quarta-feira, 22 de julho de 2026

SENDO PEDRAS, CAMINHEMOS!

Valorizar trilhas, rochas e belezas naturais da região da Serra de Maranguape expressa que Deus abre os caminhos para que neles nos coloquemos como pedras lavradas que fazem a estrada andar, pois, a natureza criada pelo sagrado para nos abrigar, alimentar e contentar já aparou as arestas restadas do mundano deixando-nos com a superfície ótima a sermos parte dele.

 

Poeticamente, este pensamento manifesta a sinergia entre a ação divina e o trabalho humano, sugerindo que a fé nos dá a direção, porém, é a nossa dedicação o vetor de transformação dos obstáculos em estruturas (alavancas) para avançar, encontrando na interdependência que há entre tudo criado material e espiritualmente sob a égide da harmonia reinante.

 

A natureza, como um abrigo já preparado pelo sagrado não é meramente um cenário, sendo um formidável organismo vivo que "aparou as arestas" do mundano. Isso sedimenta que o ambiente natural já possui uma sabedoria intrínseca e uma superfície pronta para nos receber – e para que a recebamos –, bastando que nos integremos a ela em vez de tentarmos dominá-la.

 

Essa percepção reverbera sentimentos encontrados em diversas tradições espirituais e obras artísticas, como nos louvores que celebram a intervenção divina que remove obstáculos e prepara o terreno para o trânsito da fé e da vida. Como nos rituais maçônicos que definem o maçom como pedra que, pelo burilamento, galga a aptidão para ser usada na construção social.


Neste contexto, a arte atua como uma ponte entre o humano e o divino, permitindo a expressão de emoções, crenças e ideias de forma criativa e simbólica. Afirma Adelino Barcellos Filho, citado pelo Vatican News, essa expressão buscar "aliar forma e conteúdo", fazendo com que o indivíduo cresça e corresponda à arquitetura Sagrada presente em toda a Criação.

 

Historicamente, essa dinâmica observa-se desde a preparação instintiva dos ninhos pelos animais até as complexas obras humanas, indicando que a criatividade é uma resposta ao divino, mesmo que no Renascimento e Iluminismo ela tenha passado a ser compreendida como um processo estruturado fruto do esforço individual, razão e desenvolvimento técnico.

 

A simbiose entre estas tradições reside na ideia de que a existência humana requer um processo ativo de transformação para atingir seu pleno potencial. Resolutamente, assim como o louvor materializa a remoção de impedimentos espirituais para o trânsito da fé, o burilamento da pedra, a seu tempo, remove as asperezas do caráter para o trânsito na vida social. Eis o múnus da evolução humana.

 

Tanto o cântico espiritual quanto a pedra lapidada deixam de ser elementos isolados para se tornarem partes fundamentais de uma estrutura maior – seja o corpo místico da fé ou a edificação da sociedade humana. O maçom, simbolizado como uma "pedra bruta" que, através do trabalho constante e do "burilamento" (educação e autoconhecimento), torna-se apta ao fim a que se destina.

 

O objetivo desse refinamento jamais será unicamente a perfeição individual, mas, sempre será o desenvolvimento das capacidades de integrar-se à "construção social". Assim como as pedras lapidadas compõem um templo, os indivíduos transformados compõem uma sociedade mais justa e fraterna. O ritual estabelece essa aptidão como essencial para o trânsito da vida em comunidade.

 

Este olhar robustece que a espiritualidade e a arte não são fins em si mesmas, mas, ferramentas dinâmicas que preparam o indivíduo para atuar no mundo, superando limitações e contribuindo para uma obra coletiva, que jamais finda, ao contrário é continua e aprimorada por cada geração que a seu tempo estabelece novéis perspectivas de entendimento para o tradicional dando-lhe (re)novadas utilidades.

 

Sêneca e Marco Aurélio, acreditam que viver em harmonia com o bem é viver em conformidade com a razão e a natureza. Marco Aurélio defende que aceitar os acontecimentos externos – que estão fora do nosso controle – e focar nas próprias respostas internas e virtudes é o caminho para a tranquilidade da mente (ataraxia), cônscio que somente uma mente serena é sã.

 

Viver racionalmente é, incontestavelmente, alinhar a própria vontade e ações com essa ordem natural e divina que dá influxo ao universo. Fidedignamente leal à amizade ao bem, Jônatas arriscou sua posição como príncipe e sua relação com o pai, o Rei Saul, para proteger Davi. "A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma". (1 Samuel 18:1)

 

Sêneca enfatiza a virtude é o único bem verdadeiro e que ela só é alcançada quando se vive de acordo com a natureza. Envolve o uso correto da razão para discernir o que é bom, mal ou indiferente, como também, para cultivar qualidades como a sabedoria, a justiça, a coragem e a temperança, que manifestam – como Ruth e Noemi – amor sacrificial e compromisso inabalável. (Rute 1:16)

 

“Sou amigo de todos os que te temem e obedecem aos teus preceitos”, declara Salomão. (Salmos 119:63). A razão (ou logos), pois, é a lei universal que governa o cosmos e que, também, reside dentro de cada ser humano. Desta sinergia a natureza forma-se como a pedra angular da ética estoica, o único caminho para se alcançar a verdadeira felicidade e excelência moral.

