Hoje
(22/08) é o dia mais especial do ano, aquele que lembramos dos melhores
momentos de nossas vidas, quando em companhia de avós e pais, no aconchegos de
nossas lares, deles ouvíamos as mais auspiciosas estórias, repletas dos mais
augustos valores morais que são as fundações sobre as quais construímos nosso
caráter e nossa autenticidade como cidadãos de fé e de direito.
Celebramos
neste dia o Folclore, que é tudo mais do que o abrasileiramento do termo
inglês folklore (de folk, "povo",
e lore, "sabedoria"), e faz-se, literalmente, o "saber
popular". Uma sabedoria composta por ditados populares, trava-línguas,
adivinhas, a literatura de cordel, o repente, a trova e, claro, a literatura
folclórica a narrar do mundo mítico que guarda os segredos do homem.
Uma
arte caracterizada pelo segredo da autoria, por evoluir com a coletividade – a
quem também vê evoluir –, por manter viva a identidade cultural dos povos –
guardadas as regionalidades e as etnias – e por semear de forma vivaz e
singular o pertencimento que une a todos debaixo da árvore de contar histórias,
ao calor da fogueira e sob luar e estrelas, onde aprendemos o real valor de
“ser gente” de valor.
Manifestar-se
com o povo (ou a partir dele), estabelece o poder unificador e inspirador da
cultura que o folclore inculta nas mentes por ele cativadas. É o que dá vida,
significado e caráter a um povo, sendo-lhe o coração pulsante, um elemento que
o encanta a tudo que o orbita, definindo-o e enaltecendo-o, portanto,
inseparável de sua existência, é sua alma – costumes e tradições – que a
cultura anuncia.
Neste
augurioso diapasão, a cultura fornece as "regras do jogo" e a
ambiência social é o "campo de jogo" onde essas regras são aplicadas,
vividas e, por vezes, transformadas. A ambiência é o contexto onde a cultura se
manifesta, e é reforçada ou transformada, a partir do que é experienciado. Ela
é uma construção social que cria um sentimento de pertencimento e coesão que
identifica o que toca.
A
cultura e as artes – escritas e/ou plásticas – são formidáveis ferramentas de
inclusão, cocriando novas perspectivas e oportunidades para pessoas
marginalizadas, especialmente quando o acesso é facilitado por meio da
educação. Da inexistência da conexão cultural emerge a marginalização de
indivíduos e grupos, o enfraquecimento da harmonia social, além de os fazer
extinguir-se.
A
conexão cultural não se trata de homogeneização, mas sim, de criar pontes de
entendimento e valorização da diversidade, o que, por sua vez, é a base para
uma sociedade mais inclusiva, justa e harmoniosa. Esse entendimento mútuo e a
identificação com a cultura local firmam laços sociais e geram um senso de
unidade e solidariedade, essenciais para sinergia social que faz todos
notáveis.
A
cultura fornece valores, crenças, padrões e tradições que servem como
referências comuns para os membros de uma sociedade, ancorados nos arquétipos
difundidos pela literatura folclórica. Poder transformador, a cultura é um
vetor crucial para o desenvolvimento brasileiro em múltiplas dimensões:
econômica, social e na consolidação da identidade nacional interna e
externamente.
A
cultura no Brasil é um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável, a
geração de riqueza e a construção de uma nação mais justa, criativa, consciente
e orgulhosa de ser brasileira. Daí por que no dia 17 de julho o Brasil celebre
o Dia de Proteção às Florestas, associada ao Dia do Protetor de Florestas
(ou Dia do Curupira), figura icônica do folclore brasileiro conhecida por
defender as matas.
Como
transformador de paradigmas, desafiando a visão eurocêntrica e evolucionista
que ainda pejora a cultura popular como atrasada, arcaica ou mero vestígio do
passado, o folclore faz-se reconhecido como um processo dinâmico de inovação e
recombinação, fundamental para uma educação que descoloniza o ensino,
entendendo a cultura popular como uma construção viva e diuturna.
Demonstrando
como as tradições se atualizam, o folclore leva a escola e a sociedade
aprenderem com conhecimentos antes encobertos pela modernidade ocidental. A
representação do Curupira vai além do mito; ela funciona como um alerta
ancestral sobre a necessidade de viver em harmonia com a natureza, respeitando
os ciclos da fauna e da flora, para que viva perenemente o ecossistema Terra.
A
lenda do Curupira é uma das mais antigas do Brasil, tendo os primeiros
registros escritos datados de 1560, escritos pelo padre José de Anchieta. Ao
longo do tempo, o Curupira tornou-se um símbolo oficial de preservação
ambiental. O Estado de São Paulo, o consagrou como símbolo estadual do guardião
das florestas por força de lei. A COP-30 o fez mascote oficial de conferências
internacionais sobre o clima.
