Relacionar
a música e a fraternidade dos homens livres evoca o ideal de que a arte musical
transcende barreiras, promovendo a união, a igualdade e o pensamento autônomo.
Historicamente, essa conexão profunda é celebrada desde o clássico Hino à
Alegria de Beethoven até tradições filosóficas que usam a música como via de
elevação moral.
Dialogando
com ideais de liberdade, igualdade e solidariedade, presentes em princípios
maçônicos e humanistas que defendem o desenvolvimento cultural como um caminho
para a emancipação do ser humano, a música se estabelece como uma loquaz linguagem
universal capaz de harmonizar a diversidade e de aproximar os indivíduos.
Da
pré-história aos dias atuais, a música assume papel fundamental ao servir como
forma de comunicação, expressão de emoções, celebração, preservação cultural e
afirmação de identidade. Artistas e grupos musicais atuam como embaixadores
culturais, transmitindo a essência de suas origens e enriquecendo o panorama
musical global.
Indubitavelmente,
a Flauta Mágica (Die Zauberflöte) é a obra mais genial de Wolfgang Amadeus
Mozart. Estreada em 1791, a ópera funciona como uma fábula iniciática repleta
de ideais iluministas e maçônicos, onde a jornada dos protagonistas simboliza a
transição das trevas da ignorância para a luz da sabedoria e da fraternidade
universal.
Na
trama, o príncipe Tamino representa o buscador da verdade que, guiado por uma
flauta mágica, precisa superar provas severas de coragem e silêncio impostas
pelo sacerdote Sarastro. A jornada é uma clara representação da iniciação
maçônica, onde o aspirante deve vencer os medos e as ilusões para alcançar o
autoconhecimento.
Nela
percebemos alguns dos simbolismos mais marcantes, dentre os quais: a Rainha da
Noite que manifesta o lado obscuro, as paixões cegas, o obscurantismo e a
manipulação. Sarastro e o Templo da Luz, representam a razão, a verdade, a
tolerância, o bem e a fraternidade. O número 3 que reflete a estabilidade, o
equilíbrio e a trindade.
Mergulhado
em prazeres materiais e imediatos da vida, o homem-pássaro contentando-se com a
vida terrena sem aspirações intelectuais é o contraponto cômico e essencialmente
humano ao idealismo de Tamino. O príncipe que representa o iniciado. Ele começa
a jornada cego e perdido, buscando a sabedoria e o amor verdadeiro.
A
Flauta Mágica, feita de ouro – materializa a máxima pureza espiritual e a
iluminação – moldado sob o som do trovão antigo – exprime a força da justiça
divina e a expulsão das forças das trevas e da ignorância – consubstancia o
poder da música e da harmonia que transformam emoções negativas e guiam o homem
em suas provações.
As
provas do silêncio, de água e do fogo cumprem a purificação dos elementos
necessários para que o homem supere seus medos e domine suas paixões humanas, já
que, a verdadeira nobreza não vem do sangue ou de títulos de realeza, mas sim,
do caráter e do coração humano nos quais vicejam liberdade, igualdade e
fraternidade.
O
lema Liberté, Égalité, Fraternité, consagrado historicamente, encontra seu real
significado quando praticado de dentro para fora, através das suas atitudes
diárias. Afinal, se o que buscas não o achares primeiro em si, jamais o
encontras em lugar algum e não lho poderás manifestar a bem de si, do progresso
e da felicidade de todos.
Feliz,
a "Ode à Alegria" (An die Freude), escrita por Friedrich Schiller em
1785 e imortalizada na Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, nos chega como símbolo
do triunfo Iluminista e dos ideais humanistas. Manifestando a fraternidade
universal, a liberdade e a superação das divisões sociais através do amor e da
união entre os homens.
Nela
percebemos muito mais do que felicidade, movimenta uma força cósmica e criativa
(centelha divina) que une a humanidade e iguala todos os indivíduos perante o
Criador. O famoso verso "todos os homens se tornarão irmãos" reflete
a superação das barreiras criadas pelas convenções sociais e políticas que
obstam a igualdade e a fraternidade.
