância do homem.

 

O "novo ciclo" é uma metáfora para a capacidade humana de se adaptar, aprender com o passado e intencionalmente construir um futuro diferente e melhor. As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Coríntios 5:17) Não se trata tão somente de um encerramento, mas, de um processo de evolução constante que se nesta época do ano se renova.

 

Tomar uma atitude parece ser a "virada de chave" para vivermos um novo ciclo, usando como ferramenta o autoconhecimento para gerenciar as mudanças – tão emergentes, quanto imprescindíveis. Abraçá-lo e deixar o "velho" para trás, sem tentar transformá-lo, é determinante para a nova fase, celebrando cada (re)começo com sabedoria e abertura, porém, sem temer o fim.

 

Essa filosofia desde os tempos de Sócrates, com o aforismo "Conhece-te a ti mesmo", incita uma vida de reflexão para se tornar um ser humano melhor. Isso que nos concita a uma versão mais evoluída de nós mesmos, a uma "atualização" e a florescer em novas versões, buscando uma vida mais consciente e satisfatória, com novos aprendizados e objetivos.

 

Esse conceito de "florescer em novas versões" alinha-se com a psicologia positiva, que aborda o bem-estar e o potencial humano; e com filosofias que veem o "eu" não como algo a ser descoberto, mas como algo que se cria e está em constante mudança. É a chance de somarmos novas experiências e perspectivas ao legado que já construímos, porém, em adequabilidade contínua.

 

Não é apenas um pensamento abstrato, mas, uma prática que tem como objetivo transformar a pessoa que o põe em prática. Desta forma, encontrando um sentido maior em cada fase, "não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova, agora ela vai surgir; não a percebeis? Até no deserto farei caminho, e rios no ermo". (Isaías 43:18-19)

 

Evoco, neste pensar, o Devir de Heráclito – a filosofia do "vir a ser" – que estabelece como única constante: a mudança. O “eu” não é estático, mas, um processo fluido de transformação.  Ao vermos a vida como um processo de "tornar-se" em vez de apenas "ser", transformamos nosso o legado em algo vivo e dinâmico, onde cada nova versão não apaga a anterior, mas a expande.

 

Esse preceito reflete com exatidão os pilares da Psicologia Positiva, especialmente o modelo PERMA de Martin Seligman, que enfatiza o florescimento humano (flourishing) através do crescimento contínuo e do sentido de realização. O que, por sua vez, alinha-se à ideia dos filósofos existencialistas de que "a existência precede a essência".

 

Como proposto por Jean-Paul Sartre, não nascemos com um destino selado; nós nos criamos através de nossas escolhas e ações ao longo da vida. O que ancora a Mentalidade de Crescimento (Growth Mindset), conceito da psicóloga Carol Dweck, que defende que habilidades e inteligência podem ser desenvolvidas, permitindo que o indivíduo se reinvente em qualquer etapa.

 

Essa reinvenção do homem é um processo de regeneração e renovação espiritual que envolve transformação interior contínua e prática de atitudes exemplares que o faz diuturnamente "vestir-se do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou". (Colossenses 3:10). Liberto da ira, malícia, mentira e linguagem indecente, que pertenciam à vida antiga.

 

Manifesta, portanto, uma metamorfose espiritual profunda, não uma melhoria superficial, mas, algo que nos capacita a viver uma vida a jacente – que repousa na humildade – quando o "eu" deixa de ser o centro. Isso envolve reconhecer de que a vida espiritual não ocorre no futuro, mas no agora, pois, a virtude nasce no espaço entre o estímulo e a resposta.

 

Essa transição se inicia quando abandonamos o desejo de "autoajuda" (melhoria superficial) em favor da "autotranscedência" (morte do ego e renascimento em virtude). Viver essa vida virtuosa exige o treinamento da vontade, ou seja, requer (auto) disciplina para agir de acordo com esses princípios elevados, mesmo diante dos mais variados desafios.

 

Ao adotarmos a "autotranscedência" como um lume, passamos a trilhar o caminho para o renascimento pessoal e o eflorescimento de virtudes como: compaixão, coragem e sabedoria; e desvelamos perspectivas comuns em muitas filosofias de vida, incluindo as que foram compreendidas por Viktor Frankl, o fundador da Logoterapia.

 

Na Logoterapia, a autotranscedência é entendida como a capacidade humana fundamental de se direcionar para algo, ou alguém, além de si mesmo (um significado a ser cumprido e/ou outro ser humano a ser amado). Essa é a força motriz da vida humana e a verdadeira realização pessoal, ou "renascimento", que emerge precisamente dessa dedicação a algo maior que o próprio ego.

