segunda-feira, 29 de junho de 2026

ONDE A LIBERDADE VICEJA HÁ CONHECIMENTO E CONTENTAMENTO

Entender a relevância da liberdade como guardiã dos direitos humanos, como propiciadora da livre expressão e, principalmente, no perene combate em prol da inclusão e da justiça social é o objetivo primeiro daquele que se abnega a tornar feliz a humanidade. O conceito de liberdade vai além da ausência de restrições externas; abrangendo dimensões políticas, sociais e existenciais que evoluem continuamente ao longo da história.

 

A busca pela liberdade é o princípio fundamental que impulsiona o ser humano a agir por vontade própria, autodeterminar-se e buscar autonomia. Pensadores como Jean-Paul Sartre, a liberdade é a essência do ser humano. Segundo eles, somos totalmente responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelo futuro que construímos e cada um destes constructos refletem exatamente aquilo que somos e que reverberamos por toda a eternidade.

 

Este pensar perpetua ecos da filosofia grega que preceitua a liberdade como a capacidade de agir fisicamente sem restrições, bem como ao direito do cidadão de participar ativamente das decisões da cidade (pólis) e este retumbo leva pensadores como Thomas Hobbes a definiram a liberdade como a ausência de impedimentos à ação humana, o que, tempos adiante, leva a John Locke e a Benjamin Constant a considera-la como o direito à vida, à propriedade e à não interferência do Estado na vida privada.

 

Neste influxo, movimentos sociais e teóricos nesta contemporaneidade apontam que não existe liberdade verdadeira se houver opressão ou falta de condições materiais básicas, como saúde, educação e renda. Por isso, a liberdade de expressão, de ir e vir, e a liberdade de crença são protegidas por leis e tratados para resguardar a autonomia humana, lembrando que nossa liberdade finda onde nasce a liberdade e o direito de d’outrem ou do coletivo.

 

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela” diz George Bernard Shaw.  O desafio democrático é garantir que essa "circunferência" (os limites) não seja tão apertada a ponto de sufocar a liberdade, nem tão frouxa que permita a impunidade de abusos. Expressões que incitem à violência, ao crime, ao racismo ou coloquem em risco a segurança da coletividade não são protegidas pela liberdade de expressão. O interesse público deve prevalecer sobre a curiosidade mórbida.

 

Resolutamente, as tradições antigas mantem vivo o cultuo ao ponto dentro do círculo ou circumponto – símbolo ancestral universal que representa a união do indivíduo (ponto) com o cosmos (círculo) –, à energia divina primordial e ao sol. A Maçonaria, por exemplo, associa este símbolo à liberdade primordial de pensamento, expressão e consciência, defendendo que o indivíduo siga seu próprio caminho espiritual e intelectual dentro dos limites traçados pelo compasso.

 

A liberdade, neste contexto, é percebida na capacidade de manter-se no centro, agindo com retidão e equilíbrio, sem ser corrompido ou ultrapassar as barreiras éticas que cercam o indivíduo. Essa liberdade exige que o pensamento não seja meramente replica do pensamento de alguém. Afinal, um homem que não pensa por si, brevemente não saberá atar os próprios cadarços. Como Paulo de Tarso afirma: “Deus não nos deu espírito de covardia, deu-nos sim, de poder, de amor e de domínio próprio”.


Liberdade assim exige, naturalmente, respeito – por nós mesmos, inicialmente, e depois, por tudo criado para coexistir conosco – e disciplina – primeiramente, para melhor condução de nossas próprias agências e, após, pelo exemplo, para a guia de muitos a partir de seus feitos e efeitos salutares a bem do coletivo humano. Envolve respeitar para ser respeitado, neste agir emerge o respeitável. A verdadeira liberdade vem de uma gestão interna e ética, em vez da ausência total de restrições.

 

Ser livre envolve equilibrar-se, ainda que precariamente, entre estes dois extremos: a licença para matar dada ao personagem James Bond (007) – alienação do poder – e a dependência do olhar (alienação da validação). Ainda que vivida por poucos de nós, a liberdade de ser (autenticidade), implica a responsabilidade de assumir o próprio destino e arcar com as consequências daquilo que escolhe para seu destino, sem buscar validação externa ou poder absoluto.

 

Não importa o tenebroso tamanho da escuridão: ódio, vaidade, usura, etc., quando a boa vontade de ser correto, mínima que seja no universo, brilha inspiradoramente, pois, mesmo no cenário mais hostil, um único ato de retidão rompe a hegemonia do caos. No fim, a boa vontade funciona como uma bússola moral: não importa quão perdido o mundo pareça, ela mantém o Norte visível. Essa visão é virilmente robustecida em Gálatas 6:10, que nos incentiva a fazer o bem a todos, especialmente aos da família da fé, enquanto se tem oportunidade.

