terça-feira, 28 de julho de 2026

TODA ASCENÇÃO REQUER NO MÍMINO MÉRITO

 

Ninguém vai ao céu senão por mim (João 14:6), concita-nos à razão do Mestre Jesus, que brada a plenos pulmões: TODA ASCENÇÃO REQUER NO MÍMINO MÉRITO. Porém, cobiçosamente, ela, também, aspira a aceitação de todos para ser e/ou exercer, com a mesma vivacidade que anseia por oportunidade. Tudo, que não seja isto, é a mais absoluta usurpação e tirania solapando qualquer boa-vontade.

 

Esse pensamento inequívoco meu contrapõe a lei do mérito espiritual à ilusão do desejo puramente humano de aprovação e poder. O apregoado pelo Mestre Jesus, sob essa ótica, deixa de ser vaziamente uma exclusividade dogmática para se tornar robustamente um landmark universal: “o Caminho, a Verdade e a Vida" representam o esforço íntimo e a transformação real necessários para qualquer ascensão.

 

O desejo humano clama por aprovação externa e domínio, ao passo que a mestria de Jesus propõe uma (re)evolução radical: a verdadeira ascensão ocorre através da renúncia ao "ego-sistema". Uma mudança de paradigma existencial, exigindo o abandono às ilusão do ego para o ingresso no "eco-sistema" do Reino, onde a vida plena se manifesta através do serviço e da verdade interior. Seja servido o que primeiro serviu.

 

Intentar exercer um papel e/ou ocupar uma posição sem o devido estofo moral e intelectual é, brutalmente, uma tirania. Forçar(-se) uma situação por mera ambição ou oportunidade conveniente, violenta o livre-arbítrio alheio e as próprias leis do equilíbrio; e o faz com tamanha virilidade que a ínfima faísca da vaidade se faz avassalador incêndio destruindo os valores que erigem o homem humano, que leva a humanidade sobre si.

 

Historicamente e filosoficamente, a tirania não se define meramente pela crueldade, mas, pela ausência de legitimidade e pelo exercício do poder sem o devido "estofo" ético, transformando a autoridade em opressão. A tirania remonta à Grécia Antiga, onde o termo "týrannos" designava especificamente um líder ilegítimo, independentemente de sua conduta inicial ser benevolente ou maligna.

 

Incontestável é, há milênios, que a essência da tirania reside na usurpação de uma posição sem o consentimento genuíno ou a capacidade moral para exercê-la. Ocupar um papel por mera ambição ou oportunidade, violando o equilíbrio natural e legal, inaugura um regime onde o livre-arbítrio da coletividade é anulado em favor da vontade unilateral do usurpador, estabelecido através do abuso de poder.

 

A falta de estofo intelectual e moral fomenta o usa da força, a instalação do medo e uso da coerção como mecanismos de controle, substituindo o estabelecido e acatado por todos pelo arbítrio pessoal. Essa violência contra o equilíbrio social ocorre pelo desprovimento das virtude e dos valores que o sustém, sem os qual não se consegue governar através do respeito ou da razão, restando apenas a imposição brutal.

 

A persistência da tirania sem estofo moral muitas vezes depende de uma "servidão voluntária" por parte dos oprimidos. Étienne de La Boétie defende que a tirania não se sustenta pela força do tirano, mas, pela consentimento dos governados.  La Boétie utiliza a metáfora do fogo e da árvore para ilustrar que, se o povo retirar o seu apoio ("a lenha"), a tirania consume-se a si mesma e fenece sem combate maior que este.

 

Permitir-se voluntariamente a um estado de servidão é uma forma de "morte em vida", uma negação do que é propriamente humano. Aceitar que a vaidade se transforme em um incêndio avassalador é torna-se cúmplice da destruição dos valores que a mantém a humanidade. Abster-se de apoiar e recusar-se a validar a autoridade ilegítima, desvela que a força da tirania é imaginária e fiduciária, portanto, tem data limite.

 

Adolf Hitler e Josef Stalin são manifestações de tiranias, alimentadas por ideologias excludentes e desejos de poder absoluto, que anularam o livre-arbítrio de milhões, além de causarem enorme demérito a humanidade. No caso de Hitler, a tirania nazista utilizou a propaganda e o terror para impor uma visão de mundo baseada na supremacia racial, resultando no Holocausto e na destruição da democracia alemã.

