segunda-feira, 31 de agosto de 2026

LONGE DE SER DE DESGOSTO, AGOSTO É MÊS DO BOM GOSTO

 

Por fim, chegamos ao dia final de mais um mês de agosto. Aquele mês ao qual atribuímos todas os azares, frustações e infelicidades, dando prosseguimento à firmeza e convicção de que todos os adágios, preceitos e responsabilidades que este mês do ano suporta de tantos entes humanos tão plenos na capacidade de inventar coisas mirabolantes, mito fantásticos e todo tipo de prenúncio do mal que atribuem a agosto.

 

As inventividades humanas têm sempre uma verdade a ancorá-las. E a fama do mês de agosto tem a sua "verdade" em de Portugal – que em todo e/ou em parte e a velha terrinha dos brasileiros, a depender do DNA –, pois, as caravelas partiam do Tejo em agosto rumo ao desconhecido (? – não tão desconhecido assim) e a incerteza do retorno dos navegadores associava este mês às perdas, casamentos “azarados” e insatisfações.

 

Chegada ao Brasil com as caravelas, essa tradição se fortaleceu com episódios históricos marcantes acontecidos em agosto, como: o suicídio de Getúlio Vargas (1954), a renúncia de Jânio Quadros (1961) e a morte de Juscelino Kubitschek (1976). Mesmo que pesquisadores provem estatisticamente que os malogros e as adversidades em agosto tem menor incidência que nos demais meses, agosto é o mês do desgosto!

 

Um pejorar persistente mais pela força da rima (“agosto / desgosto”), pela repetição cultural e pela tendência humana de imputar significado aos acontecimentos, notabilizando o modo fascinante como a humanidade produz narrativas que acabam moldando a nossa percepção do tempo, transformando um simples bloco de 31 dias em um verdadeiro teste de resistência psicológica aos constructos da imaginação humana.

 

Àqueles cuja educação emocional instruiu-lhes condignamente, o mês do agosto é o mais augurioso dos meses do ano. Particularmente, tive minha primeira filha nascida no décimo nono mês deste oitavo mês do ano. Bruna é dotada do mais veraz senso de alteridade, vetor que lhe faz mestria e robustece seu bem-sucedido protagonismo como operadora do direito: uma atividade que envolve inclusão, harmonia social e o amor eficaz.

 

Esta felicidade minha enseja mais um momento de festa em agosto. O Dia dos Pais, anualmente, celebrado no segundo domingo deste mês mais auspicioso do ano, que há exatos 26 anos me contenta com a evolução de Bruna, há 23 anos me entusiasma com o empreendedorismo de Rosilda e há 18 anos me satisfaz a presença de Jorge a me ensinar a ser melhor dia a dia. Primícias assim, somente agosto pode manifestar.

 

O Pai é cortejado por todo o mês de agosto, sejam estes consanguíneos, afetivos, adotivos, cativados ou cativadores, etc., fazendo reinar em cada festa muito mais do que alegria e reconhecimento aos pais, pois, juntamente com o Dia das Mães, é a data que manifesta de forma tangível aquilo que arde no espírito de Deus em todos os Homens: o senso amorável de família. Um amor feito elo perfeito entre o sagrado e mundano.

 

Reverbera aqui a voz-mestria de Paulo de Tarso prenunciando a responsabilidade de sermos família: “aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não creem” (1 Timóteo 5:8). Isso ecoa a tese de Bengel: "A fé não anula os deveres naturais, mas os fortalece." Eis manifesta a nossa primeira, e mais importante, missão de amor começa dentro do nosso próprio lar.

 

Irrefutavelmente, o ético só é real quando se materializa no vínculo mais próximo – a família é o "laboratório" da fé. É uma forma de praxis como prova da pistis – a fé não é assentimento proposicional, mas, materialização. Negar o cuidado é, em termos filosóficos, uma contradição performativa: afirmar o amor universal enquanto se recusa o amor ao mais imediato, ou seja, à família – a primeira comunidade de pertencimento.

 

O sentimento de pertencimento à família é a mais essencial das necessidades humanas que começa nos primeiros anos de vida e é imprescindível para o desenvolvimento emocional, psicológico e social do indivíduo. Essa busca de pertencer conduz o ente humano a encontrar “família” em instituições sociais diversas, arcádias, maçonaria etc., cada uma com seu sentido familiar próprio e um enlevo oportuno ao buscador.

 

Sendo o homem um ser social, buscar socializar-se é naturalmente espontâneo. Conhecer pessoas, compartilhar saberes, experienciar o que melhor a vida ofereça, prova-se sábio pelo melhor emprego que faz do conhecimentos galgados, declarar sabedoria àquilo que de outrem se experimenta favoravelmente, pois, estes são os mais formidáveis e revolucionários influxos da vida plena buscada por um ente humano.

 

Imbuído neste espírito, encontrei(-me) na Academia de Ciências Letras e Artes de Columinjuba – ACLA uma ambiência acolhedora, inclusiva e harmoniosa a montante, onde o reina o pertencimento – que nos identifica como aclaianos – inaugurando novel família, constituída das famílias dos confrades e confreiras que a constituem nesta contemporaneidade, sucedendo com galhardia àqueles que há 34 anos a fundaram para o bem da cultura brasileira.

 

Este rei cativador, o pertencimento, tem por consorte uma rainha a sua altura, a abnegação, que nos conduz a servir à cultura, ao desenvolvimento humano, à felicidade e a tudo que possa ser progresso conquistável pelo homem, como que a nos anunciar que o primeiro a servir é aquele que brevemente será muito bem servido pelo tempo, pela vida, pelo sagrado, pois, tudo segue o mais veraz e proficiente princípio, o da correspondência.

 

Neste toar, de bom gosto a gosto de todos a quem satisfez, agosto finda deixando saudades do bem vivido, do amor expandido, da felicidade ensejada, de toda a graça experienciada. Amanhã chega setembro inaugurando os meses “B R O, BRÓS, que efluem lepidamente logo encerrando o ano com as celebrações a vida daquele que do amor nasceu para aspergi-lo – o amor – ao mundo e a todos os homens, ensinando-os a amar.

 

Maranguape, Ceará, 31 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


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