segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NADA HÁ COMO O OITO

 

Representando a união do mundo físico e espiritual, divino e terreno, além do equilíbrio entre ambição e justiça, o número oito simboliza vitórias, superação de obstáculos e um forte senso de honestidade e justiça. Cabendo aqui ressaltar que nenhuma conquista se galga, tão pouco permanece firme e duradoura, sem a dedicação de total atenção e carinho a tudo o que se faz, como que estivéssemos construindo nosso próprio "túmulo" (conhecimento e/ou legado que destinamos aos que virão depois de nós) através do esforço e do trabalho, com cuidado de não explodir valores íntimos. 

 

Assim reverbera a mestria de Antoine de Saint-Exupéry, através do “Pequeno Principe”: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" a nos ensinar que ao criarmos laços e conexões com algo ou alguém (cativação), assumimos um compromisso solene e duradouro de cuidado, afeto e responsabilidade por essa relação, que se torna única e especial, exatamente pelo nosso zelo, já que, “se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. (1 Timóteo 5:8). Nosso credo nos compromissa e responsabiliza!

 

Nisto compreendemos que a essência das relações humanas está na reciprocidade, na responsabilidade mútua que surge ao nos conectarmos verdadeiramente e no tempo dedicado, sob os auspícios do número oito que, deitado, forma o símbolo do infinito, indicando ciclos contínuos, sem começo, tão pouco fim, eternidade e renovação, firmando-se como um número de grande força, material e espiritual, que fala de poder para transformar e abundância quando há disciplina e equilíbrio, das quais brota a (auto)responsabilidade que conduz em segurança pelos caminhos relacionais.

 

É um lembrete poderoso de que as escolhas que fazemos ao nos conectarmos com o mundo criam deveres e um amor duradouro, e que essas relações, uma vez formadas, exigem nossa dedicação e cuidado para sempre, o que nos faz recordar da importância da interdependência funcional, cuja capacidade de integrar diferentes partes (pessoas, funções, sistemas) alcança um objetivo comum de promover coesão, inovação e eficácia, refletindo nosso dever de cuidar das nossas relações (amizade, amor ou mesmo com objetos e propósitos), pois, elas têm relevantes impactos em nossas vidas.


A interdependência funcional, para Émile Durkheim, é a base da solidariedade orgânica nas sociedades modernas, onde a divisão do trabalho especializa indivíduos e instituições (como família, escola, Estado) em funções distintas, tornando-os interdependentes para o funcionamento harmonioso do "organismo social", similar aos órgãos de um corpo humano, mantendo a coesão e a ordem social através da necessidade mútua, apesar da crescente individualização. A interdependência garante que, quando as partes funcionam corretamente, a sociedade se mantém estável e coesa.

 

Também conhecida como Solidariedade Orgânica, surge com a complexidade social e a especialização. Ao contrário da solidariedade mecânica (comum em sociedades simples, baseada na semelhança), a orgânica se baseia na diferença e na necessidade mútua: o padeiro precisa do professor, que precisa do médico, etc. É a contribuição de um fenômeno ou instituição para o equilíbrio e a construção da sociedade. Uma função (especialistas, trabalhadores, profissionais de diversas áreas) específica não é melhor que outra, mas todas são vitais para a harmonia.

 

A anomalia ocorre quando uma parte falha em sua função, ou quando as regras morais são frágeis, pode surgir a anomia (falta de normas), levando a problemas sociais, como o suicídio anômico, ilustrando a fragilidade da interdependência em crises, cumprindo às instituições (família –  socialização, escola – adaptação ao modo de vida –, Estado – regulação –, Igreja – moral –, todas com funções interdependentes para a estabilidade, garantir a harmonia e a ordem social nas civilizações, transformando a autonomia individual em uma conexão interdependência eficazmente funcional.

 

Curiosamente, a Maçonaria é analisada, sociologicamente, como um mecanismo de regulação da interdependência funcional, atuando como um sistema que conecta indivíduos de diferentes esferas sociais, econômicas e políticas (uma rede heterogênea) através de normas éticas e laços de fraternidade (a "unidade" simbólica). Essa abordagem sugere que, em uma sociedade funcionalmente diferenciada (onde cada um faz uma coisa diferente), a Maçonaria, incontestavelmente, cria uma formidável ambiência de coesão, solidariedade e regulação moral para seus membros. 

 

Promotora da Integração Funcional, a ambiência maçônica – distribuída em lojas como chama tais espaços que funcionam como centros de sociabilidade – é "regulada" pela fraternidade, que transforma conhecidos em irmãos, o que facilita cooperação mútua e eficazmente solidifica a interdependência funcional que os agrega num mesmo propósito que se ancora na solidariedade e suporte mútuo, a partir do qual regula as relações entre os adeptos, gerando confiança em um ambiente muitas vezes impessoal (modernidade). Vê-se, pois, que a Fraternidade maçônica não é meramente social.

