quinta-feira, 30 de abril de 2026

VINTE E TRÊS MESES PASSAM E SEUS EFEITOS SÃO DIGNIFICANTES

 

Vinte e três meses de efusivo crescimento tanto conceitual, quanto quantitativo no tange aos confrades que sustentam esta ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS – AIMI, como nas formidáveis ramificação que transcendem desta plântula nascida para difundir a tradição cultural, sinergizar a tradição com o novel sempre in curso de formação no presente e, além disso, implementar cultura onde ele não existe.

 

Afirma Hélio Pereira Leite, seu Mui Bastante Presidente, que Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI é uma instituição maçônica de caráter cultural e literário, fundada originalmente como Academia Nacional de Maçons Imortais - ANMI em 31 de maio de 2024. O nome internacional é fruto de seu expansivo crescimento alargando as fronteira de sua atuação nas Américas e na Europa a partir do Quadro de Correspondentes no Exterior, com o primeiro nomeado sendo o maçom Alexandre Castro Ferrari, na Flórida (EUA), fortalecendo laços internacionais e promovendo a difusão da tradição maçônica em contextos globais.

 

Esse crescimento demonstra que a proposta de unir tradição e inovação preencheu uma lacuna vital no cenário cultural contemporâneo. Em vinte e três meses de existência, a AIMI consolidou-se como um espaço dinâmico de intercâmbio cultural, científico e literário dentro e fora do ambiente maçônico. A instituição destaca-se pela produção de projetos acadêmicos, literários e culturais, atuando na formação de conteúdo maçônico (livros, jornais, revistas) e realizando, inclusive, intercâmbios e homenagens internacionais.  Com funcionamento virtual, a AIMI utiliza tecnologias modernas para otimizar sua presença e difundir cultura onde ela não existe, conforme os objetivos de sua fundação.

 

A AIMI não apenas guarda o passado, mas atua como um agente ativo na construção do futuro intelectual e social, adotando o lema: “O nosso fardão é o avental”. Entre suas ações destacam-se:

 

  • Intercâmbio cultural entre academias maçônicas;
  • Videoconferências e encontros interacadêmicos;
  • Concursos literários;
  • Divulgação de obras e eventos maçônicos;
  • Criação do projeto Arquipélago Cultural Maçônico, com o objetivo de unir mais de 100 academias maçônicas de letras no Brasil e futuramente formar uma federação nacional

 

O Projeto Arquipélago Cultural Maçônico é uma iniciativa da Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI com o objetivo de integrar e fortalecer a rede de academias maçônicas de letras no Brasil. Ele busca unir mais de 100 academias em um sistema colaborativo de troca cultural, literária e filosófica, formando um verdadeiro "arquipélago" de instituições interligadas pelo ideal do aperfeiçoamento humano.

 

O projeto visa, a médio prazo, estruturar uma federação nacional de academias maçônicas, promovendo intercâmbios, videoconferências, concursos literários conjuntos e a divulgação de obras e eventos. A ideia é sinergizar tradição e inovação, estimulando a produção cultural dentro da maçonaria e expandindo sua influência para além dos templos, implementando cultura onde ela ainda não está presente.


O intercâmbio com outras academias dentro do projeto Arquipélago Cultural Maçônico, promovido pela Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI, funciona por meio de ações colaborativas como:

 

  • Intercâmbio cultural entre academias filiadas;
  • Troca de experiências acadêmicas;
  • Videoconferências e encontros virtuais;
  • Divulgação mútua de produções literárias e poéticas;
  • Promoção conjunta de eventos, como concursos literários interacadêmicos;
  • Divulgação de obras e eventos das academias parceiras.


O objetivo é romper o isolamento comum entre as academias maçônicas, transformando-as de "ilhas literárias" em uma rede interconectada — um verdadeiro arquipélago cultural. Para que isto ocorra, conta com seu formidável quadro de obreiros, aos quais disponibiliza alguns relevantes benefícios, como, por exemplo:

 

  • Diploma e insígnia: Todos os membros (exceto os adormecidos) recebem um diploma e uma insígnia como reconhecimento formal de sua condição, entregues em solenidade pública virtual.
  • Participação em projetos culturais: Os membros têm oportunidade de atuar em concursos literários, videoconferências, seminários, publicações e outras iniciativas culturais maçônicas.
  • Intercâmbio com outras academias: A AIMI promove conexões com outras academias maçônicas no Brasil e no exterior, ampliando o networking cultural e intelectual.
  • Inclusão no Arquipélago Cultural Maçônico: Os membros participam de uma rede colaborativa com mais de 100 academias, visando à criação de uma federação nacional.
  • Desenvolvimento pessoal e intelectual: Há estímulo à produção cultural, pesquisa e escrita em áreas como literatura, filosofia, história e ciências maçônicas.


As perspectivas da Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI para os próximos meses incluem:


  • Consolidação da transformação para academia internacional, ampliando a participação de membros no exterior e fortalecendo laços com maçons brasileiros em outros países;
  • Continuidade do projeto Arquipélago Cultural Maçônico, com o objetivo de integrar mais de 100 academias maçônicas de letras no Brasil e avançar na formação de uma federação nacional;
  • Realização de assembleias e encontros virtuais para aprovação de estatutos, eleição de diretoria e planejamento estratégico;
  • Expansão do Quadro de Correspondentes no Exterior, com novas nomeações de maçons residentes em países além das Américas e da Europa;
  • Intensificação de intercâmbios culturais, videoconferências, concursos literários e divulgação de obras entre academias filiadas.

Vinte e três meses passam e seus efeitos são dignificantes, pois, medem a trajetória de uma instituição imortal a partir da nobreza de suas ações no presente, como manifesta a Academia Internacional de Maçons Imortais – AIMI, que, em menos de dois anos, expandiu-se significativamente, promoveu intercâmbios culturais, lançou o projeto Arquipélago Cultural Maçônico e fortaleceu laços entre academias maçônicas no Brasil e no exterior. Sua atuação foca na valorização do conhecimento, da ética maçônica e da colaboração cultural, sem fins lucrativos, alinhando-se a ideais de serviço, lealdade e responsabilidade.


