domingo, 28 de junho de 2026

ORGULHO É VIA DE MÃO DUPLA


Na manhã de hoje (28/06), o Nonagenário Senhor Zelito Nunes Magalhães, veterano no jornalismo cearense, anunciou ser hoje o Dia Internacional do Orgulho. Orgulho que inspira encantamento – isto, aquilo e/ou alguém, chama-me a atenção – e expira reconhecimento – isto, aquilo e/ou alguém, tem aquilatado valor intrínseco, tem mérito e é exemplar aos meus olhos e de acordo com os usos e costumes, virtudes etc. levadas em consideração na balança meritocrática que afere a todos nós a definir nosso valor e conceito.

 

Orgulhamo-nos do que nos causa orgulho, daquilo que faz com que de nós se orgulhem, ou seja, o orgulho é alimentado tanto pela nossa autoavaliação quanto pelo reconhecimento social. Satisfazemo-nos com nossas próprias conquistas, mas esse sentimento se fortalece e ganha um novo significado quando as pessoas que estimamos também sentem orgulho de quem somos (ou nos tornarmos) ou do que fizemos imbuídos do mais rutilante respeito devido a todos. Respeito que nos faz dignificantemente respeitáveis.

 

Dignidade chama por respeito e este, por sua vez, é o pilar que sustenta a convivência humana e garante que a dignidade de cada um de nós seja não somente plenamente preservada, com também, efusivamente respeitada. A dignidade cunha o valor intrínseco, inalienável e incondicional de cada ser humano, situando-se além de qualquer preço ou moeda de troca, enquanto, o respeito manifesta-se na ação prática e na atitude diária que valida, protege, reconhece e difunde essa dignidade perceptível n’outrem.

 

O respeito e o orgulho mantêm reverberante simbiose a bem do exato reconhecimento dos enlevos humanos. Galhardo, o orgulho foca na autovalorização e na celebração de conquistas e identidades, o respeito, magnificente, atua como a garantia de que a existência e os direitos do outro sejam perenemente preservados. O respeito estabelece o limite ético para que o orgulho saudável não se transforme em arrogância. Inseparáveis, respeito e orgulho, formam a base para o desenvolvimento da autoestima e para a construção de relações sociais saudáveis e pacíficas em todo o orbe terrestre.

 

Respeitavelmente, como muito antes de mim assim o fizeram, reconheço a coragem e abnegação simbolizam João Capistrano Honório de Abreu, que com lápis e papel sempre à mão contou o Brasil, cada rincão com sua riqueza histórica. Com um rigor quase obsessivo e munido de sua inseparável documentação, com o ideal de preservar a memória e a riqueza cultural do país. sua obra, com lápis e papel, é, irrefutavelmente, uma contagem fiel e profunda do Brasil, em cada rincão e em cada história esquecida. Um exímio maçom, embora a maçonaria não o tivesse conhecido.

 

Ousado, destacou o sertão como espaço central na formação do Brasil - com a criação extensiva de gado, o papel dos vaqueiros e bandeirantes -, ele contestou a historiografia tradicional, que se centrava apenas no litoral e na administração colonial. Capistrano expôs essa perspectiva em obras como: Capítulos de História Colonial (1907) e Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil (1930), inaugurando um pensamento novo ao apresentar o Brasil “de dentro”, com foco no povo e na terra, estabelecendo, assim, um novel modus operandi à historiografia nacional com um olhar mais perceptivo à realidade dos fatos.

 

Nascido no sítio Columinjuba em 23 de outubro de 1853, considerado o "Príncipe dos Historiadores Brasileiros" e um dos maiores intelectuais do país, dedicou sua vida ao estudo minucioso da História colonial do Brasil, especialmente por meio de fontes originais, como documentos da Biblioteca Nacional, onde trabalhou como bibliotecário a partir de 1879. Capistrano, que soube ser-se ciência – metódica, investigativa e racional –; tonando-se letra – nítida, coerente e comunicadora –, numa arte – encantadora, desbravadora e transformadora – de contar a História de forma responsável e incorrupta, deixa um legado profundo e duradouro para Maranguape, sua cidade natal.

 

Capistrano de Abreu é, sem dúvida, o mestre que "(re)ensinou" o Brasil a olhar para si mesmo, sendo o pioneiro ao incluir o povo, a mestiçagem e a geografia na formação do Brasil. Mesmo preferindo uma vida simples, afastada de pompas, com foco no trabalho intelectual, seu esmero é reconhecido internacionalmente, com a eleição de Capistrano a sócio correspondente da Sociedade de Antropologia de Berlim (1895) e a membro da Société des Américanistes de Paris (1924). Discreto, Capistrano esconde uma profundidade que o torna uma das alavancas mais formidáveis utilizadas na educação e no desenvolvimento humano. 

 

Capistrano tem sua mestria na capacidade de facilitar o pensamento crítico, a expressão criativa e o registro do conhecimento, um vetor essencial em diferentes contextos educacionais e profissionais, como também, assim faz aqueles cuja coragem de empreender e protagonizar os faz ultrapassar os limites do impossível fulcrados na argúcia e na boa vontade essenciais ao melhor que se possa mobilizar a bem de si próprios e do mundo. Este egrégio capital intelectual maranguapense, brasileiro e mundial tem sua memória preservada na Casa de Cultura Capistrano de Abreu – a casa onde ele nasceu, reconstruída e inaugurada em 2023 como parte das celebrações de seus 170 anos.

