sábado, 25 de outubro de 2025

DOGMA É INFLUXO DE FELICIDADE A PROMANAR SABEDORIA

 


Dogma é influxo de felicidade a promanar sabedoria propõe que a verdadeira sabedoria não nasce da rigidez de regras inquestionáveis, mas sim de uma fonte de felicidade e plenitude. Em vez de ser algo imposto de fora, a sabedoria seria um produto natural e espontâneo de um estado de felicidade interior. A felicidade interior se expressa por meio de uma confiança espontânea, um sorriso genuíno, ou uma atitude tranquila diante dos desafios da vida. É a alegria que simplesmente "é", sem a necessidade de ser provocada.

 

Se dogmatismo é uma postura ou doutrina que defende a existência de verdades absolutas e inquestionáveis, então, crer no Grande Geómetra do Universo, no Grande Arquiteto do Universo, em Jeová, em alah, ou simplesmente em Deus, por si só já é o maior dogma aceito pelos homens desde que seja esta sua fé. Do mesmo modo, não somente crer, mas, reconhecer alguém como irmão de forma sentida, veraz e irrefutável rutila dogmatismo essencial ao melhor viver humano. Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos (2).

 

Ocorre que vivemos por fé e não por vista (3). Desta forma, o credo em algo imaterial é justamente justificável, além de factível. E isto nos imputa o respeito (também, autorrespeito) que é o poder capaz de garantir a paz a partir do amor que devemos ao outro, a quem devemos empatia que pode ser expressa assim: respeito sua verdade, mas, dou-me o direito de cultuar a minha verdade. O que não coíbe a mudança de opinião, que é o mais efusivo sinal de inteligência, posto que, se faz com base evidências e reflexões.

 

A palavra "dogma" foi traduzida no século XVII a partir do latim e significa "princípio filosófico" ou "princípio", é derivado do grego dogma (δόγμα) significa literalmente "aquilo que se pensa que é verdade" e o verbo dokein, "parecer bom". A verdade não tem dono, tem caminhos, afirma Carvalho (4). Uma verdade pode ser demonstrada ainda que não seja reconhecida como verdadeira, por não ser muito clara. Diz-se que é um postulado, pois, precisa ainda de comprovações para se chegar a real verdade.

 

A filosofia tem na investigação da verdade o seu maior valor. Para a corrente filosófica conhecida como relativismo (5) a verdade é relativa, ou seja, não existe uma verdade absoluta que se aplique no plano geral, pois, depende da perspectiva in foco. O relativismo não conota ser adogmático, pois, há CRENÇA na verdade in voga; há DOUTRINA para o emprego desta verdade crida sob a égide de um conjunto coerente de ideias fundamentais transmitidas, ensinadas; portanto, há efervescente DOGMA, claro!  Uma trina sabedoria que alimenta o senso de pertencimento sob qual se une os cativados pelo modus pensante que os faz felizes.

 

Há dogma mais corajoso que a felicidade? A felicidade pode ser formada por diversas emoções e sentimentos, como alegria, contentamento, gratidão, orgulho, otimismo e amor. A felicidade é subjetiva, variando conforme as percepções e experiências individuais.  Destaco que a verdade absoluta é aquela que é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todos. Todos precisam de ar para respirar, por exemplo. “Simples são as palavras da verdade, aclara Ésquilo (5). Simplicidade é aquilo que não é complicado, que é simples e natural. A simplicidade adorna quem é franco, sincero, puro ou inocente.

 

Quem é sincero, diz a verdade. “Verdade não tem caminho. A verdade é viva e, portanto, muda. Abra sua mente para receber novas ideias. Os que não sabem que caminham na escuridão, jamais verão a luz”, ratifica Lee Jun-fan (6). O credo na possibilidade de atingir o conhecimento verdadeiro sobre as coisas, sob o manto dos princípios que o fazem incontestável é o mais alvissareiro fervor do dogmatismo, portanto, qualquer identificação deste conceito com o modus operandi das “chamadas” sociedades secretas não é apenas uma coincidência. É fato vivaz, pois, todas buscam verdades que felicitem a humanidade. E TODAS têm uma CRENÇA a impelir, têm um ritual a praticar ancorado na DOUTRINA cujos ideais propugnados vitalizam o psicodrama representado a partir do ritual. E, como não poderia deixar de tê-lo, têm um DOGMA.

 

O psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar, aprender, treinar ou compreender.  É uma ligação psicológica que enlaça os participes do grupo, a que chamo de relação de pertencimento, ou seja, é a sensação de que se é parte de um grupo, comunidade ou ambiente. A obra artística (psicodrama) é o lugar da verdade como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo, libera um fundamento. Mas, ela somente pode fazer isso enquanto também vela o próprio fundamento, pondera Heidegger (7). Este fundamento é desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria existência.

 

Simbioticamente, a espiritualidade é tudo que é capaz de produzir no ser humano, uma mudança de pensamento, atitudes e conceitos, que o coloque em um novo rumo e lhe ofereça um novo sentido para a vida. Não sendo necessário, claro, de forma alguma, aderir a uma religião determinada, nem seguir uma instituição religiosa para desenvolver a espiritualidade. Presume-se que indivíduos com espiritualidade acentuada são mais cientes do significado que conferem à vida, assim como mais “fortes” e perseverantes.

 

Aponto que o vínculo entre o homem e o divino é pessoal e íntimo, sem manifestações externas, nem rituais, o que me remete ao Egito, ao Templo de Luxor (XIV a.C.) que no átrio anuncia: "O corpo é a casa de Deus”. E, em seu interior, admoesta: “Homem, conhece a ti mesmo, assim conhecerá os deuses”. Na Grécia, no Templo de Delphos (IV a.C.), este saber retumba: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não o acharás em lugar algum".

 

Ressalto que Descartes [filósofo francês, 1596-1650], afirma ter reconhecido o lugar, situado no cérebro humano, de onde emanam a presença e as ações divinas. O Cérebro Triuno que de forma física representa a nossa “casa mais elevada” (segundo André Luiz no livro No Mundo Maior) localizado no lóbulo frontal. Os lobos frontais são o frontispício do cérebro humano e são responsáveis por diversas funções como: o pensamento, o movimento e a linguagem, vetores relevantes para a socialidade. E, também, para a espiritualização! Podemos, seguramente, dizer que nossos cérebro esta formado por uma inteligência: intelectual, emocional e espiritual. 