 

Buscar a aceitação de todos antes de construir o próprio valor interno é inverter a ordem natural das coisas. A autoridade moral não nasce do aplauso, mas do amadurecimento e da colheita legítima de esforços prévios. A semeadura é espontânea, porém, a colheita é obrigatória. A árvore-respeito tem, claramente, por semente o respeito a tudo que há estabelecido e a toda a coletividade que o estabelece. Dela colhe-se respeitabilidade.

 

Quando a validação externa precede o valor interno, nasce o refém da opinião alheia, perdendo sua bússola moral. A perda de referência, a "ditadura do relativismo" e a construção de verdades através das mídias sociais exacerbam essa crise, onde a verdade deixa de ser uma adequação da razão ao mundo objetivo para se tornar uma mera construção linguística voltada ao aplauso, à manipulação e ao controle.

 

Marco Aurélio, no filme Gladiador afirma, "Cômodo não tem moral!" e sintetiza a ideia de que o exercício do poder pede uma sólida base ética prévia. Justificar comportamentos transgressivos em nome do bem pessoal, ou de grupos específicos, substitui o senso moral coletivo e patrocina a desconfiança e a ruína institucional, contrariando o fato de que somente a amizade com a verdade faria legitima a autoridade.

 

A autoridade moralmente legítima diferencia-se notadamente do poder imposto ou da popularidade efêmera. Ela não emerge de valores unicamente sociológicos ou históricos, nem da capacidade de manipular narrativas para obter consenso. Pelo contrário, a autoridade deve permitir-se conduzir pela moral, e toda a sua dignidade virá do seu alinhamento com uma ordem moral transcendente e universal que atuará consigo.

 

O universo opera por sintonias e merecimento. Nenhuma conquista real se sustenta na base do privilégio ou do atalho. Subir degraus envolve entrega sincera e trabalho digno na construção do bem, do justo, do próspero e do feliz para todos. A ascensão autêntica liberta; a exigência de aceitação cega escraviza tanto quem a busca quanto quem é forçado a aderi-la. Denota voraz escuridão sucumbindo a luz.

 

Conquistas baseadas em privilégios injustos ou atalhos morais são frágeis, ainda que, ofereçam ascensão rápida, porém, não geram a liberdade interna que acompanha o trabalho digno. Essa dinâmica reflete ambiências onde a luz da autenticidade é sufocada pela conveniência. A exigência de aceitação cega cria dupla escravidão: agrilhoa buscadores da validação a qualquer custo e coage os forçados a compactuar com eles.

 

O verdadeiro merecimento não é um direito exigível, mas uma consequência natural de uma jornada íntegra. A única vitória que realmente ostenta mérito é aquela conquistada sem ofender ou ferir aqueles que cruzam nosso caminho, direta ou indiretamente.  Quando o sucesso é edificado sobre o uso do próximo como "escada", ele é vazio de dignidade e de honra e não perdura diante da consciência e do tempo.

 

Sob essa ótica, o "Caminho" não é uma rota de conquistas meritocráticas onde se acumulam virtudes para obter recompensas, mas sim, um percurso de "morte" daquilo que não tem futuro dentro de si mesmo. A ascensão espiritual, portanto, deixa de ser uma escalada de poder para tornar-se o aurorescer do "eu original", longe da inexata busca por tentar encaixar-se onde não há cabimento.


A ascensão autêntica está intimamente enlaçada à construção do bem, do justo e do próspero para todos. Não se trata somente de atingir um objetivo pessoal, mas sim, de garantir que os degraus subidos contribuam para um tecido social mais saudável. A persistência diária, o enfrentamento do tédio e a capacidade de manter o foco no que é certo, mesmo sob pressão, apontam quem é merecedor dos próprios desígnios.

 

Por tudo isso, as conquistas formidáveis que melhor vida oferta deixam de ser uma validação externa para assumir-se como verdade interna inabalável: TODA ASCENÇÃO REQUER NO MíNIMO MÉRITO. Nenhuma elevação real – seja ela espiritual, moral, intelectual ou social – acontece por acaso ou por favorecimento, pois, é fruto de preparação, determinação, esmero e, claro, da excelência dos resultados auferidos.

 

Maranguape, Ceará, 28 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


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