sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APENASMENTE, VENTO!

 

Silencioso intento

Sopra apenas

Tristeza e lamento

Tantas penas

 

Ínfimo passado

Já não volta

Nunca foi legado

É coisa finita

 

Sem valor nenhum

Título comprado

Sem mérito algum

Vil principado

 

Profana vaidade

Jamais será talento

Pueril inverdade

É sonho agourento

 

Mal abençoado

Nada mais é capaz

Vive do passado

Nem lá foi perspicaz

Causa só sofrimento

Irritando o tempo


És meramente vento

Pensa ser Olimpo?

Homem indolente

Tu mesmo te destróis

Fétido e demente

Está em maus lençóis

 

Escriba dos fariseus

Muda teu coração

Faze paz com Deus

Peça-lhe perdão

 

Serás reformador

Moldando-te a ti só

Vicejarás o amor

Deixarás de ser pó

 

Sibilarás augustas alegrias

Serás contentamento

Trarás consigo reais vitórias

Exemplarás bom vento

 

Maranguape, Ceará, 28 de Agosto de 2026, 16:28h

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

UMA LUZ QUE ACLARA A OBSCURESCÊNCIA DOS DIAS

 

Sempre atento ao serviço de tornar feliz a humanidade pelo amor e pelo aperfeiçoamento dos costumes, Hélio Pereira Leite, a quem conhecemos desde sempre como o Buscador da Verdade, me presenteou na noite de ontem (26/08) com a seguinte iluminação em palavras de autoria de Maria Dolores, uma das muitas operárias do bem-fazer aos homens e à humanidade: “Não há felicidade onde não haja gratidão. Não existe paz onde não haja perdão. A fé é a certeza de que a vida prossegue, e o amor é a luz que ilumina os caminhos”.

 

Neste momento, estabelecida no Oriente Eterno, Maria Dolores asperge seu perfume sobre a humanidade a partir dos bravos catalizadores (médiuns, como Francisco Cândido Xavier), que capitando sua energia a reduz em palavras que gratificam àqueles que as leem como o incentivo à evolução a partir de medidas tão singelas quanto difíceis a quem está na matéria praticá-las. Eis que esta dificuldade (pre)sentida lança-nos na vala dos comuns, onde nos percebemos hipócritas falando sobre retidão e fraternidade; mostra-nos débeis e covardes.

 

Porém, quando praticadas manifestam um formidável divisor de águas entre um tormentoso e causticante antes e um providencial e proeminente amanhã, sob a tutela inspiradora de entes espirituais como Maria Dolores que muito bem sintetiza e o faz com arguta precisão os quatro pilares fundamentais da evolução espiritual e do bem-estar humano: a gratidão, o perdão, a fé e o amor. Palavras como essas funcionam como um bálsamo para a alma e um roteiro claro para o aperfeiçoamento dos nossos costumes, como idealiza o Confrade Hélio.

 

Gratidão, maviosamente, é a base da felicidade real. Ela muda o nosso foco da falta para a abundância. A psicologia positiva indica que manter um hábito diário de gratidão aumenta o bem-estar, reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono. Ela não ignora as dificuldades, mas, ilumina o entorno, oportunizando uma vida com mais leveza e contentamento.

 

"Não é a felicidade que nos torna gratos, ao contrário é a gratidão que nos torna felizes”, preceitua o monge David Steindl-Rast. Nosso cérebro naturalmente foca no negativo (um mecanismo de sobrevivência), porém, a gratidão ativa o sistema de recompensa, reprogramando a mente para perceber o que já é positivo. O que aumenta a sensação de plenitude e otimismo.

 

O ato de perdoar é descrito como um bálsamo que restaura a alma, afastando sentimentos negativos que podem adoecer o corpo e a mente. Ele não muda os fatos do passado, mas, transforma profundamente quem perdoa, capacitando-o a enfrentar o futuro com resiliência e compaixão. É essencial para reconstruir relacionamentos e encontrar uma conexão mais íntimas com a divindade e com o próximo.

 

Ainda que o perdão seja considerado uma chave para a vida plena e a redenção, ele é descrito como um processo contínuo que exige coragem, paciência e, muitas vezes, o perdão a si mesmo para que a liberdade interior seja plenamente alcançada. Ele transforma a dor em compreensão e compaixão, promovendo uma serenidade profunda, arquitetando um viver com mais leveza e satisfação.

 

A Fé e a bússola que aponta para a eternidade. É a certeza consoladora de que a vida não termina aqui. Essa convicção consoladora ensina que a vida não termina na morte física, mas é uma passagem para a comunhão plena com Deus. Ao afirmar que “... o pó volta à terra como o é; e o espírito volta a Deus que o deu” (Eclesiastes 12:7), Salomão, aclara a certeza de que tudo é empréstimo de Deus, inclusive nós mesmos.

 

Essa metáfora da fé como bússola encontra ressonância profunda em várias tradições filosóficas. Na percepção platônica a "bússola" é a anamnesis, ou seja, a alma já conhece o bem antes de nascer, e a vida terrena é um processo de relembrar o que se perdeu. A eternidade não é promessa, é origem. Não se trata de uma crença cega no invisível, mas sim, de uma confiança na memória profunda da própria alma.

 

Agostinho de Hipona (Ilusionismo Divino), adaptou Platão para o cristianismo. A bússola é a Verdade Interior (Cristo habitando o homem). Ela ilumina a mente para reconhecer o que é eterno. Já Tomás de Aquino aprofunda essa percepção a partir das três virtudes teológicas, onde a bússola, sob seu olhar, é a razão iluminada pela fé, apontando para um fim que excede a experiência finita, que tem por objeto Deus.


