Entender
a relevância da liberdade como guardiã dos direitos humanos, como propiciadora
da livre expressão e, principalmente, no perene combate em prol da inclusão e
da justiça social é o objetivo primeiro daquele que se abnega a tornar feliz a humanidade.
O conceito de liberdade vai além da ausência de restrições externas; abrangendo
dimensões políticas, sociais e existenciais que evoluem continuamente ao longo
da história.
A
busca pela liberdade é o princípio fundamental que impulsiona o ser humano a
agir por vontade própria, autodeterminar-se e buscar autonomia. Pensadores como
Jean-Paul Sartre, a liberdade é a essência do ser humano. Segundo eles, somos
totalmente responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelo futuro que
construímos e cada um destes constructos refletem exatamente aquilo que somos e
que reverberamos por toda a eternidade.
Este
pensar perpetua ecos da filosofia grega que preceitua a liberdade como a capacidade
de agir fisicamente sem restrições, bem como ao direito do cidadão de
participar ativamente das decisões da cidade (pólis) e este retumbo leva
pensadores como Thomas Hobbes a definiram a liberdade como a ausência de
impedimentos à ação humana, o que, tempos adiante, leva a John Locke e a Benjamin
Constant a considera-la como o direito à vida, à propriedade e à não
interferência do Estado na vida privada.
Neste
influxo, movimentos sociais e teóricos nesta contemporaneidade apontam que não
existe liberdade verdadeira se houver opressão ou falta de condições materiais
básicas, como saúde, educação e renda. Por isso, a liberdade de expressão, de
ir e vir, e a liberdade de crença são protegidas por leis e tratados para
resguardar a autonomia humana, lembrando que nossa liberdade finda onde nasce a
liberdade e o direito de d’outrem ou do coletivo.
“Liberdade
significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela” diz
George Bernard Shaw. O desafio democrático é garantir que essa
"circunferência" (os limites) não seja tão apertada a ponto de
sufocar a liberdade, nem tão frouxa que permita a impunidade de abusos.
Expressões que incitem à violência, ao crime, ao racismo ou coloquem em risco a
segurança da coletividade não são protegidas pela liberdade de expressão. O
interesse público deve prevalecer sobre a curiosidade mórbida.
Resolutamente,
as tradições antigas mantem vivo o cultuo ao ponto dentro do círculo ou
circumponto – símbolo ancestral universal que representa a união do indivíduo
(ponto) com o cosmos (círculo) –, à energia divina primordial e ao sol. A
Maçonaria, por exemplo, associa este símbolo à liberdade primordial de
pensamento, expressão e consciência, defendendo que o indivíduo siga seu
próprio caminho espiritual e intelectual dentro dos limites traçados pelo
compasso.
A
liberdade, neste contexto, é percebida na capacidade de manter-se no centro,
agindo com retidão e equilíbrio, sem ser corrompido ou ultrapassar as barreiras
éticas que cercam o indivíduo. Essa liberdade exige que o pensamento não seja meramente
replica do pensamento de alguém. Afinal, um homem que não pensa por si,
brevemente não saberá atar os próprios cadarços. Como Paulo de Tarso afirma: “Deus
não nos deu espírito de covardia, deu-nos sim, de poder, de amor e de domínio
próprio”.
Liberdade
assim exige, naturalmente, respeito – por nós mesmos, inicialmente, e depois,
por tudo criado para coexistir
conosco – e disciplina – primeiramente, para melhor condução de nossas próprias
agências e, após, pelo exemplo, para a guia de muitos a partir de seus feitos e
efeitos salutares a bem do coletivo humano. Envolve respeitar para ser
respeitado, neste agir emerge o respeitável. A verdadeira liberdade vem de uma
gestão interna e ética, em vez da ausência total de restrições.
Ser
livre envolve equilibrar-se, ainda que precariamente, entre estes dois
extremos: a licença para matar dada ao personagem James Bond (007) – alienação
do poder – e a dependência do olhar (alienação da validação). Ainda que vivida
por poucos de nós, a liberdade de ser (autenticidade), implica a
responsabilidade de assumir o próprio destino e arcar com as consequências daquilo
que escolhe para seu destino, sem buscar validação externa ou poder absoluto.
Não
importa o tenebroso tamanho da escuridão: ódio, vaidade, usura, etc., quando a
boa vontade de ser correto, mínima que seja no universo, brilha
inspiradoramente, pois, mesmo no cenário mais hostil, um único ato de retidão
rompe a hegemonia do caos. No fim, a boa vontade funciona como uma bússola
moral: não importa quão perdido o mundo pareça, ela mantém o Norte visível. Essa
visão é virilmente robustecida em Gálatas 6:10, que nos incentiva a fazer o bem
a todos, especialmente aos da família da fé, enquanto se tem oportunidade.
