Hoje (28/03) a Egrégia Academia Cearense de Literatura Popular, filha caçula dentre as muitas outras arcádias que acham guarda e apoio sob o teto Casa Juvenal Galeno, realizou a primeira reunião de seu nova diretoria executiva composta pelo seus mui bastantes presidente – Sr. Raimundo Carlos Alves Pereira –, secretário – Sr. Bruno Bezerra de Macedo – e tesoureiro – Sr. Carlos Manta Pinto de Araújo – que vitimado pela influenza H1N1 não compareceu. Singeleza, precisão e inventividade são vetores do protagonismo da gestão tripartite estabelecida no Estatuto Social deste Silogeu, percebidas nesta manhã de sábado no cenário cultural cearense.
Embora o novo seja eflorescentemente aterrorizante àqueles que alcançaram o cume de suas potencialidades, que atingiram seu tempo limite e/ou desbravaram sua última fronteira, esse pavor desvela o conhecimento por trás da admoestação do Mestre Jesus: "deixe que os mortos sepultem seus mortos" (Mateus 8:22, Lucas 9:60). Simbolicamente, "mortos" são aqueles alheios à convicção e à boa vontade, desprovidos propósito e sentido de vida; incapazes de manifestar o novo. A frase é um convite a não permitir que pendências, passado ou normas sociais (coisas de mortos) impeçam o compromisso presente com a vida progressista, a renovação e verdade.
Os "vivos" são os discípulos, os eternamente aprendizes, aqueles que se dispõem a acompanhar o tempo – e suas (r)evoluções – mantendo-se sempre na vanguarda das agências em prol do desenvolvimento de si e do crescimento da humanidade entre os homens, papel desempenhado com exímia clareza, presteza e nobreza por homens e mulheres de letras, como Francisco Otávio de Menezes e Alcilene de Holanda Cabral, que nesta manhã de sábado foram empossados no quadro social desta Academia Cearense de Literatura Popular: ele assentado na Cadeira nº 25 cujo patrono é seu genitor, Durval Aires Dutra; ela assentada na cadeira nº 36 que tem por patrono Fernando da Costa Weyne;
Dois notáveis ente humanos, Otávio e Alcilene, cujas vidas são espelhos da cativante graça nordestina, que move cultura e vidas na felicidade e artes com que toca os corações de muitos, fulcrando sempre a certeza de a arte é um ato de amor e que exercê-la exige amar incondicionalmente. Essa arte do cotidiano, como bem destacado em estudos sobre cultura brasileira, não precisa de palcos para existir — ela brota da fé, da luta, da saudade e do amor. Como escreveu Adélia Prado, uma voz ímpar da poesia brasileira com raízes profundas no sertão mineiro — próximo, em espírito, ao Nordeste: "Meu coração suporta grandes pesos, nem em sonho repousa."
O Nordeste, com sua rica tradição de literatura de cordel, música popular, artesanato, dança e religiosidade sincrética, é perenemente sustentado por pessoas anônimas ou pouco conhecidas que, como Otávio e Alcilene, vivem a arte como vocação e resistência. Eles são parte desse tecido vivo que inclui: cantadores de coco e embolada, que improvisam poesia na beira da estrada; mestres de maracatu e bumba-meu-boi, que transmitem saberes entre gerações; artesãos de barro, cerâmica e renda, como os de Caruaru ou Aracoiaba; poetas populares, que declamam versos com a força do sertão e a ternura do povo. É nesses movimentos de resistência e beleza que a arte se torna ato de amor incondicional.
Hoje, Otávio e Alcilene, ao ocuparem as cadeiras com os nomes de seus patronos, se tornam conscientes da tradição literária que representam e se comprometem a dar continuidade a esse trabalho, passando a ser guardiões da memória cultural do país, selecionando obras e autores que contribuíram para a cultura, seja brasileira e/ou mundial, sendo cruciais para o desenvolvimento de habilidades de comunicação, compreensão crítica da linguagem e análise cultural, pois, dedicam-se à pesquisa e análise de textos e discursos, utilizando ferramentas da linguística, filosofia e história para entender a relação entre linguagem, cultura e sociedade, alimento de suas produções literárias.
Na Idade Média, por exemplo, os "homens de letras" eram frequentemente associados a "homens de leis", indicando uma elite intelectual com profundo conhecimento de diversas áreas. Esta expressão define os acadêmicos que demonstram um profundo domínio sobre um vasto leque de conhecimentos, como literatura, história, filosofia e direito. A figura dos homens e mulheres de letras - aqueles que contribuem significativamente para a cultura letrada - está, pois, perenemente ligada à influência intelectual e cultural, com pensadores e escritores contribuindo para debates sociais e desenvolvendo o pensamento de sua época. Suas ideias sobrevivem ao tempo, tornando-se referências culturais e intelectuais.
Por tudo o que livro representa, move e erige, os “homens de letras” desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cultural, social e econômico, ajudando a moldar o pensamento e a consciência da sociedade, atuando como agentes de transformação para uma sociedade mais justa e equitativa. Mário Quintana diz que "Os livros não mudam o Mundo, quem muda o Mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". Essa transformação interna, alimentada pela leitura, é o que impulsiona a inventividade humana para gerar novos projetos, negócios e inovações que, de fato, transformam o mundo.
Aos homens e mulheres de letras, como Otávio e Alcilene que hoje iniciam essa nova jornada em busca do conhecimento e da sabedoria, compete abrir caminhos para novas perspectivas e soluções inovadoras, contribuindo para um futuro mais promissor, reunidos à seus pares, não apenas reproduzindo o conhecimento, mas sim, questionando e desafiando o status quo in voga, inaugurando a felicidade e o progresso da humanidade, a partir do livro que instrui o homem, manifestando com isso, o mais augusto e primaz dever desta Academia Cearense de Literatura Popular: cultivar a língua e a literatura nacional – e regional –, atuando como guardiã do vernáculo e promotor do uso correto da língua pátria.
Ainda tocada pela vivaz efervescência do Equinócio de Outono neste hemisfério sul –um período de recolhimento e preparação para o ciclo de dormência, onde se busca harmonia em áreas como amor, carreira e bem-estar emocional – a Academia Cearense de Literatura Popular celebra hoje (28-03) as excelentes colheitas auferidas ao longo destes seis anos existência convidando aos confrades e às confreiras de seus quadro social à profícua introspecção, ao externar da reconhecida gratidão e ao desapego do que não serve mais, assim como, as árvores perdem suas folhas para sobreviver ao inverno. A passagem do calor para o frio e a escuridão que cresce, simbolizam a necessidade de se reinventar e ajustar a rotina.
Neste toar, afirma o Presidente Raimundo Carlos Alves Pereira, que a reinvenção necessária não exige recomeçar do zero, mas sim, transformar o que já existe de forma profunda e significativa. É um processo contínuo de adaptação, essencial para manter a saúde institucional, a produtividade e a motivação diante de novas circunstâncias. A inventividade não é apenas um talento artístico, mas, uma competência estratégica valiosa, "uma força invisível que move o mundo" e que, ao lado da tecnologia, se torna a base para um futuro mais sustentável e desenvolvido. Manter uma rotina organizada traz liberdade e reduz a sensação de tédio ou caos diário.
Fortaleza, Ceará, 28 de Março de 2026
ACADEMIA CEARENSE DE LITERATURA POPULAR
Secretaria
Bruno Bezerra de Macedo
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