 

Ao semearmos bondade, amor e obediência ao que há preestabelecido – seja mundano e/ou sagrado –, segaremos paz, prosperidade e proeminência, tanto nesta vida, quanto na porvir. Porém, se semearmos egoísmo, desobediência ou pecado (vícios, erros, amoralidades e imoralidades), fartamente colheremos corrupção, desesperanças, infortúnios e pesado julgamento, tanto aqui, quanto na pátria após o véu. Como afirma Salomão, “tudo quanto vier à mão para realizar, faze-o com o melhor das tuas forças, porquanto para o Sheol, a sepultura, não há atividade, reflexão, saber…. Nada!” (Eclesiastes 9:10)

 

Ao escolhermos a retidão ainda que numa ambiência corrompida, deixamos de ser mais um no vale dos comuns para assumimos o lugar que nos compete como “ponto de referência”. Numa única agência falimos a ilusão – a exaurimos de todas as suas forças – de que “todo mundo é assim ou de que "não há saída". A virtude não precisa de maioria para ser verdadeira; ela só precisa existir para provar que o caos não é absoluto. Essa mentalidade de “serviço” sustenta a liberdade de sermos o que nos propusemos ser.

 

Eis a bússola da vida plena. A liberdade de ser não impõe que sejamos um mito, nem uma imagem, mas apenas, um ser humano íntegro, que tem no senso de justiça – o eixo central que sustenta sua estrutura – lhe permitindo perene autoconstrução de utilidade e harmonia com o mundo ao seu redor. Quanto maior o nível de consciência de um ser, maior é sua responsabilidade por seus atos dentro dessa estrutura de justiça social. A singularidade desta visão, desta sensitividade e desta agência gera uma contagiante energia que somente é abraçada aqueles cujos propósitos comuns podem manifestar.

 

Incontestavelmente, somente ancorados uns nos outros na excelsa prática da humildade e do cuidado, estaremos aptos à construção de um mundo humanamente justo. Ao vivermos com a "mente de Cristo", como propõe Paulo de Tarso (Filipenses 2:5), assumiremos a responsabilidade de promover a unidade, a justiça e o respeito mútuo em todas as esferas da vida. Envolve abandonar ressentimentos, perdoar, acolher e dialogar com serenidade, mesmo diante das adversidades, inspirado no ensinamento de Jesus: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá." (João 14,27).

 

Nada há de mais libertador que a paz de sermos o que fizemos de nós. Sócrates, o mestre simbólico do caminho, ensina que o guerreiro pacífico não busca invulnerabilidade, mas, vulnerabilidade absoluta ao mundo, à vida e à presença – ou seja, estar plenamente presente, aberto, sem defesas rígidas. O guerreiro age com intenção, não reage com impulsos do passado e navega por ambientes difíceis sem se corromper e sem ser tolo. Sua verdadeira jornada está na transformação interior. Ser agente de transformação no mundo é um chamado ativo e diário para viver a paz como prática concreta, não como ideia abstrata. 

 

A mudança caminha com a consistência, e esta nasce da congruência entre a realidade e suas escolhas – começar onde há controle imediato, com pequenas ações consistentes. Como diz Carl Jung: “Quem olha para dentro, desperta.” Saber-se como uma unidade inseparável, onde a saúde física influencia a mente e o bem-estar espiritual, e vice-versa, preceitua que devemos nos auto cuidar de forma integral, pois, é essencial para o equilíbrio e a harmonia. A aceitação da própria falibilidade é um caminho para a autenticidade e conexão humana real, segundo a psicologia da "espiritualidade da imperfeição". A autenticidade respira liberdade.

 

Neste toar, o legitimo Maçom é aquele que estuda com frequência e que conhece o significado dos símbolos de seu próprio rito; que é assíduo na loja à qual é filiado, arcando e cumprindo com todas as obrigações assumidas com sua potência maçônica e com sua loja; que reflete na própria família os ensinamentos adquiridos nas lojas que frequenta; e que é um exemplo de vida e de compostura diante da sociedade. Liberdade deve exemplar. Como nos concita Paulo de Tarso, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. (Filipenses 4:8)

 

Ser livre e de bons costumes, indiscutivelmente, é uma contundente forma de atestar nossa capacidade de viver livremente ancorados na retidão de caráter e no respeito às normas sociais. É algo extremamente valioso e digno de admiração. Manifesta uma exaltação à liberdade responsável e à integridade moral a bem do melhor convívio. Obras como "Dom Quixote" que exaltam a liberdade e a honra, preceituam essa integridade moral. Liberdade com responsabilidade é o que sustenta o do contrato social – ou seja, o ponto dentro do círculo onde a liberdade individual é contida pela responsabilidade moral e ética – da convivência harmoniosa que ele celebra.

 

Uma vida com dignidade, propósito e autenticidade reflete que ser livre e de bons costumes é um constructo do autorrespeito que se fundamenta no autoconhecimento e no viver alinhado aos próprios valores, presente e vigilante às próprias ações, pensamentos e sentimentos, em vez de viver no piloto automático. Essencialmente, o autorrespeito nasce da responsabilidade – consigo mesmo e com os outros. Sem isso, a liberdade degenera em anarquia, prejudicando a própria capacidade de todos exercerem seus direitos livremente. Eis o lume para a evolução continuada do ecossistema Terra.

 

Trindade, Pernambuco, 29 de Junho de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE 

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