O termo inteligência espiritual criado pelos pesquisadores Ian Marshall e Danah Zohar (8), inaugurado no livro QS Inteligência Espiritual, fita o conhecimento da espiritualidade como lume para uma vida harmoniosamente direcionada à busca por um enriquecimento do eu interior. Desenvolver essa capacidade é desenvolver a habilidade que permite estabelecer melhor equilíbrio entre a razão e a emoção, impactando de forma positiva a saúde e o bem-estar mental. Lembro, neste momento, da Regra de Ouro estabelecida por São Luis Alberto Hurtado Cruchaga (9): “É bom não fazer o mal; mas, é mal não fazer o bem”. O verdadeiro amor deve levar a praticar o bem (…), a sujar as mãos nas obras de amor.

 

A principal forma de caridade é querer bem as pessoas. Ressalto que o amor fraternal vetoriza um forte sentimento de carinho de uma pessoa por outra, ao ponto dessa pessoa se dedicar e ter um elevado interesse pela outra. A sociedade impõe comportamentos considerados apropriados para a chamada “boa convivência” e os comportamentos fora do padrão vigente são relegados às sombras. Luz para o aceitável, escuridão para o inaceitável. Eis a dualidade!

 

Ressalto que para Platão (10), existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida em duas partes: O mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas autônomas que encontramos na natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o mundo das ideias (realidade inteligível) denominado de “mundo ideal”, ou seja, aproxima-se da ideia de perfeição de algo. Ou seja, através do conhecimento é possível transcender do mundo material ao mundo das ideais e contemplar as ideias perfeitas, alcançando assim, a felicidade.

 

A busca da felicidade através da inteligência espiritual possibilita um processo de melhor conhecimento de si mesmo. Quando os eventos da vida, podem ser pequenos ou grandes, assumem um significado maior, as pessoas que têm uma espiritualidade maior acabam tendo uma capacidade maior em lidar com o estresse, além de serem mais propensas a agradecer pelos eventos agradáveis da vida e a processar com mais estabilidade os desafios. Epicuro (11), cunhou o termo "ataraxia": imperturbabilidade da alma.

 

A felicidade espiritual reflete a paz interior e a satisfação que vêm da fé e da espiritualidade. A fé estimula a produção de dopamina e endorfina, neurotransmissores ligados ao prazer e à redução do estresse. Orar e meditar ajudam a diminuir os níveis de cortisol (hormônio do estresse). Estudos científicos reconhecem que pessoas doentes que assumem uma postura de fé reagem melhor aos procedimentos e se recuperam mais rápido, atingindo um estado de espírito positivo, de bem-estar, contentamento e satisfação.

 

A felicidade pode ser cultivada e aprendida, e é um hábito mental que pode ser vibrante e positivo. Está relacionada com a forma como se percebe o mundo e a qualidade das relações. O budismo busca a felicidade usando conhecimento e prática para atingir a equanimidade mental. Salomão (12) diz que feliz é o homem que encontra a sabedoria. Sabedoria espiritual é um conhecimento profundo e intuitivo sobre a natureza da existência, da consciência e do universo.

 

Embora possa ter diferentes interpretações dependendo da tradição, a sabedoria espiritual, em sua essência, é a capacidade de aplicar esse conhecimento espiritual para viver de forma mais plena e significativa. A sabedoria espiritual envolve uma conexão com algo que transcende o eu, como uma divindade, o universo ou um propósito maior, fulcrando um dogma. Dogma é influxo de felicidade a promanar sabedoria sugere que, se um "dogma" ou crença leva à felicidade, essa mesma felicidade gera uma sabedoria autêntica, uma compreensão profunda da vida e do ser. É uma visão mais poética e idealista, sugerindo que a alegria e o bem-estar são a verdadeira base do conhecimento, e não o oposto. 


REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

(2) Hebreus 11:1. 

(3) 2 Coríntios 5:7.

(4) CARVALHO, Newton Agrella. A Verdade um Bem Inatingível.

(5) ÉSQUILO (Elêusis, c. 525/524 a.C. – Gela, 456/455 a.C.).

(6) JUN-FAN, Lee. Intuição Criativa.

(7) HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição Costa. Lisboa, Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.

(8) MARSHALL, Ian. ZOHAR, Danah. QS Inteligência Espiritual.

(9) CRUCHAGA, São Luis Alberto Hurtado. Regra de Ouro.

(10) PLATÃO (Atenas, Grécia, 428/427 – Atenas, Grécia, 348/347).

(11) EPICURO (fevereiro de 341 a.C., Samos, Grécia – 270 a.C., Atenas, Grécia)

(12) Provérbios 3:13.


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

TEATRO É BEM-ESTAR INTEGRAL, QUE BEM EDUCA!

 


A Educação Artística foi criada para nomear a atividade que visava abordar, de forma integrada, teatro, música, dança e artes plásticas. Por meio da linguagem e da representação, o teatro permite experimentar outras realidades e infinitos.  Assim sendo, em 1961, a Lei de Diretrizes e Bases incluiu o teatro no currículo escolar da educação básica, de forma não obrigatória. E em 1971, a LDB incorporou obrigatoriamente o teatro ao currículo escolar. O teatro é ferramenta pedagógica importante para o desenvolvimento de habilidades como a criatividade, a memorização, a comunicação e a empatia. Dentre os benefícios do teatro na educação destacamos:

  

✔️Estimula a leitura, a escrita e a memorização;

 

✔️Desenvolve a capacidade de trabalho em equipe;

 

✔️Amplia o vocabulário;

 

✔️Desenvolve a coordenação;

 

✔️Estimula o desenvolvimento cognitivo;

 

✔️Permite explorar e compreender histórias complexas;

 

✔️Desenvolve a empatia;

 

✔️Amplia os horizontes na discussão de temas polêmicos;

 

✔️Permite aos alunos se conhecerem e se expressarem melhor.