 

Esse amor incondicional é a base para quaisquer novéis ciclos de vida, manifestando-se como aceitação total e apoio ao crescimento, sem expectativas, no amor de pais por filhos ou no amor divino (Ágape). É a força sutil para encerrar ciclos antigos, perdoar erros e abraçar vetores essenciais como: esperança, gratidão e recomeço, nesta jornada de ricas experienciações que 2026 almeja.

 

Feliz e Próspero 2026 são nossos votos a todos que conosco compartilham o amor que sentimos pela ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS, um amor semente que vividamente logo é plântula erguendo-se rumo ao sol da sabedoria que justos buscamos ao passo que a cultivamos, que a cultuamos.... que a ela dedicamos nosso amor-dedicação.

 

Brasília, Distrito Federal, 30 de Dezembro de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Presidente
Hélio Pereira Leite
Assessor Especial da Presidência - Designer Gráfico
Cleber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A (AUTO)DISCIPLINA É A ESSÊNCIA DA SOCIEDADE PROBA

 

Quem aceita e ouve a correção (disciplina) está no caminho para a vida, enquanto quem a ignora ou rejeita desvia a si e quem e àquele que o observam, levando-os a se afastarem do eixo ótimo, onde efloresce o que há de virtuoso, pois, a disciplina aponta para a vida e a sabedoria, mas, o desprezo dela leva ao erro e ao desvio.

 

A ideia de que as ações falam mais alto que as palavras é um conceito central em muitas tradições, incluindo a filosofia estoica e ensinamentos religiosos. Um líder ou mentor que vive de forma disciplinada naturalmente inspira outros a seguir um caminho semelhante. Sua vida serve de guia para quem busca um caminho de sabedoria.

 

A busca por um "caminho de sabedoria" é uma jornada interior e prática que transcende o mero acúmulo de conhecimento, focando na aplicação prática de princípios para viver uma vida plena e satisfeita. Saber que não se sabe tudo é a chave para o crescimento pessoal e coletivo, pois, melhorado o homem, tudo que o orbita manifesta progresso contínuo.

 

Ser um mapa vivo para os outros, ressoa com a filosofia estoica. Obras como "Meditações" de Marco Aurélio ou os ensaios de Sêneca sobre a brevidade da vida exploram como a autogestão cria uma existência exemplar. Elas destacam o papel da disciplina e da humildade intelectual (ser "ensinável") como pilares para o crescimento pessoal e influência positiva.

 

O conceito de ser "ensinável" é central na "Mentalidade de Crescimento" (Growth Mindset). A psicóloga Carol Dweck detalha como essa postura transforma o fracasso em aprendizado. Quem é ensinável continua avançando em um caminho de ascensão e proeminência, reafirmando que viver de forma exemplar cria um rastro de clareza para todos ao redor. 

 

Esta premissa ressalta a importância da modelagem de papéis (role modeling) e do impacto das ações visíveis. Quando as pessoas observam um comportamento consistente e positivo, isso inspira, educa e até mesmo estabelece um padrão de conduta na comunidade ou círculo social, promovendo um ambiente mais ético e harmonioso.

 

Para o indivíduo, um estilo de vida exemplar (definido de várias formas, seja por meio de honestidade, bondade, responsabilidade, etc.) conduz a uma maior paz interior, senso de propósito e integridade pessoal, desvelando como as ações de um indivíduo, de fato, reverberam além de si mesmo. Viver de forma exemplar não é sobre ser perfeito, mas, sobre ser coerente

 

Essa coerência cria um rastro de luz que facilita a caminhada de quem vem atrás. A clareza que projetamos ajuda os outros a organizarem seus próprios pensamentos e ações. O exemplo silencioso muitas vezes educa mais do que mil palavras de aconselhamento. É uma verdade profunda que ressoa com o conceito de liderança pelo exemplo.

 

Em um mundo de incertezas, ver alguém agir com consistência e valores claros serve como um "norte". Isso significativamente contribui para dirimir dúvidas sobre o que é possível ou correto fazer em situações difíceis. Essa coragem ou disciplina mostra que é seguro e viável buscar a excelência, quebrando o ciclo da mediocridade.

 

A consistência do auto esforço e da autodeterminação em face dos desafios são os pilares que sustentam a jornada rumo a um desempenho superior, inspirando o reconhecimento do auto potencial e criando um ciclo virtuoso de busca por excelência e rompendo com padrões limitantes. Fitar isto, faz perceber que o alcance o impacto vai muito além do autobenefício.