 

A casa faz parte infraestrutura da ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba de Capistrano de Abreu. Neste Emérito Silogeu efloresce a ciência de Capistrano de Abreu – precisa, logica e prudente –, graças a 20 notáveis acadêmicos graduados em diversas áreas da ciência humana; manifesta suas letras – ousadas, cativantes e esclarecedoras –, ancorada em 20 magníficos homens de letras (escritores e poetas); e expressa sua arte – inventiva, efusiva e profícua –, materializada por 20 formidáveis entes humanos que a expressam na músicos, na pintura e na escultura. A ACLA, incondicionalmente, oportuniza a voz e meios de expressão a todos aqueles que a constituem.

 

Pilar robusto da cultura nordestina, a ACLA conecta o estudo crítico das realidades deste Brasil “continental” a partir da reverberante influencia destes 60 formidáveis entes humanos que a projetam no cenário intelectual nacional, inspirando a valorização da educação, cultura e identidade local e brasileira através de premiações e estudos. Este esforço, para nosso orgulho, é plenamente reconhecido anualmente, como o foi em 2025 pela ALECE – Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, que em solenidade aberta e transmitida pela TV Assembleia a todo o Brasil, celebrou os 33 anos de atuação deste silogeu que leva a cultura maranguapense, cearense e nordestina para além das fronteiras do Brasil. Nesta ocasião, fui escolhido por meus pares para ser o recipiendário deste reconhecimento, que também me reconheceu.

 

O orgulho manifesto nesta sinergia que a ACLA mociona é uma via de mão dupla porque une num só sentimento aquele que oportuniza o enlevo e aquele que é por ele enlevado. Visto por esse ângulo, o orgulho deixa de ser um sentimento individual e egoísta para se tornar uma ponte de conexão entre uma coletividade imensa de pessoas que comungam do mesmo propósito o de difundir e estimular a cultura, as letras, as ciências e as artes. Quem realiza se sente valorizado ao ver o impacto de suas ações, e quem admira se sente inspirado e conectado àquela vitória. Em vez de afastar as pessoas pelo ego, esse tipo de orgulho cria um ciclo de validação.

 

Neste toar, sinto-me orgulhoso da ACLA, pois, ela efervescesse meu orgulho de ser um dos seus constituintes nesta contemporaneidade – exemplando-me naqueles que a constituíram antes de minha chegada – a cada nova oportunidade que cria para que manifestemos nossos talentos, expressemos nossos pensamentos ajudando-a construir um auspicioso e proeminente legado que ofertamos às futuras gerações, que poderão perpetuá-lo e/ou nele se ancorarem para a construção de seus próprios legados. Cônscia de que uma andorinha só jamais erigirá bom verão, a ACLA oferta uma ambiência acolhedora, inclusiva, participativa onde o pertencimento é rei e a abnegação em servir é rainha que, juntos, conduzem a todos nós pelos caminhos da felicidade humana onde imprimimos quem somos e para onde vamos.

 

Marcolândia, Piauí, 29 de Junho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


sábado, 27 de junho de 2026

LEVANTAR CAÍDOS REQUER DESILUDIR-LHES O DISCERNIMENTO

 

“Não me ensines coisas vãs, pois, é mal o que tu me ensinas”, preceitua Bento de Núrsia – nascido no Nórsia ou Núrsia (Úmbria, Itália), Reino Ostrogótico, 2 de março de 480 – falecido na Abadia de Monte Cassino (Casinum, Itália) 21 de março de 547.  Bento, e seus ensinamentos, foram alavancas poderosas, após o declínio da civilização romana, para o nascimento da cultura europeia; são a premissa para a difusão de centros de oração e de hospitalidade. Não foram apenas o farol do monacato, mas também, uma fonte providencial para peregrinos e pobres.

 

Bento considera que “o ócio é inimigo da alma”. Segundo Bento, oração e trabalho não se antagonizam no augusto propósito de aprimorar o homem, pois, estabelecem entre si brava simbiose. A oração nos leva a encontrar a Deus, cumprindo lembrar que se primeiro em nós não encontrarmos o que buscamos, nunca o encontraremos em lugar, afinal, conhecendo-nos intimamente conheceremos o universo e a Deus em seu resplendor mais veraz. Devemos, pois, dedicarmo-nos, n’algumas horas do dia, ao trabalho manual e, em outras, à leitura que propicie o desvelo destas inefabilidades.

 

O historiador Jacques Le Goff indaga: “a quais excessos as pessoas da Idade Média teriam chegado, se esta grande e suave voz não se tivesse elevada? Uma voz sobre a qual se deteve o grande biógrafo de exceção, Gregório Anício, nascido em Roma, 540 e nela falecido em 12 de março de 604, conhecido como Gregório, o Dialogador na Ortodoxia por causa de seus "Diálogos" e, por isso, tem seu nome n’algumas obras listado como "Gregório Dialogus", numa das quais anuncia Bento como “um astro luminoso” em uma época dilacerada por uma grave crise de valores.

 

Bento nos exorta a ouvir com o coração, à esperançosa perseverança e à disciplina: “Ouça, filho, os ensinamentos do Mestre; dê-lhe ouvidos com o coração; receba, com agrado, os conselhos de um pai que lhe quer bem, para se dirigir, com o rigor da obediência, àquele do qual você se distanciou por causa da negligência e da desobediência”. A disciplina é o ponto de partida e a capacidade de manter a organização, o foco e a execução de hábitos positivos, mesmo quando não há vontade ou entusiasmo para isso. É o que transforma a motivação (que costuma ser passageira) em resultados reais.

 

A perseverança é a força por trás da disciplina. Ela manifesta a capacidade de continuar tentando apesar das adversidades, dos fracassos ou do progresso lento. É o compromisso de "terminar o que se começa" a longo prazo. Significa não desistir quando as coisas ficam difíceis e entender que os erros são oportunidades de aprendizado. A perseverança (aliada à resiliência) oferece a força mental para lidar com os imprevistos ao passo que a disciplina cria hábitos previsíveis, rotinas sólidas e consistência diária. A disciplina reduz o cansaço de decidir; a perseverança vence o cansaço de falhar.