 

Sendo a excelência moral, ou virtude, o único bem verdadeiro. Tudo o mais – saúde, riqueza, reputação – é um "indiferente preferível", algo que podemos desejar, ainda que não determine nossa felicidade ou moralidade. A virtude, unicamente, é mais que suficiente para que a felicidade propicie a ausência de sofrimentos desnecessários através da sabedoria prática: domínio próprio.

 

O sábio foca apenas naquilo que pode controlar. "Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios 18:24), afinal, unicamente a verdadeira amizade oferece um apoio profundo, lealdade contundente e um companheirismo mais forte que os laços familiares, sendo um tesouro de valor inestimável encontrado por poucas pessoas.

 

O amigo fiel é permanece quando outros partem. Ele constrói a família espiritual (“família de alma”) sobre uma base de confiança e amor. A amizade manifesta o poder do "nurture" (criação e escolhas interpessoais) na formação de conexões significativas. Como afirma Aristóteles que a amizade é "uma alma habitando em dois". É o exercício da liberdade e da autonomia de uma escolha deliberada. 

 

Esse "sim" renovado diariamente confere ao suporte emocional uma validação única. Saber que o amigo escolhe estar ali todos os dias cria um vínculo de confiança muito mais profundo do que os laços consanguíneos. É um vicejar intenso da empatia, fortalecendo a resiliência, que deixa de ser um "hábito" para a ser uma genuína e cuidadosa amizade entre amigos do bem. 

 

A amizade é o cimento que assenta a pedra polida nos caminhos da (con)fraternidade aberto pelo Criador para que nele sejamos a estrada a levar o universo à coadjuvação entre o mundano e o sagrado onde galgamos a aptidão para sermos a pedra polida (o homem integral aprimorado moral e espiritualmente) assentada neste caminho.

 

Maranguape, Ceará, 22 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


segunda-feira, 20 de julho de 2026

A RELEVÂNCIA DAS ARCÁDIAS RESIDE NA DEFESA DA LINGUA

 

Alguns inefáveis deveres assumem as arcádias ao longo das eras. Primeiro, de serem recipiendárias do conhecimento. Segundo, de difundirem o saber acumulado. Terceiro, de guardarem os frutos da sinergia que manifesta-se no receber e no dar conhecimento, pois, disso depende a evolução humana tempo a tempo.

 

O ato de receber – absorver a sabedoria já existente e as novas descobertas – exige humildade intelectual e abertura, características opostas ao dogmatismo que o racionalismo, buscava superar. Um agir erguido no “difundir”, pois, garante que o saber não fique isolado, espalhando-o e fomentando o desenvolvimento das sociedades.

 

Claramente que o conhecimento, uma vez recebido, não deve estagnar, ao contrário, em sua essência, ele pede pra ser compartilhado e, assim, cumprir seu propósito social, que é ser provado e habitualmente praticado, pois, só desta forma ele ascende como sabedoria a bem da evolução humana.

 

Ato de difundir o saber, providencialmente ilumina as sociedade alinhando-se ao espírito do "Século das Luzes", onde a razão deveria ser acessível a todos para combater a ignorância. Uma acessibilidade “latu-sensu” requer uma linguagem que todos a possam discernir, absorver, refletindo o ideal de utilidade da arte cujo propósito é espelhar as sociedades.

 

Arcádias, como a Academia Brasileira de Letras e a Academia Internacional de Maçons Imortais, no Brasil, são espaços de reunião onde intelectuais trocam ideias, leem obras e absorvem as novidades aclarando intelecto e aprimorando a razão. Proteger o resultado vivo dessa troca é o verdadeiro combustível para a evolução humana.

 

O terceiro dever assumido pelos Silogeus em todo o mundo, e o mais profundo, é a guarda dos frutos da sinergia entre o receber e o dar. A "sinergia" refere-se ao valor agregado que surge quando o conhecimento circula: ele não apenas se soma, mas se multiplica e se transforma, ou seja, apresenta uma nova face constantemente.

 

Ao guardarem esses frutos, atuam como memória da humanidade, preservando a cultura e a razão contra o esquecimento e a barbárie, construindo com cada geração sobre os alicerces da anterior no mais vivaz processo de aprimoramento contínuo da condição humana através da cultura letrada e da reflexão filosófica.

 

Arcádias e/ou academias são manifestadas por acadêmicos que, a partir da literatura doam conhecimento, os difundem e, resolutamente, os guardam para semearem as plântulas de novos conhecimentos que darão os frutos do aprimorado futuro destas “casas de saber” que os abrigam.

 

O livro atua como um construtor social ao influenciar, moldar e refletir a sociedade nas quais é inserido. Ele não somente é um repositório de histórias e informações, como também, é uma formidável e poderosa ferramenta que impacta a cultura, a identidade nacional, o pensamento crítico e a própria percepção da realidade.

 

No Brasil, por exemplo, a literatura é imprescindível para a construção da identidade nacional, ao passo que dá voz a grupos diversos, amplia a empatia e quebra barreiras e desigualdades. Ao expor leitores a diferentes realidades e perspectivas, ela ajuda a construir uma sociedade mais consciente e igualitária.

 

A exposição a novas palavras e construções textuais melhora a comunicação e o vocabulário, o que é crucial para expressar ideias de forma clara e elaborada. A leitura de diferentes pontos de vista estimula o pensamento crítico, ensinando o leitor a questionar e analisar a informação, e não apenas aceitá-la passivamente.

