segunda-feira, 22 de junho de 2026

EM SILÊNCIO AGE O MAÇO DA BONDADE GUIANDO O CINZEL DO PERDÃO

Há dias nada escrevo. Assim, cumpre escusar-me com aqueles que aguardam o cumprimento de compromissos firmados – mesmo que possam ser manifestados a qualquer momento. Também, espero o prelevo daqueles que apreciam meus escritos com o mesmo gozo que eu, pois, oferecem oportunidades de mudanças de pensamento e de procedimentos, ao passo, que arrefecem o calor das contingências da vida que obstam progressos, prosperidade e a felicidade.


O nada escrever não é fruto da falta de assunto, afinal a natureza e o tempo sempre mostram-nos prodígios cativantemente admiráveis sobre os quais muitas letras se alistam para descrevê-los com bom discernimento e grata alegria. Também, não decorre de um abalo no talento, muito menos de alguma escassez no veio literário, pois, estes vicejam no coração alinhando emoções a animar a mente, a arrazoar as impressões que dão vivacidade a cada uma delas.


Filho do imperioso silêncio que a vida nos impele em dados tempos do viver humano, este nada escrever é um ato abnegado de destinar força e fervor ao necessário enfrentamento das vicissitudes da vida, dando-lhes a importância devida com a mesma intensidade que elas no conduzem à perseverança e ao esmero com os quais erigimos contenções ao mal, não somente àquele que vige o mundo, mas, principalmente, aquele que reside-se em nosso lado escuro.


Como afirma Mark Twain – Following the Equator (1897) – “nosso lado escuro jamais mostramos a ninguém”, a nos lembrar que carregamos vulnerabilidades, sentimentos ocultos, medos e desejos escondidos do resto do mundo, exibindo apenas a nossa "face iluminada”. Esse "lado oculto" representa a nossa humanidade real e complexa, tendo na aceitação de que o outro também possui suas próprias sombras o solo fértil onde conexões mais autênticas eflorescem.


Reconhecer que todos têm um "lado oculto" é o primeiro passo para a empatia, pois nos ajuda a compreender que as ações dos outros, por vezes questionáveis, podem ser motivadas por dores ou inseguranças invisíveis. O lado escuro reflete nossas falhas, medos, vergonhas, traumas e desejos que ocultamos por medo de julgamento ou rejeição. A face iluminada retrata a persona pública, as qualidades sociais e a imagem que apresentamos ao mundo enquanto buscamos felicitá-lo.


Buscando a felicidade que o mundo oferta a quem, disposto a não julgá-lo, tão pouco a beber de seus venenos, o vê desnudo de suas aparências, intento “vencer o mal com o bem” (Romanos 12:21), desafiando a natureza humana de vingança, impondo-me atitudes proativas de superação do mal através de ações virtuosas. A bondade (Malho) e o Perdão (Cinzel) quebram ciclos de ódio, promovem a paz e refletem o caráter divino dando aos tempos excelsitude e alegrias.


Ancorei-me para isto fortemente no pensamento de Albert Camus, para quem a felicidade não é um prêmio dado pelas circunstâncias externas, mas sim, uma decisão consciente de afirmar a vida mesmo reconhecendo o absurdo e o sofrimento inerentes à condição humana. Não "bebendo dos venenos" do julgamento e da vingança transcendi a lógica transacional do "olho por olho" e concedi-me uma paz que não depende da ausência de conflito, mas, da presença de dignidade.


Estando no mesmo nível de dignidade, de cordialidade, respeito, simplicidade e honestidade, a humildade prenuncia que ninguém é pior ou melhor do que os outros, embora cada um de nós tenha seu lugar,r somente seu, no universo. Como ensina João Batista, sabedor que não era a luz, mas que veio para que a testificasse, resignando-se ao fato de ser necessário que Jesus cresça e que ele diminua (João 3:8;30). Consiste no desvelo de limitações e fraquezas e no agir consciencioso.


A humildade é a capacidade de percebermos a nós mesmos, considerando a necessidade e o bem-estar das pessoas com quem interagimos, ao invés de focar no “rei” em nossas barrigas. O grande néctar da vida é a possibilidade de realizar o divino que existe dentro de cada um de nós. É importante percebermos que o despertar da vida depende de nós. Liberemos nosso coração e deixemos que ele construa nosso destino. "Sua vida muda quando você muda”, ressalta o médico Roberto Tadeu Shinyashiki.