O
cabelo ruivo ou flamejante do Curupira representa o poder vital, a energia
indomável da floresta e o calor da vida, mas também, a destruição para aqueles
que não respeitam o meio ambiente. Seus pés virados para trás repletem o engano
e a ilusão que assombram os usurpadores e gananciosos. Ele personifica a
resistência cultural indígena e a conexão ancestral do povo brasileiro com a
floresta.
O
folclore brasileiro está repleto de guardiões da natureza, cujas lendas
funcionam como mecanismos culturais de regulação ambiental e sobrevivência
humana. A simbologia do Boitatá o liga à preservação contra queimadas, atuando
como um alerta vivo sobre os perigos do fogo descontrolado. Considerado um dos
primeiros "ambientalistas" do imaginário popular ele pune que ateia
fogo nas florestas.
Confundida
ou associada ao Curupira, a Caipora (do tupi "habitante do mato"),
manifestada por uma índia montada em porco-do-mato e/ou como um ser pequeno e
ágil, é a protetora dos animais e das florestas. Sua função simbólica é regular
a caça predatória, garantir que a fauna não seja exterminada e assegurar a
sobrevivência alimentar das comunidades a longo prazo.
O
Mapinguari é uma criatura gigantesca, coberta de pelos, com um olho só e uma
boca no ventre, que habita a Amazônia, representando o medo reverencial
necessário para manter áreas intocadas e preservar a biodiversidade crítica
para o equilíbrio climático. Sua lenda atua como um forte dissuasor contra a
exploração madeireira ilegal e a caça excessiva nas profundezas da floresta.
Essas
narrativas folclóricas ao personificarem elementos naturais, transformam a
conservação em um imperativo moral e espiritual. As entidade entidades
cultuadas pelo folclore transformam a natureza de "recurso a ser
explorado" para "sujeito de direitos", fomentando o
estabelecimento de uma consciência ecológica afetiva que a ciência técnica, por
si só, muitas vezes, jamais conseguiria implementar.
Indubitavelmente,
o folclore não é, meramente, uma coletânea de lendas, porém, é um portentoso
sistema de saberes tradicionais que codifica práticas de conservação e ética
ecológica. Ajuda a ressignificar a relação entre seres humanos e natureza,
deslocando a visão de dominação para uma de pertencimento e reciprocidade, o
folclore assume-se como cocriador do melhor futuro para o homem.
Festejarmos
o Dia do Folclore, neste 22 de agosto é imprescindível para preservar a
identidade cultural brasileira e para garantir que as tradições populares não
se percam com o tempo. É o momento mais do justo de reconhecimento da riqueza
das manifestações culturais regionais, como lendas, danças, músicas e festas,
promovendo o respeito à pluralidade do povo brasileiro e instituindo sua
identidade.
A
data reforça a relevância de manter viva a memória coletiva, reconhecendo a
contribuição das matrizes indígenas, africanas e europeias na formação do Brasil.
Incentiva o repasse de saberes, costumes e narrativas de geração em geração,
mantendo o imaginário popular ativo e proeminente. E notabiliza as comunidades
e artistas populares na manutenção dessas tradições.
A
data, oficializada pelo Decreto nº 56.747 de 1965, sanciona pelo
Presidente Humberto Castello Branco, visa incentivar estudos na área e
proteger o patrimônio imaterial brasileiro, reconhecendo o folclore como um
componente essencial da identidade nacional. A preservação dessas tradições
fortalece a coesão social e o orgulho nacional.
Em
um mundo globalizado, o Dia do Folclore funciona como um formidável contraponto,
assegurando que as raízes locais e regionais continuem a influenciar e moldar a
sociedade e o caráter dos povos que a constituem. Celebrar o folclore vai muito
além de relembrar lendas; é um ato de resistência cultural abrangendo desde
festas regionais até modos de fazer artesanato e culinária típica.
Por
tudo isto, egrégios silogeus como a Academia Internacional de Maçons Imortais (AIMI)
desempenham um papel fundamental na preservação e difusão dessa "ciência
do povo", o folclore. A contação de histórias é uma ferramenta poderosa da qual se vale a AIMI como reverberadora dos aspectos culturais mais íntimos e
ricos de cada povo e pais onde ela exerce suas atividades.
Guardiã
da sabedoria popular, coleciona-as e as dissemina por diversas formas de
expressão. Reforçando que um povo sem memória cultural perde sua conexão com o
futuro, não chegando, por vezes, a alcança-lo. Para a AIMI celebrar o Dia do Folclore é
reconhecer que a cultura é um tesouro dinâmico, que precisa ser constantemente
revisitado e valorizado para continuar existindo.
Maranguape,
Ceará, 22 de Agosto de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
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