domingo, 26 de julho de 2026

MOISÉS TORNOU-SE LENDA CONTENDO IMPULSOS VÃOS

 

Poucas lendas humanas trazem narrativas tão repletas de simbolismos como a História de Moisés. Cada simbolismo transcende a literalidade de quaisquer narrativas que busque desvelar os mistérios por eles guardados do olhar profano e a sabedoria que disseminam.

 

Moisés manifesta arquétipos de libertação, transformação espiritual e a relação entre o humano e o divino. Cada etapa de sua vida, desde o nascimento até a morte, carrega significados profundos sobre a condição humana, a jornada da fé e a interatividade com o sagrado.

 

Colocado no cesto e salvo das águas do Nilo, Moisés anuncia claramente o sentido ambíguo da água como elemento de morte e de renascimento, portanto, de vida. Seu nome, também, é ambíguo: significa "salvo das águas", mas também, "aquele que salva”.

 

Mircea Eliade afirma que a imersão na água apaga a história anterior, anulando o passado para restaurar a integridade inicial. Na Tradição Chinesa, o Elemento Água liga-se ao inverno, ao medo e à energia de recolhimento que precede o renascimento da primavera.

 

Psicologicamente, a água representa o subconsciente e as emoções; o contato com ela permite a introjeção de experiências e o "choro" ou lavagem emocional necessários para a renovação interna. Ela simboliza a dissolução necessária para a transformação.

 

Textos bíblicos (Êxodo 14 e Romanos 6) destacam o Mar Vermelho e o Rio Jordão como elementos de passagem fundamental, onde a destruição do passado abre espaço para a existência de um "homem novo". Neles, a água é um agente de transição entre a morte e a vida.

 

Incontestavelmente, a morte do passado enseja o ritual de passagem que conduz ao novo. E a emergência de novos ciclos é uma práxis constante na vida. A cada sol que raia um novo ciclo nasce com ele. Cada novo momento e/ou prodígio dá vida a novéis (re)formas.

 

Desde o deus egípcio Num até a intuição de Tales de Mileto, a água é o elemento que dá origem, sustenta e, também, pode destruir (enchentes, tempestades). Essa ambivalência entre criação e destruição consolida o papel da água como o elemento da mudança.

 

Em praticamente todas as civilizações antigas, a água é a fonte primordial da existência, nela a morte não é um fim, mas um estágio necessário de renascimento contínuo da vida e da consciência, do qual se emerge regenerado e transformado para viver um novo ciclo.

 

Moisés ao ser retirado da água simboliza um novo nascimento e uma escolha divina para um propósito específico.  A água, deixa de ser o instrumento de morte decretado pelo Faraó e torna-se o meio de transformar intenções malignas em instrumentos de libertação. 

 

A infância de Moisés no palácio de Faraó foi uma preparação divina estratégica que moldou sua capacidade intelectual e de liderança, permitindo-lhe atuar como mediador entre o Egito e Israel. Ele recebeu educação de elite ("sábio em palavras e obras").

 

Vivendo por 40 anos como "neto de Faraó", embora nascido de Joquebede, a passagem de Moisés pelo palácio ensinou-lhe o valor do poder mundano, por ele renunciado ao escolher sofrer com seu povo, o que o capacitou para a liderança servil que protagonizaria.

 

Um líder servil assume o papel de servir primeiro para liderar depois, o que exige uma mudança profunda e constante de mentalidade. Envolve compreender que a autoridade reside na capacidade de inspirar, jamais em demonstrações efêmeras de grandeza.

 

Priorizar o crescimento profissional e pessoal dos colaboradores, fornecendo-lhes recursos, treinamento e oportunidades para que atinjam seu máximo potencial são agências instaladoras de líder servil que mantém um diálogo constante a construir confiança mútua.

 

Íntegro, transparente e ético, o líder servil assume a responsabilidade pelo bem-estar de todos aqueles que o orbitam, a quem exempla dando-lhe os testemunhos e comportamento digno daquilo que professa em seus dias como justo, belo e robustamente feliz.

 

Capacitado a compreender genuinamente as perspectivas e sentimentos daqueles o ladeiam, valorizando cada fala sem julgamentos, o líder servil torna-se o semeador de progressos, de desenvolvimentos e de felicidades que são o tripé do pertencimento.

 

A sabedoria egípcia foi complementada por 40 anos de exílio em Midiã. Um isolamento que forjou o caráter de Moisés, moldando o líder impulsivo que outrora tentou resolver as opressões por meio da força física naquele que breve seria o libertador de Israel.

 

Midiã foi para Moisés uma escola de desaprendizado do orgulho palaciano e de aprendizado da paciência, da humildade, da serenidade e da dependência de Deus necessárias para superar sua autoconfiança inicial e aceitar o chamado divino que já o aprimorava.

 

É na aridez que a "sarça ardente" se revela: um fogo que consome sem destruir, simbolizando a presença de Deus que purifica, porém não aniquila. O deserto é o cenário central da simbologia mosaica, representando o lugar de provação, solidão e encontro com o divino.

 

Cônscio de que qualquer empresa exige a presença de Deus, o líder servil age com serenidade, coragem e convicção, reconhecendo suas limitações e confiando na orientação divina que sustém a evolução, a prosperidade e a felicidade de todos a todo o tempo.

 

Combinada com a humildade, a serenidade cria ambiências seguras, produtivas e alegres onde colaboradores e colaborados assumem responsabilidades sem medo de punições quaisquer, impulsionando harmonia social, seja no trabalho, como também, nas comunidades.

 

A humildade é a virtude dos fortes que não precisam provar nada a ninguém. Ela habilita ao líder servir ainda que estando no topo e a inspirar respeito sem vaidade, pois, a verdadeira grandeza está em cuidar e servir, não em manipular para dominar inescrupulosamente.

