Legitimidade
é a característica, particularidade ou condição de quem está em conformidade
com as leis morais (divina ou dos homens), com a justiça, com a razão etc. Do
que é legítimo, ou seja, quando algo concorda com a razão ou com o que é
considerado justo ou razoável, afirmam os melhores dicionários. Assim, “tudo o
que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro,
tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há
algum louvor, nisso pensai”. (Filipenses
4:8)
Carl
Schmitt afirma que a legitimidade difere da legalidade, da relação do poder com
a lei estabelecida, exigindo um padrão superior que permita considerar certas
leis como injustas, tendo mais a ver com a conformidade relativamente ao
direito do que com a conformidade face à lei. Sendo a legalidade um mero
requisito do exercício do poder – a justificação deste – a legitimidade é o
requisito da titularidade do poder, a sustentação deste título – trata da
aceitação e do consenso sobre quem detém o poder.
Max
Weber compreende a legitimidade como a crença na validade de um regime, fazendo
com que a obediência venha da adesão e não só da força, transformando o poder
em autoridade respeitada e consentida, sustentada por tipos ideais de dominação
que fundamentam essa aceitação social: tradicional – fulcrado no costume; carismática
– Fundamentada nas qualidades extraordinárias de um líder (ex: profetas,
heróis) e a racional-legal – Ancorada na crença em regras, leis impessoais e na
legalidade dos procedimentos.
A
legitimidade é o que garante a estabilidade de um sistema de gestão –
inclusive, político –, pois, faz com que os subordinados sintam o dever
moral de obedecer, reduzindo a necessidade do uso da força física ou coação.
Quando subordinados (sejam cidadãos no Estado, funcionários em uma empresa e/ou
voluntários numa instituição secular como a Maçonaria) consideram o sistema
legítimo, eles obedecem por acreditar que é o "certo" a fazer e, não
apenas, por medo de punição. Respeito se cativa, jamais se impõe!
Segundo
Ulysses Guimarães – Câmara dos Deputados em 19 de Agosto de 1987 – “a Maçonaria
é um legítimo símbolo nacional, inspirador dos nossos ideais mais nobres,
tradicional sentinela da liberdade e da serena altivez que a vimos cultivando
perante os países do mundo. Conceituada a partir de uma das mais dignas
profissões, a de pedreiro, há de sempre possuir trajetória invulgar,
solidamente ligada aos destinos da raça humana. A evolução histórica desta
instituição é um testemunho do quanto pode o ideal humano”.
Sob
o olhar do Construtor Social, a legitimação ocorre no "nós", onde a
preocupação ética com o outro se torna possível ao compreendê-lo como parte de
nossa coletividade, não apenas como um indivíduo isolado. O outro é quem
nos legitima, ao nos confirmar como seres válidos, com um mundo interno único e
digno de respeito, o que é fundamental para o amor, o pertencimento e a
construção de relações saudáveis, contrapondo o individualismo egoísta.
Esse
visão incita nossa capacidade de ver o outro como "legítimo outro na
convivência", o que é fundamental para amar e construir relações genuínas,
onde não se tenta mudar o outro, mas se permite que ele seja. Aceitação do
outro nos torna pertencidos ao grupo social que formamos. Portanto, o outro
é essencial para nossa legitimação porque nos oferece o espelho e o
reconhecimento que nos confirmam como seres humanos completos e valiosos,
fortalecendo nossa identidade e nosso lugar no mundo que, assim, nos pertence.
Sob
o fito do reconhecimento do ser, o outro não somente nos vê, ele aceita nosso
mundo interno, nossas escolhas e comportamentos – mesmo que diferentes dos dele,
sem reduzi-los aos seus erros ou inconsistências – e nos valida em nossa
singularidade, ajudando a solidificar quem somos, especialmente em momentos de
dúvida. Essa legitimação emerge como um ato de humanidade, construindo uma base
de apoio e confiança mútua, contrapondo a cultura que muitas vezes valoriza o
apagar ou competir com o outro.
Embora
a autonomia seja importante, e não sendo redundante afirmar, nós nos
tornamos "alguém" através do olhar e da resposta que recebemos do
mundo ao nosso redor, ou seja, nossa identidade é construída socialmente. Segundo
filósofos como Hegel, a consciência de si depende do reconhecimento do outro.
Só passamos a ter plena noção de quem somos quando somos "vistos" e
validados por outra consciência. Isso reverbera um conceito fundamental da
filosofia e da psicologia social: a intersubjetividade.
Entendida
como a compreensão mútua e compartilhada entre duas ou mais consciências ou
sujeitos, a intersubjetividade eflui das interações e da comunicação para
formar significados e experiências comuns, indo além da subjetividade
individual e criando um espaço de entendimento recíproco, como o diálogo Eu-Tu,
fundamental na filosofia, psicologia e ciências sociais para entender a relação
humana e a construção de sentido, transformando experiências individuais
em conhecimento e cultura compartilhados.
