Ninguém
vai ao céu senão por mim (João 14:6), concita-nos à razão do Mestre Jesus, que brada
a plenos pulmões: TODA ASCENÇÃO REQUER NO MÍMINO MÉRITO. Porém, cobiçosamente, ela,
também, aspira a aceitação de todos para ser e/ou exercer, com a mesma
vivacidade que anseia por oportunidade. Tudo, que não seja isto, é a mais
absoluta usurpação e tirania solapando qualquer boa-vontade.
Esse
pensamento inequívoco meu contrapõe a lei do mérito espiritual à ilusão do
desejo puramente humano de aprovação e poder. O apregoado pelo Mestre Jesus,
sob essa ótica, deixa de ser vaziamente uma exclusividade dogmática para se
tornar robustamente um landmark universal: “o Caminho, a Verdade e a Vida"
representam o esforço íntimo e a transformação real necessários para qualquer
ascensão.
O
desejo humano clama por aprovação externa e domínio, ao passo que a mestria de
Jesus propõe uma (re)evolução radical: a verdadeira ascensão ocorre através da
renúncia ao "ego-sistema". Uma mudança de paradigma existencial,
exigindo o abandono às ilusão do ego para o ingresso no "eco-sistema"
do Reino, onde a vida plena se manifesta através do serviço e da verdade
interior. Seja servido o que primeiro serviu.
Intentar
exercer um papel e/ou ocupar uma posição sem o devido estofo moral e
intelectual é, brutalmente, uma tirania. Forçar(-se) uma situação por mera
ambição ou oportunidade conveniente, violenta o livre-arbítrio alheio e as
próprias leis do equilíbrio; e o faz com tamanha virilidade que a ínfima faísca
da vaidade se faz avassalador incêndio destruindo os valores que erigem o homem
humano, que leva a humanidade sobre si.
Historicamente
e filosoficamente, a tirania não se define meramente pela crueldade, mas, pela
ausência de legitimidade e pelo exercício do poder sem o devido
"estofo" ético, transformando a autoridade em opressão. A tirania
remonta à Grécia Antiga, onde o termo "týrannos" designava
especificamente um líder ilegítimo, independentemente de sua conduta inicial
ser benevolente ou maligna.
Incontestável
é, há milênios, que a essência da tirania reside na usurpação de uma posição
sem o consentimento genuíno ou a capacidade moral para exercê-la. Ocupar um
papel por mera ambição ou oportunidade, violando o equilíbrio natural e legal, inaugura
um regime onde o livre-arbítrio da coletividade é anulado em favor da vontade
unilateral do usurpador, estabelecido através do abuso de poder.
A
falta de estofo intelectual e moral fomenta o usa da força, a instalação do
medo e uso da coerção como mecanismos de controle, substituindo o estabelecido e
acatado por todos pelo arbítrio pessoal. Essa violência contra o equilíbrio
social ocorre pelo desprovimento das virtude e dos valores que o sustém, sem os
qual não se consegue governar através do respeito ou da razão, restando apenas
a imposição brutal.
A
persistência da tirania sem estofo moral muitas vezes depende de uma
"servidão voluntária" por parte dos oprimidos. Étienne de La Boétie defende
que a tirania não se sustenta pela força do tirano, mas, pela consentimento dos
governados. La Boétie utiliza a metáfora
do fogo e da árvore para ilustrar que, se o povo retirar o seu apoio ("a
lenha"), a tirania consume-se a si mesma e fenece sem combate maior que este.
Permitir-se
voluntariamente a um estado de servidão é uma forma de "morte em
vida", uma negação do que é propriamente humano. Aceitar que a vaidade se
transforme em um incêndio avassalador é torna-se cúmplice da destruição dos
valores que a mantém a humanidade. Abster-se de apoiar e recusar-se a validar a
autoridade ilegítima, desvela que a força da tirania é imaginária e fiduciária,
portanto, tem data limite.
Adolf
Hitler e Josef Stalin são manifestações de tiranias, alimentadas por ideologias
excludentes e desejos de poder absoluto, que anularam o livre-arbítrio de
milhões, além de causarem enorme demérito a humanidade. No caso de Hitler, a
tirania nazista utilizou a propaganda e o terror para impor uma visão de mundo
baseada na supremacia racial, resultando no Holocausto e na destruição da
democracia alemã.