 

Ao ouvirmos com o coração escutamos ativa, empática e amorosamente e seguimos além da percepção acústica de sons, assumindo uma postura de presença, compreensão e compaixão que prioriza acolher a realidade do outro sem julgamentos. É uma compreensão profunda que se esforça para perceber o que o outro realmente diz, pensa e sente a partir da realidade existencial dele. É um ato de comunicação profunda baseado na empatia, no afeto e na presença plena, que pausa individualismos e preconceitos.

 

Exempla-nos assim, Augusto dos Anjos, ao afirmar: “para iludir minha desgraça, estudo. Intimamente sei que não me iludo”. Estes versos constituem o poema "Poema Negro" (também conhecido como "A Santos Neto"), publicado em sua obra única, Eu, de 1912. Reflete a tentativa de usar o conhecimento e o intelecto como um escudo ou anestésico para a dor de existir, com a mesma intensidade que expressa a lucidez indelével do eu-lírico, que conscientiza que a fuga pela intelectualidade é temporária e incapaz de alterar a dura realidade da finitude e do sofrimento humano.

 

A intelectualidade pode explicar a dor, mas não é capaz de anulá-la. Ela cria uma ilusão de controle sobre o caos, mas, falha em adiar o fim inevitável de cada indivíduo. Romper essa defesa mental é o primeiro passo para viver de forma autêntica. A finitude não deve ser teorizada, mas aceita como a regra fundamental da vida. Essa consciência da finitude (mortalidade) é um claro convite para analisarmos como investimos nosso tempo. Em vez de evitar a realidade, esse desvelo nos permite realizar escolhas com mais presença e alinhar nossas ações aos reais valores que norteiam a vida plena.

 

Bento de Núrsia nos concita a abraçar a ideia de que o amanhã é incerto, pois, isto serve como um antídoto para o desperdício de tempo e como um guia para uma jornada mais autêntica e conectada aos seus ideais mais profundos. Saber que o tempo é finito ajuda a combater o hábito de viver no automático e a valorizar o que ocorre no "agora". Definirmos claramente o que importa, torna mais fácil eliminar distrações fúteis, bem como, ajuda-nos a dedicar nossos esmeros e atenção a quem e ao que realmente nutre a existência, cônscios de que o tempo é um recurso precioso e inegociável.

 

Essa perspectiva é a base do Memento Mori ("lembre-se de que você irá morrer"). Filósofos estoicos como Sêneca e Marco Aurélio utilizavam a contemplação da morte não como algo mórbido, mas sim, como um método prático para afastar a ansiedade e para um viver com virtude, significado e serenidade. A certeza real é que a vida pertence à morte. Ao aceitarmos este fato irrefutável e inevitável, a morte passa a ser a única certeza absoluta da vida ao passo que somos confrontados com a necessidade iminente de dar valor e sentido a cada momento de nossa existência.

 

Questionar que morte desejamos ter nos leva a não buscar apenas prever o fim físico, mas principalmente, a definir a qualidade da trajetória a percorrer até nossa partida para o Oriente Eterno. Isto aponta para o desejo de uma morte consciente, cercada de sentido, onde a vida foi vivida de forma plena, com amor e gratidão. Não significa viver em euforia constante, mas sim, com presença. Envolve a busca por dignidade e qualidade de vida (cuidados paliativos), para que não nos expropriemos de nosso próprio morrer. Desejar uma "boa morte" significa desejar chegar ao fim sem o peso do "e se?"

 

Viver com presença substitui o movimento mental compulsivo (pensar demais no passado ou futuro) por uma "atenção silenciosa", permitindo a percepção e a absorção da essência de cada momento vivenciado. Significa "dizer sim" à realidade atual, mesmo quando não é perfeita ou bonita, oportunizando a nós mesmos um viver que se (re)organize internamente perenemente. Envolve valorizar conversas sem pressa, silêncio e/ou simplesmente estar com quem se ama, sendo amado, segando o merecido o amor que soubemos semear seguindo a métrica da régua de 24 polegadas.

 

Neste influxo, alcançamos a maturidade emocional que nos capacita a dar novas perspectivas ao que foi vivido, sem esquecermos o passado, mas, ressignificando-o. A vida, assim, ganha um lume mais dinâmico e proeminente, pois, paramos de buscar apenas o "prazer e a excitação" e passamos a cultivar a atenção plena sobre o que fazemos e sentimos, e isto nos permite viver com plenitude e apreciar o instante. Ter vivido e partido sob os próprios termos, reflete a autonomia de um viver livre dos grilhões dos preconceitos, dos vícios e dos erros que insistem em aprisionar incautos.

 

Uma paz manifesta na sensação de que o ciclo se completou de forma digna. Esta sensação de que o ciclo se completou de forma digna encerra uma narrativa coerente sobre a “morte desejada”. Assumimo-nos, decididamente, como alavancas (exemplos) para um porvir glorioso que reflete os valores, a ética e a postura esperados de nós em ressonância com aqueles que nos margeiam em nosso caminhar em vida. Envolve precisão, relevância, coerência e adequabilidade ao que se nos mostra o horizonte do melhor viver humano para que, assim, gere o impacto social positivo desejado.

 

Ditoso, o exemplo retira uma ideia, valor ou conceito (como "honestidade" ou "proatividade", etc) do campo das ideias e os materializa em uma atitude observável, tornando a teoria tangível e compreensível. Imprescindível, neste mister, é compreendermos que valores e virtudes não vêm exclusivamente dos saberes materiais, pois, efusivamente emergem e se robustecem na interação entre o sagrado (transcendente, religioso, espiritual) e o profano (cotidiano, social, do humano), ascendendo, harmoniosamente, como regras divinas ou construções sociais essenciais para a convivência. 

