domingo, 28 de junho de 2026

ORGULHO É VIA DE MÃO DUPLA


Na manhã de hoje (28/06), o Nonagenário Senhor Zelito Nunes Magalhães, veterano no jornalismo cearense, anunciou ser hoje o Dia Internacional do Orgulho. Orgulho que inspira encantamento – isto, aquilo e/ou alguém, chama-me a atenção – e expira reconhecimento – isto, aquilo e/ou alguém, tem aquilatado valor intrínseco, tem mérito e é exemplar aos meus olhos e de acordo com os usos e costumes, virtudes etc. levadas em consideração na balança meritocrática que afere a todos nós a definir nosso valor e conceito.

 

Orgulhamo-nos do que nos causa orgulho, daquilo que faz com que de nós se orgulhem, ou seja, o orgulho é alimentado tanto pela nossa autoavaliação quanto pelo reconhecimento social. Satisfazemo-nos com nossas próprias conquistas, mas esse sentimento se fortalece e ganha um novo significado quando as pessoas que estimamos também sentem orgulho de quem somos (ou nos tornarmos) ou do que fizemos imbuídos do mais rutilante respeito devido a todos. Respeito que nos faz dignificantemente respeitáveis.

 

Dignidade chama por respeito e este, por sua vez, é o pilar que sustenta a convivência humana e garante que a dignidade de cada um de nós seja não somente plenamente preservada, com também, efusivamente respeitada. A dignidade cunha o valor intrínseco, inalienável e incondicional de cada ser humano, situando-se além de qualquer preço ou moeda de troca, enquanto, o respeito manifesta-se na ação prática e na atitude diária que valida, protege, reconhece e difunde essa dignidade perceptível n’outrem.

 

O respeito e o orgulho mantêm reverberante simbiose a bem do exato reconhecimento dos enlevos humanos. Galhardo, o orgulho foca na autovalorização e na celebração de conquistas e identidades, o respeito, magnificente, atua como a garantia de que a existência e os direitos do outro sejam perenemente preservados. O respeito estabelece o limite ético para que o orgulho saudável não se transforme em arrogância. Inseparáveis, respeito e orgulho, formam a base para o desenvolvimento da autoestima e para a construção de relações sociais saudáveis e pacíficas em todo o orbe terrestre.

 

Respeitavelmente, como muito antes de mim assim o fizeram, reconheço a coragem e abnegação simbolizam João Capistrano Honório de Abreu, que com lápis e papel sempre à mão contou o Brasil, cada rincão com sua riqueza histórica. Com um rigor quase obsessivo e munido de sua inseparável documentação, com o ideal de preservar a memória e a riqueza cultural do país. sua obra, com lápis e papel, é, irrefutavelmente, uma contagem fiel e profunda do Brasil, em cada rincão e em cada história esquecida. Um exímio maçom, embora a maçonaria não o tivesse conhecido.

 

Ousado, destacou o sertão como espaço central na formação do Brasil - com a criação extensiva de gado, o papel dos vaqueiros e bandeirantes -, ele contestou a historiografia tradicional, que se centrava apenas no litoral e na administração colonial. Capistrano expôs essa perspectiva em obras como: Capítulos de História Colonial (1907) e Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil (1930), inaugurando um pensamento novo ao apresentar o Brasil “de dentro”, com foco no povo e na terra, estabelecendo, assim, um novel modus operandi à historiografia nacional com um olhar mais perceptivo à realidade dos fatos.

 

Nascido no sítio Columinjuba em 23 de outubro de 1853, considerado o "Príncipe dos Historiadores Brasileiros" e um dos maiores intelectuais do país, dedicou sua vida ao estudo minucioso da História colonial do Brasil, especialmente por meio de fontes originais, como documentos da Biblioteca Nacional, onde trabalhou como bibliotecário a partir de 1879. Capistrano, que soube ser-se ciência – metódica, investigativa e racional –; tonando-se letra – nítida, coerente e comunicadora –, numa arte – encantadora, desbravadora e transformadora – de contar a História de forma responsável e incorrupta, deixa um legado profundo e duradouro para Maranguape, sua cidade natal.