 

Quando escolhemos a excelência em vez da conveniência, transformamos o ambiente ao nosso redor. Como diz Aristóteles: "Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito." Ao manter a disciplina, expandimos o horizonte de possibilidades e, com isso mudamos o destino de toda a coletividade que nos margeia.

 

A excelência é contagiosa. Quando um indivíduo quebra o ciclo de obscurescências limitantes, o "normal" é, naturalmente, redefinido para todo o grupo, forçando uma evolução coletiva. Sua coragem atua como um "lábaro que sinaliza ser seguro aspirar a algo maior e prova que o alto desempenho não é um dom místico, mas, um processo repetível.

 

Reconhecer que o sucesso é um processo repetível (método, disciplina e resiliência), fenece a desculpa da "falta de sorte" ou "falta de talento nato" arraigada em nossos subconscientes. Isso gera um desconforto produtivo: se o outro conseguiu através do trabalho, prova-se que a limitação era uma construção social, não uma lei natural, portanto desbravável.

 

A excelência deixa de ser uma exceção punida pelo coletivo e assume o lugar que lhe compete, passando a ser o novo padrão de sobrevivência e pertencimento da coletividade. Onde um gigante caminha, o solo se nivela por cima, preceitua Sir Issac Newton. O farol-coragem, autoriza-nos o abandono do medo de sermos julgados por desejarmos o topo.

 

Esse pensamento descreve com exatidão o "Efeito Roger Bannister". Até 1954, acreditava-se que correr uma milha em menos de quatro minutos era fisicamente impossível para um ser humano. No momento em que Bannister quebrou essa barreira, o "limite" mental foi destruído: nos dois anos seguintes, dezenas de outros corredores alcançaram o mesmo feito.

 

O "medo de ser julgado" é, quase sempre, o medo da retaliação social contra quem se destaca (conhecido em algumas culturas como a Síndrome da Amapola Alta, onde a flor mais alta é cortada). Porém, o "pertencimento" não sendo mais garantido pela conformidade com a média, mas sim, pela contribuição excepcional, altera a dinâmica: “a régua sobe para todos”.

 

Essa mentalidade propõe que a coletividade mais forte não é aquela que puxa os melhores para baixo, mas aquela que se utiliza do impulso dos melhores para enlevar a todos. Estabelece-se, pois, uma visão meritocrática e evolutiva da sociedade, onde o sucesso individual deixa de ser visto com ressentimento para se tornar um catalisador de progresso coletivo.

 

Pensando e agindo assim, encaramos a meritocracia não mais como algo puramente competitivo e excludente, para a enxergamos, unicamente, como uma inclusiva, onde o mérito individual é reconhecido e utilizado como um motor para o benefício de toda coletividade, já que a humanidade se fortalece pela utilização inteligente dos talentos de cada um.

 

Emerge desta agência, o conceito de Meritocracia Solidária ou Crescimento por Transbordamento. Diferente do igualitarismo radical, que busca a uniformidade através da limitação dos talentos, essa visão defende que o progresso de indivíduos excepcionais cria um "efeito maré", que eleva o nível básico de toda a estrutura social.

 

Os indivíduos de alta performance atuam como locomotivas que puxam os demais vagões, gerando inovação, empregos e novos padrões de excelência. Com isso a sociedade passa a focar na criação de condições para que todos possam subir, utilizando as ferramentas e o conhecimento gerados por aqueles que chegaram ao topo primeiro. 

 

A excelência individual é o maior serviço que um indivíduo pode prestar à coletividade. A premissa é que, ao aprimorar a si mesmo – seja em termos de habilidades, ética, saúde ou conhecimento – um indivíduo se torna mais capaz de contribuir positivamente para o bem comum. Envolve autodisciplina: adesão a regras ou padrões comportamentais, autogestão e perseverança. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

AMIGO DO BEM - UM CULTO A BONDADE, A LEALDADE E AO APOIO MÚTUO

 

A busca pela virtude e pela "amizade com o bem" é um dos pilares centrais da filosofia e da ética ao longo da história humana. Filósofos, líderes religiosos e pensadores de diversas culturas ao longo da história discutem a importância da amizade e da moralidade, enfatizando seu papel central na vida humana e na construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa.

 

Ser um "amigo do bem", no sentido de cultivar virtudes como bondade, empatia e lealdade nas relações humanas, é um ideal que remonta a tempos imemoriais. Na filosofia antiga, por exemplo, Aristóteles explorou detalhadamente o conceito de amizade baseada na virtude, que ele considerava a forma mais elevada de amizade.

 

Para Aristóteles, a verdadeira amizade virtuosa só é possível entre pessoas boas, pois, envolve amar o amigo por quem ele é, e não pelo que ele pode oferecer. Na obra Ética a Nicômaco, a amizade baseada na virtude (ou amizade do bem) é o ápice das relações humanas porque não depende de utilidade passageira ou de prazer momentâneo.