 

“Não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive”, preceitua Salomão (Eclesiastes 3:12). O bem e a felicidade têm o condão de transcenderem o abstrato para se estabelecerem valiosos, confiáveis, precisos e aplicáveis habitualmente em nossas ações concretas gerando valor ao passo que, dia a dia, esculpe nossa identidade. Se a ação for boa, ela se torna um modelo a ser seguido, sendo preferível à mera teoria, pois, a experiência vale mais que palavras traduzindo-se em valores e em passos práticos até que se tornem parte de quem somos.


O filosofo André Comte-Sponville aduz que, embora os valores possam ter surgido em contextos religiosos (sagrado), eles se tornaram patrimônio da razão humana (profano). Notoriamente, a origem dos valores e virtudes é um dos grandes debates da humanidade, e a resposta depende de qual "lente" você usa para enxergar o mundo. O conceito de hierofania presente na obra de Mircea Eliade sugere que o sagrado se manifesta no profano. Assim, o corpo físico, comumente profano, pode ser investido de um significado sagrado no momento da morte a ensinar as primícias da vida.

 

A consciência da mortalidade é, paradoxalmente, libertadora, e nos leva a valorizar o presente e a viver com mais propósito. Bento de Núrsia desvela que o profano e sagrado não se separam nem mesmo na morte, posto que a experiência humana é marcada por uma contínua união entre o ordinário (profano) e o transcendental (sagrado), inclusive no momento final da vida. “O pó volta a terra com o é; e o espírito volte a Deus que o deu”. (Eclesiastes 12:7), descreve o destino físico e espiritual após a morte: o corpo (pó) se decompõe e o espírito (sopro de vida/inteligência) retorna a Deus que o deu.

 

Granito, Pernambuco, 27 de Junho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

sexta-feira, 26 de junho de 2026

CORDELISTAS SÃO O APOIO IDEAL PARA A ALAVANCA CULTURAL NORDESTINA


Hoje (26/06), o dia começa ao sabor do cordel nascido do veio literário do Confrade Francisco Otávio de Menezes, com o tema: “Nordestino, a Alavanca da Alegria e do Progresso”, no qual sou citado por ele. Sob égide da sinergia que há entre todas os reinos in vitae neste Terra descritos pela Doutrina Espírita como Mineral, Vegetal, Animal e Hominal (Humano), Otávio efloresce em seus versos a sincronicidade, que Carl Gustave Jung define como “coincidências significativas”, ainda que não tendo um nexo causal comum perceptível aos olhos da matéria, se conectam pelo sentido e pelo espírito, cujo amor fraterno manifestado faz-se elo perfeito.


Uma sincronicidade conscienciosa, pois, alinha a necessidade de comunicar ao mundo saberes e experiências que somente o melhor coração é capaz de produzir e guardar para o pertinente fomento do aprimoramento humano a partir do autoconhecimento, do significado, da intuição e da relação entre a mente humana e o ambiente, fortemente ancorada na sinergia – do grego synergia, que significa "trabalho em conjunto" –, que reúne e movimenta múltiplos elementos, ideias, tecnologias e/ou pessoas e corrobora para o mais notável impacto multiplicador a bem da felicidade, do bem-estar, do progresso e evolução de toda a humanidade.


Cordelista raiz, Otávio abnega-se a rimar crônicas, causos e sentimentos cujos produtos (cordéis) vicejam alteridade e cativam-nos a manter viva esta tradição centenária nordestina, transformando fatos cotidianos em arte e crítica social em versos, conscientes que a literatura de cordel é um Patrimônio Cultural do Brasil de valor inestimável como guardiã da identidade nordestina – costumes, folclore, crenças, mantendo vivas memórias regionais (re) contando as histórias do sertão, perpetuando a tradição oral, fortalecendo a educação e democratizando o acesso à informação sob a égide da sinergia que une arte da viola e da xilogravura.


Os cordelistas, ou poetas de cordel, utilizam uma linguagem popular e acessível para narrar acontecimentos de forma poética e rimada. O primeiro cordelista a imprimir seus versos foi Leandro Gomes de Barros, porém, suas publicações tiveram início por volta de 1889 sendo impressas em tipografias terceirizadas. Por volta de 1906-1907, Leandro fundou no Recife sua própria tipografia, o que permitiu uma produção em grande escala. Seus folhetos eram fundamentais para a circulação de notícias e histórias no interior do Nordeste, sendo comercializados em feiras populares. Ele influenciou grandes nomes da literatura brasileira, como Ariano Suassuna.


Histórias de Leandro, como "O Cavalo que Defecava Dinheiro", serviram de base para obras clássicas da literatura brasileira, incluindo o Auto da Compadecida de Ariano Suassuna. Ainda que se discuta se ele foi o primeiro absoluto (considerando produções manuscritas ou folhetos avulsos raros de outros autores, como Silvino Pirauá), Leandro é o responsável pela profissionalização e pela primeira fase sistemática de impressão de cordéis no Brasil. Ele escreveu aproximadamente 240 obras originais, embora algumas estimativas sugiram que Leandro tenha publicado ou editado cerca de 1.000 folhetos ao longo da vida.



Entre as publicações de Leandro registradas pela Fundação Casa de Rui Barbosa desse período, destaca-se o folheto "A Ave Maria da eleição" (Recife, 1907). Por sua relevância como formidável alavanca da cultura nordestina, cuja influência se perceber em todo o Brasil na sincronia das artes visuais, musicais e literárias que mociona ainda hoje com seu conhecimento e sabedoria. Leandro é homenageado pelo Povo Brasileiro que estabelece o dia de seu nascimento (19 de novembro de 1865) como o Dia da Literatura de Cordel no Brasil, no qual as novas gerações de cordelistas tributam gratidão àqueles que desde o passado enobrecem esta arte.