 

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a leitura de textos dramáticos deve ser abordada de modo a analisar a organização do texto dramático apresentado em diversos meios, como teatro, televisão, cinema, identificando e percebendo os sentidos advindos dos recursos linguísticos e semióticos que sustentam sua realização, teatral, a novela e o filme. O teatro estimula o desenvolvimento cognitivo das crianças de maneiras incríveis. A linguagem teatral dentro de sala de aula possibilita o indivíduo a obter uma boa oralidade, a gesticulação, a dramatização, trabalhando a timidez e explorando mais conhecimentos. Fortemente constrói os valores e princípios para cada discente.

 

No entendimento de Duarte Júnior (2008, p. 65-66), “pela arte somos levados a conhecer melhor nossas experiências e sentimentos, naquilo que escapam à linearidade da linguagem”. Ou seja, o ser humano tem todo um desenvolvimento biológico que lhe possibilita desenvolver sua comunicação através da fala, porém, esta, somente, se desenvolverá se o sujeito estiver incluído num meio sócio-histórico. O teatro possibilita a expressão e a troca de experiências entre os mais diversos sujeitos. Além dos benefícios físicos imediatos, o psicodrama, também, pode melhorar a memória e promover o pensamento abstrato, habilidades valiosas em diversas áreas da vida, incluindo a profissional.

 

O psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar, aprender, treinar ou compreender. Como afirma Japiassu (1998), o teatro possibilita o contato entre as diversas séries da escola, dando um acolhimento para o grupo como um todo.  A relação de pertencimento é esta sensação de que se é parte de um grupo, comunidade ou ambiente. É uma ligação psicológica que enlaça os participes do grupo. Na Psicologia, o teatro é mais do que uma prática lúdica ou instrumento terapêutico, ele pode ser um importante recurso para a promoção de transformações sociais, criação de espaços dialógicos e acesso aos afetos. A arte a favor da vida - eis a chave do pensamento de Nietzsche.

 

A arte transfigura o ser existente, mas, só a tragédia exprime a crença na eternidade da vida. O espírito trágico só pode ser explicado em termos musicais. A arte permite a expressão de emoções que proporcionam o equilíbrio do indivíduo com o meio, levando à sua reorganização psíquica. Esse processo ocorre sempre por via indireta, pois, "a arte nunca gera de si mesma uma ação prática, apenas prepara o organismo para tal ação" (Vigotski, 1965/1999b, p. 314). A terapia teatral é usada em práticas de saúde mental como uma forma de terapia expressiva, através da qual os indivíduos explorarem emoções, praticarem atenção plena e se conectarem com a experiência humana maior.

 

O psicodrama é uma técnica terapêutica que usa o teatro para tratar questões psíquicas, dividido em três etapas, são elas: aquecimento, dramatização e comentários (compartilhamento). Segundo o criador do psicodrama, o psiquiatra romeno Jacob Moreno (1889-1974), a espontaneidade abre portas para o desenvolvimento pessoal e o teatro muito favorece a sinergia interpessoal e grupal.  A obra artística é o lugar da verdade como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo, libera um fundamento. Mas, ela somente pode fazer isso enquanto também vela o próprio fundamento, pondera Heidegger. Este fundamento é desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria existência.

 

O teatro, de fato, proporciona vários benefícios para o ser humano. As artes cênicas são responsáveis por trazer mais clareza sobre o que vivenciamos no dia a dia. O mais conhecido está diretamente relacionado ao autoconhecimento. Este saber, por si só, basta para que qualquer indivíduo se conheça melhor e possa, consequentemente, se tornar alguém melhor. Com isso, a mudança se torna gradativa e constante, como o aumento da autoestima; estímulo da criatividade; aumento do senso de responsabilidade e muito mais. A tríade: quem vê, o que se vê e o que é imaginado é a grande mágica do teatro, que nos leva a grandes reflexões da história interpretada.

 

Aduzimos, portanto, que o teatro deixa os indivíduos mais astutos e mais seguros de si, já que, lhes facilita o entendimento do que é real e o que é imaginário ou ficção e, assim, lhes favorece uma melhor compreensão da sociedade. O teatro favorece a interação entre as pessoas. As histórias contadas e vividas pelos atores trazem o cotidiano de pessoas, lições de vida e posicionamentos sociais relevantes. O teatro retrata comunidades, seus estilos de vida, hábitos de trabalho e senso de identidade O teatro é um espelho cultural, uma ferramenta educativa e um espaço de transformação social.

 

Desta forma, o teatro é considerado uma importante ferramenta para educação e desenvolvimento humano, pois, vai além da vida de um ser humano, sendo capaz de incentivar lhe desde o aumento do intelecto até a preservação da saúde por meio de práticas saudáveis. Dessa maneira, o teatro forma pessoas mais sensíveis, respeitosas, além de colaborar bastante com a formação de pessoas menos preconceituosas, mais tolerantes e com uma visão mais inteligente acerca de tudo. Ao longo do tempo, o teatro se fez uma grande fonte de cultura para as pessoas. 

 

Encenar é uma arte que retoma a tempos mais distantes do que costumamos imaginar. Nos rituais primitivos da humanidade — aproximadamente há 30 mil anos — os povos já utilizavam a encenação como uma maneira de contar histórias. Por isso, o teatro é uma grande ferramenta de comunicação para as massas. Um incontestável poder de imergir os expectadores em conhecimentos e saberes que os conscientize sobre todas as demandas relacionadas à sociedade atual, pois cidadãos melhores a partir de pensamentos mais amplos e reflexivos formados pelo teatro.

 

O teatro e a vida estão em constante conexão e fusão, afinal a vida humana é composta por elementos que muito se assemelham a um teatro. Há o elenco, o figurino, o roteiro, o drama, muitas vezes a comédia, ou a mentira disfarçada de verdade, bem como a verdade inserida em uma encenação proposital. O teatro estrategicamente usado facilita o ensino-aprendizado de temas relacionados à educação em saúde, com base em uma abordagem lúdica e inovadora, conecta o saber popular ao saber científico, promovendo a saúde e à prevenção de agravos, ao passo que exorta a humanização do cuidado.