 

Afirma Mário Quintana que "os livros não mudam o Mundo, quem muda o Mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". Essa transformação interna, alimentada pela leitura, é o que impulsiona a inventividade humana para gerar novos projetos, negócios e (r)evoluções que, de fato, transformam o mundo. 

 

Por tudo o que livro representa, move e erige, os “Homens de Letras” desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cultural, social e econômico, ajudando a moldar o pensamento e a consciência da sociedade, pois, atuam como agentes de transformação para uma sociedade mais justa e equitativa.

 

Os "Homens de Letras" abrem caminhos para novas perspectivas e soluções inovadoras, contribuindo para um futuro mais promissor, reunidos em Arcádias como a Academia Brasileira de Letras - ABL, não apenas (re)produzindo o conhecimento, mas sim, questionando e desafiando o status quo in voga, apontando-lhe substancias melhorias.

 

Inaugurando a felicidade e o progresso da humanidade, a partir do livro que instrui o homem, os “Homens de Letras” impulsionam as Arcádias – que os abrigam e os fazem representados, com a mesma galhardia eles as representam – ao fidedigno cumprimento dos seus compromissos basilares de receber, doar (compartilhar) e guardar os saberes de todos os tempos.

 

A relevância da data de hoje (20/07) reside na missão da ABL de zelar pela cultura da língua nacional. Ela atua como a guardiã do idioma, sendo responsável pela edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), que define a grafia correta das palavras, sendo autoridade para escritores, editores na aplicação do Acordo Ortográfico.

 

Comemorar o dia da ABL é reconhecer seu esforço contínuo de manter a unidade e a pureza do português falado no Brasil, adaptando-o às evoluções naturais sem perder suas raízes históricas. Esse trabalho de normatização é essencial para a comunicação clara e para a identidade nacional em um mundo globalizado.

 

A comemoração do dia da Academia Brasileira de Letras (ABL), celebrado em 20 de julho (data de sua sessão inaugural em 1897), marcar a fundação da instituição máxima de preservação da cultura e da língua no Brasil. Simboliza o compromisso nacional com a memória literária, a normatização do idioma e a democratização do saber.

 

Maranguape, Ceará, 20 de Julho de 2026


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

sábado, 18 de julho de 2026

EQUILIBRAR POLARIDADES COM UM ÚNICO PROPÓSITO: FELICIDADE

 

Equilibrar as polaridades é um caminho antigo pelo qual transitam poucos de nós. Alguns, dele desistem, outros, dele desviam-se. Porém, àqueles que o seguem há acréscimos de força, beleza e sabedoria a cada passo dado. E são exemplos para aqueles que almejam segui-los na mais auguriosa jornada em busca de si próprios.

 

Integrar opostos – razão e emoção, força e vulnerabilidade e/ou luz e sombra, etc. – exige esforço contínuo e moderação; e o cultivo da inteligência emocional – maior lucidez e sabedoria diante das adversidades da vida –, pois, fulcram o princípio central para o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal.

 

Psicanalistas como Carl Jung estudaram como a mente opera através de opostos. O processo de individuação consiste em integrar os aspectos conscientes e inconscientes, unificando as polaridades da psique. Já o Caminho do Meio dos Budistas é a rota segura para uma vida de moderação e lucidez, desviando-se de excessos destrutivos.

 

Proposto por Sidarta Gautama (Buda), o Caminho do Meio evita os extremos da busca desenfreada pelo prazer (hedonismo) e da auto mortificação (ascetismo extremo). Funciona como a afinação de uma corda de instrumento: não pode estar frouxa demais (falta de esforço), nem estourando de tão apertada (tensão excessiva).

 

Sidarta, percebeu que a mente funciona como um instrumento musical; se as cordas estiverem muito esticadas (ascetismo rígido), arrebentam-se com facilidade, porém, estando muito frouxas (hedonismo/indulgência), não produzem som algum. Assim, o Caminho do Meio manifesta a a afinação perfeita para o melhor som.

 

Chamado de Nobre Caminho Óctuplo, o Caminho do Meio abrange o equilíbrio em oito aspectos: compreensão, pensamento, linguagem, ação, modo de vida, esforço, atenção plena e concentração, indo além da moralidade para manifestar a "vacuidade", superando visões dualistas e extremas de existência, não-existência e nihilismo.

 

O Caminho do Meio e a Inteligência Emocional se irmanam no propósito de equilibrar ao evitar a reatividade e melhor a empatia e a sociabilidade, virtudes cruciais para evitar conflitos no convívio familiar ou corporativos. Isso se traduz no gerenciamento das emoções, com base na razão e nos valores, e não impulsivamente.

 

O Caminho do Meio envolve a atenção plena para observar as próprias reações sem julgamento e o cultivo da que não se abala com o ganho ou a perda. A Inteligência Emocional usa a auto-observação para identificar gatilhos e entender a raiz dos sentimentos e desenvolve a resiliência para lidar com frustrações sem desmoronar.

 

O conceito de equilíbrio não é exclusivo do Oriente. Na filosofia ocidental, a Ética a Nicômaco de Aristóteles apresenta a "Justa Medida" (Mesotes), definindo a virtude exatamente como o meio-termo entre dois vícios opostos: um por excesso e outro por falta: a coragem como o ponto ideal entre a covardia e a temeridade.

 

Buscar a justa medida em todas as esferas da vida é procurar a Eudaimonia, traduzida como a verdadeira felicidade ou florescimento humano. O meio-termo ideal varia dependendo do agente, das circunstâncias e do momento – a quantidade de comida ideal para um capataz é diferente da quantidade ótima para um sedentário.