Há, também, Patativa do Assaré, um verdadeiro escultor de palavras belas, moldando versos que transformavam a dor, a luta e a beleza do sertão em arte. A beleza palavras de Patativa reside na forma como ele enxergava o sertão, não somente como terra seca, mas, principalmente, como um espaço de contemplação, criatividade e esperança. De inventividade. Em poemas como "Cante lá que eu canto cá", Patativa afirma que a dor só é bem cantada por quem a vive, reforçando sua autoridade como poeta do povo. Prodigiosamente, a expertise de Patativa ao usar o malho e o cinzel para dar forma de poesia à vida: o trabalho na roça, o canto do vento, a beleza das flores nos abrolhos.



Escultor de palavras justas e perfeitas, Patativa não apenas escrevia versos, esculpia a alma do sertanejo, com um ritmo único, uma musicalidade que ecoava nas vozes do povo, e uma estética que unia lirismo e denúncia social. Como ele mesmo diz: "A minha rima faz parte / Das obras da criação", mostrando que a poesia jamais será unicamente dádiva divina, mas sim, poderosamente, um ato de fé e de graciosa liberdade. Seu legado é um testemunho de que a beleza pode nascer da pobreza, da dor e da resistência. Com sete sílabas, Patativa esculpiu o mundo. Patativa ganhou o mundo (como se diz no coloquialismo nordestino), pois, a arte de Patativa é estudada na Sorbone (França).



Violeiros e cantadores como Osnir Soares, Chico de Assis e João Santana percorreram espaços por todo a região norte do Distrito Federal, apresentando estilos como Sextilhas, Motes de 7 e 10 sílabas, Décimas, Quadrão e Martelo Alagoano, além de distribuir livretos de literatura de cordel, expressando sinergia e sincronicidade entre estas artes de origem semelhante. Por justo mérito, desde 2021, o repente é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Iphan, destacando sua relevância histórica e artística. Quem com sabedoria e beleza encanta traz consigo força que a todos enlaça: amor. Como afirma Saulo de Tarso, “sem amor nada seria”. E cordel é amor vicejante.



Por muito oportuno e por justíssimo mérito, evoco Cego Aderaldo, um dos maiores expoentes da cantoria poética nordestina no século XX, que transformou sua condição de cegueira e pobreza em uma poderosa expressão artística. Seu habilidoso talento é reconhecido em todo o Nordeste, cujo enlevo o faz ser comparado a figuras como Padre Cícero e Lampião, com quem compartilhou um histórico encontro em 1924 em Juazeiro. Em vida, Aderaldo levou a cantoria às grandes capitais, sendo saudado como um herói nacional. Sua memoria é preservada na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá, onde a poesia popular e as tradições sertanejas são festejadas.



A Peleja de Aderaldo com Zé Pretinho, obra de Firmino Teixeira do Amaral (1916), é uma emblemática cantoria que retrata um desafio entre dois cantadores, onde Aderaldo, apesar do preconceito por ser cego e forasteiro, vence com sua eloquência e bravura, ao passo que Zé Pretinho tem na humildade a sua grandeza: "sou seu subalterno, embora estranho, creio que apanho e não dou um caldo", admitindo assim a superioridade do Cego Aderaldo, permanecendo como um símbolo da tradição oral nordestina, refletindo tanto o mestre cantador quanto o arquétipo do "negro de fama" no imaginário popular. O poema é um testemunho da cultura popular e dos conflitos sociais do sertão.


Inventivo, o Aderaldo foi um dos primeiros cantadores a ganhar notoriedade nacional, levando a cantoria de improviso para grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo. Visionário e empreendedor: foi um dos primeiros a levar novidades tecnológicas para o interior, atuando como exibidor de cinema itinerante na década de 1930 e utilizando gramofones para apresentar discos ao povo sertanejo. Inusitado, ele tirou o baião da viola, orquestrando-o e influenciando grandes artistas como Luiz Gonzaga, que usando a sanfona, o triângulo e a zabumba, levou a dança e a cultura nordestina a todo o Brasil, cativando a admiração de intelectuais como Rachel de Queiroz.


Hoje, a literatura de cordel continua viva, sendo valorizada como uma expressão rica da identidade cultural brasileira, especialmente nordestina, a partir da fértil manifestação de Cordelista como Otávio Menezes, que apesar dos desafios que a era digital lhe impõe, a ela se adaptam, mantendo seu charme através de folhetos ilustrados com xilogravuras e narrativas orais que celebram e perpetuam a cultura popular. Longe de desaparecer, o gênero se (re)inventa no século XXI, unindo a tradição oral e a rima dos folhetos às novas tecnologias,  sendo uma voz potente do cotidiano, fé, amores e desafios do povo nordestino, fortalecendo a identidade regional.


É a prova de que a "poesia de bancada" tem fôlego para muitas gerações. A tradição dos folhetos de papel agora convive com o cordel digital, podcasts e vídeos de declamação (o repente) que viralizam nas redes sociais.  Talentosos e inventivos, estes cordelistas modernos mantêm viva a forma fixa (sextilhas, setilhas) enquanto abordam temas atuais, garantindo a sua relevância. Projetos como a "Jornada do Cordel" buscam salvaguardar e promover o gênero, inclusive no ambiente escolar. O cordel não é unicamente memória; é resistência, renovação e inventividade constante, consolidando-se como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan (2018).


