sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A MAÇONARIA HOJE FAZ O QUE?

 

Estabelecida desde sua mais tenra idade como uma instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressista, com a finalidade específica de promover o aperfeiçoamento moral e intelectual do homem, a quem prepara para a construção de uma sociedade justa e equitativa, a Maçonaria avança rumo ao futuro mantendo suas seculares tradições discretamente, atuando como um lábaro de sobriedade, ética e solidariedade, ancorada pela alteridade que a torna majestosa na inclusão social que patrocina.

 

Com cerca de 6 milhões de membros contabilizados no mundo, a Maçonaria busca unir homens de diferentes status quo, respeitando a diversidade de crenças, pois, sendo religiosa, exige apenas a fé em um ser superior, sem jamais requer filiação religiosa específica daqueles a quem acolhe em seu seio. Através de ordens paramaçônicas, como a Ordem DeMolay, por exemplo, a Maçonaria investe na formação de jovens líderes, ensinando virtudes como patriotismo, companheirismo e amor filial.

 

Comprometida com a melhoria da humanidade, a partir do homem que faz aperfeiçoado, a Maçonaria atua como um sistema de moralidade que utiliza símbolos e ritos para ensinar valores como justiça, verdade, honra e progresso, incentivando seus membros a serem cidadãos melhores. Conscienciosa, a Maçonaria valoriza o conhecimento e a educação –posicionando-se contra a ignorância – e promove o desenvolvimento intelectual da sociedade – indiretamente a partir daqueles a quem educa. 

 

Em um contexto global de rápidas transformações na sociedade líquida que viceja nos dias atuais, a Maçonaria se posiciona como guardiã de valores universais. A Ordem promove a coexistência pacífica de diferentes opiniões e religiões, combatendo o fanatismo e a intolerância. Cidadã, a Maçonaria foca em causas (ambientais, sociais, culturais) e incentiva que seus membros participem na política, sem se subordinar a partidos, embora aceite membros de diferentes partidos, desde que respeitem sua neutralidade.

 

Cumpre ressaltar que ser apartidário é sobre não ter partido, mas sim, sobre manter a liberdade de atuação e decisão, sem se vincular a uma sigla, o que permite maior amplitude e foco em objetivos específicos.  A natureza apartidária da Maçonaria garante que o foco seja em valores humanos universais, e não em agendas políticas específicas. Isto sustenta o postulado maçônico universal que proíbe a discussão de matéria político-partidária, racial ou religiosa dentro dos templos, preservando a harmonia.

 

Apesar de preservar rituais tradicionais, a instituição é progressista e tem se modernizado através do uso de tecnologias para comunicação interna e gestão. Em 2026, líderes maçônicos reforçam a necessidade de combater o preconceito e a desinformação, buscando uma maior interação e transparência com a sociedade moderna a partir das   Lojas maçônicas que realizam trabalhos de assistência social e apoio a comunidades carentes, muitas vezes, de forma pro bono, em áreas como saúde e educação.

 

Determinada construir um mundo melhor, a maçonaria define a ignorância como um dos maiores obstáculos ao progresso humano e a combate por meio do incentivo à educação, às ciências e à investigação da verdade, sem dogmatismos, pois, um Maçom educado é (auto) consciente e (auto) responsável, capaz de assumir-se responsável por feitos com coragem e pronto a todo momento para exemplar seus pares e aos homens em coletividade através de atitudes sóbrias e coerentes com suas convicções.

 

Em 2026, há um reforço ao já contínuo desmistificar da própria Maçonaria, combatendo teorias da conspiração e preconceitos externos sofridos por seus membros. A ordem (re)afirma seu compromisso com a erradicação do preconceito racial e de quaisquer outras formas de discriminação, ancorando-se, como sempre o fez, nos pilares da Igualdade e Fraternidade. O objetivo é a construção de uma sociedade equitativa onde o mérito e a virtude sobreponham-se à origem, à cor da pele e/ou ao status quo.

 

A Maçonaria notabilizou-se, desde sua infância, no combate que faz aos vícios morais e injustiças – para as quais cava masmorras – como a corrupção e a desigualdade de oportunidades, em 2026, a partir dos maçons que lhe dão força, sabedoria e beleza, foca seu esmero em "trazer a razão de volta à política", combatendo privilégios de elites e buscando uma república mais justa e independente. Porém, o faz de forma discreta, embora pujante, sob a tutela do capital intelectual que dispõe: o maçom.

 

Não se pode esquecer em momento algum, que Maçonaria sem Maçom é relesmente um “Clube do Bolinha” cultivando apenas vícios (intolerância generalizada, inclusive a religiosa, o racismo, o sectarismo ideológico, o preconceito de gênero, além dos mundanos prazeres que a vaidade incita), pois, o verdadeiro maçom não é apenas quem frequenta o templo ("clube"), mas sim, aquele ente humano colhido no pomar social (comunidade) que aplica os ensinamentos maçônicos na sua vida profana (o mundo exterior).

