sábado, 19 de julho de 2025

UM TRIBUTO À LIBERDADE


Vemos no mito de Prometeu um efusivo questionamento sobre justiça, ética e o papel do etéreo na vida humana, a partir do qual melhor discernimos sobre a natureza da autoridade e o significado da liberdade. Afirmo que a liberdade de agir, de acordo com a própria vontade, requer consciência das consequências de atos praticados e vívido respeito aos direitos dos outros. Da mesma forma, a autoridade a obrigação de responder pelas ações tomadas e suas consequências. Portanto, à liberdade é imprescindível tanto a consciência da responsabilidade, quanto seu pleno exercício que a autoridade demanda.

A liberdade humana é um dom divino que impele à escolha entre o bem e o mal e isto é fundamental para o exercício da liberdade, apregoa Agostinho de Hipona (2). Por isso, a discussão sobre liberdade envolve a relação entre a liberdade individual e o bem comum, buscando um equilíbrio entre a autonomia do indivíduo e a harmonia social, como preceitua Rousseau (3). A liberdade é um conceito associado à autonomia, autodeterminação e capacidade de escolha do indivíduo, nele percebamos, pois, que a liberdade não é absoluta e pode ser limitada por lei, se necessário à proteção d’outros direitos fundamentais ou interesses coletivos. 

O princípio da legalidade estabelece que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. Ou seja, é-nos dada a capacidade de tomar decisões e de realizar escolhas sem interferência indevida de terceiros ou do Estado, desde que a usemos responsavelmente, dentro dos limites traçados (estabelecidos) pelo compasso (ordenamento jurídico). A liberdade é uma condição sine-qua-non à existência humana, assim sendo, “o homem está condenado a ser livre”, sentencia Sartre (4). Para isto, vencemos nossas paixões e submetermos nossas vontades, só assim progredimos a humanidade.

Humanidade, do latim do latim humanĭtas, é entendido de várias formas: refere-se à condição humana, à natureza intrínseca do ser humano e à capacidade de desenvolver qualidades como razão, ética e compaixão. Humanidade, também, é vista como o conjunto de todos os seres humanos, o gênero humano, ou ainda, a qualidade que distingue os humanos de outros seres. Assim, explorar a condição humana, analisando as condições da existência humana, como: o nascimento, a morte, a natalidade e a ação, e como essas condições moldam nossas experiências e ações, é o convite que nos Hannah Arendt (5)

Essencialmente, o ser humano é conhecido pela capacidade de raciocínio, linguagem articulada, desenvolvimento de culturas e tecnologias, além de possuir consciência de si e do mundo ao seu redor. A cultura, a história e as produções humanas são aspectos importantes para compreender o conceito de humanidade, pois, refletem a capacidade criativa e transformadora dos seres humanos. Práticas como o Ubuntu, que enfatizam a interconexão e a compaixão, contribuem sobre maneira para a compreensão da humanidade, pois, denotam a relevância das interações sociais e da responsabilidade mútua.  

Cumprindo dizer que o exemplo é a autoridade primaz, que cativa e compromissa mais que as palavras mais convincentes, pois, um conceito é uma ideia abstrata, ao passo que um exemplo ajuda a materializá-la. O termo exemplo deriva do latim “exemplum” e diz respeito a um feito ou comportamento que é tido como modelo a seguir ou, pelo contrário, a evitar, consoante se o perfil é positivo ou negativo. Do exemplo nasce os ícones ou símbolos, cuja representação visual serve para identificar algo ou até mesmo uma pessoa.  Cabe destacar que a História humana é plena de notáveis vultos que nos identificam e nos conceituam.

Neste influxo, a teoria da aprendizagem social, desenvolvida por Albert Bandura (5), desvela o papel da observação e da imitação no aprendizado. O comportamento observável, ou seja, o exemplo, é um fator importante na aquisição de novas habilidades e atitudes. Agir com integridade, ética, comprometimento, honestidade e responsabilidade inspira confiança e lealdade e estabelece uma cultura positiva. O exemplo de pessoas que praticam a justiça, a bondade e a solidariedade servem como um farol para aqueles que buscam uma conduta moralmente elevada. Como agimos reverbera quem somos pela eternidade.

