Este
Dia dos Povos Indígenas (19/04) nos lembra que preservar os povos indígenas vai
muito mais além do que cuidar da biodiversidade e do futuro climático do
planeta, considerando que seus territórios protegem mais de 20% das florestas
no Brasil, agindo como barreiras essenciais ao desmatamento. Cuidar deles é proteger
os saberes ancestrais, línguas, culturas únicas e modos de vida sustentáveis
que nutrem a terra, mas, principalmente, garantir que este legado se lance ao
futuro com o vigor que lhe contribuindo para a formação das gerações que virão.
Sem
passado não há futuro é uma metáfora-convite a conhecer o passado, pois,
aprenderemos com erros e sucessos, constituindo a base para tomada de decisões
e para ciese de um futuro melhor. Sem essa referência histórica, o risco de
repetir os mesmos erros é grande. A história e as experiências passadas
são essenciais para moldar o presente e construir um porvir digno. O saber
histórico é fundamental para o exercício da cidadania, pois, sem história, não
há compreensão dos movimentos sociais e suas implicações.
A
ancestralidade é um conceito difícil de ser encerrado em uma única definição,
pois, é um princípio filosófico – é não somente uma reflexão –, que rompe os
muros da academia e chega até a cadeira de sua avó ou de seu avô como voz de
sabedoria que conta através de suas oralituras. Os povos indígenas preservam e
transmitem seus conhecimentos ancestrais, como práticas de agricultura,
medicina, rituais e saberes sobre a natureza. É a herança, a tradição e a
história transmitidas de geração em geração.
Cultuar
a ancestralidade, portanto, é um modo de interpretar e produzir a realidade,
refletindo a ligação com os antepassados, e de favorecer essa transmissão de
cultura, costumes, tradições e conhecimentos ao longo das gerações no presente
para que repercuta no futuro. Afinal, Nossa história pessoal, cultural ou
social forma a base de quem somos hoje. Identidade construída a partir da
ancestralidade de quem herdamos valores, crenças, tradições e uma memória
coletiva que sustenta nosso senso de pertencimento.
Os
povos ancestrais distinguem-se em grupos étnicos e culturais que habitavam
um território antes da influência de outros povos ou da chegada de
colonizadores. No Brasil, isso se aplica principalmente aos povos
indígenas, que eram os habitantes originais do território antes da colonização
portuguesa. Esses povos são a base da diversidade cultural e linguística
do país, com mais de 391 etnias, um montante de 1,7 milhão de habitantes, mantendo
vidas cerca de 300 línguas / idiomas (Censo 2022 – IBGE).
Os
povos originários do Brasil fazem parte de quatro grandes troncos étnicos, que
são: aruak; karib; macro-jê; e tupi. Entre os principais grupos indígenas do
Brasil, destacam-se os Karajá, Bororo, Kaingang, Yanomani, Guarani, Ticuna,
Caingangue, Macuxi, Terena, Guajajara, Xavante, entre outros. Cada povo
tem suas próprias tradições, costumes, rituais, línguas e formas de organização
social. (Re)conhecê-los é imprescindível para preservar suas culturas e para
garantir a defesa de seus direitos, além de sua sobrevivência.
De
acordo com o Decreto nº 6.040/2007, os povos e comunidades tradicionais são
grupos culturalmente diferenciados que se reconhecem como tais, possuem formas
próprias de organização social, e ocupam e usam territórios e recursos naturais
como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa e econômica. A
cultura indígena é uma parte fundamental da identidade nacional brasileira,
estando presente em diversos aspectos da cultura brasileira como na literatura,
na música, nas artes plásticas etc.
Longe
serem "imagens estáticas de um passado distante”, a cultura indígena adapta-se
e transforma-se continuamente. A culinária indígena é rica em ingredientes
locais e possui forte influência na culinária brasileira, com pratos à base de
mandioca, milho, batata-doce e outros vegetais. O Brasil é um dos países com
maior diversidade linguística do mundo. As línguas indígenas são um
tesouro cultural, com muitas delas sendo únicas e não relacionadas a outras
línguas, embora muitas línguas estejam em risco extinção.
Neste
fervor, a cultura dos povos indígenas bravamente lança-se ao futuro, enfrentando
a perda de território e a imposição de culturas estrangeiras, demonstrando enorme
resiliência e adaptabilidade às mudanças – vetores que a mantém viva,
desafiando as normas sociais, econômicas e políticas. Ontem, a cultura indígena
influenciava a organização social e política, a relação com a natureza e a
criação artística. Hoje, valorizada e integrada contribuindo para a riqueza
cultural do país, movendo das artes ao turismo.
A
cultura indígena, com sua visão de mundo e sua relação com a natureza, inspira
a busca por um futuro mais justo e sustentável, onde a harmonia entre a
humanidade e o planeta seja um valor fundamental. A vida dos povos
indígenas é um mosaico de tradições, saberes e adaptações, onde o passado serve
como base para construir um futuro mais justo e sustentável, afinal, sem
passado não há futuro. Celebrar, o Dia dos Povos Indígenas é, portanto, um ato
de resistência e valorização da diversidade cultural que enriquece a sociedade
brasileira, além de reconhecer cidadania destes povos.
Historicamente
instituída como "Dia do Índio" em 1943, a nomenclatura foi alterada
por lei em 2022 para Dia dos Povos Indígenas. Essa mudança é
simbólica e respeitosa, pois o termo "indígena" (que significa
"originário de um lugar") é considerado mais adequado do que
"índio", um termo genérico imposto pelos colonizadores. A escolha do
dia 19 de abril remete ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano,
ocorrido no México em 1940, onde lideranças de diversas etnias se reuniram para
defender seus direitos.
Embora
seja uma data comemorativa, muitos grupos entendem que o 19 de abril é, na
verdade, um chamado à luta e resistência, já que ainda persistem desafios
significativos como o racismo estrutural e o desmonte de políticas públicas
específicas para os povos originários, lembrando que a luta indígena pela
sobrevivência de seus territórios é essencial para a preservação da vida de
toda a humanidade. Cultuar o Dia dos Povos Indígenas é um ato de
reconhecimento à ancestralidade, que serve como horizonte contínuo e
não apenas como um registro do passado.
Maranguape,
Ceará, 19 de Abril de 2026
ACADEMIA
INTERNACIOL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
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