 

Educadora desde sua ciese, a maçonaria tem na literatura sua mais providencial alavanca a retirar os entulhos das desinformações, das meias-verdades, das perfídias etc, pois, à literatura é dado o condão de constituir homens probos. E o Maçom é integro, consciente e responsável. Responsável inclusive por fazer da Maçonaria majestosa, digna e eficaz, pois, ela tão somente diz onde cortar a pedra, como dar-lhe o brilho e quanto esta pedra (maçom) de fato vale. Valoramos o que nos valoriza!

 

Compreensivelmente, a maçonaria não existe por si mesma, mas, para servir à evolução do ser humano e ao coletivo (humanidade). Ela ensina que, antes de ser um "irmão" ou um "mestre", o indivíduo é um homem. Sem os atributos básicos da humanidade – como empatia, ética e consciência social – os títulos e ritos perdem o sentido. Sem foco na melhoria do ser humano a Maçonaria perde seu propósito de humanizar a humanidade a partir dos inefáveis valores que professa e inculca nas mentes dos maçons.

 

Não resta dúvida alguma, a Humanidade é a matéria-prima e o objetivo final da Maçonaria. Sem o compromisso com o bem comum e com os valores humanos, a ela seria apenas um clube social vazio de propósito transformador. Não havendo humanidade no homem, a estrutura da Maçonaria colapsaria, pois, não haveria base para a implementação e exercício da alteridade. Alteridade que bem disseminada e empreendida transforma solos áridos em excelentes pomares sociais onde se colhem futuros maçons.

 

Notadamente, a falta de alteridade nas relações sociais resulta em aumento de conflitos e em exclusão, pois, sem essa base de reconhecimento mútuo, a "Ordem" se transforma em mero caos ou autoritarismo, pois, as normas sociais perdem o sentido ético e se sustentam apenas pela força, tornando insustentável a convivência pacífica. Sem o reconhecimento do outro, a estrutura social se desfaz. A relação eu-outro é a base da ética indispensável para qualquer contrato social, bem como, ao senso de pertencimento – que diz somos humanos.

 

Se não há humanidade (entendida aqui como a capacidade inerente de empatia, ética e reconhecimento mútuo), as leis, costumes, rituais e consensos perdem sua finalidade de promover o bem comum e passam a ser ferramentas de dominação puramente técnica ou força bruta – meramente mecânica ou coercitiva, gerando uma fragmentação social que prejudica tanto o indivíduo quanto a coletividade. Não há a formação de um tecido social estável, por falta de uma ambiência social coesa.

 

A falta de diálogo facilita a criação de "bolhas", onde o isolamento impede a compreensão de diferentes perspectivas, o que enfraquece os pilares da sociedade. Contrapondo-se a isto, a proximidade e a troca entre pessoas geram maior colaboração e criatividade, sendo esta interatividade social imprescindível para o desenvolvimento de habilidades e para adaptação a contextos sociais; para a humanização que emerge da harmoniosa inclusão social que é objeto das mais verazes e proficientes práticas maçônicas.

 

Sapientíssima, a Maçonaria percebe a partir do olhar do maçom que a humanização não é um estado natural ou automático, mas um processo contínuo, consciente e coletivo de construção de sentidos, valores e atitudes que nos tornam mais humanos, empáticos e benevolentes, portanto, o Maçom carece do homem integral, aquele que busca viver em harmonia, autoconsciência e responsabilidade, indo além do superficial para uma vida plena, mas, com o propósito de ser o mais robusto elo na corrente do amor incondicional. 

 

O "homem integral" é o próximo estágio da consciência humana (a consciência aperspectiva), pois, consegue integrar as estruturas anteriores de consciência (arcaica, mágica, mítica e mental), transcendendo a dualidade e a visão puramente racional do mundo, apregoa Jean Gebser. Ele concilia suas necessidades biológicas e emocionais com sua realidade espiritual e ética, ao passo que opera com uma visão sistêmica e inclusiva da realidade, sobre as quais alcança a madureza intelectual, moral e espiritual.

 

Sob os auspícios deste homem integral que seus ensinamentos constroem, a Maçonaria preceitua que a realização humana depende da não fragmentação, na qual o homem não nega sua sombra, seus instintos ou sua espiritualidade, ao contrário, ele os integra moldando para si uma personalidade responsável, equilibrada, consciente e livre em sua interatividade com o mundo, onde trabalha o aperfeiçoando de si, (re)aperfeiçoa pelo exemplo, tudo que lhe orbita, inclusive a Maçonaria.

 

(Re)novar-se continuamente, porém, mantendo vivas e eficazes – portanto, atuais – suas tradições, e o desafio assumido pela Maçonaria segue gloriosa a vanguarda que lhe conduz ao porvir da Humanidade, estabelecendo-se, diuturnamente, como mestria progressista equilibrando o uso de tecnologias modernas com ritos simbólicos. Não olhando apenas para o passado; ela se posiciona à frente dos tempos, contribuindo para o progresso moral e social da humanidade, sendo um elo entre a sabedoria ancestral e as aspirações futuras. 

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