Evoco, como vulto a ser contemplado e imitado, o soteropolitano LUIZ Gonzaga Pinto da GAMA, que viveu em São Paulo por 42 anos, onde morreu no dia 24 de agosto de 1882. Luiz Gama foi um dos fundadores da Augusta e Beneficente Loja Capitular América, à qual filiou-se aos 42 anos de idade, em 1º de agosto de 1870, sendo para esta Respeitável Loja seu Mui Bastante Venerável Mestre na 7ª, 8ª, 10ª, 11ª, 12ª e 13ª administrações, contando sempre com a aliança de muitos companheiros brancos que, ao seu lado, abraçaram suas lutas em prol da emancipação dos homens e, juntos, propugnavam valores antirracistas.

A Loja América, sob os auspícios de Luiz Gama, fundou escolas e bibliotecas para difundir o saber e gerar cidadania, a partir de cursos de alfabetização para crianças e adultos, em vários turnos, lhes ensinava "educação política" e democrática/republicana; garantindo, assim, a inclusão social de brancos pobres, mulatos, negros e indígenas, dentre outras classes de hipossuficientes. Curiosamente, Luiz Gama foi é único intelectual negro do nosso país que chegou a ser escravizado. Sua trajetória tem sido, de certa forma, comparada à do estadunidense Frederick Douglass. Um exemplo chama outro, como a vida atrai vida!

A leitura dos escritos de Luiz Gama, segundo a professora Ligia Fonseca Ferreira, “é de surpreendente atualidade: Há 150 anos, denunciou o racismo institucional, pregando valores antirracistas pelos quais hoje boa parte do mundo inteiro se mobiliza”. (6) Em um mundo onde o “vil metal” imbui e condiciona inescrupulosamente, labuta homens como Luiz Gama, instituindo a diferença entre o desencanto e a esperança em meio a uma cultura acintosamente mercantilista; empreendedoramente associando a boa vontade de seus iguais à ação otimamente projetada ao bem fazer à coletividade, a qual busca felicitar.

Luiz Gama adorna o conceito de “Homem Muses”, cuja expressão autêntica, não dependente de fontes externas de inspiração, pois, encontra motivação e criatividade em suas próprias experiências, pensamentos e sentimentos. Sua vida acessível e inclusiva, acolhendo a diversidade e dando-lhe sustentabilidade a partir da educação, lazer, reflexão e compartilhamento de conhecimento, rendeu-lhe a alcunha “o amigo de todos”. Faz-se mister preservar sua memória e História, como fonte de contemplação e apreciação que conecta o passado, o presente e o futuro e fulcra-o como patrimônio material e imaterial da humanidade.

Neste toar, aos 31 de Julho de 2025, quando festeja seus 14 meses de existência, a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS, presenteará toda a humanidade com o Museu da Liberdade, que é mais vívida transcendência dos ideais e ações de seu Patrono LUIZ Gonzaga Pinto da GAMA. Um espaço de acolhimento a quem busca o saber. Um equipamento de cultura, de educação e de compartilhamento de conhecimentos que alavanca a fraternidade abraçando a diversidade e garantindo sustentabilidade aos desvalidos da fortuna. Um abraço de pertencimento, que une propósitos, empodera e embeleza a sabedoria de sermos amigos de todos, como é Luiz Gama, ainda hoje e no porvir.

Maranguape, Ceará, 18 de Julho de 2025


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

 

_________________________________________

REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

(2) Aurélio Agostinho de Hipona, Sobre a Livre Escolha da Vontade (388 d.C)

(3) Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social (1762)

(4) Jean-Paul Charles Aymard Sartre, O existencialismo é um humanismo (1946)

(5) Hannah Arendt, A condição humana (1958)

(6) Albert Bandura, Teoria da aprendizagem social (1977)

(7) Ligia Fonseca Ferreira, Lições de Resistência: Artigos de Luiz Gama na Imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro (2020)

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...