 

No sucesso, a humildade e a dependência divina (re)lembram que a glória não pertence ao líder, mas, sim a todos aqueles que, conjuntamente, o fizerem eclodir. No fracasso, a serenidade impede o desespero, enxergando o erro como um processo pedagógico.

 

Essa combinação de qualidades humaniza os líderes e cria confiança e autenticidade, transformando egos em propósito e imagens em legado sob o lume da submissão das vontades que faz vencidas quaisquer paixões vãs, para assim, fulcrar a proba intercolaboração.

 

A liderança habilidosa ancorada na paciência, humildade, serenidade e dependência de Deus transforma a autoridade em serviço e impacta como inspiração duradoura. Longe de representarem fraqueza, essas qualidades manifestam uma força interior inabalável.

 

A retirado dos Israelenses do Egito por Moisés simboliza a libertação da escravidão material, dos vícios e das amarras mentais que aprisionam a consciência. E molda a identidade israelense a partir da experiência do monoteísmo ético e da descentralização cultural.

 

Os 40 anos no deserto representam o período de provação, purificação profunda e transição de uma mentalidade escrava para uma consciência livre. Serviu como uma escola de pedagogia divina para a construção da identidade nacional e da aliança com o sagrado.

 

Sob o culto centrado no Tabernáculo move-se o foco da geografia para a presença divina itinerante, unificando as tribos sob uma mesma fé e propósito. O que exigiu de Moises um viril convencimento estabelecido sobre suas expertises em consonância com o sagrado.

 

O "viril convencimento" de Moisés não se deu apenas por discursos, mas pela aplicação prática de suas capacidades organizacionais, devidamente refinadas durante sua educação na corte egípcia e aprimoradas em sua vivência como pastor no deserto de Midiã.

 

Um nova dinâmica pede um ordenamento justo e equilibrado, por isso Moisés codificou as leis e os rituais de forma clara, transpondo a autoridade espiritual de sua figura individual para uma instituição duradoura garantindo que o culto efluísse mesma nas adversidades.

 

Quando o estabelecido é respeitável, o respeita abraça de forma equânime tudo e todos por ele tocado. O respeito é pai da fé incondicional e esta convicção move as realidades e mundos cocriados pelo homem para seu comprazimento e evolução.

 

Viver por fé e não por vista (2 Coríntios 5:7) manifesta com clareza que a confiança em Deus deve ser maior do que as dificuldades ou aparências do mundo real. Envolve continuar fazendo o bem e o necessário, mesmo quando o cenário ao redor parecer desfavorável.

 

Essa fé incondicional, seja na providência divina, seja nas capacitações mundanas, coroa de êxito e glorifica a jornada de Moisés, representando a paz interior, a comunhão plena com o divino e a verdadeira liberdade espiritual que manifestam o melhor intelecto.

 

O final da vida de Moisés expressa um simbolismo profundo sobre liderança, sacrifício e continuidade. Sua morte fora da terra prometida enfatiza que a fé e a obediência são fins em si mesmas, independentemente da recompensa imediata para cada feito.

 

A sucessão por Josué indica que a obra divina continua através de novas gerações e que a "Terra Prometida" é um destino coletivo que sobrevive aos indivíduos desde que muitíssimo bem alicerçado no pertencimento que se sustenta no propósito único que o enseja.

 

Maranguape, 26 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


sábado, 25 de julho de 2026

ATEMPORALMENTE VIVAZ, A ESCRITA DÁ VIDA A ESCRITORES

 

Escrever é a arte mais antiga exercida pelo homem. Inicialmente, a partir da pintura rupestre, o homem historiou suas aventuras e desventuras. Descreveu suas batalhas e conquistas. Contou de seus adversários e de seus amigos. Reportou suas festas, a natureza que o abrigava. Disse de si com este modo pictográfico de falar.

 

Ferramenta mais poderosa desenvolvida pela humanidade para eternizar a própria existência, a escrita transforma pensamentos efêmeros em registros perenes, dando voz à época que ecoa enquanto tempo se expandir. Ao narrar ritos, festas e amigos, ela robustece os laços entre pessoas e grupos sociais e define culturas.

 

Difusora da História e da Cultura, a escrita faz-se o principal instrumento de comunicação ao permitir que narrativas, valores, crenças e rituais sejam transmitidos de geração em geração. Ao superar limitações temporais e espaciais, ela eterniza memórias, ideias e a própria existência humana, oportunizando ao passado ensinar ao futuro.

 

Ao registrar experiências, a escrita disponibiliza uma forma de imortalidade simbólica, garantindo o registro de existências ("eu estive aqui"). Desde os desenhos primitivos até os textos digitais modernos, ela externaliza a memória, preserva a sabedoria e a essência humana contra o esquecimento. Fulcra a identidade social pelo pertencimento que enseja.

 

A infância da humanidade exigiu do homem movimentação constante em busca de alimentos, de segurança e sobrevivência, o que o impedia de trazer consigo a memória grafada nas cavernas, isto propiciou a ciese de um modus scribendi mais condizente com o atendimento a esta necessidade. Surge a escrita em tábuas de argila revolucionando os dias.

 

A transição da arte rupestre nas cavernas para a escrita em tabuletas de argila representa um dos maiores saltos tecnológicos da história humana. Marca a passagem do nomadismo para a sedentarização onde o acúmulo de bens e o comércio exigiam um sistema mais aprimorado e complexo de registro. Nasce a escrita cuneiforme.

 

A escrita cuneiforme emergiu para atender a uma necessidade prática e administrativa. As inscrições em tábuas de argila registraram inicialmente o comércio de produtos e a gestão de templos e, depois, passou a preservar ideias, leis e aspectos mitológicos, superando a barreira da memória oral e da localização fixa das cavernas.