Na
tecnologia e nas ciências sociais, a intersubjetividade refere-se à colaboração
e troca de conhecimento facilitadas pelas interações digitais, formando uma
base de compreensão compartilhada. Na filosofia, ela é explorada por
pensadores como Husserl e Stein, segundo os quais, a empatia (Einfühlung)
é o conceito-chave que permite ultrapassar o solipsismo (o eu isolado),
reconhecendo o "Outro" não como um objeto, mas, como outro sujeito
com sua própria vivência espiritual.
A
legitimação pelo outro nos traz a sensação de pertencimento. Ser ignorado ou
"invisibilizado" é uma das formas mais profundas de sofrimento
humano, pois, retira essa validação da nossa existência, o que nos faz perceber
que os papéis que desempenhamos (filho, profissional, amigo, irmão) só existem
na relação com as outras pessoas. O sociólogo Charles Cooley chamava isso de
"eu especular": a ideia de que usamos o julgamento e a percepção dos
outros como um espelho para entender nossa própria imagem e valor.
James
Clear – Hábitos Atômicos – preceitua que cada ação que realizamos é como um
"voto" para o tipo de pessoa que queremos ser. Por exemplo, arrumar a
cama todo dia legitima a identidade de uma pessoa organizada. Ou seja, nossa
identidade –"eu" autêntico – não é definida apenas pelo que pensamos
ou desejamos, mas, pelas ações que repetimos consistentemente no dia a dia, que
moldam nossa personalidade. Por oportuno, ressalto que 40% das nossas
ações diárias são habituais, funcionando de forma automática.
Nossos
hábitos atuais são uma reflexão direta de sua identidade atual, agindo como
evidência interna de quem você acredita ser. Assim, o legitimo Maçom é aquele que
estuda com frequência e conhece o significado dos símbolos de seu próprio rito;
que é assíduo na loja à qual é filiado, arcando e cumprindo com todas as
obrigações assumidas com sua potência maçônica; que reflete na própria família
os ensinamentos adquiridos nas lojas que frequenta; e que é um exemplo de vida
e de compostura diante da sociedade.
Segundo
Ruy Nogueira, “não é Maçom quem quer. Não é por alguém se proclamar maçom
regular que efetivamente o é. Ser maçom regular é difícil. Ninguém é obrigado a
ser Maçom regular. Mas, quem o quiser ser tem de seguir e praticar os
Princípios da Regularidade - e fazê-lo de forma inequívoca, de forma a que os
demais maçons regulares reconheçam que assim é!” Se mantemos o hábito de
cumprir promessas (mesmo as pequenas), construímos uma identidade de alguém
confiável e íntegro.
Indubitavelmente, nosso
cérebro observa nosso comportamento (hábitos) para concluir quem somos. Eles fornecem
ao cérebro evidências concretas de nossa realidade, o que acaba imprimindo
nossa autoimagem. Nossos hábitos são a materialização dos nossos valores,
portanto, a legitimidade ("assinatura") de nossa moralidade e de
nossos objetivos de vida. A legitimidade vem da coerência entre o
discurso e a prática, assim construímos nossa autoconfiança e credibilidade que
inspiramos nos outros e no mundo.
Ser maçom é ato administrativo ( gostaria que não fosse, aí o texto estaria dentro do contexto)
ResponderExcluirOs princípios institucional faz com quer ( o que gostaríamos que fosse não é)
Hora o que consiste aceitação de um novo adpto? Se não atoas administrativo, comesa com um formulário de adesão, logo...
Segui o rito administrativo.
( Não entrarei nós detalhes)
Aprovado ( exige do neófito pagamento financeiro antecipado)
Não existe meritocracia ( a não ser da parte do padrinho)
Ao cumprir o ritual de iniciação o neófito confirmado como um novo maçom por meio do que o mesmo recebe no ato cerimonial.
Portando esse meio de reconhecimento ele está habilitado a se fazer reconhece por àquele que vivência a mesma vivência.
S.'.M.'.?
Se o indivíduo não passou pelo processo administrativo e cerimonial e não terá a resposta, mas se ele vivenciou a resposta é imediata.
A resposta é pragmática não deixa brecha para especulação.
M.'.I.'.C.'.T.'.M.'.R.'.
Ele tá afirmando que é maçom para o outro maçom, se ele não tivesse tal vivência não teria a resposta e logo não é maçom.
Assim somente um maçom tem o deve de reconhece o outro, por isso que a resposta é M.'.I.'., etc ....
Se você não for meu irmão, logo não tem o deve de me reconhecer, mas se é têm...