terça-feira, 31 de março de 2026

A INTERDEPENDÊNCIA FAZ GRANDES ÀQUELES QUE SE ABRAÇAM NUM SÓ PROPÓSITO

Falávamos ainda há pouco (31/03), Cléber Tomás Vianna – Assessor Especial da Presidência – e eu, sobre as vidas de Aarão e de Moisés, dos feitos libertadores que realizaram – que somente tiveram sucesso, exatamente, por que os praticaram conjuntamente – exemplando ao mundo e as gerações por vir a excelsitude e a mais valia da interdependência que há entre todas as coisas. Moisés foi o líder principal e mediador com Deus, mas, sentia insegurança em sua capacidade de oratória e convencimento. Aarão, seu irmão mais velho, foi designado por Deus para ser a "boca" de Moisés, comunicando as mensagens ao faraó e ao povo, agindo como intérprete e braço direito, exercendo juntos a mais veraz complementaridade.


Incontestavelmente, o exemplo arrasta muito mais do que as palavras possam fazer, além de Aarão, a narrativa de Êxodo 17 mostra que em momentos de batalha, Aarão e Hur sustentaram as mãos de Moisés para garantir a vitória, ilustrando que a sustentação da liderança é um trabalho coletivo. Essa parceria exemplifica que, diante de grandes desafios, a colaboração conjunta (interdependência) é mais eficaz e valiosa do que o esforço isolado, produzindo feitos que superam as limitações individuais. Essa "mais valia" que discutíamos ressoa muito com os desafios modernos. Em qualquer estrutura – seja na presidência e/ou na base da sociedade – a eficácia máxima só se manifesta quando reconhecemo-nos como elos de uma mesma corrente.


Reconhecer-se como "elos de uma mesma corrente" (visão relacional) leva a decisões que consideram o bem-estar dos outros, não apenas interesses individuais. Claramente, da união de diferentes habilidades e conhecimentos emerge a sinergia, filha da confiança mútua e ação conjunta – e colaborativa – entre diferentes níveis de uma estrutura (da base ao topo), que é fundamental para alcançar metas e aumentar a eficiência, seja em empresas, nas instituições, na sociedade e/ou na família. Como Moisés, imbuída na interdependência que semeia desde 31 de Maio de 2024, quando nasceu, a Academia Internacional de Maçons Imortais viça e prolifera aclarando o ocidente, enquanto ruma ao oriente, iluminando os caminhos daqueles que buscam a verdade.


Colorindo o obscurantismo com as belezas das artes que abraçou como sua mui bastante curadora. Felicitando as nações que, pouco a pouco, abraça com o encantamento que os saberes por si professados cativam. Irmanando os povos a partir da aculturação que anima os ideais de evolução e progresso para todos, avança a Academia Internacional de Maçons Imortais pioneira face as demais egrégias arcádias esparsas sobre o orbe terrestre, provando ao mundo que, onde reina a boa vontade e inventividade, cumpre seu desígnio de disseminar o saber galantemente, garantindo singular simbiose de experiências e conhecimentos muito mais proficientes e eficazes face ao pertencimento e interdependência que enseja.


Fulcrada na ordem, que num sentido mais amplo, envolve a sequência lógica, a classificação e a coordenação de elementos com base em relações definidas, visando harmonia, eficiência e funcionamento regular, a Academia Internacional de Maçons Imortais desvela o modus operandi das sociedades, além de como mantê-las em coesa harmonia e de como lidar com desafios como: a desigualdade, os conflitos e a evolução social. Sociologicamente, trata da maneira como indivíduos e grupos interagem e se organizam em uma sociedade, seguindo normas, valores e instituições compartilhados que garantem estabilidade, previsibilidade e coesão social. Sem ordem não há progresso. E onde não há progresso não germina a Maçonaria.


Ancorada no influxo da Maçonaria, a Academia Internacional de Maçons Imortais ergue-se como uma estrutura hierárquica e simbólica (sequência lógica, a classificação e a coordenação de elementos) que, ao longo destes 21 meses, a exemplo das corporações de pedreiros medievais, evoluiu para uma filosofia de vida voltada ao progresso humano, sob os auspícios da legitimidade. A legitimidade na ordem é o alicerce da convivência harmoniosa e democrática que oportuniza sua aceitação como justa, mesmo quando não é perfeita. Assim, sua legitimidade não é apenas um aspecto formal ou jurídico, mas uma manifestação política, ética e social, que envolve regularidade, justiça, transparência e responsabilidade diante da sociedade.


Pensando com Russell Kirk, a Academia Internacional de Maçons Imortais, preceitua que a ordem interior (exigida pelo esmero) é o alicerce para uma ordem social desejável, onde a autodisciplina, a ética e a estética se tornam antídotos contra a desordem e o niilismo da sociedade moderna, sendo fundamental para a manutenção da harmonia, estabilidade e bem-estar coletivo. Portanto, na esfera social e institucional, seu esmero se conecta com a ordem social como princípio organizador da convivência, firmando-se como um dever coletivo de construir uma sociedade justa, digna e funcional. Como diz seu Patrono-Mor Morivalde Calvet Fagundes, “a literatura constrói homens probos e, estes, são os tijolos de um mundo digno e feliz”.