 

Esse sistema facilitou contratos de comércio com outros povos e a organização interna das primeiras cidades, como Uruk, onde templos complexos e armazéns exigiam uma contabilidade mais precisa. A evolução desse sistema pelos fenícios e gregos levaria, posteriormente, ao alfabeto que o conhecemos hoje.

 

Entre 1200 a.C. a 1000 a.C., surgiu o primeiro alfabeto verdadeiramente fonético. Diferente da escrita cuneiforme e dos hieróglifos egípcios, o sistema fenício – povo de comerciantes marítimos que habitava o atual Líbano – era constituído de, apenas, 22 sinais lineares, representando unicamente as consoantes.

 

Solucionando a necessidade prática do comércio: registrar transações, contratos e estoques de forma rápida e acessível, sem a necessidade de anos de estudo para dominar milhares de ideogramas, o alfabeto fenício difundido pelo Mediterrâneo ancorou os alfabetos hebraico, aramaico e árabe, logo chegando à Grécia.

 

Conhecido pelos gregos (IX a.C), o alfabeto fenício, que não registrava vogais e, por isso, tornava a leitura ambígua para a língua grega, rica em sons vocálicos, mediante sutis adaptações deu origem ao primeiro alfabeto "verdadeiro", onde vogais e consoantes tinham status igual, representando precisa e inequivocamente a fala.

 

Efusiva e complexa, a escrita supera as barreiras do tempo e do espaço, e facilita a troca de conhecimento, argumentação e persuasão entre indivíduos e culturas diferentes, organizando pensamentos complexos e abstratos, tornando-os claros para leitura posterior, mesmo por pessoas desconectadas no tempo.

 

Materializada pelos “Homens de Letras, que das letras se valem para, em consonante cumplicidade com a escrita, coadjuvar com ela a auspiciosa missão in curso desde a mais tenra de idade do homem: registrar a História e as experienciações humanas, com a mesma proficiência com que projeta rumos mais felizes para a humanidade.

 

Ainda que poética e elevada esta definição da missão dos escritores, intelectuais e educadores, referidos metaforicamente como "Homens de Letras”, destaca-se aqui a função dual da escrita na experiência humana: ser um registro fiel do passado e ser uma ferramenta de construção para um futuro melhor a bem do coletivo que ela cativa.

 

Além de olhar para trás, a escrita, e os escritores que em torno dela vicejam, possuem um poder prospectivo. Dominam as letras eles não são apenas cronistas, mas sim, habilidosos arquitetos do futuro. A literatura, a educação e o pensamento crítico são imprescindíveis para imaginar e planejar sociedades mais justas e desenvolvidas.

 

O desenvolvimento de materiais educacionais e pesquisas acadêmicas sobre alfabetização e tecnologias educacionais são exemplos práticos de como essa missão é colocada em curso, garante que as novas gerações tenham as ferramentas necessárias para escrever seus próprios destinos e contribuir para a história.

 

O escritor e a escrita compartilham a mesma essência que reside na linguagem como extensão do pensamento. O escritor não pensa para depois escrever; ele escreve para pensar. Para ele, a escrita não é uma ferramenta externa, mas sim, uma magnificente extensão viva de sua própria consciência a serviço de si e da humanidade inteira.

 

A escrita, a seu tempo, é um "ato de magia" ou ritual que tem o condão de tornar visível (texto) o invisível (pensamento, sonho, o inefável). Sua essência manifesta a capacidade de cocriar realidades e de alterar consciências, funcionando como um fascinante "grimório" que contém as fórmulas para transformar o mundo interior do leitor.

 

Ao utilizar a escrita para "manipular a essência do ser" em direção a um propósito ético-moral esplendido e ao lapidar sua própria essência através das palavras, o escritor arquiteta caminhos de prosperidade e de evolução, como um agente da justiça, da inclusão e da reparação histórica robustecendo a identidade social.

 

O texto escrito pelo escritor serve como documento e prova de que humanos são capazes de preservar sua trajetória. A escrita, então, deixa de ser meramente entretenimento para se tornar a consciência social, convidando o leitor a questionar, analisar e reinterpretar o mundo, cumprindo assim o propósito de humanização e cidadania.

 

Por tudo isso, comemorar o Dia do Escritor (25 de julho) é fundamental para reconhecer e valorizar o trabalho intelectual e criativo dos autores, que são responsáveis por documentar a história por resgatar nomes esquecidos, por fortalecer identidades culturais, por estimular a inventividade e a melhor desenvolvimento social.

 

Essa celebração, instituída em 1960 pela União Brasileira de Escritores (UBE), lembra que a escrita é uma ferramenta poderosa de transformação social, educação e preservação da memória. Ressalta a importância dos hábitos da escrita e da leitura como vetores do desenvolvimento pessoal, profissional e do senso crítico.

 

A missão primordial de ambos – da escrita e do escritor – é vencer o esquecimento. Assim como, os desenhos nas cavernas, a escrita moderna e o escritor atuam como guardiões da "história emocional" da cultura. Eles transformam observações individuais em narrativas coletivas, garantindo que realidades não sejam invisibilizadas.

 

Maranguape, Ceará, 25 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O AUTOCUIDADO É O MAIOR SIMBOLO DE SOFISTICAÇÃO

 

Dentre as obrigações do homem como ente social estão o respeito às leis, a solidariedade e a participação no bem comum, estabelece a Declaração Universal dos direitos humanos (1948). O homem atual é encorajado a desenvolver a sensibilidade, expressar sentimentos e compartilhar igualmente as responsabilidades domésticas e afetivas com suas parceiras. O CC 2002 preceitua o mútuo respeito, a assistência moral e material, a guarda e educação dos filhos, além da fidelidade como deveres de ambos os cônjuges. Uma (r)evolução que intenta permutar o controle e a rigidez por uma masculinidade mais saudável e colaborativa, oportunizando uma agência humana transformadora na construção de famílias e comunidades mais justas, fomentando a igualdade, a inteligência emocional e relações mais equilibradas.