Maranguape, 30 de Abril de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O FILHO DO FARMACÊUTICO MANUEL E DONA DORA FEZ-SE HISTÓRIA

 

O ano 1935 emergiu revolucionário dando vida ao Programa Nacional, hoje denominado “A Voz do Brasil. um marco fundamental na comunicação, política e cultura brasileira, sendo o programa de rádio mais antigo do país e do hemisfério sul ainda em exibição. Criado em 22 de julho de 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, o programa tem um caráter cívico, focando em narrar eventos da história nacional e promover a unidade do país.

 

Dotado de uma pontualidade britânica, o programa garantia que o mesmo conteúdo informativo chegasse a todo o território nacional, das 19h às 20h, além de inaugurar um canal direto de comunicação com as massas, sem filtros da imprensa privada, promover o civismo e a cultura brasileira. Em sua fase inicial, dedicava espaço para músicas brasileiras consideradas de "bom gosto" para a época. Enlevou-se a patrocinador da integração nacional.

 

Apesar de ser popularmente chamado de "fala sozinho" pelos críticos que viam suas transmissões como um extensão da ditadura, o programa foi essencial para moldar a opinião pública e criar um senso de unidade nacional durante um período de profundas transformações no Brasil. Hoje, o programa evoluiu para A Voz do Brasil, mantendo a obrigatoriedade de transmissão para divulgar os atos dos três poderes da República.

 

No Ceará, no ano 1935 o Bode Ioiô entrou para a história cultural do Estado ao ser incorporado ao acervo do Museu do Estado. Chegado em 1915, vindo do interior com retirantes da seca, e foi adquirido pela empresa britânica Rossbach Brazil Company. Ganhou o nome "Ioiô" por percorrer diariamente o trajeto entre a Praia de Iracema e a Praça do Ferreira. Era frequentador assíduo dos cafés e teatros, além de amigo dos boêmios, tornando-se mascote da cidade.

 

O Bode Ioiô é uma das figuras mais folclóricas e símbolos da irreverência popular cearense, representando a inteligência e o protesto da população que nele votou para vereador de Fortaleza neste início do século XX. Após sua morte em 1931, foi taxidermizado (empalhado) e é uma das peças mais importantes do Museu do Ceará. Além do Museu do Ceará, existe o Museu do Bode Ioiô (inaugurado em 2022) que preserva sua memória.

 

O Bode Ioiô que é tema de cordéis, músicas de carnaval é considerado um símbolo da irreverência e do humor do povo cearense. Pela primeira vez em quase 100 anos, o bode saiu de Fortaleza para ser tratado no Museu de História Natural do Ceará (MHNCE), em fevereiro de 2024. O trabalho que durou 15 dias foi conduzido pelo taxidermista Emerson Boaventura e oportunizou o documentário "O Restauro do Bode Ioiô" lançado em janeiro de 2025.

 

Em 1935, a Ponte Velha do Poço da Draga (atualmente Ponte Metálica) funcionava como o principal porto da cidade de Fortaleza, reconstruída em concreto em 1929. O porto do Mucuripe ainda não havia assumido o papel principal. A revista Vida Doméstica de maio de 1935 descreveu Fortaleza como uma cidade em progresso, destacando a hospitalidade cearense, a quantidade de colégios e a organização da cidade.

 

Economicamente, a produção municipal era diversificada, abrangendo 11 fábricas de tecidos, 5 de calçados, 6 de bebidas, 5 de torrefação de café e 12 de panificação, com a agricultura focada em cereais, farinha de mandioca e açúcar. Na área esportiva, o Fortaleza Esporte Clube, então com 17 anos de fundação (1918), ainda usava o nome original de Fortaleza Sporting Club; a mudança para o nome atual só ocorreria em 1940.

 

A paisagem urbana incluía a movimentação característica da época, documentada em registros fotográficos como os de Robert S. Platt, que retrataram a movimentação na Praça do Ferreira – que se tornava como o coração social e político. A cidade possuía uma frota ativa de 54 ônibus, 80 automóveis de praça, 128 caminhões de praça e 115 bicicletas, conectando bairros como Messejana e Porangaba

 

Fortaleza vivia um período de intensa transição urbana e política sob o governo de Felipe Moreira Lima. A cidade já superava os 126 mil habitantes e a área leste da cidade começava a se desenvolver, com destaque para a área da Aldeota (então grafada "Aldeiota"). Neste ano (1935) deu-se a gênese dos primeiros edifícios de apartamentos, mudando o perfil arquitetônico até então horizontal da cidade, iniciando uma tendência de 1935 a 1986.

 

Em 1935, o bairro que hoje conhecemos como Joaquim Távora era chamado popularmente de Piedade, embora oficialmente esse nome nunca tenha existido nos registros formais da prefeitura como um bairro autônomo na época. Era administrativamente parte do distrito de Alto da Balança, que posteriormente foi anexado ao distrito sede de Fortaleza. O nome vinha da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, o principal ponto de referência da região.

 

Em 1935, a área era composta por antigas propriedades rurais e vilas que ainda não formavam um bairro unificado com denominação oficial única. Na região, lagoas e corpos d'água naturais ou seminaturais permitiam a pesca para o abastecimento doméstico. Nomes populares como Piedade, Vila Monteiro e Vila Zoraide, que ainda existiam como unidades distintas antes de serem incorporadas ao núcleo que em décadas seguintes chamar-se ia Joaquim Távora.

 

A área era estratégica por onde passava uma das primeiras linhas de bonde da Companhia Ferro Carril do Ceará, conectando Fortaleza a Messejana. Essa infraestrutura facilitava o deslocamento de moradores, especialmente os que trabalhavam no centro funcional, cuja locomoção era centrada na Praça do Ferreira. Existia ali o "Parque Americano" (situado entre a Rua Padre Valdevino e a Piedade), um ponto de lazer que marcou a época.

 

Fortaleza, em 11 de janeiro de 1935, atingiu a maior temperatura já registrada (35,2 °C) na década de 1930, enquanto a menor foi de 17,7 °C em agosto do mesmo ano, segundo o INMET. Neste interim, nasce Zelito Nunes Magalhães, filho do farmacêutico homeopata Manuel Nunes Magalhaes e Maria Dora da Silva, herdando do pai alteridade e altruísmo e da mãe determinação e coragem. Atributos que o distinguem desde sua mais tenra idade.

