Ciclicamente experienciada num influxo perene de começos, términos e (re)começos, vive a vida. Cada novo ciclo simboliza tanto a inevitabilidade da mudança, quanto a oportunidade de renovação constante. É um período de renovação, transformação e recomeço (pessoal, profissional, espiritual, etc., onde em qualquer área da experienciação humana há mudanças.
A filosofia,
especialmente o autoconhecimento, é crucial para entender suas dimensões
(física, emocional) e o tempo necessário para cada mudança. Envolve esperança,
restauração e amadurecimento, quebrando padrões e buscando crescimento e
fidelidade, seguindo a jornada cíclica de aprendizado, perdas e recomeços em
contínuo aprimoramento.
Um novo ciclo, portanto,
intrinsecamente ligado à esperança, sedimenta a ideia de que cada término
traz consigo momentos de transição a nos convidar à autoavaliação, a partir da
qual repensamos prioridades, reajustamos planos e estabelecemos novos
significados para a existência. É um caminho aberto para a plenitude procurada
desde a infância do homem.
O "novo ciclo"
é uma metáfora para a capacidade humana de se adaptar, aprender com o passado e
intencionalmente construir um futuro diferente e melhor. As coisas velhas já
passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Coríntios 5:17) Não se trata tão
somente de um encerramento, mas, de um processo de evolução constante que se
nesta época do ano se renova.
Tomar uma atitude parece
ser a "virada de chave" para vivermos um novo ciclo, usando como
ferramenta o autoconhecimento para gerenciar as mudanças – tão emergentes,
quanto imprescindíveis. Abraçá-lo e deixar o "velho" para trás, sem
tentar transformá-lo, é determinante para a nova fase, celebrando cada (re)começo
com sabedoria e abertura, porém, sem temer o fim.
Essa filosofia desde os
tempos de Sócrates, com o aforismo "Conhece-te a ti mesmo", incita
uma vida de reflexão para se tornar um ser humano melhor. Isso que nos concita
a uma versão mais evoluída de nós mesmos, a uma "atualização" e a
florescer em novas versões, buscando uma vida mais consciente e satisfatória,
com novos aprendizados e objetivos.
Esse conceito de
"florescer em novas versões" alinha-se com a psicologia positiva, que
aborda o bem-estar e o potencial humano; e com filosofias que veem o
"eu" não como algo a ser descoberto, mas como algo que se cria e está
em constante mudança. É a chance de somarmos novas experiências e perspectivas
ao legado que já construímos, porém, em adequabilidade contínua.
Não é apenas um
pensamento abstrato, mas, uma prática que tem como objetivo transformar a
pessoa que o põe em prática. Desta forma, encontrando um sentido maior em cada
fase, "não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
Eis que faço uma coisa nova, agora ela vai surgir; não a percebeis? Até no
deserto farei caminho, e rios no ermo". (Isaías 43:18-19)
Evoco, neste pensar,
o Devir de Heráclito – a filosofia do "vir a ser" –
que estabelece como única constante: a mudança. O “eu” não é estático, mas, um
processo fluido de transformação. Ao vermos a vida como um processo de
"tornar-se" em vez de apenas "ser", transformamos nosso o
legado em algo vivo e dinâmico, onde cada nova versão não apaga a anterior, mas
a expande.
Esse preceito reflete com
exatidão os pilares da Psicologia Positiva, especialmente o modelo PERMA de
Martin Seligman, que enfatiza o florescimento humano (flourishing) através do
crescimento contínuo e do sentido de realização. O que, por sua vez, alinha-se
à ideia dos filósofos existencialistas de que "a existência precede a
essência".
Como proposto por
Jean-Paul Sartre, não nascemos com um destino selado; nós nos criamos através
de nossas escolhas e ações ao longo da vida. O que ancora a Mentalidade
de Crescimento (Growth Mindset), conceito da psicóloga Carol
Dweck, que defende que habilidades e inteligência podem ser desenvolvidas,
permitindo que o indivíduo se reinvente em qualquer etapa.
Essa reinvenção do homem
é um processo de regeneração e renovação espiritual que
envolve transformação interior contínua e prática de atitudes exemplares que o
faz diuturnamente "vestir-se do novo, que se renova para o conhecimento,
segundo a imagem daquele que o criou". (Colossenses 3:10). Liberto da ira,
malícia, mentira e linguagem indecente, que pertenciam à vida antiga.
Manifesta, portanto, uma
metamorfose espiritual profunda, não uma melhoria superficial, mas, algo que
nos capacita a viver uma vida a jacente – que repousa na humildade –
quando o "eu" deixa de ser o centro. Isso envolve reconhecer de que a
vida espiritual não ocorre no futuro, mas no agora, pois, a virtude nasce no
espaço entre o estímulo e a resposta.
Essa transição se inicia
quando abandonamos o desejo de "autoajuda" (melhoria superficial) em
favor da "autotranscedência" (morte do ego e renascimento em
virtude). Viver essa vida virtuosa exige o treinamento da vontade, ou seja,
requer (auto) disciplina para agir de acordo com esses princípios elevados,
mesmo diante dos mais variados desafios.
Ao adotarmos a "autotranscedência"
como um lume, passamos a trilhar o caminho para o renascimento pessoal e o
eflorescimento de virtudes como: compaixão, coragem e sabedoria; e desvelamos
perspectivas comuns em muitas filosofias de vida, incluindo as que foram
compreendidas por Viktor Frankl, o fundador da Logoterapia.
Na Logoterapia, a autotranscedência
é entendida como a capacidade humana fundamental de se direcionar para algo, ou
alguém, além de si mesmo (um significado a ser cumprido e/ou outro ser humano a
ser amado). Essa é a força motriz da vida humana e a verdadeira realização
pessoal, ou "renascimento", que emerge precisamente dessa dedicação a
algo maior que o próprio ego.
Esse amor incondicional é
a base para quaisquer novéis ciclos de vida, manifestando-se como aceitação
total e apoio ao crescimento, sem expectativas, no amor de pais por filhos ou
no amor divino (Ágape). É a força sutil para encerrar ciclos antigos, perdoar
erros e abraçar vetores essenciais como: esperança, gratidão e recomeço, nesta
jornada de ricas experienciações que 2026 almeja.
Feliz e Próspero 2026 são
nossos votos a todos que conosco compartilham o amor que sentimos pela ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS, um amor semente que vividamente logo é plântula
erguendo-se rumo ao sol da sabedoria que justos buscamos ao passo que a
cultivamos, que a cultuamos.... que a ela dedicamos nosso amor-dedicação.
Brasília, Distrito
Federal, 30 de Dezembro de 2026
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