Este
sábado (29/08) inicia suas primeiras horas sob a Mestria de Júlio César Pereira
de Paula, um irmão muito querido cujo veio literário fértil me encanta sempre,
pois, cuida de ratificar conhecimentos que jamais devem cair no esquecimento, nem
se perderem na escuridão destes tempos inglórios, como por exemplo, o contido
nesta frase de sua autoria que retrata exatamente nossa determinação neste caminho que
escolhemos seguir: “Ser Maçom, portanto, não é ostentar uma condição, mas viver
uma transformação contínua: é ser pacífico sem ser omisso, forte sem ser
arrogante, sábio sem ser soberbo, livre sem deixar de servir”.
Ser
maçom vai muito além de rituais, aventais ou símbolos; trata-se, imprescindivelmente,
de lapidar a si próprio através de um coração límpido isento e grato – como
requer Ma’at, a quem compete pesar o coração dos homens. Ao desnudar-se da
vaidade, do orgulho e da ostentação o maçom foca no aprimoramento moral e
espiritual de si, com o qual cativa, pelo exemplo, seus pares e os inspira a
habitualmente acompanharem-no nesta jornada do bem fazer à humanidade pelo
amor, pelo contínuo aperfeiçoamento dos costumes e pelo respeito à autoridade
que cada um imprime ao mundo e pela crença de cada um.
Assim
como no antigo Egito o coração do falecido precisava ser tão leve quanto a pena
da verdade e da justiça para alcançar a eternidade, o maçom busca o desapego
dos "metais" – as vaidades, o orgulho e as ilusões do mundo profano –
para que sua caminhada seja leve, justa e focada no que realmente importa: o
aperfeiçoamento moral e espiritual. É um trabalho contínuo, íntimo e
intransferível. Quando o Maçom consegue domar suas próprias paixões e excessos
– e submeter suas vontades, naturalmente seu luzeiro acende para a sociedade,
transformando o mundo ao seu redor não por imposição, mas, pelo testemunho de
si.
O portal Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba – a quem a Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará deve sua fundação–ressalta que “o maçom deve ser livre e de bom coração, evitando que a maldade e a injustiça motivem suas ações”. Devendo ele agir com retidão, honestidade e respeito à família e à sociedade; também cumpre-lhe estender a mão ao próximo sem esperar nada em troca, cultivar empatia sincera, o bem-estar coletivo e o mais vivaz senso de pertencimento que o identifica, enquanto constrói o verdadeiro templo, que não é feito de pedra, mas, edificado dentro de si, exatamente em seu coração bem formado, onde o criador imprimiu a chancela que o distingue dos demais homens.
A
Doutrina Espírita preceitua que a virtude verdadeira, definida pelo
desinteresse completo e pelo sacrifício do egoísmo em favor do próximo, é de
fato considerada rara na Terra, sendo admirada como um fenômeno devido à
predominância do interesse pessoal. Essa
raridade é relativa, pois, em mundos mais evoluídos, o bem torna-se regra
espontânea, e a perfeição moral é uma meta alcançável para a humanidade
terrestre à medida que ela evolui. Neste contexto, esmera-se o maçom
arquitetando neste Planeta Terra edificações morais aos moldes daqueles que
encontrará quando em mundos mais enlevados estiver.
A
metáfora do maçom que "arquiteta edificações morais" na Terra
harmoniza-se perfeitamente com a visão espírita de que este planeta é uma
escola. Não se trata de construções físicas, o verdadeiro trabalho do Maçom é
interno: transformar a "pedra bruta" (o homem com suas imperfeições)
em uma "pedra polida" (o homem virtuoso). Agir com alteridade,
praticar a caridade desinteressada e cultivar a harmonia social são os pilares
para erguer esse "templo interno". A Doutrina Espírita e a
Filosofia Maçônica manifestam a profunda convergência de ambas no que diz
respeito ao aperfeiçoamento moral e à evolução da humanidade.
Incontestavelmente,
não há labor mais árduo e contínuo do que a busca por ser um "pedreiro
livre" de suas próprias imperfeições e o combate ao egoísmo e ao orgulho
que são os principais obstáculos para a felicidade na Terra, afirma o
Kardecismo; Já a Maçonaria os considera com as arestas da "pedra bruta e concita
seus membros a agir como "pedreiros sociais", lapidando a si mesmos, transformando
tudo ao seu redor em ambiências harmoniosas e felizes. Eis que aqui, com muita
clareza, sintetizo a essência da filosofia maçônica que cuida da lapidação do
homem social, moral e espiritual a benefício de todas as sociedades.
Quando
olhamos para a história ou para o nosso cotidiano, percebemos que a verdadeira
bondade não é barulhenta; ela transforma o mundo de forma sutil, inspirando
outros a seguirem o mesmo caminho por meio do exemplo. Motivadoras palavras até
convencem, porém, é o melhor exemplo que nos arrasta. Homens de bem são raros e
sua inspiração é por demais valiosa para toda a humanidade. Em todos os tempos,
os maçons funcionam como verdadeiros faróis guiando-nos em meio ao mar
tempestuosos das adversidades; e o impacto de suas ações deixa um legado
duradouro para as próximas gerações.
