sexta-feira, 31 de julho de 2026

A AIMI MANIFESTA INTENCIONALIDADE E PROPÓSITO

Faze com que saibamos como são poucos os dias da nossa vida para que tenhamos um coração sábio (Salmos 90:12), pede Moisés ao Criador de tudo que há. Pedido que reverbera aos nosso ouvidos em nossos dias, a nos aprimorar o foco nas tarefas e no amor ao próximo no momento presente, pois, o ontem já passou e o amanhã estamos a construir diligentemente.

 

Contar os dias reconhece a brevidade e fragilidade da vida humana em contraste com a eternidade divina.  É um convite para valorizar cada momento como uma oportunidade preciosa, evitando desperdícios com trivialidades e focando no que possui significado eterno. A sabedoria galgada nisto é o discernimento do importante e uma vida com intencionalidade e propósito.

 

Propósito maior não percebo igual a este notabilizado nestes Setecentos e Oitenta dias vividos, nos quais, damos força (vida), beleza (conhecimento) e sabedoria (intelecto) à ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS – AIMI, que avança proeminente rumo ao futuro, enquanto constrói-se no presente para dando voz às culturas brasileiras e estrangeiras.

 

Vozes incessantes que avançam ao futuro levando consigo tudo que moldaram, construíram e estabeleceram no presente com o fito no porvir auspicioso que cada arte e cada letra é capaz de materializar para o bem-estar e desenvolvimento do homem que evolui a humanidade a cada novo despertar do conhecimento que o estimular a reformar seus conceitos perenemente.

 

Reformas e transfigurações somente atingem seus ápices quando manifestas em sinergia, assim, a AIMI faz-se ambiência a isto propícia, pois, é habitat aconchegante àqueles cujas mentes projetam o melhor para o mundo, ao passo que contentam-se com o que produzem neste fervoroso compartilhar de ideias com seus confrades sob o telhado deste silogeu.

 

Abraçados neste intento, a imortalidade os leva a contar e recontar feitos e efeitos, a desmontar e a remontar auspícios e glórias enquanto caminham levando consigo méritos e exemplos a novos tempos e realidades, a novas gentes e sociedades contribuindo altruistamente com seus desenvolvimentos, prosperidade e evoluções a bem da felicidade.

 

Felicidade contagiante manifesta no sorriso daquele cujas letras foram discernidas, absorvidas e praticadas a bem do mundo; e refletida no olhar radiante daquele cuja arte tocou corações e ganhou-lhe olhares novos incitando a inventividade que (re)nova os dias com os prodígios que enseja. A AIMI, assim, cuida de adornar o mundo e tudo que nele vive com beleza.

 

Beleza não só nas artes e letras que forja em suas múltiplas ambiências, como inúmeras são as ciências que abriga, a AIMI encanta(-se) com as atitudes de seus mais de 200 associados, distribuídos nas categorias de fundadores, correspondentes internos, correspondentes internacionais e honorários, pois, são abnegados cumpridores do dever assumido de produzir e conquistar.

 

Conquistas do puro amor, pois, sendo o amor o elo perfeito ele tem o condão sublime não só de adornar cada feito com beleza e sabedoria, como também, de exercer sua força cativadora atraindo os melhores para cada propósito arquitetado. Claramente, que tudo tocada pelo amor é melhor percebido, mais facilmente compreendido e excelentemente alocado nas memórias.  

 

Vida e memória são as primícias desta ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS – AIMI, valores por ela assumidos enquanto guardiã da língua pátria de cada nação onde está presente – inclusive a língua materna de seu povo. Contar os dias – e reconta-los – a bem da perpetuação do saber que faz cultura é máxima obrigação assumida por esta arcádia.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

 

REGULARES E PRONTOS PARA SEREM IRMÃOS

O Dia Internacional da Amizade (30/07) chega ao fim, mas, ainda restam as horas noturnas que levarão a data a ultrapassar a meia-noite, momento em que nasce o último de dia do mês de julho, como acontece há milênios. Um dia cujos trabalhos foram, de fato, iniciados ao Meio-Dia – como manda o Zênite, longe de sombras e de dúvidas –, com o auxílio eficaz de um dos mais formidáveis irmãos da circunscrição da Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Ceará, que por onde passa e/ou com quem está faz-se espelho para todos que ainda tateiam na escuridão em busca de uma luz amiga que os guie.

 

Poucos caminhantes pelo orbe terrestre tem me sido tão grato espelho. Como filho, este meu irmão foi grandioso, e cumprindo a tradição da qual é guardião, exerce e dimana a coração pleno os augustos valores colhidos de seus pais, para a glória do vanguardista Estado do Pernambuco. Como fuzileiro da primeira armada do Brasil, a Marinha de Tamandaré, com honra, competência, determinação e profissionalismo, sempre bradará a plenos pulmões: "Adsumus", representando, não somente sua tropa, mas, a todos nós brasileiros e ao Brasil que tem na sua Marinha um Braço amigo de comprovada exatidão.

 

Como esposo, este meu Irmão é o meu mais esplendido lábaro face a firmeza do alicerce de seu lar tão belamente construído, principalmente, seu jardim das mais belas rosas: minha cunhada e minhas sobrinhas. Um lar inabalável, ainda que solapado por intempéries viris como a pandemia do COVID 19 e como o câncer de mama que minha cunhada e este meu irmão vencem dia a dia, dando mostras claras de que "sem amor nada seria" (1 Coríntios 13:2), como afirma Paulo de Tarso era após era aos nossos ouvidos. Um lar que somente um homem que enxerga a si mesmo com tamanha nitidez pode erigir e manter.

 

Pessoas como este meu irmão têm o condão de transfigurar o mal em bem, pois, aprenderam desde cedo que o bem é a paga de mais alto valor que dispomos para custear o melhor que formos capazes de estabelecer em um lugar cujo "arquiteto construtor é Deus" (Hebreus 11:10). Lugar melhor não há que o coração bem formado que nos habita, pois, é com o coração que se empreende para que se tenha solidez, afinal, se disponibilizamos por onde andarmos e com estivermos o fruto do coração – o amor – que outra riqueza podemos esperar do tempo e da vida que não o amor a preencher nossos tesouros?

