domingo, 19 de abril de 2026

DIA DOS POVOS INDÍGENAS – UM ATO DE RECONHECIMENTO À ANCESTRALIDADE

Este Dia dos Povos Indígenas (19/04) nos lembra que preservar os povos indígenas vai muito mais além do que cuidar da biodiversidade e do futuro climático do planeta, considerando que seus territórios protegem mais de 20% das florestas no Brasil, agindo como barreiras essenciais ao desmatamento. Cuidar deles é proteger os saberes ancestrais, línguas, culturas únicas e modos de vida sustentáveis que nutrem a terra, mas, principalmente, garantir que este legado se lance ao futuro com o vigor que lhe contribuindo para a formação das gerações que virão.

 

Sem passado não há futuro é uma metáfora-convite a conhecer o passado, pois, aprenderemos com erros e sucessos, constituindo a base para tomada de decisões e para ciese de um futuro melhor. Sem essa referência histórica, o risco de repetir os mesmos erros é grande. A história e as experiências passadas são essenciais para moldar o presente e construir um porvir digno. O saber histórico é fundamental para o exercício da cidadania, pois, sem história, não há compreensão dos movimentos sociais e suas implicações.

 

A ancestralidade é um conceito difícil de ser encerrado em uma única definição, pois, é um princípio filosófico – é não somente uma reflexão –, que rompe os muros da academia e chega até a cadeira de sua avó ou de seu avô como voz de sabedoria que conta através de suas oralituras. Os povos indígenas preservam e transmitem seus conhecimentos ancestrais, como práticas de agricultura, medicina, rituais e saberes sobre a natureza. É a herança, a tradição e a história transmitidas de geração em geração. 

 

Cultuar a ancestralidade, portanto, é um modo de interpretar e produzir a realidade, refletindo a ligação com os antepassados, e de favorecer essa transmissão de cultura, costumes, tradições e conhecimentos ao longo das gerações no presente para que repercuta no futuro. Afinal, Nossa história pessoal, cultural ou social forma a base de quem somos hoje. Identidade construída a partir da ancestralidade de quem herdamos valores, crenças, tradições e uma memória coletiva que sustenta nosso senso de pertencimento.

 

Os povos ancestrais distinguem-se em grupos étnicos e culturais que habitavam um território antes da influência de outros povos ou da chegada de colonizadores. No Brasil, isso se aplica principalmente aos povos indígenas, que eram os habitantes originais do território antes da colonização portuguesa. Esses povos são a base da diversidade cultural e linguística do país, com mais de 391 etnias, um montante de 1,7 milhão de habitantes, mantendo vidas cerca de 300 línguas / idiomas (Censo 2022 – IBGE).

 

Os povos originários do Brasil fazem parte de quatro grandes troncos étnicos, que são: aruak; karib; macro-jê; e tupi. Entre os principais grupos indígenas do Brasil, destacam-se os Karajá, Bororo, Kaingang, Yanomani, Guarani, Ticuna, Caingangue, Macuxi, Terena, Guajajara, Xavante, entre outros. Cada povo tem suas próprias tradições, costumes, rituais, línguas e formas de organização social. (Re)conhecê-los é imprescindível para preservar suas culturas e para garantir a defesa de seus direitos, além de sua sobrevivência.

 

De acordo com o Decreto nº 6.040/2007, os povos e comunidades tradicionais são grupos culturalmente diferenciados que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social, e ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa e econômica. A cultura indígena é uma parte fundamental da identidade nacional brasileira, estando presente em diversos aspectos da cultura brasileira como na literatura, na música, nas artes plásticas etc.

 

Longe serem "imagens estáticas de um passado distante”, a cultura indígena adapta-se e transforma-se continuamente. A culinária indígena é rica em ingredientes locais e possui forte influência na culinária brasileira, com pratos à base de mandioca, milho, batata-doce e outros vegetais. O Brasil é um dos países com maior diversidade linguística do mundo. As línguas indígenas são um tesouro cultural, com muitas delas sendo únicas e não relacionadas a outras línguas, embora muitas línguas estejam em risco extinção.

 

Neste fervor, a cultura dos povos indígenas bravamente lança-se ao futuro, enfrentando a perda de território e a imposição de culturas estrangeiras, demonstrando enorme resiliência e adaptabilidade às mudanças – vetores que a mantém viva, desafiando as normas sociais, econômicas e políticas. Ontem, a cultura indígena influenciava a organização social e política, a relação com a natureza e a criação artística. Hoje, valorizada e integrada contribuindo para a riqueza cultural do país, movendo das artes ao turismo.

 

A cultura indígena, com sua visão de mundo e sua relação com a natureza, inspira a busca por um futuro mais justo e sustentável, onde a harmonia entre a humanidade e o planeta seja um valor fundamental.  A vida dos povos indígenas é um mosaico de tradições, saberes e adaptações, onde o passado serve como base para construir um futuro mais justo e sustentável, afinal, sem passado não há futuro. Celebrar, o Dia dos Povos Indígenas é, portanto, um ato de resistência e valorização da diversidade cultural que enriquece a sociedade brasileira, além de reconhecer cidadania destes povos.