 

Esse tipo de amizade é uma extensão do amor-próprio saudável: o amigo é visto como um "outro eu", permitindo que ambos cresçam moralmente através da convivência. E só ocorre entre pessoas "boas e semelhantes na virtude", já que, uma pessoa má – naturalmente desprovida de uma moral sólida – não consegue sustentar esse tipo de conexão.

 

Amigos assim, embora raros, ajudam uns aos outros a se tornarem pessoas melhores por meio de conselhos, críticas construtivas e troca de experiências. Assim como duas lâminas de metal precisam de contato e fricção para ficarem afiadas, os seres humanos por meia de interação, debates e convivência crescem intelectual e moralmente. (Provérbios 27:17)

 

Platão, via o Bem como o sol do mundo inteligível. Ser amigo do bem significava elevar a alma acima das sombras das aparências para contemplar a verdade. Essa busca é o que daria ordem e propósito à vida humana. Amigos que te levam a Jesus e te ajudam na fé, como os amigos que carregaram o paralítico (João 5:1-15).

 

Sêneca e Marco Aurélio, acreditam que viver em harmonia com o bem é viver em conformidade com a razão e a natureza. Marco Aurélio defendia que aceitar os acontecimentos externos – que estão fora do nosso controle –e focar nas próprias respostas internas e virtudes é o caminho para a tranquilidade da mente (ataraxia). 

 

Viver racionalmente é, portanto, alinhar a própria vontade e as ações com essa ordem natural e divina. Fidedignamente leal à amizade ao bem, Jônatas arriscou sua posição como príncipe e sua relação com o pai, o Rei Saul, para proteger Davi. "A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma". (1 Samuel 18:1)

 

Sêneca, enfatiza a virtude é o único bem verdadeiro e que ela é alcançada quando se vive de acordo com a natureza. Envolve o uso correto da razão para discernir o que é bom, mal ou indiferente, e para cultivar qualidades como a sabedoria, a justiça, a coragem e a temperança. Rute e Noemi, que demonstram amor sacrificial e compromisso inabalável. (Rute 1:16)

 

“Sou amigo de todos os que te temem e obedecem aos teus preceitos”, declara Salomão. (Salmos 119:63). A razão (ou logos), pois, é a lei universal que governa o cosmos e que, também, reside dentro de cada ser humano. De sua sinergia a natureza forma-se a pedra angular da ética estoica, o único caminho para se alcançar a verdadeira felicidade e excelência moral.

 

Sendo a excelência moral, ou virtude, o único bem verdadeiro. Tudo o mais – saúde, riqueza, reputação – é considerado um "indiferente preferível", algo que podemos desejar, mas, que não determina nossa felicidade ou moralidade. A virtude, por si só, é suficiente para que a felicidade reine a ausência de sofrimento desnecessário através da sabedoria prática. 

 

O sábio foca apenas no que pode controlar e alerta: "Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios 18:24), pois, somente a verdadeira amizade, mesmo que com poucas pessoas, oferece um apoio profundo, lealdade e companheirismo mais forte que laços familiares, sendo um tesouro de valor inestimável.  

 

A comparação com um irmão mostra que o amigo fiel é um suporte essencial, um apoio profundo, lealdade e companheirismo mais forte que laços familiares, sendo um tesouro de valor inestimável. O amigo fiel é aquele que decide permanecer quando outros podem partir. Ele constrói a família espiritual sobre uma base de confiança e amor.

 

Ao mencionar a "família espiritual", o texto aponta para uma conexão que transcende o tempo, onde o companheirismo serve como o alicerce que mantém a resiliência diante das adversidades da vida. A família biológica fornece uma base inata, enquanto a amizade destaca o poder do "nurture" (criação e escolhas interpessoais) na formação de conexões significativas. 

 

No campo espiritual e psicológico, amigos muitas vezes funcionam como "famílias de alma". Estudos de psicologia social indicam que o suporte recebido de amigos escolhidos pode ser, em muitos casos, mais eficaz contra o estresse do que o familiar, justamente por não carregar as expectativas ou os julgamentos que frequentemente acompanham a dinâmica de parentesco. 

 

Como diz Aristóteles, a amizade é "uma alma habitando em dois". A amizade é o exercício máximo da nossa liberdade e autonomia, fruto de uma escolha deliberada.  É o compromisso de caminhar junto sem a necessidade de um contrato de sangue.  Diferente da família, onde há uma obrigação implícita de convivência, a amizade sobrevive apenas enquanto houver vontade mútua. 