 

A ideia de que o bem é a "paga de mais alto valor" encontra ressonância direta em todas as tradição antigas, como a egípcia, por exemplo, onde em sede do tribunal de Osiris, onde o falecido deveria declarar inocência diante de cada uma dessas 42 divindades assessores, para ao final deste percurso ter seu coração pesado pela deusa Maat, que em um dos pratos da balança tinha uma pena da ave Bennú – que é capaz de renascer de si própria – e no outro prata o coração do julgado, que deve pesar menos que a pena da Bennú para ascender à luz.

 

Ver a este meu irmão com os olhos d’alma me apresenta uma perspectiva mais panorâmica da veraz relevância do exemplo. Um coração que aprendeu a transformar ofensas em preces e ataques em silêncio pacífico torna-se um santuário. A reação diante da ofensa define a qualidade da alma. Estar preparado para agir com equilíbrio e autocontrole, mesmo por impulso, é sinal de que o coração foi edificado sobre a rocha da virtude. Viver assim requer entender que cada interação é uma oportunidade de elevar os níveis de amor e, com isso, aumentar o tesouro guardado no coração bem formado que anima nosso ser.

 

Com a decisão de não permitir que a ofensa defina o relacionamento ou o nosso estado emocional, galgamos a verdadeira liberdade interior. Essa atitude transforma a alma em um santuário de paz, onde o silêncio pacífico substitui a retaliação e o perdão é a pujança consciente no coração daquele que não retem mágoas e não usa o erro do outro como arma futura e não faz na ofensa a lente através da qual contempla seus irmãos. Esse coração edificado sobre a "rocha da virtude" mantém o equilíbrio e o autocontrole mesmo sob impulso, pois, o amor nele foi elevado a um nível superior. 

 

Ao perdoar, manifesta-se o amor incondicional, transformando corações endurecidos e permitindo a redenção. Essa elevação retrata a natureza divina do amor, onde a misericórdia supera a justiça meramente retributiva. Essa virtude não é uma fraqueza, mas, a máxima expressão de força interior, onde a decisão de perdoar se torna um caminho de santidade e plenitude.  Esse amor enlevado permite a transcendência da dor imediata e aclara a percepção do propósito maior, onde a compaixão e a solidariedade tornam-se as robustas colunas que sustentam o mundo mais harmonioso que se busca construir.

 

Sendo amor o fruto do coração, essa é a única riqueza que o tempo não corrói e a vida não pode roubar. Disponibilizar amor por onde se passa não é um gasto, mas, um investimento no tesouro eterno. Ao escolhermos o bem em detrimento do mal, alinhamo-nos aos propósitos sagrados de construir um legado de caridade e de perdão, ao passo que acumulamos valores ético-morais e espirituais que transcendem a existência humana. Ser luz para outrem manifesta em nossa órbita os mais excelsos valores e virtudes fomentando progresso e evolução para todos que nos margeiam, com quem cocriamos a liberdade.

 

Essa liberdade interior notabiliza-se como uma serenidade que "não faz barulho" e não precisa provar nada, ao passo que capacita o homem a protagonizar seu próprio bem-estar. Ela distingue-se pela sua independência em relação ao ambiente externo. Enquanto o mundo pode oferecer caos, guerras ou desastres, a verdadeira liberdade reside na capacidade de manter o equilíbrio interno independentemente do que ocorra fora. A paz nascida desta liberdade coadjuva a construção de conexões saudáveis e a vivência de uma alegria profunda, alinhada com o landmark espírito-moral do amor incondicional. 

 

Nenhum amor é mais incondicional do que este que anima a amizade e enlaça os amigos sob a tutela da igualdade que lhes garante direitos inalienáveis como, por exemplo, o de serem verdadeiros e sinceros em suas agências e falas enquanto construtores do maior templo às virtudes já construído pela humanidade: a amizade. No templo-amizade erros e vícios habitam em porões e masmorras, atados por correntes e grilhões de prata, cuja pureza lhes impede de agirem a demérito das inefáveis virtudes e dos augustos valores que fazem do homem humano o suficiente para erguer acima de si a humanidade.

 

Por tudo isso, neste final do Dia Internacional da Amizade, contentes e satisfeitos, em sede liberdade e igualdade, reverenciamos a fraternidade que serve de habitat àqueles que constroem o um mundo melhor; que somente são reconhecidos pelos seus iguais; e estes iguais assim o fazem mediante as perenes sindicâncias que declaram que todos eles se conduzem com (auto)respeito e com (auto)disciplina, portanto, além de viverem plenamente na mais absoluta ordem, estão todos incondicionalmente regulares e em prontidão para serem irmãos.

 

Maranguape, Ceará, 30 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

SARAVÁ!

 

Nas primeiras horas deste Dia Internacional da Amizade (30/07) fui saravado por um Irmão querido, daqueles cujas atitudes e gestos o fazem muito bem-amado por todos aqueles que em sua órbita habitam. Saravá, nascido no Brasil a partir da adaptação fonética da palavra portuguesa "salvar" na fala de africanos escravizados falantes de línguas bantas. O termo funciona como uma interjeição de saudação equivalente a "salve!" ou "viva”.

 

O termo surgiu do modo como os negros escravizados pronunciavam a palavra "salvar" ao saudar alguém ou desejar o bem. Devido ao padrão silábico das línguas bantas, a pronúncia passou de "salvar" para "salavá" e, por fim, para "saravá" através de um processo de adaptação sonora. Utilizado para saudar orixás, entidades, guias espirituais e irmãos de fé, significando um desejo de luz, paz e proteção, formaliza o axé.