 

Historicamente instituída como "Dia do Índio" em 1943, a nomenclatura foi alterada por lei em 2022 para Dia dos Povos Indígenas. Essa mudança é simbólica e respeitosa, pois o termo "indígena" (que significa "originário de um lugar") é considerado mais adequado do que "índio", um termo genérico imposto pelos colonizadores. A escolha do dia 19 de abril remete ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México em 1940, onde lideranças de diversas etnias se reuniram para defender seus direitos. 

 

Embora seja uma data comemorativa, muitos grupos entendem que o 19 de abril é, na verdade, um chamado à luta e resistência, já que ainda persistem desafios significativos como o racismo estrutural e o desmonte de políticas públicas específicas para os povos originários, lembrando que a luta indígena pela sobrevivência de seus territórios é essencial para a preservação da vida de toda a humanidade. Cultuar o Dia dos Povos Indígenas é um ato de reconhecimento à ancestralidade, que serve como horizonte contínuo e não apenas como um registro do passado. 

 

Maranguape, Ceará, 19 de Abril de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIOL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

SEM CONVIVER, NADA EVOLUI

 

Maçonaria é convivência, preceitua José Linhares de Vasconcelos Filho, renomado Médico cearense e atual Past Grão-Mestre de Honra Ad Aeternum da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará (GLMECE) e Soberano Grande Inspetor Litúrgico da 1ª e da 3ª Inspetoria Litúrgica do Ceará do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, status quo que envolvem, claro, conviver bem e melhor a todo tempo.


Conviver é preciso, indubitavelmente. E esta agência se faz prior mesmo perante às diferenças, pois, “ser fraterno”, empático e altero é um dever fundamental que precisa ser praticado para fortalecer, inicialmente o indivíduo, que robustecido dota de força, beleza e sabedoria as instituições e as sociedades que dependem de suas moções para existir e promover o melhor para o ecossistema Terra, onde a humanidade viceja e prolifera.


Conviver é preciso" porque o homem é um ser social e lapidar a própria pedra bruta exige o espelhamento e o convívio com o outro. Tal consciência, nos permite ser mais prósperos e equilibrados, pois, agimos como pensamos e pensamos como agimos. Sob este auspício, Pecotche, criador da ciência, faz-se espelho quando diz que o ser humano é herdeiro de si mesmo. Assim, “lapidar” o ser é "lançar" ao futuro uma herança de capacidades e valores mais elevados.


Assim pensar e, principalmente, assim agir transforma a vida, ao passo que com máxima exatidão torna o individuo um espelho ativo dos próprios aprendizados, focando-os em uma continua mudança interna para influenciar o mundo externo. Ao (re)organizarmos nosso mundo interno, nossas conquistas deixam de ser apenas teorias e para assumir o lugar que lhes compete em nossa essência. Somos o que fazemos habitualmente, sejamos o melhor!


Neste contexto, nossos hábitos imprimem nossa imagem, que reconhecida consolida nosso próprio "eu", nossa identidade (MMIICTMRR) – o olhar do outro molda nossa percepção pessoal. Ao assumirmos a responsabilidade pelo que o espelho (o outro) reflete, transformamos interações em oportunidades de amadurecimento, em vez de julgamento. Precisamos desse contraste para delimitar onde começamos e onde o mundo termina, cuidando para não perder nossa autenticidade.


Leonardo Da Vinci popularizou essa ideia de que o olhar reflete sinceridade e verdade, constituindo um "espelho da alma" que expressa sentimentos genuínos – a autenticidade envolve aceitarmos nosso "eu" integral, incluindo emoções e limitações. Viver autenticamente envolve alinhar as ações aos valores pessoais, em vez de viver para agradarmos a terceiros ou nos moldarmos às expectativas externas. O verdadeiro poder está no uso do espelho para autoconhecimento.


É uma "evolução consciente" – conheça-te a ti mesmo e domine seu mundo interno. O "homem integral" é aquele que alcançou o equilíbrio harmônico entre corpo, mente e espírito, agindo de forma coerente com suas virtudes. Como "espelho", ele reflete valores éticos e maturidade emocional, vetores excelsos para construção de convivências dignas e inclusivas que servem de exemplo de integridade e consciência desperta para a coletividade, fomentando o desenvolvimento humano holístico.


Um exemplo que agiganta quem o contempla. Assim, o abnegado “homem integral”, reúne harmoniosamente as dimensões bio-psico-sociais-emocionais e espirituais, superando a fragmentação da personalidade e a "infância espiritual" (egoísmo, impulsividade) para alcançar a autoconsciência, o amadurecimento emocional e ser um exemplo de equilíbrio, serenidade e alteridade, ajudando outrem a enxergarem o potencial de sua própria evolução, pois, assumiu-se espelho.



