sábado, 17 de janeiro de 2026

AS MAOS DE MARIA – “A LOUCA” – DÃO FORMA A TERRA DE LUZ

 

AS MAOS DE MARIA – “A LOUCA” – DÃO FORMA A TERRA DE LUZ

 

A luz da liberdade que anima o povo cearense a ser cada dia mais ridente, venturoso e, providencialmente, capaz de provocar tudo, desde um pensamento novo até uma “crise de risos”, chega-nos das mãos de Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que aos 17 de Janeiro de 1799 torna o “Siará” emancipado. Foi depois de emancipado oficialmente que o Ceará cresceu, devido ao impacto positivo que o comércio ou como narra a “Pequena História do Ceará”, do Historiador Raimundo Girão, “a partir daí, ele abriu estradas, fomentou a produção do arroz, da farinha de mandioca e a do salitre, reprimiu severamente os contrabandos, levantou um conjunto de baterias no Mucuripe, para melhor defesa da vila; e tratou de reedificar as vilas de índios”. Dona Maria, a “louca” sabia bem o que fazia, pois, a história registra diversos casos em que mentes brilhantes, sábios e figuras proeminentes cometeram atos excêntricos, contraditórios ou considerados "loucos" para a sua época, muitas vezes desafiando convenções sociais ou científicas. Maria I, tem no protagonismo do “Siará”, desde sempre, o maior defensor de que havia lucidez em sua mente e em ações piedosas.

 

Sempre vanguardista e vicejando altruísta liberdade, o “Siara” em 3 de maio de 1817, sob a tutela do subdiácono José Martiniano de Alencar, o filho de Dona Bárbara, subiu ao púlpito, de batina e roquete, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, e proclamou a independência da vila do Crato, onde morava sua mãe, cinco anos antes da proclamação da Independência do Brasil e 72 anos antes da Proclamação da República. Nisto exemplando-se, há 201 anos, Quixeramobim substituía a dinastia imperial por uma “República estável e liberal”, como registra a histórica ata da sessão da Câmara da Vila de Campo Maior (3): “(…) em vista à horrorosa perfídia de D. Pedro I, imperador do Brasil, banindo a força armada as cortes convocadas no Rio de Janeiro contra mil protestos firmados pela sua própria mão, ele deixava a sua dinastia de ser o supremo chefe da nação...” Na antepenúltima década deste século XIX, marcado com a brutalidade da Grande Seca (1877-1879), que forçou uma migração massiva do interior para Fortaleza, superpovoando a capital e criando condições insalubres, culminando na devastadora epidemia de varíola que causou milhares de mortes, com um dia do ano 1878 ficando conhecido como o dos "Mil Mortos", o Ceará e sua elite debate soluções e a literatura registra, além da tragédia humanitária, a movimentação abolicionista no Ceará que estava em um estágio de crescente organização e ativismo, um  passo crucial para os eventos subsequentes que levariam o Ceará a abolir a escravidão em 25 de março de 1884, quando, historicamente, passou a ser conhecido como a "Terra da Luz" – um título dado e popularizado pelo jornalista e abolicionista José do Patrocínio, que era apelidado de "O Tigre da Abolição". Porém, a luta por liberdade exigia, também, a cura da varíola e, mais ainda, da seca que caustica o Ceará de tempos em tempos.

 

Porém, foi a partir da penúltima década do Século XIX, que laureado por seu pioneirismo na luta pela liberdade e vivenciando as complexas transformações sociais e econômicas de uma sociedade, que o Ceará deu um passo ousado rumo ao fim da escravidão.  Economicamente, o Ceará era uma região periférica, cuja economia baseava-se principalmente na pecuária e, posteriormente, na cultura do algodão. A economia do algodão estava em declínio, somado aos efeitos devastadores da Grande Seca (1877-1879), o que influenciou robustamente o movimento abolicionista, pois, para muitos proprietários, a venda de escravos para outras províncias era mais rentável do que mantê-los em uma economia em crise. A sociedade era marcada por relações patriarcais e um mandonismo local, com uma população majoritariamente pobre e subalternizada, o que favoreceu a proliferação do cólera e da varíola dizimou gerações inteiras de cearenses, ambas endemias vindas do Rio Grande do Norte, de navio. Aos 25 de Março de 1884, ousada e irredutível, a Terra da Luz acende seu luzeiro passando ser a primeira província do Brasil a abolir a escravidão, um feito histórico que ocorreu quatro anos antes da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888. Esse evento, conhecido como a Data Magna do Ceará, foi resultado de um forte e articulado movimento abolicionista popular. Ressaltando que a luta em prol da abolição iniciou-se a partir de 1870, quando várias sociedades abolicionistas surgiram na província, após debaterem por uma semana em simpósio aberto na Serrana Cidade de Maranguape. A Sociedade Cearense Libertadora, fundada em 1879 por membros da alta sociedade local e por proeminentes maçons da Loja Fraternidade Cearense, foi uma das mais atuantes, promovendo a compra de alforrias e divulgando denúncias de maus tratos. Destacou-se o Tenente Coronel Alfredo da Costa Weyne, Genitor do futuro primeiro Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, Álvaro Nunes Weyne.