 

Axé é uma palavra puramente africana (àṣẹ), trazida pelos povos iorubás, que representa a própria energia cosmológica que manifesta as coisas. Manifesta a energia vital, o poder divino e/ou bênção. É algo que se transmite, acumula ou deseja a alguém (como dizer "muita luz" ou "vá com Deus"). Dizer "Saravá!", na verdade, é desejar que o axé (a energia positiva e a força dos orixás e guias) alcance o destino e/ou destinatário deste bom augúrio.

 

Confirmando a sinergia que há entre tudo que há criado, cujo elo perfeito é o amor que de nós transcende rumo ao Todo, evoco Salomão que diz “em todo o tempo ama o amigo por que nas difíceis horas chega o irmão” (provérbios 17:17), pois, um amigo comum pode estar presente apenas nos momentos bons, mas o amigo verdadeiro se mantém leal e se torna tão próximo quanto um irmão de sangue quando os tempos difíceis (a angústia ou adversidade) aparecem.

 

Séculos adiante, radicando este salomônico ensinamento, o Mestre Jesus – tetraneto de Salomão – foi determinante no Sermão da Montanha ampliando o axé do amor: “amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam e orem por aqueles que os maltratam” (Lucas 6:27-28). Assim, estabeleceu um landmark universal de paz, perdão e transformação espiritual do qual ninguém se esquiva, nem evita o cumprimento.

 

Corroborando com as sólidas tradições arraigadas à humanidade ao longo das eras, não somente cultuando-as, mas, principalmente, as mantendo in voga e em prática constante, por volta de 610 d.C., o Profeta Muhammad, no Alcorão Sagrado, diz: Salam Alaikum! E o Mundo Árabe reponde: Alaikum Salam! Uma poderosa saudação manifestando o axé: “que a paz esteja com você". Ao qual respondo: contigo também.

 

Embora seja amplamente difundida no Islã como uma saudação universal entre muçulmanos, o uso do “Salam Alaikum” antecede o surgimento da religião islâmica e, também, é empregada por falantes de árabe de outras crenças. O termo possui raízes linguísticas em idiomas semíticos antigos, com parentesco direto na expressão hebraica Shalom Aleichem e no aramaico, afinal, árabes e judeus, tem em Abraão o mesmo tronco ancestral.

 

Associada a paz, a segurança, a integridade e a tranquilidade, Cristãos que falam árabe no Oriente Médio usam "Salam Alaikum" no dia a dia como qualquer outra pessoa da região. Na missa ou cultos cristãos, o equivalente exato é "A paz esteja convosco", dito pelo padre ou pastor. A expressão deu origem à palavra aportuguesada salamaleque, que popularmente descreve um cumprimento exagerado ou cheio de mesuras.

 

No entanto, não importa a palavra usada para expressar o amor que manifesta progresso, felicidade e evolução entre os homens, já que, o relevante mesmo é amar a tudo e a todos com mesma intensidade com que o axé energiza a interdependência que há entre todas as coisas criadas e seu Criador. Como afirma Paulo de Tarso, “sem amor nada seria” (1 Coríntios 13:2). Amar é hábito constante daqueles que decididamente acendem a luz do outro.

 

Uma missão honrada e respeitável é esta de acender a luz de outrem, cuja recompensa é ser o primeiro a se beneficiar de sua claridade, afirma o escritor britânico G. K. Chesterton. O ato de fazer o bem ilumina intensamente o coração do benfeitor, trazendo-lhe benefícios incalculáveis de força, vigor, dignidade e sabedoria, além de criar uma conexão com a Consciência Divina. Incontestavelmente, recebemos o que praticamos perenemente.

 

Ao dizer “há mais felicidade em dar do que em receber” (atos 20:35), o Mestre Jesus ensina não somente a Paulo de Tarso, mas, através dele a toda a humanidade que ato de “dar” imitamos a natureza generosa de Deus, que se fez pobre, na forma do Cristo, para nos enriquecer. A palavra grega makarion, presente nos paulinos escritos, indica uma bem-aventurança ou alegria profunda e espiritual colhida a cada doar da melhor saudação.

 

A mais digna das saudações, por vezes, não encontra a exata palavra que a expresse, porém, como transcendência da pureza d’alma e da mente mais conscienciosa, é sentida em todo o universo já no seu primeiro sonido no coração bem formado dos homens. O melhor pensamento e/ou a melhor palavra sobre alguém e/ou sobre algo tem o magnânimo condão de transformar realidade, além, de cocriar caminhos de feliz evolução.

 

Assim, fortalecido pelo melhor saravá neste momento em que reverenciamos a amizade, que tem no amigo seu fundamento existencial, externo vivaz gratidão pela existência de todos aqueles que, resolutamente, resolveram ser amigos de outrem. Essa decisão é um divisor de águas universal, já que, cada feito no exercício deste bem-querer ao próximo gera uma distinção que os fará eternamente reconhecidos como manifestantes do amor: Irmãos!

 

Maranguape, Ceará, 30 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


A AMIZADE LEGITIMA A AUTORIDADE DO HOMEM

A amizade é um divisor de águas na historia humana. Dela vem a autentificação de tudo que há de legítimo e próspero nos caminhos do homem. Definida pela virtude ético-moral, recíproca e desinteressada, firma-se como pilar fundamental para o equilíbrio emocional e espiritual, enquanto preserva a dignidade humana era após era.

 

Diferente de conexões superficiais ancoradas no status e/ou em vantagens vãs e passageiras, a amizade se manifesta pelo apoio silencioso e constante nos momentos de crise, sustentando a identidade individual quando as circunstâncias externas mudam. É a escolha espontânea de caminhar junto, de validar o outro pelo que ele é.

 

Aristóteles, a amizade genuína exige boa vontade mútua reconhecida e foca no crescimento conjunto, não em prazeres efêmeros. Ela somente existe entre pessoas que buscam o bem e a virtude. Por isso, ela "autentica" o que há de legítimo, pois, é espelho para as nossas melhores qualidades e nos impulsiona a prosperar moral e eticamente.