Do confrades que a constituem – nacional e internacionalmente – a Academia Internacional de Maçons Imortais não exige um nível acadêmico específico, porém, neles valoriza a responsabilidade, a humildade, o senso de justiça e o desejo de contribuir para o bem comum, sinais claros de sua madureza, que não se trata, apenas, da apenas idade, mas, da perceptível maturidade de espírito, alinhada aos ideais de uma vida virtuosa regada à ética, alimentada pela sã moral e, claro, perfeitamente, (re)vestida pela arguta alteridade. Essa madureza é essencial para lidar com os rituais simbólicos, o sigilo e as responsabilidades interna e externamente, onde a tolerância e o respeito às diferenças são pilares erigidos pelos arquitetos da paz.


Ser um agente da paz é ser um farol de esperança e uma prova viva de que a harmonia é alcançável. As ações e comportamentos pacificadores oportunizam um mundo melhor, inspirando àqueles que observam tais agências a seguirem o mesmo caminho de respeito e compaixão, já que, agir pela paz não significa evitar confrontos, mas sim abordá-los com uma perspectiva diferente, sabendo que entre a felicidade e a sabedoria espiritual a felicidade exempla a paz, a justiça, a equidade, a compreensão mútua, estabelecendo a graça de uma vida plena. Por isso, Hélio Pereira Leite, presidente da Academia Internacional de Maçons Imortais, diz “que não devem os silogeus abster-se de temas ligados à justiça, à injustiça e às correntes ideológicas, etc”.


Hélio afirma que “é plenamente legítimo – e até desejável – que Academias Maçônicas de Letras promovam debates sobre justiça, ética e ideologias, desde que o façam sob a ótica acadêmica, filosófica e histórica. O que se espera não é a defesa de posições, mas a análise de ideias; não o convencimento, mas o esclarecimento; não a imposição , mas o diálogo”. A Academia Internacional dos Maçons Imortais tem seu membros como “seres pacificadores por excelência, pois, suas manifestação vão além de gostar da paz ou de viver em paz. São pessoas através de seus atos e atitudes promove mudanças profundas no meio em que vive e convive. Indivíduos que apresenta essa característica são: “bem-aventurado filho de Deus” – Mateus 5:9.


Não é toa, portanto, que a Academia Internacional de Maçons Imortais tenha como vetores para seu continuísmo e progresso as primícias da ORDEM. O (Organização): a capacidade de estruturar recursos, tempo e espaço para alcançar objetivos com clareza. R (Regularidade): a manutenção da constância e do ritmo nas ações, evitando a intermitência que prejudica o progresso. D (Disciplina): o cumprimento voluntário de normas e o domínio sobre os próprios impulsos em prol de um propósito maior. E (Esmero): a dedicação ao detalhe e a busca pela perfeição na execução de qualquer tarefa. M (Madureza): o equilíbrio emocional de seus membros e sua capacidade de assumir responsabilidades com consciência e discernimento.


Hoje, comemorando 21 meses de vida, a Academia Internacional de Maçons Imortais, festeja a interdependência, pois, ela permite que o coletivo alcance resultados que seriam impossíveis individualmente. Conscienciosa, a ela Imortais cultiva a verdadeira união a conecta a pessoas se conectam entre si por um objetivo compartilhado (um propósito), sustentando a si –oportunizadora dos feitos que manifestam cultura – e a elas, como homens de letras – que se dedicam ao estudo e produção de textos literários, a partir dos quais exercem influência intelectual e cultural. Uma arguta complementaridade em prol da defesa da língua (principalmente a materna), das artes e da cultura de cada pátria onde atua.


Maranguape, Ceará, 31 de Março de 2026


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo



segunda-feira, 30 de março de 2026

A ALTERIDADE FAZ O hOMEM SER HOMEM

Entendo que a dignidade humana é sempre o foco primaz da alteridade e, esta, e a mais pura essência a fazer a homem ser Homem. Ela nos incita a vigiar, a estar firme em nossas convicções, a agir varonilmente e a fortalecer o amor com que praticamos os valores mais excelsos dos une ao sagrado, com a mesma intensidade que traz o sagrado aos nossos hábitos.

 

Resolutamente, a dignidade humana é uma qualidade intrínseca e inalienável de todo ser humano, independentemente de suas condições sociais, culturais ou morais.  Na tradição judaico-cristã, essa dignidade deriva do fato de o ser humano ter sido criado à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26-27), conferindo-lhe um valor sagrado que transcende qualquer distinção.

 

A prática dos valores excelsos (amor, respeito, dignidade) é descrita como uma união entre o sagrado e os hábitos diários, elevando a vivência humana. Exige conduta firme ("varonil" no sentido de coragem) contra a desumanização, fortalecendo a ética e a justiça. A dignidade é um valor espiritual e moral que incita o respeito próprio e ao próximo, sendo a "autodeterminação consciente e responsável". 

 

Conduzida pelo nível, a dignidade pressupõe a igualdade entre os seres humanos, exigindo que todos os interesses sejam igualmente considerados, conforme o princípio da igual consideração de interesses defendido por Peter Singer. É o valor inerente e pilar da alteridade, é a essência que define o ser humano, exigindo vigilância, firmeza de convicções e ações baseadas em virtudes elevadas.

 

Segundo Giovanni Pico della Mirandola – “A Dignidade do Homem (Oratio de Hominis Dignitate)” –, a dignidade do ser humano reside na liberdade de autodeterminação. Ao contrário dos animais ou anjos, o homem não tem uma natureza fixa: foi criado sem forma definida para poder escolher seu próprio destino.  Essa liberdade de escolha é o que confere ao homem sua grandeza e sua responsabilidade moral.