 

O teatro é uma forma eficaz de exercício físico, tanto quanto uma ida à academia. Rir, uma resposta comum ao teatro de comédia, não apenas envolve uma grande quantidade de músculos, mas também, é comparável ao exercício aeróbico em termos de seus efeitos positivos para a saúde cardiovascular. Além disso, o choro, muitas vezes associado a emoções negativas, tem sido demonstrado em estudos científicos como tendo efeitos calmantes que reduzem a frequência cardíaca e promovem uma sensação de alívio Ressalto: o teatro é bem-estar integral, que bem educa!


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REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

 

(2) Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.

 

(3) Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971.

 

(4) Resolução CNE/CP nº 2, que institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular.

 

(5) DUARTE Jr. João Francisco. Por que arte-educação? PAPIRUS. 2008,

 

(6) JAPIASSU, Ricardo Ottoni Vaz. Jogos teatrais na escola pública. Revista da Faculdade de Educação [online]. 1998, v. 24, n. 2.

 

(7) BENTES. André Luiz. Nietzsche: a Arte e o Poder de Criar Valores. Tese de Doutorado em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia. PUC-Rio 2015.

 

(8) VIGOTSKI, L. S. (1999b). Psicologia da arte (P. Bezerra, Trad.). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Original publicado em 1965).

 

(9) MORENO, Jacob Levy. Teatro da Espontaneidade. São Paulo: Summus Editorial, 1984.

 

(10) HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição Costa. Lisboa, Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

AS BORLAS HARMONIZAM O PROTAGONISMO HUMANO

 

As borlas harmonizam o protagonismo humano reflete uma crítica à superficialidade, indicando que as pessoas se preocupam com detalhes ("borlas") enquanto o verdadeiro papel humano ("protagonismo") se perde em meio a questões menos importantes, ao passo que, refere-se à centralidade do ser humano como agente principal de sua própria história e das transformações sociais e ambientais.

 

No Aurélio, conhece-se borlas como sendo adorno pendente feito de lã, seda etc. Já o coloquialismo moçambiquenho diz ser “borla” a ausência de um professor às aulas. Na cerimônia de formatura, a borla é um símbolo de classificação e realização. As borlas também são muito utilizadas para decorar acessórios como colares, porta-chaves, cachecóis e malas, ou para embelezar roupas, uniformes e fatos.

 

O poder das Tsitsit (franjas ou borlas) que são colocadas nas extremidades das vestimentas de alguns judeus como um mandamento da Torá. Essas franjas servem como um lembrete dos mandamentos divinos e são comumente usadas em talit, um manto de oração judaico. O mandamento a respeito das quatro borlas é mencionado duas vezes na Torah:

 

1- No Livro de Números (Numeros 15: 38-41), quando o povo de Israel saiu do Egito, e da escravidão, ainda no deserto, Deus manda Moisés dizer aos filhos de Israel que no canto de suas vestes façam borlas... para que se lembrassem que pertenciam a Deus, e lembrar-lhes dos mandamentos e praticá-los.

 

2- No Livro de Deuteronômio (Deuteronômios 22: 12), quando Deus determina: “Farás borlas (franjas) nos quatro cantos do manto com que te cobrires”, significando que em qualquer uma das direções (norte, sul, leste e oeste) que os israelitas se voltassem, as borlas os tornariam conscientes da presença de Deus.

 

O número quatro é importante. O número três representa a Divindade. O quarto fio é uma representação da criatura que está entretecida e está ligando a sua vida com a vida do Criador. Todos nós temos que entretecer nossas vidas com a vida D'Ele, pois, assim nos fortalecemos na devida medida em urdimos essa sinergia com o sagrado: tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4:13).

 

Ao se conectar com a fonte criadora, é possível encontrar um senso de propósito e identidade, alinhando-se a um fluxo de vida mais harmonioso e cheio de significado. Em algumas tradições, a sinergia ocorre quando uma comunidade trabalha em conjunto para atingir um propósito maior, fortalecendo a conexão entre todos os seus membros, majorando a interatividade e o senso de pertencimento. 

 

Segundo o Eminente Irmão Pedro Juk, Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB, as quatro borlas que representam no Oriente: a Justiça e a Prudência. E no Ocidente: a Temperança e a Coragem. As borlas não são vistas literalmente (fisicamente) “penduradas” nos quatro cantos da Sala da Loja (Templo), já que essa alegoria está representada em cada um dos quatro cantos da Orla Denteada (Marchetada) que contorna o conjunto simbólico que compõe o Painel da Loja.

 

Para Rui Tinoco de Figueiredo integrante da ARLS 8 DE DEZEMBRO nº 2285 em Campo Grande – MS, as quatro borlas representam, ainda, os quatro elementos: terra, água, ar e fogo, que para filósofos como Empédocles acreditavam que toda a matéria era composta pela combinação desses quatro elementos e cada um deles diferentes qualidades e características essenciais para a vida humana.

 

As quatro borlas remetem, também, aos quatro evangelhos cristãos:

 

O Primeiro Evangelho, conforme a ordem do Novo Testamento (de maior divulgação) é o de Mateus que tem como o símbolo um homem alado (Mateus 1:1). A figura de um homem alado é associada ao elemento ar em diversas tradições. Em tradições como a Cabala e a Golden Dawn, o ar é associado a seres como os silfos. Os Gregos representavam as figuras dos ventos, os Anemoi, como humanos alados.  

 

O Segundo Evangelho que é o de Marcos tem como o símbolo um leão alado (com asas). Uma inferência aos leões cujo habitat natural é o deserto e à tribo de Judá, chamada de Leão, pois, é o poder e a força defensora de Israel contra as demais nações. (Marcos 1:1-8). O leão representa a energia intensa, a coragem, o calor e o entusiasmo do elemento fogo.

 

O Terceiro Evangelho que é o de Lucas traz como símbolo um touro alado (Lucas 1:8-23) Ocorre que tudo começa no Templo de Jerusalém, lugar dos sacrifícios dos bois e carneiros, onde é anunciado o nascimento de João Batista no templo. O touro simboliza o elemento terra, representando a solidez e a capacidade de gerar resultados concretos, como colheitas e pedras preciosas. 

