quarta-feira, 27 de maio de 2026

QUEM TEM VERGONHA NA CARA NÃO ENVERGONHA A NINGUÉM

Sentenciamo-nos ao cumprimento do mais norteador dos lumes-guia dos bons costumes: quem tem vergonha na cara não envergonha ninguém. Acendemos, assim, como lábaro de nossas ações, não somente o decoro, mas, sim e potencialmente o respeito. A lógica ancestral fulcrada neste provérbio reside na ideia de que a pessoa que possui senso de decoro, pudor ou respeito próprio ("vergonha boa") tende a agir de maneira que não causa constrangimento ou ofensa a terceiros. 

 

Inicialmente, o autorrespeito pede licença para abrir caminhos nos impedindo de produzir e/ou praticar algo que destrua parcial e/ou totalmente a imagem que vimos construindo de nós desde que aportamos neste Planeta Terra. Ao preservar a dignidade própria alinham-nos à ideia de que a vergonha (no sentido de pudor e decoro) é o que impede a desonra. Assim, o autorrespeito move-se como um mecanismo de defesa da própria imagem e integridade construída ao longo da vida.

 

Depois, cônscios da hábil proficiência com que o autorrespeito atua, percebemos que este agir emprega respeito a tudo que nos orbita, atraindo para nós a respeitabilidade que nos mantém no status quo de exemplo vivo das virtudes que manifestamos.  A consciência da própria dignidade nos leva a reconhecer e valorizar a dignidade das outras pessoas, do meio ambiente, da sociedade, pois, nos leva ao mais auspicioso futuro que nossas diligências em prol do belo e do justo possam projetar e realizar.

 

Incontestavelmente, a sentença reforça que o decoro pessoal atua como um freio moral, impedindo que o indivíduo cometa atos que possam humilhar ou desrespeitar os outros. Essa visão ecoa pensamentos de filósofos como Fiódor Dostoiévski e Confúcio, que sustentam que somente através do autorrespeito é possível inspirar e alcançar o respeito dos outros, criando um ciclo virtuoso de conduta moral. Não se trata apenas de exigir respeito, mas de emaná-lo através de ações virtuosas.

 

O autorrespeito é a "raiz da disciplina" e da dignidade, ao agirmos nele ancorados manifestamos o respeito à natureza, essencial para garantir um futuro decente às próximas gerações, e o respeito social, que promove a tolerância e a aceitação das diferenças. Essa percepção robustece a convicção de que a transformação social começa na esfera individual, onde a preservação da própria imagem moral é o primeiro passo para a construção de um mundo mais ético e sustentável.

 

Não nos esqueçamos que a construção de uma sociedade harmoniosa depende da prática dos "3Rs": Respeito por si mesmo, Respeito ao próximo e Responsabilidade pelas ações. O terceiro "R", a responsabilidade, atua como a consciência plena do impacto que nossas ações causam em nós e no mundo, impedindo que a busca pelo progresso justifique meios destrutivos. Nossa respeitabilidade contribui para o desenvolvimento tecnológico e econômico que não se sobrepõe à dignidade humana.

 

O alerta de que o desenvolvimento não deve se sobrepor à dignidade humana ecoa fortemente no debate contemporâneo sobre bioética e tecnologia. O avanço em áreas como inteligência artificial e engenharia genética traz dilemas onde a responsabilidade civil e ética deve atuar preventivamente. O progresso econômico não pode gerar "danos existenciais" ou comprometer a autonomia e a identidade humana em nome da eficiência ou do lucro. Nosso dever é impedir que o homo faber destrua a essência do homo sapiens.

 

Evoco a filosofia de Hans Jonas, anunciada em O Princípio Responsabilidade, no qual ele inaugura um novo imperativo categórico para a era tecnológica: "Aja de modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica na Terra". Jonas aduz que, diante de tecnologias com poder de destruição irreversível (como a engenharia genética e a IA), devemos priorizar a ética à previsão do pior cenário ("heurística do medo") em vez da esperança utópica de progresso.

 

Incontestavelmente, o homo faber (o homem que fabrica) deve permanecer subordinado à sabedoria do homo sapiens (o homem que sabe e reflete). É necessário instituir uma "responsabilidade meta-ética" que garanta que as gerações futuras de tecnologias (incluindo IAs que projetam outras IAs) herdem princípios éticos imutáveis de respeito à dignidade humana, impedindo que a lógica instrumental do homo faber anule a essência espiritual e moral do homo sapiens.

 

O modelo central, descrito como "responsabilidade genética", por exemplo, equilibra princípios éticos imutáveis (como "não causar dano à humanidade" e "respeitar a dignidade humana") com a capacidade de adaptação contextual. A imutabilidade refere-se à arquitetura ética – restrições estruturais que persistem através de atualizações e cópias –, enquanto o conteúdo semântico pode evoluir com as normas sociais. Portanto, a evolução tecnológica deve servir à florescência humana, e não a substituir.

 

Quando reduzimos o ser humano a meros pontos de dados ou variáveis de otimização, esvaziamos a sua essência moral, exatamente como alertava o imperativo categórico de Kant de tratar a humanidade sempre como um fim em si mesma, e nunca como um meio. Por isso, o desenvolvimento tecnológico precisa ser subordinado a balizas rígidas. Neste mister, o que tem um preço pode ser substituído por um equivalente; o que está acima de qualquer preço, e por isso não admite equivalente, possui dignidade.

 

A dignidade humana possui um valor transcendental, irredutível a qualquer valor econômico ou instrumental. Tratá-la como meio para eficiência tecnológica viola o imperativo categórico de Immanuel Kant e os princípios de direitos humanos. Sem essa responsabilidade meta-ética, corre-se o risco de um "desempoderamento sistêmico", onde a delegação de decisões a sistemas autônomos resulta na erosão da autonomia humana, transformando pessoas em objetos de gestão algorítmica.

 

Mudar é muito mais do que necessário, sendo imprescindível à evolução de tudo que há criado, seja pelo homem, seja pelo divino. Mudar a mentalidade da engenharia de software de "o que podemos construir" para "o que devemos construir", integrando a ética desde o design do código (Ethics by Design), é vital para que humanidade continue a habitar o homem, como também, é essencial garantir que decisões que impactam direitos fundamentais (como saúde, liberdade e emprego) tenham supervisão e veto humano final.

 

Reconhecidamente, o respeito constitui o humano, pois, serve de pilar fundamental da dignidade e da convivência humana, sob os auspícios da alteridade que consiste na capacidade de se colocar no lugar do outro, reconhecendo a sua existência e os seus sentimentos. O exercício da alteridade materializa o respeito pela vida e pela integridade física e moral do ser humano, pois, não haverá espaço para a dignidade humana, correndo-se o risco de transformar a pessoa em mero objeto de arbítrio.

 

Respeitar a pluralidade de opiniões, culturas e crenças constrói uma sociedade formidavelmente justa tendo na empatia – na habilidade de compreender e compartilhar as emoções alheias, o cimento para construir relacionamentos saudáveis – e no pertencimento a vivacidade para que seja próspera em todos os sentidos que favoreçam o humano em sua diversidade. Afinal, todos nascem iguais em dignidade e direitos, objetivando uma ordem baseada no respeito mútuo e na coexistência pacífica das diversas concepções de vida.

 

Indubitavelmente, a desejada promoção da igualdade substancial e da justiça social depende do reconhecimento da diversidade. A discriminação e a violência são exemplos de situações que violam a dignidade da pessoa humana, enquanto a aceitação das diferenças favorece o desenvolvimento pleno do ser humano em sua diversidade. Sociologicamente, destaca-se a tríade Valor, Empatia e Respeito (VER) como base de acolhimento contraciclos de violência (física e/ou intelectual) e exclusão (física e/ou virtual).

 

Neste toar, quem tem vergonha na cara, não envergonha a ninguém, ou seja, que tem consciência de seus limites, reconhece seus erros e sente pudor de agir incorretamente, jamais propiciando humilhação, dano ou constrangimento a outrem.  A vergonha tem o condão de ser um freio ético: quem a possui, policia seus próprios atos para não cometer injustiças. Como registrado em coletâneas de provérbios, a vergonha breca as culpas e a verdade das desordens do mundo.

