terça-feira, 14 de julho de 2026

A MÚSICA E A FRATERNIDADE DOS HOMENS LIVRES

Relacionar a música e a fraternidade dos homens livres evoca o ideal de que a arte musical transcende barreiras, promovendo a união, a igualdade e o pensamento autônomo. Historicamente, essa conexão profunda é celebrada desde o clássico Hino à Alegria de Beethoven até tradições filosóficas que usam a música como via de elevação moral.

 

Dialogando com ideais de liberdade, igualdade e solidariedade, presentes em princípios maçônicos e humanistas que defendem o desenvolvimento cultural como um caminho para a emancipação do ser humano, a música se estabelece como uma loquaz linguagem universal capaz de harmonizar a diversidade e de aproximar os indivíduos.

 

Da pré-história aos dias atuais, a música assume papel fundamental ao servir como forma de comunicação, expressão de emoções, celebração, preservação cultural e afirmação de identidade. Artistas e grupos musicais atuam como embaixadores culturais, transmitindo a essência de suas origens e enriquecendo o panorama musical global.

 

Indubitavelmente, a Flauta Mágica (Die Zauberflöte) é a obra mais genial de Wolfgang Amadeus Mozart. Estreada em 1791, a ópera funciona como uma fábula iniciática repleta de ideais iluministas e maçônicos, onde a jornada dos protagonistas simboliza a transição das trevas da ignorância para a luz da sabedoria e da fraternidade universal.


Na trama, o príncipe Tamino representa o buscador da verdade que, guiado por uma flauta mágica, precisa superar provas severas de coragem e silêncio impostas pelo sacerdote Sarastro. A jornada é uma clara representação da iniciação maçônica, onde o aspirante deve vencer os medos e as ilusões para alcançar o autoconhecimento.

 

Nela percebemos alguns dos simbolismos mais marcantes, dentre os quais: a Rainha da Noite que manifesta o lado obscuro, as paixões cegas, o obscurantismo e a manipulação. Sarastro e o Templo da Luz, representam a razão, a verdade, a tolerância, o bem e a fraternidade. O número 3 que reflete a estabilidade, o equilíbrio e a trindade.

 

Mergulhado em prazeres materiais e imediatos da vida, o homem-pássaro contentando-se com a vida terrena sem aspirações intelectuais é o contraponto cômico e essencialmente humano ao idealismo de Tamino. O príncipe que representa o iniciado. Ele começa a jornada cego e perdido, buscando a sabedoria e o amor verdadeiro.

 

A Flauta Mágica, feita de ouro – materializa a máxima pureza espiritual e a iluminação – moldado sob o som do trovão antigo – exprime a força da justiça divina e a expulsão das forças das trevas e da ignorância – consubstancia o poder da música e da harmonia que transformam emoções negativas e guiam o homem em suas provações.

 

As provas do silêncio, de água e do fogo cumprem a purificação dos elementos necessários para que o homem supere seus medos e domine suas paixões humanas, já que, a verdadeira nobreza não vem do sangue ou de títulos de realeza, mas sim, do caráter e do coração humano nos quais vicejam liberdade, igualdade e fraternidade.

 

O lema Liberté, Égalité, Fraternité, consagrado historicamente, encontra seu real significado quando praticado de dentro para fora, através das suas atitudes diárias. Afinal, se o que buscas não o achares primeiro em si, jamais o encontras em lugar algum e não lho poderás manifestar a bem de si, do progresso e da felicidade de todos.

 

Feliz, a "Ode à Alegria" (An die Freude), escrita por Friedrich Schiller em 1785 e imortalizada na Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, nos chega como símbolo do triunfo Iluminista e dos ideais humanistas. Manifestando a fraternidade universal, a liberdade e a superação das divisões sociais através do amor e da união entre os homens.

 

Nela percebemos muito mais do que felicidade, movimenta uma força cósmica e criativa (centelha divina) que une a humanidade e iguala todos os indivíduos perante o Criador. O famoso verso "todos os homens se tornarão irmãos" reflete a superação das barreiras criadas pelas convenções sociais e políticas que obstam a igualdade e a fraternidade.

