segunda-feira, 7 de setembro de 2026

INDEPENDÊNCIA: A VERDADE QUE AINDA NOS FALTA

 

Há datas que o calendário registra, mas há outras que a consciência nacional insiste em perguntar. O 7 de Setembro pertence às duas categorias. É a celebração de uma independência proclamada às margens do Ipiranga, mas também, a oportunidade de indagar se, quase dois séculos depois, aprendemos verdadeiramente a ser independentes.

 

Porque independência requer verdade?

 

Sem verdade, nada é autêntico. E uma nação pode ostentar bandeira, hino, brasão e discursos patrióticos, mas continuará incompleta enquanto não tiver coragem de olhar para si mesma com olhos límpidos.

 

Talvez esteja aí uma das nossas maiores contradições. Somos uma terra de homens e mulheres capazes de feitos extraordinários, mas, frequentemente conduzida por aqueles que parecem sofrer de uma espécie de astigmatismo moral: enxergam o que lhes convém e turvam deliberadamente aquilo que deveriam ver com clareza.

 

A verdade, quando incomoda, é afastada. A fidedignidade torna-se inconveniente. O mérito é muitas vezes submetido ao interesse, enquanto a corrupção encontra caminhos, atalhos e justificativas. E assim, pouco a pouco, aquilo que deveria ser exceção transforma-se em método.

 

O Brasil, então, parece caminhar entre o imenso potencial de sua grandeza e as pequenas conveniências de seus vícios.

 

Basta lembrar de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, símbolo de uma visão empreendedora que ousou imaginar um Brasil moderno, industrial e economicamente soberano. Sua trajetória nos lembra que o desenvolvimento de uma nação não nasce apenas de discursos, mas da coragem de criar, investir, produzir e acreditar no próprio país.

 

Ainda assim, quantas vezes o valor nacional foi deixado ao léu?

 

Quantas vezes aqueles que poderiam construir foram sufocados por estruturas que preferiram conservar privilégios a abrir caminhos?

 

E quantas vezes o legislador, que deveria representar a pátria e servir ao interesse público, terminou por produzir normas que protegem mais os arranjos do poder do que a dignidade do cidadão?

 

É nesse ponto que a independência deixa de ser apenas um acontecimento histórico e passa a ser uma exigência diária.

 

Não basta termos nos tornado independentes de uma metrópole. É preciso que nos tornemos independentes da mentira, do favorecimento, da corrupção, da mediocridade e da submissão intelectual.

Não podemos continuar repetindo que “ninguém mexe em time vencedor” quando, tantas vezes, o time sequer está vencendo. O país que se acomoda aos próprios erros transforma a repetição em tradição e a tradição em destino.

 

Seguimos, assim, inexatos e torpes, muitas vezes dependentes daquele que vem de fora para nos dizer quanto valemos, o que devemos produzir, como devemos pensar e para onde devemos caminhar.

 

Mas uma pátria verdadeiramente independente não precisa negar o mundo; precisa apenas deixar de negar a si mesma.

 

Independência não é fechar portas. É ter dignidade para atravessá-las sem abandonar a própria identidade.

 

É saber receber conhecimento sem renunciar à própria inteligência. É acolher o estrangeiro sem desprezar o nacional. É admirar o que vem de fora sem acreditar que tudo o que é nosso seja inferior.

 

Sobretudo, é aprender a enxergar.

 

Enxergar nossas virtudes sem soberba.

 

Enxergar nossas mazelas sem covardia.

 

Enxergar nossos heróis sem transformá-los em mitos intocáveis.

 

Enxergar nossos erros sem procurar eternamente um culpado distante.

 

Talvez o verdadeiro grito de independência que o Brasil ainda precise ouvir não seja aquele que ecoou às margens do Ipiranga, mas aquele que precisa nascer dentro de cada consciência:

 

independência é ter coragem de escolher a verdade, mesmo quando a verdade nos obriga a mudar.

 

Neste 7 de Setembro, que a bandeira brasileira não seja apenas um símbolo que tremula ao vento, mas um espelho diante do qual possamos perguntar, com honestidade:

 

somos realmente independentes?

 

A resposta não estará nos discursos.

 

Estará naquilo que fizermos quando ninguém estiver olhando.

 

Porque uma nação somente se torna verdadeiramente independente quando seus cidadãos já não precisam escolher entre a verdade e a conveniência.

 

E talvez seja justamente aí que comece a verdadeira independência do Brasil.

 

Essa excelsa independência, é o que faz desta Academia Internacional dos Maçons sui generis dentre as demais arcádias que os mais recônditos celeiros culturais do Brasil.

 

Livre, garante a liberdade de pensamento dos seus mais de duzentos confrades – distribuídos nas categorias: fundadores, correspondestes nacional, correspondentes estrangeiros e membros honorários.

Equânimes em seus direitos e obrigações eles compartilham entre si os mais augustos saberes maçônicos, que são a matéria-prima ótima para cada um dos constructos literários que produzem – conjunta e/ou individualmente.

 

Cada obra produzida sob os auspícios da AIMI é um tijolo a mais alocado na construção íntima de cada maçom em todo o planeta Terra.

 

Fraternidade é o que faz existir tão alargado alcance majorado dia a dia pela AIMI à medida de mais e mais se internacionaliza a partir de cada correspondente internacional que chega aportando seus prodígios a bem crescimento e continuísmo da cultura maçônica em todo o mundo.

 

Uma cultura que tem por fertilizante a verdade e como irrigação a transparência nos feitos e efeitos, jamais contrariaria a determinação de: combater preconceitos, tirania e erros, pois, seria um demérito ao orgulho de quem assume-se com autêntica defensora da justiça e da verdade a bem da pátria e da humanidade.

 

Princípios robustos assim mantém impolutas as colunas que sustentam a maçonaria em sua vocação de ser espelho da independência esperada daqueles cujo coração foi tocado pela luz que vem alto. Cada coração um dom e cada dom um préstimo à disposição da emancipação do homem e da humanidade.


Maranguape, Ceará, 07 de Setembro de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

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