Buscar
a aceitação de todos antes de construir o próprio valor interno é inverter a
ordem natural das coisas. A autoridade moral não nasce do aplauso, mas do
amadurecimento e da colheita legítima de esforços prévios. A semeadura é
espontânea, porém, a colheita é obrigatória. A árvore-respeito tem, claramente, por semente
o respeito a tudo que há estabelecido e a toda a coletividade que o estabelece. Dela colhe-se
respeitabilidade.
Quando
a validação externa precede o valor interno, nasce o refém da opinião alheia,
perdendo sua bússola moral. A perda de referência, a "ditadura do
relativismo" e a construção de verdades através das mídias sociais
exacerbam essa crise, onde a verdade deixa de ser uma adequação da razão ao
mundo objetivo para se tornar uma mera construção linguística voltada ao
aplauso, à manipulação e ao controle.
Marco
Aurélio, no filme Gladiador afirma, "Cômodo não tem moral!" e sintetiza
a ideia de que o exercício do poder pede uma sólida base ética prévia. Justificar
comportamentos transgressivos em nome do bem pessoal, ou de grupos específicos,
substitui o senso moral coletivo e patrocina a desconfiança e a ruína
institucional, contrariando o fato de que somente a amizade com a verdade faria
legitima a autoridade.
A
autoridade moralmente legítima diferencia-se notadamente do poder imposto ou da
popularidade efêmera. Ela não emerge de valores unicamente sociológicos ou
históricos, nem da capacidade de manipular narrativas para obter consenso. Pelo
contrário, a autoridade deve permitir-se conduzir pela moral, e toda a sua
dignidade virá do seu alinhamento com uma ordem moral transcendente e universal
que atuará consigo.
O
universo opera por sintonias e merecimento. Nenhuma conquista real se sustenta
na base do privilégio ou do atalho. Subir degraus envolve entrega sincera e trabalho
digno na construção do bem, do justo, do próspero e do feliz para todos. A
ascensão autêntica liberta; a exigência de aceitação cega escraviza tanto quem
a busca quanto quem é forçado a aderi-la. Denota voraz escuridão sucumbindo a
luz.
Conquistas
baseadas em privilégios injustos ou atalhos morais são frágeis, ainda que, ofereçam
ascensão rápida, porém, não geram a liberdade interna que acompanha o
trabalho digno. Essa dinâmica reflete ambiências onde a luz da autenticidade é
sufocada pela conveniência. A exigência de aceitação cega cria dupla escravidão:
agrilhoa buscadores da validação a qualquer custo e coage os forçados a
compactuar com eles.
O
verdadeiro merecimento não é um direito exigível, mas uma consequência natural
de uma jornada íntegra. A única vitória que realmente ostenta mérito é aquela
conquistada sem ofender ou ferir aqueles que cruzam nosso caminho,
direta ou indiretamente. Quando o sucesso é edificado sobre o uso do
próximo como "escada", ele é vazio de dignidade e de honra e não perdura
diante da consciência e do tempo.
Sob
essa ótica, o "Caminho" não é uma rota de conquistas meritocráticas
onde se acumulam virtudes para obter recompensas, mas sim, um percurso de
"morte" daquilo que não tem futuro dentro de si mesmo. A ascensão
espiritual, portanto, deixa de ser uma escalada de poder para tornar-se o aurorescer
do "eu original", longe da inexata busca por tentar encaixar-se onde não
há cabimento.
A
ascensão autêntica está intimamente enlaçada à construção do bem, do justo e do
próspero para todos. Não se trata somente de atingir um objetivo pessoal, mas
sim, de garantir que os degraus subidos contribuam para um tecido social mais
saudável. A persistência diária, o enfrentamento do tédio e a capacidade de
manter o foco no que é certo, mesmo sob pressão, apontam quem é merecedor dos próprios
desígnios.
Por
tudo isso, as conquistas formidáveis que melhor vida oferta deixam de ser uma
validação externa para assumir-se como verdade interna inabalável: TODA
ASCENÇÃO REQUER NO MíNIMO MÉRITO. Nenhuma elevação real – seja ela espiritual,
moral, intelectual ou social – acontece por acaso ou por favorecimento, pois, é
fruto de preparação, determinação, esmero e, claro, da excelência dos
resultados auferidos.
Maranguape,
Ceará, 28 de Julho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

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