 

Reforçada por Milan Kundera, que descreve a amizade como essencial para a integridade da memória e do "eu", atuando como um espelho que registra quem somos, a sociedade moderna tende a tratar a amizade como um "contrato de polidez" – uma aliança autêntica, duradoura e inabalável contra as adversidades, a solidão e o tédio.


Nascida do instinto de sobrevivência e da evolução social humanas, impulsionada pela necessidade de cooperação, proteção mútua e criação de laços fora do núcleo familiar, a amizade é uma conexão afetiva baseada em lealdade, confiança e altruísmo, mas não se define pela priorização da paz social em detrimento da verdade.

 

Este pensamento resume o que diferencia do coleguismo ou da mera conveniência da amizade real: a verdade como alicerce, mesmo quando ela gera desconforto. Amigos reais servem-nos como espelhos honestos para o nosso desenvolvimento. Relações baseadas apenas em agradar são frágeis e quebram sob pressão e ao som do silêncio da verdade.

 

Enquanto laços superficiais buscam apenas o agrado mútuo e se rompem diante da verdade, a amizade real utiliza a verdade como ferramenta de crescimento mútuo. A sinceridade absoluta, mesmo quando desconfortável, é o critério fundamental que separa a amizade verdadeira do simples coleguismo ou de relações “convenientes”.

 

A sinceridade atua como o "oxigênio" que mantém a alma compartilhada viva entre os amigos. A base de qualquer vínculo profundo reside na capacidade de ser transparente, mesmo quando isso gerar desconforto. A confiança é o leme que direciona o barco; sem ela, a relação está à deriva, incapaz de chegar a lugar nenhum significativo.

 

Diferente do bajulador, o verdadeiro amigo não teme apontar falhas ou oferecer críticas construtivas, pois, seu objetivo é o bem-estar do outro a longo prazo. Eles assumem a função de espelhos honestos, refletindo quem somos verdadeiramente para promover nosso desenvolvimento pessoal e ético-moral, pois, veem nosso potencial de construir juntos.

 

Uma conexão que exige que se filtrem as palavras, que se escondam os sentimentos ou que se meçam ações por medo de julgamento ou represália, trata-se apenas de uma acomodação de presença, não de uma amizade genuína. O amigo verdadeiro não sente inveja; ele celebra as conquistas alheias como se fossem próprias, pois, felicidade é sinergia.

 

O "coleguismo" se notabiliza exatamente por ser uma companhia condicional. Tais laços não resistem ao tempo, às distâncias geográficas ou às tempestades da vida, pois, faltam a eles a resiliência relacional e o propósito ético compartilhado que definem os parceiros de alma. Como afirma Aristóteles, “a amizade é um alma que habita dois corpos”.

 

A lealdade incondicional e a capacidade de manter a chama da alma acesa através de conversas sinceras são os sinais mais claros de que se encontrou uma conexão capaz de trazer felicidade plena e duradoura. Um amigo não é meramente alguém que ocupa espaço na vida, mas aquele que sustenta quem somos quando tudo muda.

 

A análise histórica de Anne Vincent-Buffault mostra que, a partir dos séculos 18 e 19, a amizade era distinta das relações políticas de troca de favores, manifestando um meio de autorrealização e resistência a um mundo hostil baseada em afinidades pessoais profundas e não na manutenção da ordem social convencional sob a tutela do interesse.

 

A historiadora Anne Vincent-Buffault demonstra a ruptura fundamental na concepção de amizade. Diferentemente das relações extrafamiliares anteriores – dominadas por corporações, guildas e sociedades científicas voltadas à manutenção de estamentos sociais – a amizade definia-se agora por profundas afinidades pessoais. 

 

Esse novo conceito emergiu na "descoberta do outro e de si mesmo no espaço particular", distanciando-se da utilidade política e burocrática para criar uma instância mútua de confiança que funcionava, também, como um olhar de desconfiança para o exterior necessário à observância constante que robustece o melhor amizade.

 

A amizade, assim, deixa de ser um vínculo afetivo e se torna uma prática de resistência contra o vazio de sentido e a razão instrumental. Deleuze ensina que "criar não é comunicar, mas resistir". Portanto, ela é um modo de existência estético, onde ainda que fragmentados temos forças para afirmar a vida e conectarmo-nos com o mundo moderno.

 

Nesse espaço onde a confiança não é dada automaticamente, mas, conquistada e mantida através da ação conjunta, o sujeito relacional tem na confiança o pano de fundo sobre o qual a amizade e a justiça se desenvolvem. Sem confiança, a amizade é impossível; contudo, a amizade exige mais que confiança: pede o sentimento ativo de benevolência recíproca.

 

O espaço relacional das amizades é inscrito pelas indeterminações dos encontros. É nessa abertura à alteridade, onde o familiar é deslocado, que o sujeito se reconstrói. A confiança, portanto, é a condição de fortalecer a capacidade de ação desse corpo coletivo formado pelos amigos, mesmo diante da imprevisibilidade do outro.

 

Homero Reis defende que a amizade madura cria uma intimidade ética-moral formidável, sendo uma ambiência onde é possível falar a verdade, inclusive a que dói, onde um amigo pode apontar limites e dar alertas que ninguém mais daria, contrariando a ideia de que a amizade evita a verdade radical. Ela legitima e ergue a autoridade do homem.

 

Longe de ser uma intimidade invasiva, este espaço oportuniza a fala da verdade, inclusive aquela que causa dor.  É o único ambiente onde a verdade radical não é vista como uma ameaça à relação, mas como uma ferramenta essencial de crescimento e sustentação emocional, tornando-se um território de pensamento crítico e cuidado mútuo.

 

Portentoso ato de resistência contra a "modernidade líquida" de vínculos descartáveis, a amizade exige habitar o tempo, paciência e vulnerabilidade, configurando-se como um sentimento, como uma espiritualidade encarnada e como uma liturgia da convivência onde o outro é bem-vindo livremente, mesmo diante do sofrimento ou da diferença radical.