 

Um dos momentos cruciais da luta abolicionista cearense ocorreu em agosto de 1881, sob a tutela do Prático-Mor, Francisco José do Nascimento, apelidado o "Dragão do Mar" por José do Patrocínio – “o Tigre da Abolição”, que arregimentou a greve dos operadores do Porto do Mucuripe – assim, nenhuma mercadoria embarcava, tão pouco desembarcava dos navios já ancorados. E nisto, nenhum navio aportava pois o prático teve os braços cruzados pelo Dragão do Mar. O prejuízo já se fazia tão grande, quando a escassez dos produtos no mercado cearense em geral, o que alargava ainda mais as fileiras dos lutadores por liberdade, não restando dúvidas que esses atos de resistência popular – já que muitos outros que ocorreram depois deste – foram decisivos para impedir o tráfico interprovincial de escravos. Com isso, o Ceará firmou-se como inspiração para o movimento nacional, mostrando que a liberdade era possível e acelerando o fim da escravidão no Brasil. A cura da varíola chegou primeiro e veio através do altruísta Farmacêutico Dr. Rodolpho Teófilo, que valendo-se de "São Gener" (uma alusão a Edward Jenner, criador da vacina), convenceu a desconfiada população a aceitar a vacinação através da fé, vacinando cerca de duas mil pessoas por conta própria em 1902. A cura da seca, ainda tarda!

 

Nesta Terra da luz “de primazias” que jamais se extingue, o Capital Humano-Intelectual do Ceará, funda, em 15 de agosto de 1894, a Academia Cearense de Letras, que é a mais antiga do Brasil, antecedendo em três anos a instauração a Academia Brasileira de Letras. Para seus fundadores, a arte da palavra, não apenas transmite conhecimentos, mas também desperta a imaginação e a autonomia, promovendo uma de aprendizado contínuo e acessível. Pioneirismo chama Pioneirismo! Primeira do gênero em todo o território brasileiro, a Academia Cearense de Letras iniciou suas atividades no salão nobre da proeminente Fênix Caixeiral, uma entidade associativa dos Caixeiros – vendedores em casas comerciais – de Fortaleza, fundada três anos antes, em 24 de Maio de 1891, que inaugurou o primeiro Instituto de Previdência da Terra da Luz. Com a ciese da Academia Cearense de Letras, 15 de agosto de 1894, cearenses notáveis granjearam a verdadeira imortalidade, aquela que não está na vida eterna, mas sim, no impacto duradouro que deixam às gerações futuras: bens materiais, ensinamentos, valores, ações e/ou influências que exercem sobre o mundo e na memória das pessoas ao seu redor. A Academia Cearense, seu primeiro presidente foi Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que contou o auxílio eficaz de outros 27 Homens de Letras, dentre os quais destacam-se: Guilherme Chambly Studart, Justiniano Jose de Serpa, Antonino da Cunha Fontenele, Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar e Antônio Augusto de Vasconcelos e mais.

 

Em 2026, quando comemora 227 anos de sua emancipação, sob os auspícios de Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança, o “Siará” consolida sua posição como líder global na transição energética. Sua plataforma de H2V foi finalista em prêmios internacionais de inovação em 2025, destacando o estado como um polo de energia limpa. Cabendo ressaltar, que o estado é pioneiro no Brasil na geração de energia eólica, aproveitando seu potencial ventoso para o desenvolvimento de energia limpa, consolidando-se hoje na "Economia do Mar". Seguindo esse caminhar vanguardista, ousado e augurioso, mesmo que ainda que não tenha achado a cura para as secas, a Terra da Luz desenvolveu políticas pioneiras de convivência com o semiárido, incluindo a criação de uma das primeiras secretarias de recursos hídricos e um avançado sistema de monitoramento de açudes. Incansável, porém, sempre com seu luzeiro do progresso bem acesso, o Ceará se tornou referência nacional em educação, pioneiro no modelo de alfabetização na idade certa, alcançando os melhores índices do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no Ensino Fundamental, motivo pelo qual o Governo Federal do Brasil implanta nestes dias que seguem na Terra da Luz uma unidade do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um marco (landmark) de reconhecimento ao talento do povo cearense, sempre audaz.

 

Maranguape, Ceará, 17 de Janeiro de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...