segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A AIMI ASPIRA FELICIDADE E EXPIRA PROTAGONISMOS

 

Vinte e sete meses fluem lepidamente quando a felicidade anima os passos. A Academia Internacional de Maçons Imortais aspira felicidade e expira protagonismos com toda vivacidade do termo e para o progresso de todos os confrades que a dotam de força – boa-vontade em manifestar prodígios –, de beleza – abnegação em servir sempre o melhor – e sabedoria – amor a bem da cultura que anima com galhardia.

 

A AIMI funciona como um laboratório cultural maçônico com reuniões plenárias bimensais em formato virtual, conforme rege o Estatuto Social que a instrui. Seu presidente, atualmente é Helio Pereira Leite, e a ata de fundação foi regularizada no sexto dia do terceiro mês do ano dois mil e vinte e cinco 2025, embora suas atividades tenham tido início no trigésimo primeiro dia do quinto mês do ano dois mil e vinte e quatro.

 

A AIMI é uma entidade civil, sem fins lucrativos, de direito privado, com sede em Brasília (Setor Residencial Vicente Pires, Taguatinga), e seu traço mais distintivo é a independência institucional: não está vinculada a nenhuma Potência Maçônica Regular brasileira, o que a diferencia de academias maçônicas tradicionais que costumam operar sob o guarda-chuva de uma Grande Loja e/ou Grande Oriente e/ou Grande Oriente Independe.

 

A AIMI é composta por 50 cadeiras em caráter vitalício, cada uma com um patrono – que pode ser maçom ou não, desde que seja uma figura exemplar.  Diferentemente de outras academias, os fundadores tiveram o direito de escolher o nome do patrono da própria cadeira, em vez de receber uma lista predefinida.  As categorias de membros incluem:


  • Fundadores – vitalícios e imortais, signatários da Ata de Fundação;
  • Efetivos – admitidos por proposta de, no mínimo, dois membros;
  •  Beneméritos – por relevantes serviços prestados, sem limite de número;
  •  Honorários – por mérito, sem limite de número;
  • Correspondentes – mantêm correspondência com a academia; e
  • Adormecidos – por descumprimento das normas estatutárias.

 

A escolha dos patronos reflete a ecletismo que o presidente Helio Pereira Leite descreveu na Ata de Fundação: "uma plêiade de eméritos e valorosos Confrades Maçons que se destacam no cenário nacional". O leque vai de figuras da maçonaria (Paulo Menotti Del Pichia, Léo Reister) a compositores (Pinheirinha, Castro Alves), políticos (Winston Churchill, Deodoro da Fonseca, Pedro II) e pensadores (Allan Kardec, Machado de Assis) — o que confirma o caráter cultural e não estritamente ritualístico da entidade.

 

A AIMI, como já dito antes, reúne-se virtualmente (plataforma Zoom), com recesso em dezembro e cerimônia de encerramento/posse em novembro.  O número de membros já ultrapassava 193 no momento do I Congresso Nacional das Academias Maçônicas de Letras (CONAMA), em Caldas Novas, Goiás. Dispondo-se a ser "laboratório cultural maçônico", ela manifesta os seguintes objetivos:

 

  • Congregar maçons dedicados às Artes e Letras;
  • Estimular a produção cultural em diversas mídias (livros, revistas, antologias, palestras, seminários, cursos online e presenciais, plataformas digitais);
  • Promover a cultura maçônica por meio de concursos literários, conferências e debates;
  • Manter biblioteca e revista (mesmo que virtuais); e
  • Publicar uma Antologia Histórica em formato e-book, com informações dos 50 patronos – projeto inicial destacado pelo presidente na própria Ata de Fundação

 

A AIMI se notabiliza numa onda de academias maçônicas de letras que tem crescido no Brasil nas últimas décadas, ao lado da Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras (AMVBL), da Academia Brasileira Maçônica de Letras (fundada em 2023 em São Paulo, com 33 cadeiras) e da Academia Amazonense Maçônica de Letras (AAML, fundada em 1980 em Manaus).  O que a distingue é a escala internacional no nome, a ausência de vínculo com Potências, o funcionamento 100% virtual e o número maior de cadeiras (50, contra 33 ou 40 das congêneres).

 

Este aminus comemorativo realça o espírito já declarado na Ata de Fundação: o presidente Helio Pereira Leite explicitou que a AIMI foi idealizada para "formular ideias, discutir, debater, propor, sugerir, projetos e ações para a maçonaria e para o Brasil", com a ambição de transformá-la num "laboratório cultural e científico, de onde poderão surgir grandes projetos destinados à melhoria, a modernidade, a racionalidade de atividades e procedimentos, da Maçonaria no Brasil". As três virtudes – força, beleza e sabedoria – são o tripé axiológico que traduz essa missão em termos acessíveis e motivacionais, próprios da oratória maçônica.

 

A AIMI, incontestavelmente, aspira felicidade – não a efêmera, que se esgota num sorriso, mas a que nasce da consciência de que servir e o mais proeminente vetor do progresso da humanidade. Ela expira protagonismos com toda a vivacidade do termo: o protagonismo do confrade que levanta a voz em silêncio, do que escreve quando o mundo pede apenas o silêncio, do que semeia sem esperar colher, daquele que com a pena (alavanca) move o mundo pelo melhor dos caminhos.