Incluída no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), a Literatura de Cordel integra-se ao currículo de escolas e bibliotecas públicas para incentivar a leitura desde a infância. Apoios, como o que mobiliza do Ministério da Cultura (MinC), que mantém editais de incentivo (como os previstos para 2026 com investimentos significativos) e a valorização de mestres e casas de cultura fazem-se imprescindíveis para a salvaguarda desta tradição e para sua perpetuação. Assim, a Literatura de Cordel, ancorada nas diligentes mãos e na inventividade de Cordelistas como Otávio Menezes, garante com seu lugar no futuro, inspirando-o desde hoje.


Santana do Cariri, Ceará, 26 de Junho de 2026


Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

quarta-feira, 24 de junho de 2026

O HOMEM NORDESTINO É ALAVANCA DA ALEGRIA E DO PROGRESSO

 

Dá-me uma alavanca e moverei o mundo, disse Arquimedes de Siracusa, um matemático, físico, engenheiro, inventor, astrônomo e filósofo grego que viveu entre 287 a.C. e 212 a.C. A Lei da Alavanca por ele exarada preceitua que aumentada a distância onde a força é aplicada, menor esforço faz-se necessário para equilibrar e/ou mover algo pesado, desde empregado a ferramenta ideal no ponto de apoio exato.

 

Progressistamente, a alavanca ao longo deste mais de 2.000 anos tem desvelado empregos diversos ao passo que a humanidade evolui e ruma ao futuro, sempre disposta ajudar os homens a colocar cada coisa no seu devido lugar. A alavanca representa o uso inteligente do esforço e do conhecimento para superar obstáculos ou realizar grandes transformações.

 

Portentosa, a alavanca simboliza a força de vontade, a perseverança e o poder de multiplicar capacidades físicas e intelectuais. Reflete a capacidade humana de realizar o impossível quando se tem a ferramenta e a estratégia certas. A alavanca em si é o esforço focado que permite atingir objetivos maiores do que se conseguiria com o trabalho isolado.

 

Percebamos nisso que o Princípio de Pareto funciona como uma alavanca de produtividade e gestão, tendo por preceito-mor que poucos fatores geram a maior parte dos resultados. Assim, identifique os 20% das suas tarefas que geram 80% dos seus resultados, conforme propõe Vilfredo Pareto. Saiba exatamente o que significa "sucesso" antes de começar o trabalho.

 

Apliquemos a força na extremidade exata da alavanca, pois, teremos efeito máximo. Sob este fito, o melhor gerenciamento do esforço é imprescindível, portanto, aja sempre quando sua mente estiver mais relaxada. Padrões comportamentais reduzem a fadiga de decisão do cérebro. Foque em uma única tarefa por vez para evitar o desgaste da troca de contexto.

 

A alavanca mais longa, não somente reduz o esforço, como o disciplina e o otimiza sua aplicabilidade no movimento dos pesos. Com isso, o uso das mais argutas tecnologias é essencial para o aceleramento de pesquisas, rascunhos e análises dos objetivos diários. O que nos leva a fitar o que é estratégico em nossas agências e progressos.

 

A Regra de Pareto indica exatamente onde colocar a sua "alavanca" para obter o máximo de retorno com o menor esforço possível. Aportar 20 % de esforço incorre em 80% de produtividade, multiplicando resultados positivos (boa alavancagem). Porém, perder tempo com 80% de tarefas triviais gera 20% de impacto, gastando energia e reduzindo eficiência (má alavancagem).

 

Pioneiro grande multiplicador de força da história, a alavanca manifesta a capacidade de multiplicar o esforço humano, permitindo que pequenas ações superem barreiras colossais e transformem a sociedade, tornando-se o maior símbolo do potencial humano. Da física antiga às metáforas modernas de desenvolvimento, a alavancagem transformou profundamente a civilização.

 

O espírito dessa ferramenta milenar evoluiu para a era moderna. A tecnologia da informação, a automação e a Inteligência Artificial permitem que indivíduo e/ou uma pequena equipe cause impactos exponenciais na sociedade. A pesquisa e o avanço científico resolvem desafios existenciais complexos e produzem melhor contentamento aos homens.

 

Hoje, o conhecimento atua como a própria alavanca, enquanto a educação e a ciência funcionam como seu o ponto de apoio proficiente. A alavanca impulsiona o progresso humano ao alinhar talentos únicos a objetivos claros criando um efeito multiplicador na capacidade de gerar valor e transformar a sociedade, enriquecendo o capital humano.

 

Geradora de riquezas, a alavancagem financeira permitiu que empresas e governos realizassem investimentos e obras de infraestrutura muito maiores do que o seu patrimônio líquido imediato, acelerando a inovação. Incontestavelmente, o progresso depende de instituições fortes, lideranças libertadoras e normas que permitam o florescimento da inovação.

 

Desbravadoramente, a divisão do trabalho e a criação de redes de apoio mútuo aceleram as descobertas científicas e sociais são o apoio justo à alavancagem das descobertas científicas das quais emergem novos procedimentos médicos, novos medicamentos, novos modus de industrializar, novas formas de bem-estar e aprendizado.

 

A alavancagem, pois, é o segredo por trás do crescimento exponencial da sociedade. Sem ela, estaríamos limitados à força física de nossos próprios músculos. Com a evolução social, o termo “alavanca” deixou de ser apenas físico e passou a representar mecanismos de escala que aferem o custo-benefício das moções empreendidas em prol do coletivo humano.

 

A psicologia tem na alavanca uma metáfora efusivamente empregada para descrever o ponto de mudança máxima. Ela identifica um recurso, comportamento ou crença central que, quando alterado, gera um efeito em cascata, transformando profundamente a vida ou a mente do indivíduo. Mudar pequenos hábitos move um efeito cascata de melhorias à saúde.