 

Predestinado, Zelito recebeu suas primeiras letras na escolinha de Dona Gloria – que mais passaria a chamar-se Escolas Reunidas do Arraial da Glória – na Rua da Bomba – hoje Rua João Brígido, exatamente à frente de sua residência. Aos trezes anos (1948) encantou discentes e docentes com a poesia “O Sol” com a qual enaltecia a diretora da escola, Dona Mariinha que aniversariava. “O Sol trouxe à luz o talento inato do menino Zelito.

 

Notabilizado em toda a Piedade por seu veio literário fértil e cativante, na Semana Santa daquele ano (1948), Zelito foi convidado a redigir “O Testamento de Judas” onde, em três laudas, determinou que receberia heranças de Judas. Foi seu primeiro texto que já dava mostras de sua habilidade literária. Uma arte que jamais extinguiu sua inventividade e capacidade de tornar notória a cultura popular cearense.

 

No ano de 1953, sob a liderança de Roberto Átila do Amaral Vieira – que mais tarde viria a ser Ministro de Ciência e Tecnologia (2004) – Zelito e seus pares Cid Saboia de Carvalho, Linhares Filho, Sânzio de Azevedo, Carvalho Nogueira e Antonio Pompeu, dentre outros, fundaram a Academia dos Novos – do Liceu do Ceará – que representava o topo do aprendizado “liceuista”, onde se depositava a excelência e se formava a "elite mandatária" da região.

 

A academia era o espaço onde os "liceuistas" debatiam literatura, filosofia e política, muitas vezes servindo de berço para futuros escritores e políticos renomados do Ceará. E frutos colhidos eram compartilhados com o público estudantil e geral a partir do periódico “O Democrata”, órgão oficial do Centro Liceal de Educação e Cultura (CLEC), era editado por alunos que faziam parte da elite intelectual do Liceu do Ceará e da Academia dos Novos.  

 

A “ACADEMIA DOS NOVOS” nasceu do espírito criador de um pugilo de jovens protagonistas e audaciosos, como Zelito, cujas vitórias alcançadas transmitem a força expressiva da Poesia como vetor de transformação das sociedades e do mundo. O esmero e a proficuidade desta arcádia repousam na abnegação e coragem de Sidney Neto a serviço do futuro do Ceará e da Nação Brasileira: ensinando os caminhos, onde os sonhos e se realizam.

 

No ano de 1955, a Academia dos Novos compôs “Peque na Antologia”, que foi editada pela Editora Instituto do Ceará. Trazia um “Prólogo” com a assinatura do presidente que dizia nas suas palavras iniciais: A “ACADEMIA DOS NOVOS” apresenta à mocidade e aos homens de letras de nossa terra esta ANTOLOGIA, primeira mensagem de fé literária no momento atual de decadência e utilitarismo imediato.

 

Vitorioso no concurso de reportagem promovido pelo vespertino “O Povo”, Zelito, aos 23 anos, encontrou-se com seu companheiro mais fiel, que com ele construiria seu invejável legado: o jornal. No ano de 1959, mais precisamente na edição de 14 de setembro, saía o seu primeiro artigo de sentido literário – Dois Escritores, onde comentava sobre o romance “A Beata Maria do Egito”, de Raquel de Queiroz e “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado.

 

Essencialmente trovador, em 1959, Zelito presentou aos cearenses com um pequeno opúsculo poético – “Canções de um Menestrel” editado pelo Monitor Comercial. A obra é um pequeno volume de poesias que marcou o início da trajetória literária do autor na cultura do Ceará. Ela reflete o lirismo inicial do autor, abordando temas como a paz, o amor e a sensibilidade do "menestrel", prenunciando o que Zelito viria a desempenha futuramente.

 

Ainda que dissolvida a “Academia dos Novos”, pois, seus fundadores rumaram ao futuro por caminhos diferentes, embora entrecruzados por vezes, Zelito jamais afastou-se do mundo cultural cearense, principalmente, da Casa Juvenal Galeno, que serviu de “startup” para a Academia dos Novos sob a Mestria de Sidnei Neto e com o apoio moral, intelectual e estrutural da Família Galeno – fomento que viceja nos dias atuais a bem da cultura do Ceará.

 

Frequentador assíduo dos saraus promovidos por Dona Henriqueta Galeno, Zelito, destaca o “Natal dos Poetas” onde se ouvia os mais ilustres bardos, como Filgueiras Lima, Sidney Neto, Carlyle Martins, Dolores Furtado, Pedro Bandeira (poeta popular e folclorista do Cariri) Cruz Filho (que detinha o título de Príncipe dos poetas Cearenses), além de Euclydes Cesar, fundador da Academia Polimática, cujo lema era:” Amai-vos e educai-vos uns aos outros”

 

Com o falecimento de Dona Henriqueta Galeno em 1964, a Casa de Juvenal Galeno passou a ser gerida por sua sobrinha Nenzinha Galeno, cuja percepção humanista voltada para as letras a fez protagonizar novos desígnios para a casa. Sabedor da morte do Cego Aderaldo (1967), Zelito, ancorado por Nenzinha Galeno e Rogaciano Leite promoveu na Casa de Juvenal Galeno a “Noite dos Cantadores”, onde a musicalidade cearense homenageou o Ilustre Cego.

 

Cativada com a sonoridade cearense que cativa a alma e anuncia o futuro, em 11 de novembro de 1969, Dona Cândida Maria Santiago Galeno cria a União Brasileira de Trovadores, com o objetivo de cultual, preservar e disseminar esta arte popular arraigada na Terra da Luz desde o Brasil colônia. Sua diretoria foi assim composta: presidente Vasques Filho, secretária Nenzinha Galeno e diretores: Carlyle Martins, Zelito Magalhães, César Coelho, dentre outros.