 

Comemorar o Dia Internacional da Amizade, estabelecido pela ONU em 30 de julho de 2011, fomenta uma cultura de paz e não violência entre os povos, culturas e civilizações, visando a solidariedade, o respeito mútuo, a harmonia social em escala global e o combater desigualdades e conflitos internacionais, utilizando a amizade como alavanca para tal.

 

A data remonta à Cruzada Mundial da Amizade, iniciada no Paraguai em 1958 pelo Dr. Ramón Artemio Bracho, com o objetivo de promover a cultura da paz entre as nações. Ao transformar a amizade em uma ferramenta diplomática e social, a ONU nos lembra que a harmonia global começa na forma como acolhemos o outro no dia a dia.

 

A ONU incentiva governos, organizações internacionais e a sociedade civil a realizarem atividades que fortaleçam os laços de confiança, considerados caminhos essenciais para a reconciliação e a construção de um mundo mais harmonioso. A iniciativa reconhece a amizade como construtora de conexões ancoradas no respeito e na empatia.

 

A amizade, portanto, é um potente antídoto contra os discursos superficiais (vazios) e respostas automáticas (tolas), dando vida a autoridade moral do amigo como fruto da sua disposição de estar sempre presente nos momentos dramáticos e de oferecer a verdade que sustenta e que soluciona, mesmo quando a verdade é difícil de dizer e de ouvir.

 

Maranguape, Ceará, 30 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

quarta-feira, 29 de julho de 2026

GABAON UM MONUMENTO À SABEDORIA QUE SUPERA A RIQUEZA

 

Muito mais do que uma cidade cananeia, Gabaon, que em cananeu significa “colina do testemunho”, carrega um forte simbolismo que desvela saberes era a era adiante no tempo desde sua fundação, ligado à revelação divina, sabedoria oculta e à tradição iniciática. Local que abrigava a Tenda da Reunião, o santuário móvel construído por Moisés no deserto, Gabaon firma-se como centro de encontro entre o humano e o divino.

 

Em Gabaon que Deus apareceu a Salomão em sonho e lhe concedeu o  dom da sabedoria e do discernimento, em vez de riquezas e/ou poder. A escolha de Salomão por esse local para buscar orientação mostra que ele reconhecia a necessidade de se conectar com a tradição sagrada e com a presença contínua de Deus antes de assumir sua missão como rei. Toda nova empresa a iniciar pede Deus presente.

 

Esotericamente, esse encontro de Salomão com Deus transforma Gabaon no símbolo máximo da busca pelo conhecimento espiritual direto e pela iluminação da mente através da conexão com o sagrado. Espiritualmente, "ir a Gabaon" significa ascender a um planalto interior onde as distrações do mundo se tornam ínfimas, ao passo que a presença de Deus se torna contundente e vasta.

 

Gabaon inspira o templo interior que cada indivíduo deve construir dentro de si mesmo – um espaço de silêncio, oração e escuta, onde a luz divina pode habitar na pureza do coração dos homens. Gabaon é o santuário móvel no coração humano, onde Deus habita antes mesmo que a estrutura definitiva da santidade esteja completamente edificada na alma. Um lugar cujo arquiteto e construtor é Deus. (Hebreus 11:10)

 

Para ouvir a voz de Deus, é necessário que o "sol se detenha", cumprindo a condição primordial para que Gabaon se manifeste como estado interior: o silêncio da mente. Envolve parar a corrida desenfreada dos pensamentos, das ansiedades e das atividades externas. Nesse silêncio quando a alma deixa de falar para começar a escutar a voz divina, suave e subtil esquadrinhando as intenções mais profundas do ser humano pode ser ouvida.

 

Em Gabaon, o sol parou ao meio-dia para assistir a vitória de Josué sob seu Zênite, conforme prometera o altíssimo. O sol no zênite representa o ápice da luz, o momento de máxima clareza e revelação. Esotericamente, neste fenômeno desvela o instante em que a mente humana é iluminada pela consciência superior, onde longe das sombras e das dúvidas e com um olhar transcendente das realidades melhor vejamos os horizontes.

 

Arqueologicamente, o sítio (identificado como El-Jib) escavado por James B. Pritchard entre 1956 e 1962, revela inscrições em ânforas com o nome "Gabaon" e um impressionante poço cilíndrico de 25 metros de profundidade, confirmando a veracidade das narrativas bíblica. Gabaon é um monumento à sabedoria que supera a riqueza; e um ponto de convergência entre a história humana e a intervenção divina.

 

Situada fisicamente nas montanhas de Benjamim (a 860 metros de altitude), Gabaon é o local onde o divino intervém diretamente na história humana, trazendo vitória, sabedoria e transformação. Como um "lugar alto", Gabaon manifesta simbolicamente a ascensão da alma acima das preocupações terrenas, ilustrando que naquela ambiência o espírito acima do ego encontra a igualdade que torna todos um só.

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Gabaon não somente guarda a memória de um momento histórico fascinante, como também, de um instante religioso desvelador, enquanto avança nos dias como uma alegoria profunda sobre a busca interior pela sabedoria divina, a purificação do ser e a iluminação da consciência. Esse "lugar alto" manifesta a ascensão da alma acima das preocupações egóicas, numa sinergia pura com a fonte da sabedoria.

 

Gabaon não é apenas um local geográfico, mas sim, um estado interior de abertura espiritual, onde a mente se silencia para ouvir a voz de Deus, que lá responde aos corações puros que o buscam para serem esquadrinhados e do altíssimo receberem uma consciência alinhada com os propósitos sagrados. A verdadeira sabedoria é acessível somente à pureza de intenção e à consciência ajustadas à arquitetura divina.

 

Essa inefável sabedoria é, portanto, inacessível àqueles que buscam Deus para validação pessoal ou ganho material. Gabaon, como estado de elevado de consciência, exige que o buscador seja burilado intimamente: que suas motivações sejam postas à luz. Somente quando a intenção é confirmada purificada de egoísmo é que a mente se torna um espelho limpo, capaz de refletir a sabedoria do Altíssimo.