Segundo James Clear – Hábitos Atômicos –, cada ação que realizamos é como um "voto" para o tipo de pessoa que queremos ser. São a materialização dos nossos valores, portanto, a legitimidade ("assinatura") de nossa moralidade e de nossos objetivos de vida. Elas fornecem ao cérebro evidências concretas de nossa realidade, o que acaba imprimindo nossa autoimagem, pois, indubitavelmente, nosso cérebro ao observar nosso comportamento (hábitos) para concluir quem somos.


Ser um espelho para os demais implica "o desenvolvimento harmônico do pensar, do sentir e do querer", pois, somente assim, emerge ambiências para o convívio feliz abrigando a humanidade em sua formidável diversidade. O homem integral não culpa o mundo pelos seus problemas, ele assume o leme da própria vida e mostra aos outros que a mudança começa na reforma íntima, que resulta do “conviver”. Aquele que acende a luz do outro é o primeiro a dela se beneficiar.


Em um mundo de extremos, quem cultiva a empatia, a autenticidade e a alteridade torna-se um ponto de referência (um landmark) para quem ainda está perdido em conflitos íntimos e externos. Ao atingirmos esse estado, nossa simples presença "denuncia" o que falta nos outros, porém, "anuncia-lhes", também o que virão a ser. Envolve a sintonia do ser humano com as leis universais e a (re)conciliação do que se pensa, sente e faz, além de auferir virtudes, conhecimentos, sabedoria.


Sob o olhar do Construtor Social, a legitimação ocorre no "nós", onde a preocupação ética com o outro se torna possível ao compreendê-lo como parte de nossa coletividade, não apenas como um indivíduo isolado. O outro é quem nos legitima, ao nos confirmar como seres válidos, com um mundo interno único e digno de respeito, o que é fundamental para o amor, o pertencimento e a construção de relações saudáveis – de boas convivências –, contrapondo o individualismo egoísta.


Sob o fito do reconhecimento do ser, o outro não somente nos vê, ele aceita nosso mundo interno, nossas escolhas e comportamentos – mesmo que diferentes dos dele, sem reduzi-los aos seus erros ou inconsistências – e nos valida em nossa singularidade, ajudando a solidificar quem somos, especialmente em momentos de dúvida. Essa legitimação emerge como um ato de humanidade, construindo uma base de apoio e confiança mútua, ao passo que identifica o indivíduo.


Ver o outro como "legítimo na convivência" é fundamental para o amarmos, cônscios de que não se tenta mudar o outro, mas que se permite que ele seja. Essa aceitação do outro nos torna pertencidos ao grupo social que com ele formamos. O outro é essencial para nossa legitimação ao nos oferecer o espelho e o reconhecimento que nos confirmam como seres humanos completos e valiosos, fortalecidos naquilo identifica e estabelece nosso lugar no mundo que, assim, nos pertence.


A legitimação pelo outro nos traz a sensação de pertencimento. Ser ignorado ou "invisibilizado" é uma das formas mais profundas de sofrimento humano, pois, retira essa validação da nossa existência, o que nos faz perceber que os papéis que desempenhamos (filho, profissional, amigo, irmão) só existem na relação com as outras pessoas. Somente nós nos tornamos "alguém" através do olhar e da resposta que recebemos do mundo ao nosso redor.


Nossa identidade é construída socialmente. Segundo filósofos como Hegel, a consciência de si depende do reconhecimento do outro. Só passamos a ter plena noção de quem somos quando somos "vistos" e validados por outra consciência. Isso reverbera um conceito fundamental da filosofia e da psicologia social: a intersubjetividade que eflui das interações e da comunicação criando significados, experiências comuns e espaços de entendimento recíproco.


O conceito africano de Ubuntu sedimenta perfeitamente a relevância da convivência: "Eu sou porque nós somos", enfatizando que é a teia de conexões que define a identidade de um indivíduo e a interconexão essencial de toda a humanidade. Filósofos como Martin Buber, com seu conceito de relação "Eu-Tu", aduzem que a verdadeira humanidade é fruto do encontro dialógico com o outro. Dialogar pede conviver. Essa ideia é um pilar do existencialismo e do comunitarismo.


O crescimento individual retroalimenta o bem-estar coletivo, e vice-versa. E a comunidade oferece um espaço seguro para partilhar vulnerabilidades, sucessos e desafios. Ouvir narrativas semelhantes ajuda a validar as próprias emoções e a perceber que não se está sozinho nos próprios questionamentos. Através do diálogo, do feedback e de diferentes perspectivas, expande-se consciências e descobre-se novos caminhos para a felicidade social.


Há mais felicidade em dar do que em receber" é certificação de que a generosidade traz uma alegria mais profunda e duradoura do que o ato de receber, pois ao dar, expressamos amor, ajudamos os outros e manifestamos um caráter de abundância, o que gera um ciclo de felicidade e satisfação que supera o prazer momentâneo de ser beneficiado. É um princípio que foca na vida de quem compartilha tempo, bens e amor sem esperar retorno algum. 