 

Neste toar, que os próximos meses sejam tão lepidamente fluentes quanto os vinte e sete que já transcorreram. Que a Antologia Histórica, promessa ainda em gestação, venha a lume e se faça testemunho. Que as plenárias bimensais sigam reunindo vozes em torno da mesa virtual, onde a distância não seja barreira intransponível, e sim convite – convite à pluralidade, ao diálogo, à fruição, tendo sempre por lume: tornar feliz a humanidade pelo amor e pelo aperfeiçoamento dos costumes.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Agosto de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

LONGE DE SER DE DESGOSTO, AGOSTO É MÊS DO BOM GOSTO

 

Por fim, chegamos ao dia final de mais um mês de agosto. Aquele mês ao qual atribuímos todas os azares, frustações e infelicidades, dando prosseguimento à firmeza e convicção de que todos os adágios, preceitos e responsabilidades que este mês do ano suporta de tantos entes humanos tão plenos na capacidade de inventar coisas mirabolantes, mito fantásticos e todo tipo de prenúncio do mal que atribuem a agosto.

 

As inventividades humanas têm sempre uma verdade a ancorá-las. E a fama do mês de agosto tem a sua "verdade" em de Portugal – que em todo e/ou em parte e a velha terrinha dos brasileiros, a depender do DNA –, pois, as caravelas partiam do Tejo em agosto rumo ao desconhecido (? – não tão desconhecido assim) e a incerteza do retorno dos navegadores associava este mês às perdas, casamentos “azarados” e insatisfações.

 

Chegada ao Brasil com as caravelas, essa tradição se fortaleceu com episódios históricos marcantes acontecidos em agosto, como: o suicídio de Getúlio Vargas (1954), a renúncia de Jânio Quadros (1961) e a morte de Juscelino Kubitschek (1976). Mesmo que pesquisadores provem estatisticamente que os malogros e as adversidades em agosto tem menor incidência que nos demais meses, agosto é o mês do desgosto!

 

Um pejorar persistente mais pela força da rima (“agosto / desgosto”), pela repetição cultural e pela tendência humana de imputar significado aos acontecimentos, notabilizando o modo fascinante como a humanidade produz narrativas que acabam moldando a nossa percepção do tempo, transformando um simples bloco de 31 dias em um verdadeiro teste de resistência psicológica aos constructos da imaginação humana.

 

Àqueles cuja educação emocional instruiu-lhes condignamente, o mês do agosto é o mais augurioso dos meses do ano. Particularmente, tive minha primeira filha nascida no décimo nono mês deste oitavo mês do ano. Bruna é dotada do mais veraz senso de alteridade, vetor que lhe faz mestria e robustece seu bem-sucedido protagonismo como operadora do direito: uma atividade que envolve inclusão, harmonia social e o amor eficaz.

 

Esta felicidade minha enseja mais um momento de festa em agosto. O Dia dos Pais, anualmente, celebrado no segundo domingo deste mês mais auspicioso do ano, que há exatos 26 anos me contenta com a evolução de Bruna, há 23 anos me entusiasma com o empreendedorismo de Rosilda e há 18 anos me satisfaz a presença de Jorge a me ensinar a ser melhor dia a dia. Primícias assim, somente agosto pode manifestar.

 

O Pai é cortejado por todo o mês de agosto, sejam estes consanguíneos, afetivos, adotivos, cativados ou cativadores, etc., fazendo reinar em cada festa muito mais do que alegria e reconhecimento aos pais, pois, juntamente com o Dia das Mães, é a data que manifesta de forma tangível aquilo que arde no espírito de Deus em todos os Homens: o senso amorável de família. Um amor feito elo perfeito entre o sagrado e mundano.

 

Reverbera aqui a voz-mestria de Paulo de Tarso prenunciando a responsabilidade de sermos família: “aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não creem” (1 Timóteo 5:8). Isso ecoa a tese de Bengel: "A fé não anula os deveres naturais, mas os fortalece." Eis manifesta a nossa primeira, e mais importante, missão de amor começa dentro do nosso próprio lar.

 

Irrefutavelmente, o ético só é real quando se materializa no vínculo mais próximo – a família é o "laboratório" da fé. É uma forma de praxis como prova da pistis – a fé não é assentimento proposicional, mas, materialização. Negar o cuidado é, em termos filosóficos, uma contradição performativa: afirmar o amor universal enquanto se recusa o amor ao mais imediato, ou seja, à família – a primeira comunidade de pertencimento.

 

O sentimento de pertencimento à família é a mais essencial das necessidades humanas que começa nos primeiros anos de vida e é imprescindível para o desenvolvimento emocional, psicológico e social do indivíduo. Essa busca de pertencer conduz o ente humano a encontrar “família” em instituições sociais diversas, arcádias, maçonaria etc., cada uma com seu sentido familiar próprio e um enlevo oportuno ao buscador.

 

Sendo o homem um ser social, buscar socializar-se é naturalmente espontâneo. Conhecer pessoas, compartilhar saberes, experienciar o que melhor a vida ofereça, prova-se sábio pelo melhor emprego que faz do conhecimentos galgados, declarar sabedoria àquilo que de outrem se experimenta favoravelmente, pois, estes são os mais formidáveis e revolucionários influxos da vida plena buscada por um ente humano.

 

Imbuído neste espírito, encontrei(-me) na Academia de Ciências Letras e Artes de Columinjuba – ACLA uma ambiência acolhedora, inclusiva e harmoniosa a montante, onde o reina o pertencimento – que nos identifica como aclaianos – inaugurando novel família, constituída das famílias dos confrades e confreiras que a constituem nesta contemporaneidade, sucedendo com galhardia àqueles que há 34 anos a fundaram para o bem da cultura brasileira.