 

A igualdade e a liberdade, portanto, são os dois robustos pilares sustentam a dignidade. A igualdade não implica tratamento idêntico, mas, um "princípio mínimo de igualdade" que pode justificar tratamentos diferenciados para reduzir desigualdades. Já a liberdade, em sentido amplo, permite ao ser humano exercer plenamente sua autonomia, autorrealização e ser-se homem integral.

 

Dizer que a alteridade é o que nos faz "Homem", ecoa muito a filosofia de Emmanuel Levinas, que dizia que a nossa humanidade nasce justamente no momento em que nos tornamos responsáveis pelo próximo. Esse "agir varonilmente" e com "vigilância" é o esforço constante de não deixar que a rotina ou o egoísmo apaguem essa conexão com o sagrado que habita em cada pessoa.

 

Essa visão transforma a dignidade não apenas em um conceito jurídico, mas, em um "mínimo invulnerável" e uma experiência de vida que nos conecta com o transcendental – uma prática ativa de reconhecimento do outro – fundindo, assim, a ética e a espiritualidade. Assim, o amor transformado em disciplina, garante que os valores inefáveis moldem nossas ações diárias.

 

Para Immanuel Kant, a dignidade está ligada ao dever e ao respeito pela lei moral. O ser humano possui dignidade porque é um fim em si mesmo, jamais unicamente um meio. Isso se expressa no imperativo categórico: "Age de tal modo que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre como um fim e nunca apenas como um meio." Ao homem compete a humanidade.

 

A dignidade humana é o valor mais alto do ordenamento jurídico e o fundamento de todos os direitos humanos. Ela é a qualidade intrínseca e inalienável de todo ser humano, independentemente de suas condições sociais, culturais ou morais. Segundo André Gustavo Corrêa de Andrade, o direito é feito pelo homem e para o homem, tornando a pessoa humana a "medida de todas as coisas".

 

Essa premissa de que a pessoa é a "medida de todas as coisas" (revisitando o conceito de Protágoras sob uma ótica jurídica moderna) serve para impedir que o indivíduo seja tratado como um mero objeto ou meio para atingir fins estatais ou econômicos. Isto implica proteção contra abusos e a garantia de um mínimo existencial (saúde, educação, moradia) para uma vida com dignidade.

 

Indubitavelmente, a dignidade, como valor supremo, não pode ser relativizada, já que, a jurisprudência brasileira a tem como parâmetro para a harmonização de conflitos entre direitos e como fundamento para decisões em áreas como saúde (acesso a medicamentos), execução penal (condições carcerárias) e direitos sociais, reforçando seu relevante papel como vetor de justiça social.

 

Essa ideia do mínimo existencial permite traduzir um princípio abstrato em obrigações concretas e exigíveis, superando a alegação de insuficiência orçamentária como justificativa para a omissão estatal. O Estado, assim, tem o dever de garantir esse mínimo, especialmente aos mais vulneráveis.  Esse fito coloca o ser humano como o centro de gravidade de todo o sistema jurídico. 

 

Essa condição humana implica o dever de tratar cada indivíduo com igual respeito e consideração, independentemente de raça, gênero, condição social, capacidade intelectual ou moral.  Mesmo aqueles que cometem atos considerados indignos ou criminosos mantêm sua dignidade intacta, pois ela não pode ser perdida ou renunciada, tão pouco, subordinada a outros princípios.

 

No Brasil, a dignidade da pessoa humana está consagrada como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988.  Essa posição de destaque faz dela o núcleo axiológico da ordem jurídica, funcionando como princípio orientador para a criação, interpretação e aplicação das normas jurídicas.

 

Esse reconhecimento constitucional impõe ao Estado o dever de respeitar, proteger e promover as condições mínimas para uma vida digna.  Isso inclui o acesso a direitos sociais como saúde, educação, moradia, trabalho e previdência. A dignidade, portanto, não se limita ao plano moral ou abstrato, mas exige concretização prática por meio de políticas públicas e decisões judiciais.

 

A dignidade da pessoa humana, além de fundamentar os direitos humanos, é o ponto de partida para a cidadania plena. A cidadania moderna abrange não apenas direitos civis e políticos, mas também direitos sociais, econômicos e culturais, todos voltados à realização de uma existência digna. Sem o respeito à dignidade, a cidadania se torna formal e vazia.

 

Por oportuno cumpre ressalta que diferente da dignidade moral, que depende das ações, a dignidade ontológica não se perde, pois, é um dom divino baseado no ser, e não no agir. Segundo Agostinho de Hipona, a dignidade reside na natureza humana criada, que subsiste mesmo quando o indivíduo age contra a razão.  A sacralidade de toda vida humana, independe de condições sociais, de saúde ou conduta.

 

A dignidade é o que nos distingue, e a sua vivência prática ("trazer o sagrado aos hábitos") fortalece essa essência humana ao conectar a ética com uma espiritualidade ou uma moralidade profunda, posicionando o ser humano como um guardião da sua própria dignidade e da do próximo. Envolve agir com firmeza no emprego amor incondicional e a manutenção de padrões éticos elevados.

 

Neste toar, percebo ainda mais que a dignidade humana, como foco central da alteridade, representa um valor inerente e inalienável que fundamenta a ética, a moral e o respeito absoluto ao ser humano, atuando como um princípio de responsabilização, exigindo vigilância nas ações, firmeza de convicções e a vivência de valores excelsos que unem o humano ao sagrado e trazem o sagrado à humanidade.

