Representando a união do
mundo físico e espiritual, divino e terreno, além do equilíbrio entre ambição e
justiça, o número oito simboliza vitórias, superação de obstáculos e um forte
senso de honestidade e justiça. Cabendo aqui ressaltar que nenhuma conquista se
galga, tão pouco permanece firme e duradoura, sem a dedicação de total atenção
e carinho a tudo o que se faz, como que estivéssemos construindo nosso próprio
"túmulo" (conhecimento e/ou legado que destinamos aos que virão depois
de nós) através do esforço e do trabalho, com cuidado de não explodir valores
íntimos.
Assim reverbera a mestria
de Antoine de Saint-Exupéry, através do “Pequeno Principe”: “tu te tornas
eternamente responsável por aquilo que cativas" a nos ensinar que ao criarmos
laços e conexões com algo ou alguém (cativação), assumimos um compromisso solene
e duradouro de cuidado, afeto e responsabilidade por essa relação, que se torna
única e especial, exatamente pelo nosso zelo, já que, “se alguém não cuida de
seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior
que um descrente”. (1 Timóteo 5:8). Nosso credo nos compromissa e responsabiliza!
Nisto compreendemos que a
essência das relações humanas está na reciprocidade, na responsabilidade mútua
que surge ao nos conectarmos verdadeiramente e no tempo dedicado, sob os auspícios
do número oito que, deitado, forma o símbolo do infinito, indicando ciclos
contínuos, sem começo, tão pouco fim, eternidade e renovação, firmando-se como
um número de grande força, material e espiritual, que fala de poder para
transformar e abundância quando há disciplina e equilíbrio, das quais brota a
(auto)responsabilidade que conduz em segurança pelos caminhos relacionais.
É um lembrete poderoso de
que as escolhas que fazemos ao nos conectarmos com o mundo criam
deveres e um amor duradouro, e que essas relações, uma vez formadas, exigem
nossa dedicação e cuidado para sempre, o que nos faz recordar da importância
da interdependência funcional, cuja capacidade de integrar diferentes partes
(pessoas, funções, sistemas) alcança um objetivo comum de promover coesão, inovação
e eficácia, refletindo nosso dever de cuidar das nossas relações (amizade,
amor ou mesmo com objetos e propósitos), pois, elas têm relevantes impactos em
nossas vidas.
A interdependência
funcional, para Émile Durkheim, é a base da solidariedade orgânica nas
sociedades modernas, onde a divisão do trabalho especializa
indivíduos e instituições (como família, escola, Estado) em funções distintas,
tornando-os interdependentes para o funcionamento harmonioso do "organismo
social", similar aos órgãos de um corpo humano, mantendo a coesão e a ordem
social através da necessidade mútua, apesar da crescente
individualização. A interdependência garante que, quando as partes
funcionam corretamente, a sociedade se mantém estável e coesa.
Também conhecida como Solidariedade
Orgânica, surge com a complexidade social e a especialização. Ao contrário da
solidariedade mecânica (comum em sociedades simples, baseada na semelhança), a
orgânica se baseia na diferença e na necessidade mútua: o padeiro precisa do
professor, que precisa do médico, etc. É a contribuição de um fenômeno ou
instituição para o equilíbrio e a construção da sociedade. Uma função (especialistas,
trabalhadores, profissionais de diversas áreas) específica não é melhor que
outra, mas todas são vitais para a harmonia.
A anomalia ocorre quando
uma parte falha em sua função, ou quando as regras morais são frágeis, pode
surgir a anomia (falta de normas), levando a problemas
sociais, como o suicídio anômico, ilustrando a fragilidade da interdependência
em crises, cumprindo às instituições (família – socialização, escola – adaptação ao modo de
vida –, Estado – regulação –, Igreja – moral –, todas com funções
interdependentes para a estabilidade, garantir a harmonia e a ordem social nas
civilizações, transformando a autonomia individual em uma conexão interdependência
eficazmente funcional.
Curiosamente, a Maçonaria
é analisada, sociologicamente, como um mecanismo de regulação da
interdependência funcional, atuando como um sistema que conecta indivíduos de
diferentes esferas sociais, econômicas e políticas (uma rede heterogênea)
através de normas éticas e laços de fraternidade (a "unidade"
simbólica). Essa abordagem sugere que, em uma sociedade funcionalmente
diferenciada (onde cada um faz uma coisa diferente), a Maçonaria,
incontestavelmente, cria uma formidável ambiência de coesão, solidariedade e
regulação moral para seus membros.
Promotora da Integração
Funcional, a ambiência maçônica – distribuída em lojas como chama tais espaços que
funcionam como centros de sociabilidade – é "regulada" pela
fraternidade, que transforma conhecidos em irmãos, o que facilita cooperação
mútua e eficazmente solidifica a interdependência funcional que os agrega num
mesmo propósito que se ancora na solidariedade e suporte mútuo, a partir do
qual regula as relações entre os adeptos, gerando confiança em um ambiente
muitas vezes impessoal (modernidade). Vê-se, pois, que a Fraternidade maçônica
não é meramente social.