A
bondade não solta rojões, não busca holofotes, não se anuncia nos noticiários.
Ela transforma o mundo de forma sutil – um favor feito sem alarde, uma presença
que acolhe sem exigir nada em troca, um abraço que robustece. Autêntica é
aquela que se faz quando ninguém está olhando, e é justamente por isso que
enraíza mais profundamente no caráter de quem a pratica e permanece na memória
de quem a recebe. Imbuído neste espírito, à medida que um homem muda sua
própria natureza, também a atitude do mundo em direção a ele muda e rompe
barreiras – culturais, linguísticas, ideológicas – e fala diretamente ao
coração.
Irrefutavelmente,
homens de bem são raros. Raros não por falta de boa vontade e/ou intenção, mas,
porque a integridade exige um esforço contínuo que a maioria prefere evitar. E
é por essa raridade que a inspiração que emanam é portentosamente enriquecedora
para todos nós. A tradição maçônica define a missão destes abnegados homens de
bem – que mantém em seu quadro de obreiros – não como privilégio, mas, como um
inefável dever. Como se lê nas Constituições de Anderson: "Um
Maçom é obrigado, por dever de ofício, a obedecer à Lei Moral.
O
conceito do "homem de bem", quando despido de clichês políticos ou
sociais, refere-se àquele indivíduo que pauta suas ações pela justiça, inclusão
e integridade. A inspiração desses homens de bem que manifestam modelos de
conduta que não buscam ostentação, mas sim, que elevam moralmente aqueles ao
seu redor. Entes humanos que ao viverem com coerência e autenticidade despertam
nos outros o desejo de superar a mediocridade e o comodismo, demonstrando que é
possível e necessário pautar a vida por valores nobres, mesmo em ambientes
hostis. O verdadeiro valor desse perfil está nas atitudes discretas.
O pensador Francisco
Faus (O Homem Bom) realça que o homem bom é aquele que "exerce
sobre nós uma influência benfazeja" e nos eleva moralmente – ideia próxima
de "inspiração valiosa para a humanidade. Ele impulsiona a força do
exemplo arrastando outras pessoas, gerando um efeito cascata de boas ações e
retidão que beneficia toda a comunidade. A integridade do homem de bem e/ou bom
é um manual prático de conduta, demostrando que é possível prosperar mantendo
os próprios valores intactos. Em um mundo moldado por interesses vis e imediatos
e por uma volatilidade imperiosa, figuras assim se tornam referências
essenciais.
A
tradição maçônica reforça isso: não é meramente colocar-se dentro de um Templo
e cumprir o ritualismo que lhe é inculcado ao maçom, devidamente revestido das
insígnias que lhe competem usar – dons, conhecimentos e sabedoras in natos e,
claro, saberes, graduações e investiduras galgadas em sede de maçonaria –; ser
maçom, vai muito além disso, é irradiar habitualmente essas qualidades mentais
e espirituais adquiridas através de suas vivências maçônicas. E a ideia
de cativar pelo exemplo – não por título ou grau – é o que diferencia o
"maçom de avental" daquele que é o verdadeiro obreiro da Sublime Arte
Real.
Ser
maçom é, resolutamente, carregar a singeleza de coração como o guia para a
lapidação da própria alma. O Sinal Peitoral mais antigo, já documentado no
Manuscrito de Sloane (1710), consiste em dobrar o braço direito em forma de
esquadro e levar a palma da mão esquerda sobre o coração. O progresso do maçom
começa no coração, pois, ele é o centro da construção simbólica por
excelência. É um convite à introspecção e à sinceridade mútua, desarmando
o ego para se tornar um "homem livre e de bons costumes" que
reconhece suas próprias imperfeições com pureza de intenção e, este, é primeiro
passo para essa evolução intelectual e moral.
A
singeleza de coração (simplicidade, sinceridade, ausência de duplicidade) se
alinha com a verdade, um dos três princípios fundamentais (junto com Amor
Fraternal e Ajuda): "Sob a influência desse princípio, hipocrisia e
falsidade são desconhecidas em seu meio.
Sinceridade e probidade são qualidades distintivas, e o coração e a língua
se unem para promover o bem-estar do próximo. Bédarride (2013) observa que
quando o homem consegue enraizar no coração o amor do Ideal maçônico – a
prossecução da mais alta cultura moral –, a noção de prazer e felicidade se
torna completamente diferente da que se concebe na vida profana.
Ser
Maçom pede ao homem que o centro de sua vida – o coração – seja o lugar da
sinceridade, da pureza de intenção e da ausência de duplicidade. É uma definição de maçom que vai além do
ritual e do templo: é sobre como se é no mundo, carregando essa singeleza como
quem carrega um peso que, paradoxalmente, liberta. A singeleza, jamais será é
um mero traço de personalidade, ao contrário, é um trabalho diário, assim como
o do Aprendiz que desbasta sua pedra bruta. Não se trata de um estado passivo,
mas de uma prática contínua, por isso, o verbo carregar é significativo.
Maranguape,
Ceará, 29 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

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