 

Maranguape, Ceará, 30 de Março de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira AIMI nº 9


MORIVALDE CALVET FAGUNDES – UMA VIDA DEDICADA À CULTURA

A década de 1910 marcou a vida gaúcha com intensos conflitos sociais e trabalhistas, caracterizados por uma das maiores ondas de greves da história do estado, onde operários enfrentavam condições de trabalho precárias, salários baixos e jornadas exaustivas de até 15 horas em fábricas com ambientes insalubres. Borges de Medeiros enfrentou o desafios de reorganizar o sistema de impostos e da execução de um intenso programa de obras públicas, financiado por empréstimos externos.


Um ano (1912) chave para a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. A construção, liderada pelo empresário Percival Farquhar, visava integrar os trilhos do Sul ao centro do Brasil, mas, causou grandes desapropriações de terras que alimentaram a revolta de camponeses no Contestado - região disputada entre Paraná e Santa Catarina. Embora o foco principal não fosse em solo gaúcho, o conflito envolveu tropas gaúchas e afetou diretamente a economia e a segurança da região serrana e do planalto.


O estado gaúcho continuava recebendo fluxos migratórios significativos, especialmente de italianos e alemães, além de grupos menores como imigrantes russos, que buscavam terras para cultivo nas colônias. Pelotas consolidando-se como o maior centro produtor de charque, abrigando uma aristocracia urbana que se distinguia da capital, enquanto cidades do interior como Bagé e Caxias do Sul já ultrapassavam os dez mil habitantes e adotavam hábitos urbanos sofisticados.


Em 1912 os porto-alegrenses viviam sob os auspícios da Belle Époque gaúcha, marcada por uma intensa modernização urbana e o desejo de transformar a cidade em uma "Paris dos Trópicos" sob o governo de José Montaury, para tal, foi realizado um importante Recenseamento do Município, refletindo a preocupação da administração em organizar o crescimento de uma população que começava a se expandir para além do Centro Histórico, portanto, demandavam aprumos na mobilidade da cidade.


Teve o início neste ano 1912 o tráfego de automóveis, que exigiam adaptações na via pública. O sistema de bondes elétricos (implantado em 1908), substituindo gradualmente as charretes e os bondes puxados por mulas – ainda que pudessem ser vistos em áreas mais afastadas – recebeu maiores investimento para expandir suas atividades. Foi este o ano de fundação da A.J. Renner (originalmente uma fábrica têxtil em São Sebastião do Caí), que logo se tornaria um pilar comercial na capital.


Além das obras infra-estruturais, o ano marcou a fundação do tradicional Colégio Militar e a construção da Biblioteca Pública, cujas obras foram iniciadas pelo engenheiro Affonso Hebert, e a inauguração da suntuosa Confeitaria Rocco, que se tornou mais um ponto de encontro da elite, além dos cafés da Rua da Praia, do Theatro São Pedro e da Praça da Matriz. A revista Kodak, lançada em 1912, na qual de percebia o interesse da sociedade pela fotografia, pela moda e pela cultura.


Nestes tempos de (r)evolução perene e de progressismo viris nas terras gaúchas nasce no trigésimo dia do mês de março de 1912, para exemplar todo o Brasil, Morivalde Calvet Fagundes, 4º filho do incorruto senhor Antonio Lobo da Costa Fagundes e da maviosa senhora Maria Calvet Fagundes, ambos naturais de Pelotas. Imbuído desde na tradição católica, Calvet teve suas primeiras letras no Colégio Anchieta – hoje Colégio dos Padre Jesuítas – dele se ausentando no primeiro ano ginasial (1928) para trabalhar.


As percepções colhidas por Calvet o acompanharam por toda a vida e fizeram de si o lábaro que é. Largar os estudos aos 16 anos significava interromper a formação escolar básica, o que limitava drasticamente as oportunidades futuras. A ausência de uma educação formal dificultava a ascensão social e o acesso a empregos melhor remunerados. Embora o trabalho oferecesse aprendizados práticos, ele não substituía a formação crítica, técnica e intelectual que a escola poderia proporcionar.


Um jovem de 16 anos em 1928 ao largar os estudos para trabalhar em um armazém, enfrentaria uma rotina extenuante. As jornadas de trabalho eram longas, podendo chegar a 12 ou 14 horas diárias, sem garantias de intervalos para refeições ou descanso, muitas vezes em condições insalubres e perigosas, ainda que trabalhando para seu tio. O trabalho em armazéns envolvia tarefas como carregar mercadorias, organizar estoques, anotar pedidos e auxiliar no atendimento, etc.


Apesar das duras condições, o trabalho em um armazém proporcionou a Calvet alguns aprendizados práticos. O jovem desenvolveu habilidades como organização, responsabilidade, leitura e escrita básica, noções de contabilidade e atendimento ao público e de relações interpessoais. A vivência no ambiente de trabalho oferecia um contato direto com relações sociais, hierarquias e a dinâmica do comércio, conhecimentos que não eram ensinados nas escolas da época.


Destinado ao melhor futuro, no segundo dia do mês de maio de 1931 “sentou praça” - termo historicamente ligado ao alistamento de soldados rasos, originando o apelido "pracinha" para os combatentes da Segunda Guerra Mundial - como soldado no então 8º Batalhão de Caçadores, em São Leopoldo, sendo, no prazo de um ano, promovido a Cabo e a 3º Sargento. De 1933 a 1938 realiza um curso de preparação à carreira militar, enquanto estreia no Jornalismo (1935) no periódico Correio de São Leopoldo.