 

Essencial mobilizadora cultural, Dona Cândida Maria Santiago Galeno (Nenzinha Galeno) instituiu a Editora Henriqueta Galeno (1965), cuja gestão gráfica ficou a cargo do operoso Oscar Moreira. A editora produziu incontáveis livros de intelectuais da terra, além de jornais, revista e outros impressos, inclusive, a Antologia do Clube dos Poetas de 1970 (também referenciada como Antologia dos Novos Poetas do Ceará), na qual figura o Poeta Zelito.

 

Essa antologia foi um marco importante na literatura cearense da década de 70, reunindo membros de um grupo literário fundado originalmente por alunos do Colégio Liceu do Ceará em 1955. O Clube dos Poetas do Ceará efloresceu entre as décadas de 1970 e 1980, tendo como primeiro presidente o poeta Carneiro Portela. Portela levou o nome do Clube a todo o Brasil, até do exterior chegavam cartas de elogios e boas-vindas à agremiação.


O Clube dos Poetas do Ceará funciona como um espaço de intercâmbio e divulgação para artistas independentes e veteranos, servindo de palco para figuras como Luciano Arruda e Zelito Magalhães, ajudando a consolidar a carreira de diversos articuladores das palavras na formação do verso. Apoiado pela Casa de Juvenal Galeno, serviu de berço para diversos poetas locais, como o icônico Mário Gomes e muitos outros luzidias figuras cearenses.

 

Cônscio de que um “homem de letras” deve aprofundar-se no conhecimento de si mesmo, Zelito passa integrar o quadro de Construtores Sociais da Maçonaria (1993), onde desconstruiu a si mesmo das indiscrições mundanas, para que a espiritualização de si lhe apresentasse o formidável mundo dos homens justos e perfeitos. Na Maçonaria, Zelito, mais uma vez, rutilou seu talento in nato escrevendo a “História da Maçonaria no Ceará” em 2008.

 

Incontestavelmente, a história da maçonaria cearense está profundamente interligada à história do Ceará, com atuação marcante nos principais movimentos políticos, sociais e culturais do estado desde o início do século XIX. Os maçons cearenses foram fundamentais para que o Ceará se tornasse a primeira província brasileira a abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, ancorando a Sociedade Cearense Libertadora em suas moções.

 

A primeira loja regular, "Fraternidade Cearense n° 136", foi fundada em 1º de dezembro de 1859, funcionando no endereço mais antigo da maçonaria cearense, marcado por Adolfo Herbster em 1888. Essa loja reuniu intelectuais e políticos como Antonio Bezerra de Menezes, João Cordeiro, João Brígido, Justiniano de Serpa, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, Araripe Junior, dentre muitos outros abnegados Construtores Socias.

 

A maçonaria no Ceará teve, portanto, grande capilaridade, defendendo ideais de liberalismo, republicanismo e o Estado laico, além de atuar em confrontos com a Igreja Católica no final do século XIX, a partir de instituições como a Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará foi fundada em 19 de março de 1928, o Grande Oriente do Brasil do Estado do Ceará (GOB-CE) foi fundado em 24 de agosto de 1937 e o Grande Oriente do Estado do Ceará, fundado em 2 de junho de 1973.

 

Venturoso, Zelito ao idealizar a Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará – AMLEC buscava estabelecer um elo entre os intelectuais maçons e a sociedade em geral, fulcrar o lema de união da "Arte Real" (Maçonaria) com o cultivo das letras e das artes. A AMLEC foi fundada em 4 de junho de 1997, em Fortaleza, Ceará, conforme registros cadastrais, e, desde então fomenta a produção da literatura de caráter maçônico e geral para a posteridade.

 

Gratamente reconhecido, Zelito é intitulado Historiador pela Grande Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará, circunscrita à Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, com fulcro no diploma exarado no dia 29 de maio de 2004. Neste mesmo ano, Zelito ascende à presidência da Associação Cearense de Imprensa – ACI. Sua primeira iniciativa foi a criação o ACI Informativo que divulgaria os feitos da entidade desde seu cioforria em 1925.

  

A Associação Cearense de Imprensa (ACI) desempenha um papel fundamental no estado do Ceará, com uma trajetória de 100 anos (completados em 2025) focada na defesa do jornalismo, na preservação da memória histórica e na articulação profissional. A instituição é testemunha dos ciclos políticos e sociais do Ceará, sendo parte da memória coletiva da imprensa cearense, além de defensora perpetua dos interesses do povo do Ceará.

 

Propositalmente, Zelito reservou a última página do jornal para a História da ACI, que foi narrada em sínteses em 26 edições dando conhecimento aos leitores sobre a vida da entidade desde sua cioforria. Como modus de preservação da memoria da instituição, criou a galeria dos presidentes: César Teles de Magalhães, Gilberto Câmara, Aldo Prado, Teodoro Cabral, Kerginaldo Cavalcanti de Albuquerque, Perboyre e Siva, inclusive Zelito e quem vier depois.

 

Hoje, aos 91 anos, Zelito é um referencial da cultura popular cearense. Presidente de Honra e Ad Aeternum da Academia Cearense de Literatura, sua última criação, instituída em 19 de Janeiro de 2019, que reúne intelectuais maçons e não maçons na continua busca da preservação da memoria cultural, da incentivação à inventividade nas artes, principalmente, na literatura, e da disseminação do fértil veio cultura do Estado do Ceará.

 

Maranguape, Ceará, 24 de Abril de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista CRP/MTE nº 0005168/CE

quarta-feira, 22 de abril de 2026

CORRESPONDER

 

Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu nome, a correspondência é responsável pela similitude e pela equanimidade ao estabelece que há uma correspondência entre os diferentes planos da existência (físico, mental e espiritual). Para físicos, como Niels Bohr, a física quântica deve reproduzir a física clássica no limite de grandes números quânticos (órbitas grandes e altas energias). O princípio da bijeção, na matemática, enuncia que havendo correspondência biunívoca, dois conjuntos são equivalentes, ou seja, quando cada elemento de um conjunto está associado a, pelo menos, um elemento do outro. Se a física explica a vida e a matemática calcula este viver, a correspondência determina a coerência.