  

Essa (re)invenção do homem não significa renunciar à identidade masculina, mas sim, resgatar a verdadeira identidade humana, baseada no encanto, na ternura e na segurança. Envolve a adoção de atitudes antes consideradas "femininas", como o cuidado com os filhos, a participação doméstica e a resolução cordial de conflitos, resultando em um desenvolvimento humano mais integral que impulsiona as sociedades alcançarem melhores níveis intelecto-morais. A desconstrução do machismo tradicional faz eflorescer a masculinidade cuidadora e o engajamento masculino na equidade de gênero. Um ato de coragem, de resistência e de saúde este de reconhecer as vulnerabilidades do homem, dele exigindo cuidados consigo próprio sem declara-lo fraco. Especialmente em ambientes tradicionalmente masculinos (como o militar), o autocuidado assume-se ferramenta fortalecedora da resiliência, da autonomia e da equidade de gênero, ruindo estigmas que o associam à submissão.

 

Essa formidável mudança cultural que substitui a lógica do "provedor indestrutível" – negligenciador contumaz da própria saúde por pressões sociais – por práticas de prevenção e bem-estar integral, representa um avanço crucial para a longevidade e a qualidade de vida. Envolve check-ups personalizados, educação em saúde e ambientes saudáveis (corporativos e comunitários) com o fito de identificar riscos precocemente e de reduzir custos humanos e financeiros. A saúde passa a ser entendida como um estilo de vida focado em longevidade, bem-estar físico, mental e social, e não apenas como ausência de doença. A excelência no cuidado une inovação tecnológica com acolhimento, empatia e respeito à individualidade, garantindo uma experiência de cuidado centrada na pessoa, que é alvo das moções que sua boa vontade em se cuidar propicia a si.

 

Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (1948) e reafirmada contemporaneamente pela doutrina médica, estar saudável implica alcançar o equilíbrio e o pleno funcionamento em várias esferas da vida. Fatores cotidianos como sono inadequado, estresse crônico, alimentação desequilibrada e sofrimento emocional influenciam diretamente a saúde física e devem ser cuidados com a mesma intensa perspicácia dedicada aos demais aspectos do viver humano. A medicina preventiva ganhou protagonismo, impulsionada pelo aumento da expectativa de vida e pelo acesso à informação. A sociedade compreendeu que prevenir é muito mais eficaz do que tratar doenças já instaladas. Check-ups personalizados e hábitos saudáveis passaram a ser encarados como investimentos na qualidade de vida e na longevidade. E o homem fez-se único e venturoso empreendedor destas realizações que o fazem viver melhor e feliz.

 

O conceito de wellness consolidou-se em 2026 como um estilo de vida contínuo, onde o indivíduo participa ativamente das decisões sobre seu bem-estar. O autocuidado assumiu o leme da nau-homem transitando-a em segurança, com saúde e com felicidade pelos tempestuosos mares da existência humana. A saúde deixou de ser um objetivo pontual para se tornar uma prioridade diária, construída através de escolhas conscientes sobre alimentação, movimento, relações e gestão do estresse. O cuidado é baseado em três pilares fundamentais: processos, pessoas e ambiente. Quando esse tripé está equilibrado, a instituição de saúde entrega não apenas tratamento, mas confiança e cuidado centrado na pessoa. A humanização da assistência reduz a ansiedade e aumenta a sensação de segurança, tornando-se parte integrante da cura e não apenas um diferencial. O autocuidado torna-se um investimento de longo prazo para sustentar desempenho, saúde mental e produtividade, refletindo uma mudança cultural onde a qualidade de vida é o maior símbolo de sofisticação.

 

O autocuidado vai muito além da estética e da saúde, sendo considerado sinônimo de superação, de sucesso e de status, substituindo a acumulação de bens materiais como métrica principal de prosperidade. É a materialização do poder de escutar o próprio corpo e de priorizar a paz, tratando a si mesmo com a mesma dedicação que dedica aos outros ou ao trabalho tornando o homem cônscio de que em mundo acelerado e de transformações drástica, ter a consciência e o tempo para investir em si mesmo é o verdadeiro padrão contemporâneo de status e de prosperidade.

 

Em contextos organizacionais, o autocuidado emerge como uma prática ética e política de resistência contra a exaustão e a vigilância digital extrema. Fundamental para preservar a dignidade do trabalhador, a saúde mental e a autonomia, promovendo ambientes mais saudáveis e sustentáveis que valorizam o descanso e a desconexão como pilares da eficiência real. Leis como a Lei de Promoção da Saúde Mental (Lei 14.831) incentivam as empresas a adotarem programas de apoio psicológico e a estabelecerem políticas de transparência e respeito ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Adotar essa perspectiva transforma a cultura corporativa e redefine o conceito de produtividade.

 

O Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental é uma certificação nacional criada pela Lei nº 14.831/2024 concedida pelo governo federal a empresas que criam e mantém ambiências de promoção do bem-estar e da saúde psíquica de seus colaboradores. Nasce, assim a cultura corporativa preventiva, que galga maior relevância com a atualização em 2025 da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que obriga as organizações a gerenciarem riscos psicossociais no trabalho. “Assim como ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro (Provérbios 27:17), afirma Salomão, ilustrando a relevância do convívio e da troca de experiências como vetor de moldagem do caráter do homem, o ajudando a amadurecer por meio de conselhos, incentivos e até mesmo de confrontações saudáveis.