Nessa troca: “é dando que se recebe” encontramos um poderoso senso de propósito, pois, mostra que os feitos têm um impacto real e positivo na vida de outras pessoas ou causas. E percebemos que a gratidão surge naturalmente – tanto a gratidão de quem recebe a ajuda quanto a de quem estende a mão a ofertá-la – imprimindo ao significado e satisfação que, somente, a convivência gera. Conviver é um experienciamento que desperta novos propósitos de vida.


Neste toar, a
reflexão do Dr. José Linhares de Vasconcelos Filho sintetiza o verdadeiro espírito da Ordem: o crescimento individual só se concretiza por meio da partilha e da vida em comunidade, robustecendo a certeza de que a maçonaria não é apenas um conjunto de rituais, mas sim, um exercício prático de convivência, fraternidade e união recíproca. Ela é um um modo de vida e um dever para o maçom, que se aplica ao progresso individual e coletivo da sociedade que o acolhe.


Maranguape, Ceará, 16 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo

Jornalista CRP/MTE nº 0005168/CE

quarta-feira, 15 de abril de 2026

BOA VONTADE – NÚCLEO DA ALQUIMIA MORAL

Todo sucesso alcançado tem suas raízes bem fincadas no solo fértil da boa vontade. A boa vontade é a força motriz. Ela faz a beleza dos teus dias e imprime os exemplos de alteridade e abnegação à frente de nossos olhos. Estes hábitos, dão ao homem a integridade que o identifica. Eis o papel fundamental da boa vontade como alicerce do sucesso e da integridade humana.


Resolutamente, a boa vontade não apenas impulsiona conquistas, como também, molda o caráter, refletindo-se em atitudes de alteridade (voltar-se ao outro) e abnegação (renúncia aos próprios interesses em favor do bem comum). Nesse sentido, ela vai além de um simples desejo de fazer o bem – é uma força motriz constante, que transforma intenções em ações éticas e duradouras.


Ao conectarmos a vontade individual aos valores coletivos como a alteridade (o olhar para o outro) e à abnegação transformamos o sucesso em algo muito maior do que um troféu pessoal para que ele assuma-se como um exercício de integridade e caráter. No fim das contas, o que nos define não é apenas o que alcançamos, mas, a consistência ética dos hábitos que cultivamos no caminho.


A atitude interna – essa "boa vontade" – precede qualquer conquista externa. É ela que sustenta a coerência entre o que se pensa, se diz e se faz, conferindo beleza aos dias não por ausência de desafios, mas, pela presença de propósito. Essa disposição interior é o que permite ao indivíduo deixar um legado de integridade, servindo como exemplo vivo para os que o rodeiam e de sustentação de uma sociedade justa e feliz.


A ideia de que a boa vontade precede qualquer conquista externa está profundamente enraizada em diversas tradições filosóficas e espirituais. Mais do que uma simples intenção, a boa vontade é entendida como uma disposição fundamental da alma, capaz de alinhar pensamento, sentimento e ação. É essa coerência interna que confere sentido e beleza à vida, mesmo diante de adversidades.


Começamos aqui a desvelar a importância da boa vontade como o motor central da conduta ética e pessoal, alinhando-se a conceitos filosóficos onde a intenção interna supera o resultado externo. A disposição interna de agir corretamente – a "boa vontade" – é considerada a única coisa intrinsecamente boa, sendo o fundamento da ética antes de qualquer conquista externa ou consequência.


Segundo Kant, uma ação só tem valor moral quando é realizada por dever, não por inclinação ou por esperar um resultado favorável. Mesmo que uma ação motivada pela boa vontade não alcance seu objetivo, a vontade permanece boa. Em Fundamentação da Metafísica dos Costumes, percebemos que o dever surge do respeito à lei moral e a vontade pura age, unicamente, conforme princípios universais.


Além de Kant, outros filósofos também enfatizaram o papel transformador da vontade. Em Platão, a alma é comparada a uma carruagem puxada por cavalos (desejos e instintos), mas guiada por um cocheiro: a vontade, que deve conduzir com sabedoria. Mestres como Eckhart afirmam que fazer a vontade de Deus é o centro da vida espiritual, exigindo uma vontade reta, livre do egoísmo e alinhada ao divino.


Já em Schopenhauer, a vontade é uma força cega e insaciável, fonte do sofrimento humano, mas também da ação. Nietzsche, por sua vez, desenvolve a noção de vontade de potência, como impulso fundamental de afirmação e superação. A vontade fortalecida permite vencer pequenas batalhas internas – como a procrastinação ou a distração – e viver com propósito – sem ele não nada se move; nada vive.


A beleza da vida não reside na facilidade, mas na capacidade de manter princípios éticos diante de desafios, conferindo valor moral à existência. A boa vontade, sempre voluntariosa sustenta a integridade ao alinhar pensamento, palavra e ação. Práticas como a atenção plena, o autodomínio diário e a reflexão constante ajudam a despertar essa força adormecida, sob os auspícios do “ócio divino” de Platão.