Kant, oferece uma formulação ainda mais rigorosa: “a imortalidade da alma não é demonstrável pela razão teórica, mas, é um postulado da razão prática”. A fé, para Kant, é "crença livre”, ou seja, a bússola deixa de ser mística e vira moral. Uma lei interna que dita o dever, apontando o norte ético independentemente dos desejos pessoais. Ela provém da necessidade moral de assumir aquilo que a razão prática exige.

 

Heidegger, inusitado, inverte a bússola: a morte não é o que vem depois, mas sim, o horizonte que já estrutura toda existência autêntica. "Ser-para-a-morte" não é pessimismo, ao contrário, é o que dá urgência e forma à vida. A eternidade, nesse diapasão, não é um destino futuro, pois, firma-se como a finitude radical que nos obriga a escolher. E a mais digna escolha ancora-se na robusta fé que a convicção manifesta.

 

A fé enquanto bússola é proficiente porque responde à necessidade estrutural da razão – seja ela metafísica (Platão), teológica (Agostinho/Aquino), moral (Kant) ou existencial (Heidegger). A eternidade não é fuga: é o Norte que dá direção ao percurso. Isto reposiciona o transcendente não alienando o presente, mas, como a própria condição de oportunidade para se caminhar com propósito no imanente.

 

Desde tempos imemorias, Paulo de Tarso apresenta o vetor máximo da manifestação de tudo que há ao afirmar: “sem amor nada seria” (Coríntios 13:2). A fé, por exemplo, opera e ganha força por meio de atitudes práticas de amor. A gratidão presente em cada prática amorável alicerça relacionamentos saudáveis, sólidos e duradouros. Amar alguém exige aceitar a imperfeição humana e estar disposto a reparar (perdoar) feridas.

 

Incontestavelmente, o Amor é a energia que dissipa a escuridão. Como um farol ou luz interior, ele protege contra o medo, oferece resiliência e ilumina caminhos sombrios, enquanto esperança a certeza de que dias melhores virão, mantendo a alma firme diante das adversidades. Espalhando bondade, paz e solidariedade, pequenas ações de amor podem transformar ambientes e vidas, ofuscando a negatividade.

 

O amor-gratidão, o amor-perdão, o amor-fé, assim como, o amor resplandecente do amor mais vivaz e veraz emanado diretamente do “Pai das Luzes em quem não se vê sombra, nem dúvida” (Tiago 1:17) são as quatro colunas que suportam a mestria do Buscador da Verdade, Hélio Pereira Leite, que a pouco mais de dois anos integra minha vida como uma luz que aclara a obscurescência dos dias, galgando de mim por meritosa justiça: a gratidão que conceitua, o pedido de perdão para as minhas incontáveis inconsistências, a fé que entrega a mais sentida e viril confiança e, claramente, o amor que declara: Reconheço-te como Irmão!

 

Maranguape, Ceará, 27 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

UM DIA PARA SERMOS INCORRUTOS

 

Um dia haverá em que o correto sairá das masmorras para receber seu aplauso e reconhecimento. Um dia haverá em que aquilo que se fala se manifestará integralmente nos feitos e efeitos. Um dia haverá em que o ofendido será reconhecido com a glória da justiça. Quando isso ocorrer, o tempo de vivaz prosperidade alcançará a humanidade, e a alegria será plena em todo o ecossistema Terra.

 

Ainda que utópico este pensamento e o sentimento nele incluso, ele manifesta um profundo de otimismo como enfrentamento a hipocrisia arraigada neste dias inglórios, estabelecendo a esperança da emergência de uma era de verdade e harmonia universal. É a realização plena do imperativo categórico de Kant, onde a máxima de uma ação individual se torna uma lei universal de integridade absoluta.

 

Reverbera nele a filosofia da história de Hegel, que vê o tempo como um processo de evolução da autoconsciência humana. O sofrimento passado não é em vão; ele é o motor que conduz a humanidade em direção à liberdade e à emancipação final. A dor atua como o proficiente buril, que usado por artesãos sábios (o tempo e a vida) aplaina as arestas do caráter (orgulho e as ingenuidades da personalidade humana).

 

Esse "polimento", embora doloroso, blinda psicologicamente, permitindo o livre transito por ambientes hostis sem ser corrompido ou destruído por eles. Sofremos para evoluir, expandir nossa consciência e nos tornarmos aptos a resistir às adversidades do mundo. A humanidade só desperta para si mesma e para o seu potencial de emancipação após confrontar e superar as suas próprias tragédias.

 

Polido e rutilante (resiliência e a sabedoria), o caráter aprimorado viceja a promessa de "alegria plena em todo o ecossistema Terra" expandindo a ética humana tradicional para uma ética planetária (similar ao conceito de Noosfera de Teilhard de Chardin ou à Hipótese Gaia). A justiça humana deixa de ser um evento isolado e passa a ser a chave para a harmonia com a própria natureza.

 

Ecoa diretamente a tradição do estoicismo – para quem a justiça é justeza ao cosmos: o homem, sendo racional, deve viver conforme a lei da natureza, e a justiça deixa de ser mera relação externa dentro do Estado para se tornar uma relação viva entre o ser humano e a ordem que o conserva – notabilizando a visão jusnaturalista e cósmica, em que ser justo é, antes de tudo, harmonizar-se com a ordem da natureza.

 

Envolve alinhar a própria vida aos fluxos, ritmos e leis que regem o universo e o meio ambiente, reconhecendo que o ser humano faz parte de um sistema interconectado. Requer contemplar a interdependência que rege tudo no entorno, pois, feitos e efeitos diários geram impacto direto na comunidade e nos demais seres vivos, demonstrando que não há separação real entre o homem e o ecossistema.

 

Neste influxo, a justiça não se encerra na resolução de conflitos pontuais, mas, se torna o princípio que alinha a conduta humana à própria natureza – o que, no direito contemporâneo, se reflete em correntes como a justiça ambiental e os novos paradigmas de uma justiça "ecologizada", que superam o antropocentrismo utilitarista. Uma justiça sentida como equilíbrio universal, afirma Rousseau.