 

O resultado da experiência em Gabaon é uma consciência (re)alinhada e constantemente aferida pelo esquadro sob a guia do compasso. Não se trata apenas de acumular conhecimento, mas de sintonizar a vontade humana à Vontade Divina. Essa portentosa sinergia transforma a percepção das realidades: passa-se a ver as situações não mais através do filtro do medo e/ou do desejo pessoal, mas, através da lente da justiça e do amor divinos.

 

A alma em estado de "Gabaon" busca uma aliança perpétua onde a própria vida se torna um instrumento do propósito sagrado. A busca por conhecimento se transforma em um chamado prático: a sabedoria deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser o eixo que orienta cada pequena escolha do dia a dia. Como Salomão, em vez de riquezas ou vida longa, a sabedoria é a escolha exata para governarmos a nós mesmos.

 

A jornada de Salomão é um espelho para a nossa própria busca espiritual: só quando nos tornamos templos vivos é que podemos receber e refletir a sabedoria do Alto. A "luz" da sabedoria ilumina a consciência de quem a busca e ensina-lhe que a verdadeira sabedoria nasce de um coração puro, disposto a buscar a vontade divina acima de todos os desejos pessoais, pois, todo dom perfeito vem do Pai das Luzes (Tiago 1:17).

 

Gabaon é atemporal, e eterno convite à busca interior, a nos lembrar que o verdadeiro "lugar alto" é aquele onde a alma se encontra com a fonte inesgotável da sabedoria divina. Não é apenas um lugar do passado, mas, uma ambiência íntima onde a  consciência é enlevada, onde o templo interior é construído, onde a Luz Divina a tudo ilumina. É um desvelo conquistado somente por aqueles que se colocam em posição de humildade e serviço em prol da felicidade humana a partir de si.

 

Maranguape, Ceará, 29 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


terça-feira, 28 de julho de 2026

TODA ASCENÇÃO REQUER NO MÍMINO MÉRITO

 

Ninguém vai ao céu senão por mim (João 14:6), concita-nos à razão do Mestre Jesus, que brada a plenos pulmões: TODA ASCENÇÃO REQUER NO MÍMINO MÉRITO. Porém, cobiçosamente, ela, também, aspira a aceitação de todos para ser e/ou exercer, com a mesma vivacidade que anseia por oportunidade. Tudo, que não seja isto, é a mais absoluta usurpação e tirania solapando qualquer boa-vontade.

 

Esse pensamento inequívoco meu contrapõe a lei do mérito espiritual à ilusão do desejo puramente humano de aprovação e poder. O apregoado pelo Mestre Jesus, sob essa ótica, deixa de ser vaziamente uma exclusividade dogmática para se tornar robustamente um landmark universal: “o Caminho, a Verdade e a Vida" representam o esforço íntimo e a transformação real necessários para qualquer ascensão.

 

O desejo humano clama por aprovação externa e domínio, ao passo que a mestria de Jesus propõe uma (re)evolução radical: a verdadeira ascensão ocorre através da renúncia ao "ego-sistema". Uma mudança de paradigma existencial, exigindo o abandono às ilusão do ego para o ingresso no "eco-sistema" do Reino, onde a vida plena se manifesta através do serviço e da verdade interior. Seja servido o que primeiro serviu.

 

Intentar exercer um papel e/ou ocupar uma posição sem o devido estofo moral e intelectual é, brutalmente, uma tirania. Forçar(-se) uma situação por mera ambição ou oportunidade conveniente, violenta o livre-arbítrio alheio e as próprias leis do equilíbrio; e o faz com tamanha virilidade que a ínfima faísca da vaidade se faz avassalador incêndio destruindo os valores que erigem o homem humano, que leva a humanidade sobre si.

 

Historicamente e filosoficamente, a tirania não se define meramente pela crueldade, mas, pela ausência de legitimidade e pelo exercício do poder sem o devido "estofo" ético, transformando a autoridade em opressão. A tirania remonta à Grécia Antiga, onde o termo "týrannos" designava especificamente um líder ilegítimo, independentemente de sua conduta inicial ser benevolente ou maligna.

 

Incontestável é, há milênios, que a essência da tirania reside na usurpação de uma posição sem o consentimento genuíno ou a capacidade moral para exercê-la. Ocupar um papel por mera ambição ou oportunidade, violando o equilíbrio natural e legal, inaugura um regime onde o livre-arbítrio da coletividade é anulado em favor da vontade unilateral do usurpador, estabelecido através do abuso de poder.

 

A falta de estofo intelectual e moral fomenta o usa da força, a instalação do medo e uso da coerção como mecanismos de controle, substituindo o estabelecido e acatado por todos pelo arbítrio pessoal. Essa violência contra o equilíbrio social ocorre pelo desprovimento das virtude e dos valores que o sustém, sem os qual não se consegue governar através do respeito ou da razão, restando apenas a imposição brutal.

 

A persistência da tirania sem estofo moral muitas vezes depende de uma "servidão voluntária" por parte dos oprimidos. Étienne de La Boétie defende que a tirania não se sustenta pela força do tirano, mas, pela consentimento dos governados.  La Boétie utiliza a metáfora do fogo e da árvore para ilustrar que, se o povo retirar o seu apoio ("a lenha"), a tirania consume-se a si mesma e fenece sem combate maior que este.

 

Permitir-se voluntariamente a um estado de servidão é uma forma de "morte em vida", uma negação do que é propriamente humano. Aceitar que a vaidade se transforme em um incêndio avassalador é torna-se cúmplice da destruição dos valores que a mantém a humanidade. Abster-se de apoiar e recusar-se a validar a autoridade ilegítima, desvela que a força da tirania é imaginária e fiduciária, portanto, tem data limite.

 

Adolf Hitler e Josef Stalin são manifestações de tiranias, alimentadas por ideologias excludentes e desejos de poder absoluto, que anularam o livre-arbítrio de milhões, além de causarem enorme demérito a humanidade. No caso de Hitler, a tirania nazista utilizou a propaganda e o terror para impor uma visão de mundo baseada na supremacia racial, resultando no Holocausto e na destruição da democracia alemã.