Essa ideia de que a vida ganha valor moral não pela ausência de problemas, mas pela postura ética diante deles, é o cerne da dignidade humana. O desafio é o teste da integridade. A "boa vontade" voluntariosa é o motor que nos impede de ceder à conveniência em detrimento do certo. É uma reflexão profunda e muito bem estruturada sobre a ética, a virtude e a condição humana, que ecoa a filosofia estoica e platônica.


Por justo e oportuno, cumpre ressaltar que o "ócio" (skholé) aqui tratado não é preguiça, mas o tempo livre necessário para a contemplação, a reflexão filosófica e o cultivo da alma, longe das urgências imediatistas. É o contraponto perfeito para a correria moderna; ele não é "não fazer nada", mas sim o silêncio necessário para que a alma consiga distinguir o que é essencial do que é apenas urgente.


Viver com essa integridade, portentosamente, transforma a rotina em um exercício ético constante. É, no fim das contas, a diferença entre apenas existir e florescer. É nesse espaço que a força interior desperta. Muitos filósofos chamam-no de caráter temperado: a ideia de que a virtude não é um estado passivo, mas uma conquista ativa sobre as circunstâncias. Aqui a ética deixa de ser mera regra para ser um ato heroico de integridade.


Ética, moral e virtude são conceitos interligados, mas distintos. A ética é a reflexão crítica sobre o que é justo, certo e bom, buscando princípios universais. Já a moral refere-se aos costumes e normas específicas de uma sociedade ou indivíduo, derivada do latim mores. A virtude, por sua vez, é a disposição habitual de agir bem, como coragem, justiça e honestidade, sendo o alicerce do caráter.


Na Ética a Nicômaco, Aristóteles define a virtude como um meio-termo (ou "justa medida") entre dois extremos viciosos — um de excesso e outro de deficiência. Essa posição equilibrada não é determinada pela natureza, mas alcançada pela razão prática (phronesis), guiada pelo hábito. Por exemplo, entre a covardia (falta de coragem) e a temeridade (excesso de coragem), situa-se a virtude da coragem.


Sócrates a entendia como conhecimento: saber o bem leva naturalmente a fazê-lo. Indiscutivelmente, manter princípios diante de desafios é o exercício concreto da virtude. Portanto, o sábio para Sócrates não é apenas quem acumula informações, mas quem incorpora o saber em uma vida justa e virtuosa. Viver a virtude e aspergi-la ao mundo é uma agência da mais excelsa boa vontade.


Essa "aspersão" da virtude no mundo reflete bem a ideia de que a excelência moral não é um estado estático, mas, uma força contagiosa que transforma o meio. Eis o cerne do debate ético clássico: a tensão entre o intelecto (saber o que é certo) e o caráter (ter a força para agir). Um "agir" prático que busca a eudaimonia (felicidade ou florescimento humano) e o bem comum, sobre os quais a sociedade se harmoniza.


Viver a virtude e influenciar o ambiente ao redor transformando o indivíduo e, por extensão, a sociedade. Um empreendimento buscado por gerações e gerações de pensadores, filósofos, magos, etc., cujo protagonismo se faz pleno, ofuscante e, potencialmente, exequível quando a boa vontade ascende ao seu mais elevado nível de excelência operando com galhardia diuturnamente na moldagem do humano melhor.


Essa transformação social é, naturalmente, um reflexo da transformação individual, que jamais se tornaria fática, real e formadora de legados sem magnanimidade da boa vontade. Não sendo à tôa que pensadores clássicos e contemporâneos indicam que a ação ética de um sujeito virtuoso tem o poder de influenciar a comunidade. Essa abordagem é considerada exequível através da repetição consciente do bem.


Quando o indivíduo atinge esse estado de "excelência da boa vontade" – o que os gregos chamavam de Arete ou os estoicos de vida em conformidade com o Logos – ele deixa de apenas reagir ao ambiente e passa a ser a causa das mudanças. É o conceito do exemplo radiante: a virtude é contagiante porque valida a possibilidade de uma vida mais elevada para os outros. Eis o núcleo da alquimia moral!


Maranguape, Ceará, 15 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo

Patroneado por Álvaro Nunes Weyne

Cadeira AIMI nº 9


 


terça-feira, 14 de abril de 2026

O MALHETE PODEROSO DE NIETZSCHE

 

O "Malhete" (martelo) de Nietzsche é habilidoso tanto na tarefa do desmontar para aferir os materiais e as essências, quanto, em companhia do cinzel, é formidável no esculpir das realidades – antes destruídas – dando-lhe a mesma forma, cor, tamanho, etc., mas também, percepções e usos novéis. Essa metáfora representa uma abordagem crítica, perspicaz e criativa que busca destruir valores decadentes para possibilitar novas perspectivas de vida. O martelo não serve unicamente para destruir, mas também como ferramenta de diagnóstico filosófico.