 

Essa percepção da justiça como equilíbrio universal transcende a aplicação estrita de normas legais, sendo compreendida como um princípio cósmico, ético e espiritual que visa harmonizar as relações humanas e naturais. Evoco por justo mérito a Deusa Ma'at – no Egito antigo – para que sua luz vinda do oriente desobscureça o ocidente com suas primícias: a verdade, o equilíbrio, a ordem e a moralidade.

 

A Pesagem do Coração, no julgamento dos mortos, denota a relevância de Ma’at no panteão das divindade egípcias. O coração do falecido era pesado contra a pena da ave Bennu (pássaro que simboliza a ressureição) para determinar se a alma alcançaria a vida após a morte.  O faraó, como filho de Rá, tinha a responsabilidade de manter e fazer cumprir o ritual de Ma’at na Terra, e os juízes usavam seu emblema nas vestes.

 

No direito, a justiça, em sentido lato ou universal, é associada à equidade, que permite ao juiz adaptar a regra geral às circunstâncias específicas do caso concreto para alcançar um resultado justo.  A equidade não se opõe à lei, mas, a complementa, buscando a "lei justa" quando a aplicação literal da norma resultaria em injustiça, alinhando-se ao "sentido do justo concreto" e à igualdade proporcional. 

 

Noutras muitas tradições, a justiça é uma lei natural ou divina que mantém a ordem do universo, onde cada ação gera uma reação proporcional (como no conceito de carma no Hinduísmo e Budismo).  Elas preceituam que a justiça e o equilíbrio são indissociáveis, ancorando outras virtudes como temperança e felicidade e buscando a estabilidade sustentável das relações, indo além do rigorismo legalista.

 

Nessa perspectiva, a justiça não é uma construção jurídica humana (o "rigorismo legalista"), sendo entendida como fruto das ações alinhadas à harmonia. A ideia central é que a justiça é restaurativa e equilibradora, não meramente punitiva, buscando a estabilidade sustentável das relações. É a participação consciente na harmonia do cosmos, contribuindo para um mundo mais justo, equilibrado e iluminado. 

 

Neste toar, logo virá o dia em que a palavra deixará de ser moeda trocada no ar e se tornará pedra fundadora. Aquele que disse "isto não é justo" e foi engolido pela indiferença e pelo escárnio verá, enfim, que a frase não morreu – apenas esperou. E o que se manifestará nos feitos não será meramente réplica da intenção, mas, a concretização dela, com o peso exato de quem a sustentou em silêncio.

 

Breve chega o dia em que o que foi sepultado sob camadas de silêncio e conveniência romperá a terra como raiz que encontra a luz. As masmorras não serão demolidas; serão reveladas, para que se veja o que nelas se guardava e por quem foi guardado. E o que sairá delas não pedirá permissão: trará consigo o peso de quem o carrega, e o aplauso que lhe for dado será o mínimo que a história deve.

 

Emergirá o dia em que o ofendido não precisará provar que foi ofendido. O reconhecimento virá como reconhecimento: nome, lugar, glória. Não a glória do vencedor, mas a glória da justiça – aquela que não aplaude quem vence, e sim quem merecia ter sido visto. E esse reconhecimento não será ato de caridade; será correção da conta. Manifestará com um abraço a real justiça esperada daqueles juraram ser irmãos.

 

Ocorrendo isto, a prosperidade não será apenas econômica. Será vivaz – no sentido antigo da palavra: cheia de vida, em movimento, em crescimento. A humanidade a alcançará não como prêmio, mas, como consequência: quem vive em justiça não pode ser estéril. E a alegria, que hoje é racionada, será plena – não porque o sofrimento tenha sido apagado, mas porque o sentido dele terá sido devolvido.

 

Neste dia, o ecossistema Terra inteiro sentirá. Porque a alegria de um ser que finalmente é visto não se contém nele. Vaza para o solo, para o ar, para a água. A Terra não é palco; é testemunha. Um ser visto não é um ato que termina nos olhos de quem olha. É uma semente. E toda semente, uma vez plantada em chão testemunha, vira raiz, vira galho, vira sombra que outrem um dia vai buscar.

 

Maranguape, Ceará, 26 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

terça-feira, 25 de agosto de 2026

RECONHEÇO-TE EM MIM

 

Reconheço-te em mim por nossa condição humana, pela igualdade que nos permite exatamente isto: reconhecermo-nos mutuamente, pois, como iguais dispomos deste condão, afinal, somos espelhos uns dos outros; e por nossa busca constante por evolução, sob a arguta tutela do autoconhecimento que nos (re)aprimora.

 

Nada mais digno ao homem do que reconhecer àqueles que o orbitam, dando-lhes exaltação compatível aos que méritos galgados por incontáveis feitos e efeitos a bem de todos. Haja que, ninguém constrói uma jornada relevante isoladamente, ao contrário, o fazemos quando reverberamos o sucesso coletivo.

 

Reconhecer é o mais auspicioso exercício de humildade que humaniza nossas relações e dá sentido real a cada vitória alcançada. É a capacidade de reverberar o sucesso coletivo, já que, o maior ativo de qualquer protagonismo é o capital humano que dedica seu talento e tempo em prol de um objetivo comum.

 

Reconhecimento valida o esforço do passado, enquanto a gratidão fortalece as relações e a motivação para o futuro. Juntos são as maiores virtudes humanas pavimentando o caminho para que novos e maiores legados sejam construídos, pois, são os robustos pilares da dignidade humana.

 

A declaração Dignitas infinita do Vaticano (2024), afirma que a dignidade de cada pessoa é infinita e inerente, existindo "para além de toda circunstância", e seu reconhecimento é fundamental para construir sociedades justas e fraternas, que se (so)erguem sob o lume da verdade universal da igualdade.