Em 1940 ingressa na Escola Militar de Realengo, sendo declarado Aspirante a Oficial do Serviço de Intendência em 09 de outubro de 1942. E, continua aliando armas e letras, pronunciando e escrevendo dezenas de palestras, conferências e trabalhos, sempre inspirado pelo legado literário deixado por seu tio Avó Francisco Lobo da Costa, um poeta, jornalista e teatrólogo brasileiro - um dos mais expressivos expoentes do movimento romântico da Literatura do Sul Riograndense.


A obra poética de Lobo da Costa foi publicada em jornais, em especial Eco do Sul, Diário de Pelotas e Progresso Literário. De acordo com Guilhermino César, Lobo da Costa publicou o romance Espinhos d'Alma em 1872, na cidade de Rio Grande. Em edições póstumas, poesias suas foram reunidas em Dispersas e em Auras do Sul. Em 1985, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) publicou em livro seu poema épico, Epopeia Farroupilha.


As belezas do romantismo gaúcho despertaram Calvet para real importância da literatura como formadora de homens probos e dignos da sociedade que constroem, posto que, a literatura fomenta o desenvolvimento da imaginação, da criatividade, do senso crítico e da interpretação do mundo. A leitura é uma atividade que transcende a simples aquisição de conhecimento. Mais do que decodificar palavras, ler é um ato de interação que estimula o cérebro, promove a empatia e amplia o senso crítico.


Em 1954 surge o seu primeiro livro – Lobo da Costa, Ascensão e Declínio de um Poeta – homenagem a seu tio-avô. Seu segundo livro – Estórias da Figueira Marcada – sobre folclore gaúcho, é lançado em 1961, com prefácio e anotações do 3 mestre Câmara Cascudo. Em 1969, é eleito membro efetivo e redator-chefe da Revista Ástrea. Em 1972, funda a Academia Brasileira Maçônica de Letras, a primeira do gênero no mundo, congregando intelectuais brasileiros e estrangeiros.


Vanguardista, a iniciativa de Calvet foi extremamente profícua, pois, existem hoje mais de 14 academias no Brasil, realizando intercâmbios culturais, congressos internacionais e publicações de Anais e documentos, inclusive com a participação e colaboração da Academia Brasileira de Letras. Calvet foi, também, fundador da Academia Sul Riograndense Maçônica de Letras (Cadeira 1), sendo atualmente homenageado como seu Patrono. Um reconhecimento justo e perfeito a um homem de letras.


Em 1976, Calvet tem publicado seu 3º livro – A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução, com prefácio do Maçonólogo Nicola Aslan – que retrata a participação da Maçonaria na Revolução Farroupilha. Em março de 1981 organizou o 1º Congresso Maçônico Internacional de História e Geografia, no Rio de Janeiro, reunindo os trabalhos de 12 escritores estrangeiros e 35 brasileiros, constituindo a maior obra maçônica dos tempos modernos, com 4 volumes e 1100 páginas.


Em 1982 publica no Rio de Janeiro o livro Maçonaria, Espírito e Realidade, a partir da Editora Aurora que também publicou: A Bandeira do Brasil como Símbolo Sagrado da Pátria (1983). E Uma Visão Dialética da Maçonaria Brasileira (1985). Em Caxias do Sul-RS, a partir da Editora EDUCS, publicou: História da Revolução Farroupilha – Volume 1 (1984) Volume 2 (1985) e Volume 3 (1989). E Subsídios para a História da Literatura Maçônica Brasileira do Século XIX (1989)


Em Londrina-PR, a Editora A Trolha publicou a obra Rocha Negra, a Legendária (1989). Em Porto Alegre-RS, a Editora EST publicou duas obras de Calvet: Os Maçons – sua Vida e sua Obra. - Dom Pedro I na Intimidade (1994). E Peregrinando pelo Rio Grande (1995). Calvet em suas palestras sempre defendeu que a leitura crítica capacita o indivíduo a interpretar o mundo, elaborar conceitos e posicionar-se de forma ativa na sociedade, indo além da memorização de informações.


Calvet faz parte das seguintes instituições literárias: Academia Maçônica de Letras, Ordem dos Velhos Jornalistas, Academia Anapolina de Ciências e Letras, Instituto Histórico e Academia de Letras de Uruguaiana, Academia Guanabarina de Letras, Instituto Brasileiro-Peruano Marechal Ramón Castilla, Instituto Cultural Simon Bolívar Argentino-Brasileiro, Centro de Estudos de Maçonaria Espanhola, Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, Academia de História Militar Terrestre do Brasil, etc.


Por justíssimo mérito, diplomado Cidadão do Estado da Guanabara e Benemérito da Cultura, além de Honra ao Mérito da Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro e do Grande Oriente Independente do Estado do RJ, Calvet cria que a leitura é uma ferramenta de formação integral do ser humano, sendo um estímulo contínuo para o pensamento e para a transformação pessoal e social, que passa pelas mãos hábeis dos homens de letras, pois, cada palavra é um tijolo na construção de um mundo feliz e digno.


Maranguape, Ceará, 30 de Março de 2026


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

domingo, 29 de março de 2026

IMBUÍDO NO EQUINÓCIO DE OUTONO O AMOR À ARTE PROJETA O FUTURO

 

Hoje (28/03) a Egrégia Academia Cearense de Literatura Popular, filha caçula dentre as muitas outras arcádias que acham guarda e apoio sob o teto Casa Juvenal Galeno, realizou a primeira reunião de seu nova diretoria executiva composta pelo seus mui bastantes presidente – Sr. Raimundo Carlos Alves Pereira –, secretário – Sr. Bruno Bezerra de Macedo – e tesoureiro – Sr. Carlos Manta Pinto de Araújo – que vitimado pela influenza H1N1 não compareceu. Singeleza, precisão e inventividade são vetores do protagonismo da gestão tripartite estabelecida no Estatuto Social deste Silogeu, percebidas nesta manhã de sábado no cenário cultural cearense.


