sábado, 25 de julho de 2026

ATEMPORALMENTE VIVAZ, A ESCRITA DÁ VIDA A ESCRITORES

 

Escrever é a arte mais antiga exercida pelo homem. Inicialmente, a partir da pintura rupestre, o homem historiou suas aventuras e desventuras. Descreveu suas batalhas e conquistas. Contou de seus adversários e de seus amigos. Reportou suas festas, a natureza que o abrigava. Disse de si com este modo pictográfico de falar.

 

Ferramenta mais poderosa desenvolvida pela humanidade para eternizar a própria existência, a escrita transforma pensamentos efêmeros em registros perenes, dando voz à época que ecoa enquanto tempo se expandir. Ao narrar ritos, festas e amigos, ela robustece os laços entre pessoas e grupos sociais e define culturas.

 

Difusora da História e da Cultura, a escrita faz-se o principal instrumento de comunicação ao permitir que narrativas, valores, crenças e rituais sejam transmitidos de geração em geração. Ao superar limitações temporais e espaciais, ela eterniza memórias, ideias e a própria existência humana, oportunizando ao passado ensinar ao futuro.

 

Ao registrar experiências, a escrita disponibiliza uma forma de imortalidade simbólica, garantindo o registro de existências ("eu estive aqui"). Desde os desenhos primitivos até os textos digitais modernos, ela externaliza a memória, preserva a sabedoria e a essência humana contra o esquecimento. Fulcra a identidade social pelo pertencimento que enseja.

 

A infância da humanidade exigiu do homem movimentação constante em busca de alimentos, de segurança e sobrevivência, o que o impedia de trazer consigo a memória grafada nas cavernas, isto propiciou a ciese de um modus scribendi mais condizente com o atendimento a esta necessidade. Surge a escrita em tábuas de argila revolucionando os dias.

 

A transição da arte rupestre nas cavernas para a escrita em tabuletas de argila representa um dos maiores saltos tecnológicos da história humana. Marca a passagem do nomadismo para a sedentarização onde o acúmulo de bens e o comércio exigiam um sistema mais aprimorado e complexo de registro. Nasce a escrita cuneiforme.

 

A escrita cuneiforme emergiu para atender a uma necessidade prática e administrativa. As inscrições em tábuas de argila registraram inicialmente o comércio de produtos e a gestão de templos e, depois, passou a preservar ideias, leis e aspectos mitológicos, superando a barreira da memória oral e da localização fixa das cavernas.

 

Esse sistema facilitou contratos de comércio com outros povos e a organização interna das primeiras cidades, como Uruk, onde templos complexos e armazéns exigiam uma contabilidade mais precisa. A evolução desse sistema pelos fenícios e gregos levaria, posteriormente, ao alfabeto que o conhecemos hoje.

 

Entre 1200 a.C. a 1000 a.C., surgiu o primeiro alfabeto verdadeiramente fonético. Diferente da escrita cuneiforme e dos hieróglifos egípcios, o sistema fenício – povo de comerciantes marítimos que habitava o atual Líbano – era constituído de, apenas, 22 sinais lineares, representando unicamente as consoantes.

 

Solucionando a necessidade prática do comércio: registrar transações, contratos e estoques de forma rápida e acessível, sem a necessidade de anos de estudo para dominar milhares de ideogramas, o alfabeto fenício difundido pelo Mediterrâneo ancorou os alfabetos hebraico, aramaico e árabe, logo chegando à Grécia.

 

Conhecido pelos gregos (IX a.C), o alfabeto fenício, que não registrava vogais e, por isso, tornava a leitura ambígua para a língua grega, rica em sons vocálicos, mediante sutis adaptações deu origem ao primeiro alfabeto "verdadeiro", onde vogais e consoantes tinham status igual, representando precisa e inequivocamente a fala.

 

Efusiva e complexa, a escrita supera as barreiras do tempo e do espaço, e facilita a troca de conhecimento, argumentação e persuasão entre indivíduos e culturas diferentes, organizando pensamentos complexos e abstratos, tornando-os claros para leitura posterior, mesmo por pessoas desconectadas no tempo.

 

Materializada pelos “Homens de Letras, que das letras se valem para, em consonante cumplicidade com a escrita, coadjuvar com ela a auspiciosa missão in curso desde a mais tenra de idade do homem: registrar a História e as experienciações humanas, com a mesma proficiência com que projeta rumos mais felizes para a humanidade.

 

Ainda que poética e elevada esta definição da missão dos escritores, intelectuais e educadores, referidos metaforicamente como "Homens de Letras”, destaca-se aqui a função dual da escrita na experiência humana: ser um registro fiel do passado e ser uma ferramenta de construção para um futuro melhor a bem do coletivo que ela cativa.

 

Além de olhar para trás, a escrita, e os escritores que em torno dela vicejam, possuem um poder prospectivo. Dominam as letras eles não são apenas cronistas, mas sim, habilidosos arquitetos do futuro. A literatura, a educação e o pensamento crítico são imprescindíveis para imaginar e planejar sociedades mais justas e desenvolvidas.

 

O desenvolvimento de materiais educacionais e pesquisas acadêmicas sobre alfabetização e tecnologias educacionais são exemplos práticos de como essa missão é colocada em curso, garante que as novas gerações tenham as ferramentas necessárias para escrever seus próprios destinos e contribuir para a história.

 

O escritor e a escrita compartilham a mesma essência que reside na linguagem como extensão do pensamento. O escritor não pensa para depois escrever; ele escreve para pensar. Para ele, a escrita não é uma ferramenta externa, mas sim, uma magnificente extensão viva de sua própria consciência a serviço de si e da humanidade inteira.

 

A escrita, a seu tempo, é um "ato de magia" ou ritual que tem o condão de tornar visível (texto) o invisível (pensamento, sonho, o inefável). Sua essência manifesta a capacidade de cocriar realidades e de alterar consciências, funcionando como um fascinante "grimório" que contém as fórmulas para transformar o mundo interior do leitor.

 

Ao utilizar a escrita para "manipular a essência do ser" em direção a um propósito ético-moral esplendido e ao lapidar sua própria essência através das palavras, o escritor arquiteta caminhos de prosperidade e de evolução, como um agente da justiça, da inclusão e da reparação histórica robustecendo a identidade social.

 

O texto escrito pelo escritor serve como documento e prova de que humanos são capazes de preservar sua trajetória. A escrita, então, deixa de ser meramente entretenimento para se tornar a consciência social, convidando o leitor a questionar, analisar e reinterpretar o mundo, cumprindo assim o propósito de humanização e cidadania.

 

Por tudo isso, comemorar o Dia do Escritor (25 de julho) é fundamental para reconhecer e valorizar o trabalho intelectual e criativo dos autores, que são responsáveis por documentar a história por resgatar nomes esquecidos, por fortalecer identidades culturais, por estimular a inventividade e a melhor desenvolvimento social.

 

Essa celebração, instituída em 1960 pela União Brasileira de Escritores (UBE), lembra que a escrita é uma ferramenta poderosa de transformação social, educação e preservação da memória. Ressalta a importância dos hábitos da escrita e da leitura como vetores do desenvolvimento pessoal, profissional e do senso crítico.

 

A missão primordial de ambos – da escrita e do escritor – é vencer o esquecimento. Assim como, os desenhos nas cavernas, a escrita moderna e o escritor atuam como guardiões da "história emocional" da cultura. Eles transformam observações individuais em narrativas coletivas, garantindo que realidades não sejam invisibilizadas.

 

Maranguape, Ceará, 25 de Julho de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

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