 

Em vez de agirmos por impulso ou egoísmo, passamos a considerar o impacto de nossas palavras e ações na vida dos outros. A vergonha é o que nos impede de cruzar a linha entre a franqueza e a ofensa, ou entre o erro humano e a falta de caráter. Quem tem "vergonha na cara" não busca os holofotes a qualquer custo nem se diverte com o rebaixamento alheio. Pelo contrário, usa a consciência de seus próprios limites para construir relações baseadas no respeito e na justiça.

 

O provérbio “quem tem vergonha na cara não envergonha a ninguém, resume que a integridade de caráter de uma pessoa é a garantia de que ela não será fonte de humilhação para a sociedade. Onde existe verdadeiro senso de vergonha (honra pessoal que está intrinsecamente ligada à não causação de danos), existe o respeito automático pela dignidade do outro. A vergonha impede que o indivíduo satisfaça seus desejos às custas do sofrimento alheio, com isso, habitualizando o autocontrole como lume da felicidade.

 

Maranguape, Ceará, 27 de Maio de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

ENTRE O HUMOR E O HUMORISTA, A ALTERIDADE GUIA-LHES OS PASSOS

 

Nada é mais popular numa cultura do que o humor, pois, se plasma nas consciências como uma das chaves para a compreensão de culturas, religiões e costumes das sociedades, indispensável ao viver humano sadio. Através dos tempos, a maneira humana de sorrir efloresce encantadoramente num pari-passu continuo com os melhores costumes e com as mais argutas correntes do pensamento, coadjuvando a criação do sempre novo bem-estar.

 

“O humor tem algo de magnífico, dá mais do que recebe”, conceitua Émile-Auguste Chartier, quando em sua obra Propos sur le bonheur (1928) discorre sobre os mais diversos aspectos da felicidade e da vida cotidiana.  Diferente da tristeza ou do pessimismo, que tendem a isolar ou consumir energia, o bom humor é visto como uma força que enriquece tanto o indivíduo quanto seu entorno, irradiando benevolência e vitalidade.

 

Em cada época da história humana, o modus pensandi estabelece e rui paradigmas, e o humor anima a caminhada na seara da inventividade sociocultural. Manifestações culturais do humor retratam fidedignamente uma época, como é o faz, por exemplo, as comédias gregas de Plauto e as comédias de costumes do brasileiro Martins Pena. Afinal, o Humor (do latim humore, "líquido") é o estado de espírito de um indivíduo.

 

O bom humor jamais será passivo; pois, tem uma disposição de espírito que contribui para a felicidade onde quer fulcre suas agências, funcionando como um ato de doação emocional. Não se limita a contar piadas, já que manifesta uma atitude benevolente e otimista que fortalece vínculos sociais, reduz o estresse e promove o bem-estar físico e mental, como o aumento da endorfina e a diminuição dos níveis de cortisol.

 

Despretensioso, o bom humor é uma decisão consciente de enxergar o lado positivo das adversidades, diferentemente do mau humor, que também é descrito como uma escolha baseada na reclamação e insatisfação com as quais torna causticante qualquer ambiência por mais harmoniosa a que se destine ser. O bom humor é a inteligência emocional da qual resulta uma vida mais leve, saudável e conectada com as pessoas ao redor. 

 

O bom humor não ignora os desafios, pois, foca em aprimorar a forma como se relaciona com eles. O riso fortalece o sistema imunológico, melhora a circulação sanguínea, auxilia no controle da pressão arterial e acelera a recuperação de lesões. Pessoas altruístas e felizes não alimentam as estatísticas dos acometidos por doenças cardiorrespiratórias e/ou inflamatórias, evidenciando o papel protetor do bom humor no organismo.

 

A resiliência – capacidade de superar dificuldades – é profundamente potencializada pelo bom humor. O riso não é, meramente uma fuga e/ou distração, mas, uma forma de reapropriação emocional, permitindo uma visão mais ampla da realidade, onde aspectos positivos e negativos são reconhecidos.  O bom humor, portanto, atua como um "amortecedor emocional", reduzindo o impacto das crises sem negar sua existência.

 

Apesar de seus benefícios, o bom humor precisa ser equilibrado, já que, o exagero leva à positividade tóxica – quando a obrigação de estar sempre alegre suprime emoções legítimas, como tristeza ou frustração. Positividade tóxica não é simplesmente ser otimista, mas sim, negar a realidade emocional e pressionar a si mesmo e/ou aos outros a "pensar positivo", em nome de uma fachada de felicidade constante, independentemente do contexto.

 

O equilíbrio é a chave. A positividade saudável reconhece os desafios da vida, aceita a tristeza, valida o luto, permite o desabafo e estimula o crescimento a partir da dor. Portanto, o humor (bom ou mau) é adubo essencial ao cultivo do autoconhecimento, permitindo o desvelo de todo o espectro emocional, não como máscara, mas, como excelente aliado estimulando a reflexão e a análise detalhada de situações.

 

Revolucionário, mesmo em contextos líquidos, o humor mantém seu papel de desafio ao status quo e às estruturas de poder, democratizando o acesso à crítica social e permitindo que a indignação se transforme em ação crítica ou consciência coletiva, mesmo que de forma simbólica. É um lubrificante social em um ambiente onde os vínculos são temporários e superficiais, ajudando a sublimar a agressividade e administrar o cinismo cotidiano.

 

O riso serve como arma de resistência contra os regimes repressivos, como na ditadura militar brasileira, onde a sátira revelava verdades ocultas sob o véu da diversão, transformando o cotidiano e suas contradições em narrativas que equilibram. A imprensa moderna no século XIX institucionalizou o humor gráfico e verbal, enquanto a internet no século XXI permitiu a ascensão de novos formatos, como o stand-up e o humor de nicho.

 

A diversidade cultural e a representatividade trouxeram novas vozes ao palco, explorando temas como racismo e desigualdade, o que comprova efusivamente que a evolução do humor é um reflexo direto da evolução da sociedade. Assim, mais do que provocar risos, o humorista estimula o pensamento crítico e o engajamento com questões contemporâneas, usando o riso como uma ferramenta promover debates menos polarizados.

 

Indubitavelmente, espelho da evolução social, adequando-se a valores, tecnologias e estruturas políticas, o humor se torna mais inclusivo, evitando a ofensa a minorias, conforme dele exigem as sociedades em constante transformação. Equilibrando a crítica social com a responsabilidade ética, usa a comédia para conscientizar sem oprimir, equilibrando ironia, afeto e observação constrói uma crítica social inteligente e acessível.

 

Historicamente, uma das funções mais vitais do humorista é a de contestador. Através do humor, ele consegue abordar e criticar problemas da realidade cotidiana e estruturas sociais de uma forma que outros não podem, muitas vezes revelando verdades que a sociedade prefere ignorar. Na Itália, personagens como Arlequim, Polichinelo e Pantaleão se tornaram ícones reconhecidos por suas roupas e características distintas.

 

Psicólogos analíticos, como Carl Jung, veem no humorista a manifestação do inconsciente coletivo, um símbolo que ressoa profundamente na psique humana porque aborda temas universais como a tolice, a sabedoria e a complexidade de ser humano.  Operando à margem da sociedade, sua perspectiva de "fora" permite-lhe criticar o "dentro" sem ser totalmente destruído pelo sistema que desafia, nos lembrando que somente o riso é sério.

 

Progredir e evoluir, desde tempos imemoriais, tem feito do humorista exímio coadjuvante nos processos de inclusão, coesão e harmonização do homem nas comunidades em que este vive. Através do riso compartilhado, barreiras interpessoais são dissolvidas. Acolhendo a imperfeição, o humorista fez-se um elemento chave para a inclusão de indivíduos marginalizados, facilitando a interação e a harmonização das relações sociais. 

 

Em contextos de adversidade, como em campos de refugiados ou áreas de desastre, o humorista resgata a capacidade de sonhar e rir. Com o melhor humor, o humorista aborda tópicos difíceis, tabus ou fatos dolorosos de maneira indireta e mais palatável. Oferecendo um alívio temporário do sofrimento e, mais importante, lembrando às pessoas de sua força interior e resiliência, inspirando esperança e a capacidade de seguir em frente.