 

Para Aristóteles, a virtude (areté) não é uma quantidade estática de algo, mas sim, uma disposição humana que atinge a excelência ao encontrar o equilíbrio perfeito entre dois extremos nocivos: o vício por excesso e o vício por falta. Não sendo inata, ela é uma habilidade consolidada a cada boa ação praticada até que esta torne o caráter.

 

A justa medida (ou justa proporção) e o Teorema de Pitágoras têm ligação intima com a história da matemática, da filosofia e da construção civil antiga. Na antiguidade, pedreiros e agrimensores precisavam criar cantos perfeitamente retos para que as construções não caíssem e a "justa medida" é garante essa perfeição espacial.

 

O Teorema de Pitágoras (a2 + b2 = c2) sustenta a geometria, porém, sua aplicação e o contexto da escola pitagórica ancoram a busca de uma vida. Ele prova que a hipotenusa é sempre menor que a soma dos catetos. A existência da hipotenusa, segundo os pitagóricos, envolve a harmonia dos catetos. Na vida, isso representa o equilíbrio:

 

  • Cateto A: O mundo interno (saúde mental, espiritualidade e autoconhecimento).

 

  • Cateto B: O mundo externo (carreira, relacionamentos e contribuição social).

 

  • Hipotenusa: A vida plena, que só é alcançada e sustentada se os dois "lados" anteriores estiverem bem fundamentados e em ângulo reto (integridade).

 

A conexão entre o Teorema de Pitágoras e o "caminho do meio" ocorre do forma surpreendente: a linha diagonal que corta uma quadra ou praça (a hipotenusa) é incontestavelmente o caminho mais curto entre dois pontos. É a matemática provando que o equilíbrio entre dois extremos economiza tempo e esforço, e otimiza a vida.

 

Uma vida plena exige discernir o que é essencial (o cálculo exato) do que é ruído. A felicidade não se acha nos caminhos sinuosos e complicados, mas, na "linha reta": a simplicidade, a verdade e a ação direta em direção à plenitude que resulta da interdependência entre grupos, cujos valores reais desenvolvem o intelecto-moral do ser humano.

 

"A justa medida" e o "caminho do meio" há milênios equilibram o viver humano no Ocidente e no Oriente. Na visão de Aristóteles, a virtude é o ponto de equilíbrio entre o excesso e a falta. No Budismo, manifesta uma vida consciente, que evita extremos de indulgência e de privação. Essa justa medida reque discernimento, razão e hábito contínuo.

 

Essas filosofias apontam para uma “única” verdade: o equilíbrio é a chave para uma vida plena e virtuosa. Mesmo tradições diferentes, convergem à ideia de que a moderação não é sinônimo de mediocridade, mas sim, e portentosamente, de uma postura ativa e consciente diante das escolhas diárias. É animus vitae.

 

O animus vitae é a força motriz essencial para alcançar a vida plena, que jamais será um estado de ausência de problemas, mas, a capacidade de resiliência e propósito diante das adversidades. Ele é a energia que nos encoraja a desbravar caminhos e a agir de forma alinhada aos mais aquilatados valores.

 

Para a psicologia analítica, o arquétipo do animus (o aspecto masculino na psique feminina) e a busca pela individuação ensinam que o autoconhecimento é fundamental. Integrar essa força ativa e racional promove o florescer de uma vida mais autêntica e completa. Uma plenitude que exige hábito, consciência e humanização.

 

Dessa sinergia entre as tradições orientais e ocidentais emerge um sincretismo que imbuí desde a espiritualidade e a filosofia até a medicina e a vida corporativa, a unir a praticidade do racionalismo ocidental com a busca por equilíbrio, energia e autoconhecimento da sabedoria oriental, equilibrando polaridades com um único propósito: a felicidade.

 

Maranguape, Ceará, 18 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O FOLCLORE TRANSFORMA A NATUREZA EM SUJEITO DE DIREITOS

 

Folclore é tudo mais que o abrasileiramento do termo inglês folklore (de folk, "povo", e lore, "sabedoria"), que, literalmente, significa "saber popular". E sabedoria popular é o que guarda, preserva e difunde academias como a ACELP – Academia Cearense de Literatura Popular, como ditados populares, trava-línguas, adivinhas, a literatura de cordel, o repente, a trova e, claro, a literatura folclórica.

 

Caracterizada pelo segredo da autoria, por evoluir com a coletividade – a quem também vê evoluir –, por manter viva a identidade cultural dos povos – guardadas as regionalidades e as etnias – e por semear de forma vivaz e singular o pertencimento que une a todos debaixo da árvore de contar histórias, ao calor da fogueira e sob luar e estrelas, onde aprendemos o real valor de “ser gente” de valor.

 

Manifestar-se com o povo (ou a partir dele), estabelece o poder unificador e inspirador da cultura que o folclore inculta nas mentes por ele cativadas. É o que dá vida, significado e caráter a um povo, sendo-lhe o coração pulsante, um elemento que o encanta a tudo que o orbita, definindo-o e enaltecendo-o, portanto, inseparável de sua existência, é sua alma – costumes e tradições – que a cultura anuncia.

 

Neste augurioso diapasão, a cultura fornece as "regras do jogo" e a ambiência social é o "campo de jogo" onde essas regras são aplicadas, vividas e, por vezes, transformadas. A ambiência é o contexto onde a cultura se manifesta, e é reforçada ou transformada, a partir do que é experienciado. Ela é uma construção social que cria um sentimento de pertencimento e coesão que identifica o que toca.