Embora o novo seja eflorescentemente aterrorizante àqueles que alcançaram o cume de suas potencialidades, que atingiram seu tempo limite e/ou desbravaram sua última fronteira, esse pavor desvela o conhecimento por trás da admoestação do Mestre Jesus: "deixe que os mortos sepultem seus mortos" (Mateus 8:22, Lucas 9:60). Simbolicamente, "mortos" são aqueles alheios à convicção e à boa vontade, desprovidos propósito e sentido de vida; incapazes de manifestar o novo. A frase é um convite a não permitir que pendências, passado ou normas sociais (coisas de mortos) impeçam o compromisso presente com a vida progressista, a renovação e verdade.


Os "vivos" são os discípulos, os eternamente aprendizes, aqueles que se dispõem a acompanhar o tempo – e suas (r)evoluções – mantendo-se sempre na vanguarda das agências em prol do desenvolvimento de si e do crescimento da humanidade entre os homens, papel desempenhado com exímia clareza, presteza e nobreza por homens e mulheres de letras, como Francisco Otávio de Menezes e Alcilene de Holanda Cabral, que nesta manhã de sábado foram empossados no quadro social desta Academia Cearense de Literatura Popular: ele assentado na Cadeira nº 25 cujo patrono é seu genitor, Durval Aires Dutra; ela assentada na cadeira nº 36 que tem por patrono Fernando da Costa Weyne;


Dois notáveis ente humanos, Otávio e Alcilene, cujas vidas são espelhos da cativante graça nordestina, que move cultura e vidas na felicidade e artes com que toca os corações de muitos, fulcrando sempre a certeza de a arte é um ato de amor e que exercê-la exige amar incondicionalmente. Essa arte do cotidiano, como bem destacado em estudos sobre cultura brasileira, não precisa de palcos para existir — ela brota da fé, da luta, da saudade e do amor. Como escreveu Adélia Prado, uma voz ímpar da poesia brasileira com raízes profundas no sertão mineiro — próximo, em espírito, ao Nordeste: "Meu coração suporta grandes pesos, nem em sonho repousa."


O Nordeste, com sua rica tradição de literatura de cordel, música popular, artesanato, dança e religiosidade sincrética, é perenemente sustentado por pessoas anônimas ou pouco conhecidas que, como Otávio e Alcilene, vivem a arte como vocação e resistência. Eles são parte desse tecido vivo que inclui: cantadores de coco e embolada, que improvisam poesia na beira da estrada; mestres de maracatu e bumba-meu-boi, que transmitem saberes entre gerações; artesãos de barro, cerâmica e renda, como os de Caruaru ou Aracoiaba; poetas populares, que declamam versos com a força do sertão e a ternura do povo. É nesses movimentos de resistência e beleza que a arte se torna ato de amor incondicional.


Hoje, Otávio e Alcilene, ao ocuparem as cadeiras com os nomes de seus patronos, se tornam conscientes da tradição literária que representam e se comprometem a dar continuidade a esse trabalho, passando a ser guardiões da memória cultural do país, selecionando obras e autores que contribuíram para a cultura, seja brasileira e/ou mundial, sendo cruciais para o desenvolvimento de habilidades de comunicação, compreensão crítica da linguagem e análise cultural, pois, dedicam-se à pesquisa e análise de textos e discursos, utilizando ferramentas da linguística, filosofia e história para entender a relação entre linguagem, cultura e sociedade, alimento de suas produções literárias.


Na Idade Média, por exemplo, os "homens de letras" eram frequentemente associados a "homens de leis", indicando uma elite intelectual com profundo conhecimento de diversas áreas. Esta expressão define os acadêmicos que demonstram um profundo domínio sobre um vasto leque de conhecimentos, como literatura, história, filosofia e direito. A figura dos homens e mulheres de letras - aqueles que contribuem significativamente para a cultura letrada - está, pois, perenemente ligada à influência intelectual e cultural, com pensadores e escritores contribuindo para debates sociais e desenvolvendo o pensamento de sua época. Suas ideias sobrevivem ao tempo, tornando-se referências culturais e intelectuais.


Por tudo o que livro representa, move e erige, os “homens de letras” desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cultural, social e econômico, ajudando a moldar o pensamento e a consciência da sociedade, atuando como agentes de transformação para uma sociedade mais justa e equitativa. Mário Quintana diz que "Os livros não mudam o Mundo, quem muda o Mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". Essa transformação interna, alimentada pela leitura, é o que impulsiona a inventividade humana para gerar novos projetos, negócios e inovações que, de fato, transformam o mundo.


Aos homens e mulheres de letras, como Otávio e Alcilene que hoje iniciam essa nova jornada em busca do conhecimento e da sabedoria, compete abrir caminhos para novas perspectivas e soluções inovadoras, contribuindo para um futuro mais promissor, reunidos à seus pares, não apenas reproduzindo o conhecimento, mas sim, questionando e desafiando o status quo in voga, inaugurando a felicidade e o progresso da humanidade, a partir do livro que instrui o homem, manifestando com isso, o mais augusto e primaz dever desta Academia Cearense de Literatura Popular: cultivar a língua e a literatura nacional – e regional –, atuando como guardiã do vernáculo e promotor do uso correto da língua pátria.


