Combater
a injustiça é a busca mais memorável do homem integral desde sua mais tenra
idade perceptiva da relação interdependencial entre todas as coisas criadas
para adornar de rara beleza este mundo dual que somente viça e prolifera graças
as eflorescências da dualidade. Se tudo está interligado, a injustiça cometida
contra um ponto da teia afeta o todo.
Esse
fito reveste o homem de grande responsabilidade ética para consigo mesmo, para
com seus pares e, principalmente, para com o mundo que se transfigura a cada
aprimoramento por ele galgado em seu transitar pelos reinos terrestres, onde a
cada passo dado nessa jornada afirma e confirma a viril conexão entre si e
todas as coisas que coexistem em sua órbita.
Algumas
tradições preceituam que a plântula das injustiças, violências e desmandos
semeada no seio da humanidade deve-se ao não reconhecimento da dependência do
homem em relação àquele que tudo criou para a felicidade de si e para o
bem-estar de tudo criado, bem como da ordem estabelecida; uma revolta que
provoca diversas reações em cadeia de desordens.
Pensa
assim acha reverberação no conceito de Joanna de Ângelis fulcrado em sua obra
“O Homem Integral”, mediada por Divaldo Franco, que aborda a injustiça como um
distúrbio social que afeta o homem e perturba o grupo em um círculo vicioso. A
injustiça socioeconômica e cultural cria um "sistema desgastante" que
afere o homem pelo que ele tem e não pelo que ele é.
Essa
pressão externa manifesta intensa ansiedade, medo, desumanização e a
necessidade ilusória de enlevar-se sem o devido lastreamento do mérito. O
homem, fragilizado e desarmonizado por essas cobranças, passa a atuar de forma
desequilibrada; realimentando e agravando a desordem do próprio grupo,
perpetuando o ciclo degenerativo cuja sega é a infelicidade.
A
reversão desse sistema injusto e a superação da violência não ocorrem
unicamente a partir das conquistas materiais ou políticas. “Ruir esse círculo
vicioso depende do autoconhecimento que resulta na verdadeira liberdade
interior, permitindo ao homem mudar a sua postura diante do mundo e alterar a
realidade social ao seu redor”, afirma Joanna de Ângelis.
O
melhor combate às injustiças acha nas lições do Cristo sobre amor ao próximo,
solidariedade fraternal e compaixão vetores essenciais para que o homem alcance
a plenitude. O culto à gratidão de forma constante e intencional, por exemplo,
leva o homem ao seu estado mais completo e satisfatório de ser. Essa mestria
jamais se encerra unicamente numa só providencial fonte.
Resolutamente,
a boa vontade não apenas impulsiona conquistas, como também, molda o caráter,
manifestando-se em atitudes de alteridade (voltar-se ao outro) e abnegação
(renúncia aos próprios interesses em favor do bem comum). Indo além do “fazem o
bem sem olhar a quem”, ela é a força motriz constante, que transforma intenções
em ações éticas e duradouras.
Essa
"boa vontade" precede qualquer conquista externa, pois, que é ela que
sustenta a coerência entre o que se pensa, se diz e se faz, adornando de beleza
os dias, nos quais sucumbe os desafios com a efervescência dos melhores
propósito. Essa disposição interior permite ao homem servir como exemplo vivo
para aqueles que observam a trajetória de seus justos méritos.
Segundo
Kant, uma ação só tem valor moral quando é realizada por dever, não por
inclinação ou por esperar um resultado favorável. Ainda que a ação motivada
pela boa vontade não alcance seu objetivo, a vontade permanece boa. Percebemos
nisto que o dever emerge do respeito à lei moral e a vontade pura age,
unicamente, conforme princípios universais que a sustenta.
Viver
essa virtude e influenciar o ambiente ao redor transforma o homem e, por
extensão, a sociedade. Eis um protagonismo buscado por gerações e gerações de
pensadores, filósofos, magos, etc., que se faz pleno, ofuscante e,
potencialmente, atingível quando a boa vontade ascende ao seu mais enlevado
nível de excelência moldando o melhor do humano com galhardia.
Quando
o homem alcança esse estado de "excelência da boa vontade" – o que os
gregos chamam de Arete, ao passo que os estoicos a preceituam de vida em
conformidade com o Logos – deixa de tolamente reagir ao ambiente e passa a ser o
fomentador das mudanças. Esse status quo é plenamente conquistado através da
repetição consciente do bem. Hábito é permanência!