 

Somente os iguais se reconhecem, afirma Empédocles. Assim, valorizar os feitos e efeitos, méritos de quem está ao nosso redor não apenas exalta o mérito do outro, mas também, nos enobrece a cada pratica deste agir, pois, ao reconhecermos o outro, reconhecemo-nos nele, pois, ele nos espelha.

 

Longe de ser um mero ato de cortesia, essa prática passa a ser uma certificação da dignidade ontológica de cada ser humano alcançado por essa agência. É na soma dessas pequenas e grandes ações diárias, muitas vezes silenciosas, que a engrenagem do progresso humano realmente gira.

 

"A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito", afirma Aristóteles. Pequenos gestos, como solidariedade, pontualidade e empatia, acumulam-se para gerar transformações profundas na vida individual e no tecido social, moldando o caráter e a identidade pela regularidade destas atitudes.

 

Cada ação é um tijolo na edificação de uma sociedade mais resiliente e justa. “A civilização somente encontrará um caminho seguro quando a humildade fizer compreender que a maior glória não é ser temido, mas, ser lembrado por ser um vetor da paz, da justiça e da humanidade", afirma Mathias Aires.

 

O exercício perene de agências positivas altera a frequência do entorno, promovendo uma evolução humana sustentável onde a dignidade é realizada através de hábitos cotidiano e da cooperação. Valorar cada pessoa, independentemente de sua condição social, física ou moral, robustece a fraternidade.

 

Distinguir reconhecimento autêntico de vaidade é imprescindível, afinal "unicamente reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, podemos fazer renascer entre todos uma aspiração mundial à fraternidade", segundo a mestria do Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti.

 

Transformar a solidariedade e a ética de meras intenções em uma portentosa certificação viva da dignidade humana manifesta a essência da evolução humana e a construção do caráter através da acumulação constante de escolhas (boas e más), desde as mais ínfimas até as mais impactantes.

 

Claramente, que cada ação praticada reforça crenças internas sobre capacidades e limitações, criando caminhos neurais que facilitam a manutenção de comportamentos saudáveis e éticos perenemente, pois, molda a identidade individual e coletiva. "Somos o que repetidamente fazemos", declara Aristóteles.

 

A excelência emerge inconfundivelmente ao entendermos que o caráter é um hábito que exige disciplina e continuidade para ser mantido.  Uma disciplina que não se contente com a espontaneidade, mas que liberte a mente das preocupações triviais, oportunizando que o foco esteja no progresso real pretendido.

 

A mudança real começa internamente. A disciplina, a negligência, a generosidade e o egoísmo são notabilizados antes mesmo de serem percebidas, maturando-se em silêncio até se tornarem visíveis como consequências tangíveis, sustentando verdadeiramente o processo evolutivo humano.

 

Romper o ciclo do individualismo envolve "pequenas (r)evoluções cotidianas", como praticar a escuta e insistir na cooperação. Mudar o cotidiano de alguém através de micro gestos, transfigura a própria vida de quem assim age, criando uma rede de interatividades que certifica a humanidade compartilhada.

 

Essa moção vai além da caridade pontual, já que estabelece a interdependência social que reconhece o humano no homem, promove a coesão das comunidades, reduzi as desigualdades e cria uma determinação firme e perseverante de agir pelo bem comum e responsabilidade compartilhada em prol do sustento das sociedades.

 

Quando a boa vontade conduz a solidariedade para fora do campo das intenções, ela se desvela como um pilar ético e humano fundamental para a vida coletiva, pois, constrói novas possibilidades diárias de fortalecer os laços sociais ao validar a importância insubstituível de cada vínculo humano.

 

Neste toar, o poderoso Nietzsche propõe a máxima de Píndaro, "Torna-te o que tu és", sugerindo que o foco não deve ser a descoberta passiva de uma verdade interior, mas a criação ativa de si mesmo através da vontade e da afirmação da vida. Se assim sou, tu também o é, humano em busca da sabedoria.

 

Declarar, portanto, “reconheço-te em mim” é a emanação mais autêntica e vivaz do ser no qual a verdadeira empatia nasce da percepção do outro como um reflexo de si. Resume toda a essência da empatia não como uma simples troca emocional, mas, como um processo de espelhamento profundo.

 

Segundo a "lei do espelho", o que vemos nos outros é, na verdade, um reflexo de aspectos internos nossos, porém, não há empatia verdadeira sem autoconhecimento. Olhando para dentro de nós mesmos (autoconhecimento) criamos uma ponte de comunhão e evoluímos todos juntos como seres humanos.

 

Maranguape, Ceará, 24 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

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domingo, 23 de agosto de 2026

UM DIA PARA COMBATER INJUSTIÇAS – TIRANIAS, PRECONCEITOS E VÍCIOS

Combater a injustiça é a busca mais memorável do homem integral desde sua mais tenra idade perceptiva da relação interdependencial entre todas as coisas criadas para adornar de rara beleza este mundo dual que somente viça e prolifera graças as eflorescências da dualidade. Se tudo está interligado, a injustiça cometida contra um ponto da teia afeta o todo.

 

Esse fito reveste o homem de grande responsabilidade ética para consigo mesmo, para com seus pares e, principalmente, para com o mundo que se transfigura a cada aprimoramento por ele galgado em seu transitar pelos reinos terrestres, onde a cada passo dado nessa jornada afirma e confirma a viril conexão entre si e todas as coisas que coexistem em sua órbita.

 

Algumas tradições preceituam que a plântula das injustiças, violências e desmandos semeada no seio da humanidade deve-se ao não reconhecimento da dependência do homem em relação àquele que tudo criou para a felicidade de si e para o bem-estar de tudo criado, bem como da ordem estabelecida; uma revolta que provoca diversas reações em cadeia de desordens.