Ainda tocada pela vivaz efervescência do Equinócio de Outono neste hemisfério sul –um período de recolhimento e preparação para o ciclo de dormência, onde se busca harmonia em áreas como amor, carreira e bem-estar emocional – a Academia Cearense de Literatura Popular celebra hoje (28-03) as excelentes colheitas auferidas ao longo destes seis anos existência convidando aos confrades e às confreiras de seus quadro social à profícua introspecção, ao externar da reconhecida gratidão e ao desapego do que não serve mais, assim como, as árvores perdem suas folhas para sobreviver ao inverno. A passagem do calor para o frio e a escuridão que cresce, simbolizam a necessidade de se reinventar e ajustar a rotina.


Neste toar, afirma o Presidente Raimundo Carlos Alves Pereira, que a reinvenção necessária não exige recomeçar do zero, mas sim, transformar o que já existe de forma profunda e significativa. É um processo contínuo de adaptação, essencial para manter a saúde institucional, a produtividade e a motivação diante de novas circunstâncias. A inventividade não é apenas um talento artístico, mas, uma competência estratégica valiosa, "uma força invisível que move o mundo" e que, ao lado da tecnologia, se torna a base para um futuro mais sustentável e desenvolvido. Manter uma rotina organizada traz liberdade e reduz a sensação de tédio ou caos diário.


Fortaleza, Ceará, 28 de Março de 2026


ACADEMIA CEARENSE DE LITERATURA POPULAR
Secretaria
Bruno Bezerra de Macedo

sexta-feira, 27 de março de 2026

CELEBRAR O TEATRO É FESTEJAR A VIDA

 

Neste dia 27 de Março, o teatro tem seu momento de festa e nos dá a saber que viver é o maior teatro a céu aberto do universo, a quem nos apresentamos investidos em tantos personagens possamos representar na contínua busca da felicidade, do crescimento em todos os aspectos do viver humano e da evolução perene na qual encontramos a sabedoria ao praticarmos o que aprendemos continuamente, pois, somos eternos aprendizes.

 

Vivemos em permanente encenação, assumindo personagens múltiplos ao longo dos dias: filho, pai, amigo, lutador, sonhador, criador. Como no palco, cada gesto, cada palavra, cada silêncio tem significado. E nesse palco sem ensaios, apresentamo-nos com verdade, fragilidade e coragem, em busca constante da felicidade, do crescimento interior, da conexão com o outro e com o mundo. Um mundo sempre em construção.

 

É no exercício diário da empatia, da escuta, da superação e da criatividade – praticado desde a mais tenra idade da humanidade – que representamos não somente o melhor de nós mesmos; como também, o nosso pior. E, como no teatro de visão épica descrito por Peter Sellars, é na partilha, na presença e na comunhão que encontramos sentido. Cada dia é uma nova peça, cada escolha um ato, cada encontro uma cena que pode transformar. 

 

A origem do teatro tem sua origem com os primeiros homens e tem sua memória preservada na arte rupestre, que o retratava em pinturas e gravuras realizadas em rochas e paredes de cavernas, registrando rituais de dança, encenação da vida cotidiana, oferendas, etc. Germina, assim, o teatro – a expressão artística mais antiga da humanidade dando vida e momento a suas manifestações, oportunizando a comunicação entre os homens.


Filho da improvisação, a Grécia Antiga o adota e o lega ao futuro, chamando-o theatron, que significa "lugar para ver". O primeiro monólogo foi interpretado por Tespis, no século V a.C., em Atenas. Tespis foi o primeiro ator e produtor teatral do Ocidente, de quem se tem registro. O teatro primitivo era ligado à religião, pois, se acreditava que as encenações podiam invocar os deuses e tê-los ali presentes trazia melhores augúrios.

 

O primeiro diálogo surgiu durante uma celebração em honra a Dionísio, o deus grego do vinho – ritos dionísicos. Com o tempo, o teatro deixou de ser um espetáculo religioso e passou a abranger diversos temas. Seu objetivo é despertar sentimentos e reflexões no público e, para tal, vale-se sons, música, cenografia e, claro, de atores que materializam as atividades e histórias humanas. enlevando-as e as inculcando nas memorias dos povos.

 

A primeira peça teatral que se tem registro foi Os Persas, de Ésquilo, escrita no século V a.C. Evoluindo continuamente e sempre disposto a contribuir com o progresso da humanidade, de quem guardas as melhores Histórias, o teatro chega à Idade Média consagrado como uma atividade rica, espontânea e festiva, que se desenvolvia em escolas, conventos, universidades e praças públicas, compartilhando experiências, conhecimentos e sabedorias.

 

Na Inglaterra do século XV, a rainha Elizabeth I deu proteção ao teatro da época, pois, apreciava muito os espetáculos populares. Assim, ele assumiu-se como um entretenimento da aristocracia e nobreza, marcado por um caráter popular, cômico e burlesco e, claro, pela exploração de diversos tema, tendo como notáveis colaboradores: William Shakespeare, Molière, Miguel de Cervantes, Nicolau Maquiavel, dentre muitas outras mentes brilhantes.