 

Os amigos permanecem porque desejam, não porque devem, e oferecem uma compreensão que transcende o histórico genético, conectando-se através de valores, propósitos e experiências compartilhadas por escolha. Enquanto a família é o nosso ponto de partida, o amigo fiel é o porto seguro que construímos ativamente, validando nossa jornada através da lealdade incondicional. 

 

Esse "sim" renovado diariamente confere ao suporte emocional uma validação única. Saber que o amigo escolhe estar ali todos os dias cria um vínculo de confiança muito mais profundo. É um exercício de empatia viva, fortalecendo a resiliência, que deixa de ser um "hábito" e passa a ser uma genuína e cuidadosa amizade entre amigos do bem. 



sábado, 27 de dezembro de 2025

O FOGO ABRASADOR AQUIESCE O CORAÇÃO JUSTO

 

O "fogo" representa a indignação contra a injustiça ou o desejo ardente de fazer o que é certo, algo que consome e motiva o indivíduo "justo". Indica que a bondade não é passiva; ela pode ser ativa, impetuosa e imparável quando alimentada por um propósito nobre. Não é apenas um elemento de destruição, mas, um agente de refino, pois, o fogo separa a "escória" (as impurezas, o ego, os vícios) da essência. O fogo, como diz, o provérbio: “O ouro e a prata são provados pelo fogo, mas, é Deus quem mostra o que as pessoas realmente são”.

 

O caráter humano é, de quando em vez, comparado aos metais preciosos. O ouro, para atingir sua pureza máxima, precisa ser fundido. Um coração justo, que passe pelo fogo, se torna ainda mais forte e livre de impurezas. Para o íntegro, a provação não é um castigo, mas, uma validação. A palavra entusiasmo vem do grego en-theos, que significa literalmente "ter um deus dentro de si. Na literatura, essa "força viva" que você mencionou é o fogo que não consome, mas ilumina. Numa pessoa íntegra, entusiasmo ou o senso de justiça é uma força viva e transformadora.

 

É o que move heróis trágicos ou santos: uma convicção tão ardente que transforma a realidade ao redor. O senso de justiça deixa de ser uma teoria abstrata e torna-se uma necessidade vital de ação. É o que impede que a moralidade seja apenas uma "casca" social. Uma pessoa íntegra, que passa pelo "fogo" (crises, tentações ou injustiças), emerge com uma autoridade moral que não pode ser forjada. A integridade é, portanto, a resistência ao calor, pois, o falso se derrete ou vira cinzas. O que viceja na aparência ou na conveniência (o falso) não é sólido. 

 

A integridade é a qualidade do que é inteiro. Enquanto o que é fragmentado ou simulado se dispersa sob tensão, diante da primeira grande dificuldade ou escrutínio, porque sua existência depende de condições ideais e superficiais; já o que é autêntico permanece indivisível. Para o íntegro, o desafio não o destrói, mas o "recoze", pois, o desejo ardente pelo que é certo consome o egoísmo e o medo do indivíduo. O "justo" deixa de agir por conveniência e passa a agir por imperativo moral, tornando-se imparável porque seu propósito é maior que sua própria preservação.

 

A conveniência é a ética das sombras, que muda conforme o vento. Já o imperativo moral (conceito clássico de Immanuel Kant) é a ação baseada no dever absoluto. O justo não pergunta "o que eu ganho com isso?", porém, perenemente indaga: "o que é o certo a fazer?". Quando um indivíduo decide que sua integridade vale mais que sua própria vida ou reputação, ele se torna "imparável". O desafio deixa de ser um obstáculo e passa a ser o combustível que tempera sua vontade. Como diz estoico Sêneca: "O fogo é a prova do ouro; a adversidade, a dos homens fortes."

 

Para o íntegro, o "eu" deixa de ser o centro de gravidade. Quando o egoísmo é consumido, o medo de perder — seja status, segurança ou conforto — desaparece. Quem não teme perder o que é transitório torna-se inabalável diante das ameaças externas, pois, tem sólida sua cidadela interior. Coisas como reputação, riqueza, cargos e até certos relacionamentos são "preferíveis", porém, externos a nós. Como podem ser tirados pela sorte ou pelo tempo, depender emocionalmente deles nos torna vulneráveis à ansiedade e ao medo.  O medo de perder é uma forma de escravidão.

 

Quem aceita a impermanência da vida não se torna frio, mas sim, livre para desfrutar o presente sem a angústia da posse, tornando-se psicologicamente inabalável (euthymia). “Nada perde quem nada possui de seu", afirma Sêneca, vetorizando a busca pela ataraxia (tranquilidade da alma). Aceitando que nada é permanente, a ansiedade sobre o futuro e o medo da perda diminuem. Isso libera sua energia psíquica para focar no "agora", que é a única posse real que temos, ensejando um estado de serenidade onde o indivíduo não é mais "sacudido" por eventos externos.