 

Este rei cativador, o pertencimento, tem por consorte uma rainha a sua altura, a abnegação, que nos conduz a servir à cultura, ao desenvolvimento humano, à felicidade e a tudo que possa ser progresso conquistável pelo homem, como que a nos anunciar que o primeiro a servir é aquele que brevemente será muito bem servido pelo tempo, pela vida, pelo sagrado, pois, tudo segue o mais veraz e proficiente princípio, o da correspondência.

 

Neste toar, de bom gosto a gosto de todos a quem satisfez, agosto finda deixando saudades do bem vivido, do amor expandido, da felicidade ensejada, de toda a graça experienciada. Amanhã chega setembro inaugurando os meses “B R O, BRÓS, que efluem lepidamente logo encerrando o ano com as celebrações a vida daquele que do amor nasceu para aspergi-lo – o amor – ao mundo e a todos os homens, ensinando-os a amar.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


sábado, 29 de agosto de 2026

SER MAÇOM É CARREGAR A SINGELEZA DE CORAÇÃO

Este sábado (29/08) inicia suas primeiras horas sob a Mestria de Júlio César Pereira de Paula, um irmão muito querido cujo veio literário fértil me encanta sempre, pois, cuida de ratificar conhecimentos que jamais devem cair no esquecimento, nem se perderem na escuridão destes tempos inglórios, como por exemplo, o contido nesta frase de sua autoria que retrata exatamente nossa determinação neste caminho que escolhemos seguir: “Ser Maçom, portanto, não é ostentar uma condição, mas viver uma transformação contínua: é ser pacífico sem ser omisso, forte sem ser arrogante, sábio sem ser soberbo, livre sem deixar de servir”.

 

Ser maçom vai muito além de rituais, aventais ou símbolos; trata-se, imprescindivelmente, de lapidar a si próprio através de um coração límpido isento e grato – como requer Ma’at, a quem compete pesar o coração dos homens. Ao desnudar-se da vaidade, do orgulho e da ostentação o maçom foca no aprimoramento moral e espiritual de si, com o qual cativa, pelo exemplo, seus pares e os inspira a habitualmente acompanharem-no nesta jornada do bem fazer à humanidade pelo amor, pelo contínuo aperfeiçoamento dos costumes e pelo respeito à autoridade que cada um imprime ao mundo e pela crença de cada um.

 

Assim como no antigo Egito o coração do falecido precisava ser tão leve quanto a pena da verdade e da justiça para alcançar a eternidade, o maçom busca o desapego dos "metais" – as vaidades, o orgulho e as ilusões do mundo profano – para que sua caminhada seja leve, justa e focada no que realmente importa: o aperfeiçoamento moral e espiritual. É um trabalho contínuo, íntimo e intransferível. Quando o Maçom consegue domar suas próprias paixões e excessos – e submeter suas vontades, naturalmente seu luzeiro acende para a sociedade, transformando o mundo ao seu redor não por imposição, mas, pelo testemunho de si.

 

O portal Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba – a quem a Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará deve sua fundação–ressalta que “o maçom deve ser livre e de bom coração, evitando que a maldade e a injustiça motivem suas ações”. Devendo ele agir com retidão, honestidade e respeito à família e à sociedade; também cumpre-lhe estender a mão ao próximo sem esperar nada em troca, cultivar empatia sincera, o bem-estar coletivo e o mais vivaz senso de pertencimento que o identifica, enquanto constrói o verdadeiro templo, que não é feito de pedra, mas, edificado dentro de si, exatamente em seu coração bem formado, onde o criador imprimiu a chancela que o distingue dos demais homens.

 

A Doutrina Espírita preceitua que a virtude verdadeira, definida pelo desinteresse completo e pelo sacrifício do egoísmo em favor do próximo, é de fato considerada rara na Terra, sendo admirada como um fenômeno devido à predominância do interesse pessoal.  Essa raridade é relativa, pois, em mundos mais evoluídos, o bem torna-se regra espontânea, e a perfeição moral é uma meta alcançável para a humanidade terrestre à medida que ela evolui. Neste contexto, esmera-se o maçom arquitetando neste Planeta Terra edificações morais aos moldes daqueles que encontrará quando em mundos mais enlevados estiver.

 

A metáfora do maçom que "arquiteta edificações morais" na Terra harmoniza-se perfeitamente com a visão espírita de que este planeta é uma escola. Não se trata de construções físicas, o verdadeiro trabalho do Maçom é interno: transformar a "pedra bruta" (o homem com suas imperfeições) em uma "pedra polida" (o homem virtuoso). Agir com alteridade, praticar a caridade desinteressada e cultivar a harmonia social são os pilares para erguer esse "templo interno". A Doutrina Espírita e a Filosofia Maçônica manifestam a profunda convergência de ambas no que diz respeito ao aperfeiçoamento moral e à evolução da humanidade.

 

Incontestavelmente, não há labor mais árduo e contínuo do que a busca por ser um "pedreiro livre" de suas próprias imperfeições e o combate ao egoísmo e ao orgulho que são os principais obstáculos para a felicidade na Terra, afirma o Kardecismo; Já a Maçonaria os considera com as arestas da "pedra bruta e concita seus membros a agir como "pedreiros sociais", lapidando a si mesmos, transformando tudo ao seu redor em ambiências harmoniosas e felizes. Eis que aqui, com muita clareza, sintetizo a essência da filosofia maçônica que cuida da lapidação do homem social, moral e espiritual a benefício de todas as sociedades.  