 

Pensa assim acha reverberação no conceito de Joanna de Ângelis fulcrado em sua obra “O Homem Integral”, mediada por Divaldo Franco, que aborda a injustiça como um distúrbio social que afeta o homem e perturba o grupo em um círculo vicioso. A injustiça socioeconômica e cultural cria um "sistema desgastante" que afere o homem pelo que ele tem e não pelo que ele é.

 

Essa pressão externa manifesta intensa ansiedade, medo, desumanização e a necessidade ilusória de enlevar-se sem o devido lastreamento do mérito. O homem, fragilizado e desarmonizado por essas cobranças, passa a atuar de forma desequilibrada; realimentando e agravando a desordem do próprio grupo, perpetuando o ciclo degenerativo cuja sega é a infelicidade.

 

A reversão desse sistema injusto e a superação da violência não ocorrem unicamente a partir das conquistas materiais ou políticas. “Ruir esse círculo vicioso depende do autoconhecimento que resulta na verdadeira liberdade interior, permitindo ao homem mudar a sua postura diante do mundo e alterar a realidade social ao seu redor”, afirma Joanna de Ângelis.

 

O melhor combate às injustiças acha nas lições do Cristo sobre amor ao próximo, solidariedade fraternal e compaixão vetores essenciais para que o homem alcance a plenitude. O culto à gratidão de forma constante e intencional, por exemplo, leva o homem ao seu estado mais completo e satisfatório de ser. Essa mestria jamais se encerra unicamente numa só providencial fonte.

 

Resolutamente, a boa vontade não apenas impulsiona conquistas, como também, molda o caráter, manifestando-se em atitudes de alteridade (voltar-se ao outro) e abnegação (renúncia aos próprios interesses em favor do bem comum). Indo além do “fazem o bem sem olhar a quem”, ela é a força motriz constante, que transforma intenções em ações éticas e duradouras.

 

Essa "boa vontade" precede qualquer conquista externa, pois, que é ela que sustenta a coerência entre o que se pensa, se diz e se faz, adornando de beleza os dias, nos quais sucumbe os desafios com a efervescência dos melhores propósito. Essa disposição interior permite ao homem servir como exemplo vivo para aqueles que observam a trajetória de seus justos méritos.

 

Segundo Kant, uma ação só tem valor moral quando é realizada por dever, não por inclinação ou por esperar um resultado favorável. Ainda que a ação motivada pela boa vontade não alcance seu objetivo, a vontade permanece boa. Percebemos nisto que o dever emerge do respeito à lei moral e a vontade pura age, unicamente, conforme princípios universais que a sustenta.

 

Viver essa virtude e influenciar o ambiente ao redor transforma o homem e, por extensão, a sociedade. Eis um protagonismo buscado por gerações e gerações de pensadores, filósofos, magos, etc., que se faz pleno, ofuscante e, potencialmente, atingível quando a boa vontade ascende ao seu mais enlevado nível de excelência moldando o melhor do humano com galhardia.

 

Quando o homem alcança esse estado de "excelência da boa vontade" – o que os gregos chamam de Arete, ao passo que os estoicos a preceituam de vida em conformidade com o Logos – deixa de tolamente reagir ao ambiente e passa a ser o fomentador das mudanças. Esse status quo é plenamente conquistado através da repetição consciente do bem. Hábito é permanência!

 

A virtude, irrefutavelmente, é a disposição habitual de agir bem, como coragem, justiça e honestidade, sendo o alicerce do caráter. Um "agir" prático que busca o eflorescimento humano e o bem comum, sobre os quais a sociedade se harmoniza. É o conceito do exemplo radiante: a virtude é contagiante porque oportuniza uma vida mais elevada para outrem.

 

Conscienciosamente, percebemos neste influxo que a excelência moral não é um estado estático, mas, uma força contagiosa que transforma o meio. Eclode, assim, o debate ético clássico: a tensão entre o intelecto (saber o que é certo) e o caráter (ter a força para agir) que resulta na constatação da diferença entre apenas existir e florescer. Eis o núcleo da alquimia moral!

 

A "boa vontade" voluntariosa impede o homem de ceder à conveniência em detrimento do certo. É neste toar que a força interior desperta se opondo a qualquer agência utilitarista, exigindo que as atitudes do homem sejam conduzidas pelo dever moral, e não pela conveniência momentânea. Com essa força volitiva a vontade que inicia o movimento em direção ao bem.

 

Uma vontade fortalecida habilita o homem a vencer pequenas batalhas internas – como a procrastinação ou a distração – e viver com propósito – sem o qual não nada se move; nada viceja. Longe de ser apenas um desejo passageiro, a vontade torna-se faculdade racional de autodisciplina à qual o homem recorre para se descravizar dos impulsos contrários à razão e à moral.

 

A razão oferece as ferramentas para analisar criticamente o mundo e identificar as causas da injustiça, combatendo preconceitos definidos como tendências passivas da razão e fontes de violência. A moral orienta a ação prática em direção ao bem comum, fornecendo o fundamento ético e a consciência responsável, diferenciando ações virtuosas das meramente instintivas.

 

A razão e a moral empoderam o homem e, este, as sociedades que, juntamente com seus pares, constroem, na excelsa superação das vicissitudes da natureza e das tiranias impostas pela diversidade de ideologias in voga nestes tempos líquidos, cultivando uma autonomia onde a liberdade coexista com a responsabilidade ética. Nessa interatividade as injustiças se dissipam.

 

Ao incitar o pensamento autônomo e a dúvida sistemática, a razão capacita o homem a lutar contra a tirania e a servidão voluntária, pois, a intolerância e a crueldade muitas vezes nascem da recusa em questionar verdades estabelecidas. Ao limitar o egoísmo e a ambição desmedida, a moral fulcra os princípios de justiça, igualdade e do respeito à dignidade humana.