Eticamente laboriosa, a
Maçonaria assume a missão – e a busca cumprir com eficácia e precisão – de
"aprimorar vidas" e "dedicar-se às boas obras", agindo como
vetor de regulação, incentivando que a interdependência entre os membros no
mercado de trabalho seja pautada pela honestidade. Atua como um sistema
de regulação ao impor um código ético e de fraternidade (a
"moral maçônica") sobre as interdependências funcionais de
seus membros, unindo-os em uma teia de solidariedade, confiança e ação social
direta, com foco em princípios como liberdade, igualdade e fraternidade.
Embora a ajuda seja um
efeito e não o fim, o ambiente maçônico facilita relações de confiança (capital
social) que influenciam sagazmente o andamento de demandas pessoais e
profissionais, exigindo que elas sejam justas, dignamente aferidas por seu Sistema
de Moralidade que utiliza símbolos e alegorias das guildas de pedreiros
medievais (como esquadro e compasso) para ensinar valores éticos aplicáveis no
cotidiano. A filantropia maçônica é mais uma ferramenta de desenvolvimento
moral, servindo como uma forma de "regulação" de sua presença e
impacto na comunidade.
Padronização de
Comportamento de seus adeptos, chamados de ("Pedra Bruta" (que busca
o aperfeiçoamento) atua como regulação interna daquele que busca moldar-se com
uma “Pedra Cúbica” (perfeitamente utilizável na grande obra de si – seu templo
interior), um cidadão magnificamente aprimorado, que age de forma justa e
ética, que sob a regulação maçônica exerce plenamente a interdependência funcional
na construção de uma sociedade inclusiva, harmônica, positivamente evolutiva,
próspera e feliz, que são, indiscutivelmente, propósitos comuns aos homens sãos
e sábios.
Como nenhuma outra forma
de agremiação humana, a Maçonaria funciona como um amálgama social, pois, seus
rituais e símbolos criam uma identidade comum que transcende as especializações
profissionais e políticas, pois, sua essência iminentemente apascentadora
(sereníssima) oportuniza aos indivíduos de diferentes estratos e funções
sociais colaboram, mitigando as tensões inerentes à divisão do trabalho, sob a
vigência de um código de conduta universalista que facilita a confiança e a
previsibilidade nas interações entre membros na solidariedade orgânica com os
congrega no mesmo propósito.
Indubitavelmente, percebemos
que a Maçonaria funciona como uma rede de capital social de alta densidade,
onde a confiança mútua, a fraternidade e a "preferência" dada a
membros (irmãos) em igualdade de condições facilitam a troca de informações e o
apoio mútuo. Essa estrutura reduz a "fricção" — ou os custos de
transação — em interações econômicas e sociais, operando através de laços
fortes e coesos. Cabendo dizer que a seleção e os laços sociais maçônicos
funcionam como mecanismos de garantia que permite aos adeptos agirem com menor
risco e maior confiança.
Uma confiança talhada nos
feitos e efeitos da autorresponsabilidade que anima o homem, pois, é moldada
e/ou construída ao longo do tempo através de atitudes proativas, resoluções de
problemas e superação de desafios. São os "feitos" (ações concretas)
que comprovam ao indivíduo sua própria competência, a partir dos resultados
(efeitos) obtidos, principalmente, ao parar de culpar terceiros e assumir as
rédeas da vida geram um ciclo positivo. Essa postura dá "ânimo"
(força, motivação, coragem) porque elimina a vitimização e foca a energia no
que é controlável.
Notadamente, o sucesso ou
o aprendizado com o erro aumenta a certeza de que a pessoa pode mudar seu
destino. Um destino construído sobre as fundações sólidas da autoestima e
autoconfiança sólidas, baseadas não em otimismo cego, mas, em evidências
concretas da capacidade de gerar resultados por meio de suas próprias ações. É
a convicção de que assumir a responsabilidade pela própria vida
(autorresponsabilidade) transforma o "homem" de uma vítima das
circunstâncias em um protagonista do mais augusto dos legados: o exemplo com o
qual cativação arregimenta seus pares.
O exemplo confere-nos uma confiança
inabalável, que não nasce do otimismo vago, mas, da autorresponsabilidade. Ela
é edificada através de condutas sólidas, superação e presença, gerando
segurança emocional. Envolve a compreensão de que somos os agentes de
mudança, responsáveis pelas nossas escolhas e resultados (arquitetos da
realidade). Realidade (re) novada a cada novo ciclo, mediante a pertinente
aferição do vivido no ciclo anterior (custo-benefício, positividade-negatividade,
mérito-demérito, etc), pois, o infinito em nós não é inerte, tão pouco
estático.
O infinito reflete eternidade, continuidade e ausência de limites, representado pelo símbolo lemniscata (oito deitado), introduzido por John Wallis no século XVII, que remete a ciclos sem fim e a uma fita contínua, sendo usado em matemática para valores sem fronteiras e em joias para amor e amizade eternos. O oito representa a força de conexões que se renovam infinitamente, baseadas na responsabilidade e na sabedoria (trocas justas, lealdade e no equilíbrio entre ambições materiais e espirituais). Ele reflete a máxima de "dar e receber", essencial às conexões saudáveis, seja no trabalho ou no amor.

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