 

Quando olhamos para a história ou para o nosso cotidiano, percebemos que a verdadeira bondade não é barulhenta; ela transforma o mundo de forma sutil, inspirando outros a seguirem o mesmo caminho por meio do exemplo. Motivadoras palavras até convencem, porém, é o melhor exemplo que nos arrasta. Homens de bem são raros e sua inspiração é por demais valiosa para toda a humanidade. Em todos os tempos, os maçons funcionam como verdadeiros faróis guiando-nos em meio ao mar tempestuosos das adversidades; e o impacto de suas ações deixa um legado duradouro para as próximas gerações.

 

A bondade não solta rojões, não busca holofotes, não se anuncia nos noticiários. Ela transforma o mundo de forma sutil – um favor feito sem alarde, uma presença que acolhe sem exigir nada em troca, um abraço que robustece. Autêntica é aquela que se faz quando ninguém está olhando, e é justamente por isso que enraíza mais profundamente no caráter de quem a pratica e permanece na memória de quem a recebe. Imbuído neste espírito, à medida que um homem muda sua própria natureza, também a atitude do mundo em direção a ele muda e rompe barreiras – culturais, linguísticas, ideológicas – e fala diretamente ao coração.

 

Irrefutavelmente, homens de bem são raros. Raros não por falta de boa vontade e/ou intenção, mas, porque a integridade exige um esforço contínuo que a maioria prefere evitar. E é por essa raridade que a inspiração que emanam é portentosamente enriquecedora para todos nós. A tradição maçônica define a missão destes abnegados homens de bem – que mantém em seu quadro de obreiros – não como privilégio, mas, como um inefável dever. Como se lê nas Constituições de Anderson: "Um Maçom é obrigado, por dever de ofício, a obedecer à Lei Moral.

 

O conceito do "homem de bem", quando despido de clichês políticos ou sociais, refere-se àquele indivíduo que pauta suas ações pela justiça, inclusão e integridade. A inspiração desses homens de bem que manifestam modelos de conduta que não buscam ostentação, mas sim, que elevam moralmente aqueles ao seu redor. Entes humanos que ao viverem com coerência e autenticidade despertam nos outros o desejo de superar a mediocridade e o comodismo, demonstrando que é possível e necessário pautar a vida por valores nobres, mesmo em ambientes hostis. O verdadeiro valor desse perfil está nas atitudes discretas.

 

O pensador Francisco Faus (O Homem Bom) realça que o homem bom é aquele que "exerce sobre nós uma influência benfazeja" e nos eleva moralmente – ideia próxima de "inspiração valiosa para a humanidade. Ele impulsiona a força do exemplo arrastando outras pessoas, gerando um efeito cascata de boas ações e retidão que beneficia toda a comunidade. A integridade do homem de bem e/ou bom é um manual prático de conduta, demostrando que é possível prosperar mantendo os próprios valores intactos. Em um mundo moldado por interesses vis e imediatos e por uma volatilidade imperiosa, figuras assim se tornam referências essenciais.

 

A tradição maçônica reforça isso: não é meramente colocar-se dentro de um Templo e cumprir o ritualismo que lhe é inculcado ao maçom, devidamente revestido das insígnias que lhe competem usar – dons, conhecimentos e sabedoras in natos e, claro, saberes, graduações e investiduras galgadas em sede de maçonaria –; ser maçom, vai muito além disso, é irradiar habitualmente essas qualidades mentais e espirituais adquiridas através de suas vivências maçônicas.  E a ideia de cativar pelo exemplo – não por título ou grau – é o que diferencia o "maçom de avental" daquele que é o verdadeiro obreiro da Sublime Arte Real.

 

Ser maçom é, resolutamente, carregar a singeleza de coração como o guia para a lapidação da própria alma. O Sinal Peitoral mais antigo, já documentado no Manuscrito de Sloane (1710), consiste em dobrar o braço direito em forma de esquadro e levar a palma da mão esquerda sobre o coração. O progresso do maçom começa no coração, pois, ele é o centro da construção simbólica por excelência.  É um convite à introspecção e à sinceridade mútua, desarmando o ego para se tornar um "homem livre e de bons costumes" que reconhece suas próprias imperfeições com pureza de intenção e, este, é primeiro passo para essa evolução intelectual e moral.

 

A singeleza de coração (simplicidade, sinceridade, ausência de duplicidade) se alinha com a verdade, um dos três princípios fundamentais (junto com Amor Fraternal e Ajuda): "Sob a influência desse princípio, hipocrisia e falsidade são desconhecidas em seu meio.  Sinceridade e probidade são qualidades distintivas, e o coração e a língua se unem para promover o bem-estar do próximo. Bédarride (2013) observa que quando o homem consegue enraizar no coração o amor do Ideal maçônico – a prossecução da mais alta cultura moral –, a noção de prazer e felicidade se torna completamente diferente da que se concebe na vida profana.

 

Ser Maçom pede ao homem que o centro de sua vida – o coração – seja o lugar da sinceridade, da pureza de intenção e da ausência de duplicidade.  É uma definição de maçom que vai além do ritual e do templo: é sobre como se é no mundo, carregando essa singeleza como quem carrega um peso que, paradoxalmente, liberta. A singeleza, jamais será é um mero traço de personalidade, ao contrário, é um trabalho diário, assim como o do Aprendiz que desbasta sua pedra bruta. Não se trata de um estado passivo, mas de uma prática contínua, por isso, o verbo carregar é significativo.

 

Maranguape, Ceará, 29 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APENASMENTE, VENTO!

