A Educação
Artística foi criada para nomear a atividade que visava abordar, de forma
integrada, teatro, música, dança e artes plásticas. Por meio da linguagem e da
representação, o teatro permite experimentar outras realidades e
infinitos. Assim sendo, em 1961, a Lei de Diretrizes e Bases incluiu o
teatro no currículo escolar da educação básica, de forma não obrigatória. E em
1971, a LDB incorporou obrigatoriamente o teatro ao currículo escolar. O teatro
é ferramenta pedagógica importante para o desenvolvimento de habilidades como a
criatividade, a memorização, a comunicação e a empatia. Dentre os
benefícios do teatro na educação destacamos:
✔️Estimula
a leitura, a escrita e a memorização;
✔️Desenvolve
a capacidade de trabalho em equipe;
✔️Amplia
o vocabulário;
✔️Desenvolve
a coordenação;
✔️Estimula
o desenvolvimento cognitivo;
✔️Permite
explorar e compreender histórias complexas;
✔️Desenvolve
a empatia;
✔️Amplia
os horizontes na discussão de temas polêmicos;
✔️Permite
aos alunos se conhecerem e se expressarem melhor.
De
acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a leitura de textos
dramáticos deve ser abordada de modo a analisar a organização do texto
dramático apresentado em diversos meios, como teatro, televisão, cinema,
identificando e percebendo os sentidos advindos dos recursos linguísticos e
semióticos que sustentam sua realização, teatral, a novela e o filme. O
teatro estimula o desenvolvimento cognitivo das crianças de maneiras incríveis.
A linguagem teatral dentro de sala de aula possibilita o indivíduo a obter uma
boa oralidade, a gesticulação, a dramatização, trabalhando a timidez e
explorando mais conhecimentos. Fortemente constrói os valores e princípios
para cada discente.
No
entendimento de Duarte Júnior (2008, p. 65-66), “pela arte somos levados a
conhecer melhor nossas experiências e sentimentos, naquilo que escapam à
linearidade da linguagem”. Ou seja, o ser humano tem todo um desenvolvimento
biológico que lhe possibilita desenvolver sua comunicação através da fala,
porém, esta, somente, se desenvolverá se o sujeito estiver incluído num meio
sócio-histórico. O teatro possibilita a expressão e a troca de experiências
entre os mais diversos sujeitos. Além dos benefícios físicos imediatos, o
psicodrama, também, pode melhorar a memória e promover o pensamento
abstrato, habilidades valiosas em diversas áreas da vida, incluindo a
profissional.
O
psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar,
aprender, treinar ou compreender. Como afirma Japiassu (1998), o teatro
possibilita o contato entre as diversas séries da escola, dando um acolhimento
para o grupo como um todo. A relação de
pertencimento é esta sensação de que se é parte de um grupo, comunidade ou
ambiente. É uma ligação psicológica que enlaça os participes do grupo. Na
Psicologia, o teatro é mais do que uma prática lúdica ou instrumento
terapêutico, ele pode ser um importante recurso para a promoção de
transformações sociais, criação de espaços dialógicos e acesso aos afetos. A
arte a favor da vida - eis a chave do pensamento de Nietzsche.
A
arte transfigura o ser existente, mas, só a tragédia exprime a crença na
eternidade da vida. O espírito trágico só pode ser explicado em termos
musicais. A arte permite a expressão de emoções que proporcionam o equilíbrio
do indivíduo com o meio, levando à sua reorganização psíquica. Esse processo
ocorre sempre por via indireta, pois, "a arte nunca gera de si mesma uma
ação prática, apenas prepara o organismo para tal ação" (Vigotski,
1965/1999b, p. 314). A terapia teatral é usada em práticas de saúde mental
como uma forma de terapia expressiva, através da qual os indivíduos explorarem
emoções, praticarem atenção plena e se conectarem com a experiência humana
maior.
O psicodrama
é uma técnica terapêutica que usa o teatro para tratar questões psíquicas, dividido
em três etapas, são elas: aquecimento, dramatização e comentários
(compartilhamento). Segundo o criador do psicodrama, o psiquiatra romeno Jacob
Moreno (1889-1974), a espontaneidade abre portas para o desenvolvimento pessoal
e o teatro muito favorece a sinergia interpessoal e grupal. A obra
artística é o lugar da verdade como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo,
libera um fundamento. Mas, ela somente pode fazer isso enquanto também vela o
próprio fundamento, pondera Heidegger. Este fundamento é desvelar ao indivíduo
algo sobre sua própria existência.