 

Nietzsche não usa o martelo apenas como uma arma de destruição cega, mas como um diapasão para "auscultar o oco" dos "falsos ídolos" da modernidade, da moral cristã e da metafísica tradicional. Oso e falso – falso cognato ou "falso amigo" – ao bater nas verdades absolutas (Platão, moral judaico-cristã), o martelo revela que elas são ocas, frágeis e prejudiciais à vida. Enquanto a Régua de Medição serve para medir o valor de conceitos, desmascarando a decadência e o niilismo disfarçados de virtude.  Embora a imagem do martelo evoque violência, sua função é criadora e afirmativa.

 

A destruição é apenas o primeiro passo, necessário, para liberar espaço para a criação. Ao desmontar velhas crenças, Nietzsche busca "dar nova forma" às realidades humanas, utilizando a transvaloração de todos os valores. Ao contrário de filósofos que negam o mundo sensível, Nietzsche, valoriza a "aparência" (o mundo da arte e da vida) como uma forma de fortalecer o indivíduo. A criação nietzschiana ("esculpir") não busca uma nova verdade universal, mas sim, perspectivas ativas, onde o indivíduo cria seus próprios valores (Übermensch) enquanto se estabelece como homem integral.

 

Assim como o escultor remove o excesso de pedra para revelar a forma escondida, Nietzsche usa o martelo para desbastar as ilusões, enquanto o cinzel representa a precisão na reconstrução.  A destruição não é um fim em si, mas um ato de escultura existencial: após o colapso dos velhos valores, surge a possibilidade de esculpir novas realidades, com novas formas, cores, percepções e usos.  A liberdade conquistada com o martelo é a base para a criação de si mesmo. um ser que, livre das amarras morais herdadas, cria seus próprios valores a partir da vontade de potência.

 

Como Nietzsche diria: "Tens de estar pronto para te queimares na tua própria chama: como te renovarias se primeiro não te tivesses tornado cinzas?" Portanto, o malhete é habilidoso porque sabe exatamente onde bater para derrubar o que é fraco, e formidável ao esculpir, do caos da existência, uma realidade que valoriza a força, a arte e a alegria de viver (o dionisíaco). O "dionisíaco" representa a embriaguez criativa, a aceitação da dor e do prazer, o "sim" à vida com todas as suas contradições. A arte é vista como a grande estimulante da vida – a arte se faz vida, e a vida é amar.

 

Nietzsche define o Amor Fati como "não querer que nada seja diferente, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade". Isso significa abraçar o "fogo" – a dor, o caos e as tragédias – como elementos necessários para se tornar quem se é, ainda que se tenha que destruir as versões anteriores de si mesmo, queimar as crenças antigas e ter a coragem de passar pelo "fogo" do caos para renascer mais forte, como uma fênix. A necessidade de passar pelo fogo é a coragem de ser o criador da própria existência, escolhendo moldar o próprio destino em vez de ser moldado por ele.

 

É a aceitação do ciclo de destruição e criação. Amar o destino é dizer "sim" incondicionalmente à realidade, sem ressentimento ou arrependimento. O sofrimento, nesse contexto, é transformado em ferramenta de aprendizado e força. Portanto, o Amor Fati é o "funeral" da versão antiga de si e o "nascimento" da nova, uma aceitação alegre e dionisíaca de que a destruição é a condição prévia para a criação. Ele é a suprema afirmação da vida, onde o indivíduo abraça sua existência com tal intensidade que desejaria vivê-la da mesma maneira, com todos os seus detalhes, infinitas vezes.

 

Nietzsche pensa que o universo e toda a existência ocorrem de forma autossemelhante e infinita, num ciclo cíclico sem início nem fim. O conceito – diretamente ligado ao amor fati e ao homem integral – funciona como um "teste supremo" para a afirmação da vida, exigindo que o indivíduo viva de modo que deseje reviver sua existência infinitas vezes, tal como ela é. Esse homem – chamado a ser seu próprio legislador – não obedece a códigos externos, embora afirme a vida em todas as suas dimensões – incluindo o sofrimento, o caos e o eterno retorno – um projeto de liberdade e grandeza.

 

Assim, a figura do martelo continua viva no pensamento crítico contemporâneo, livre para desmoronar paradigmas e pujante para estabelecer preceitos. Filósofos como Foucault, Deleuze e Byung-Chul Han retomam a metáfora para desmontar dispositivos de poder, ideologias ocultas e patologias culturais da modernidade. O martelo representa a força destrutiva necessária para expor as falsas verdades que sustentam a cultura ocidental. E essencial para o pensamento crítico, desafiando-nos a questionar o que damos por certo e a ousar criar novos sentidos em um mundo pós-metafísico.

 

Mais do que nunca, precisamos de uma filosofia que não se acomode, que não seja burocrática ou repetitiva.  Cumprindo destacar que a universidade contemporânea muitas vezes "esmaga a criatividade" com exigências de produtividade.  Nesse contexto, filosofar com o martelo é um ato de resistência intelectual. O martelo, portanto, não é apenas um artefato do passado. É uma atitude filosófica viva, necessária para construir um futuro mais autêntico, corajoso e criativo.