A Lei (ou princípio) da Correspondência preceitua a relação direta entre as leis que regem os planos da realidade, o que permite ao ser humano usar o raciocínio analógico para desvendar mistérios da natureza. Por exemplo, sistema solar é análogo ao átomo: o núcleo (como o Sol) é cercado por elétrons (como planetas), da mesma forma, os rios e correntezas são comparadas à corrente sanguínea e esta às correntes marítimas, por conseguinte; as sociedades, neste influxo, refletem a complexidade dos organismos biológicos, sendo chamadas de organismos sociais. Essas analogias não indicam identidade, mas, semelhança estrutural, o que é o cerne deste princípio que, também, da vida à ciência contábil animando-a na fluidez com que as partidas dobradas registram os movimentos materiais e financeiros das empresas e instituições.


Presente na filosofia quando diz: “conheça-te a te mesmo e conhecerás os deuses e o universo, pois, se o que buscas não achares primeiro em ti, não o acharás em lugar algum”. Religadora com o sagrado ao reconhecer: “assim na terra como no céu”. Interdependente, ao confirmar: “é dando que se recebe”. A correspondência, com o carbono, reúne em si tudo que há criado vicejando toda a criação. Não é mera analogia, é um princípio organizador que assegura que o universo seja inteligível. Assim, ao buscarmos correspondências entre o visível e o invisível, o micro e o macro, o simbólico e o real, estamos, efetivamente, construindo coerência no entendimento da existência. Nesse sentido, o papel carbono torna-se uma metáfora poderosa: assim como ele transfere fielmente uma imagem de um suporte para outro, a realidade sensível "imprime" o padrão do inteligível.


A inteligibilidade do universo, portanto, não é um acidente, mas, uma consequência de sua estrutura profunda. Ao buscarmos correspondências, não estamos apenas interpretando o mundo – estamos reconstruindo sua coerência, alinhando nosso pensamento com o princípio organizador que o rege. É um ato de conhecimento, mas também, de participação ética e ontológica na ordem do todo. O mundo, segundo o Princípio da Coerência, é compreensível porque é regido por uma lógica interna que integra o Uno e o Múltiplo: a coerência não elimina a diversidade, mas a organiza. A correspondência entre diferentes domínios – como o simbólico e o real – é uma forma de participar ativamente desse processo de organização racional. Com diz Plotino: “o mundo sensível (mutável e espacial) é a imagem do mundo inteligível (imutável e anespacial).


Corresponder é preciso, claro! E somos esperados correspondestes às expectativas para nós traçadas por nossos pais, tios, avós, que em médio prazo serão acrescidas padrão médio esperado para um bom amigo, aluno, religioso, profissional, esposo, pai, etc. Expectativas não faltam, mas, correspondências a estas, por vezes, faltam e frustram a nós, pois, para sermos nós mesmos não fizemos felizes a muitos; a outrem, pois, creem ter esperado demais de nós. Talvez por isso, no primeiro quinto de nossas existências nada nos importamos em sermos aquele projetado e esperado por todos que nos órbita. E lhes combatemos com a mais vivaz irreverência e brava autenticidade, ao passo que as regras da coerência são apregoadas e sedimentadas das formas mais inusitadas para a correspondência inaugure a harmonia e o feliz convívio.


Cônscios que corresponder envolve a busca por equilíbrio entre atender às expectativas alheias e manter a fidelidade a si mesmo, pois, é uma marca da formação da identidade, particularmente na juventude. Com o tempo, a necessidade de convívio social exige certa coerência – não apenas textual, mas existencial. A vida em sociedade exige consistência nas atitudes e nos valores. Essa coerência, no entanto, não precisa ser uma submissão às expectativas alheias, mas pode surgir de uma escolha consciente de princípios pessoais. O desafio está em construir uma vida que faça sentido internamente, mesmo que não corresponda inteiramente ao que os outros esperavam. Nesse ponto que a harmonia verdadeira surge: não da conformidade, mas, do alinhamento entre o que se é e o que se faz, antes de assumir papéis sociais mais estáveis.


Chegamos ao segundo quinto de nossas vidas equilibrando dois pratos. De um lado, o desejo de não decepcionar quem amamos, etc; de outro, a necessidade vital de não nos trairmos. A "brava autenticidade" do início da vida – quase um instinto de sobrevivência do "eu" antes que as camadas de expectativas sociais nos soterrem – há muito foi domesticada pelas regras da coerência e sob a necessidade emergente de corresponder para evoluir e conviver. A ironia é que a harmonia e o convívio, muitas vezes, são vendidos ao preço da nossa própria descaracterização. Para sermos aceitos, corremos o risco de nos tornarmos estranhos para nós mesmos. E, quando decidimos ser nós mesmos, lidamos com o peso da frustração alheia – como se tivéssemos quebrado um contrato que jamais assinamos, mas, que herdamos se opção de recusa.


Alcançamos a maturidade emocional com a qual gerenciamos coerentemente a vida correspondendo com ela aos projetos e expectativas de progresso, de alegrias e, principalmente, de crescimento. Embora essa condição não implica ausência de dor ou sofrimento, manifesta a capacidade de tolerar frustrações inevitáveis sem se abalar excessivamente ou descontar emoções negativas nos outros. Pessoas com essa maturidade assumem responsabilidade por seus sentimentos, aprendem com os erros e fracassos, e buscam a realização de seus projetos com ousadia e resiliência, entendendo que cada obstáculo é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. A maturidade jamais será um ponto de chegada, mas, sempre será a capacidade de gestão coerente, que muda o jogo e transforma a vida.


Maduros ou não, chegamos ao quinto quinto de nossas vidas com o lombo ardendo por conta das admoestações da coerência sempre normatizando procedimentos para que a correspondência nos faça felizes na devida proporção da alegria que causamos a outrem. É dando que se recebe. Nem sempre, pois, por vezes, sentimo-nos que ofertamos e entregamos muito mais do que jamais receberemos. Alguns de nós, nesta fase da vida, se libertam acreditando que seus esmerados esforços construíram castelos suntuosos no céu. E, assim, param de contabilizar os lucros não gerados pela correspondência empregada. Porém, há muitos que retornam às irreverências do primeiro quinto de vida e com toda força e vigor destroem dia a dia os legados construídos a duras penas e sacrifícios impelidos pela necessidade de corresponder.


