Por
fim, chegamos ao dia final de mais um mês de agosto. Aquele mês ao qual atribuímos
todas os azares, frustações e infelicidades, dando prosseguimento à firmeza e
convicção de que todos os adágios, preceitos e responsabilidades que este mês
do ano suporta de tantos entes humanos tão plenos na capacidade de inventar
coisas mirabolantes, mito fantásticos e todo tipo de prenúncio do mal que atribuem a agosto.
As
inventividades humanas têm sempre uma verdade a ancorá-las. E a fama do mês de
agosto tem a sua "verdade" em de Portugal – que em todo e/ou em parte e a velha terrinha
dos brasileiros, a depender do DNA –, pois, as caravelas partiam do Tejo em
agosto rumo ao desconhecido (? – não tão desconhecido assim) e a incerteza do
retorno dos navegadores associava este mês às perdas, casamentos “azarados” e
insatisfações.
Chegada
ao Brasil com as caravelas, essa tradição se fortaleceu com episódios
históricos marcantes acontecidos em agosto, como: o suicídio de Getúlio Vargas
(1954), a renúncia de Jânio Quadros (1961) e a morte de Juscelino Kubitschek
(1976). Mesmo que pesquisadores provem estatisticamente que os malogros e as adversidades em agosto tem menor incidência que nos demais meses, agosto é o mês do desgosto!
Um
pejorar persistente mais pela força da rima (“agosto / desgosto”), pela
repetição cultural e pela tendência humana de imputar significado aos
acontecimentos, notabilizando o modo fascinante como a humanidade produz narrativas
que acabam moldando a nossa percepção do tempo, transformando um simples bloco
de 31 dias em um verdadeiro teste de resistência psicológica aos constructos da
imaginação humana.
Àqueles
cuja educação emocional instruiu-lhes condignamente, o mês do agosto é o mais augurioso
dos meses do ano. Particularmente, tive minha primeira filha nascida no décimo
nono mês deste oitavo mês do ano. Bruna é dotada do mais veraz senso de
alteridade, vetor que lhe faz mestria e robustece seu bem-sucedido protagonismo
como operadora do direito: uma atividade que envolve inclusão, harmonia social
e o amor eficaz.
Esta
felicidade minha enseja mais um momento de festa em agosto. O Dia dos Pais, anualmente,
celebrado no segundo domingo deste mês mais auspicioso do ano, que há exatos 26
anos me contenta com a evolução de Bruna, há 23 anos me entusiasma com o empreendedorismo
de Rosilda e há 18 anos me satisfaz a presença de Jorge a me ensinar a ser
melhor dia a dia. Primícias assim, somente agosto pode manifestar.
O
Pai é cortejado por todo o mês de agosto, sejam estes consanguíneos, afetivos,
adotivos, cativados ou cativadores, etc., fazendo reinar em cada festa muito
mais do que alegria e reconhecimento aos pais, pois, juntamente com o Dia das
Mães, é a data que manifesta de forma tangível aquilo que arde no espírito de
Deus em todos os Homens: o senso amorável de família. Um amor feito elo
perfeito entre o sagrado e mundano.
Reverbera
aqui a voz-mestria de Paulo de Tarso prenunciando a responsabilidade de sermos
família: “aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua
própria família, negou a fé e é pior do que os que não creem” (1 Timóteo 5:8). Isso
ecoa a tese de Bengel: "A fé não anula os deveres naturais, mas os
fortalece." Eis manifesta a nossa primeira, e mais importante, missão de amor
começa dentro do nosso próprio lar.
Irrefutavelmente,
o ético só é real quando se materializa no vínculo mais próximo – a família é o
"laboratório" da fé. É uma forma de praxis como prova da pistis – a
fé não é assentimento proposicional, mas, materialização. Negar o cuidado é, em
termos filosóficos, uma contradição performativa: afirmar o amor universal
enquanto se recusa o amor ao mais imediato, ou seja, à família – a primeira
comunidade de pertencimento.
O
sentimento de pertencimento à família é a mais essencial das necessidades
humanas que começa nos primeiros anos de vida e é imprescindível para o
desenvolvimento emocional, psicológico e social do indivíduo. Essa busca de pertencer
conduz o ente humano a encontrar “família” em instituições sociais diversas,
arcádias, maçonaria etc., cada uma com seu sentido familiar próprio e um enlevo
oportuno ao buscador.
Sendo
o homem um ser social, buscar socializar-se é naturalmente espontâneo. Conhecer
pessoas, compartilhar saberes, experienciar o que melhor a vida ofereça,
prova-se sábio pelo melhor emprego que faz do conhecimentos galgados, declarar
sabedoria àquilo que de outrem se experimenta favoravelmente, pois, estes são os mais
formidáveis e revolucionários influxos da vida plena buscada por um ente
humano.
Imbuído
neste espírito, encontrei(-me) na Academia de Ciências Letras e Artes de Columinjuba – ACLA uma ambiência acolhedora, inclusiva e harmoniosa a montante, onde o reina o pertencimento
– que nos identifica como aclaianos – inaugurando novel família, constituída das
famílias dos confrades e confreiras que a constituem nesta contemporaneidade, sucedendo
com galhardia àqueles que há 34 anos a fundaram para o bem da cultura
brasileira.
Este
rei cativador, o pertencimento, tem por consorte uma rainha a sua altura, a abnegação,
que nos conduz a servir à cultura, ao desenvolvimento humano, à felicidade e a
tudo que possa ser progresso conquistável pelo homem, como que a nos anunciar que
o primeiro a servir é aquele que brevemente será muito bem servido pelo tempo,
pela vida, pelo sagrado, pois, tudo segue o mais veraz e proficiente princípio,
o da correspondência.
Neste
toar, de bom gosto a gosto de todos a quem satisfez, agosto finda deixando
saudades do bem vivido, do amor expandido, da felicidade ensejada, de toda a
graça experienciada. Amanhã chega setembro inaugurando os meses “B R O, BRÓS,
que efluem lepidamente logo encerrando o ano com as celebrações a vida daquele que
do amor nasceu para aspergi-lo – o amor – ao mundo e a todos os homens,
ensinando-os a amar.
Maranguape,
Ceará, 31 de Agosto de 2026
Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado
à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado
à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

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