 

Essa visão transforma a filosofia de um exercício de arquivamento em uma ferramenta de intervenção. Quando a universidade ou o mercado ditam que o pensamento deve ser "produtivo" (seguindo métricas de quantidade e não de profundidade), eles estão tentando domesticar o martelo. Porém, o martelo de Nietzsche não serve para bater ponto; ele serve para auscultar: bater nos ídolos e nas verdades estabelecidas para ouvir o som oco que eles emitem. O martelo é o que impede que o pensamento vire museu. É a resistência contra a burocratização da alma.

 

Maranguape, Ceará, 14 de Abril de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo

Patroneado por Aderaldo Ferreira de Araújo – Cego Aderaldo

Cadeira ACELP nº 3

segunda-feira, 13 de abril de 2026

1929 – VIU NASCER UM NOTÁVEL DEFENSOR DA LINGUA PORTUGUESA: VICENTE SAMPAIO


Nenhum crescimento, evolução e/ou progresso ocorrem sem que ocorram traumas, portanto, o Brasil em 1929 vivia o fim da República Velha, um período dominado pela oligarquia cafeeira e pela política do "café com leite", sob o governo de Washington Luís Pereira de Sousa. A economia, altamente dependente da exportação de café (o país era responsável por cerca de 70% do comércio mundial), foi devastada pela quebra da Bolsa de Nova York, que causou o colapso dos preços e da demanda internacional.

 

Esse colapso econômico expôs a fragilidade do modelo agroexportador e gerou desemprego massivo e instabilidade social, acelerando o descontentamento de setores urbanos e militares. Foi o estopim direto para a Revolução de 1930, que derrubou a República Velha e inaugurou a Era Vargas.  O evento marcou a transição do Brasil de um país agrário-oligárquico para uma nação em processo de industrialização e com um Estado centralizador e interveniente na economia.

 

Politicamente, em 1929, o Estado do Ceará vivia os últimos momentos da Primeira República e sua economia continuava dependente de setores tradicionais e enfrentava desafios de infraestrutura, enquanto as tensões entre o governo federal e as oligarquias locais preparavam o terreno para as profundas transformações políticas que ocorreriam a partir de 1930. Emerge a Legião Cearense do Trabalho e a Liga Eleitoral Católica que redefiniriam o poder local nas décadas seguintes.

 

Em 1929, o Ceará efervescia ante a intensa explosão jornalística – sendo o ano mais notável pela consolidação da luta pela liberdade de imprensa – e disputa política – emergia a organização da oposição política contra o coronelismo vigente –, marcado pela consolidação do jornal O POVO, fundado por Demócrito Rocha em 7 de janeiro daquele ano com o propósito de apontar o "caminho republicano" e criticar – e combater – o autoritarismo de Moreira da Rocha, à frente do governo estadual.

 

A cidade de Fortaleza com um população 80.000 habitantes, situada no litoral Atlântico com 34 km de praias, em 1929, já começava a se desenvolver como um dos principais centros de conexões do Brasil, com uma economia baseada inicialmente nos setores de serviços e comércio, que posteriormente a tornaria a maior em Produto Interno Bruto (PIB) da região Nordeste. Jacarecanga se destacava como um "bairro chic". O Teatro José de Alencar e o Mercado do Ferro eram marcos da época.

 

Em 1929, a elite fortalezense ditava novos comportamentos, com o objetivo de erradicar costumes considerados rurais da população migrante que chegava à capital fugindo de secas e em busca de oportunidades. A sociabilidade da época era centrada em novos espaços de convivência que imitavam o modelo europeu. Surgiam e se popularizavam cafés, livrarias e clubes sociais. O Náutico Atlético Cearense instalava sua primeira sede na Praia Formosa, próximo à Ponte Metálica.

 

Em 1929, o Maciço de Baturité – conhecido como uma "ilha de umidade"encontrava-se em um ponto crucial de desenvolvimento socioeconômico e infraestrutura, impulsionado pelo auge da cultura do café, que representava cerca de 2% da produção brasileira na época.  Este período marcou a consolidação da Estrada de Ferro de Baturité, inaugurada em 1882 e expandida em 1921 com a estação do Açudinho (atual Alfredo Dutra), vital para escoar a produção cafeeira para o porto de Fortaleza.

 

Com médias pluviométricas anuais superiores a 1.500 mm, o Maciço de Baturité, composto por diversas serras e montanhas, serve historicamente como refúgio para populações sertanejas e é um ambiente de rica biodiversidade, embora já enfrentasse, em 1929, desafios de gestão ambiental e preservação de áreas permanentes. A região era o coração da cafeicultura cearense, produzindo 360.000 quilos de café do tipo Arábica altamente valorizado no mercado europeu.