O
teatro, de fato, proporciona vários benefícios para o ser humano. As
artes cênicas são responsáveis por trazer mais clareza sobre o que vivenciamos
no dia a dia. O mais conhecido está diretamente relacionado ao
autoconhecimento. Este saber, por si só, basta para que qualquer indivíduo se
conheça melhor e possa, consequentemente, se tornar alguém melhor. Com isso, a
mudança se torna gradativa e constante, como o aumento da autoestima; estímulo
da criatividade; aumento do senso de responsabilidade e muito mais. A tríade:
quem vê, o que se vê e o que é imaginado é a grande mágica do teatro, que nos
leva a grandes reflexões da história interpretada.
Aduzimos,
portanto, que o teatro deixa os indivíduos mais astutos e mais seguros de si,
já que, lhes facilita o entendimento do que é real e o que é imaginário ou
ficção e, assim, lhes favorece uma melhor compreensão da sociedade. O teatro
favorece a interação entre as pessoas. As histórias contadas e vividas pelos
atores trazem o cotidiano de pessoas, lições de vida e posicionamentos sociais
relevantes. O teatro retrata comunidades, seus estilos de vida, hábitos de
trabalho e senso de identidade O teatro é um espelho cultural, uma ferramenta
educativa e um espaço de transformação social.
Desta
forma, o teatro é considerado uma importante ferramenta para educação e
desenvolvimento humano, pois, vai além da vida de um ser humano, sendo capaz de
incentivar lhe desde o aumento do intelecto até a preservação da saúde por meio
de práticas saudáveis. Dessa maneira, o teatro forma pessoas mais sensíveis,
respeitosas, além de colaborar bastante com a formação de pessoas menos
preconceituosas, mais tolerantes e com uma visão mais inteligente acerca de
tudo. Ao longo do tempo, o teatro se fez uma grande fonte de cultura para as
pessoas.
Encenar
é uma arte que retoma a tempos mais distantes do que costumamos imaginar. Nos
rituais primitivos da humanidade — aproximadamente há 30 mil anos — os povos já
utilizavam a encenação como uma maneira de contar histórias. Por isso, o teatro
é uma grande ferramenta de comunicação para as massas. Um incontestável poder
de imergir os expectadores em conhecimentos e saberes que os conscientize sobre
todas as demandas relacionadas à sociedade atual, pois cidadãos melhores a
partir de pensamentos mais amplos e reflexivos formados pelo teatro.
O
teatro e a vida estão em constante conexão e fusão, afinal a vida humana é
composta por elementos que muito se assemelham a um teatro. Há o elenco, o
figurino, o roteiro, o drama, muitas vezes a comédia, ou a mentira disfarçada
de verdade, bem como a verdade inserida em uma encenação proposital. O teatro
estrategicamente usado facilita o ensino-aprendizado de temas relacionados à
educação em saúde, com base em uma abordagem lúdica e inovadora, conecta o
saber popular ao saber científico, promovendo a saúde e à prevenção de agravos,
ao passo que exorta a humanização do cuidado.
O
teatro é uma forma eficaz de exercício físico, tanto quanto uma ida à
academia. Rir, uma resposta comum ao teatro de comédia, não apenas envolve
uma grande quantidade de músculos, mas também, é comparável ao exercício
aeróbico em termos de seus efeitos positivos para a saúde
cardiovascular. Além disso, o choro, muitas vezes associado a emoções
negativas, tem sido demonstrado em estudos científicos como tendo efeitos
calmantes que reduzem a frequência cardíaca e promovem uma sensação de alívio Ressalto:
o teatro é bem-estar integral, que bem educa!
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REFERÊNCIAS
INSPIRADORAS
(2) Lei
nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
(3) Lei
nº 5.692, de 11 de agosto de 1971.
(4) Resolução
CNE/CP nº 2, que institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum
Curricular.
(5)
DUARTE Jr. João Francisco. Por que arte-educação? PAPIRUS. 2008,
(6) JAPIASSU,
Ricardo Ottoni Vaz. Jogos teatrais na escola pública. Revista da Faculdade de
Educação [online]. 1998, v. 24, n. 2.
(7)
BENTES. André Luiz. Nietzsche: a Arte e o Poder de Criar Valores. Tese de
Doutorado em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia. PUC-Rio
2015.
(8) VIGOTSKI,
L. S. (1999b). Psicologia da arte (P. Bezerra, Trad.). São Paulo, SP: Martins
Fontes. (Original publicado em 1965).
(9)
MORENO, Jacob Levy. Teatro da Espontaneidade. São Paulo: Summus Editorial,
1984.
(10)
HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição
Costa. Lisboa, Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.

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