 

Não se trata de não amar ou não ter coisas, mas, de usá-las como um hóspede, sabendo que a qualquer momento elas podem partir. Isso transforma o medo em gratidão, pois, a única coisa que realmente possuímos é nossa razão e nossa virtude, pelas quais devemos ser gratos. Ao reconhecer que a razão e a virtude são as únicas posses verdadeiras, focamos no que está sob nosso controle absoluto. Viver dessa forma não é ser frio ou indiferente, mas sim, amar de forma mais profunda e livre, sem as correntes da dependência emocional. 

 

As relações amorosas e a saúde são "bens preferíveis", mas, não essenciais para a felicidade da alma. Amamos as pessoas pelo que são no presente, sem a ilusão de posse, o que torna o afeto mais autêntico e menos ansioso. É educar as emoções para que a felicidade não seja refém de circunstâncias externas. Ao classificar amor e saúde como "indiferentes preferíveis", emergimos uma hierarquia de valores onde a virtude e a paz interior são os únicos bens verdadeiros, pois, retirado o peso da "essencialidade" de fatores externos (como o corpo ou o outro), a felicidade deixa de ser um alvo móvel.

 

Quando aceitamos que as pessoas são "empréstimos" da natureza, aproveitamos cada momento com mais intensidade, pois, não perdemos tempo tentando garantir um amanhã que não nos pertence. O bem-estar reside no seu julgamento sobre os fatos, e não nos fatos em si. Essa filosofia não propõe frieza, mas sim, um afeto lúcido. Amar o ser real que está diante de você hoje, em vez da projeção idealizada do que você gostaria que ele fosse ou do medo de quem ele pode se tornar é uma das formas mais elevadas de liberdade.

 

Neste influxo, Epiteto instrui: "Não busque que tudo aconteça como você deseja, mas deseje que tudo aconteça como acontece, e você terá paz". Isso transforma o amor em um exercício de liberdade, onde o afeto nasce da escolha consciente e não da dependência emocional. Ao abrir mão do controle, o amor deixa de ser uma posse e passa a ser uma apreciação. Não significa falta de cuidado, mas, o entendimento da impermanência. Amar sabendo que tudo é transitório torna cada momento de conexão mais valioso e urgente.

 

É o conceito de Amor Fati (amor ao destino), que embora tenha suas raízes no Estoicismo, foi popularizado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Para ele, o Amor Fati não é uma resignação passiva (aceitar porque não há escolha), mas uma afirmação entusiástica da existência. Nietzsche descreve o Amor Fati sua "fórmula para a grandeza num ser humano": não querer que nada seja diferente, nem no passado, nem no futuro, por toda a eternidade. Se algo "ruim" acontece, você usa isso como combustível para fortalecer seu caráter.

 

Para os estoicos, o destino é como um fogo que consome tudo o que é jogado nele e cresce com isso. Assim, vicejar o Amor Fati é essencial para que sejamos quem somos hoje. Não apenas tolerando o destino; mas, amando-o e o utilizando. É o estado de espírito de quem responderia "sim" com alegria. Camões, descreve o amor como uma força interna intensa e paradoxal, usando o fogo como metáfora para uma paixão indelével, que queima sem ser vista, causa dor e prazer; sendo uma experiência profunda, e muitas vezes contraditória, uma chama invisível, mas poderosa, que molda as emoções humanas. 

 

O amor aquiesce o coração justo, ou como defende Platão, o amor surge como uma iniciação ao bem, sob os fulgores do autoconhecimento, a partir do qual chega-se a plenitude. No "O Banquete”, Eros (amor/desejo) e Logos (razão/discurso racional), vetorizam a caminho da virtude e do conhecimento genuíno. Em essência, seja o amor divino ou humano, a imagem do "fogo purificador" remete ao processo de purificação e transformação através da intensidade e da paixão, um "incêndio" interno que limpa e fortalece. “o amor, cujo fogo consome o ‘eu’ antigo, permite a ciese do novo, uma transformação radical”, diz Osho.