 

O Quarto Evangelho é o de João (João 1:1-18), o mais recente na ordem cronológica de redação tem como símbolo a águia, pois, ela paira nas regiões sublimes e elevadas da consciência. É um evangelho que usa uma linguagem que vai aos céus, por exemplo, vida eterna, nascer pelo Espírito, água viva etc. O elemento água representa emoção, intuição, purificação e a conexão com o inconsciente e o mundo espiritual. 

 

As quatro borlas inferem à observação da pujante e firme presença de quatro ferramentas de trabalho na vida do maçom, das quais emergem a justa perfeição do Saber, do Querer, do Ousar e do Calar, vetores que o distinguem como exímio construtor social:

 

✔️O esquadro que representa a retidão;

 

✔️O compasso que representa a justa medida;

 

✔️O nível que representa a igualdade; e

 

✔️O prumo que representa a justiça.

 

Neste toar, borlas harmonizam o protagonismo humano é uma metáfora para sugerir que detalhes aparentemente pequenos ou superficiais ("borlas") contribuem para a beleza e a complexidade da vida humana ("protagonismo"). Nessa visão, os pequenos prazeres, rituais ou tradições estariam harmonizando a existência humana e dando sentido ao seu protagonismo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

SINCERIDADE, O ELO MAIS BELO DA FRATERNIDADE

 


Sinceridade, o elo mais belo da fraternidade, já que a franqueza e a honestidade são a base mais preciosa e a força de união mais sólida para as relações fraternas. Ela implica que a verdadeira união entre as pessoas, a fraternidade, não se constrói sobre máscaras, convenções ou interesses ocultos, mas sobre a verdade mútua. A fraternidade se manifesta na empatia, no respeito e na compaixão pelo próximo.

 

A sinceridade é o que torna o vínculo fraterno genuíno e sólido. Ela se traduz em uma conduta franca, verdadeira e leal. Sinceridade é dizer o que você realmente pensa, mesmo sabendo que isso pode te prejudicar. Sinceridade é o substantivo feminino que significa a qualidade de uma pessoa sincera. É sinônimo de franqueza, lisura, lhaneza. Uma das definições de sinceridade indicam que é uma mistura de fraqueza e verdade.

 

A Sinceridade é uma virtude incontestável! Do latim sincerĭtas, sinceridade é o modo de se expressar sem mentiras nem fingimentos. O termo está associado à veracidade e à simplicidade. A Sinceridade é altruísta ao trazer junto de si a ideia de aprimorar e acrescentar. Isenta de fingimento ou hipocrisia; adornada de honestidade e franqueza, é evidente que essa qualidade promove bons relacionamentos com outros.

 

No Islã, a probidade da intenção e sua sinceridade são as duas coisas que enaltecem o ato terreno de um homem. A veracidade (Sinceridade) é o pilar do caráter da pessoa digna e o trampolim para sua virtuosidade, pois, “Deus recompensa os verazes, por sua veracidade, e castiga os hipócritas como Lhe apraz; ou então os absolve, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo” (Alcorão 33:24). Assim, o muçulmano é nobre e incorruto em seu agir.

 

Em suas relações sociais, o muçulmano é caracterizado pelas atitudes que o Islã encoraja. Algumas dessas características são: não invejar os outros, cumprir suas promessas, modéstia, paciência, evitar calúnias e obscenidades, não interferir no que não é da sua conta, evitar a fofoca e lançar dúvidas, pois lhe é imputado: "retribui o mal com o bem, e eis, aquele entre o qual e vós houvesse inimizade, se tornará vosso sincero amigo" (Alcorão 41:34).

 

No Sefer Torá (isto é, os Rolos de Torá), a primeira letra da palavra Tamim (integro – perfeito) é escrita com uma letra ‘extragrande’ no fim para enfatizar a importância da palavra. Tamim significa ser ‘inteiro’ no sentido de ser sincero, integro e ‘totalmente empenhado’ com D-us neste mundo. "O que é bom é o que Adonay exige: pratique a justiça (Mishpat), ame a graça (Chesed) e ande humildemente (Hatznea lechet) com o seu D-us" (Miquéias 6:8).

 

Portanto, nos compete ser sinceros: "Tamim tiheié im Eloheichá Adonay" (Deuteronômio 18:13). A qualidade que consiste em exprimir-se com sinceridade conhece-se como honestidade. A pessoa honesta respeita a verdade e estabelece as suas relações sob este parâmetro moral. A sinceridade implica o respeito da verdade (aquilo que se diz em conformidade com o que se pensa ou se sente). Quem é sincero, diz a verdade.

 

A sinceridade é uma qualidade rara. Sim, rara, em especial em tempos em que: enganar, iludir, mentir, tirar proveito etc. é o que mais se tem em vivência. É certo que ser honesto, verdadeiro, sincero é um desafio, pois, requer uma dose extra de coragem, autenticidade, personalidade e, acima de tudo, caráter, qualidades que não são simples e nem fáceis de encontrar hoje em dia.

 

No entanto, cumpre salientar que, "quem anda em sinceridade, anda seguro; mas o que perverte os seus caminhos ficará conhecido" (Provérbios 10:9). A Sinceridade é notável atributo do Homem Virtuoso. Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações, ao contrário disto, ergue-se como um homem-exemplo.

 

No uso de sua mestria, Frederico Cesar Mafra Pereira, membro da Loja Maçônica Ordem E Progresso nº 133, do Grande Oriente do Brasil – Minas Gerais, esclarece que a Sinceridade é uma das três Portas pelas quais passa o Neófito, que, juntamente com a Porta da Coragem e a Porta da Perseverança, representam as três disposições necessárias à procura da Luz da Verdade, sendo o processo de Purificação necessário para livrá-lo dos preconceitos e prepará-lo para receber a Luz e buscar a Sabedoria.

 

Assim sendo, "aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência e lavado o corpo com água pura" (Hebreus 10:22), pois, a Sinceridade é o elo mais belo da Fraternidade. Sem sinceridade, a fraternidade pode ser frágil e superficial. Com ela, a união se torna forte, bela e duradoura, independentemente de suas diferenças. . 