A
virtude, irrefutavelmente, é a disposição habitual de agir bem, como coragem,
justiça e honestidade, sendo o alicerce do caráter. Um "agir" prático
que busca o eflorescimento humano e o bem comum, sobre os quais a sociedade se
harmoniza. É o conceito do exemplo radiante: a virtude é contagiante porque oportuniza
uma vida mais elevada para outrem.
Conscienciosamente,
percebemos neste influxo que a excelência moral não é um estado estático, mas,
uma força contagiosa que transforma o meio. Eclode, assim, o debate ético
clássico: a tensão entre o intelecto (saber o que é certo) e o caráter (ter a
força para agir) que resulta na constatação da diferença entre apenas existir e
florescer. Eis o núcleo da alquimia moral!
A
"boa vontade" voluntariosa impede o homem de ceder à conveniência em
detrimento do certo. É neste toar que a força interior desperta se opondo a qualquer
agência utilitarista, exigindo que as atitudes do homem sejam conduzidas pelo dever
moral, e não pela conveniência momentânea. Com essa força volitiva a vontade
que inicia o movimento em direção ao bem.
Uma
vontade fortalecida habilita o homem a vencer pequenas batalhas internas – como
a procrastinação ou a distração – e viver com propósito – sem o qual não nada
se move; nada viceja. Longe de ser apenas um desejo passageiro, a vontade
torna-se faculdade racional de autodisciplina à qual o homem recorre para se descravizar
dos impulsos contrários à razão e à moral.
A
razão oferece as ferramentas para analisar criticamente o mundo e identificar
as causas da injustiça, combatendo preconceitos definidos como tendências
passivas da razão e fontes de violência. A moral orienta a ação prática em
direção ao bem comum, fornecendo o fundamento ético e a consciência
responsável, diferenciando ações virtuosas das meramente instintivas.
A
razão e a moral empoderam o homem e, este, as sociedades que, juntamente com
seus pares, constroem, na excelsa superação das vicissitudes da natureza e das
tiranias impostas pela diversidade de ideologias in voga nestes tempos líquidos,
cultivando uma autonomia onde a liberdade coexista com a responsabilidade ética.
Nessa interatividade as injustiças se dissipam.
Ao
incitar o pensamento autônomo e a dúvida sistemática, a razão capacita o homem
a lutar contra a tirania e a servidão voluntária, pois, a
intolerância e a crueldade muitas vezes nascem da recusa em questionar verdades
estabelecidas. Ao limitar o egoísmo e a ambição desmedida, a moral fulcra os
princípios de justiça, igualdade e do respeito à dignidade humana.
Embora
a moralidade traga em si componentes inatos e culturais, ela é essencial para
conter a animalidade humana e combater os vícios sociais e políticos
que levam à corrupção e à opressão. Ainda quem assim seja, somente a razão tem
o condão de trazer o contentamento e discernimento entre desejos legítimos (que
reduzem a violência) e ilegítimos (que a aumentam).
Movidos,
pois, pela sã razão e pela moral mais lúcida, celebramos neste Dia Nacional de
Combate às injustiças. Revendo nossas próprias atitudes. Lembrando a
importância de garantir acesso igualitário à justiça, saúde, educação e
moradia. Destacando o trabalho de instituições e profissionais, como a
Defensoria Pública, na proteção de pessoas vulneráveis.
A
celebração do Dia de Combate à Injustiça, neste 23 de agosto é fundamental para
provocar a reflexão social, defender direitos fundamentais e combater as
desigualdades estruturais. É um reverberante chamado à ação para cidadãos e
instituições, pois, a justiça vai além do cumprimento das leis formais, sendo um
alerta sobre desigualdades invisibilizadas no cotidiano.
Viver
esse propósito, é viver em consonância com leis que a própria razão reconhece
como universais e necessárias para o justo e feliz convívio humano neste ecossistema
tão belamente diverso na dualidade que o manifesta ao olhar do homem, para seu
comprazimento e autodesenvolvimento sob a tutela do sempre buscado autoconhecimento.
Maranguape,
Ceará, 23 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado
à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

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