Revoltados por não poderem mais exercer a imagem que criaram ao longo da vida, ainda assim, a buscaram fazer notabilizada ao custo de a fazerem desvalorizada, ojerizada e hostilizada. Simplesmente, morrem ainda que vivos, pois, sua insânia não lhes permite ver que na maturidade, até os tropeços viram "matéria-prima" para evolução, em vez de apenas frustração. É o equilíbrio entre o que projetamos e a nossa habilidade de lidar com a realidade como ela se apresenta. É o momento em que a correspondência nos oportuniza responder à vida de forma íntegra e autêntica e não de fazer ruir por mãos próprias e agências que pouco levam em conta o que nossas robustas imagens de homens e mulheres exemplares ainda representam.


Corresponder é necessário mais do que nunca. Precisamos corresponder à nossa essência mais[intima neste quinto quinto de nossas vidas, pois, neste momento a expectativa do por vir é unicamente nossa e não a devemos poluir com os eflúvios já manifestados, sejam estes gloriosos ou não. Abraça-nos a coerência com toda primazia de sua mestria, mais uma vez vetorizando os caminhos para que alcancemos a correspondência conosco mesmos, longe de troféus antigos ou a cicatrizes que já não deveriam doer, já que ambos podem ser igualmente cegantes. A correspondência deixa de ser com o mundo, com a carreira ou com as expectativas alheias, e passa a ser um diálogo privado. É o momento em que o "ser" finalmente vence o "parecer". Nessa etapa da colheita e da síntese passamos por uma espécie de limpeza espiritual e emocional.


Maranguape, Ceará, 22 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista CRP/MTE nº 0005168/CE

terça-feira, 21 de abril de 2026

A LEITURA FAZ HOMENS PROBOS

 

Neste dia 21 de abril reafirmamos a maçonaria como guardiã e oportunizadora da cultura desde tempos imemoriais, cujo foco reside no aprimoramento intelecto-moral de seus membros, a quem responsabiliza pela preservação das tradições simbólicas, ao passo que os incita o livre pensamento e valorização do estudo das artes, ciências e humanidades. Ela é um espaço composto por "livres pensadores" e amantes da cultura moral, buscando a investigação da verdade.

 

Tradicionalmente associada à "nata intelectual", historicamente, aqueles que sustém a Maçonaria influenciam a cultura e política, como agentes do progresso e “espelhos” que transmitem os conhecimentos que trazem consigo em suas movimentações sociais, com o objetivo de estabelecer uma cultura educacional e de boa conduta, onde o bem-estar do gênero humano e a elevação espiritual são lumes principais da existência maçônica.

 

Como uma "escola de vida" que tenta transformar o homem em um ser mais culto e ético para que ele, individualmente, melhore a sociedade onde está inserido, a maçonaria finda por ultrapassar os limites de seus palácios e templos, assumindo a forma das antigas academias sob o lema "inutilia truncat" (cortar o inútil), eliminando os excessos formais das potências e templos maçônicos, dando vida e foco ao culto do Trivium e ao Quadrivium.

 

O conceito remonta à Grécia Antiga, especificamente à escola de filosofia e ciências fundada por Platão, conhecida como os "Jardins de Academus”. Eram agremiações, tertúlias ou sociedades cultas formadas por intelectuais, escritores, poetas e artistas, com o objetivo de cultivar letras, artes e ciências, promover trocas intelectuais, além de buscar preservar o legado intelectual e perpetuar a memória de seus membros (os "imortais").

 

As academias literárias modernas, consolidadas na Europa (especialmente Itália, França e Espanha) entre os séculos XVI e XVII, servem como centros de resistência ou promoção de normas linguísticas e literárias. Responsáveis pela institucionalização do campo literário e pela organização do pensamento intelectual em diferentes épocas, são guardiãs do patrimônio artístico da humanidade e sua principal comunicadora ao gerações por virem.

 

Propositadas a unir "letrados" para debates, produções literárias, preservação da língua e promoção de atividades culturais em um ambiente de prestígio, emergiram no Brasil a Academia Brasílica dos Esquecidos – fundada na Bahia em 1724 –; a Academia dos Seletos – fundada no Rio de Janeiro em 1752 –; e a Academia dos Renascidos – fundada na Bahia em 1759. Rutilantes exemplos de agremiações que buscavam cultivar a erudição em solo colonial.

 

Com o tempo, o modelo evoluiu para instituições permanentes de estado ou de grande relevância nacional. A Academia Cearense de Letras (ACL) foi fundada em 15 de agosto de 1894, em sessão solene na "Fênix Caixeiral", em Fortaleza, sendo a mais antiga academia de letras do Brasil, criada antes mesmo da Academia Brasileira de Letras, que foi fundada em 1897 sob a imagem da Academia Francesa, com 40 membros perpétuos conhecidos como "imortais".

 

Dispostas a incentivar a leitura e a escrita, além de zelar pela norma culta da língua pátria, as academias artístico-literárias eflorescem decididas a cumprir seus propósitos essenciais e a aurorescer a cultura do Brasil promovem concursos literários, publicações de obras e eventos culturais para fomentar a produção literária e o hábito da leitura. São espaços de legitimação simbólica e reconhecimento cultural, descentralizando atividades para escolas e universidades. 

 

Unindo tradição e reinvenção no cenário contemporâneo, as academias garantem que obras importantes não sejam esquecidas, salvaguardando a herança literária brasileira, mantendo viva a presença de seus patronos para as futuras gerações. Embora historicamente acusadas de elitismo, as academias contemporâneas buscam adaptar-se ao mundo globalizado e digital, superando o corporativismo e tornando-se espaços mais inclusivos de diálogo cultural.

 

Seguindo à risca os passos de suas congêneres, emerge a Academia Maçônica de Letras do Brasil (AMLB) com o desígnio de ser um marco de referência nacional, inspirando a criação de academias maçônicas de letras em diversos estados brasileiros com as quais coexistiria em perspicaz e proeminente sinergia sob o proposito incentivar a leitura, pois, “a leitura faz homens probos”, afirma Morivalde Calvet Fagundes, seu primeiro presidente.

