Na
manhã de hoje (28/06), o Nonagenário Senhor Zelito Nunes Magalhães, veterano no
jornalismo cearense, anunciou ser hoje o Dia Internacional do Orgulho. Orgulho
que inspira encantamento – isto, aquilo e/ou alguém, chama-me a atenção – e
expira reconhecimento – isto, aquilo e/ou alguém, tem aquilatado valor
intrínseco, tem mérito e é exemplar aos meus olhos e de acordo com os usos e
costumes, virtudes etc. levadas em consideração na balança meritocrática que
afere a todos nós a definir nosso valor e conceito.
Orgulhamo-nos
do que nos causa orgulho, daquilo que faz com que de nós se orgulhem, ou seja,
o orgulho é alimentado tanto pela nossa autoavaliação quanto pelo
reconhecimento social. Satisfazemo-nos com nossas próprias conquistas, mas esse
sentimento se fortalece e ganha um novo significado quando as pessoas que
estimamos também sentem orgulho de quem somos (ou nos tornarmos) ou do que
fizemos imbuídos do mais rutilante respeito devido a todos. Respeito que nos
faz dignificantemente respeitáveis.
Dignidade
chama por respeito e este, por sua vez, é o pilar que sustenta a convivência
humana e garante que a dignidade de cada um de nós seja não somente plenamente
preservada, com também, efusivamente respeitada. A dignidade cunha o valor
intrínseco, inalienável e incondicional de cada ser humano, situando-se além de
qualquer preço ou moeda de troca, enquanto, o respeito manifesta-se na ação
prática e na atitude diária que valida, protege, reconhece e difunde essa
dignidade perceptível n’outrem.
O
respeito e o orgulho mantêm reverberante simbiose a bem do exato reconhecimento
dos enlevos humanos. Galhardo, o orgulho foca na autovalorização e na
celebração de conquistas e identidades, o respeito, magnificente, atua como a
garantia de que a existência e os direitos do outro sejam perenemente
preservados. O respeito estabelece o limite ético para que o orgulho saudável
não se transforme em arrogância. Inseparáveis, respeito e orgulho, formam a
base para o desenvolvimento da autoestima e para a construção de relações
sociais saudáveis e pacíficas em todo o orbe terrestre.
Respeitavelmente,
como muito antes de mim assim o fizeram, reconheço a coragem e abnegação simbolizam João
Capistrano Honório de Abreu, que com lápis e papel sempre à mão contou o
Brasil, cada rincão com sua riqueza histórica. Com um rigor quase obsessivo e
munido de sua inseparável documentação, com o ideal de preservar a memória e a
riqueza cultural do país. sua obra, com lápis e papel, é, irrefutavelmente, uma
contagem fiel e profunda do Brasil, em cada rincão e em cada história
esquecida. Um exímio maçom, embora a maçonaria não o tivesse conhecido.
Ousado,
destacou o sertão como espaço central na formação do Brasil - com a criação
extensiva de gado, o papel dos vaqueiros e bandeirantes -, ele contestou a
historiografia tradicional, que se centrava apenas no litoral e na
administração colonial. Capistrano expôs essa perspectiva em obras como:
Capítulos de História Colonial (1907) e Os Caminhos Antigos e o Povoamento do
Brasil (1930), inaugurando um pensamento novo ao apresentar o Brasil “de
dentro”, com foco no povo e na terra, estabelecendo, assim, um novel modus
operandi à historiografia nacional com um olhar mais perceptivo à realidade dos
fatos.
Nascido
no sítio Columinjuba em 23 de outubro de 1853, considerado o "Príncipe dos
Historiadores Brasileiros" e um dos maiores intelectuais do país, dedicou
sua vida ao estudo minucioso da História colonial do Brasil, especialmente por
meio de fontes originais, como documentos da Biblioteca Nacional, onde
trabalhou como bibliotecário a partir de 1879. Capistrano, que soube ser-se
ciência – metódica, investigativa e racional –; tonando-se letra – nítida,
coerente e comunicadora –, numa arte – encantadora, desbravadora e
transformadora – de contar a História de forma responsável e incorrupta,
deixa um legado profundo e duradouro para Maranguape, sua cidade natal.