 

O humorista inspira a busca por significado e propósito, celebrando a capacidade do espírito humano de brilhar mesmo diante das dificuldades, pois, a verdadeira força não reside na ausência de fraqueza, mas sim, na nossa resposta a ela. O humor abre canais de comunicação onde a seriedade falharia, facilitando o diálogo em comunidades divididas ou em situações de crise, humanizando ambientes que, de outra forma, seriam frios ou impessoais.

 

Humoristas como Wellington Guilherme Cavalcanti Malta são lábaros que enfrentam a economia mundial irreverente com a graça do improviso que supera de longe o mais formidável planejamento prévio. Vencem as adversidades da vida com a sutileza de riso, que esperança e cura certificando a fé. Usam com a habilidade a alteridade, cuja mestria faz sucumbir tiranias, perfídias e torpes discernimentos sob a força do humor mais aprimorado.

 

Maranguape, Ceará, 25 de Maio de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

sexta-feira, 22 de maio de 2026

ABRAÇAR É PRECISO PARA QUE SEJAMOS NÓS

 

Neste Dia do Abraço (22/05), compreendemos que abraçar é preciso, pois, expande consciências e firma pertencimento. Esse gesto simples que melhor cadencia os batimentos cardíacos, diminui o cortisol, portanto, minora o stress, radica nossa humanidade e estabelece um espaço seguro para que as pessoas se sintam aceitas e conectadas gerando bem-estar, com a elevação dos níveis de ocitocina e da endorfina. Muito mais que uma necessidade emocional, a abraçar atende a uma demanda biológica.

 

O termo amplexo deriva do latim amplexus e significa abraço ou ato de enlaçar. Na zoologia, reporta o acasalamento de sapos, rãs e pererecas, que são abraçadas pelo macho da espécie para que libere óvulos para fertilização externa na água. Enquanto, na literatura, descreve um abraço apertado ou envolvente, sendo comum em textos formais, poéticos ou místicos. É muito conhecido pela clássica expressão "ósculos e amplexos" (beijos e abraços).

 

Como gesto físico, o abraço não tem um "inventor" humano. Na história humana, demonstrar os braços abertos e vazios era um sinal universal de paz, pois, diminui a tensão física e mental. Para que esses benefícios químicos aconteçam de forma plena, cientistas apontam que o abraço precisa durar pelo menos 20 segundos. Esse tempo é o ideal para o cérebro iniciar a resposta de relaxamento do corpo, focando na criação de ambiências harmoniosas.

 

Eflorescendo do instinto dos mamíferos aceitando, alimentando e animando a prole, o abraço atua diretamente na estrutura psicológica e social das comunidades. Ajuda a dissipar sentimentos de raiva e hostilidade mútua, além de aliviar sintomas de depressão em momentos de crises sociais. Conforme pontuado pela Beneficência Portuguesa de Santos, o abraço é uma das maneiras mais eficientes de curar a solidão e a agressividade nas relações diárias.

 

Arqueólogos identificaram vestígios de abraços que remontam a milênios, evidenciando sua importância na coesão social e no cuidado mútuo. Na Gruta del Romito, Itália, foram encontrados fósseis humanos de 12 mil anos atrás, manifestando o zelo coletivo e a empatia como cruciais para a sobrevivência, conexão emocional e expressão de justiça desde a pré-história até os dias atuais. O abraço serve como uma ferramenta global de solidariedade.

 

O abraço é um gesto fundamental na história humana, servindo como linguagem universal. Segundo o portal de saúde da Hapvida NotreDame, o abraço valida vitórias e conforta perdas, estando presente em todas as esferas do cotidiano. No sul da Itália, por exemplo, um casal de jovens amantes sepultado há mais de 5 mil anos foi encontrado em um abraço, uma rara descoberta que sugere vínculos afetivos profundos documentados na morte.

 

Para o Câmara Cascudo o abraço surgiu como forma de cumprimentar oponentes antes de lutas, simbolizando paz, antes de ser substituído pelo aperto de mão e depois ressurgir em civilizações mais avançadas. Textos sagrados e tradições, como o Cristianismo e o Candomblé, utilizam o abraço para simbolizar o amor divino, a acolhida do filho pródigo e a união entre diferentes tradições (como o sincretismo entre a deusa Themis e o orixá Xangô).

 

Evoco o Ajeum que é o ato de comer juntos – uma prática cultural e espiritual dos povos de matriz africana que celebra a comunhão, a partilha e a tradição –, pois, reforça valores de união, respeito e conexão humana, além de serem o viril alicerce do ubuntu traduzido como: "Eu sou porque nós somos", que manifesta a interdependência e a empatia que tornam humanos os homens, a partir do abraço que celebra o afeto universal e a união em prol da humanidade.

 

Abraçar permitir que dois corações ritmem igualmente. O abraço é compreendido como um gesto universal de reconciliação, afeto e comunhão, com especial relevância nas culturas latinas e africanas, onde é realizado de forma mais efusiva.  Na literatura e na diplomacia, o "abraço" simboliza a reconciliação (como entre Esaú e Jacó na Bíblia) e a irmandade entre o Brasil e os países africanos, conforme destacado pelo escritor moçambicano Mia Couto.

 

O abraço maçônico, frequentemente denominado Tríplice Fraternal Abraço (TFA), é um claro exemplo de ritual de reconhecimento e saudação que simboliza a união, a fraternidade e o afeto entre os irmãos.  A prática consiste em cruzar os braços (um sobre o ombro e outro sob o braço do parceiro, formando um "X"), bater três pancadas brandas nas costas e inverter a posição dos braços duas vezes, totalizando três abraços alternados.

 

Este cumprimento tem origens simbólicas ligadas à lenda noaquita (os três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé) e à ideia da "tríplice argamassa" que liga as obras maçônicas.  É utilizado em diversas ocasiões, sendo o mais solene praticado durante a cerimônia de iniciação, oferecido pelo Venerável Mestre como ato de boa acolhida ao novel irmão aceito na família maçônica. O Abraço Fraternal é a essência desta milenar ordem iniciática.

 

A forma de executá-lo varia de rito para rito, ou conforme o rituais propostos por cada potência maçônica, com diferenças sutis na mão que inicia o abraço (esquerda ou direita). Em contextos públicos ou fora do templo, onde o abraço físico completo não é viável, os maçons utilizam sinais secretos, como toques específicos no aperto de mão ou gestos com a cabeça, para se reconhecerem discretamente, o que não os impede de abraçar seus irmãos.

 

Obras como "O Abraço" de Romero Britto celebram o afeto através de cores vibrantes, enquanto Gustav Klimt explora a intimidade e a geometria na série Friso Stoclet, e a fotógrafa Helena Almeida captura a fragilidade e a força do contato físico em sua série homônima. Na dança, estilos como o Samba de Gafieira tem no abraço o elemento mecânico que conduz movimentos, além de erguer ponte psicossocial para a reciprocidade e o respeito entre os dançarinos.

 

Indo além do contexto acadêmico e artístico, a arte é reconhecida como um abraço de resiliência e cura em situações de crise.  Em momentos de tragédia, como as enchentes no Rio Grande do Sul, projetos como o Cine Vida e a rede Artistas em Rede Solidária levam atividades culturais aos abrigos, onde a arte atua como um "abraço", oferecendo respiro, alegria, ressignificação e esperança para a população desalojada.

 

Culturalmente, o abraço evoluiu de um gesto de paz primitivo para um símbolo universal de afeto.  Embora algumas culturas prefiram gestos sem toque, como a mesura japonesa, o abraço é central na expressividade brasileira. A campanha "Free Hugs" (Abraços Grátis), iniciada em Sydney em 2004 por Juan Mann, popularizou globalmente o gesto como ato de solidariedade, culminando na criação do Dia do Abraço no Brasil, celebrado anualmente.