"Não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo", admoesta o Sublime Mestre Jesus (João 3:7). Renascer é preciso tantas vezes quanto a vida assim exija, pois, incontáveis são, ao longo do viver humano, os momentos rituais de passagem de um ciclo para outro, cada um com seu próprio psicodrama, ricos nas excelências de transformar vidas, de criar realidades novas, sem jamais largar as tradições que sustentam cada uma das (r)evoluções que mocionam para o progressos dos mundos.


Nestes últimos dois meses tive que renascer e/ou reinventar-me com uma frequência bastante intensa para habilitar-me à necessidade de cuidar duma pessoa potencialmente importante pra mim, pois, há cinquenta anos caminha nesta contemporaneidade ao meu lado – quando não física e proximamente, o faz à distância, quando anda espiritualmente a meu lado. Dotada da mais auspiciosa e formidável inventividade, ela vive a liquidez do mundo esquizofrênico, onde os cenários mudam o tempo todo.


Curiosa figura pernóstica, que somente se vê vivo quando refletido no olhar que o fita. A ela nada importa como a olham – nojo, vergonha, desprezo, horror, ódio –, pois, sua vida está atrelada ao reflexo na íris de quem o olhar. Vale-se de tudo para que o olhem desde sapatear na lama, arrancar os cabelos, etc., pois, quanto maior o escândalo, mais olhares-espelho terá. Nesta agência, a dignidade é a primeira moeda trocada por um segundo sob os holofotes. É o fenômeno da validação pelo choque.


Este demérito à humanidade manifesta o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), antigamente chamado de "personalidade múltipla" – e passa a usar pronomes diferentes (como o plural), pois, sente que existem várias identidades coexistindo em si, além da sua própria. Deformada socialmente, ela vegeta na humanidade a partir das sórdidas manipulações com as quais reveste-se da falsa autoridade e importância que encena postando-se como vítima.


Cada identidade (switching), com padrões próprios de percepção, comportamento, voz, idade etc., garante a esta douta manipuladora alguma suportabilidade (fuga) ao peso da responsabilidade (jamais aceita), às frustrações acumuladas e à já notabilizada incapacidade formar relacionamentos sólidos, empáticos e duradouros. Nenhum escrúpulo é capaz de contê-la em suas incursões marginais, pois, qualquer sonido da razão é sufragado nas paradisíacas ilhas de esquizofrenias e psicoses vis.


Para transitar bem e alcançar sucesso em cada uma destas realidades paralelas, renascer-me e reinventar-me tem sido a ferramenta ótima à condução dos vetores que conduzem a todos que participam deste psicodrama de volta à saúde material e espiritual, cumprindo os anseios que a vida determina a cada um de nós, para brevemente podermos voltar a ocupar nosso status quo como construtores do legado que destinamos às gerações futuras, que robustecidas nos exemplos que recebem serão mais proficientes e justas.


Aprender a navegar nestes mares inusitados da esquizofrenia, de forma segura e equilibrada me leva todos os dias à mais profunda introspecção, pois, o outro é uma parte de nós na qual nos vemos refletidos. Achar nisso consonância e paz permite-me a serenidade necessária à percepção da outra face como sugere o Mestre Jesus (Mateus 5:39), respondendo à violência, ao ódio ou às ofensas com mansidão, compaixão e perdão, em vez de buscar vingança ou retaliação.


Hoje (22/06), robustecido para o enfrentamento dos dias que seguem e para mantença das moções pertinentes à segurança, à harmonia, à saúde e,, principalmente, ao viver feliz, já com a mente não absorta na voracidade dos impactos que a esquizofrenia é capaz de promover na família e nas relações que alcança, do nada volto a escrever com a boa desenvoltura cultivada há anos, que nada fragilizou-se com as dores do luto de ver distante de nós uma irmã tão querida com quem compartilho a vida.


Como com ela, também, com todos leem as letras que ponho no papel. Como com ela, também, com a família que me ancora. Como com ela, também, com os irmãos que a vida me permitiu escolher – que também me escolheram. Como com ela, também, com os amigos com os quais a vida adornou os jardins da minha vida. Como com ela, também, com os clientes que motivam minha constante (re) inovação, cujo resultados garante-lhes melhor atendimento. Todos são participes do que há de melhor em meus dias, são responsáveis pela retidão que veem presentes em meu agir.


Serrita, Pernambuco, 22 de Junho de 2026


Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

2 comentários:

  1. Parabéns meu caro amigo e irmão Bruno. Receba um forte e fraterno abraço. J.A.S.S.

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  2. Vc é inspiração a muitos… 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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