Acordei
hoje, como sempre, com muitos pensamentos, em especial para a esta última
semana de julho de 2026, e um deles berra aos meus ouvidos: “posso até não
concordar com o que dizes, mas, defenderei com honra e coragem o direito de
interlocução de todos”. Um pensamento que, inicialmente, abre caminhos como
vetor de ajuste de retidão, pois, embora estas palavras sejam atribuídas a
Voltaire há muito mais de duas décadas, em verdade, sua autoria inequívoca é da biografa
Evelyn Beatrice Hall, sob o pseudônimo de S.G. Tallentyre, em seu livro de
1906, The Friends of Voltaire. É inspirador começar o dia com tal clareza sobre
a importância do diálogo e da tolerância, pois, são as bases da alteridade
esperada de nós.
Essa
distinção histórica reforça que a defesa da liberdade de expressão é um valor
construído e transmitido por quem observa e valoriza a postura intelectual,
servindo como um "vetor de ajuste de retidão"; retidão que tem se
tornado coisa cada vez mais rara, como também, raro tem se feito o senso de
oportunidade, manifestando no mundo ceticismo – filho primogênito da crise de
confiança nas relações e nas instituições. A falta de palavra desvaloriza os
acordos básicos da convivência humana. A integridade passou a ser vista por
muitos como um obstáculo, não como virtude. Portanto, lembrar que a
multidisciplinaridade e o diálogo com o oposto são formas de engrandecimento
pessoal fundamentais para o feliz estabelecimento do convívio harmonioso nas
sociedades.
Não
se pode esquecer que a humanidade há tempos tem perdido o senso de oportunidade e.
ele, coadjuva e alimenta portentosamente este ciclo vicioso de desconfiança
geral, onde intervenções despropositadas em momentos inadequados geram ruído e
afastamento. Uma "ditadura invisível" de interesses ocultos que se
apropriam dos recursos e da capacidade de pensamento próprio. Segundo a
encíclica Fratelli tutti, esse cenário é agravado por aqueles que "passam
pelo caminho olhando para o outro lado", criando um ambiente de impunidade
e desqualificação permanente. A hipocrisia de quem julga manter a pureza
crítica, mas vive do sistema, gera desencanto, impede a solidariedade e
consolidada este status quo de contagiosa desconfiança que ameaça a humanidade.
Manipular
é a palavra mágica a animar os feitos nestes dias inglórios onde a obscurescência se
mostra disposta a distorcer, a conflitar e a manipular opiniões, além de
explorar a natureza, princípios éticos e de sustentabilidade, o que contribui
para a instabilidade e a indiferença global, tendo como formidável alavanca as inovações
tecnológicas no modus communicandi, que não encontra limites de espaço, levando
e trazendo informações – boas, proveitosas etc. e/ou más, inapropriadas, etc. –
numa velocidade quase tão rápida quanto
a do pensamento, podendo assim, erguer ou ruir preceitos num piscar de olhos,
como também, incitar a paz e/ou a guerra.
A
bem da humanidade e de todos que em seu colo acha muito mais do que aconchego,
a solidariedade, que jamais será unicamente um sentimento, mas sim, uma prática que, exercida habitualmente, reconstrói o tecido social através de ações
concretas que validam a confiança. Enquanto a desconfiança se sustenta em
uma "falsa segurança" baseada no isolamento e na defesa contra
ameaças externas imaginadas ou exacerbadas, a solidariedade oferece
uma paz real e duradoura, a solidariedade demonstra, in vitae, que o outro
não é um inimigo em potencial, mas, com toda certeza, um aliado na construção
do bem comum. Ao garantir "terra, teto e trabalho" – por exemplo – através
da cooperação, elimina-se a raiz material da insegurança que gera o medo
A
desconfiança viça e prolifera onde há anonimato e fragmentação. A solidariedade,
navegando contra o influxo das horas destas horas amargas, cria redes de
apoio mútuo que transformam indivíduos isolados em comunidades robustas
(ou perenemente fortalecidas) pelo elevado senso de pertencimento que fazem
eflorescer. Quando as pessoas experimentam o apoio concreto em
momentos de crise (como em comitês de combate à fome ou ações de vizinhança, do
colégios, das academias, dentre outros incontáveis exemplos), desenvolve-se fidelizador senso
de pertencimento. A certeza de que "haverá alguém para
contar" nos momentos difíceis reduz a necessidade defensiva de desconfiar
de todos. A solidariedade é o antídoto para o tirânico medo de ser “nós”.
Como
tudo na vida, a mudança chega com a ressignificação dos atos e fatos, sempre
priorizando o mais feliz para o coletivo, considerando que “há mais felicidade
em dar do que em receber” (Atos 20:35). A chave ideal é não saber quem está
próximo e servil a me levantar quando cair, a me ajudar quando preciso for, ao
contrário, ela se nos apresenta quando nos dispomos ao cumprimento da missão de
sermos o próximo de alguém e a servir amorosa e incondicionalmente àqueles que
orbitam em torno de nós. Intervir de forma solidária, mesmo quando inadequado
ou arriscado aos olhos do cinismo, quebra a inércia da indiferença. Esse gesto
valida a humanidade compartilhada, e sempre (re)humanizadora, com a mesma
efusividade que expõe a hipocrisia de quem julga manter a pureza crítica sem
agir. A solidariedade exige vulnerabilidade e risco, elementos que a
desconfiança tenta eliminar, embora sejam elementos imprescindíveis para a
confiança genuína.
Essa
confiança – autêntica em níveis ótimos – não se restaura apenas em grandes
gestos, ao contrário, é fruto dulcíssimo das pequenas ações empreendidas a bem
do coletivo, sob o lume do sufragar o mal com o bem (Romanos 12:21), ou seja,
fazer o bem sem olhar a quem: ajudar um vizinho, cumprir prazos, oferecer apoio
discreto. Esses atos acumulam "crédito social" e enfraquecem a
narrativa de que "todos estão apenas buscando seu próprio interesse".
A capacidade de ouvir zelosamente – portanto, sem julgamentos, e em pleno
exercício da alteridade que desejamos a nosso favor – e de validar os
sentimentos do outro desfaz polarizações. A empatia cognitiva e emocional
amplia a percepção das motivações alheias, retirando a "máscara" de
ameaça que a desconfiança projeta. Tudo isto em prol do desenvolvimento da
aceitação das vulnerabilidades como base para cocriadora dos laços autênticos
da interdependência que de mãos dadas solidariamente estabelecemos.
Conscienciosamente,
uma interdependência saudável reconhece que as vulnerabilidades são
entrelaçadas com dimensões físicas, sociais e psicológicas. Ao compartilhar
medos e inseguranças com quem confiamos, os indivíduos constroem relações
duradouras baseadas na autenticidade, superando a superficialidade e
fomentando o apoio mútuo necessário para enfrentar o desamparo
originário. Em vez de sinalizar fraqueza, ela robustece a empatia, a confiança
e a resolução de conflitos, criando um ambiente de compreensão mútua essencial
para conexões autênticas. Conexão envolve diálogo e, este, somente auroresce o
bem e a felicidades quando os níveis de retidão estiverem excelentes. Excelência
adornada de confiança, alimentada pela alteridade e capacitada pelo amor a
arquitetar novos destinos para os homens sob a égide da liberdade ser e falar. Uma
liberdade ancorada na augusta igualdade que é princípio sustentador da “palavra”
verdadeiramente justa; palavra que beneficia a todos equanimemente com a retidão
com que ela honra aquele que a manifesta a bem do respeito que deve a si
próprio e a todos os seus pares.
Maranguape,
Ceará, 27 de Julho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE
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