 

A Fraternidade vai além do parentesco de sangue. Refere-se à união de amizade e solidariedade entre todos os seres humanos, que agem como irmãos. Reflete a ideia de que todos os seres humanos são iguais em essência, o que anula hierarquias sociais e preconceitos. Exige a superação do individualismo para que se possa harmonizar com o outro. 

 

A convivência social trabalha sentimentos e aptidões humanas para a arte, a cultura, ação tecnológica, a ciência e a fé, afirma Joanna de Ângelis (FRANCO, Divaldo Pereira. Vida: Desafios e Soluções. Ed. Leal. 2002). A vida social, portanto, está ínsita no processo de evolução das criaturas, encarnadas ou não, já que ninguém consegue a realização espiritual seguindo a sós.

 

Ninguém se deve afastar do convívio com o seu próximo. Ele é a oportunidade para se testar a tolerância e o amor; a gentileza e a fraternidade. A fraternidade é um valor presente em diversas tradições e filosofias, como na ideia de "amar o próximo" e na ação de São Francisco de Assis, que considerava todos os seres como irmãos. Sua origem provém de vários caminhos:

 

✔️ No Bramanismo no livro Mahabharata, 5,1517, encontramos a máxima: “Esta é a súmula do dever: Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti.”

 

✔️ Também no Budismo, em Udanavarga 5,18, encontraremos a busca da fraternidade nas palavras: “Não ofendas os outros por formas que julgarias ofensivas a ti mesmo.”

 

✔️ Voltaremos a encontrar semelhante conselho no livro Analecto, 15,23, do Confucionismo: “Existe máxima pela qual devemos reger-nos durante toda nossa vida? Sem dúvida, é a máxima da bondade e do amor: Não faças aos outros o que não quererias que eles fizessem a ti”.

 

✔️ Encontraremos no Taoísmo outra sentença com força de lei moral: “considera o ganho do próximo como teu próprio ganho e a perda do próximo como tua própria perda.”

 

✔️ No livro Sunan, do Islamismo, encontraremos o ensinamento da Fraternidade: “Nenhum de vós será crente, enquanto não desejar para seu irmão o que deseja para si mesmo.”

 

✔️ No Talmude, Sabbat 31a, o Judaísmo nos ensina: “O que é odioso para ti não o faças ao teu próximo. Essa é toda a Lei; todo o resto é comentário.”

 

✔️ No Cristianismo, temos várias referências, mas entre elas temos a máxima: "Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês." (Romanos 12:10). "Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão." (Provérbios 17:17)

 

✔️ Na maçonaria, a fraternidade enfatiza a relação de igualdade entre os indivíduos, que devem se reconhecer como irmãos, combatendo a ignorância e o preconceito

 

A fraternidade consiste em sua essência em educarmo-nos, instruirmo-nos, corrigindo nossos defeitos, sendo tolerantes para com as crenças de cada um, respeitando os sãos princípios da moral e da razão, expressos, em sua maioria, nos rituais praticados em nosso dia a dia e nos artifícios legais que aprumam os passos da fraternidade, estabelecendo o caminho do excelente convívio onde a felicidade e prosperidade reinam a bem da humanidade, enlaçadas pela sinceridade.


terça-feira, 21 de outubro de 2025

SERIEDADE, UM COMPROMISSO COM A PROSPERIDADE

Seriedade, um compromisso com a prosperidade, reflete o fato de que a prosperidade, nesse contexto, vai além do acúmulo de bens materiais e abrange a plenitude, a evolução espiritual e a capacidade de viver uma vida plena e feliz. Refere-se a honrar seus compromissos, tratar as pessoas com cuidado e atenção, e dedicar-se de forma responsável às suas metas. Seriedade é característica ou particularidade do que ou de quem é sério. Comportamento repleto de honestidade; em que ou em quem se pode confiar. Confiamos no confiável. E respeitamos o respeitável.

 

Segundo Empédocles (Acragas, Agrigento, 495 a.C – Etna, Itália, 430 a.C), "somente os iguais se reconhecem", portanto, o que confiamos nos torna confiáveis, assim como, o que respeitamos nos faz respeitáveis. Seriedade é ser justo e honrar com os seus próprios compromissos. A própria palavra já diz tudo foi a junção de duas palavras o SÉRIO+VERDADE, isto é, ser serio e ser verdadeiro. É ter responsabilidade no que faz. Não há nada que identifique mais um homem bem-sucedido do que um semblante sério, concentrado e responsável. 

 

Há pessoas que, apesar de enfrentarem todo tipo de privações e adversidades, não se esquecem de proceder com seriedade, sabedoria, tolerância e boas maneiras. Mesmo sendo verdade que a natureza primitiva do homem e seu temperamento natural tenham um papel preponderante na formação da sua personalidade como pessoa de temperamento esquentado ou bondosa, séria ou precipitada, correta ou mesquinha, existe uma profunda relação entre a autoconfiança de um homem e seu comportamento solene para com os outros, pois, usa-se os erros como oportunidades de aprendizado e crescimento.

 

A ideia de prosperidade não é vista apenas como riqueza financeira, mas, como a capacidade de ter uma vida equilibrada, plena e em sintonia com seus propósitos e missão de vida. "Na realidade, quanto mais bem-educado e perfeito um homem é, seu coração será grande na mesma proporção, e amplo o alcance da sua tolerância e indulgência. A tradição acima citada explica quais os tipos de homens e seus atos e o valor da grandiosidade e seriedade deles", afirma o Shaikh Mohamad Al Ghazali (22 de setembro de 1917, Al-Buhaira, Egito – março de 1996, Riad, Arábia Saudita).

 

Ser um bom "mordomo" do que se tem hoje é essencial para crescer de maneira sustentável e ser colocado "sobre o muito". "Nada é mais brilhante do que a seriedade. A mais séria das pedras é o brilhante. Para quem sabe ver, o mais brilhante dos estados de alma é a seriedade. A seriedade é hierárquica, visa os cumes, visa o absoluto. O desejo do absoluto é o bater de coração da seriedade. É a alma da intransigência, o impulso da combatividade, a ponte do caminho", esclarece Plínio Correia de Oliveira (13 de dezembro de 1908, São Paulo, São Paulo – 3 de outubro de 1995, São Paulo).