 

Buscar a aceitação de todos antes de construir o próprio valor interno é inverter a ordem natural das coisas. A autoridade moral não nasce do aplauso, mas do amadurecimento e da colheita legítima de esforços prévios. A semeadura é espontânea, porém, a colheita é obrigatória. A árvore-respeito tem, claramente, por semente o respeito a tudo que há estabelecido e a toda a coletividade que o estabelece. Dela colhe-se respeitabilidade.

 

Quando a validação externa precede o valor interno, nasce o refém da opinião alheia, perdendo sua bússola moral. A perda de referência, a "ditadura do relativismo" e a construção de verdades através das mídias sociais exacerbam essa crise, onde a verdade deixa de ser uma adequação da razão ao mundo objetivo para se tornar uma mera construção linguística voltada ao aplauso, à manipulação e ao controle.

 

Marco Aurélio, no filme Gladiador afirma, "Cômodo não tem moral!" e sintetiza a ideia de que o exercício do poder pede uma sólida base ética prévia. Justificar comportamentos transgressivos em nome do bem pessoal, ou de grupos específicos, substitui o senso moral coletivo e patrocina a desconfiança e a ruína institucional, contrariando o fato de que somente a amizade com a verdade faria legitima a autoridade.

 

A autoridade moralmente legítima diferencia-se notadamente do poder imposto ou da popularidade efêmera. Ela não emerge de valores unicamente sociológicos ou históricos, nem da capacidade de manipular narrativas para obter consenso. Pelo contrário, a autoridade deve permitir-se conduzir pela moral, e toda a sua dignidade virá do seu alinhamento com uma ordem moral transcendente e universal que atuará consigo.

 

O universo opera por sintonias e merecimento. Nenhuma conquista real se sustenta na base do privilégio ou do atalho. Subir degraus envolve entrega sincera e trabalho digno na construção do bem, do justo, do próspero e do feliz para todos. A ascensão autêntica liberta; a exigência de aceitação cega escraviza tanto quem a busca quanto quem é forçado a aderi-la. Denota voraz escuridão sucumbindo a luz.

 

Conquistas baseadas em privilégios injustos ou atalhos morais são frágeis, ainda que, ofereçam ascensão rápida, porém, não geram a liberdade interna que acompanha o trabalho digno. Essa dinâmica reflete ambiências onde a luz da autenticidade é sufocada pela conveniência. A exigência de aceitação cega cria dupla escravidão: agrilhoa buscadores da validação a qualquer custo e coage os forçados a compactuar com eles.

 

O verdadeiro merecimento não é um direito exigível, mas uma consequência natural de uma jornada íntegra. A única vitória que realmente ostenta mérito é aquela conquistada sem ofender ou ferir aqueles que cruzam nosso caminho, direta ou indiretamente.  Quando o sucesso é edificado sobre o uso do próximo como "escada", ele é vazio de dignidade e de honra e não perdura diante da consciência e do tempo.

 

Sob essa ótica, o "Caminho" não é uma rota de conquistas meritocráticas onde se acumulam virtudes para obter recompensas, mas sim, um percurso de "morte" daquilo que não tem futuro dentro de si mesmo. A ascensão espiritual, portanto, deixa de ser uma escalada de poder para tornar-se o aurorescer do "eu original", longe da inexata busca por tentar encaixar-se onde não há cabimento.


A ascensão autêntica está intimamente enlaçada à construção do bem, do justo e do próspero para todos. Não se trata somente de atingir um objetivo pessoal, mas sim, de garantir que os degraus subidos contribuam para um tecido social mais saudável. A persistência diária, o enfrentamento do tédio e a capacidade de manter o foco no que é certo, mesmo sob pressão, apontam quem é merecedor dos próprios desígnios.

 

Por tudo isso, as conquistas formidáveis que melhor vida oferta deixam de ser uma validação externa para assumir-se como verdade interna inabalável: TODA ASCENÇÃO REQUER NO MíNIMO MÉRITO. Nenhuma elevação real – seja ela espiritual, moral, intelectual ou social – acontece por acaso ou por favorecimento, pois, é fruto de preparação, determinação, esmero e, claro, da excelência dos resultados auferidos.

 

Maranguape, Ceará, 28 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


segunda-feira, 27 de julho de 2026

O QUE VALE A PALAVRA?

 

Acordei hoje, como sempre, com muitos pensamentos, em especial para a esta última semana de julho de 2026, e um deles berra aos meus ouvidos: “posso até não concordar com o que dizes, mas, defenderei com honra e coragem o direito de interlocução de todos”. Um pensamento que, inicialmente, abre caminhos como vetor de ajuste de retidão, pois, embora estas palavras sejam atribuídas a Voltaire há muito mais de duas décadas, em verdade, sua autoria inequívoca é da biografa Evelyn Beatrice Hall, sob o pseudônimo de S.G. Tallentyre, em seu livro de 1906, The Friends of Voltaire. É inspirador começar o dia com tal clareza sobre a importância do diálogo e da tolerância, pois, são as bases da alteridade esperada de nós.

 

Essa distinção histórica reforça que a defesa da liberdade de expressão é um valor construído e transmitido por quem observa e valoriza a postura intelectual, servindo como um "vetor de ajuste de retidão"; retidão que tem se tornado coisa cada vez mais rara, como também, raro tem se feito o senso de oportunidade, manifestando no mundo ceticismo – filho primogênito da crise de confiança nas relações e nas instituições. A falta de palavra desvaloriza os acordos básicos da convivência humana. A integridade passou a ser vista por muitos como um obstáculo, não como virtude. Portanto, lembrar que a multidisciplinaridade e o diálogo com o oposto são formas de engrandecimento pessoal fundamentais para o feliz estabelecimento do convívio harmonioso nas sociedades.