 

A cultura e as artes – escritas e/ou plásticas – são formidáveis ferramentas de inclusão, cocriando novas perspectivas e oportunidades para pessoas marginalizadas, especialmente quando o acesso é facilitado por meio da educação. Da inexistência da conexão cultural emerge a marginalização de indivíduos e grupos, o enfraquecimento da harmonia social, além de os fazer extinguir-se.

 

A conexão cultural não se trata de homogeneização, mas sim, de criar pontes de entendimento e valorização da diversidade, o que, por sua vez, é a base para uma sociedade mais inclusiva, justa e harmoniosa. Esse entendimento mútuo e a identificação com a cultura local firmam laços sociais e geram um senso de unidade e solidariedade, essenciais para sinergia social que faz todos notáveis.

 

A cultura fornece valores, crenças, padrões e tradições que servem como referências comuns para os membros de uma sociedade, ancorados nos arquétipos difundidos pela literatura folclórica. Poder transformador, a cultura é um vetor crucial para o desenvolvimento brasileiro em múltiplas dimensões: econômica, social e na consolidação da identidade nacional interna e externamente.

 

A cultura no Brasil é um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável, a geração de riqueza e a construção de uma nação mais justa, criativa, consciente e orgulhosa de ser brasileira. Daí por que no dia 17 de julho o Brasil celebre o Dia de Proteção às Florestas, associada ao Dia do Protetor de Florestas (ou Dia do Curupira), figura icônica do folclore brasileiro conhecida por defender as matas.

 

Como transformador de paradigmas, desafiando a visão eurocêntrica e evolucionista que ainda pejora a cultura popular como atrasada, arcaica ou mero vestígio do passado, o folclore faz-se reconhecido como um processo dinâmico de inovação e recombinação, fundamental para uma educação que descoloniza o ensino, entendendo a cultura popular como uma construção viva e diuturna.

 

Demonstrando como as tradições se atualizam, o folclore leva a escola e a sociedade aprenderem com conhecimentos antes encobertos pela modernidade ocidental. A representação do Curupira vai além do mito; ela funciona como um alerta ancestral sobre a necessidade de viver em harmonia com a natureza, respeitando os ciclos da fauna e da flora, para que viva perenemente o ecossistema Terra.

 

A lenda do Cururpira é uma das mais antigas do Brasil, tendo os primeiros registros escritos datados de 1560, escritos pelo padre José de Anchieta. Ao longo do tempo, o Curupira tornou-se um símbolo oficial de preservação ambiental. O Estado de São Paulo, o consagrou como símbolo estadual do guardião das florestas por força de lei. A COP-30 o fez mascote oficial de conferências internacionais sobre o clima.

 

O cabelo ruivo ou flamejante do Curupira representa o poder vital, a energia indomável da floresta e o calor da vida, mas também, a destruição para aqueles que não respeitam o meio ambiente. Seus pés virados para trás repletem o engano e a ilusão que assombram os usurpadores e gananciosos. Ele personifica a resistência cultural indígena e a conexão ancestral do povo brasileiro com a floresta.

 

O folclore brasileiro está repleto de guardiões da natureza, cujas lendas funcionam como mecanismos culturais de regulação ambiental e sobrevivência humana. A simbologia do Boitatá o liga à preservação contra queimadas, atuando como um alerta vivo sobre os perigos do fogo descontrolado. Considerado um dos primeiros "ambientalistas" do imaginário popular ele pune que ateia fogo nas florestas.

 

Confundida ou associada ao Curupira, a Caipora (do tupi "habitante do mato"), manifestada por uma índia montada em porco-do-mato e/ou como um ser pequeno e ágil, é a protetora dos animais e das florestas. Sua função simbólica é regular a caça predatória, garantir que a fauna não seja exterminada e assegurar a sobrevivência alimentar das comunidades a longo prazo.

 

O Mapinguari é uma criatura gigantesca, coberta de pelos, com um olho só e uma boca no ventre, que habita a Amazônia, representando o medo reverencial necessário para manter áreas intocadas e preservar a biodiversidade crítica para o equilíbrio climático. Sua lenda atua como um forte dissuasor contra a exploração madeireira ilegal e a caça excessiva nas profundezas da floresta.

 

Essas narrativas folclóricas ao personificarem elementos naturais, transformam a conservação em um imperativo moral e espiritual. As entidade entidades cultuadas pelo folclore transformam a natureza de "recurso a ser explorado" para "sujeito de direitos", fomentando o estabelecimento de uma consciência ecológica afetiva que a ciência técnica, por si só, muitas vezes, jamais conseguiria implementar. 

 

Indubitavelmente, o folclore não é, meramente, uma coletânea de lendas, porém, é um portentoso sistema de saberes tradicionais que codifica práticas de conservação e ética ecológica. Ajuda a ressignificar a relação entre seres humanos e natureza, deslocando a visão de dominação para uma de pertencimento e reciprocidade, o folclore assume-se como cocriador do melhor futuro para o homem.

 

Instituições como a Academia Cearense de Literatura Popular (ACELP) desempenham um papel fundamental na preservação e difusão dessa "ciência do povo", o folclore. Guardiãs da sabedoria popular, coleciona-as e as dissemina por diversas formas de expressão. Reforçando que um povo sem memória cultural perde sua conexão com o futuro, não chegando, por vezes, a alcança-lo.

