Há
datas que o calendário registra, mas há outras que a consciência nacional
insiste em perguntar. O 7 de Setembro pertence às duas categorias. É a
celebração de uma independência proclamada às margens do Ipiranga, mas também, a
oportunidade de indagar se, quase dois séculos depois, aprendemos
verdadeiramente a ser independentes.
Porque
independência requer verdade?
Sem
verdade, nada é autêntico. E uma nação pode ostentar bandeira, hino, brasão e
discursos patrióticos, mas continuará incompleta enquanto não tiver coragem de
olhar para si mesma com olhos límpidos.
Talvez
esteja aí uma das nossas maiores contradições. Somos uma terra de homens e
mulheres capazes de feitos extraordinários, mas, frequentemente conduzida por
aqueles que parecem sofrer de uma espécie de astigmatismo moral: enxergam o que
lhes convém e turvam deliberadamente aquilo que deveriam ver com clareza.
A
verdade, quando incomoda, é afastada. A fidedignidade torna-se inconveniente. O
mérito é muitas vezes submetido ao interesse, enquanto a corrupção encontra
caminhos, atalhos e justificativas. E assim, pouco a pouco, aquilo que deveria
ser exceção transforma-se em método.
O
Brasil, então, parece caminhar entre o imenso potencial de sua grandeza e as
pequenas conveniências de seus vícios.
Basta
lembrar de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, símbolo de uma visão
empreendedora que ousou imaginar um Brasil moderno, industrial e economicamente
soberano. Sua trajetória nos lembra que o desenvolvimento de uma nação não
nasce apenas de discursos, mas da coragem de criar, investir, produzir e
acreditar no próprio país.
Ainda
assim, quantas vezes o valor nacional foi deixado ao léu?
Quantas
vezes aqueles que poderiam construir foram sufocados por estruturas que
preferiram conservar privilégios a abrir caminhos?
E
quantas vezes o legislador, que deveria representar a pátria e servir ao
interesse público, terminou por produzir normas que protegem mais os arranjos
do poder do que a dignidade do cidadão?
É
nesse ponto que a independência deixa de ser apenas um acontecimento histórico
e passa a ser uma exigência diária.
Não
basta termos nos tornado independentes de uma metrópole. É preciso que nos
tornemos independentes da mentira, do favorecimento, da corrupção, da
mediocridade e da submissão intelectual.
Não
podemos continuar repetindo que “ninguém mexe em time vencedor” quando, tantas
vezes, o time sequer está vencendo. O país que se acomoda aos próprios erros
transforma a repetição em tradição e a tradição em destino.
Seguimos,
assim, inexatos e torpes, muitas vezes dependentes daquele que vem de fora para
nos dizer quanto valemos, o que devemos produzir, como devemos pensar e para
onde devemos caminhar.
Mas
uma pátria verdadeiramente independente não precisa negar o mundo; precisa
apenas deixar de negar a si mesma.
Independência
não é fechar portas. É ter dignidade para atravessá-las sem abandonar a própria
identidade.
É
saber receber conhecimento sem renunciar à própria inteligência. É acolher o
estrangeiro sem desprezar o nacional. É admirar o que vem de fora sem acreditar
que tudo o que é nosso seja inferior.
Sobretudo,
é aprender a enxergar.
Enxergar
nossas virtudes sem soberba.
Enxergar
nossas mazelas sem covardia.
Enxergar
nossos heróis sem transformá-los em mitos intocáveis.
Enxergar
nossos erros sem procurar eternamente um culpado distante.
Talvez
o verdadeiro grito de independência que o Brasil ainda precise ouvir não seja
aquele que ecoou às margens do Ipiranga, mas aquele que precisa nascer dentro
de cada consciência:
independência
é ter coragem de escolher a verdade, mesmo quando a verdade nos obriga a mudar.
Neste
7 de Setembro, que a bandeira brasileira não seja apenas um símbolo que tremula
ao vento, mas um espelho diante do qual possamos perguntar, com honestidade:
somos
realmente independentes?
A
resposta não estará nos discursos.
Estará
naquilo que fizermos quando ninguém estiver olhando.
Porque
uma nação somente se torna verdadeiramente independente quando seus cidadãos já
não precisam escolher entre a verdade e a conveniência.
E
talvez seja justamente aí que comece a verdadeira independência do Brasil.
Essa
excelsa independência, é o que faz desta Academia Internacional dos Maçons sui
generis dentre as demais arcádias que os mais recônditos celeiros culturais do
Brasil.
Livre,
garante a liberdade de pensamento dos seus mais de duzentos confrades –
distribuídos nas categorias: fundadores, correspondestes nacional,
correspondentes estrangeiros e membros honorários.
Equânimes
em seus direitos e obrigações eles compartilham entre si os mais augustos
saberes maçônicos, que são a matéria-prima ótima para cada um dos constructos
literários que produzem – conjunta e/ou individualmente.
Cada
obra produzida sob os auspícios da AIMI é um tijolo a mais alocado na
construção íntima de cada maçom em todo o planeta Terra.
Fraternidade
é o que faz existir tão alargado alcance majorado dia a dia pela AIMI à medida
de mais e mais se internacionaliza a partir de cada correspondente
internacional que chega aportando seus prodígios a bem crescimento e
continuísmo da cultura maçônica em todo o mundo.
Uma
cultura que tem por fertilizante a verdade e como irrigação a transparência nos
feitos e efeitos, jamais contrariaria a determinação de: combater preconceitos,
tirania e erros, pois, seria um demérito ao orgulho de quem assume-se com
autêntica defensora da justiça e da verdade a bem da pátria e da humanidade.
Princípios
robustos assim mantém impolutas as colunas que sustentam a maçonaria em sua
vocação de ser espelho da independência esperada daqueles cujo coração foi
tocado pela luz que vem alto. Cada coração um dom e cada dom um préstimo à
disposição da emancipação do homem e da humanidade.
Maranguape, Ceará, 07 de Setembro de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
Nenhum comentário:
Postar um comentário