 

Silencioso intento

Sopra apenas

Tristeza e lamento

Tantas penas

 

Ínfimo passado

Já não volta

Nunca foi legado

É coisa finita

 

Sem valor nenhum

Título comprado

Sem mérito algum

Vil principado

 

Profana vaidade

Jamais será talento

Pueril inverdade

É sonho agourento

 

Mal abençoado

Nada mais é capaz

Vive do passado

Nem lá foi perspicaz

Causa só sofrimento

Irritando o tempo


És meramente vento

Pensa ser Olimpo?

Homem indolente

Tu mesmo te destróis

Fétido e demente

Está em maus lençóis

 

Escriba dos fariseus

Muda teu coração

Faze paz com Deus

Peça-lhe perdão

 

Serás reformador

Moldando-te a ti só

Vicejarás o amor

Deixarás de ser pó

 

Sibilarás augustas alegrias

Serás contentamento

Trarás consigo reais vitórias

Exemplarás bom vento

 

Maranguape, Ceará, 28 de Agosto de 2026, 16:28h

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

UMA LUZ QUE ACLARA A OBSCURESCÊNCIA DOS DIAS

 

Sempre atento ao serviço de tornar feliz a humanidade pelo amor e pelo aperfeiçoamento dos costumes, Hélio Pereira Leite, a quem conhecemos desde sempre como o Buscador da Verdade, me presenteou na noite de ontem (26/08) com a seguinte iluminação em palavras de autoria de Maria Dolores, uma das muitas operárias do bem-fazer aos homens e à humanidade: “Não há felicidade onde não haja gratidão. Não existe paz onde não haja perdão. A fé é a certeza de que a vida prossegue, e o amor é a luz que ilumina os caminhos”.

 

Neste momento, estabelecida no Oriente Eterno, Maria Dolores asperge seu perfume sobre a humanidade a partir dos bravos catalizadores (médiuns, como Francisco Cândido Xavier), que capitando sua energia a reduz em palavras que gratificam àqueles que as leem como o incentivo à evolução a partir de medidas tão singelas quanto difíceis a quem está na matéria praticá-las. Eis que esta dificuldade (pre)sentida lança-nos na vala dos comuns, onde nos percebemos hipócritas falando sobre retidão e fraternidade; mostra-nos débeis e covardes.

 

Porém, quando praticadas manifestam um formidável divisor de águas entre um tormentoso e causticante antes e um providencial e proeminente amanhã, sob a tutela inspiradora de entes espirituais como Maria Dolores que muito bem sintetiza e o faz com arguta precisão os quatro pilares fundamentais da evolução espiritual e do bem-estar humano: a gratidão, o perdão, a fé e o amor. Palavras como essas funcionam como um bálsamo para a alma e um roteiro claro para o aperfeiçoamento dos nossos costumes, como idealiza o Confrade Hélio.

 

Gratidão, maviosamente, é a base da felicidade real. Ela muda o nosso foco da falta para a abundância. A psicologia positiva indica que manter um hábito diário de gratidão aumenta o bem-estar, reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono. Ela não ignora as dificuldades, mas, ilumina o entorno, oportunizando uma vida com mais leveza e contentamento.

 

"Não é a felicidade que nos torna gratos, ao contrário é a gratidão que nos torna felizes”, preceitua o monge David Steindl-Rast. Nosso cérebro naturalmente foca no negativo (um mecanismo de sobrevivência), porém, a gratidão ativa o sistema de recompensa, reprogramando a mente para perceber o que já é positivo. O que aumenta a sensação de plenitude e otimismo.

 

O ato de perdoar é descrito como um bálsamo que restaura a alma, afastando sentimentos negativos que podem adoecer o corpo e a mente. Ele não muda os fatos do passado, mas, transforma profundamente quem perdoa, capacitando-o a enfrentar o futuro com resiliência e compaixão. É essencial para reconstruir relacionamentos e encontrar uma conexão mais íntimas com a divindade e com o próximo.

 

Ainda que o perdão seja considerado uma chave para a vida plena e a redenção, ele é descrito como um processo contínuo que exige coragem, paciência e, muitas vezes, o perdão a si mesmo para que a liberdade interior seja plenamente alcançada. Ele transforma a dor em compreensão e compaixão, promovendo uma serenidade profunda, arquitetando um viver com mais leveza e satisfação.

 

A Fé e a bússola que aponta para a eternidade. É a certeza consoladora de que a vida não termina aqui. Essa convicção consoladora ensina que a vida não termina na morte física, mas é uma passagem para a comunhão plena com Deus. Ao afirmar que “... o pó volta à terra como o é; e o espírito volta a Deus que o deu” (Eclesiastes 12:7), Salomão, aclara a certeza de que tudo é empréstimo de Deus, inclusive nós mesmos.

 

Essa metáfora da fé como bússola encontra ressonância profunda em várias tradições filosóficas. Na percepção platônica a "bússola" é a anamnesis, ou seja, a alma já conhece o bem antes de nascer, e a vida terrena é um processo de relembrar o que se perdeu. A eternidade não é promessa, é origem. Não se trata de uma crença cega no invisível, mas sim, de uma confiança na memória profunda da própria alma.

 

Agostinho de Hipona (Ilusionismo Divino), adaptou Platão para o cristianismo. A bússola é a Verdade Interior (Cristo habitando o homem). Ela ilumina a mente para reconhecer o que é eterno. Já Tomás de Aquino aprofunda essa percepção a partir das três virtudes teológicas, onde a bússola, sob seu olhar, é a razão iluminada pela fé, apontando para um fim que excede a experiência finita, que tem por objeto Deus.