 

Maranguape, Ceará, 17 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

quinta-feira, 16 de julho de 2026

BRASIL NÃO É ILAÇÃO, É NAÇÃO ENSINANDO O MUNDO A SER GENTE

 


Há ilações talentosas criadas por cada etnia formadora da nação brasileira, todas as têm em farta oferta como forma de demonstrar seu respeito por esta imensa Terra, cujo formato cartográfico, observado com o amor que a ela TODO BRASILEIRO dedica, vê-se um coração.

 

Coração vivo e pulsante, que como o coração de mãe, jamais negou abrigo a quem lhe bate à porta, a quem lhe pede um "de comer", a quem desejar abrigar-se em seu colo. Um amor que impõe respeito, pois, ainda que tantas cores formem a cor brasileira, ela é respeitável. E única.

 

Sendo única é primaz, nada deve a ninguém! É filha dos méritos do povo que a (re)constitui todos os dias com seu respeito, seu amor e seu labor, valores que aquilatam o nome que ela ostenta como identidade daqueles ela adotou pra si. Que a erigem colossal com seu amor.

 

Dos Druidas aos Judeus, todos requerem a autoria do nome “Brasil”, como o querem pra si. Hy-Brasil (ou Brasil) é uma ilha fantasma da mitologia celta, descrita como uma terra circular, habitada por fadas e divindades, situada a oeste da Irlanda, visível apenas um dia a cada sete anos.

 

Para os celtas, simbolizava um refúgio de abundância, juventude eterna e alegria, contrastando com o clima frio e chuvoso da Irlanda.  Mesmo envolta em névoas protetoras, Hy-Brasil fez-se aparecida em mapas náuticos por quase 500 anos, firmando o ideal de “ilhas afortunadas”.

 

Apareceu em mapas europeus a partir de 1325 (cartógrafo Angelino Dulcert) e manteve-se em cartas náuticas até o século XIX. Desenhada como um círculo perfeito – manifestando a proteção universal, o infinito, a totalidade e a divindade – cortado por um rio ou estreito central.

 

Hy-Brasil vem do gaélico Uí Bhreasail (clã de Bresal) ou do semideus Breasal, grande rei mítico. Embora, haja ilações de que o nome esteja ligado ao corante brasil ou à árvore pau-brasil, servindo não só como marcador de rotas comerciais, mas de inspirador do nome do país “Brasil”.

 

Os Judeus, eleitos por si próprios ao posto de “Povo de Deus”, requerem a propriedade do nome “Brasil” crendo ser uma corruptela de Barzilai do aramaico antigo que significa (Homem de Ferro). Creem, ainda ser um acróstico formado das iniciais dos nomes das esposas de Jacó.

 

Um proposta auspiciosa da Confederação Judaica do Brasil e blogs alternativos, aludir que o nome venha de Barzilai, um personagem bíblico amigo do Rei Davi, ou do hebraico Barzel (ferro), associando-o à resistência do pau-brasil, porém, a ilação não está confirmada pela ciência.

 

Neste mesmo diapasão, a ideia de que BRZL (grafia antiga sem vogais) seja um acróstico das iniciais das quatro mulheres de Jacó (Bila, Raquel, Zilpa e Lia) é uma interpretação mística ou cabalística apresentada por Judeus apaixonadas por seu povo, mas, sem base filológica consolidada.

 

Sonhar todos podem, evidentemente, mas, para estabelecer-se requer coração, suor e lágrimas, pois, certificam o altruísmo de um povo constituído a partir da rica genética de várias nações que, além do “bom sangue” lhes deram a melhor “cor” para representar sua brasilidade manifesta.

 

Brasilidade, de brasa, devido à intensa cor avermelhada da madeira do pau-brasil, outrora abundante no litoral e valiosa na Europa para tingir tecidos. O corante extraído do tronco era chamado de brasil. Os indígenas tupis conheciam a árvore como Ibirapitanga, que significa "madeira vermelha".

 

Brasil é um luzeiro que aclara os caminhos de cada nação onde há nela um BRASILEIRO contribuindo para seu progresso. Brasileiro é respeito e nobreza onde quer que ele vá, pois, inova desde as ciências aos significativos avanços no agronegócio e na exportação de cultura e talentos.

 

Evoco o cientista Carlos Chagas que descreveu de forma inédita e completa a chamada Doença de Chagas, um marco histórico na medicina mundial. E o sanitarista Oswaldo Cruz que liderou campanhas que erradicaram a febre amarela e revolucionaram o controle de epidemias urbanas.

 

Denoto o Arquiteto Oscar Niemeyer que redefiniu a arquitetura moderna com o uso de concreto armado e linhas curvas, projetando ícones como a Sede da ONU em Nova York e a cidade de Brasília. E o brasileiro Alberto Santos Dumont, protagonista do voo com propulsão própria, o 14-Bis.

 

O Brasil sedia a Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo. É, também, um dos pilares da segurança alimentar global, como maior exportador mundial de carne bovina e de frango, resultado de décadas de pesquisas focadas no aumento de produtividade no cerrado.

 

Notabilizado globalmente pela predominância de fontes renováveis (hidrelétrica, eólica, solar e biomassa) na geração de eletricidade e pelo uso consolidado de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, o Brasil confirma-se como viril liderança na preservação da Amazônia.