A
Ode à Alegria, que manifesta a crença de que a humanidade, guiada pela razão e
pela compaixão, pode alcançar a harmonia e viver em paz, tornou-se um hino
global de liberdade – que inexiste onde não respiram a igualdade e fraternidade
– utilizada em momentos de grande mudança histórica, como a queda do Muro de
Berlim.
Schiller
eleva a alegria a uma categoria espiritual e filosófica. Chamada de
"Funken aus Elysium" (Centelha do Elíseo), ela conecta diretamente
com o sagrado, uma dádiva divina que habita o interior de cada ser humano para
guiá-lo ao bem. A alegria é a força que move os astros e os ciclos da natureza,
que dá sentido à vida e ao amor.
Amor
notabilizado no verso mais famoso da Ode à Alegria, "Deine Zauber
binden wieder, was die Mode streng geteilt" (Teu feitiço une novamente
o que a moda rigidamente separou). Sendo o vetor de superação das divisões de
classes e fronteiras – e de robustecimento das colunas que sustentam a inclusão
social: identidade e pertencimento.
Evocar
Jean-Sibelius, compositor finlandeses de fértil veio que compôs peças
exclusivas para rituais maçônicos – como a famosa suíte Musique Religieuse –,
embora sua lavra não se resuma apenas à maçonaria. É, também, celebrizá-lo como
o "pai" da identidade musical finlandesa, por suas sinfonias e pelo
poema sinfônico Finlândia.
Sibelius
foi um membro ativo da Suomi Lodge No. 1 em Helsinque, tendo, também, atuado
como o grande organista da Grande Loja da Finlândia, da qual ele recebeu a
tarefa de criar uma trilha sonora original para as cerimônias. Apesar do
segredo que envolve a fraternidade, a beleza das melodias foi arranjada para
concertos públicos.
A
obra de Sibelius cobrir todas as etapas rituais da loja: Avaushymni
(Hino de Abertura); Marchas e cortejos processionais (como Salem ou Onward,
Ye Brethren); Veljesvirsi (Ode à Fraternidade), adicionada em 1946 e
considerada uma de suas últimas composições originais; e a Marche funèbre, composta
para o luto maçônico.
Não
é à toa que a música, segundo Charles Darwin, proporciona uma vantagem
evolutiva, facilitando a corte, o desenvolvimento de laços entre mães e bebês, como
também, fortalecendo a cooperação social e a unidade em grupos. Através da
música, os valores, crenças e costumes de uma sociedade são refletidos e
perpetuados, desempenhando um papel crucial na formação cultural a bem do
homem.
A
música conta a História, sendo além de um adereço da história, uma fonte
histórica em si mesma. Desde ritmos primitivos até sinfonias complexas, ela narra
tradição e descreve as identidades de diferentes povos, sendo um motor para o
florescimento da espécie humana em suas dimensões pessoais, laborais,
empresariais e sociais.
A
música viceja felicidade e a felicidade conduz a evolução humana. Pessoas
felizes demonstram melhor capacidade de lidar com desafios, possuem um senso de
propósito mais exato e contribuem para a melhoria coletiva a partir da
criatividade e do desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, contribuindo
para um mundo mais fraterno.
Como linguagem universal, a música permite ao ser humano expressar seus sentimentos
mais profundos, contribuindo para a interação social e o desenvolvimento
afetivo, pois, agrega e humaniza. Ela ativa o sistema límbico, responsável por
emoções, liberando neurotransmissores que aumentam o prazer e a sensação de
plenitude
Sendo
um espelho sonoro da jornada humana, a música manifesta as emoções, as lutas e
as esperanças que compõem este caminhar. Ao ecoar essas vivências, ela une as
pessoas, fortalecendo os laços de fraternidade e inspirando ideais de
liberdade, empatia e respeito mútuo, que alimentam a igualdade sobre a qual os
homens livres têm felicidade.
Maranguape,
Ceará, 14 de Julho de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo

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