 

Embora a moralidade traga em si componentes inatos e culturais, ela é essencial para conter a animalidade humana e combater os vícios sociais e políticos que levam à corrupção e à opressão. Ainda quem assim seja, somente a razão tem o condão de trazer o contentamento e discernimento entre desejos legítimos (que reduzem a violência) e ilegítimos (que a aumentam).

 

Movidos, pois, pela sã razão e pela moral mais lúcida, celebramos neste Dia Nacional de Combate às injustiças. Revendo nossas próprias atitudes. Lembrando a importância de garantir acesso igualitário à justiça, saúde, educação e moradia. Destacando o trabalho de instituições e profissionais, como a Defensoria Pública, na proteção de pessoas vulneráveis.

 

A celebração do Dia de Combate à Injustiça, neste 23 de agosto é fundamental para provocar a reflexão social, defender direitos fundamentais e combater as desigualdades estruturais. É um reverberante chamado à ação para cidadãos e instituições, pois, a justiça vai além do cumprimento das leis formais, sendo um alerta sobre desigualdades invisibilizadas no cotidiano.

 

Viver esse propósito, é viver em consonância com leis que a própria razão reconhece como universais e necessárias para o justo e feliz convívio humano neste ecossistema tão belamente diverso na dualidade que o manifesta ao olhar do homem, para seu comprazimento e autodesenvolvimento sob a tutela do sempre buscado autoconhecimento.

 

Maranguape, Ceará, 23 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas 

sábado, 22 de agosto de 2026

O FOLCLORE É O RECONHECIMENTO DA CULTURA COMO UM TESOURO DINÂMICO

Hoje (22/08) é o dia mais especial do ano, aquele que lembramos dos melhores momentos de nossas vidas, quando em companhia de avós e pais, no aconchegos de nossas lares, deles ouvíamos as mais auspiciosas estórias, repletas dos mais augustos valores morais que são as fundações sobre as quais construímos nosso caráter e nossa autenticidade como cidadãos de fé e de direito.

 

Celebramos neste dia o Folclore, que é tudo mais do que o abrasileiramento do termo inglês folklore (de folk, "povo", e lore, "sabedoria"), e faz-se, literalmente, o "saber popular". Uma sabedoria composta por ditados populares, trava-línguas, adivinhas, a literatura de cordel, o repente, a trova e, claro, a literatura folclórica a narrar do mundo mítico que guarda os segredos do homem.

 

Uma arte caracterizada pelo segredo da autoria, por evoluir com a coletividade – a quem também vê evoluir –, por manter viva a identidade cultural dos povos – guardadas as regionalidades e as etnias – e por semear de forma vivaz e singular o pertencimento que une a todos debaixo da árvore de contar histórias, ao calor da fogueira e sob luar e estrelas, onde aprendemos o real valor de “ser gente” de valor.

 

Manifestar-se com o povo (ou a partir dele), estabelece o poder unificador e inspirador da cultura que o folclore inculta nas mentes por ele cativadas. É o que dá vida, significado e caráter a um povo, sendo-lhe o coração pulsante, um elemento que o encanta a tudo que o orbita, definindo-o e enaltecendo-o, portanto, inseparável de sua existência, é sua alma – costumes e tradições – que a cultura anuncia.

 

Neste augurioso diapasão, a cultura fornece as "regras do jogo" e a ambiência social é o "campo de jogo" onde essas regras são aplicadas, vividas e, por vezes, transformadas. A ambiência é o contexto onde a cultura se manifesta, e é reforçada ou transformada, a partir do que é experienciado. Ela é uma construção social que cria um sentimento de pertencimento e coesão que identifica o que toca.

 

A cultura e as artes – escritas e/ou plásticas – são formidáveis ferramentas de inclusão, cocriando novas perspectivas e oportunidades para pessoas marginalizadas, especialmente quando o acesso é facilitado por meio da educação. Da inexistência da conexão cultural emerge a marginalização de indivíduos e grupos, o enfraquecimento da harmonia social, além de os fazer extinguir-se.

 

A conexão cultural não se trata de homogeneização, mas sim, de criar pontes de entendimento e valorização da diversidade, o que, por sua vez, é a base para uma sociedade mais inclusiva, justa e harmoniosa. Esse entendimento mútuo e a identificação com a cultura local firmam laços sociais e geram um senso de unidade e solidariedade, essenciais para sinergia social que faz todos notáveis.

 

A cultura fornece valores, crenças, padrões e tradições que servem como referências comuns para os membros de uma sociedade, ancorados nos arquétipos difundidos pela literatura folclórica. Poder transformador, a cultura é um vetor crucial para o desenvolvimento brasileiro em múltiplas dimensões: econômica, social e na consolidação da identidade nacional interna e externamente.

 

A cultura no Brasil é um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável, a geração de riqueza e a construção de uma nação mais justa, criativa, consciente e orgulhosa de ser brasileira. Daí por que no dia 17 de julho o Brasil celebre o Dia de Proteção às Florestas, associada ao Dia do Protetor de Florestas (ou Dia do Curupira), figura icônica do folclore brasileiro conhecida por defender as matas.

 

Como transformador de paradigmas, desafiando a visão eurocêntrica e evolucionista que ainda pejora a cultura popular como atrasada, arcaica ou mero vestígio do passado, o folclore faz-se reconhecido como um processo dinâmico de inovação e recombinação, fundamental para uma educação que descoloniza o ensino, entendendo a cultura popular como uma construção viva e diuturna.

 

Demonstrando como as tradições se atualizam, o folclore leva a escola e a sociedade aprenderem com conhecimentos antes encobertos pela modernidade ocidental. A representação do Curupira vai além do mito; ela funciona como um alerta ancestral sobre a necessidade de viver em harmonia com a natureza, respeitando os ciclos da fauna e da flora, para que viva perenemente o ecossistema Terra.

