Valorizar
trilhas, rochas e belezas naturais da região da Serra de Maranguape expressa
que Deus abre os caminhos para que neles nos coloquemos como pedras lavradas que
fazem a estrada andar, pois, a natureza criada pelo sagrado para nos abrigar,
alimentar e contentar já aparou as arestas restadas do mundano deixando-nos com
a superfície ótima a sermos parte dele.
Poeticamente,
este pensamento manifesta a sinergia entre a ação divina e o trabalho humano,
sugerindo que a fé nos dá a direção, porém, é a nossa dedicação o vetor de transformação
dos obstáculos em estruturas (alavancas) para avançar, encontrando na interdependência
que há entre tudo criado material e espiritualmente sob a égide da harmonia
reinante.
A
natureza, como um abrigo já preparado pelo sagrado não é meramente um cenário, sendo
um formidável organismo vivo que "aparou as arestas" do mundano. Isso
sedimenta que o ambiente natural já possui uma sabedoria intrínseca e uma
superfície pronta para nos receber – e para que a recebamos –, bastando que nos
integremos a ela em vez de tentarmos dominá-la.
Essa
percepção reverbera sentimentos encontrados em diversas tradições espirituais e
obras artísticas, como nos louvores que celebram a intervenção divina que
remove obstáculos e prepara o terreno para o trânsito da fé e da vida. Como nos
rituais maçônicos que definem o maçom como pedra que, pelo burilamento, galga a
aptidão para ser usada na construção social.
Neste
contexto, a arte atua como uma ponte entre o humano e o divino, permitindo a
expressão de emoções, crenças e ideias de forma criativa e simbólica. Afirma
Adelino Barcellos Filho, citado pelo Vatican News, essa expressão
buscar "aliar forma e conteúdo", fazendo com que o indivíduo cresça e
corresponda à arquitetura Sagrada presente em toda a Criação.
Historicamente,
essa dinâmica observa-se desde a preparação instintiva dos ninhos pelos animais
até as complexas obras humanas, indicando que a criatividade é uma resposta ao
divino, mesmo que no Renascimento e Iluminismo ela tenha passado a ser compreendida
como um processo estruturado fruto do esforço individual, razão e
desenvolvimento técnico.
A
simbiose entre estas tradições reside na ideia de que a existência humana
requer um processo ativo de transformação para atingir seu pleno potencial. Resolutamente,
assim como o louvor materializa a remoção de impedimentos espirituais para o
trânsito da fé, o burilamento da pedra, a seu tempo, remove as asperezas do
caráter para o trânsito na vida social. Eis o múnus da evolução humana.
Tanto
o cântico espiritual quanto a pedra lapidada deixam de ser elementos isolados
para se tornarem partes fundamentais de uma estrutura maior – seja o corpo
místico da fé ou a edificação da sociedade humana. O maçom, simbolizado como
uma "pedra bruta" que, através do trabalho constante e do
"burilamento" (educação e autoconhecimento), torna-se apta ao fim a
que se destina.
O
objetivo desse refinamento jamais será unicamente a perfeição individual, mas,
sempre será o desenvolvimento das capacidades de integrar-se à "construção
social". Assim como as pedras lapidadas compõem um templo, os indivíduos
transformados compõem uma sociedade mais justa e fraterna. O ritual estabelece
essa aptidão como essencial para o trânsito da vida em comunidade.
Este
olhar robustece que a espiritualidade e a arte não são fins em si mesmas, mas,
ferramentas dinâmicas que preparam o indivíduo para atuar no mundo, superando
limitações e contribuindo para uma obra coletiva, que jamais finda, ao
contrário é continua e aprimorada por cada geração que a seu tempo estabelece
novéis perspectivas de entendimento para o tradicional dando-lhe (re)novadas
utilidades.
Sêneca
e Marco Aurélio, acreditam que viver em harmonia com o bem é viver em
conformidade com a razão e a natureza. Marco Aurélio defende que aceitar
os acontecimentos externos – que estão fora do nosso controle – e focar nas
próprias respostas internas e virtudes é o caminho para a tranquilidade da
mente (ataraxia), cônscio que somente uma mente serena é sã.
Viver
racionalmente é, incontestavelmente, alinhar a própria vontade e ações com essa
ordem natural e divina que dá influxo ao universo. Fidedignamente leal à
amizade ao bem, Jônatas arriscou sua posição como príncipe e sua relação com o
pai, o Rei Saul, para proteger Davi. "A alma de Jônatas se ligou com a
alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma". (1 Samuel 18:1)
Sêneca
enfatiza a virtude é o único bem verdadeiro e que ela só é alcançada quando se
vive de acordo com a natureza. Envolve o uso correto da razão para discernir o
que é bom, mal ou indiferente, como também, para cultivar qualidades como a
sabedoria, a justiça, a coragem e a temperança, que manifestam – como Ruth e
Noemi – amor sacrificial e compromisso inabalável. (Rute 1:16)
“Sou
amigo de todos os que te temem e obedecem aos teus preceitos”, declara Salomão.
(Salmos 119:63). A razão (ou logos), pois, é a lei universal que
governa o cosmos e que, também, reside dentro de cada ser humano. Desta sinergia
a natureza forma-se como a pedra angular da ética estoica, o único caminho para
se alcançar a verdadeira felicidade e excelência moral.
Sendo
a excelência moral, ou virtude, o único bem verdadeiro. Tudo o mais – saúde,
riqueza, reputação – é um "indiferente preferível", algo que podemos
desejar, ainda que não determine nossa felicidade ou moralidade. A virtude, unicamente,
é mais que suficiente para que a felicidade propicie a ausência de sofrimentos
desnecessários através da sabedoria prática: domínio próprio.
O
sábio foca apenas naquilo que pode controlar. "Quem tem muitos amigos pode
chegar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios
18:24), afinal, unicamente a verdadeira amizade oferece um apoio profundo,
lealdade contundente e um companheirismo mais forte que os laços familiares,
sendo um tesouro de valor inestimável encontrado por poucas pessoas.
O
amigo fiel é permanece quando outros partem. Ele constrói a família espiritual (“família
de alma”) sobre uma base de confiança e amor. A amizade manifesta o poder do
"nurture" (criação e escolhas interpessoais) na formação de conexões
significativas. Como afirma Aristóteles que a amizade é "uma alma
habitando em dois". É o exercício da liberdade e da autonomia de uma
escolha deliberada.
Esse
"sim" renovado diariamente confere ao suporte emocional uma validação
única. Saber que o amigo escolhe estar ali todos os dias cria um vínculo de
confiança muito mais profundo do que os laços consanguíneos. É um vicejar intenso
da empatia, fortalecendo a resiliência, que deixa de ser um "hábito" para
a ser uma genuína e cuidadosa amizade entre amigos do bem.
A
amizade é o cimento que assenta a pedra polida nos caminhos da (con)fraternidade
aberto pelo Criador para que nele sejamos a estrada a levar o universo à coadjuvação
entre o mundano e o sagrado onde galgamos a aptidão para sermos a pedra polida (o
homem integral aprimorado moral e espiritualmente) assentada neste caminho.
Maranguape,
Ceará, 22 de Julho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE
Nenhum comentário:
Postar um comentário