 

Em 1929, entrou em operação a primeira usina de açúcar do Ceará, localizada no Vale do Acarape (região do Maciço), utilizando maquinário importado dos Estados Unidos. A região que já contava com serviços modernos para a época, como a iluminação elétrica (inaugurada em 1918) e o abastecimento de água (1917), consolidou-se como um centro importante no estado do Ceará, com uma paisagem formidável por sua altitude e vegetação que anima o turismo regional.

 

Em 1929, Palmácia (então conhecida como Palmeiras) era um distrito vinculado a Maranguape e passava por transformações significativas na infraestrutura e economia local. Esse período foi um divisor de águas para Palmácia, o distrito vivia o auge do ciclo do café, que transformou a economia local e impulsionou a construção de casarões coloniais que ainda marcam a paisagem da cidade. Uma forte autonomia social e religiosa, apontava para sua emancipação décadas depois (em 1957).

  

O crescimento populacional ao redor de oratórios e capelas, especialmente com o apoio de lideranças religiosas como o Monsenhor Custódio e, posteriormente, Monsenhor Tabosa – de um "monte de casas" para um arraial estruturado, consolidou o núcleo urbano central de Palmeiras, atual Palmácia. A residência que hoje abriga o Solar dos Sampaio, um importante ponto turístico do município, foi construída neste ano (1929), tornando-se um marco da Família Sampaio Andrade e da história local.

 

Ainda assim, o acesso à Palmácia era o grande desafio. A economia dependia da melhoria dos meios e das vias para escoar a produção agrícola até Maranguape e, de lá, para Fortaleza. Neste ano (1929), dois irmãos alemães, Gerd Emil Brunckhorst e Paul Heinrich Brunckhorst, adquiriram um caminhão para realizar fretes – o primeiro caminhão a transitar pelo Maciço, marcando a transição do transporte animal (tropeiros) para a motorização, o que facilitou o comércio e a logística. 

 

Cônscio de que “Palmácia o aguarda a chegada com o frescor da sombra e o calor da hospitalidade” (1), nela nasce Vicente de Paulo Sampaio Rocha, sob os auspícios da lua nova, no dia 31 de Julho de 1929, destinado a desvelar os mistérios das ciências e das artes – e da vida – com os quais educaria gerações adiante da sua. Vicente veio de uma família de educadores – Neto de Maria Amélia Perdigão Sampaio, primeira professora pública de Palmácia, chegada ao Arraial das Palmeiras em 1897.

 

Dona Maria Amélia fez de sua casa uma escola e prestou significativos serviços ao povo palmaciano, dentre os quais o Arguto Professor Vicente Sampaio, que aos seis anos de idade dela recebeu suas primeiras letras, preparando-se assumir o lugar que a ele competia na Escola Apostólica São Vicente, dos padres lazaristas, onde seu gosto pelo estudo do latim, do grego e das línguas neolatinas, o levaria, mais tarde, a tornar-se um profundo conhecedor do Português e do Espanhol.

 

Quem sai aos seus não degenera, formado em Letras pela Universidade Católica do Ceará, Vicente iniciou suas atividades de magistério no Liceu do Ceará e na Escola Normal Justiniano de Serpa, paradigmas do ensino público em Fortaleza. Também lecionou no Colégio Castelo, na Escola Técnica de Comércio Fênix Caixeral, mantida pela Fênix Caixeral, importante associação beneficente, cultural e educacional de Fortaleza – pioneira na criação e mantença do fundo de previdência no Ceará.   

 

Protagonista, Vicente Sampaio com o apoio do prefeito da época, Francisco Damasceno Filho, inaugurou o Centro Educacional Monsenhor Custódio de Almeida Sampaio em Palmácia em 1966, tendo a prefeitura doado o prédio e a Campanha Nacional de Educandários gratuitos (CNEG) –  hoje, Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC)  mantido os professores e funcionários. Importante reforma no modelo educacional vigente com efeitos significativos nas gerações seguintes.

 

Defensor fervoroso da Língua Português, Vicente fez-se figura central na educação e na cultura do Ceará, destacando-se como escritor, gramático e acadêmico, como o Dicionário de Etimologia, Pronúncia e Termos Jurídicos e o livro “Português nosso de cada dia” – este, em parceria com sua cunhada, a professora Rosimir Espíndola Sampaio –, contribuindo significativamente para o ensino da língua portuguesa e literatura no Estado do Ceará.

 

O esforço descomunal de Vicente em prol da educação do seu povo o imortaliza. A Academia de Letras e Artes do Ceará, que o tem como patrono da cadeira nº 25. Também assim faz a única biblioteca pública de Palmácia que o tem por patrono. As ruas Vicente Sampaio, no bairro Carlito Pamplona e Professor Vicente Sampaio, no bairro Cambeba, ambas em Fortaleza; como também, a Rua Vicente Sampaio, no bairro Basílio, em Palmácia, o mantém vivo na memória dos cearenses.

 

Maranguape, 13 de Abril de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Maria Aurélia Abreu Braga
Cadeira ACLA nº 18 


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