 

A relevância de celebrar o Dia do Abraço, comemorado anualmente em 22 de maio, reside na promoção da interatividade humana e na melhoria da saúde emocional e física. O gesto transcende barreiras culturais e linguísticas, servindo como uma linguagem universal de afeto, solidariedade e apoio mútuo. É uma oportunidade para fortalecer laços afetivos, demonstrar empatia e oferecer conforto em momentos de dificuldade, lembrando que o abraço pode acolher e transformar o dia de quem o recebe. 

 

Maranguape, 22 de Maio de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


segunda-feira, 18 de maio de 2026

A SAGA DO PRIMEIRO ESCRITOR CEARENSE

 

Homem de ascendência nobre, conhecido como Padre Mororó, agnome adotado em presença de Bárbara de Alencar, que reunia os Confederados do Equador, Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo, nasceu em Groaíras, então chamada de Riacho dos Guimarães em 24 de julho de 1774, Filho do Alferes Félix José de Sousa e Oliveira – Escrivão e Vereador da Câmara de Sobral – e de Teodósia Maria de Jesus Madeira.

Gonçalo teve como sobrenome registrado o de sua avó materna. A respeito de seu avô materno, diz o Barão de Studart: "Manuel de Matos Madeira, português, que para a antiquíssima povoação do Riacho dos Guimarães, próxima da vila de Caiçara (Sobral) já viera casado, rezando crônicas sertanejas que, conforme após a morte de Madeira, se verificou de papéis que este sempre subtraíra ao conhecimento dos mais íntimos, era o dito Madeira, que no Estado tem grande descendência, um alto titular da nobreza de Portugal, de nome diverso desse pelo qual se fazia tratar, e evadido da sua terra ante a mortal perseguição desenvolvida contra a sua família pelo Conde de Oeiras, poderosíssimo Ministro d'El-Rei Dom José.

Era primo-irmão do Padre Miguelinho e primo-tio de Tomás Pompeu de Sousa Brasil.

 

Depois de uma infância dedicada aos estudos da gramatica latina, aos 22 anos de idade, Gonçalo parte para o Pernambuco, onde matricula-se no Curso de Teologia do Egrégio Seminário de Olinda, vindo a se aprofundar em Ciências Físicas e Naturais, influenciado por seu Primo-Irmão Frei Miguelino, mergulhando nos ideais iluministas, que passam a nortear gloriosos momentos de sua vida, resignada e corajosamente vivida em prol da felicidade humana.​

 

Instalado no ano de 1800, sob a égide de D. Azeredo Coutinho, o Seminário de Olinda pregaria o iluminismo, caminhando pari passu ao lado da retórica e da Teologia. Dentre os lentes do Seminário, sobressaiam-se o Frei Joaquim do Amor Divino Caneca e os padres Roma e João Ribeiro Pessoa, tendo como vanguardeiros Miguel Joaquim de Almeida Castro (Frei Miguelino) Mons. Francisco Muniz Tavares e Luiz de Melo Mendonça. À instituição religiosa recorreram rapazes das mais diversas localizações, dentre essas, o Ceará. Diga-se que todos eles, como maçons, moviam-se sob a inspiração da Arte Real do Grande Arquiteto do Universo.​

 

Padre Mororó destacou-se como idealizador e signatário da histórica sessão de 9 de janeiro de 1824 da Câmara de Quixeramobim. Neste dia, reunidos clero, nobreza e povo, proclamou-se a Primeira República do Brasil, rompendo assim com a monarquia absolutista de D. Pedro I. O motivo daquela histórica sessão foi a grande traição cometida pelo imperador, que dissolveu, em novembro de 1823, a Assembleia Geral Legislativa e Constituinte que ele mesmo houvera instalado para escrever a primeira Constituição do Brasil, em maio do ano de 1823.

 

Segundo o Jornalista João Brígido, em trabalho publicado em 1889 na Revista do Instituto do Ceará, “a Câmara de Quixeramobim, naquela data, declarou a deposição do trono do Imperador e seus descendentes. Deliberou ainda que se curasse dos meios de substituir a forma de governo convidando as demais câmaras da província para cooperarem com a organização de uma república”.​

 

Tudo isso aconteceu em 1824, 65 anos antes da Proclamação da República “provisória” dos Estados Unidos do Brasil, em 1889, sete meses antes da Confederação do Equador, iniciada em 26 de agosto de 1824.​

 

Comandadas pelo groairense Padre Mororó – que, além de liderar, participar e subscrever aquela memorável ata, determinou que fossem enviadas deputações a outras Vilas para comunicar e conseguir adesão, como de fato sucedeu – as Câmaras das Vilas de Icó, Aracati e São Bernardo das Éguas aderiram de imediato à causa, reproduzindo e fortalecendo o movimento que daí se espalhou por toda a província do Nordeste.

O heroico movimento teve figuras ilustres dos cratenses: Bárbara de Alencar e seus filhos José Martiniano e Tristão Gonçalves, do groairense, Mororó, do sergipano de Santo Amaro da Brotas, de Pereira Filgueiras e tantos outros bravos e proeminentes conterrâneos. Todos escondidos por trás de alcunhas como: Alecrim, Anta, Araripe, Aroeira, Baraúna, Beija-flor, Bolão, Carapinima, Crueira, Ibiapina, Jaguaribe, Jucás, Manjericão, Mororó, Sucupiras, Oiticica.

E, mesmo cientes de que a luta poderia lhes trazer serias consequências, foram adiante, mesmo pagando com a vida.

 

Em 1824, eclodiu o movimento confederado sob a inspiração do então presidente de Pernambuco, Manuel de Carvalho Paes de Andrade, quando um plano de solidariedade foi firmado, alastrando-se entre as Províncias do Nordeste com a denominação de Confederação do Equador. Dentre os planos, estava o projeto de criação da “Tipografia Nacional”, o que oportunizou o Ceará instalar uma oficina de artes gráficas.​

 

A 1º de abril de 1824, circulou o primeiro número do Diário do Governo do Ceará, a maior importância histórica no governo do Presidente Pedro da Costa Barros. O Padre Mororó fora nomeado Redator da folha por ser “pessoa de instrução e conhecimentos”, como reporta documentos guardado pelo Arquivo Público Cearense. Durante alguns meses de circulação, veio à descoberta que a folha não passava de um órgão da propaganda republicana. Seu redator teve a prisão decretada ao lado de outros “celerados”.​

 

O Cronista Viriato Correia descreve com perfeição os últimos momentos de Padre Mororó: “Na praça em que vai haver a execução, a multidão é tanta que, a custo, as tropas conseguem abrir passagem. Mororó é colocado na coluna da morte. Um soldado traz a venda para lhe por nos olhos, mas, ele a rejeita afirmando desejar ver como isto é. Vem outro soldado para colocar-lhe sobre o coração a pequena roda de papel vermelho que vai servir de alvo, porém, Mororó, resignado, o detém dizendo não ser necessário, pois, ele mesmo faria o alvo cruzando as duas mãos sobre o peito. Destemido, ele grita para os praças: ´Camaradas, o alvo é este´. E num tom de riso, como se aquilo fosse brincadeira diz: ´e vejam lá! Tiro certeiro que não me deixem sofrer muito´.

 

Há 201 anos e 18 dias morria Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque Melo, o Padre Mororó. Morto a tiros de arcabuz no dia 30 de abril de 1825, numa execução ocorrida no Passeio Público, em Fortaleza, após ter sido preso e acusado de praticar três crimes: proclamar da República de Quixeramobim; secretariar o governo revolucionário de Tristão Gonçalves e redigir o “Diário do Governo”, o primeiro jornal do Estado do Ceará.Indubitavelmente, Padre Mororó (Gonçalo Inácio de Loyola Albuquerque e Mello) foi uma figura central na luta pela independência política e liberdade de imprensa no Brasil, sendo considerado um dos principais mártires da Confederação do Equador.

 

A importância histórica de Mororó resume-se a três pilares fundamentais: liderança Republicana no Ceará, manifestada na República do Quixeramobim, primaz do Brasil; lábaro de Resistência e Nacionalismo, estabelecido na adoção do nome Mororó (Pata Bovina), pois, nenhum ser é mais perseverante e fiel a seus propósitos do que os Bovinos. Após recusar a venda dos olhos e pedir um tiro certeiro, Mororó consolidou-o como um imortal símbolo de coragem e resistência contra a tirania imperial; e Legado Institucional: Sua memória é celebrada oficialmente no Ceará, onde 30 de abril é o Dia Estadual do Padre Mororó, instituindo-o como um marco na história do jornalismo cearense e da luta por uma república federativa no Nordeste brasileiro.