 

Ao queimar vícios e o ego, o fogo atua como um agente de limpeza profunda que deixa para trás apenas a essência do ser. "Eliminar o que é impuro",  abre caminho para a renovação, permitindo um "crescimento espiritual ou pessoal profundo" e um coração renovado. É uma visão metafísica e espiritual do fogo como um elemento de transmutação. Simboliza o fervor necessário para a mudança. Sem a energia da paixão (o "calor"), a vontade humana, muitas vezes, permanece estagnada. É o motor que impulsiona o indivíduo a superar seus próprios limites. O fogo reflete a natureza ardente e a energia vibrante do amor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

LEMBRANÇA, UM DIA PARA SE LEMBRAR

 

No Brasil, o "Dia da Lembrança", comemorado neste dia, não é um feriado nacional unificado com um simbolismo histórico específico e amplamente reconhecido, como acontece em países da Commonwealth (onde o Remembrance Day homenageia veteranos de guerra), por exemplo. O simbolismo aqui é de um momento de reflexão pós-Natal, para recordar as coisas boas e ruins do ano que passou e valorizar as memórias afetivas.

 

Embora não seja pós-Natal, evoco o Deus Romano Jano (Janus Bicephalus), com seus dois rostos olhando para o passado e para o futuro (simultaneamente), simboliza perfeitamente a reflexão sobre o que passou e o planejamento para o que virá, frequentemente associado à transição do Ano Novo. Jano (ianua, em latim, de onde se origina a palavra "janela") Ele é o guardião de portais físicos e não físicos, como a passagem de um ano para o outro.

 

A representação bicefálica simboliza o domínio sobre o tempo, olhando para trás, para o que passou, e para a frente, para o que está por vir. Uma face pode ser representada como mais jovem (futuro e os desígnios do porvir) e a outra mais velha (passado e seus robustos legados). Sua influência é tão profunda que o primeiro mês do ano, janeiro (Januarius), foi nomeado em sua homenagem, servindo como a "porta" para o novo ciclo. 

 

Considerado um intermediário entre mortais e deuses, Jano é invocado no início de cada ritual e oração, pois, se acreditava que suas bênçãos são essenciais para o sucesso de novos empreendimentos e para a fluidez dos protagonismos. Janus bicephalus simboliza a natureza dual da existência e a inevitabilidade das mudanças, representando a sabedoria de aprender com o passado enquanto se antecipa e se prepara para o futuro.

 

Retrospectiva é o ato de olhar para trás para analisar o passado, ao qual dos chama Janus, revisando eventos, experiências e aprendizados com o objetivo de compreender o que aconteceu, celebrar conquistas e, principalmente, aprender para melhorar o futuro, sendo muito usada em metodologias ágeis para otimizar processos e equipes, mas também, em exposições de arte ou relatos anuais. A psicologia a chama esta agência de: "anamnésis" (lembrança).

 

A anamnese é a espinha dorsal da consulência eficaz, fornecendo os dados subjetivos (relatos do consulente) que, combinados com os dados objetivos notoriamente comprovados, levam a um diagnóstico exato e perspicaz. É uma troca de informações baseada na confiança e empatia, desvelando o contexto do paciente que vetoriza a busca, a identificação e o imediato emprego da mais proeminente solução à necessidade apontada.

 

Retrospectiva, anamnese e/ou lembrança, como que a chamamos é a força indelével que transforma o passado em um catalisador para o futuro, usando a reflexão para impulsionar melhorias em diversas áreas do psiquê humano e estimulando os indivíduos ao (auto) desenvolvimento contínuo, sob os auspícios do (auto) conhecimento. Um balanço de fim de ano para refletir sobre a vida, emoções, saúde e conquistas, é disto um vivaz exemplo.

 

O exemplo se manifesta no ensino e na moldagem de comportamentos que faz de forma mais eficaz que as palavras, pois, torna a verdade tangível e inspira mudança positiva, sendo crucial na educação, formação de caráter e desenvolvimento de valores, já a aprendizagem de dá por observação e/ou por recordação, e a incoerência entre discurso e prática gera confusão, tornando os adultos referências (boas ou ruins) para as crianças e a sociedade. 

 

Ser-se um exemplo é uma assunção de responsabilidade de influência que molda o futuro das pessoas e da sociedade, radicando que as ações falam mais alto que as palavras. Até maus exemplos são úteis, pois mostram referências do que se deve evitar.  Essencialmente, significa que a maneira como vivemos e nos comportamos inspirar os outros, o que nos leva a garantir que nossas ações e valores tenham um significado duradouro.

 

Denota uma conexão profunda entre agir de forma exemplar e manter-se importante ou impactante (recordável). Retrata pessoas que agem com integridade, bondade e responsabilidade e que demonstram liderança moral. Enfatiza que a autoridade moral e a influência genuína são conquistadas por meio de ações consistentes e que servem de modelo, em vez de serem meramente declaradas ou exigidas. Envolve ser-se homem reputável.

