quinta-feira, 23 de outubro de 2025

AS BORLAS HARMONIZAM O PROTAGONISMO HUMANO

 

As borlas harmonizam o protagonismo humano reflete uma crítica à superficialidade, indicando que as pessoas se preocupam com detalhes ("borlas") enquanto o verdadeiro papel humano ("protagonismo") se perde em meio a questões menos importantes, ao passo que, refere-se à centralidade do ser humano como agente principal de sua própria história e das transformações sociais e ambientais.

 

No Aurélio, conhece-se borlas como sendo adorno pendente feito de lã, seda etc. Já o coloquialismo moçambiquenho diz ser “borla” a ausência de um professor às aulas. Na cerimônia de formatura, a borla é um símbolo de classificação e realização. As borlas também são muito utilizadas para decorar acessórios como colares, porta-chaves, cachecóis e malas, ou para embelezar roupas, uniformes e fatos.

 

O poder das Tsitsit (franjas ou borlas) que são colocadas nas extremidades das vestimentas de alguns judeus como um mandamento da Torá. Essas franjas servem como um lembrete dos mandamentos divinos e são comumente usadas em talit, um manto de oração judaico. O mandamento a respeito das quatro borlas é mencionado duas vezes na Torah:

 

1- No Livro de Números (Numeros 15: 38-41), quando o povo de Israel saiu do Egito, e da escravidão, ainda no deserto, Deus manda Moisés dizer aos filhos de Israel que no canto de suas vestes façam borlas... para que se lembrassem que pertenciam a Deus, e lembrar-lhes dos mandamentos e praticá-los.

 

2- No Livro de Deuteronômio (Deuteronômios 22: 12), quando Deus determina: “Farás borlas (franjas) nos quatro cantos do manto com que te cobrires”, significando que em qualquer uma das direções (norte, sul, leste e oeste) que os israelitas se voltassem, as borlas os tornariam conscientes da presença de Deus.

 

O número quatro é importante. O número três representa a Divindade. O quarto fio é uma representação da criatura que está entretecida e está ligando a sua vida com a vida do Criador. Todos nós temos que entretecer nossas vidas com a vida D'Ele, pois, assim nos fortalecemos na devida medida em urdimos essa sinergia com o sagrado: tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4:13).

 

Ao se conectar com a fonte criadora, é possível encontrar um senso de propósito e identidade, alinhando-se a um fluxo de vida mais harmonioso e cheio de significado. Em algumas tradições, a sinergia ocorre quando uma comunidade trabalha em conjunto para atingir um propósito maior, fortalecendo a conexão entre todos os seus membros, majorando a interatividade e o senso de pertencimento. 

 

Segundo o Eminente Irmão Pedro Juk, Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB, as quatro borlas que representam no Oriente: a Justiça e a Prudência. E no Ocidente: a Temperança e a Coragem. As borlas não são vistas literalmente (fisicamente) “penduradas” nos quatro cantos da Sala da Loja (Templo), já que essa alegoria está representada em cada um dos quatro cantos da Orla Denteada (Marchetada) que contorna o conjunto simbólico que compõe o Painel da Loja.

 

Para Rui Tinoco de Figueiredo integrante da ARLS 8 DE DEZEMBRO nº 2285 em Campo Grande – MS, as quatro borlas representam, ainda, os quatro elementos: terra, água, ar e fogo, que para filósofos como Empédocles acreditavam que toda a matéria era composta pela combinação desses quatro elementos e cada um deles diferentes qualidades e características essenciais para a vida humana.

 

As quatro borlas remetem, também, aos quatro evangelhos cristãos:

 

O Primeiro Evangelho, conforme a ordem do Novo Testamento (de maior divulgação) é o de Mateus que tem como o símbolo um homem alado (Mateus 1:1). A figura de um homem alado é associada ao elemento ar em diversas tradições. Em tradições como a Cabala e a Golden Dawn, o ar é associado a seres como os silfos. Os Gregos representavam as figuras dos ventos, os Anemoi, como humanos alados.  

 

O Segundo Evangelho que é o de Marcos tem como o símbolo um leão alado (com asas). Uma inferência aos leões cujo habitat natural é o deserto e à tribo de Judá, chamada de Leão, pois, é o poder e a força defensora de Israel contra as demais nações. (Marcos 1:1-8). O leão representa a energia intensa, a coragem, o calor e o entusiasmo do elemento fogo.

 

O Terceiro Evangelho que é o de Lucas traz como símbolo um touro alado (Lucas 1:8-23) Ocorre que tudo começa no Templo de Jerusalém, lugar dos sacrifícios dos bois e carneiros, onde é anunciado o nascimento de João Batista no templo. O touro simboliza o elemento terra, representando a solidez e a capacidade de gerar resultados concretos, como colheitas e pedras preciosas. 

 

O Quarto Evangelho é o de João (João 1:1-18), o mais recente na ordem cronológica de redação tem como símbolo a águia, pois, ela paira nas regiões sublimes e elevadas da consciência. É um evangelho que usa uma linguagem que vai aos céus, por exemplo, vida eterna, nascer pelo Espírito, água viva etc. O elemento água representa emoção, intuição, purificação e a conexão com o inconsciente e o mundo espiritual. 

 

As quatro borlas inferem à observação da pujante e firme presença de quatro ferramentas de trabalho na vida do maçom, das quais emergem a justa perfeição do Saber, do Querer, do Ousar e do Calar, vetores que o distinguem como exímio construtor social:

 

✔️O esquadro que representa a retidão;

 

✔️O compasso que representa a justa medida;

 

✔️O nível que representa a igualdade; e

 

✔️O prumo que representa a justiça.

 

Neste toar, borlas harmonizam o protagonismo humano é uma metáfora para sugerir que detalhes aparentemente pequenos ou superficiais ("borlas") contribuem para a beleza e a complexidade da vida humana ("protagonismo"). Nessa visão, os pequenos prazeres, rituais ou tradições estariam harmonizando a existência humana e dando sentido ao seu protagonismo.

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