 

Não se pode esquecer que a humanidade há tempos tem perdido o senso de oportunidade e. ele, coadjuva e alimenta portentosamente este ciclo vicioso de desconfiança geral, onde intervenções despropositadas em momentos inadequados geram ruído e afastamento. Uma "ditadura invisível" de interesses ocultos que se apropriam dos recursos e da capacidade de pensamento próprio. Segundo a encíclica Fratelli tutti, esse cenário é agravado por aqueles que "passam pelo caminho olhando para o outro lado", criando um ambiente de impunidade e desqualificação permanente. A hipocrisia de quem julga manter a pureza crítica, mas vive do sistema, gera desencanto, impede a solidariedade e consolidada este status quo de contagiosa desconfiança que ameaça a humanidade.

 

Manipular é a palavra mágica a animar os feitos nestes dias inglórios onde a obscurescência se mostra disposta a distorcer, a conflitar e a manipular opiniões, além de explorar a natureza, princípios éticos e de sustentabilidade, o que contribui para a instabilidade e a indiferença global, tendo como formidável alavanca as inovações tecnológicas no modus communicandi, que não encontra limites de espaço, levando e trazendo informações – boas, proveitosas etc. e/ou más, inapropriadas, etc. –  numa velocidade quase tão rápida quanto a do pensamento, podendo assim, erguer ou ruir preceitos num piscar de olhos, como também, incitar a paz e/ou a guerra.

 

A bem da humanidade e de todos que em seu colo acha muito mais do que aconchego, a solidariedade, que jamais será unicamente um sentimento, mas sim, uma prática que, exercida habitualmente, reconstrói o tecido social através de ações concretas que validam a confiança. Enquanto a desconfiança se sustenta em uma "falsa segurança" baseada no isolamento e na defesa contra ameaças externas imaginadas ou exacerbadas, a solidariedade oferece uma paz real e duradoura, a solidariedade demonstra, in vitae, que o outro não é um inimigo em potencial, mas, com toda certeza, um aliado na construção do bem comum. Ao garantir "terra, teto e trabalho" – por exemplo – através da cooperação, elimina-se a raiz material da insegurança que gera o medo

 

A desconfiança viça e prolifera onde há anonimato e fragmentação. A solidariedade, navegando contra o influxo das horas destas horas amargas, cria redes de apoio mútuo que transformam indivíduos isolados em comunidades robustas (ou perenemente fortalecidas) pelo elevado senso de pertencimento que fazem eflorescer.  Quando as pessoas experimentam o apoio concreto em momentos de crise (como em comitês de combate à fome ou ações de vizinhança, do colégios, das academias, dentre outros incontáveis exemplos), desenvolve-se fidelizador senso de pertencimento.  A certeza de que "haverá alguém para contar" nos momentos difíceis reduz a necessidade defensiva de desconfiar de todos. A solidariedade é o antídoto para o tirânico medo de ser “nós”.

 

Como tudo na vida, a mudança chega com a ressignificação dos atos e fatos, sempre priorizando o mais feliz para o coletivo, considerando que “há mais felicidade em dar do que em receber” (Atos 20:35). A chave ideal é não saber quem está próximo e servil a me levantar quando cair, a me ajudar quando preciso for, ao contrário, ela se nos apresenta quando nos dispomos ao cumprimento da missão de sermos o próximo de alguém e a servir amorosa e incondicionalmente àqueles que orbitam em torno de nós. Intervir de forma solidária, mesmo quando inadequado ou arriscado aos olhos do cinismo, quebra a inércia da indiferença. Esse gesto valida a humanidade compartilhada, e sempre (re)humanizadora, com a mesma efusividade que expõe a hipocrisia de quem julga manter a pureza crítica sem agir. A solidariedade exige vulnerabilidade e risco, elementos que a desconfiança tenta eliminar, embora sejam elementos imprescindíveis para a confiança genuína.

  

Essa confiança – autêntica em níveis ótimos – não se restaura apenas em grandes gestos, ao contrário, é fruto dulcíssimo das pequenas ações empreendidas a bem do coletivo, sob o lume do sufragar o mal com o bem (Romanos 12:21), ou seja, fazer o bem sem olhar a quem: ajudar um vizinho, cumprir prazos, oferecer apoio discreto. Esses atos acumulam "crédito social" e enfraquecem a narrativa de que "todos estão apenas buscando seu próprio interesse". A capacidade de ouvir zelosamente – portanto, sem julgamentos, e em pleno exercício da alteridade que desejamos a nosso favor – e de validar os sentimentos do outro desfaz polarizações. A empatia cognitiva e emocional amplia a percepção das motivações alheias, retirando a "máscara" de ameaça que a desconfiança projeta. Tudo isto em prol do desenvolvimento da aceitação das vulnerabilidades como base para cocriadora dos laços autênticos da interdependência que de mãos dadas solidariamente estabelecemos.

 

Conscienciosamente, uma interdependência saudável reconhece que as vulnerabilidades são entrelaçadas com dimensões físicas, sociais e psicológicas. Ao compartilhar medos e inseguranças com quem confiamos, os indivíduos constroem relações duradouras baseadas na autenticidade, superando a superficialidade e fomentando o apoio mútuo necessário para enfrentar o desamparo originário. Em vez de sinalizar fraqueza, ela robustece a empatia, a confiança e a resolução de conflitos, criando um ambiente de compreensão mútua essencial para conexões autênticas. Conexão envolve diálogo e, este, somente auroresce o bem e a felicidades quando os níveis de retidão estiverem excelentes. Excelência adornada de confiança, alimentada pela alteridade e capacitada pelo amor a arquitetar novos destinos para os homens sob a égide da liberdade ser e falar. Uma liberdade ancorada na augusta igualdade que é princípio sustentador da “palavra” verdadeiramente justa; palavra que beneficia a todos equanimemente com a retidão com que ela honra aquele que a manifesta a bem do respeito que deve a si próprio e a todos os seus pares.

 

Maranguape, Ceará, 27 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


FELICIDADE É UM DEVER INALIENÁVEL

  Majestoso domingo este que inicia sua carreira e ser feliz, ao passo que patrocina a alegria de tantos quantos, que como eu podem dele goz...