 

Consciencioso, o Brasil atua como um regulador climático global e um sumidouro de carbono vital para o equilíbrio do planeta a partir do desenvolvimento de cadeias produtivas que valorizam os produtos da sociobiodiversidade envolvendo comunidades tradicionais na economia regenerativa.

 

Suprindo o mundo com o melhor capital humano, com destaque para as grandes comunidades de trabalhadores brasileiros na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil manifesta a força de sua brasilidade. Na música, ritmos como a Bossa Nova influenciam o jazz e a música pop mundial.

 

Brasil e brasileiro se confundem e não se permitem desvelar quem fortalece a quem na manifestação da brasilidade que, a princípio, encanta para cativar a todos à manifestação do progresso, da felicidade e para o estabelecimento do melhor convívio entre todos os homens.

 

O fortalecimento mútuo entre Brasil e brasileiro ocorre através do conhecimento e resgate das memórias e tradições, incluindo a língua portuguesa variada e a produção cultural diversa, que é mister primevo assumido por arcádias como a Academia Internacional de Maçons Imortais.

 

Indubitavelmente, preservar as brasilidades é essencial para fortalecer a identidade coletiva, garantindo a saúde cultural, o sentimento de pertencimento e a inclusão social, inefáveis vetores que protegem a sociedade contra projetos de ódio e minimização da cultura nacional.

 

A identidade brasileira, ou brasilidade, construída histórica, social e politicamente pela diversidade de grupos culturais que formam esta nação única, valoriza suas raízes e permite um convívio social mais consciente, respeitoso e saudável, onde tal diversidade firma-se como riqueza humana.

 

Brasileiro, de BRASIL, é raça, é fé e, acima de tudo, é soberania conquista e estabelecida por aqueles que erguem da justiça a clava forte para defender a brasilidade cantante que aquece e ritma seus corações, mas também, para fazer reinar o justo, o pacífico e o belo a cada raiar do sol.

 

Maranguape, Ceará, 16 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

quarta-feira, 15 de julho de 2026

FELIZ DIA DO HOMEM

Hoje é Dia do Homem

Anuncia a academia

Erguendo lhe homenagem

Repleta de alegria

 

Pena haver poucos

Cumprindo esta missão

Muitos há rotos

Sem alguma exatidão

 

A retidão é alto preço

Custeando o imensurável

Lastreando o apreço

Do coração inalienável

 

Bom sentimento é luz

Aclarando o justo

Que impoluto produz

O fiel pensamento

 

Acolhimento é exata ação

Felicitando os dias

Enlaçando a melhor nação

 

Povo de augusto bem-viver

Exempla-nos a ACLA

Pertencimento é bem-querer

 

Amor efluindo o aurorescer

Animus omnia vincit

Fazendo o homem ascender

 

Maranguape, Ceará, 14 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

terça-feira, 14 de julho de 2026

A MÚSICA E A FRATERNIDADE DOS HOMENS LIVRES

Relacionar a música e a fraternidade dos homens livres evoca o ideal de que a arte musical transcende barreiras, promovendo a união, a igualdade e o pensamento autônomo. Historicamente, essa conexão profunda é celebrada desde o clássico Hino à Alegria de Beethoven até tradições filosóficas que usam a música como via de elevação moral.

 

Dialogando com ideais de liberdade, igualdade e solidariedade, presentes em princípios maçônicos e humanistas que defendem o desenvolvimento cultural como um caminho para a emancipação do ser humano, a música se estabelece como uma loquaz linguagem universal capaz de harmonizar a diversidade e de aproximar os indivíduos.

 

Da pré-história aos dias atuais, a música assume papel fundamental ao servir como forma de comunicação, expressão de emoções, celebração, preservação cultural e afirmação de identidade. Artistas e grupos musicais atuam como embaixadores culturais, transmitindo a essência de suas origens e enriquecendo o panorama musical global.

 

Indubitavelmente, a Flauta Mágica (Die Zauberflöte) é a obra mais genial de Wolfgang Amadeus Mozart. Estreada em 1791, a ópera funciona como uma fábula iniciática repleta de ideais iluministas e maçônicos, onde a jornada dos protagonistas simboliza a transição das trevas da ignorância para a luz da sabedoria e da fraternidade universal.


Na trama, o príncipe Tamino representa o buscador da verdade que, guiado por uma flauta mágica, precisa superar provas severas de coragem e silêncio impostas pelo sacerdote Sarastro. A jornada é uma clara representação da iniciação maçônica, onde o aspirante deve vencer os medos e as ilusões para alcançar o autoconhecimento.

 

Nela percebemos alguns dos simbolismos mais marcantes, dentre os quais: a Rainha da Noite que manifesta o lado obscuro, as paixões cegas, o obscurantismo e a manipulação. Sarastro e o Templo da Luz, representam a razão, a verdade, a tolerância, o bem e a fraternidade. O número 3 que reflete a estabilidade, o equilíbrio e a trindade.

 

Mergulhado em prazeres materiais e imediatos da vida, o homem-pássaro contentando-se com a vida terrena sem aspirações intelectuais é o contraponto cômico e essencialmente humano ao idealismo de Tamino. O príncipe que representa o iniciado. Ele começa a jornada cego e perdido, buscando a sabedoria e o amor verdadeiro.

 

A Flauta Mágica, feita de ouro – materializa a máxima pureza espiritual e a iluminação – moldado sob o som do trovão antigo – exprime a força da justiça divina e a expulsão das forças das trevas e da ignorância – consubstancia o poder da música e da harmonia que transformam emoções negativas e guiam o homem em suas provações.