Capistrano
de Abreu é, sem dúvida, o mestre que "(re)ensinou" o Brasil a olhar
para si mesmo, sendo o pioneiro ao incluir o povo, a mestiçagem e a geografia
na formação do Brasil. Mesmo preferindo uma vida simples, afastada de pompas,
com foco no trabalho intelectual, seu esmero é reconhecido internacionalmente,
com a eleição de Capistrano a sócio correspondente da Sociedade de Antropologia
de Berlim (1895) e a membro da Société des Américanistes de Paris
(1924). Discreto, Capistrano esconde uma profundidade que o torna uma das
alavancas mais formidáveis utilizadas na educação e no desenvolvimento
humano.
Capistrano
tem sua mestria na capacidade de facilitar o pensamento crítico, a expressão
criativa e o registro do conhecimento, um vetor essencial em diferentes
contextos educacionais e profissionais, como também, assim faz aqueles cuja
coragem de empreender e protagonizar os faz ultrapassar os limites do
impossível fulcrados na argúcia e na boa vontade essenciais ao melhor que se
possa mobilizar a bem de si próprios e do mundo. Este egrégio capital
intelectual maranguapense, brasileiro e mundial tem sua memória preservada na
Casa de Cultura Capistrano de Abreu – a casa onde ele nasceu, reconstruída e
inaugurada em 2023 como parte das celebrações de seus 170 anos.
A
casa faz parte infraestrutura da ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de
Columinjuba de Capistrano de Abreu. Neste Emérito Silogeu efloresce a ciência
de Capistrano de Abreu – precisa, logica e prudente –, graças a 20 notáveis
acadêmicos graduados em diversas áreas da ciência humana; manifesta suas letras
– ousadas, cativantes e esclarecedoras –, ancorada em 20 magníficos homens de
letras (escritores e poetas); e expressa sua arte – inventiva, efusiva e
profícua –, materializada por 20 formidáveis entes humanos que a expressam na
músicos, na pintura e na escultura. A ACLA, incondicionalmente, oportuniza a
voz e meios de expressão a todos aqueles que a constituem.
Pilar
robusto da cultura nordestina, a ACLA conecta o estudo crítico das realidades
deste Brasil “continental” a partir da reverberante influencia destes 60
formidáveis entes humanos que a projetam no cenário intelectual nacional,
inspirando a valorização da educação, cultura e identidade local e brasileira
através de premiações e estudos. Este esforço, para nosso orgulho, é
plenamente reconhecido anualmente, como o foi em 2025 pela ALECE – Assembleia
Legislativa do Estado do Ceará, que em solenidade aberta e transmitida pela TV
Assembleia a todo o Brasil, celebrou os 33 anos de atuação deste silogeu que
leva a cultura maranguapense, cearense e nordestina para além das fronteiras do
Brasil. Nesta ocasião, fui escolhido por meus pares para ser o recipiendário deste reconhecimento, que também me
reconheceu.
O
orgulho manifesto nesta sinergia que a ACLA mociona é uma via de mão dupla
porque une num só sentimento aquele que oportuniza o enlevo e aquele que é por ele
enlevado. Visto por esse ângulo, o orgulho deixa de ser um sentimento
individual e egoísta para se tornar uma ponte de conexão entre uma coletividade
imensa de pessoas que comungam do mesmo propósito o de difundir e estimular a
cultura, as letras, as ciências e as artes. Quem realiza se sente valorizado ao
ver o impacto de suas ações, e quem admira se sente inspirado e conectado
àquela vitória. Em vez de afastar as pessoas pelo ego, esse tipo de orgulho
cria um ciclo de validação.
Neste
toar, sinto-me orgulhoso da ACLA, pois, ela efervescesse meu orgulho de ser um
dos seus constituintes nesta contemporaneidade – exemplando-me naqueles que a constituíram antes de minha chegada – a cada nova oportunidade que
cria para que manifestemos nossos talentos, expressemos nossos pensamentos
ajudando-a construir um auspicioso e proeminente legado que ofertamos às
futuras gerações, que poderão perpetuá-lo e/ou nele se ancorarem para a
construção de seus próprios legados. Cônscia de que uma andorinha só jamais
erigirá bom verão, a ACLA oferta uma ambiência acolhedora, inclusiva,
participativa onde o pertencimento é rei e a abnegação em servir é rainha que,
juntos, conduzem a todos nós pelos caminhos da felicidade humana onde
imprimimos quem somos e para onde vamos.
Marcolândia,
Piauí, 29 de Junho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

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