Kant, oferece uma formulação ainda mais rigorosa: “a imortalidade da alma não é demonstrável pela razão teórica, mas, é um postulado da razão prática”. A fé, para Kant, é "crença livre”, ou seja, a bússola deixa de ser mística e vira moral. Uma lei interna que dita o dever, apontando o norte ético independentemente dos desejos pessoais. Ela provém da necessidade moral de assumir aquilo que a razão prática exige.

 

Heidegger, inusitado, inverte a bússola: a morte não é o que vem depois, mas sim, o horizonte que já estrutura toda existência autêntica. "Ser-para-a-morte" não é pessimismo, ao contrário, é o que dá urgência e forma à vida. A eternidade, nesse diapasão, não é um destino futuro, pois, firma-se como a finitude radical que nos obriga a escolher. E a mais digna escolha ancora-se na robusta fé que a convicção manifesta.

 

A fé enquanto bússola é proficiente porque responde à necessidade estrutural da razão – seja ela metafísica (Platão), teológica (Agostinho/Aquino), moral (Kant) ou existencial (Heidegger). A eternidade não é fuga: é o Norte que dá direção ao percurso. Isto reposiciona o transcendente não alienando o presente, mas, como a própria condição de oportunidade para se caminhar com propósito no imanente.

 

Desde tempos imemorias, Paulo de Tarso apresenta o vetor máximo da manifestação de tudo que há ao afirmar: “sem amor nada seria” (Coríntios 13:2). A fé, por exemplo, opera e ganha força por meio de atitudes práticas de amor. A gratidão presente em cada prática amorável alicerça relacionamentos saudáveis, sólidos e duradouros. Amar alguém exige aceitar a imperfeição humana e estar disposto a reparar (perdoar) feridas.

 

Incontestavelmente, o Amor é a energia que dissipa a escuridão. Como um farol ou luz interior, ele protege contra o medo, oferece resiliência e ilumina caminhos sombrios, enquanto esperança a certeza de que dias melhores virão, mantendo a alma firme diante das adversidades. Espalhando bondade, paz e solidariedade, pequenas ações de amor podem transformar ambientes e vidas, ofuscando a negatividade.

 

O amor-gratidão, o amor-perdão, o amor-fé, assim como, o amor resplandecente do amor mais vivaz e veraz emanado diretamente do “Pai das Luzes em quem não se vê sombra, nem dúvida” (Tiago 1:17) são as quatro colunas que suportam a mestria do Buscador da Verdade, Hélio Pereira Leite, que a pouco mais de dois anos integra minha vida como uma luz que aclara a obscurescência dos dias, galgando de mim por meritosa justiça: a gratidão que conceitua, o pedido de perdão para as minhas incontáveis inconsistências, a fé que entrega a mais sentida e viril confiança e, claramente, o amor que declara: Reconheço-te como Irmão!

 

Maranguape, Ceará, 27 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

UM DIA PARA SERMOS INCORRUTOS

 

Um dia haverá em que o correto sairá das masmorras para receber seu aplauso e reconhecimento. Um dia haverá em que aquilo que se fala se manifestará integralmente nos feitos e efeitos. Um dia haverá em que o ofendido será reconhecido com a glória da justiça. Quando isso ocorrer, o tempo de vivaz prosperidade alcançará a humanidade, e a alegria será plena em todo o ecossistema Terra.

 

Ainda que utópico este pensamento e o sentimento nele incluso, ele manifesta um profundo de otimismo como enfrentamento a hipocrisia arraigada neste dias inglórios, estabelecendo a esperança da emergência de uma era de verdade e harmonia universal. É a realização plena do imperativo categórico de Kant, onde a máxima de uma ação individual se torna uma lei universal de integridade absoluta.

 

Reverbera nele a filosofia da história de Hegel, que vê o tempo como um processo de evolução da autoconsciência humana. O sofrimento passado não é em vão; ele é o motor que conduz a humanidade em direção à liberdade e à emancipação final. A dor atua como o proficiente buril, que usado por artesãos sábios (o tempo e a vida) aplaina as arestas do caráter (orgulho e as ingenuidades da personalidade humana).

 

Esse "polimento", embora doloroso, blinda psicologicamente, permitindo o livre transito por ambientes hostis sem ser corrompido ou destruído por eles. Sofremos para evoluir, expandir nossa consciência e nos tornarmos aptos a resistir às adversidades do mundo. A humanidade só desperta para si mesma e para o seu potencial de emancipação após confrontar e superar as suas próprias tragédias.

 

Polido e rutilante (resiliência e a sabedoria), o caráter aprimorado viceja a promessa de "alegria plena em todo o ecossistema Terra" expandindo a ética humana tradicional para uma ética planetária (similar ao conceito de Noosfera de Teilhard de Chardin ou à Hipótese Gaia). A justiça humana deixa de ser um evento isolado e passa a ser a chave para a harmonia com a própria natureza.

 

Ecoa diretamente a tradição do estoicismo – para quem a justiça é justeza ao cosmos: o homem, sendo racional, deve viver conforme a lei da natureza, e a justiça deixa de ser mera relação externa dentro do Estado para se tornar uma relação viva entre o ser humano e a ordem que o conserva – notabilizando a visão jusnaturalista e cósmica, em que ser justo é, antes de tudo, harmonizar-se com a ordem da natureza.

 

Envolve alinhar a própria vida aos fluxos, ritmos e leis que regem o universo e o meio ambiente, reconhecendo que o ser humano faz parte de um sistema interconectado. Requer contemplar a interdependência que rege tudo no entorno, pois, feitos e efeitos diários geram impacto direto na comunidade e nos demais seres vivos, demonstrando que não há separação real entre o homem e o ecossistema.

