Escrever
é a arte mais antiga exercida pelo homem. Inicialmente, a partir da pintura rupestre,
o homem historiou suas aventuras e desventuras. Descreveu suas batalhas e
conquistas. Contou de seus adversários e de seus amigos. Reportou suas festas,
a natureza que o abrigava. Disse de si com este modo pictográfico de falar.
Ferramenta
mais poderosa desenvolvida pela humanidade para eternizar a própria existência,
a escrita transforma pensamentos efêmeros em registros perenes, dando voz à
época que ecoa enquanto tempo se expandir. Ao narrar ritos, festas e amigos,
ela robustece os laços entre pessoas e grupos sociais e define culturas.
Difusora
da História e da Cultura, a escrita faz-se o principal instrumento de comunicação ao permitir
que narrativas, valores, crenças e rituais sejam transmitidos de geração em
geração. Ao superar limitações temporais e espaciais, ela eterniza memórias,
ideias e a própria existência humana, oportunizando ao passado ensinar ao
futuro.
Ao
registrar experiências, a escrita disponibiliza uma forma de imortalidade
simbólica, garantindo o registro de existências ("eu estive aqui"). Desde
os desenhos primitivos até os textos digitais modernos, ela externaliza a
memória, preserva a sabedoria e a essência humana contra o esquecimento. Fulcra
a identidade social pelo pertencimento que enseja.
A
infância da humanidade exigiu do homem movimentação constante em busca de
alimentos, de segurança e sobrevivência, o que o impedia de trazer consigo a
memória grafada nas cavernas, isto propiciou a ciese de um modus scribendi mais
condizente com o atendimento a esta necessidade. Surge a escrita em tábuas de
argila revolucionando os dias.
A
transição da arte rupestre nas cavernas para a escrita em tabuletas de argila
representa um dos maiores saltos tecnológicos da história humana. Marca a passagem
do nomadismo para a sedentarização onde o acúmulo de bens e o comércio exigiam um
sistema mais aprimorado e complexo de registro. Nasce a escrita cuneiforme.
A
escrita cuneiforme emergiu para atender a uma necessidade prática e
administrativa. As inscrições em tábuas de argila registraram inicialmente o
comércio de produtos e a gestão de templos e, depois, passou a preservar
ideias, leis e aspectos mitológicos, superando a barreira da memória oral e da
localização fixa das cavernas.
Esse
sistema facilitou contratos de comércio com outros povos e a organização
interna das primeiras cidades, como Uruk, onde templos complexos e armazéns
exigiam uma contabilidade mais precisa. A evolução desse sistema pelos fenícios
e gregos levaria, posteriormente, ao alfabeto que o conhecemos hoje.
Entre
1200 a.C. a 1000 a.C., surgiu o primeiro alfabeto verdadeiramente fonético. Diferente
da escrita cuneiforme e dos hieróglifos egípcios, o sistema fenício – povo de
comerciantes marítimos que habitava o atual Líbano – era constituído de,
apenas, 22 sinais lineares, representando unicamente as consoantes.
Solucionando
a necessidade prática do comércio: registrar transações, contratos e estoques
de forma rápida e acessível, sem a necessidade de anos de estudo para dominar
milhares de ideogramas, o alfabeto fenício difundido pelo Mediterrâneo ancorou
os alfabetos hebraico, aramaico e árabe, logo chegando à Grécia.
Conhecido
pelos gregos (IX a.C), o alfabeto fenício, que não registrava vogais e, por
isso, tornava a leitura ambígua para a língua grega, rica em sons vocálicos, mediante
sutis adaptações deu origem ao primeiro alfabeto "verdadeiro", onde
vogais e consoantes tinham status igual, representando precisa e inequivocamente
a fala.
Efusiva
e complexa, a escrita supera as barreiras do tempo e do espaço, e facilita a
troca de conhecimento, argumentação e persuasão entre indivíduos e culturas
diferentes, organizando pensamentos complexos e abstratos, tornando-os claros para
leitura posterior, mesmo por pessoas desconectadas no tempo.
Materializada
pelos “Homens de Letras, que das letras se valem para, em consonante cumplicidade
com a escrita, coadjuvar com ela a auspiciosa missão in curso desde a mais
tenra de idade do homem: registrar a História e as experienciações humanas, com
a mesma proficiência com que projeta rumos mais felizes para a humanidade.
Ainda
que poética e elevada esta definição da missão dos escritores, intelectuais e
educadores, referidos metaforicamente como "Homens de Letras”, destaca-se aqui
a função dual da escrita na experiência humana: ser um registro fiel do passado
e ser uma ferramenta de construção para um futuro melhor a bem do coletivo que
ela cativa.
Além
de olhar para trás, a escrita, e os escritores que em torno dela vicejam, possuem
um poder prospectivo. Dominam as letras eles não são apenas cronistas, mas sim,
habilidosos arquitetos do futuro. A literatura, a educação e o pensamento
crítico são imprescindíveis para imaginar e planejar sociedades mais justas e
desenvolvidas.
O
desenvolvimento de materiais educacionais e pesquisas acadêmicas sobre
alfabetização e tecnologias educacionais são exemplos práticos de como essa
missão é colocada em curso, garante que as novas gerações tenham as ferramentas
necessárias para escrever seus próprios destinos e contribuir para a história.
O
escritor e a escrita compartilham a mesma essência que reside na linguagem como
extensão do pensamento. O escritor não pensa para depois escrever; ele escreve
para pensar. Para ele, a escrita não é uma ferramenta externa, mas sim, uma magnificente
extensão viva de sua própria consciência a serviço de si e da humanidade inteira.
A
escrita, a seu tempo, é um "ato de magia" ou ritual que tem o condão
de tornar visível (texto) o invisível (pensamento, sonho, o inefável). Sua
essência manifesta a capacidade de cocriar realidades e de alterar
consciências, funcionando como um fascinante "grimório" que contém as
fórmulas para transformar o mundo interior do leitor.
Ao
utilizar a escrita para "manipular a essência do ser" em direção a um
propósito ético-moral esplendido e ao lapidar sua própria essência através das
palavras, o escritor arquiteta caminhos de prosperidade e de evolução, como um
agente da justiça, da inclusão e da reparação histórica robustecendo a
identidade social.
O
texto escrito pelo escritor serve como documento e prova de que humanos são
capazes de preservar sua trajetória. A escrita, então, deixa de ser meramente
entretenimento para se tornar a consciência social, convidando o leitor a
questionar, analisar e reinterpretar o mundo, cumprindo assim o propósito de
humanização e cidadania.
Por
tudo isso, comemorar o Dia do Escritor (25 de julho) é fundamental para
reconhecer e valorizar o trabalho intelectual e criativo dos autores, que são
responsáveis por documentar a história por resgatar nomes esquecidos, por
fortalecer identidades culturais, por estimular a inventividade e a melhor desenvolvimento
social.
Essa
celebração, instituída em 1960 pela União Brasileira de Escritores (UBE),
lembra que a escrita é uma ferramenta poderosa de transformação social,
educação e preservação da memória. Ressalta a importância dos hábitos da escrita
e da leitura como vetores do desenvolvimento pessoal, profissional e do senso
crítico.
A
missão primordial de ambos – da escrita e do escritor – é vencer o
esquecimento. Assim como, os desenhos nas cavernas, a escrita moderna e o
escritor atuam como guardiões da "história emocional" da cultura. Eles
transformam observações individuais em narrativas coletivas, garantindo que
realidades não sejam invisibilizadas.
Maranguape,
Ceará, 25 de Julho de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
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