 

Fundada em 21 de abril de 1972, no Rio de Janeiro, e instalada em 24 de junho do mesmo ano, a Academia Maçônica de Letras do Brasil (AMLB), ainda que inativa nos dias atuais, é a essência que anima todas as academias maçônicas nascidas abaixo de sua sombreira e copa em todo território brasileiro, alimentadas pelos doces frutos de suas experienciações e êxitos enquanto em profícua atividade, enlevando a leitura como o vetor de transformação social.

 

Assim, celebrar o Dia da Academia Maçônica de Letras do Brasil (21/04) é, não somente (re)acender as luzes dos seus feitos em prol do desenvolvimento humano maçônico, mas, principalmente, festejar a união dos maçons dedicados à literatura, pesquisa histórica e filosofia, pois, a eles compete o resgate, a valorização e a guarda da História da Maçonaria no Brasil. Também, é momento de incentivar a literatura e as artes que reflitam princípios éticos e humanistas.

 

Maranguape, Ceará, 21 de Abril de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

TIRADENTES E OS HERÓIS DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

 

Neste dia 21 de abril relembramos os heróis brasileiros que, em 1789, ergueram da justiça a clava forte para criar uma república no Brasil, implementar a liberdade comercial, acabar com os impostos excessivos e formar universidades, protagonismos que a médio e longo possibilitaria ao Brasil similitudes com o velho mundo. Falar da Inconfidência Mineira requer que evoquemos Hipólita Jacinta Teixeira de Mello, a mais rica proprietária rural na região do Rio das Mortes, em Minas Gerais, no Brasil, que se destacou por seu envolvimento neste movimento, sendo uma das mulheres pioneiras do panteão da, também, assim chamada Conjuração Mineira.

 

Deste providencial rompimento da dependência com as metrópoles no velho mundo, emergiria uma identidade de agências genuinamente brasileira. As propostas sociais dos inconfidentes, embora limitadas a um caráter elitista, indiretamente trariam incontestáveis melhorias às condições de vida, a médio e longo prazos: educação de base como forma de alavancagem de universidades, implantação de hospitais atrelados às universidades favorecendo com isso as pesquisas e descobertas de novos fármacos e métodos de tratamento de endemias e epidemias, industrialização que oportunizaria empregos e melhor distribuição de renda.

 

A Inconfidência Mineira emergia e ganhava forças sob os auspícios Arcádia Ultramarina, criada com a finalidade de inspirar o povo a enfrentar desafios diários e a lutar por causas importantes, representando a coragem e a busca pela liberdade, tendo por lema um fragmento do verso 27 das Éclogas do poeta romano Virgílio: “Libertas Quae Sera Tamen” que significa "Liberdade, ainda que tardia".   Cativada pelos ideais humanistas vindos do Iluminismo Dona Hipólita Jacinta, tão bravamente quanto a rainha amazona que lhe empresta o nome, envidou o melhor dos seus esforços para que a inconfidência lograsse êxitos total.

 

Hipólita, não somente financiou diversas iniciativas revolucionárias da Arcádia Ultramarina, como também, cedeu-lhe sua fazenda da Ponta do Morro para que lá se reunissem os inconfidentes. Destemida, Hipólita é autora da carta que denúncia Joaquim Silvério dos Reis com traidor. “Mais vale morrer com honra do que viver com desonra”, afirma Hipólita em carta que enviou ao Padre Toledo dizendo-lhe da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro, em 1789. Voz altiva e exemplo-mor de defesa da liberdade, da independência, da república, da democracia e da equanimidade das relações, Hipólita, a partir da Lei Federal nº 15.086/2025, é reconhecida Heroína do Brasil.

 

Apesar de não ser um intelectual, Tiradentes, por sua paixão ao defender o nacionalismo face a usura europeia, atraia a atenção de personalidades intelectuais como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, ambos poetas e conhecedores das ideias filosóficas do iluminismo francês, que a pedido do engenheiro de minas José Alvares Maciel Filho, acolheram Tiradentes na Arcadia Ultramarina e o fizeram um de seus pares.​ A conspiração dos inconfidentes começou a ser preparada em 1788 para que as ações passassem a se realizar no ano seguinte. Tiradentes, por sua personalidade agitada, ficou conhecido como o mais radical deles:

  

Um radical entre moderados, um franco entre dissimulados, ele defendia – publicamente e em qualquer lugar (de bordéis a residências de ricos mercadores) – uma revolução que tornasse Minas Gerais independente de Portugal. “Era pena”, dizia o alferes, “que uns países tão ricos como estes [as Minas Gerais] estivessem reduzidos à maior miséria, só porque a Europa, como esponja, lhe estivesse chupando toda a substância”​ (Figueiredo, Lucas. Boa Ventura! A corrida do ouro no Brasil –1697-1810)

 

O drama principal que animava Tiradentes e seus pares envolvidos na Inconfidência a se levantarem contra o Império Português, foi a derrama, um dispositivo fiscal opressor – cobrança forçada e extraordinária de impostos – instituído pela Coroa Portuguesa no Brasil Colônia, principalmente, em Minas Gerais, a partir de 1751, porém, somente a parir de 1760 passou a ser utilizado. A derrama ocorria sempre que a meta anual de 100 arrobas de ouro (cerca de 1.500 kg, o "quinto") não era atingida, obrigando a população a pagar a diferença repartida entre todos os habitantes, mesmo os que não trabalhavam com mineração. O confisco se dava de forma truculenta e violenta por parte dos soldados da coroa.

 

A convocação da derrama, em 1789, a fim de assegurar o piso de cem arrobas anuais na arrecadação do quinto - retenção de 20% do ouro em pó, ou folhetas e/ou pepitas – coisa que dia a dia se tornava mais difícil de cumprir por conta do exaurimento do veio de ouro, obrigava os mineradores a cobrirem suas dívidas com suas posses, ou seja, a entregar tudo aquilo que lhes pertencia como objeto de valor para cobrir o que faltava na quantia estipulada do quinto. O medo da cobrança de dívidas atrasadas gerou forte insatisfação na capitania e fortaleceu a imediata insurreição que uniu intelectuais, militares e mineradores contra o domínio português.