 

Dentre outro muitos feitos e efeitos protagonizados por Padre Mororó destaca-se os fato de ser ele o primaz escritor cearense, tendo publicado o primeiro livro impresso pela Typographia Real em 1818, contendo nele os discursos pronunciados na Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Fortaleza e na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fortaleza do Nossa Senhora da Assunção do Ceará.

 

Atualmente, além do reconhecimento e exaltação feitos pelo Governo do Estado do Ceará, a partir de sua Assembleia Legislativa, Mororó é homenageado como patrono da Cadeira nº 10 da Academia Cearense de Letras e, coincidentemente, também é enaltecido como patrono da Cadeira nº 10 da Academia Cearense de Literatura Popular, como também, há projetos em tramitação para inscrever seu nome no Panteão dos Heróis Nacionais, reconhecendo seu papel na luta pela liberdade – principalmente a de imprensa – e pela justiça constitucional no Brasil.

 

Maranguape, Ceará, 18 de Maio de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

domingo, 17 de maio de 2026

DO BUSHIDO À HOSPITALIDADE BRASILEIRA

 

Fundada por Soichiro Honda, um habilidoso engenheiro e visionário industrial japonês, que com o lema: “persistência diante dos erros” oportunizou novos destinos para a humanidade nos quatro cantos do orbe terrestre, ao passo que sua inventividade criava soluções ótimas que facilitam a vida e promovem o bem-estar a todos. Como afirma a Honda (2026) em seu site oficial: “ter uma Honda ‘ERA’ o máximo, não só pela qualidade da moto em sí mas também pelo caprichado pós-vendas, disponibilidade de peças de reposição e mecânicos bem treinados para seguir a excelência do produto”. 

 

Em 1948, Soichiro fundou a Honda Motor Co., Ltd., supervisionando sua expansão de uma cabana de madeira que fabricava motores de bicicletas para uma fabricante multinacional de automóveis e motocicletas. Além destes importante segmentos da economia mundial, Soichiro também empreendeu nos setores: náutico, na fabricação de motores de popa para barcos e embarcações, da aviação executiva, no desenvolvimento e produção de jatos executivos avançados pela Honda Aircraft Company, na fabricação de motores estacionários, cortadores de grama, geradores de energia e motobombas, como também, no setor serviços financeiros e seguros.

 

Conhecida dos brasileiros desde a metade dos anos 1960, graças a entusiastas dos produtos Honda que os importavam para atender ao mercado local, cumprindo destacar as motos que logo ganharam boa fama principalmente pela tecnologia, robustez e confiabilidade mecânica, um formidável enlevo que muito facilitou a entrada oficial da Honda Motor do Brasil. Segundo o site da Honda: “se comprovou um excelente negócio: as poderosas CB 750 Four, 500 Four e CB 350 viraram objeto máximo dos desejos dos motociclistas mais experientes, enquanto as pequenas CB 125, ST 70 e CB 50 formavam uma legião de novos fãs do guidão”.

 

Ancorada em dois pilares principais: a filosofia institucional de mobilidade sustentável e focada no cliente, e a estratégia de mercado baseada no desenvolvimento de tecnologia híbrida flex nacional, a Honda firma um conceito baseado no "Respeito pelo Indivíduo" e no princípio das "Três Alegrias" (comprar, vender e criar), buscando entregar produtos de alta qualidade – conforto, segurança e beleza – a um preço justo. Seu modus operandi reflete as sete virtudes do Bushido: Gi – ser honesto e justo em todas as suas relações –; Yuu – Agir com bravura, enfrentando os desafios sem medo –; Jin – usar o poder e a força com compaixão e amor ao próximo –; Rei – tratar todos com educação, até mesmo os seus inimigos –; Makoto – honrar a sua palavra de forma incondicional –; Meiyo – ter orgulho de suas ações e manter uma reputação impecável –; e Chuugi – Ser profundamente devoto àqueles sob sua proteção.

 

A Honda se confunde com a História da mobilidade brasileira, influenciando a maneira de locomover-se, de trabalhar e de desejar há mais de meio século. Robusta, econômica e versátil, a CG 125 – primeira moto Honda fabricada em solo brasileiro – tornou-se a precursora da popularização do acesso à mobilidade nas grandes metrópoles e no interior do país, influenciando o crescimento de serviços de entrega e facilitando o deslocamento diário da classe trabalhadora, pois, diferentemente das motos importadas, foi desenvolvida para resistir às condições adversas das estradas e cidades brasileiras. A moto impulsionou o surgimento de serviços de entrega, como motoboy e correios, tornando-se uma ferramenta de trabalho essencial. O sucesso foi tão expressivo que, um ano após seu lançamento, a CG 125 já dominava 79% do mercado nacional.

 

Ao longo de mais de 50 anos, a linha CG evoluiu, mas manteve sua essência. Em 2016, foi introduzida a CG 160, com injeção eletrônica, sistema CBS e suspensão SFF. A versão 125 cc foi descontinuada em 2019, após mais de 40 anos de produção e cerca de 15 milhões de unidades vendidas – um recorde entre veículos no Brasil. Hoje, a Honda CG Titan 160 continua o legado como uma das motos mais vendidas do país, símbolo de confiabilidade, economia e versatilidade – valores que a CG 125 ajudou a consolidar na cultura brasileira, marcada por uma profunda integração social e esportiva, começando com sua estreia no automobilismo em Interlagos em 1954 e consolidando-se como líder no mercado de motocicletas desde a produção nacional da CG 125 em 1976.

 

Buscando sempre o melhor para a coletividade que em torno de si orbita, cuja interdependência fomenta o crescimento de ambos, a Honda  criou o Centro Educacional de Trânsito Honda (CETH) em 1998 em Indaiatuba, pioneiro na capacitação de pilotos, impactando centenas de milhares de pessoas e promovendo a cultura de uso de capacete e pilotagem segura antes mesmo de obrigatoriedade legal em muitos contextos – não sendo à toa que seus tentáculos mais diretos (vendedores) valem-se da anamnese conhecer seus hábitos de vida, compreender o histórico familiar e investigar as nuances mais singulares dos desejos de seus clientes de forma a entregar o produto mais adequado a sua altura, peso, rotina etc. para que este possam ter satisfação, bem-estar, segurança e a certeza absoluta de são cuidados como entes humanos e não mera pecúnia a comprar-lhes algo. A cultura brasileira da empresa é ancorada em três pilares: Respeito pelo Indivíduo, Melhoria Contínua e Orgulho de Ter um Honda, focando na satisfação do cliente e na qualidade superior.

 

A marca implementou programas de inclusão social, como o uso do app Giulia para pessoas com deficiência auditiva nas fábricas, e investiu em sustentabilidade, como o parque eólico em Xangri-Lá (RS), refletindo valores modernos na sociedade brasileira. E uma forma de manifestar gratidão ao Governo Brasileiro que narra o site oficial da Honda: “em 1975 com uma “canetada” dada em Brasília trouxe o futuro para o presente, e fez Soichiro antecipar os planos: a legislação das importações mudara e, do dia para noite, foi proibido trazer qualquer tipo de veículo – carro ou moto – do exterior. A fábrica da Honda em Manaus – a maior fábrica de motos do planeta – superou todos os desafios e hoje não só a produção ainda é escoada por via fluvial como permanece muito verticalizada: a não ser pelos pneus e outros poucos componentes, tudo aquilo que compõe uma Honda “made in Manaus” é produzido internamente.