 

A lenda do Curupira é uma das mais antigas do Brasil, tendo os primeiros registros escritos datados de 1560, escritos pelo padre José de Anchieta. Ao longo do tempo, o Curupira tornou-se um símbolo oficial de preservação ambiental. O Estado de São Paulo, o consagrou como símbolo estadual do guardião das florestas por força de lei. A COP-30 o fez mascote oficial de conferências internacionais sobre o clima.

 

O cabelo ruivo ou flamejante do Curupira representa o poder vital, a energia indomável da floresta e o calor da vida, mas também, a destruição para aqueles que não respeitam o meio ambiente. Seus pés virados para trás repletem o engano e a ilusão que assombram os usurpadores e gananciosos. Ele personifica a resistência cultural indígena e a conexão ancestral do povo brasileiro com a floresta.

 

O folclore brasileiro está repleto de guardiões da natureza, cujas lendas funcionam como mecanismos culturais de regulação ambiental e sobrevivência humana. A simbologia do Boitatá o liga à preservação contra queimadas, atuando como um alerta vivo sobre os perigos do fogo descontrolado. Considerado um dos primeiros "ambientalistas" do imaginário popular ele pune que ateia fogo nas florestas.

 

Confundida ou associada ao Curupira, a Caipora (do tupi "habitante do mato"), manifestada por uma índia montada em porco-do-mato e/ou como um ser pequeno e ágil, é a protetora dos animais e das florestas. Sua função simbólica é regular a caça predatória, garantir que a fauna não seja exterminada e assegurar a sobrevivência alimentar das comunidades a longo prazo.

 

O Mapinguari é uma criatura gigantesca, coberta de pelos, com um olho só e uma boca no ventre, que habita a Amazônia, representando o medo reverencial necessário para manter áreas intocadas e preservar a biodiversidade crítica para o equilíbrio climático. Sua lenda atua como um forte dissuasor contra a exploração madeireira ilegal e a caça excessiva nas profundezas da floresta.

 

Essas narrativas folclóricas ao personificarem elementos naturais, transformam a conservação em um imperativo moral e espiritual. As entidade entidades cultuadas pelo folclore transformam a natureza de "recurso a ser explorado" para "sujeito de direitos", fomentando o estabelecimento de uma consciência ecológica afetiva que a ciência técnica, por si só, muitas vezes, jamais conseguiria implementar. 

 

Indubitavelmente, o folclore não é, meramente, uma coletânea de lendas, porém, é um portentoso sistema de saberes tradicionais que codifica práticas de conservação e ética ecológica. Ajuda a ressignificar a relação entre seres humanos e natureza, deslocando a visão de dominação para uma de pertencimento e reciprocidade, o folclore assume-se como cocriador do melhor futuro para o homem.

 

Festejarmos o Dia do Folclore, neste 22 de agosto é imprescindível para preservar a identidade cultural brasileira e para garantir que as tradições populares não se percam com o tempo. É o momento mais do justo de reconhecimento da riqueza das manifestações culturais regionais, como lendas, danças, músicas e festas, promovendo o respeito à pluralidade do povo brasileiro e instituindo sua identidade.

 

A data reforça a relevância de manter viva a memória coletiva, reconhecendo a contribuição das matrizes indígenas, africanas e europeias na formação do Brasil. Incentiva o repasse de saberes, costumes e narrativas de geração em geração, mantendo o imaginário popular ativo e proeminente. E notabiliza as comunidades e artistas populares na manutenção dessas tradições.

 

A data, oficializada pelo Decreto nº 56.747 de 1965, sanciona pelo Presidente Humberto Castello Branco, visa incentivar estudos na área e proteger o patrimônio imaterial brasileiro, reconhecendo o folclore como um componente essencial da identidade nacional. A preservação dessas tradições fortalece a coesão social e o orgulho nacional.

 

Em um mundo globalizado, o Dia do Folclore funciona como um formidável contraponto, assegurando que as raízes locais e regionais continuem a influenciar e moldar a sociedade e o caráter dos povos que a constituem. Celebrar o folclore vai muito além de relembrar lendas; é um ato de resistência cultural abrangendo desde festas regionais até modos de fazer artesanato e culinária típica.

 

Por tudo isto, egrégios silogeus como a Academia Internacional de Maçons Imortais (AIMI) desempenham um papel fundamental na preservação e difusão dessa "ciência do povo", o folclore. A contação de histórias é uma ferramenta poderosa da qual se vale a AIMI como reverberadora dos aspectos culturais mais íntimos e ricos de cada povo e pais onde ela exerce suas atividades.  

 

Guardiã da sabedoria popular, coleciona-as e as dissemina por diversas formas de expressão. Reforçando que um povo sem memória cultural perde sua conexão com o futuro, não chegando, por vezes, a alcança-lo.  Para a AIMI celebrar o Dia do Folclore é reconhecer que a cultura é um tesouro dinâmico, que precisa ser constantemente revisitado e valorizado para continuar existindo. 

 

Maranguape, Ceará, 22 de Agosto de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo


NA ERA DA PÓS-VERDADE O AUTOCONHECIMENTO É NAU SEGURA

 

Nestes tempos rápidos – onde a informação alcança velocidade superior à da luz, veiculando em maioria falácias travestidas de verdade aquecendo mentes com os conflitos que alimentam – é momento mais que oportuno para o proficiente exercício do autoaprimoramento que resulta da incessante busca pelo autoconhecimento.

 

Nessa intoxicante disseminação acelerada de fake news, o autoconhecimento é vetor essencial de resiliência cognitiva e ética. A saturação informacional, caracterizada pelo consumo rápido e superficial de dados, resulta em desorientação, ansiedade e uma sensação de anomia social, onde o excesso de estímulos impede a formação de juízos críticos sólidos.