 

Cuidar de si mesmo é uma expressão de amor-próprio e respeito pelos próprios limites, impactando diretamente a autoestima. Antigamente, a sofisticação era associada estritamente ao acúmulo material, ostentação de logotipos e bens de alto valor financeiro. Hoje, o mercado global e a psicologia social apontam para uma mudança drástica: o verdadeiro luxo reside na qualidade de vida, no tempo e no equilíbrio interno. Cuidar de si tornou-se o maior símbolo de status e refino por diversos motivos estruturais. A verdadeira sofisticação repousa na consistência de que pequenos hábitos saudáveis, como sono adequado, alimentação balanceada e pausas estratégicas, em vez de gastos elevados ou procedimentos superficiais.

 

O Dia Internacional do Autocuidado, celebrado neste 24 de julho, possui relevância global por atuar como um catalisador para a conscientização sobre a responsabilidade individual e coletiva na manutenção da saúde.  Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2011, a data não é apenas simbólica, mas sim, potencialmente estratégica para reduzir a pressão sobre os sistemas públicos de saúde e melhorar a qualidade de vida da população. A data foi criada para engajar pessoas, governos e organizações na promoção de intervenções de autocuidado. O objetivo é mudar a percepção de que cuidar de si é egoísmo, estabelecendo-o como uma necessidade fundamental para uma vida equilibrada.  A iniciativa conta com o apoio da Global Self-Care Federation, que visa empoderar indivíduos a gerirem melhor sua própria saúde. Arguciosamente, a escolha do dia 24 de julho carrega um significado intencional: o número 24 representa as horas do dia e o 7 os dias da semana. Essa simbologia reforça a mensagem central da iniciativa de que o autocuidado não deve ser uma ação pontual ou um luxo, devendo ser sim um hábito contínuo e diário.

 

Somente aqueles que se auto cuidam constroem legados, firmam-se como exemplos e são capazes de exercer a felicidade. O autocuidado é a base de uma vida plena. Priorizar a saúde física e mental, erige uma base sólida de energia e bem-estar. Isso o transforma em uma inspiração para os outros e faz vicejar a verdadeira felicidade. A felicidade, neste contexto, não é meramente um estado passageiro, mas sim, uma capacidade de resiliência. O autoconhecimento e a regulação emocional, pilares do autocuidado, permitem que a navegação pelas dificuldades da vida sem que se perda o eixo de bem-estar. O autocuidado fornece a energia sustentável para projetos de vida duradouros.

 

Maranguape, Ceará, 24 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


quinta-feira, 23 de julho de 2026

CALCE MEUS SAPATOS E SABERÁS DE MIM

 

Levantei-me hoje mais mole que um rabo de ovelha e com as cachoeiras de Oxum prestes verter (expressar) os sentires que trago em mim. A vida é um mar exuberante de primícias e delícias do qual saímos para sabermo-nos na solitude de “gota” enfrentado alegrias e tristezas neste caminho de solidade onde com outras gotas seguimos rio adiante de volta ao mar na sinergia deste abraço.

 

Esta manifestação de mim e a metáfora dela emergida sobre a vida, encantadora, dá-me aparência de perfeição. Somos, inequivocamente, gotas individuais experimentando a solitude, porém rumando comungadas na correnteza desse rio, compartilhando as mesmas dores e belezas até o reencontro final com o todo, que é o vivaz propósito único da epopeia da vida.

 

É profundamente bonito ver o peso do corpo e a intensidade da alma na pureza da poesia como os descrevo. Sentir-me "mais mole que um rabo de ovelha" reflete a súplica do corpo pedindo por pausa, introspecção e projeção, enquanto a iminência das "cachoeiras de Oxum" anuncia que o rio interno em mim está cheio e precisa transbordar – desaguar e purificar. Esvaziar é oportunizar-se melhor.

 

O peso jamais será um fardo opressor, ao contrário, firma-se como âncora de realidade e intensidade vital. Este sentir-me "mais mole que um rabo de ovelha" captura com sensibilidade a necessidade humana de vulnerabilidade e de serenidade, um momento em que meu corpo solicita trégua para que minh’alma possa processar suas cargas e traçar o melhor caminho a seguir com elas lepidamente.


A aludida "moleza" nada enfraquece, pois, já me encoraja a buscar conhecer-me melhor nas profundezas de mim mesmo, nos habitares mais inóspitos do meu lado lua – onde a luz jamais aclara – desvelando ali os mais surpreendentes mistérios de mim, saberes formidavelmente necessários aos implementos de autodisciplina e de autorrespeito que me sustém no melhor convívio dos homens livres.

 

Lembrar-me dos meus olhos como "cachoeiras de Oxum" ascende meus pensamentos a um plano de purificação sagrada. Na tradição Iorubá, Oxum é a divindade das águas doces, do amor e da fertilidade, representando o fluxo emocional que precisa circular, pois, meu "rio interno está cheio" e reconheço seus pontos de saturação onde o acúmulo deve dar lugar ao movimento e ao (i)novo.

 

Neste efluir d’alma, o ato de desaguar apresenta-se com um mecanismo de sobrevivência espiritual. Esvaziar-se não é perder conteúdo, mas sim, limpar os canais para que novas águas possam fluir. Um esvaziamento que oportuniza renovação: só quem se esvazia do velho consegue se encher do novo com pureza e leveza. Sempre é preciso (re)nascer da água e do espírito (João 3:5).

 

Compreendo assim a essência da dinâmica espiritual da água: a água é símbolo máximo da vida, da purificação e da sabedoria e, mais, o elemento fundamental de regeneração corporal e espiritual. Assim sendo, o movimento perene entre esvaziar e encher é condição vital – e sine qua non – para a saúde da alma. Portanto, alma sã é o que se deve buscar para que o corpo seja, também, são.