 

A História da Honda muito mais que espelha a perseverança e visionarismo de Soichiro Honda, pois, além disso, atesta o poder da fé, da esperança e da caridade. Ao dizermos vivemos por fé e não por vista, findamos por reconhecer que a fé (convicção inabalável em nossas habilidades) é fundamental para que escolhamos o melhor caminho para que cheguemos ao promissor futuro que desejamos hoje. Caminho (ou caminhos) se nos mostra o prisma (esperança) quanto atingido pelo rutilância da fé em nós mesmos, naqueles que orbitam em nosso entorno, na natureza que nos provém, na humanidade que nos motiva. Cabendo ressaltar que nada nos motiva mais do que amor manifesto (caridade) que envolve o que fazemos, a quem destinamos nossas inventividades e que promove os mais auspiciosos efeitos: bem-estar, segurança e satisfação. Isto desvela o real sentido do slogan da Honra: “o Poder dos Sonhos”, que jamais tem a prevalência da razão sobre si, embora esta sempre esteja a seu lado para que tudo seja prudente como a serpente.

 

Reverberando seu princípio fundamental de "Respeito ao Indivíduo" – pautado na Iniciativa, Igualdade e Confiança –, a Honda fulcra suas primícias ao longo das décadas. Investindo na redução da pegada de carbono, no desenvolvimento de produtos acessíveis e na expansão da mobilidade para além das ruas, englobando a aviação e robótica avançada. Conscienciosa, a Honda compromete-se a zerar, até o ano de 2050, todas as fatalidades em colisões envolvendo seus automóveis e motocicletas. Focando como sempre fez no cliente (condutor), a Honda desenvolve as melhores tecnologias para assisti-lo excelentemente garantindo um direção segura, permitindo que a humanidade aproveite melhor suas viagens. Empática com as necessidade de proteção ao meio ambiente, a empresa reestruturou divisões de engenharia e aposta em plataformas universais e compartilhadas (que também servirão à nova geração de veículos elétricos) para reduzir peso, simplificar a fabricação e melhorar o consumo de combustível em até 10%. Incontestavelmente, tudo isso é sustentado pela sua missão de melhorar a vida das pessoas, como traçado por Soichiro.

 

Responsável pelo progresso da humanidade, através da Honda Robotics, a marca desenvolve robôs como o ASIMO e soluções para idosos e pessoas com mobilidade reduzida, focando na mobilidade humana e não apenas de máquinas.  Recentemente, a Honda anunciou planos para testar sistemas de eletrólise de água na Estação Espacial Internacional (ISS) em colaboração com a Sierra Space, visando fornecer armazenamento avançado de energia para sustentar a vida humana na superfície lunar. Além disso, a empresa busca criar uma sociedade livre de carbono, utilizando tecnologias como células de combustível a hidrogênio e motores eficientes, enquanto expande seu portfólio para além de veículos terrestres. A Honda investe em veículos elétricos e células de combustível (como o Clarity) para reduzir emissões de CO2, com objetivo de eletrificação total na Europa e redução drástica de poluentes como NOx e CO.

 

Supervisionando o legado que bravamente constituiu ao longo dos seus 85 anos vida, Soichiro Honda nele vive. Sua trajetória do improviso no Japão do pós-guerra à revolução na mobilidade mundial inspira milhões de jovens visionários pelo mundo. Nascido em uma família humilde no Japão, ele transformou uma pequena oficina mecânica em uma das maiores potências globais de engenharia. O que começou com bicicletas motorizadas para adaptar-se à escassez japonesa evoluiu para a Honda Motor Company, uma das maiores fabricantes multinacionais de veículos e motores, influenciando gerações de motoristas e motociclistas. Seu rigor pela excelência e busca por soluções de engenharia renderam-lhe centenas de patentes e marcam a identidade de produtos adorados globalmente, como o icônico Honda Civic. Soichiro encarava os erros como o único caminho para o sucesso real, assim, priorizava o desenvolvimento técnico e mecânico acima do marketing, pois, a felicidade do comprador sempre foi sua melhor campanha mercadológica.

 

Maranguape, Ceará, 17 de Maio de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

quarta-feira, 13 de maio de 2026

ABOLIR É LIBERTAR-SE DO FLAGELO QUE PRENDE A TODOS

Tudo começou no Ceará marcado pela brutalidade da Grande Seca (1877-1879) que forçou uma migração massiva do interior para Fortaleza, superpovoando a capital e criando condições insalubres, culminando na devastadora epidemia de varíola que causou milhares de mortes, com um dia do ano 1878 ficando conhecido como o dos "Mil Mortos". Em meio a este caos in voga, a elite debatia soluções e a literatura registrava a tragédia humanitária, a movimentação abolicionista no Ceará estava em um estágio de crescente organização e ativismo, um passo crucial para os eventos subsequentes que levariam o Ceará a abolir a escravidão em 25 de março de 1884, sendo desde então, historicamente, conhecido como a "Terra da Luz" – título popularizado pelo jornalista e abolicionista José do Patrocínio, que era apelidado de "O Tigre da Abolição".

 

Não haveria o cearense de contentar-se com a Lei Eusébio de Queiroz (1850) que se limitava proibir a entrada de escravos no Brasil. Mais do que isso, ansiava pela sua liberdade. A sociedade cearense não cessava de aplaudir o gesto nobilitante dos maçons (chamados “filhos da viúva”) que alforriavam seus escravos em sessões abertas ao público. O jornalista-maçom João Brígido – cunhado do Dragão do Mar, que desposara sua Irmã Ernesta Brígido do Nascimento – foi o esteta da crônica que descreve a vida social da Fortaleza de antanho. Ei-lo numa de suas descrições: “A Loja Maçônica Fraternidade Cearense, onde estava alistada a opulência da Cidade, nas suas festas alforriava a bom preço levas inteiras de cativos”.

 

Animado com as notícias recebidas do Ceará, o maçom-abolicionista José do Patrocínio veio certificar-se delas pessoalmente, desembarcando no Cais do Porto, na manhã de 30 de novembro de 1882 a bordo do navio “Ceará”, foi recebido pela gente da Sociedade Cearense Libertadora. Recorda Elvira Pinho: “Quando ele pulou na ponte, um escravo o beijou e nós lhe cobrimos a cabeça de rosas, o que havia de melhor nos jardins da cidade. Chamaram-lhe de Marechal Negro. Lembro-me do seu encontro com o Chico da Matilde (Francisco José do Nascimento)… “Então, companheiro, o porto está mesmo bloqueado?” Chico da Matilde respondeu com firmeza: “Não há força neste mundo que o faça reabrir ao tráfico negreiro”, retrata Edmar Morel em O Jangadeiro da Abolição. O Tigre da Abolição o chama de “Dragão do Mar”, para exaltar a bravura e a força do prático-mor que, como um guardião mítico das águas, havia "fechado" o porto do Ceará para o tráfico negreiro.

 

Indubitavelmente, a liberdade é, desde sempre, um bem ainda mais precioso do que a própria vida, sendo vista por muitos como o que define a condição humana e a qual não se deve renunciar. Autores como Rousseau e Allende demonstraram que indivíduos e nações estão dispostos a suportar a morte, o fogo e a fome em nome desse valor, pois renunciar à liberdade é renunciar à própria essência humana. Para pensadores como Hegel, a liberdade não é a simples "ausência de restrições" ou "fazer o que se quer", mas, um conteúdo de valor universal que deve ser distinguido de interesses privados. Manter uma existência livre é custoso para a mente humana, exigindo a aceitação da responsabilidade e do sofrimento, mas o preço de não viver livremente é descrito como ainda mais alto, envolvendo a venda da alma e da própria vida.

 

A candeia da liberdade acesa pelo povo cearense logo se tornou um luzeiro aclarando os passos do Brasil rumo à dignificação do humano. De fato, a província cearense não apenas antecipou a Lei Áurea de 1888 ao abolir a escravidão em 25 de março de 1884, como também, enlevou-se como um farol moral e político para as outras províncias.  Esse pioneirismo rendeu ao estado o título de "Terra da Luz", um reconhecimento que ecoou nacional e internacionalmente, sendo até mesmo saudado pelo escritor francês Victor Hugo, sintetizando com poder simbólico o papel histórico do Ceará no processo de abolição da escravidão no Brasil.