 

O Jeito Harvard de Ser Feliz, como afirma por Shawn Achor, tem por ponto de apoio a atenção plena (mindset) e o nível de otimismo do ser e como alavanca os recursos internos e as ações com as quais se atinge o potencial pleno. Assim, o autoconhecimento funciona como alavanca interna ao conectar propósito e talentos para multiplicar resultados pessoais.

 

Promotora do aprimoramento do homem a partir da busca diuturna do autoconhecimento que inculta a seus adeptos, a Maçonaria tem na alavanca o símbolo da força de vontade, da perseverança e da capacidade de realizar transformações intelectuais, morais e sociais, indicando a coragem do indivíduo para elevar os fardos mais pesados em prol da coletividade.

 

O maçom consciencioso tem na alavanca a ferramenta alegórica para remover os preconceitos, a ignorância e os vícios que impedem o progresso do homem e da sociedade. Ela ensina que o esforço bruto sem um direcionamento correto (o ponto de apoio) é ineficaz, mas que a união do conhecimento com a perseverança pode mover qualquer barreira moral.

 

Neste toar, o nordestino é alavanca do progresso em todo o Brasil. Nordestinos são protagonistas na ciência, educação, medicina, política e inovação, liderando instituições de ensino e empresas de tecnologia por todo o país. O povo nordestino é reconhecido como um dos principais fomentadores do desenvolvimento social, econômico e cultural do Brasil.

 

A capacidade de adaptação e superação de adversidades geográficas e sociais adorna de excelência o capital humano nordestino na construção não somente culturo-social do Brasil, mas também, infraestrural. A histórica migração nordestina embasa a construção de grandes metrópoles, como São Paulo, e segue sendo vital para obras em todo o território nacional.

 

A riqueza cultural nordestina é um dos maiores patrimônios do Brasil, além de movimentar fortemente o turismo nacional. Hoje, o nordeste brasileiro é referência mundial em convivência com o semiárido e em pesquisas agrícolas, impulsionando a produção de alimentos e o agronegócio. Atualmente, o Nordeste é referência em energia limpa e tecnologia.

 

Símbolo augusto da alegria e do progresso o homem nordestino não encabula com as dificuldades, ao contrário vence-as todas ao simples mover da alavanca que a resiliência e a alteridade lhe constituíram para o bem da nação brasileira e felicidade geral de seu povo. O homem nordestino é celebrado como um estigma de superação e força transformadora para o Brasil.


Parnamirim, Pernambuco, 24 de Junho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


segunda-feira, 22 de junho de 2026

EM SILÊNCIO AGE O MAÇO DA BONDADE GUIANDO O CINZEL DO PERDÃO

Há dias nada escrevo. Assim, cumpre escusar-me com aqueles que aguardam o cumprimento de compromissos firmados – mesmo que possam ser manifestados a qualquer momento. Também, espero o prelevo daqueles que apreciam meus escritos com o mesmo gozo que eu, pois, oferecem oportunidades de mudanças de pensamento e de procedimentos, ao passo, que arrefecem o calor das contingências da vida que obstam progressos, prosperidade e a felicidade.


O nada escrever não é fruto da falta de assunto, afinal a natureza e o tempo sempre mostram-nos prodígios cativantemente admiráveis sobre os quais muitas letras se alistam para descrevê-los com bom discernimento e grata alegria. Também, não decorre de um abalo no talento, muito menos de alguma escassez no veio literário, pois, estes vicejam no coração alinhando emoções a animar a mente, a arrazoar as impressões que dão vivacidade a cada uma delas.


Filho do imperioso silêncio que a vida nos impele em dados tempos do viver humano, este nada escrever é um ato abnegado de destinar força e fervor ao necessário enfrentamento das vicissitudes da vida, dando-lhes a importância devida com a mesma intensidade que elas no conduzem à perseverança e ao esmero com os quais erigimos contenções ao mal, não somente àquele que vige o mundo, mas, principalmente, aquele que reside-se em nosso lado escuro.


Como afirma Mark Twain – Following the Equator (1897) – “nosso lado escuro jamais mostramos a ninguém”, a nos lembrar que carregamos vulnerabilidades, sentimentos ocultos, medos e desejos escondidos do resto do mundo, exibindo apenas a nossa "face iluminada”. Esse "lado oculto" representa a nossa humanidade real e complexa, tendo na aceitação de que o outro também possui suas próprias sombras o solo fértil onde conexões mais autênticas eflorescem.


Reconhecer que todos têm um "lado oculto" é o primeiro passo para a empatia, pois nos ajuda a compreender que as ações dos outros, por vezes questionáveis, podem ser motivadas por dores ou inseguranças invisíveis. O lado escuro reflete nossas falhas, medos, vergonhas, traumas e desejos que ocultamos por medo de julgamento ou rejeição. A face iluminada retrata a persona pública, as qualidades sociais e a imagem que apresentamos ao mundo enquanto buscamos felicitá-lo.


Buscando a felicidade que o mundo oferta a quem, disposto a não julgá-lo, tão pouco a beber de seus venenos, o vê desnudo de suas aparências, intento “vencer o mal com o bem” (Romanos 12:21), desafiando a natureza humana de vingança, impondo-me atitudes proativas de superação do mal através de ações virtuosas. A bondade (Malho) e o Perdão (Cinzel) quebram ciclos de ódio, promovem a paz e refletem o caráter divino dando aos tempos excelsitude e alegrias.


Ancorei-me para isto fortemente no pensamento de Albert Camus, para quem a felicidade não é um prêmio dado pelas circunstâncias externas, mas sim, uma decisão consciente de afirmar a vida mesmo reconhecendo o absurdo e o sofrimento inerentes à condição humana. Não "bebendo dos venenos" do julgamento e da vingança transcendi a lógica transacional do "olho por olho" e concedi-me uma paz que não depende da ausência de conflito, mas, da presença de dignidade.