 

As águas que curam avistadas por Ezequiel como um rio que flui do templo começando como um pequeno fio e crescendo até se tornar um rio profundo que não se pode atravessar a nado, oferecem-me um mavioso paralelo aos meus pensamentos, pois, o percebido pelo profeta ilustra o poder de Deus (ou da fonte espiritual) como transformador das situações áridas e amargas em fontes de vida.

 

As águas do rio, ao adoçarem a água salgada do Mar Morto, renovaram-lhe a vida e peixes passaram a ali viver. O ato de nele aprofundar-se gradualmente (tornozelos, joelhos, cintura, nado) preceitua que a imersão na presença divina e na renovação espiritual é um processo contínuo e expansivo ao qual todos nós somos chamados, como também, por ele transformados, inevitavelmente.

 

Nas margens do rio efloresceram árvores cujas folhas não murcham e servem de remédio. Notabilizando que, quando os canais estão abertos e o fluxo espiritual é constante, há provisão contínua de cura e sustento para a alma. Água parada adoece; água que flui limpa, purifica e nutre a renovação interior e a paz que a espiritualidade me traz neste caminhar evolutivo onde o melhor de mim é encontrado.

 

Neste influxo, calce meus sapatos e saberás por onde passei e o que experienciei e, assim, terás mínima possibilidade de julgar-me, menos ainda de sentenciar-me, mas, aprendendo com o que vires de mim, poderás até superar-me, legando-me a oportunidade de aprender de ti o melhor que tens a ensinar, não com a voraz argúcia do “vou derrubar”, cuja maldade, tira o justo do eixo do melhor viver.

 

Neste raiar da empatia, da humildade e da sabedoria, tão rutilante descrito acima, disponho-me a trocar o julgamento pelo aprendizado mútuo, bem como, a reconhecer que a verdadeira evolução humana somente acontece quando acolhemos a caminhada do outro em vez de tentarmos destruí-la. Quem jamais andou pelos mesmos becos, vielas e ruas que eu, nunca galgou o direito de sentenciar-me.

 

A verdadeira força deste despertar d’alma reside na construção de pontes de aprendizado, não em cavar abismos de rivalidade. E o maior dos saberes, ainda incompreendido por muitos, é a interdependência que há entre todas as coisas criadas e as cocriadas por nós, como também, entre nós e nosso pares. E mais ainda, entre todo este nosso ecossistema e o universo que nos move a movê-lo.

 

Somos participes ativos na cocriação da realidade. A interdependência estende-se além das relações humanas, abrangendo a conexão entre todo o nosso ecossistema e as forças cósmicas. Desta forma, cônscio que sou movido pelo universo, ao mesmo tempo que tenho o poder de movê-lo através de ações e escolhas, alcanço o ápice deste entendimento espiritual e prático.

 

Ao reconhecer que o conhecimento das partes depende do conhecimento do todo, estabeleço as bases para interdependências justas.  Essa conscienciosidade não se manifesta na competição ou na separação, ao contrário, requer o incondicional abandono de tudo aquilo que rivalize e que crie abismos relacionais, pois, só assim, abraçamos o crescimento mútuo como prioritário e imprescindível.

 

Longe de ser, meramente, uma conexão social, a interdependência é uma realidade estrutural que liga todas as coisas criadas e cocriadas, exigindo que reconheçamos nossa vinculação intrínseca com nossos pares e com o ambiente. Gota a gota, somos nascentes do rio que arrefece, hidrata e fertiliza levando vida por onde passa e alimentando o progresso e a alegria da coletividade que ele abraça.

 

Meus pensamentos, neste momento, findam por exaltar com alguma exatidão a força da união e o impacto positivo que cada indivíduo (cada "gota") tem na construção de algo muito maior. E por evocar o poder coletivo de transformar realidades, de gerar progresso e de espalhar vida na solidade do rio que, incansavelmente, me leva de volta ao mar na solitude do abraço, onde como mais uma gota sou rio.

 

Maranguape, Ceará, 23 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

quarta-feira, 22 de julho de 2026

SENDO PEDRAS, CAMINHEMOS!

Valorizar trilhas, rochas e belezas naturais da região da Serra de Maranguape expressa que Deus abre os caminhos para que neles nos coloquemos como pedras lavradas que fazem a estrada andar, pois, a natureza criada pelo sagrado para nos abrigar, alimentar e contentar já aparou as arestas restadas do mundano deixando-nos com a superfície ótima a sermos parte dele.

 

Poeticamente, este pensamento manifesta a sinergia entre a ação divina e o trabalho humano, sugerindo que a fé nos dá a direção, porém, é a nossa dedicação o vetor de transformação dos obstáculos em estruturas (alavancas) para avançar, encontrando na interdependência que há entre tudo criado material e espiritualmente sob a égide da harmonia reinante.

 

A natureza, como um abrigo já preparado pelo sagrado não é meramente um cenário, sendo um formidável organismo vivo que "aparou as arestas" do mundano. Isso sedimenta que o ambiente natural já possui uma sabedoria intrínseca e uma superfície pronta para nos receber – e para que a recebamos –, bastando que nos integremos a ela em vez de tentarmos dominá-la.

 

Essa percepção reverbera sentimentos encontrados em diversas tradições espirituais e obras artísticas, como nos louvores que celebram a intervenção divina que remove obstáculos e prepara o terreno para o trânsito da fé e da vida. Como nos rituais maçônicos que definem o maçom como pedra que, pelo burilamento, galga a aptidão para ser usada na construção social.