 

Mesmo sendo o último país das Américas a abolir a escravidão, após quase 400 anos de um sistema de trabalho forçado, o Brasil a instituiu a partir da Lei nº 3.353, sancionada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel, que com apenas dois artigos buscou extinguir o maior flagelo da humanidade: a Escravidão. No primeiro artigo declarava a abolição e no segundo revogava disposições contrárias. A abolição foi um processo lento e fruto de intensas lutas, sendo precedida por leis intermediárias, como a Lei Eusébio de Queirós (1850 - fim do tráfico), Lei do Ventre Livre (1871) e Lei dos Sexagenários (1885), mas, chegou ao fim pelas mãos diligentes da Princesa Isabel que, além da assinatura, atuou de forma ativa na pressão política, incluindo a destituição de ministros contrários à abolição e o apoio a fugitivos de senzalas.

 

A escravização é universalmente reconhecida como um dos maiores e mais persistentes "flagelos da humanidade", devido ao seu impacto devastador e duradouro na dignidade, liberdade e bem-estar de milhões de pessoas ao longo da história e, infelizmente, ainda hoje em formas modernas. Segundo Stephanie Macedo, comunicadora social da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, embora a escravidão formal tenha sido abolida legalmente em todo o mundo, formas modernas de escravidão persistem, como o tráfico humano, o trabalho forçado e a servidão por dívida, o que demonstra que a luta contra esse flagelo continua. Conforme reporta a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2021, 49.6 milhões de pessoas viviam em situação de escravidão moderna (o flagelo alcança uma em cada 150 pessoas no planeta Terra). Desse total, 28 milhões de pessoas realizavam trabalhos forçados e 22 milhões estavam presas em casamentos forçados.

 

Assustadoramente, entre 1995 e 2020, mais de 55 mil pessoas foram libertadas de condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil, segundo o Radar da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT) do Ministério da Economia. As trabalhadoras e os trabalhadores libertados são, em sua maioria, migrantes internos ou externos, que deixaram suas casas para a região de expansão agropecuária ou para grandes centros urbanos, em busca de novas oportunidades ou atraídos por falsas promessas. A maiorias dos trabalhadores libertados são homens, têm entre 18 e 44 anos de idade e 33% são analfabetos. 

 

No entanto, se ergues da justiça a clava forte, Brasil. Verás que teus augustos filhos não fogem à boa luta. Eis que Luiz Gonzaga Pinto da Gama, Luiz Gama, é luta. É legado! Sua vida acessível e inclusiva, acolhendo a diversidade de hipossuficientes (negros, indígenas, brancos podres, imigrantes) dando-lhes sustentabilidade a partir da educação, lazer, reflexão e compartilhamento de conhecimentos, rendeu-lhe a alcunha: "o amigo de todos". A leitura dos escritos de Luiz Gama, segundo a professora Lígia Fonseca Ferreira, "é de surpreendente atualidade: há 150 anos, Luiz, denunciou o racismo institucional pregando valores antirracistas pelos quais, hoje, boa parte do mundo inteiro se mobiliza". Em um mundo onde o "vil metal" perniciosamente imbui e condiciona inescrupulosamente, labutam homens como Luiz Gama, inaugurando a diferença entre o desencanto e a esperança empreendedoramente associando a boa vontade de seus iguais à ação otimamente projetada ao bem fazer à coletividade, à qual busca felicitar.

 

Hoje (13 de Maio) é o dia mais humano do ano aqui no Brasil, pois, concita aos brasileiros ao cumprimento pleno da lei única: “ama a teu próximo como a ti mesmo”, a partir de moções como o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 323/2023 aprovado pelo Senado em 1º de julho de 2025, que embora não esteja sancionado e esteja, mas, aguardando promulgação, mostra ao mundo a boa intenção brasileira de ratificar a Convenção sobre o Trabalho Forçado da OIT (nº 29), celebrada em 28 de junho de 1930, complementada por um protocolo de 11 de junho de 2014, que atualizam as obrigações dos países para erradicar o trabalho forçado moderno, definindo como forçado “todo trabalho ou serviço que é exigido de qualquer pessoa sob a ameaça de qualquer penalidade e para o qual essa pessoa não se voluntaria”.

 

Portanto, não é sem justa causa que a Academia Internacional dos Maçons Imortais tem em Luiz Gonzaga Pinto da Gama o patrono ideal do Museu da Liberdade (que leva seu nome), por ela instituído em 31 de Julho de 2025 para ser um espaço de acolhimento a quem busca o saber. Um equipamento de cultura, de educação e de compartilhamento de conhecimentos que alavanca a real fraternidade entre os povos, abraçando a diversidade e garantindo-lhes sustentabilidade. Um abraço de pertencimento que une propósitos, empodera e embeleza a sabedoria de sermos amigos de todos, como é Luiz Gama, ainda hoje e no povir. Constituída por mais de 200 exuberantes estrelas que a fazem constelação-guia de incontáveis prodígios nas artes, na música e na literatura, a Academia Internacional de Maçons Imortais enaltece a liberdade com bem maior do ser humano, cuja defesa é dever individual de cada ente humano, a bem da humanidade que nos dignifica.

 

Maranguape, Ceará, 13 de Maio de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo


domingo, 10 de maio de 2026

MAIS UM DIA DAS MÃES – DOS MUITOS JÁ IDOS AOS MUITOS QUE VIRÃO

 


Neste Dia das Mães (10/10), como acontece desde tempos imemoriais, festejamos o sagrado feminino liga a mulher à terra, aos ciclos naturais e à intuição, funcionando como um "portal" pelo qual a vida chega à Terra. Além da procriação biológica, as mulheres são co-criadoras da realidade, efluindo inventividade, dando vida a mundos de ideias, ideais e prodígios. O universo é sua “forma", conforme perspectivas místicas, como quer que ela se assuma (homem ou mulher) é considerada superior. A mulher não somente é a cuidadora, como potencialmente é a primaz detentora da energia criativa essencial.

 

A ancestralidade africana – de quem todo a humanidade descende, como certifica a ciência – tem na deidade Nanã Buruku a divindade mais antiga, portanto, “mãe e avó" de todos, pois, é a mais velha dos Orixás existindo desde a criação do universo. Assim sendo, representa a memória do povo. Ela é responsável pelo barro utilizado por Oxalá para moldar os primeiros seres humanos; sua lama é vista como o berço de toda a vida. Nanã Buruku simboliza a justiça implacável, a austeridade e o respeito profundo e é a guardiã dos segredos e da terra.

 

Jamais esqueçamos Neite (ou Neith), uma das divindades mais antigas do panteão egípcio, conhecida como a criadora do universo. Chamada de "Mãe dos Deuses", "A Grande Deusa" e "Avó dos Deuses". Ela abrange múltiplos domínios: guerra, caça, tecelagem, sabedoria, água, destino e funerais. Por verossimilidade, os gregos a têm como Gaia (ou Geia), mãe de todos os deuses e criadora de todas as coisas vivas, denotando a Terra, magnífico colo que abriga a diversidade de criaturas cuja interdependência manifesta a Deusa.

 

O judaísmo notabiliza Sarah, pois, representa o milagre da maternidade após anos de esterilidade, demonstrando que, para Deus, nada é impossível, transformando seu riso de dúvida em alegria. Ela inspira as mães a acreditarem, mesmo quando a situação parece humanamente impossível, e lembra que cada mãe é um instrumento de Deus para gerar vida e esperança, transformando a esterilidade – física ou espiritual – em fertilidade, ainda que aos 90 anos. Sarah é a “Mãe da Promessa”, uma mulher de fé que se tornou a matriarca de uma grande nação.

 

Por justo e muitíssimo oportuno, principalmente, para os Maçons, lembremos sempre da história de Rute, esposa de Boaz, cujos relatos comoventes e significativos da Bíblia exaltam virtudes como lealdade, amor sacrificial, resiliência e a capacidade de recomeçar com fé. Mesmo sendo uma estrangeira (moabita) e viúva, Rute tornou-se um exemplo de caráter e uma peça fundamental na linhagem de Jesus Cristo. Ruth (apoio, boa vontade etc.) desposou Boaz (altruísmo, fraternidade, etc.) e deu à luz a Obede (abnegado, servidor, etc.), pai de Jessé (dádiva, abundância), de quem nasceu Davi (predileto, amado, etc), pai de Salomão e tetravô de Maria de Nazaré.