 

A Ode à Alegria, que manifesta a crença de que a humanidade, guiada pela razão e pela compaixão, pode alcançar a harmonia e viver em paz, tornou-se um hino global de liberdade – que inexiste onde não respiram a igualdade e fraternidade – utilizada em momentos de grande mudança histórica, como a queda do Muro de Berlim.

 

Schiller eleva a alegria a uma categoria espiritual e filosófica. Chamada de "Funken aus Elysium" (Centelha do Elíseo), ela conecta diretamente com o sagrado, uma dádiva divina que habita o interior de cada ser humano para guiá-lo ao bem. A alegria é a força que move os astros e os ciclos da natureza, que dá sentido à vida e ao amor.

 

Amor notabilizado no verso mais famoso da Ode à Alegria, "Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt" (Teu feitiço une novamente o que a moda rigidamente separou). Sendo o vetor de superação das divisões de classes e fronteiras – e de robustecimento das colunas que sustentam a inclusão social: identidade e pertencimento.

 

Evocar Jean-Sibelius, compositor finlandeses de fértil veio que compôs peças exclusivas para rituais maçônicos – como a famosa suíte Musique Religieuse –, embora sua lavra não se resuma apenas à maçonaria. É, também, celebrizá-lo como o "pai" da identidade musical finlandesa, por suas sinfonias e pelo poema sinfônico Finlândia.

 

Sibelius foi um membro ativo da Suomi Lodge No. 1 em Helsinque, tendo, também, atuado como o grande organista da Grande Loja da Finlândia, da qual ele recebeu a tarefa de criar uma trilha sonora original para as cerimônias. Apesar do segredo que envolve a fraternidade, a beleza das melodias foi arranjada para concertos públicos.

 

A obra de Sibelius cobrir todas as etapas rituais da loja: Avaushymni (Hino de Abertura); Marchas e cortejos processionais (como Salem ou Onward, Ye Brethren); Veljesvirsi (Ode à Fraternidade), adicionada em 1946 e considerada uma de suas últimas composições originais; e a Marche funèbre, composta para o luto maçônico.

 

Não é à toa que a música, segundo Charles Darwin, proporciona uma vantagem evolutiva, facilitando a corte, o desenvolvimento de laços entre mães e bebês, como também, fortalecendo a cooperação social e a unidade em grupos. Através da música, os valores, crenças e costumes de uma sociedade são refletidos e perpetuados, desempenhando um papel crucial na formação cultural a bem do homem.

 

A música conta a História, sendo além de um adereço da história, uma fonte histórica em si mesma. Desde ritmos primitivos até sinfonias complexas, ela narra tradição e descreve as identidades de diferentes povos, sendo um motor para o florescimento da espécie humana em suas dimensões pessoais, laborais, empresariais e sociais. 

 

A música viceja felicidade e a felicidade conduz a evolução humana. Pessoas felizes demonstram melhor capacidade de lidar com desafios, possuem um senso de propósito mais exato e contribuem para a melhoria coletiva a partir da criatividade e do desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, contribuindo para um mundo mais fraterno.

 

Como linguagem universal, a música permite ao ser humano expressar seus sentimentos mais profundos, contribuindo para a interação social e o desenvolvimento afetivo, pois, agrega e humaniza. Ela ativa o sistema límbico, responsável por emoções, liberando neurotransmissores que aumentam o prazer e a sensação de plenitude

 

Sendo um espelho sonoro da jornada humana, a música manifesta as emoções, as lutas e as esperanças que compõem este caminhar. Ao ecoar essas vivências, ela une as pessoas, fortalecendo os laços de fraternidade e inspirando ideais de liberdade, empatia e respeito mútuo, que alimentam a igualdade sobre a qual os homens livres têm felicidade.

 

Maranguape, Ceará, 14 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SENDO PEDRAS, CAMINHEMOS!

Valorizar trilhas, rochas e belezas naturais da região da Serra de Maranguape expressa que Deus abre os caminhos para que neles nos coloquem...