Ao
semearmos bondade, amor e obediência ao que há preestabelecido – seja mundano
e/ou sagrado –, segaremos paz, prosperidade e proeminência, tanto nesta vida,
quanto na porvir. Porém, se semearmos egoísmo, desobediência ou pecado (vícios,
erros, amoralidades e imoralidades), fartamente colheremos corrupção,
desesperanças, infortúnios e pesado julgamento, tanto aqui, quanto na pátria
após o véu. Como afirma Salomão, “tudo quanto vier à mão para realizar, faze-o
com o melhor das tuas forças, porquanto para o Sheol, a sepultura, não há
atividade, reflexão, saber…. Nada!” (Eclesiastes 9:10)
Ao
escolhermos a retidão ainda que numa ambiência corrompida, deixamos de ser mais
um no vale dos comuns para assumimos o lugar que nos compete como “ponto de
referência”. Numa única agência falimos a ilusão – a exaurimos de todas as suas
forças – de que “todo mundo é assim ou de que "não há saída". A
virtude não precisa de maioria para ser verdadeira; ela só precisa existir para
provar que o caos não é absoluto. Essa mentalidade de “serviço” sustenta a
liberdade de sermos o que nos propusemos ser.
Eis
a bússola da vida plena. A liberdade de ser não impõe que sejamos um mito, nem
uma imagem, mas apenas, um ser humano íntegro, que tem no senso de justiça – o
eixo central que sustenta sua estrutura – lhe permitindo perene autoconstrução
de utilidade e harmonia com o mundo ao seu redor. Quanto maior o nível de
consciência de um ser, maior é sua responsabilidade por seus atos dentro dessa
estrutura de justiça social. A singularidade desta visão, desta sensitividade e
desta agência gera uma contagiante energia que somente é abraçada aqueles cujos
propósitos comuns podem manifestar.
Incontestavelmente,
somente ancorados uns nos outros na excelsa prática da humildade e do cuidado,
estaremos aptos à construção de um mundo humanamente justo. Ao vivermos com a
"mente de Cristo", como propõe Paulo de Tarso (Filipenses 2:5),
assumiremos a responsabilidade de promover a unidade, a justiça e o respeito
mútuo em todas as esferas da vida. Envolve abandonar ressentimentos, perdoar,
acolher e dialogar com serenidade, mesmo diante das adversidades, inspirado no
ensinamento de Jesus: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou
como o mundo a dá." (João 14,27).
Nada
há de mais libertador que a paz de sermos o que fizemos de nós. Sócrates, o
mestre simbólico do caminho, ensina que o guerreiro pacífico não busca
invulnerabilidade, mas, vulnerabilidade absoluta ao mundo, à vida e à presença
– ou seja, estar plenamente presente, aberto, sem defesas rígidas. O guerreiro age
com intenção, não reage com impulsos do passado e navega por ambientes difíceis
sem se corromper e sem ser tolo. Sua verdadeira jornada está na transformação
interior. Ser agente de transformação no mundo é um chamado ativo e diário para
viver a paz como prática concreta, não como ideia abstrata.
A
mudança caminha com a consistência, e esta nasce da congruência entre a
realidade e suas escolhas – começar onde há controle imediato, com pequenas
ações consistentes. Como diz Carl Jung: “Quem olha para dentro, desperta.” Saber-se
como uma unidade inseparável, onde a saúde física influencia a mente e o
bem-estar espiritual, e vice-versa, preceitua que devemos nos auto cuidar de
forma integral, pois, é essencial para o equilíbrio e a harmonia. A aceitação
da própria falibilidade é um caminho para a autenticidade e conexão humana
real, segundo a psicologia da "espiritualidade da imperfeição". A
autenticidade respira liberdade.
Neste
toar, o legitimo Maçom é aquele que estuda com frequência e que conhece o
significado dos símbolos de seu próprio rito; que é assíduo na loja à qual é
filiado, arcando e cumprindo com todas as obrigações assumidas com sua potência
maçônica e com sua loja; que reflete na própria família os ensinamentos
adquiridos nas lojas que frequenta; e que é um exemplo de vida e de compostura
diante da sociedade. Liberdade deve exemplar. Como nos concita Paulo de Tarso,
“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que
é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e
se há algum louvor, nisso pensai”. (Filipenses 4:8)
Ser
livre e de bons costumes, indiscutivelmente, é uma contundente forma de atestar
nossa capacidade de viver livremente ancorados na retidão de caráter e no
respeito às normas sociais. É algo extremamente valioso e digno de admiração. Manifesta
uma exaltação à liberdade responsável e à integridade moral a bem do melhor
convívio. Obras como "Dom Quixote" que exaltam a liberdade e a honra,
preceituam essa integridade moral. Liberdade com responsabilidade é o que
sustenta o do contrato social – ou seja, o ponto dentro do círculo onde a
liberdade individual é contida pela responsabilidade moral e ética – da
convivência harmoniosa que ele celebra.
Uma
vida com dignidade, propósito e autenticidade reflete que ser livre e de bons
costumes é um constructo do autorrespeito que se fundamenta no autoconhecimento
e no viver alinhado aos próprios valores, presente e vigilante às próprias
ações, pensamentos e sentimentos, em vez de viver no piloto automático.
Essencialmente, o autorrespeito nasce da responsabilidade – consigo mesmo e com
os outros. Sem isso, a liberdade degenera em anarquia, prejudicando a própria
capacidade de todos exercerem seus direitos livremente. Eis o lume para a
evolução continuada do ecossistema Terra.
Trindade,
Pernambuco, 29 de Junho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE

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