 

No cristianismo, Maria de Nazaré é reverenciada como a Mãe de Deus (Theotokos), uma figura de intercessão e proteção. Embora não seja criadora do universo no sentido criacional, ela é considerada a Mãe da Humanidade espiritual, com papéis centrais na salvação e na mediação entre os fiéis e Deus. Sua imagem se assemelha às deusas antigas, como Ísis (egípcia) e Gaia (Europa), por exemplo, que também aparecia com o filho ao colo. A energia da mãe se manifesta independentemente de como a denominamos.

 

No Islã, Fátima Zahra, filha do profeta Maomé, possui uma relevância profunda e central para a celebração do Dia das Mães, especialmente na cultura islâmica xiita e em muitas tradições muçulmanas. Ela é considerada a mãe dos onze Imames infalíveis na tradição xiita, tornando seu papel de mãe fundamental para a conexão entre a profecia e o Imamato. Fátima não é apenas uma figura histórica, mas, o modelo supremo de virtude, piedade e maternidade no Islã, sendo frequentemente referida como a "Senhora das mulheres do universo". Maomé chamava Fátima de Omme Abiha, ou "A Mãe de seu Pai", devido ao cuidado profundo e amoroso que ela teve por ele após a morte da mãe dela (Khadija). Esse título destaca sua maturidade emocional e papel protetor, mesmo sendo filha. No Irã, o Dia das Mães é celebrado no aniversário de Fátima (20 de Jamadi al-Thani no calendário islâmico), servindo como uma homenagem direta ao seu legado de amor, paciência e força.

 

No Nordeste, mãe é um símbolo de resiliência, ancestralidade e força vital. Sua essência é sobrevivência com dignidade, amor incondicional e esperança. Representa a figura da mulher que, diante das adversidades do sertão - como a seca, a pobreza e a migração -, mantém viva a vida, a cultura e o amor através do vínculo maternal. Sua identidade está profundamente ligada à fé, à devoção religiosa e ao trabalho constante, seja na roça, na casa ou na luta por dignidade. A mulher nordestina é um pilar fundamental da sociedade brasileira, pois, é protagonistas na preservação da cultura, no desenvolvimento econômico rural e urbano, e na liderança comunitária, conciliando dupla jornada de trabalho com a luta em prol do bem coletivo.

 

Portanto, não podemos não enxergar que a valorização do protagonismo feminino tem crescido, com comissões de mulheres no agronegócio (FAEC/SENAR) e maior reconhecimento da gestão humanizada. Apesar de maior escolaridade, enfrenta desigualdades no mercado de trabalho: rendimento médio 15% menor que o dos homens, 39% de subutilização da força de trabalho e carga de cuidados quase o dobro da dos homens. Na cultura, a mulher nordestina é guardiã dos costumes, preservando tradições por meio da culinária, do artesanato, da música, das festas juninas, dos maracatús e frevos, etc. Não é toa ser a mãe nordestina protagonista da informalidade e empreendedorismo, sustentando famílias com vendas de produtos típicos, artesanato e serviços, manifestando sua força inata com a qual exempla o mundo. Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a personagem Sinhá Vitória representa a força feminina diante da adversidade.

 

Contemplar a Mãe Nordestina radica a certeza de que a quem Deus alumia, a escuridão não aterroriza. Ela é fiandeira e tecelã de histórias, conectada à terra, à natureza e à espiritualidade, associada a arquétipos de figuras sagradas como Nanã Buruku, Neith, Gaia, Sarah, Ruth, esposa de Boaz, Maria, mãe de Jesus, Fátima, filha de Maomé, que simbolizam proteção, cura e a fecundidade. A relevância desta mãe, mãe nordestina, repousa na alteridade com que lidera, resiste e transforma, sendo essencial para o desenvolvimento da região. Essa força é celebrada não apenas como um dom genético, mas, como uma escolha diária de persistir e cuidar, transmutar a escassez em abundância de afeto, convertendo o "pouco em tudo" para garantir a dignidade da família que dela nasce para prosperar e chegar ao futuro como legado seu. 

 

Imbuídos neste espírito, como ocorre há décadas de milênio, festejamos nestas horas que seguem mais um Dia das Mães (10/05), ainda que saibamos que cortejá-las e tributar-lhe no amor-reconhecimento, amor-gratidão, amor-felicidade seja um honrado dever a se cumprir todos os dias em presença da mulher: avó, mãe, irmã, esposa, filha, amiga e/ou aquelas que eflorescem em nosso entorno. Historicamente, o Dia das Mães foi inaugurado no Brasil no 12 de maio de 1918, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Essa primeira vez foi promovida pela Associação Cristã dos Moços do Rio Grande do Sul. Porém, somente foi oficializado catorze anos depois, a partir do Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932, sancionado pelo Presidente Getúlio Dornelles Vargas. Por meio desse documento, determinou-se o segundo domingo de maio como momento para comemorar os “sentimentos e virtudes” do amor materno. Essa data foi uma conquista realizada por influência do movimento feminista brasileiro, que estava em crescimento. Outra conquista importante na época foi o sufrágio universal feminino, decretado também em 1932. A data oportuniza honrar o papel das mães na formação da identidade e do senso de pertencimento, reconhecendo seu impacto na educação e no desenvolvimento espiritual e emocional de seus filhos. 

 

No entanto, o Dia das Mães foi instituído mundialmente bem antes (1905) como uma homenagem à vida de Ann Jarvis, cujo ativismo social fez surgir o Mother’s Day Work Clubs, uma instituição voltada para melhorar as condições sanitárias de algumas cidades na Virgínia Ocidental. Nesse trabalho, Ann Jarvis dava assistência às famílias que necessitavam de ajuda, e orientava-as para que elas tivessem boas condições sanitárias, de forma a evitar doenças. Esse clube contou com o envolvimento de outras mães. Juntas elas criaram o Mother’s Friendship Day (Dia das Mães pela Amizade), um dia para celebrar-se a paz. O Dia das Mães moderno foi idealizado pela norte-americana Anna Jarvis em 1905, foi oficializada nos EUA em 1914 pelo Presidente Woodrow Wilson, que assinou a resolução tornando o segundo domingo de maio o Dia das Mães – popularizada como um tributo à dedicação materna.

 

Apesar de variar em datas e costumes (como na Indonésia, onde é um pedido por liberdade, ou no Brasil, com almoços familiares), a celebração é uma tradição global, muitas vezes com raízes em celebrações antigas, reafirmando a importância da maternidade. Para muitos, a data funciona como um potente combustível emocional para resistir em tempos difíceis, incentivando a gratidão pelos cuidados e pelo apoio essencial que as mães oferecem. Porém, além do aspecto emocional, a comemoração promove a reflexão sobre os valores familiares e o aperfeiçoamento humano no sentido da bondade e da solidariedade. Celebrar do Dia das Mães é fundamental para reafirmar a importância da família, da união e dos laços afetivos, destacando a figura materna como sinônimo de amor, força, proteção e acolhimento.

 

Neste toar, a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS concita ao reconhecimento da força e da superação das mulheres que dedicam suas vidas à dignidade e criação dos filhos. Comemorar o Dia das Mães incentiva a união familiar, criando memórias especiais e momentos de reflexão sobre a influência materna. Mães são agentes de mudança que transmitem tradições e cultura, e muitas acumulam funções financeiras e de liderança nos lares, contribuindo ativamente para o desenvolvimento de suas comunidades. Estudos indicam que a presença materna ativa também molda relacionamentos saudáveis, reduzindo estereótipos de gênero e promovendo empatia e respeito nas interações sociais futuras das crianças. Cortejar as mães é muito mais, do que um dever (ou obrigação) é um ato amor inenarrável que segue ao futuro enquanto para ele caminha a humanidade.

 

Maranguape, Ceará, 10 de Maio de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo


QUEM TEM VERGONHA NA CARA NÃO ENVERGONHA A NINGUÉM

Sentenciamo-nos ao cumprimento do mais norteador dos lumes-guia dos bons costumes: quem tem vergonha na cara não envergonha ninguém. Acendem...