Estando no mesmo nível de dignidade, de cordialidade, respeito, simplicidade e honestidade, a humildade prenuncia que ninguém é pior ou melhor do que os outros, embora cada um de nós tenha seu lugar,r somente seu, no universo. Como ensina João Batista, sabedor que não era a luz, mas que veio para que a testificasse, resignando-se ao fato de ser necessário que Jesus cresça e que ele diminua (João 3:8;30). Consiste no desvelo de limitações e fraquezas e no agir consciencioso.


A humildade é a capacidade de percebermos a nós mesmos, considerando a necessidade e o bem-estar das pessoas com quem interagimos, ao invés de focar no “rei” em nossas barrigas. O grande néctar da vida é a possibilidade de realizar o divino que existe dentro de cada um de nós. É importante percebermos que o despertar da vida depende de nós. Liberemos nosso coração e deixemos que ele construa nosso destino. "Sua vida muda quando você muda”, ressalta o médico Roberto Tadeu Shinyashiki.


"Não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo", admoesta o Sublime Mestre Jesus (João 3:7). Renascer é preciso tantas vezes quanto a vida assim exija, pois, incontáveis são, ao longo do viver humano, os momentos rituais de passagem de um ciclo para outro, cada um com seu próprio psicodrama, ricos nas excelências de transformar vidas, de criar realidades novas, sem jamais largar as tradições que sustentam cada uma das (r)evoluções que mocionam para o progressos dos mundos.


Nestes últimos dois meses tive que renascer e/ou reinventar-me com uma frequência bastante intensa para habilitar-me à necessidade de cuidar duma pessoa potencialmente importante pra mim, pois, há cinquenta anos caminha nesta contemporaneidade ao meu lado – quando não física e proximamente, o faz à distância, quando anda espiritualmente a meu lado. Dotada da mais auspiciosa e formidável inventividade, ela vive a liquidez do mundo esquizofrênico, onde os cenários mudam o tempo todo.


Curiosa figura pernóstica, que somente se vê vivo quando refletido no olhar que o fita. A ela nada importa como a olham – nojo, vergonha, desprezo, horror, ódio –, pois, sua vida está atrelada ao reflexo na íris de quem o olhar. Vale-se de tudo para que o olhem desde sapatear na lama, arrancar os cabelos, etc., pois, quanto maior o escândalo, mais olhares-espelho terá. Nesta agência, a dignidade é a primeira moeda trocada por um segundo sob os holofotes. É o fenômeno da validação pelo choque.


Este demérito à humanidade manifesta o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), antigamente chamado de "personalidade múltipla" – e passa a usar pronomes diferentes (como o plural), pois, sente que existem várias identidades coexistindo em si, além da sua própria. Deformada socialmente, ela vegeta na humanidade a partir das sórdidas manipulações com as quais reveste-se da falsa autoridade e importância que encena postando-se como vítima.


Cada identidade (switching), com padrões próprios de percepção, comportamento, voz, idade etc., garante a esta douta manipuladora alguma suportabilidade (fuga) ao peso da responsabilidade (jamais aceita), às frustrações acumuladas e à já notabilizada incapacidade formar relacionamentos sólidos, empáticos e duradouros. Nenhum escrúpulo é capaz de contê-la em suas incursões marginais, pois, qualquer sonido da razão é sufragado nas paradisíacas ilhas de esquizofrenias e psicoses vis.


Para transitar bem e alcançar sucesso em cada uma destas realidades paralelas, renascer-me e reinventar-me tem sido a ferramenta ótima à condução dos vetores que conduzem a todos que participam deste psicodrama de volta à saúde material e espiritual, cumprindo os anseios que a vida determina a cada um de nós, para brevemente podermos voltar a ocupar nosso status quo como construtores do legado que destinamos às gerações futuras, que robustecidas nos exemplos que recebem serão mais proficientes e justas.


Aprender a navegar nestes mares inusitados da esquizofrenia, de forma segura e equilibrada me leva todos os dias à mais profunda introspecção, pois, o outro é uma parte de nós na qual nos vemos refletidos. Achar nisso consonância e paz permite-me a serenidade necessária à percepção da outra face como sugere o Mestre Jesus (Mateus 5:39), respondendo à violência, ao ódio ou às ofensas com mansidão, compaixão e perdão, em vez de buscar vingança ou retaliação.


Hoje (22/06), robustecido para o enfrentamento dos dias que seguem e para mantença das moções pertinentes à segurança, à harmonia, à saúde e,, principalmente, ao viver feliz, já com a mente não absorta na voracidade dos impactos que a esquizofrenia é capaz de promover na família e nas relações que alcança, do nada volto a escrever com a boa desenvoltura cultivada há anos, que nada fragilizou-se com as dores do luto de ver distante de nós uma irmã tão querida com quem compartilho a vida.


Como com ela, também, com todos leem as letras que ponho no papel. Como com ela, também, com a família que me ancora. Como com ela, também, com os irmãos que a vida me permitiu escolher – que também me escolheram. Como com ela, também, com os amigos com os quais a vida adornou os jardins da minha vida. Como com ela, também, com os clientes que motivam minha constante (re) inovação, cujo resultados garante-lhes melhor atendimento. Todos são participes do que há de melhor em meus dias, são responsáveis pela retidão que veem presentes em meu agir.


Serrita, Pernambuco, 22 de Junho de 2026


Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

CARIDOSO DIA PARA TODOS NÓS!

  Eis que o dia hoje (05/09) resplandece, é Dia do Irmão! Cuidem, pois, o primeiro irmão a ser festejado somos nós mesmos, já que, somente q...