 

Na França do século XVIII, com a morte do Rei Luiz XIV, efervesce o iluminismo e o teatro passa a ser um espaço de debate entre filósofos tendo Voltaire e Rousseau como debatedores. Jean-Jacques Rousseau criticou o etnocentrismo do teatro, ou seja, a ideia de que o teatro pode modificar os gostos e costumes de um povo – e pode, sim! O teatro tornou-se uma arena importante para a comunidade francesa, que breve transcenderia ao mundo.

 

Nesse período, a burguesia tem uma ascensão e o teatro sofre influências, o drama substitui a tragédia e a comédia se desenvolve, o foco do teatro se torna muito mais individual e não é mais social. No romantismo, o teatro volta-se para o ser humano, as peças falam sobre emoção, e surge o melodrama. Emerge um teatro mais moderno, capaz de refletir os problemas humanos, morais e sociais da época, despertando consciências.

 

No Século XIX, reverbera Liberdade, fraternidade e igualdade e os principais nomes deste movimento foram Goethe e Werther, Schiller, Herder e os irmãos Schelegel. Na Inglaterra, a poesia de Young e de Walter Scott, soube muito bem repercutir este ideário. Walter Scott influenciou a literatura brasileira, por exemplo, nas obras de José de Alencar, como também, o fez quanto a construção do “Real Teathro São João” no Brasil (1813).

 

No século XX, a partir do realismo e naturalismo, o teatro evolui e se torna um instrumento de discussão e crítica da sociedade, mesmo com a falta de preocupação da reprodução da realidade nos cenários e figurinos, os temas tratados ilustram a realidade social. As inovações ocorridas no século XX trouxeram ideias e projetos estéticos que mudaram a noção do que era o teatro, influenciando os profissionais até hoje.

 

Augusto Boal e Zbigniew Ziembinski são dois expoentes do teatro no século XX, no Brasil e na Europa, respectivamente. Saliento que o Teatro Nacional, que teve as obras para sua construção em 30 de Junho de 1960 e concluídas, oficialmente, em 21 de abril de 1981, é o maior conjunto arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer em Brasília destinado exclusivamente às artes. Nele destacam-se as salas Martins Pena, Villa-Lobos e Alberto Nepomuceno.

 

O Teatro hoje, imprime, com tantas e todas as influências que o aninam, a imagem de uma arte muito rica. Encenar é uma arte que retoma a tempos mais distantes do que costumamos imaginar. Nos rituais primitivos da humanidade — aproximadamente há 30 mil anos — os povos já utilizavam a encenação como uma maneira de contar histórias, dentre muitas outras manifestações da vida e da cultura dos povos em todo o orbe terrestre.

 

O teatro é uma importante ferramenta para educação e desenvolvimento humano, pois, vai além da vida de um ser humano, sendo capaz de incentivar lhe desde o aumento do intelecto até a preservação da saúde por meio de práticas saudáveis. Uma mudança gradativa e constante, como o aumento da autoestima, estímulo da criatividade, aumento do senso de responsabilidade ao desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria existência.

 

Ao oportunizar vários benefícios para o ser humano, as artes cênicas são responsáveis por trazer mais clareza sobre o que vivenciamos no dia a dia. O mais conhecido está diretamente relacionado ao autoconhecimento. A tríade: quem vê, o que se vê e o que é imaginado é a grande mágica do teatro, que nos leva a grandes reflexões da história interpretada. O teatro retrata comunidades, seus estilos de vida, hábitos de trabalho e senso de identidade.

 

Por isso, o teatro é uma grande ferramenta de comunicação para as massas. Um incontestável poder de imergir os expectadores em conhecimentos e saberes que os conscientize sobre todas as demandas relacionadas à sociedade atual, pois, cidadãos melhores assim se tornam a partir de pensamentos mais amplos e reflexivos formados, principalmente, pelo teatro, que, ao longo do tempo, se fez fonte de cultura para as pessoas.

 

Celebrar o Dia Mundial do Teatro, neste 27 de março, reforça a importância da preservação do teatro em sua riqueza e diversidade, além de incentivar a sociedade a frequentar teatros e consumir essa arte.  A data, criada em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (IIT) e celebrada pela primeira vez em 1962, serve como um momento ideal pressionar o poder público a garantir investimentos na cultura e financiar programas de incentivo artístico.

 

Além da defesa política e econômica, esta celebração visa homenagear todos os profissionais que tornam o teatro possível, como atores, dramaturgos e técnicos, reconhecendo o palco como um espaço de cultura, reflexão e paz.  O teatro, com raízes na Grécia Antiga, atua como uma linguagem universal capaz de unir povos, provocar pensamento crítico e fortalecer a empatia, permitindo que o público experimente diferentes perspectivas e realidades.

 

A data, também, funciona como uma ferramenta educativa e transformadora, estimulando a imaginação, a criatividade e o diálogo entre artista e plateia.  Ao valorizar o teatro, promove-se a resistência cultural, a descolonização das artes e a oportunidade de questionar o status quo, mantendo viva a chama do pensamento crítico e da conexão humana em um mundo em constante mudança. Ressalto: o teatro é bem-estar integral, que bem educa!

 

Celebrar o teatro é festejar a vida, pois, o teatro e a vida estão em constante conexão e fusão, afinal a vida humana é composta por elementos que muito se assemelham a um teatro. Há o elenco, o figurino, o roteiro, o drama, muitas vezes a comédia, ou a mentira disfarçada de verdade, bem como a verdade inserida em uma encenação proposital. O teatro é um espelho cultural, uma ferramenta educativa e um espaço de transformação social.

 

Maranguape, Ceará, 27 de Março de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DOS MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

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