 

Em um mundo saturado por tamanho ruído digital, narrativas polarizadas e estímulos constantes, desacelerar para olhar para dentro não é unicamente um ato de crescimento pessoal, indo bastante mais além, tornando-se uma estratégia de preservação mental e emocional, a partir do exercício pleno da defesa da justiça e da liberdade de pensamento.

 

Desenvolvemos, assim, um "filtro interno" ao escolhermos o caminho do autoconhecimento onde nos capacitamos a discernir o que é informação útil daquilo que é espúria distração e/ou manipulação emocional; e aprendemos a responder às situações com base em nossos próprios valores, e não tolamente reagir ao que o algoritmo ou a massa ditam.

 

Manter a serenidade e o nítido foco, ainda que o ambiente externo esteja em conflito, manifesta contraponto à lógica da "modernidade líquida" e da economia da atenção, nos permitindo transitar da mera acumulação de informações para a construção de sabedoria, muito bem colhida a partir do exame detalhado dos próprios estados mentais e emocionais.

 

Neste fluxo contínuo de pensamentos e sentimentos que ocorre dentro da nossas cabeças, diferenciamos da informação descartável e imediata, a sabedoria que envolve pausa, reflexão e interiorização – processos incompatíveis com a velocidade imposta pelas redes digitais e pelos algoritmos que priorizam o engajamento em detrimento da verdade.

 

Um interlóquio conosco mesmos, que jamais será um destino final, pois, passa a ser um hábito diuturnamente perene de questionamento e observação de nós mesmos, quando (re)avaliamos ações e decisões já tomadas e (re)analisamos sentimentos, medos e desejos alcançando neste diapasão a prática necessária para navegar na era da pós-verdade

 

Distinguindo fato e opinião, essa filtragem crítica das fontes e a manutenção da autonomia intelectual, protege-nos da manipulação através da desinformação e do medo de ficar de fora (FOMO – sigla em inglês para fear of missing out) e com paciência intelectual e responsabilidade cultural transformar informações em sabedoria e clareza de visão em meio ao caos informacional.

 

Oportunizamos, com isso, a flexibilidade emocional a partir da qual deixamos de ser uma "esponja" que absorve e replica o caos externo e nos tornarmos "alquimistas" que transfiguram essas energias, atuando em cada situação com critério e presença em vez de impulsividade, pois, conscienciosamente observamos padrões de pensamento e sentimentos em tempo real.

 

Sem essa ferramenta interna, nossa mente tende a ser escrava do efêmero, onde cada clique em distrações triviais representa uma fragmentação da identidade e uma perda de energia vital. Com o domínio desse filtro blindamos as horas iniciais do dia contra as notificações irrelevantes e recusamos debates estéreis, focando em narrativas que expandem a percepção da realidade.

 

A clareza obtida nesse nível de autoconhecimento faz-se bússola interna, orientando escolhas em momentos de incerteza. Ao identificar valores fundamentais – como respeito, resiliência, aprendizado ou liberdade – nossos feitos e efeitos diuturnos manifestam quem somos realmente, e não apenas expectativas externas, superando a "paralisia da análise" e o "piloto automático".

 

Formidavelmente, como mestres ad vitam focamos nas lições sobre liderança moral, tolerância, a busca pela verdade e a reconstrução interior, a bem do nosso bem-estar, da nossa segurança e da nossa felicidade sob a égide do pertencimento que nos identifica e nos une nessa resoluta busca da verdade que habita em nós e que cocria nossa realidade.

 

Empreendemos, neste tempos fluidos, poderosamente a convergência entre a filosofia clássica e o desenvolvimento humano contemporâneo, unindo a liderança moral à reconstrução interior. É nossa a declaração de coerência ética a definir autenticidade em nossas interações e o certificado de nossa capacidade de exercer mestria sobre o coletivo.

 

Ao focarmos nessa integridade, reconstruímos o lume moral ancorado na honestidade, e conduzimos nossas ações sob a tutela de princípios sólidos rather than por conveniências externas. Essa postura é fundamental para criar ambientes de confiança e segurança, onde o bem-estar coletivo floresce do alinhamento perfeito entre o que se pensa, o que se diz e o que se faz.

 

Ao operarmos nessa janela de tolerância saudável, com competência, segurança e vivacidade, mesmo diante de desafios, conseguimos enfrentar situações com compostura, sem nos esgotarmos ou perdermos o controle emocional, manter a estabilidade interna enquanto se navega pelas complexidades das relações humanas e das adversidades.

 

Ao reconhecermos que existe um bem maior a ser buscado e uma verdade a ser descoberta, nos empoderamos nessa a busca pela verdade, que é o distintivo humano que fundamenta o aprendizado e a construção de uma felicidade duradoura que transformar nossa realidade interna e que transfigura o mundo ao nosso redor sob o influxo no sentimento de pertencimento.

 

Essa felicidade verdadeira não é um eventual acidente, ao contrário ela é o resultado de uma vida alinhada com a verdade e a excelência moral, quando mestres e discípulos, ou líderes e comunidades, compartilham o compromisso real com a verdade e a reconstrução interior e criam uma sinergia poderosa de solidariedade e respeito à dignidade da vida.

 

Uma união que jamais anula nossa individualidade, a robustece, pois, cada um de nós se sente parte de um todo maior que nos valida e nos incentiva em nossa missão pessoal de atuar como elo robusto a unir-nos a nossos iguais nesse resoluto combate à estagnação espiritual e à perda de direção, a partir de hábitos que elevam a alma, cruciais para uma vida com propósito.

 

Ao nos responsabilizarmos por manter humana a humanidade, ainda que de sua essência ela se desvie nessa era caracterizada pelo viés de confirmação e pela indisponibilidade ao diálogo, temos no autoconhecimento a nau segura e proficiente que não nos deixa perder nas "bolhas de percepção" e na pós-verdade social, que confundem sombras com realidade.

 

Maranguape, Ceará, 22 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


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