 

Eticamente laboriosa, a Maçonaria assume a missão – e a busca cumprir com eficácia e precisão – de "aprimorar vidas" e "dedicar-se às boas obras", agindo como vetor de regulação, incentivando que a interdependência entre os membros no mercado de trabalho seja pautada pela honestidade. Atua como um sistema de regulação ao impor um código ético e de fraternidade (a "moral maçônica") sobre as interdependências funcionais de seus membros, unindo-os em uma teia de solidariedade, confiança e ação social direta, com foco em princípios como liberdade, igualdade e fraternidade. 

 

Embora a ajuda seja um efeito e não o fim, o ambiente maçônico facilita relações de confiança (capital social) que influenciam sagazmente o andamento de demandas pessoais e profissionais, exigindo que elas sejam justas, dignamente aferidas por seu Sistema de Moralidade que utiliza símbolos e alegorias das guildas de pedreiros medievais (como esquadro e compasso) para ensinar valores éticos aplicáveis no cotidiano. A filantropia maçônica é mais uma ferramenta de desenvolvimento moral, servindo como uma forma de "regulação" de sua presença e impacto na comunidade. 

 

Padronização de Comportamento de seus adeptos, chamados de ("Pedra Bruta" (que busca o aperfeiçoamento) atua como regulação interna daquele que busca moldar-se com uma “Pedra Cúbica” (perfeitamente utilizável na grande obra de si – seu templo interior), um cidadão magnificamente aprimorado, que age de forma justa e ética, que sob a regulação maçônica exerce plenamente a interdependência funcional na construção de uma sociedade inclusiva, harmônica, positivamente evolutiva, próspera e feliz, que são, indiscutivelmente, propósitos comuns aos homens sãos e sábios.

 

Como nenhuma outra forma de agremiação humana, a Maçonaria funciona como um amálgama social, pois, seus rituais e símbolos criam uma identidade comum que transcende as especializações profissionais e políticas, pois, sua essência iminentemente apascentadora (sereníssima) oportuniza aos indivíduos de diferentes estratos e funções sociais colaboram, mitigando as tensões inerentes à divisão do trabalho, sob a vigência de um código de conduta universalista que facilita a confiança e a previsibilidade nas interações entre membros na solidariedade orgânica com os congrega no mesmo propósito.

 

Indubitavelmente, percebemos que a Maçonaria funciona como uma rede de capital social de alta densidade, onde a confiança mútua, a fraternidade e a "preferência" dada a membros (irmãos) em igualdade de condições facilitam a troca de informações e o apoio mútuo. Essa estrutura reduz a "fricção" — ou os custos de transação — em interações econômicas e sociais, operando através de laços fortes e coesos. Cabendo dizer que a seleção e os laços sociais maçônicos funcionam como mecanismos de garantia que permite aos adeptos agirem com menor risco e maior confiança.

 

Uma confiança talhada nos feitos e efeitos da autorresponsabilidade que anima o homem, pois, é moldada e/ou construída ao longo do tempo através de atitudes proativas, resoluções de problemas e superação de desafios. São os "feitos" (ações concretas) que comprovam ao indivíduo sua própria competência, a partir dos resultados (efeitos) obtidos, principalmente, ao parar de culpar terceiros e assumir as rédeas da vida geram um ciclo positivo. Essa postura dá "ânimo" (força, motivação, coragem) porque elimina a vitimização e foca a energia no que é controlável. 

 

Notadamente, o sucesso ou o aprendizado com o erro aumenta a certeza de que a pessoa pode mudar seu destino. Um destino construído sobre as fundações sólidas da autoestima e autoconfiança sólidas, baseadas não em otimismo cego, mas, em evidências concretas da capacidade de gerar resultados por meio de suas próprias ações. É a convicção de que assumir a responsabilidade pela própria vida (autorresponsabilidade) transforma o "homem" de uma vítima das circunstâncias em um protagonista do mais augusto dos legados: o exemplo com o qual cativação arregimenta seus pares. 

 

O exemplo confere-nos uma confiança inabalável, que não nasce do otimismo vago, mas, da autorresponsabilidade. Ela é edificada através de condutas sólidas, superação e presença, gerando segurança emocional. Envolve a compreensão de que somos os agentes de mudança, responsáveis pelas nossas escolhas e resultados (arquitetos da realidade). Realidade (re) novada a cada novo ciclo, mediante a pertinente aferição do vivido no ciclo anterior (custo-benefício, positividade-negatividade, mérito-demérito, etc), pois, o infinito em nós não é inerte, tão pouco estático.

 

O infinito reflete eternidade, continuidade e ausência de limites, representado pelo símbolo lemniscata (oito deitado), introduzido por John Wallis no século XVII, que remete a ciclos sem fim e a uma fita contínua, sendo usado em matemática para valores sem fronteiras e em joias para amor e amizade eternos. O oito representa a força de conexões que se renovam infinitamente, baseadas na responsabilidade e na sabedoria (trocas justas, lealdade e no equilíbrio entre ambições materiais e espirituais). Ele reflete a máxima de "dar e receber", essencial às conexões saudáveis, seja no trabalho ou no amor. 

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