 

Reflete uma reputação construída ao longo do tempo através de ações consistentes e conduta exemplar. Descreve o homem memorável que possui uma boa reputação, ou seja, alguém que é amplamente considerado honesto, confiável e respeitável por outras pessoas; que tem um peso significativo em testemunhos de caráter, referências de emprego e/ou na percepção pública de sua credibilidade, pois, age de acordo com princípios morais sólidos.  

 

Digno de ser lembradonotável, pois, deixa uma impressão duradoura e positiva nas pessoas e no mundo, o homem memorável se destaca não por fama ou riqueza, mas, por seu caráter, ações e pelo impacto de suas interações.  Ele se move com uma missão ou objetivo claro, em vez de ser guiado apenas por humores momentâneos, e busca constantemente ser uma pessoa melhor (emocional, intelectual e espiritualmente).

 

Irrefutavelmente, um homem memorável é aquele cuja existência e ações merecem ser conservadas na memória, superando o cotidiano e deixando um legado que ressoa com os outros. Um indivíduo que deixa uma marca duradoura naqueles que orbitam em seu redor, não por autopromoção, mas pela força de seus feitos e efeitos guiados pelas mais excelsas virtudes humanas, pois, as vive e as exercer, independentemente de quem o observa. 

 

Notável por compartilhar conhecimento e mentorizar quem está ao seu redor, sendo lembrado mais pelo que fez pelos outros do que por suas posses, vive ad aeternum o homem memória (ou “homem musa”) de geração em geração com um farol de imaginação, inventividade e criatividade, personificando a inspiração, sob o olhar contemplativo de quem o fita com a proficuidade de um lavrador que colhe em seu pomar os mais belos, nutritivos e aprazíveis frutos.

 

O "homem memória" é aquele cuja personalidade e consciência são construídas a partir de suas experiências passadas. Sem memória, não haveria linguagem complexa ou senso de self. A memória é intrínseca à natureza humana, moldando a forma como o homem percebe a si mesmo, interage com o mundo e constrói seu futuro com base no passado. Recordar experiências e reconhecê-las permite ao ser humano saber quem ele é e de onde veio.

 

Mnemósine (a memória), é a mãe das Musas e a inventora das palavras e do pensamento. Filosoficamente, a memória é crucial para a existência da linguagem e da comunicação, pois, é a capacidade de lembrar nomes e significados compartilhados que permite a interação social. Segundo Maurice Halbwachs a memória é um fenômeno coletivo e social que influencia a formação das identidades sociais, como nacionais, familiares e culturais. 

 

Filósofos modernos e contemporâneos veem o ser humano como uma consciência em busca de realização, que se desenvolve através do acúmulo e reflexão sobre experiências, orientando ações e promovendo o equilíbrio interior e a humanização. Essa visão sintetiza uma mudança fundamental na história do pensamento: a transição da definição do ser humano como uma "natureza fixa" para um "projeto em construção".

 

O equilíbrio interior não é um estado estático, mas a capacidade da consciência de integrar sucessos, falhas e aprendizados em uma narrativa coerente que promova o desenvolvimento contínuo da própria humanidade. Como propõe Paul Ricoeur, o "si-mesmo" se constrói como um outro, em um diálogo constante entre o que vivemos e como narramos nossa história, o que envolve recordação (lembrança) das experienciações vividas.

 

Lembrar é viver incontáveis vezes na perene busca da mais aprimorada versão de nós, mesmo que a jornada em direção a uma versão melhor de nós mesmos nunca termine, é um esforço contínuo e que se repete ao longo da vida. É um incentivo à introspecção e à busca incessante pelo autoconhecimento e aprimoramento pessoal. Ao revisitar o passado com a intenção de aprender, podemos conscientemente moldar quem nos tornamos no futuro. 

 

Lembrança é algo formidável, o que me faz lembrar que no Brasil, Renato Alves foi o primeiro recordista oficial de memória do país. Seguido por Alberto Dell'Isola, recordista sul-americano conhecido por suas técnicas de associação visual. E eles me fazem recordar do indiano Vishvaa Rajakumar, que se tornou campeão mundial em 2025 ao memorizar 80 números aleatórios em apenas 13,5 segundos.

 

Lembrei-me tanto, e de tantas coisas, que me esqueci que o Dia da Lembrança é um dia para se lembrar, o dia do ano dedicado à (auto)análise no qual rememoramos as mais augustas experienciações vividas, que são o lume formidável das incontáveis (re)contações de nossas Histórias que continuamente virão; e a mais robusta coluna erigida dia a dia com a função de sustentar o porvir mais justo e feliz para nossas vidas. É o momento de respondermos: quem bem fiz ao mundo?

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...