Neste contexto, a arte atua como uma ponte entre o humano e o divino, permitindo a expressão de emoções, crenças e ideias de forma criativa e simbólica. Afirma Adelino Barcellos Filho, citado pelo Vatican News, essa expressão buscar "aliar forma e conteúdo", fazendo com que o indivíduo cresça e corresponda à arquitetura Sagrada presente em toda a Criação.

 

Historicamente, essa dinâmica observa-se desde a preparação instintiva dos ninhos pelos animais até as complexas obras humanas, indicando que a criatividade é uma resposta ao divino, mesmo que no Renascimento e Iluminismo ela tenha passado a ser compreendida como um processo estruturado fruto do esforço individual, razão e desenvolvimento técnico.

 

A simbiose entre estas tradições reside na ideia de que a existência humana requer um processo ativo de transformação para atingir seu pleno potencial. Resolutamente, assim como o louvor materializa a remoção de impedimentos espirituais para o trânsito da fé, o burilamento da pedra, a seu tempo, remove as asperezas do caráter para o trânsito na vida social. Eis o múnus da evolução humana.

 

Tanto o cântico espiritual quanto a pedra lapidada deixam de ser elementos isolados para se tornarem partes fundamentais de uma estrutura maior – seja o corpo místico da fé ou a edificação da sociedade humana. O maçom, simbolizado como uma "pedra bruta" que, através do trabalho constante e do "burilamento" (educação e autoconhecimento), torna-se apta ao fim a que se destina.

 

O objetivo desse refinamento jamais será unicamente a perfeição individual, mas, sempre será o desenvolvimento das capacidades de integrar-se à "construção social". Assim como as pedras lapidadas compõem um templo, os indivíduos transformados compõem uma sociedade mais justa e fraterna. O ritual estabelece essa aptidão como essencial para o trânsito da vida em comunidade.

 

Este olhar robustece que a espiritualidade e a arte não são fins em si mesmas, mas, ferramentas dinâmicas que preparam o indivíduo para atuar no mundo, superando limitações e contribuindo para uma obra coletiva, que jamais finda, ao contrário é continua e aprimorada por cada geração que a seu tempo estabelece novéis perspectivas de entendimento para o tradicional dando-lhe (re)novadas utilidades.

 

Sêneca e Marco Aurélio, acreditam que viver em harmonia com o bem é viver em conformidade com a razão e a natureza. Marco Aurélio defende que aceitar os acontecimentos externos – que estão fora do nosso controle – e focar nas próprias respostas internas e virtudes é o caminho para a tranquilidade da mente (ataraxia), cônscio que somente uma mente serena é sã.

 

Viver racionalmente é, incontestavelmente, alinhar a própria vontade e ações com essa ordem natural e divina que dá influxo ao universo. Fidedignamente leal à amizade ao bem, Jônatas arriscou sua posição como príncipe e sua relação com o pai, o Rei Saul, para proteger Davi. "A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma". (1 Samuel 18:1)

 

Sêneca enfatiza a virtude é o único bem verdadeiro e que ela só é alcançada quando se vive de acordo com a natureza. Envolve o uso correto da razão para discernir o que é bom, mal ou indiferente, como também, para cultivar qualidades como a sabedoria, a justiça, a coragem e a temperança, que manifestam – como Ruth e Noemi – amor sacrificial e compromisso inabalável. (Rute 1:16)

 

“Sou amigo de todos os que te temem e obedecem aos teus preceitos”, declara Salomão. (Salmos 119:63). A razão (ou logos), pois, é a lei universal que governa o cosmos e que, também, reside dentro de cada ser humano. Desta sinergia a natureza forma-se como a pedra angular da ética estoica, o único caminho para se alcançar a verdadeira felicidade e excelência moral.

 

Sendo a excelência moral, ou virtude, o único bem verdadeiro. Tudo o mais – saúde, riqueza, reputação – é um "indiferente preferível", algo que podemos desejar, ainda que não determine nossa felicidade ou moralidade. A virtude, unicamente, é mais que suficiente para que a felicidade propicie a ausência de sofrimentos desnecessários através da sabedoria prática: domínio próprio.

 

O sábio foca apenas naquilo que pode controlar. "Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios 18:24), afinal, unicamente a verdadeira amizade oferece um apoio profundo, lealdade contundente e um companheirismo mais forte que os laços familiares, sendo um tesouro de valor inestimável encontrado por poucas pessoas.

 

O amigo fiel é permanece quando outros partem. Ele constrói a família espiritual (“família de alma”) sobre uma base de confiança e amor. A amizade manifesta o poder do "nurture" (criação e escolhas interpessoais) na formação de conexões significativas. Como afirma Aristóteles que a amizade é "uma alma habitando em dois". É o exercício da liberdade e da autonomia de uma escolha deliberada. 

 

Esse "sim" renovado diariamente confere ao suporte emocional uma validação única. Saber que o amigo escolhe estar ali todos os dias cria um vínculo de confiança muito mais profundo do que os laços consanguíneos. É um vicejar intenso da empatia, fortalecendo a resiliência, que deixa de ser um "hábito" para a ser uma genuína e cuidadosa amizade entre amigos do bem. 

 

A amizade é o cimento que assenta a pedra polida nos caminhos da (con)fraternidade aberto pelo Criador para que nele sejamos a estrada a levar o universo à coadjuvação entre o mundano e o sagrado onde galgamos a aptidão para sermos a pedra polida (o homem integral aprimorado moral e espiritualmente) assentada neste caminho.

 

Maranguape, Ceará, 22 de Julho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


segunda-feira, 20 de julho de 2026

A RELEVÂNCIA DAS ARCÁDIAS RESIDE NA DEFESA DA LINGUA

 

Alguns inefáveis deveres assumem as arcádias ao longo das eras. Primeiro, de serem recipiendárias do conhecimento. Segundo, de difundirem o saber acumulado. Terceiro, de guardarem os frutos da sinergia que manifesta-se no receber e no dar conhecimento, pois, disso depende a evolução humana tempo a tempo.