 

Embora a “derrama” tenha sido suspensa pelo Governador Visconde de Barbacena ao tomar conhecimento da conspiração, mediante a delação Joaquim Silvério dos Reis em troca do perdão de suas próprias dívidas, a tensão social e a crise econômica descritas foram, de fato, as principais motivações dessa revolta, cujos inconfidentes foram severamente punidos no “Devassa”, processo judicial que se estendeu por anos e resultou em sentenças proferidas em 1792, inicialmente, com 11 condenações à morte e o degredo perpétuo na África para os demais, porém a Rainha Maria I perdoou a maioria dos condenados à morte, comutou as penas para exílio.

 

A única exceção foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que, por ser de origem popular e não ter conseguido o perdão real, foi enforcado em 21 de abril de 1792.  Seu corpo foi esquartejado e as partes distribuídas pelas estradas e praças de Minas Gerais para servir de exemplo e dissuadir futuras revoltas. “Nascido à margem direita do Rio das Mortes, na Fazenda do Pombal, entre a Vila de São José – hoje, cidade de Tiradentes – e São João d’El Rey, sendo o quarto filho entre seis a sete irmãos, filhos do lavrador português Domingos da Silva Santos e a Afrodescendente Antônia da Encarnação Xavier”, afirma Marco Antônio de Moraes à Revista Ciência e Maçonaria (2014).

 

Moraes diz, ainda, que aos nove anos de idade, ele residia em São João d’El Rey, em casa de parentes, quando sua mãe veio a falecer. Aos 15 anos perdeu seu pai, tendo então retornado a Pombal para trabalhar na lavoura, com o seu padrinho, que também lhe ensinou, o então, raro ofício de “por e tirar dentes”, daí o apelido Tiradentes. Já adulto, além da atividade de dentista leigo, Tiradentes tentou a sorte como tropeiro (condutor de tropas de animais transportadoras de mercadorias), minerador e mascate (mercador ambulante), porém, em nenhuma delas progrediu.​ A única profissão que lhe rendeu estabilidade foi a de alferes da cavalaria de Dragões Reais de Minas.

 

Tiradentes, chegou a comandar a tropa que monitorava o Caminho Novo, estrada que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro, porém, por sua pouca instrução, por manter a atividade de “arrancador de dentes” e ter a “língua solta”, além do vício do alcoolismo, não chegou a ser promovido a oficial e logo foi destituído do cargo de Comandante do Destacamento do Caminho do Rio. Magoado, “não perdia a oportunidade de mal falar, abertamente, do governo português”, destaca Moraes.​ Sua voz difamante alcançou os ouvidos o Engenheiro de Minas, José Alvares Maciel Filho, recém-formado em Coimbra, Portugal, que o convida a participar da Arcádia Ultramarina, como dito antes.​

 

Fundada em data incerta, porém, anterior a 1769, a Arcádia Ultramarina foi uma sociedade literária brasileira à qual se juntou Tiradentes em agosto de 1788. O grupo estava formado pelas seguintes personalidades da região: o Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, Comandante do Alferes Xavier; José Alvares Maciel Filho; Vigário e Latifundiário Carlos Correia de Toledo e Mello; o Advogado e Poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto; o Poeta José Basílio da Gama; o Poeta Cláudio Manoel da Costa; o Sacerdote, Poeta e Músico, Domingos Caldas Barbosa; e o Cônego Luiz Vieira da Silva; dentre outros que já conspiravam contra a Coroa Portuguesa.​


Reporta Clovis Monteiro (Esboços de história literária, 1961), que o clube foi fundado com a finalidade de sublevar a população a não pagar a derrama, as côngruas e o quinto sobre o ouro minerado. Discutia-se, também, a proclamação de um território independente de Portugal. O lema da bandeira do Clube dos Poetas foi proposto por Cláudio Manoel da Costa, em observância ao verso de Virgílio: “Libertas Quae Sera Tamem” – Liberdade, Ainda que Tardia.​ Representava o desejo de autonomia frente ao absolutismo e à exploração colonial, que teve como principal propagandista deste intento entre a população, foi Joaquim José da Silva Xavier, o difamante.

 

O Mito Tiradentes, no entanto, é fruto do movimento republicano, que interessado em construir heróis para garantir alguma validade histórica para o republicanismo no Brasil, resgatou a imagem de Tiradentes e o fez ser divulgado como um herói. Por conta disso, uma série de pinturas de Tiradentes começaram a ser feitas, muitos associando o militar com Jesus Cristo, fisicamente, e transmitindo a ideia de que ele foi um mártir, a partir do Decreto nº 155-B, exarado pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 14 de janeiro de 1890, instituindo o dia 21 de abril como dia dos “precursores da independência brasileira, resumidos em Tiradentes”.

 

Após esta, outras leis decretadas em 1933, 1949 e 1965 reafirmam o caráter festivo do dia 21 de abril. Atualmente, por força da lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, o dia 21 de abril é feriado nacional.​ Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos, pois, o ritual é o mito em ação. O mito tem funções determinadas nas sociedades antigas e primitivas. Inicialmente, ele serve para acomodar e tranquilizar o homem num mundo perigoso e assustador, dando-lhe segurança. Além disso, o mito também serve para fixar modelos exemplares de todas as atividades humanas. ​O que acontece no mundo natural passa a depender dos atos humanos.

 

A importância de celebrarmos o Dia de Tiradentes (21/04) reside em preservar a memória de quem se sacrificou contra a opressão em todos os tempos, não somente no Brasil Colonial, como no Brasil contemporâneo, pois, estes atos de abnegação e coragem servem como marcos na construção da identidade nacional e da consciência política brasileira. É um lembrete duradouro de que a luta por um país justo e igualitário é um processo contínuo. Ao festejarmos o 21 de abril, reafirmamos valores que desejamos ver no DNA brasileiro: a busca pela autonomia, o questionamento do status quo e a valorização da soberania nacional, pois, a luta pela liberdade é dever de todos.

 

Maranguape, Ceará, 20 de Abril de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social



QUEM TEM VERGONHA NA CARA NÃO ENVERGONHA A NINGUÉM

Sentenciamo-nos ao cumprimento do mais norteador dos lumes-guia dos bons costumes: quem tem vergonha na cara não envergonha ninguém. Acendem...