 

As provas do silêncio, de água e do fogo cumprem a purificação dos elementos necessários para que o homem supere seus medos e domine suas paixões humanas, já que, a verdadeira nobreza não vem do sangue ou de títulos de realeza, mas sim, do caráter e do coração humano nos quais vicejam liberdade, igualdade e fraternidade.

 

O lema Liberté, Égalité, Fraternité, consagrado historicamente, encontra seu real significado quando praticado de dentro para fora, através das suas atitudes diárias. Afinal, se o que buscas não o achares primeiro em si, jamais o encontras em lugar algum e não lho poderás manifestar a bem de si, do progresso e da felicidade de todos.

 

Feliz, a "Ode à Alegria" (An die Freude), escrita por Friedrich Schiller em 1785 e imortalizada na Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, nos chega como símbolo do triunfo Iluminista e dos ideais humanistas. Manifestando a fraternidade universal, a liberdade e a superação das divisões sociais através do amor e da união entre os homens.

 

Nela percebemos muito mais do que felicidade, movimenta uma força cósmica e criativa (centelha divina) que une a humanidade e iguala todos os indivíduos perante o Criador. O famoso verso "todos os homens se tornarão irmãos" reflete a superação das barreiras criadas pelas convenções sociais e políticas que obstam a igualdade e a fraternidade.

 

A Ode à Alegria, que manifesta a crença de que a humanidade, guiada pela razão e pela compaixão, pode alcançar a harmonia e viver em paz, tornou-se um hino global de liberdade – que inexiste onde não respiram a igualdade e fraternidade – utilizada em momentos de grande mudança histórica, como a queda do Muro de Berlim.

 

Schiller eleva a alegria a uma categoria espiritual e filosófica. Chamada de "Funken aus Elysium" (Centelha do Elíseo), ela conecta diretamente com o sagrado, uma dádiva divina que habita o interior de cada ser humano para guiá-lo ao bem. A alegria é a força que move os astros e os ciclos da natureza, que dá sentido à vida e ao amor.

 

Amor notabilizado no verso mais famoso da Ode à Alegria, "Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt" (Teu feitiço une novamente o que a moda rigidamente separou). Sendo o vetor de superação das divisões de classes e fronteiras – e de robustecimento das colunas que sustentam a inclusão social: identidade e pertencimento.

 

Evocar Jean-Sibelius, compositor finlandeses de fértil veio que compôs peças exclusivas para rituais maçônicos – como a famosa suíte Musique Religieuse –, embora sua lavra não se resuma apenas à maçonaria. É, também, celebrizá-lo como o "pai" da identidade musical finlandesa, por suas sinfonias e pelo poema sinfônico Finlândia.

 

Sibelius foi um membro ativo da Suomi Lodge No. 1 em Helsinque, tendo, também, atuado como o grande organista da Grande Loja da Finlândia, da qual ele recebeu a tarefa de criar uma trilha sonora original para as cerimônias. Apesar do segredo que envolve a fraternidade, a beleza das melodias foi arranjada para concertos públicos.

 

A obra de Sibelius cobrir todas as etapas rituais da loja: Avaushymni (Hino de Abertura); Marchas e cortejos processionais (como Salem ou Onward, Ye Brethren); Veljesvirsi (Ode à Fraternidade), adicionada em 1946 e considerada uma de suas últimas composições originais; e a Marche funèbre, composta para o luto maçônico.

 

Não é à toa que a música, segundo Charles Darwin, proporciona uma vantagem evolutiva, facilitando a corte, o desenvolvimento de laços entre mães e bebês, como também, fortalecendo a cooperação social e a unidade em grupos. Através da música, os valores, crenças e costumes de uma sociedade são refletidos e perpetuados, desempenhando um papel crucial na formação cultural a bem do homem.

 

A música conta a História, sendo além de um adereço da história, uma fonte histórica em si mesma. Desde ritmos primitivos até sinfonias complexas, ela narra tradição e descreve as identidades de diferentes povos, sendo um motor para o florescimento da espécie humana em suas dimensões pessoais, laborais, empresariais e sociais. 

 

A música viceja felicidade e a felicidade conduz a evolução humana. Pessoas felizes demonstram melhor capacidade de lidar com desafios, possuem um senso de propósito mais exato e contribuem para a melhoria coletiva a partir da criatividade e do desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, contribuindo para um mundo mais fraterno.

 

Como linguagem universal, a música permite ao ser humano expressar seus sentimentos mais profundos, contribuindo para a interação social e o desenvolvimento afetivo, pois, agrega e humaniza. Ela ativa o sistema límbico, responsável por emoções, liberando neurotransmissores que aumentam o prazer e a sensação de plenitude

 

Sendo um espelho sonoro da jornada humana, a música manifesta as emoções, as lutas e as esperanças que compõem este caminhar. Ao ecoar essas vivências, ela une as pessoas, fortalecendo os laços de fraternidade e inspirando ideais de liberdade, empatia e respeito mútuo, que alimentam a igualdade sobre a qual os homens livres têm felicidade.

 

Maranguape, Ceará, 14 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

SENDO PEDRAS, CAMINHEMOS!

Valorizar trilhas, rochas e belezas naturais da região da Serra de Maranguape expressa que Deus abre os caminhos para que neles nos coloquem...