 

Neste influxo, a justiça não se encerra na resolução de conflitos pontuais, mas, se torna o princípio que alinha a conduta humana à própria natureza – o que, no direito contemporâneo, se reflete em correntes como a justiça ambiental e os novos paradigmas de uma justiça "ecologizada", que superam o antropocentrismo utilitarista. Uma justiça sentida como equilíbrio universal, afirma Rousseau.

 

Essa percepção da justiça como equilíbrio universal transcende a aplicação estrita de normas legais, sendo compreendida como um princípio cósmico, ético e espiritual que visa harmonizar as relações humanas e naturais. Evoco por justo mérito a Deusa Ma'at – no Egito antigo – para que sua luz vinda do oriente desobscureça o ocidente com suas primícias: a verdade, o equilíbrio, a ordem e a moralidade.

 

A Pesagem do Coração, no julgamento dos mortos, denota a relevância de Ma’at no panteão das divindade egípcias. O coração do falecido era pesado contra a pena da ave Bennu (pássaro que simboliza a ressureição) para determinar se a alma alcançaria a vida após a morte.  O faraó, como filho de Rá, tinha a responsabilidade de manter e fazer cumprir o ritual de Ma’at na Terra, e os juízes usavam seu emblema nas vestes.

 

No direito, a justiça, em sentido lato ou universal, é associada à equidade, que permite ao juiz adaptar a regra geral às circunstâncias específicas do caso concreto para alcançar um resultado justo.  A equidade não se opõe à lei, mas, a complementa, buscando a "lei justa" quando a aplicação literal da norma resultaria em injustiça, alinhando-se ao "sentido do justo concreto" e à igualdade proporcional. 

 

Noutras muitas tradições, a justiça é uma lei natural ou divina que mantém a ordem do universo, onde cada ação gera uma reação proporcional (como no conceito de carma no Hinduísmo e Budismo).  Elas preceituam que a justiça e o equilíbrio são indissociáveis, ancorando outras virtudes como temperança e felicidade e buscando a estabilidade sustentável das relações, indo além do rigorismo legalista.

 

Nessa perspectiva, a justiça não é uma construção jurídica humana (o "rigorismo legalista"), sendo entendida como fruto das ações alinhadas à harmonia. A ideia central é que a justiça é restaurativa e equilibradora, não meramente punitiva, buscando a estabilidade sustentável das relações. É a participação consciente na harmonia do cosmos, contribuindo para um mundo mais justo, equilibrado e iluminado. 

 

Neste toar, logo virá o dia em que a palavra deixará de ser moeda trocada no ar e se tornará pedra fundadora. Aquele que disse "isto não é justo" e foi engolido pela indiferença e pelo escárnio verá, enfim, que a frase não morreu – apenas esperou. E o que se manifestará nos feitos não será meramente réplica da intenção, mas, a concretização dela, com o peso exato de quem a sustentou em silêncio.

 

Breve chega o dia em que o que foi sepultado sob camadas de silêncio e conveniência romperá a terra como raiz que encontra a luz. As masmorras não serão demolidas; serão reveladas, para que se veja o que nelas se guardava e por quem foi guardado. E o que sairá delas não pedirá permissão: trará consigo o peso de quem o carrega, e o aplauso que lhe for dado será o mínimo que a história deve.

 

Emergirá o dia em que o ofendido não precisará provar que foi ofendido. O reconhecimento virá como reconhecimento: nome, lugar, glória. Não a glória do vencedor, mas a glória da justiça – aquela que não aplaude quem vence, e sim quem merecia ter sido visto. E esse reconhecimento não será ato de caridade; será correção da conta. Manifestará com um abraço a real justiça esperada daqueles juraram ser irmãos.

 

Ocorrendo isto, a prosperidade não será apenas econômica. Será vivaz – no sentido antigo da palavra: cheia de vida, em movimento, em crescimento. A humanidade a alcançará não como prêmio, mas, como consequência: quem vive em justiça não pode ser estéril. E a alegria, que hoje é racionada, será plena – não porque o sofrimento tenha sido apagado, mas porque o sentido dele terá sido devolvido.

 

Neste dia, o ecossistema Terra inteiro sentirá. Porque a alegria de um ser que finalmente é visto não se contém nele. Vaza para o solo, para o ar, para a água. A Terra não é palco; é testemunha. Um ser visto não é um ato que termina nos olhos de quem olha. É uma semente. E toda semente, uma vez plantada em chão testemunha, vira raiz, vira galho, vira sombra que outrem um dia vai buscar.

 

Maranguape, Ceará, 26 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

terça-feira, 25 de agosto de 2026

RECONHEÇO-TE EM MIM

 

Reconheço-te em mim por nossa condição humana, pela igualdade que nos permite exatamente isto: reconhecermo-nos mutuamente, pois, como iguais dispomos deste condão, afinal, somos espelhos uns dos outros; e por nossa busca constante por evolução, sob a arguta tutela do autoconhecimento que nos (re)aprimora.

 

Nada mais digno ao homem do que reconhecer àqueles que o orbitam, dando-lhes exaltação compatível aos que méritos galgados por incontáveis feitos e efeitos a bem de todos. Haja que, ninguém constrói uma jornada relevante isoladamente, ao contrário, o fazemos quando reverberamos o sucesso coletivo.