 

A seriedade pode ser definida como:

 

 ✔️A importância ou gravidade de um acontecimento, negócio ou assunto;

 

 ✔️A integridade de caráter, a honestidade e a rectidão;

 

 ✔️A disposição de levar as coisas a sério e de agir de acordo com princípios éticos e morais;

  

✔️A maneira de agir de quem não ri com frequência.

 

A seriedade é essencial para o sucesso em diversas áreas da vida. "Imbuída neste fundamento, a maçonaria é uma comunidade em cujo centro se desenrola um renascimento espiritual do homem. Trata-se de uma evolução para a maturidade, de um processo psíquico e íntimo, para uma iniciação. Para obtê-la, a maçonaria encontrou um método especial que, por meio de repetições ritualísticas e mais um desenvolvimento gradual, põe em andamento o auto encontro e a individualização do homem, para que, conhecendo a si mesmo perceba sua significação na interdependência universal.


Para atingir este estágio elevado da consciência (e assim “descobrir” as verdades ocultas em nesta simbologia) esta pratica ritualística jamais deve ser de forma mecânica e displicente sob pena de estarmos transformando uma prática iniciática milenar em uma medíocre representação teatral, vazia e sem finalidade", conceitua Genaro Ladereche Fígoli, membro da Loja Maçônica Rosa dos Ventos n° 76, circunscrita à Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul. Ressalto que o contrário de seriedade não é alegria, mas, sim descompromisso e falta de responsabilidade.

 

O homem sério e prudente é mais circunspecto; não somente quer ver tudo, mas ver muito e muitas vezes, preceitua Allan Kardec. Neste mister, em sua Carta aos Coríntios Paulo de Tarso exorta: “Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos. Todos os vossos atos sejam feitos com amor" (1 Coríntios 16:13-14). Consideremos, portanto, este desafio de nos comportarmos “varonilmente” – como homens de verdade, homens sérios, cumpridores de suas responsabilidades e compromissos; realizadores de si e construtores de um por vir digno da divindade que há em si.

 

A jornada para construir um futuro digno começa com o reconhecimento da "divindade interior".  Isso exige um profundo mergulho no autoconhecimento para entender as próprias falhas, virtudes e potencialidades. Mediante escolhas certas, as palavras declaradas e as pessoas com quem se convive são elementos que constroem o futuro, segundo algumas linhas de pensamento. Isso implica que a construção do futuro deve refletir os valores mais elevados e não ser conduzida por interesses egoístas. O futuro digno requer integridade, honra e propósito.

 

Cada pessoa tem a capacidade e a responsabilidade de moldar o seu futuro e o mundo ao seu redor, portanto, "procure(mos) nos apresentar ao Criador aprovado(s), como obreiro(s) que não tem do que se envergonhar e que maneja(m) corretamente a palavra da verdade", concita-nos Paulo em sua Carta a Timóteo (2 Timóteo 2:15). Heráclito, por exemplo, associa o conhecimento verdadeiro ao autoconhecimento e à compreensão do cosmos, pois, a "divindade interior" é o guia moral e espiritual do construtor do futuro.

 

A filosofia hindu, especialmente a Vedanta, ensina que o Atman (o eu superior ou alma individual) é idêntico a Brahman (a realidade última e divina). A jornada espiritual é a busca pela realização dessa verdade interior, ou seja, o reconhecimento da própria divindade, o que leva a uma vida mais virtuosa e significativa. O xamanismo também defende a ideia de que "A Divindade está dentro de nós" e busca a conexão com o sagrado por meio do autoconhecimento e da harmonia com a natureza, pois, essa sinergia torna (re)conhecida a realidade e a transforma em força motriz para o progresso coletivo.

 

A interdependência ecológica entre as espécies e os ecossistemas demonstra que a saúde do planeta é uma rede complexa. Um futuro sustentável exige que as ações de cada indivíduo, comunidade e nação sejam vistas como interligadas ao bem-estar do meio ambiente global. A poluição gerada em um país, por exemplo, impacta o clima de todos. A interdependência, em vez de ser uma fraqueza, é um vetor poderoso para a construção de um futuro melhor e mais sustentável para todos sob os auspícios da responsabilidade social.

 

A globalização acentuou a interdependência econômica, mostrando que cadeias de produção e mercados se conectam em escala mundial. A interdependência social destaca que o bem-estar de um indivíduo está ligado ao da comunidade. Questões como pobreza, educação e saúde não são problemas isolados, mas sim desafios compartilhados que exigem cooperação para serem superados. A capacidade de gerar mudanças sociais significativas depende de ações conjuntas e de uma visão compartilhada focada na seriedade como edificadora do melhor futuro para a humanidade.

 

A interdependência como vetor para o melhor futuro é uma perspectiva que transcende a ideia de dependência unilateral ou isolamento. Ao reconhecer que estamos todos interligados na "teia da vida", somos desafiados a agir com mais consciência, empatia e cooperação. Ao invés de resistir à interdependência, a chave é abraçá-la como um caminho necessário para construir uma sociedade mais justa, um ambiente mais saudável e um mundo mais próspero para as gerações presentes e futuras. 

 

Para a construção de um futuro que seja bom, não apenas, para o indivíduo, mas também, para o coletivo é necessário compreender a importância da seriedade e como ela se relaciona com diferentes áreas da vida pode ajudar a cultivar essa qualidade em nosso próprio comportamento e, também, a reconhecê-la nos outros, já que, não existindo esse discernimento, corre-se o risco de fracassarem todos os intentos de autoaprimoramento, do qual depende nossa evolução e progresso. O conceito de "construtor" implica agir de forma diligente, com o propósito e a determinação de um homem sério.

 

Seriedade, um compromisso com a prosperidade, evoca a imagem de alguém que não age por impulso, mas com uma direção clara e uma força de vontade inabalável: um homem sério. Um homem sério que leva os compromissos da vida a sério, seja no trabalho, em um relacionamento ou em seus valores pessoais. Ele é confiável, responsável, consistente em suas ações e tem como estigma a busca perene por aprimoramento, reconhecendo suas falhas e trabalhando para superá-las. É uma vida que assume o controle, define sua missão e persegue-a com disciplina e perseverança. É o oposto de uma vida à deriva, sem rumo e/ou sem compromisso. 