 

Capistrano de Abreu é, sem dúvida, o mestre que "(re)ensinou" o Brasil a olhar para si mesmo, sendo o pioneiro ao incluir o povo, a mestiçagem e a geografia na formação do Brasil. Mesmo preferindo uma vida simples, afastada de pompas, com foco no trabalho intelectual, seu esmero é reconhecido internacionalmente, com a eleição de Capistrano a sócio correspondente da Sociedade de Antropologia de Berlim (1895) e a membro da Société des Américanistes de Paris (1924). Discreto, Capistrano esconde uma profundidade que o torna uma das alavancas mais formidáveis utilizadas na educação e no desenvolvimento humano. 

 

Capistrano tem sua mestria na capacidade de facilitar o pensamento crítico, a expressão criativa e o registro do conhecimento, um vetor essencial em diferentes contextos educacionais e profissionais, como também, assim faz aqueles cuja coragem de empreender e protagonizar os faz ultrapassar os limites do impossível fulcrados na argúcia e na boa vontade essenciais ao melhor que se possa mobilizar a bem de si próprios e do mundo. Este egrégio capital intelectual maranguapense, brasileiro e mundial tem sua memória preservada na Casa de Cultura Capistrano de Abreu – a casa onde ele nasceu, reconstruída e inaugurada em 2023 como parte das celebrações de seus 170 anos.

 

A casa faz parte infraestrutura da ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba de Capistrano de Abreu. Neste Emérito Silogeu efloresce a ciência de Capistrano de Abreu – precisa, logica e prudente –, graças a 20 notáveis acadêmicos graduados em diversas áreas da ciência humana; manifesta suas letras – ousadas, cativantes e esclarecedoras –, ancorada em 20 magníficos homens de letras (escritores e poetas); e expressa sua arte – inventiva, efusiva e profícua –, materializada por 20 formidáveis entes humanos que a expressam na músicos, na pintura e na escultura. A ACLA, incondicionalmente, oportuniza a voz e meios de expressão a todos aqueles que a constituem.

 

Pilar robusto da cultura nordestina, a ACLA conecta o estudo crítico das realidades deste Brasil “continental” a partir da reverberante influencia destes 60 formidáveis entes humanos que a projetam no cenário intelectual nacional, inspirando a valorização da educação, cultura e identidade local e brasileira através de premiações e estudos. Este esforço, para nosso orgulho, é plenamente reconhecido anualmente, como o foi em 2025 pela ALECE – Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, que em solenidade aberta e transmitida pela TV Assembleia a todo o Brasil, celebrou os 33 anos de atuação deste silogeu que leva a cultura maranguapense, cearense e nordestina para além das fronteiras do Brasil. Nesta ocasião, fui escolhido por meus pares para ser o recipiendário deste reconhecimento, que também me reconheceu.

 

O orgulho manifesto nesta sinergia que a ACLA mociona é uma via de mão dupla porque une num só sentimento aquele que oportuniza o enlevo e aquele que é por ele enlevado. Visto por esse ângulo, o orgulho deixa de ser um sentimento individual e egoísta para se tornar uma ponte de conexão entre uma coletividade imensa de pessoas que comungam do mesmo propósito o de difundir e estimular a cultura, as letras, as ciências e as artes. Quem realiza se sente valorizado ao ver o impacto de suas ações, e quem admira se sente inspirado e conectado àquela vitória. Em vez de afastar as pessoas pelo ego, esse tipo de orgulho cria um ciclo de validação.

 

Neste toar, sinto-me orgulhoso da ACLA, pois, ela efervescesse meu orgulho de ser um dos seus constituintes nesta contemporaneidade – exemplando-me naqueles que a constituíram antes de minha chegada – a cada nova oportunidade que cria para que manifestemos nossos talentos, expressemos nossos pensamentos ajudando-a construir um auspicioso e proeminente legado que ofertamos às futuras gerações, que poderão perpetuá-lo e/ou nele se ancorarem para a construção de seus próprios legados. Cônscia de que uma andorinha só jamais erigirá bom verão, a ACLA oferta uma ambiência acolhedora, inclusiva, participativa onde o pertencimento é rei e a abnegação em servir é rainha que, juntos, conduzem a todos nós pelos caminhos da felicidade humana onde imprimimos quem somos e para onde vamos.

 

Marcolândia, Piauí, 29 de Junho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


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