 

O ato de receber – absorver a sabedoria já existente e as novas descobertas – exige humildade intelectual e abertura, características opostas ao dogmatismo que o racionalismo, buscava superar. Um agir erguido no “difundir”, pois, garante que o saber não fique isolado, espalhando-o e fomentando o desenvolvimento das sociedades.

 

Claramente que o conhecimento, uma vez recebido, não deve estagnar, ao contrário, em sua essência, ele pede pra ser compartilhado e, assim, cumprir seu propósito social, que é ser provado e habitualmente praticado, pois, só desta forma ele ascende como sabedoria a bem da evolução humana.

 

Ato de difundir o saber, providencialmente ilumina as sociedade alinhando-se ao espírito do "Século das Luzes", onde a razão deveria ser acessível a todos para combater a ignorância. Uma acessibilidade “latu-sensu” requer uma linguagem que todos a possam discernir, absorver, refletindo o ideal de utilidade da arte cujo propósito é espelhar as sociedades.

 

Arcádias, como a Academia Brasileira de Letras e a Academia Internacional de Maçons Imortais, no Brasil, são espaços de reunião onde intelectuais trocam ideias, leem obras e absorvem as novidades aclarando intelecto e aprimorando a razão. Proteger o resultado vivo dessa troca é o verdadeiro combustível para a evolução humana.

 

O terceiro dever assumido pelos Silogeus em todo o mundo, e o mais profundo, é a guarda dos frutos da sinergia entre o receber e o dar. A "sinergia" refere-se ao valor agregado que surge quando o conhecimento circula: ele não apenas se soma, mas se multiplica e se transforma, ou seja, apresenta uma nova face constantemente.

 

Ao guardarem esses frutos, atuam como memória da humanidade, preservando a cultura e a razão contra o esquecimento e a barbárie, construindo com cada geração sobre os alicerces da anterior no mais vivaz processo de aprimoramento contínuo da condição humana através da cultura letrada e da reflexão filosófica.

 

Arcádias e/ou academias são manifestadas por acadêmicos que, a partir da literatura doam conhecimento, os difundem e, resolutamente, os guardam para semearem as plântulas de novos conhecimentos que darão os frutos do aprimorado futuro destas “casas de saber” que os abrigam.

 

O livro atua como um construtor social ao influenciar, moldar e refletir a sociedade nas quais é inserido. Ele não somente é um repositório de histórias e informações, como também, é uma formidável e poderosa ferramenta que impacta a cultura, a identidade nacional, o pensamento crítico e a própria percepção da realidade.

 

No Brasil, por exemplo, a literatura é imprescindível para a construção da identidade nacional, ao passo que dá voz a grupos diversos, amplia a empatia e quebra barreiras e desigualdades. Ao expor leitores a diferentes realidades e perspectivas, ela ajuda a construir uma sociedade mais consciente e igualitária.

 

A exposição a novas palavras e construções textuais melhora a comunicação e o vocabulário, o que é crucial para expressar ideias de forma clara e elaborada. A leitura de diferentes pontos de vista estimula o pensamento crítico, ensinando o leitor a questionar e analisar a informação, e não apenas aceitá-la passivamente.

 

Afirma Mário Quintana que "os livros não mudam o Mundo, quem muda o Mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". Essa transformação interna, alimentada pela leitura, é o que impulsiona a inventividade humana para gerar novos projetos, negócios e (r)evoluções que, de fato, transformam o mundo. 

 

Por tudo o que livro representa, move e erige, os “Homens de Letras” desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cultural, social e econômico, ajudando a moldar o pensamento e a consciência da sociedade, pois, atuam como agentes de transformação para uma sociedade mais justa e equitativa.

 

Os "Homens de Letras" abrem caminhos para novas perspectivas e soluções inovadoras, contribuindo para um futuro mais promissor, reunidos em Arcádias como a Academia Brasileira de Letras - ABL, não apenas (re)produzindo o conhecimento, mas sim, questionando e desafiando o status quo in voga, apontando-lhe substancias melhorias.

 

Inaugurando a felicidade e o progresso da humanidade, a partir do livro que instrui o homem, os “Homens de Letras” impulsionam as Arcádias – que os abrigam e os fazem representados, com a mesma galhardia eles as representam – ao fidedigno cumprimento dos seus compromissos basilares de receber, doar (compartilhar) e guardar os saberes de todos os tempos.

 

A relevância da data de hoje (20/07) reside na missão da ABL de zelar pela cultura da língua nacional. Ela atua como a guardiã do idioma, sendo responsável pela edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), que define a grafia correta das palavras, sendo autoridade para escritores, editores na aplicação do Acordo Ortográfico.

 

Comemorar o dia da ABL é reconhecer seu esforço contínuo de manter a unidade e a pureza do português falado no Brasil, adaptando-o às evoluções naturais sem perder suas raízes históricas. Esse trabalho de normatização é essencial para a comunicação clara e para a identidade nacional em um mundo globalizado.

 

A comemoração do dia da Academia Brasileira de Letras (ABL), celebrado em 20 de julho (data de sua sessão inaugural em 1897), marcar a fundação da instituição máxima de preservação da cultura e da língua no Brasil. Simboliza o compromisso nacional com a memória literária, a normatização do idioma e a democratização do saber.

 

Maranguape, Ceará, 20 de Julho de 2026


ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

ENTRE A INDEPENDÊNCIA E A LIBERDADE A INTERDEPENDÊNCIA GANHA A VIDA

  Algo estranho acontece quando alcançamos a tão deseja independência. Quando olhamos em volta percebemos uma teia imensa à qual estamos int...