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

20 DE OUTUBRO - UM TRIBUTO AOS POETAS

O poeta e suas argucias fazem o mundo melhor ao oferecer novas perspectivas e estimular o pensamento crítico. Poetas podem questionar o status quo, criticar injustiças sociais e promover a reflexão sobre a realidade. Afinal, a linguagem poética tem o poder de mudar a forma como vemos o mundo, transformando o "automático" em algo maravilhoso e inspirador, especialmente para crianças.

 

Alguns poemas servem como ferramentas para denunciar problemas sociais, como a corrupção ou a desigualdade. O poeta alavanca uma sociedade ética por meio do seu poder de dar voz a questões sociais, de suscitar o pensamento crítico e de expressar as complexidades da experiência humana. Por meio da palavra, o poeta inspira a reflexão, a empatia e a contestação de valores injustos, atuando como uma espécie de consciência moral da sociedade.

 

Ao longo da história os poetas usaram sua arte para denunciar injustiças, clamar por liberdade e igualdade – e para fulcrar as diretrizes da fraternidade universal. Alguns pensadores sugerem que a poesia atua na restauração do "encantamento" no mundo, propondo uma ética ecológica e estética que valoriza a existência humana e a natureza. A poesia resgata a sensibilidade e a capacidade de maravilhar-se, o que é fundamental para a reflexão ética.

 

A poesia estimula a empatia ao revelar as emoções e a subjetividade da experiência humana. Ela pode ser uma ferramenta para o ensino de valores e para a formação de uma cultura humanística, auxiliando na resolução de problemas ao fortalecer o imaginário e a criatividade. A poesia favorece uma visão ampla da sociedade e dos valores vigentes, incentivando o leitor a subverter o que é visto como garantido e a questionar a realidade.

 

O poeta atua como construtor social ao dar voz a grupos marginalizados e moldar percepções, pois, através de sua obra, o poeta, não somente, critica sistemas opressivos, como também, expressa e torna notória a identidade de um povo, inspirando zelo, fidelidade, desinteresse, bondade e o respeito mútuo que são vetores excelsos para o desenvolvimento de um caráter íntegro e para a construção de relações saudáveis.

 

A poesia não se limita a denunciar, mas também, provoca a reflexão sobre a lógica estabelecida, atuando como como instrumento de inclusão social ao conscientizar sobre preconceitos e promover a expressão de diversas realidades. Por meio de oficinas, saraus e projetos literários, a poesia incentiva a participação ativa da sociedade, fortalece a autoestima e constrói pontes de diálogo e reconhecimento entre as pessoas.

 

Essa ferramenta, além de aplicada na educação para alfabetizar e engajar alunos, é usada, também, como veículo de expressão para idosos, pessoas com deficiência, população em situação de rua etc., conforme visível em projetos como o “Versos da Liberdade” e demais iniciativas que levam a poesia a escolas, cujos auspícios incitam a socialização, o fortalecimento do convívio estabelecendo as bases para uma ambiência social que valoriza a pluralidade.

 

O poeta é o "arquiteto da vida plena" porque usa a linguagem de forma rigorosa e precisa para construir, estruturar e organizar tanto a sua própria percepção quanto a de seus leitores sobre a realidade. Assim como um arquiteto projeta edifícios, o poeta molda palavras e ritmos, onde cada verso, cada palavra, é cuidadosamente lapidada para alcançar a forma mais adequada, capaz de dar sentido e beleza ao caos da existência humana. 

 

A poesia de João Cabral de Melo Neto, por exemplo, é marcada pelo rigor formal, sendo chamado de "poeta engenheiro" ou "arquiteto" por sua abordagem racional à linguagem. Sua obra busca organizar o caos e dar forma à experiência humana, tornando-a mais compreensível e palpável. Ao construir sua obra, o poeta não apenas expressa suas próprias emoções, mas também, oportuniza uma forma de reestruturar percepções do mundo. 

 

Como um arquiteto concebe espaços que transformam a forma como vivemos, cria universos inteiros a partir de palavras, influenciando a forma de interatividade com a realidade, através da criação de imagens impactantes, narrativas, e da exploração de diferentes "linhas" da existência, como o pensamento, o sonho, a memória e a sensibilidade, inaugurando novéis instancias de imersividade com a qual evoluciona o viver humano.

 

O poeta, e sua obra, desempenham um papel crucial na evolução social, atuando como um cronista de seu tempo e um catalisador de mudanças. Na Grécia Antiga, por exemplo, os poetas eram vistos como porta-vozes dos deuses e o papel da poesia era fundamental na formação do indivíduo. Escritores como Castro Alves, por exemplo, usaram a poesia no século XIX para denunciar a escravidão em poemas como "O navio negreiro".

 

Vinícius de Moraes que em sua poesia analisou temas sociais e o papel do intelectual em uma sociedade desigual, questionando a "culpa de classe" e expressando solidariedade com os mais pobres, criaou uma conexão profunda com o leitor e fomentou a empatia. Como afirma o crítico literário Antonio Candido, a poesia desperta a humanidade nas pessoas e desenvolve a compreensão humana representando suas vivências e lutas.  

 

Poetas como Carlos Drummond de Andrade se engajaram politicamente, influenciando suas obras e manifestando suas ideologias em tempos de transformação social, a exemplo da lavra de Joaquim de Sousa Andrade, expoente da terceira geração do Romantismo, cujas obras mais importantes foram produzidas durante o período da independência, lutando pela emancipação democrática da nação brasileira.

 

O papel do poeta na sociedade evoluiu com o tempo. Embora o século XX tenha visto uma mudança de popularidade dos poetas para outras formas de arte de massa, o impacto da poesia na consciência social permanece significativo. A poesia, hoje, continua sendo uma forma de resistência e um pilar das humanidades, moldando a cultura e inspirando mudanças ao refletir a essência da experiência humana a partir do olhar supra-humano do poeta. 

 


CARIDOSO DIA PARA TODOS NÓS!

  Eis que o dia hoje (05/09) resplandece, é Dia do Irmão! Cuidem, pois, o primeiro irmão a ser festejado somos nós mesmos, já que, somente q...