 

Reconhecer é o mais auspicioso exercício de humildade que humaniza nossas relações e dá sentido real a cada vitória alcançada. É a capacidade de reverberar o sucesso coletivo, já que, o maior ativo de qualquer protagonismo é o capital humano que dedica seu talento e tempo em prol de um objetivo comum.

 

Reconhecimento valida o esforço do passado, enquanto a gratidão fortalece as relações e a motivação para o futuro. Juntos são as maiores virtudes humanas pavimentando o caminho para que novos e maiores legados sejam construídos, pois, são os robustos pilares da dignidade humana.

 

A declaração Dignitas infinita do Vaticano (2024), afirma que a dignidade de cada pessoa é infinita e inerente, existindo "para além de toda circunstância", e seu reconhecimento é fundamental para construir sociedades justas e fraternas, que se (so)erguem sob o lume da verdade universal da igualdade.

 

Somente os iguais se reconhecem, afirma Empédocles. Assim, valorizar os feitos e efeitos, méritos de quem está ao nosso redor não apenas exalta o mérito do outro, mas também, nos enobrece a cada pratica deste agir, pois, ao reconhecermos o outro, reconhecemo-nos nele, pois, ele nos espelha.

 

Longe de ser um mero ato de cortesia, essa prática passa a ser uma certificação da dignidade ontológica de cada ser humano alcançado por essa agência. É na soma dessas pequenas e grandes ações diárias, muitas vezes silenciosas, que a engrenagem do progresso humano realmente gira.

 

"A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito", afirma Aristóteles. Pequenos gestos, como solidariedade, pontualidade e empatia, acumulam-se para gerar transformações profundas na vida individual e no tecido social, moldando o caráter e a identidade pela regularidade destas atitudes.

 

Cada ação é um tijolo na edificação de uma sociedade mais resiliente e justa. “A civilização somente encontrará um caminho seguro quando a humildade fizer compreender que a maior glória não é ser temido, mas, ser lembrado por ser um vetor da paz, da justiça e da humanidade", afirma Mathias Aires.

 

O exercício perene de agências positivas altera a frequência do entorno, promovendo uma evolução humana sustentável onde a dignidade é realizada através de hábitos cotidiano e da cooperação. Valorar cada pessoa, independentemente de sua condição social, física ou moral, robustece a fraternidade.

 

Distinguir reconhecimento autêntico de vaidade é imprescindível, afinal "unicamente reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, podemos fazer renascer entre todos uma aspiração mundial à fraternidade", segundo a mestria do Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti.

 

Transformar a solidariedade e a ética de meras intenções em uma portentosa certificação viva da dignidade humana manifesta a essência da evolução humana e a construção do caráter através da acumulação constante de escolhas (boas e más), desde as mais ínfimas até as mais impactantes.

 

Claramente, que cada ação praticada reforça crenças internas sobre capacidades e limitações, criando caminhos neurais que facilitam a manutenção de comportamentos saudáveis e éticos perenemente, pois, molda a identidade individual e coletiva. "Somos o que repetidamente fazemos", declara Aristóteles.

 

A excelência emerge inconfundivelmente ao entendermos que o caráter é um hábito que exige disciplina e continuidade para ser mantido.  Uma disciplina que não se contente com a espontaneidade, mas que liberte a mente das preocupações triviais, oportunizando que o foco esteja no progresso real pretendido.

 

A mudança real começa internamente. A disciplina, a negligência, a generosidade e o egoísmo são notabilizados antes mesmo de serem percebidas, maturando-se em silêncio até se tornarem visíveis como consequências tangíveis, sustentando verdadeiramente o processo evolutivo humano.

 

Romper o ciclo do individualismo envolve "pequenas (r)evoluções cotidianas", como praticar a escuta e insistir na cooperação. Mudar o cotidiano de alguém através de micro gestos, transfigura a própria vida de quem assim age, criando uma rede de interatividades que certifica a humanidade compartilhada.

 

Essa moção vai além da caridade pontual, já que estabelece a interdependência social que reconhece o humano no homem, promove a coesão das comunidades, reduzi as desigualdades e cria uma determinação firme e perseverante de agir pelo bem comum e responsabilidade compartilhada em prol do sustento das sociedades.

 

Quando a boa vontade conduz a solidariedade para fora do campo das intenções, ela se desvela como um pilar ético e humano fundamental para a vida coletiva, pois, constrói novas possibilidades diárias de fortalecer os laços sociais ao validar a importância insubstituível de cada vínculo humano.

 

Neste toar, o poderoso Nietzsche propõe a máxima de Píndaro, "Torna-te o que tu és", sugerindo que o foco não deve ser a descoberta passiva de uma verdade interior, mas a criação ativa de si mesmo através da vontade e da afirmação da vida. Se assim sou, tu também o é, humano em busca da sabedoria.

 

Declarar, portanto, “reconheço-te em mim” é a emanação mais autêntica e vivaz do ser no qual a verdadeira empatia nasce da percepção do outro como um reflexo de si. Resume toda a essência da empatia não como uma simples troca emocional, mas, como um processo de espelhamento profundo.

 

Segundo a "lei do espelho", o que vemos nos outros é, na verdade, um reflexo de aspectos internos nossos, porém, não há empatia verdadeira sem autoconhecimento. Olhando para dentro de nós mesmos (autoconhecimento) criamos uma ponte de comunhão e evoluímos todos juntos como seres humanos.

 

Maranguape, Ceará, 24 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


A VERDADE NÃO SE CURVA À OPINIÃO

  Entre o certo e o errado há o ponto de vista. Verdades existem muitas, mas uma supera todas: a verdadeira. Afirma Tiago — filho do trovão,...