sábado, 25 de outubro de 2025

DOGMA É INFLUXO DE FELICIDADE A PROMANAR SABEDORIA

 


Dogma é influxo de felicidade a promanar sabedoria propõe que a verdadeira sabedoria não nasce da rigidez de regras inquestionáveis, mas sim de uma fonte de felicidade e plenitude. Em vez de ser algo imposto de fora, a sabedoria seria um produto natural e espontâneo de um estado de felicidade interior. A felicidade interior se expressa por meio de uma confiança espontânea, um sorriso genuíno, ou uma atitude tranquila diante dos desafios da vida. É a alegria que simplesmente "é", sem a necessidade de ser provocada.

 

Se dogmatismo é uma postura ou doutrina que defende a existência de verdades absolutas e inquestionáveis, então, crer no Grande Geómetra do Universo, no Grande Arquiteto do Universo, em Jeová, em alah, ou simplesmente em Deus, por si só já é o maior dogma aceito pelos homens desde que seja esta sua fé. Do mesmo modo, não somente crer, mas, reconhecer alguém como irmão de forma sentida, veraz e irrefutável rutila dogmatismo essencial ao melhor viver humano. Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos (2).

 

Ocorre que vivemos por fé e não por vista (3). Desta forma, o credo em algo imaterial é justamente justificável, além de factível. E isto nos imputa o respeito (também, autorrespeito) que é o poder capaz de garantir a paz a partir do amor que devemos ao outro, a quem devemos empatia que pode ser expressa assim: respeito sua verdade, mas, dou-me o direito de cultuar a minha verdade. O que não coíbe a mudança de opinião, que é o mais efusivo sinal de inteligência, posto que, se faz com base evidências e reflexões.

 

A palavra "dogma" foi traduzida no século XVII a partir do latim e significa "princípio filosófico" ou "princípio", é derivado do grego dogma (δόγμα) significa literalmente "aquilo que se pensa que é verdade" e o verbo dokein, "parecer bom". A verdade não tem dono, tem caminhos, afirma Carvalho (4). Uma verdade pode ser demonstrada ainda que não seja reconhecida como verdadeira, por não ser muito clara. Diz-se que é um postulado, pois, precisa ainda de comprovações para se chegar a real verdade.

 

A filosofia tem na investigação da verdade o seu maior valor. Para a corrente filosófica conhecida como relativismo (5) a verdade é relativa, ou seja, não existe uma verdade absoluta que se aplique no plano geral, pois, depende da perspectiva in foco. O relativismo não conota ser adogmático, pois, há CRENÇA na verdade in voga; há DOUTRINA para o emprego desta verdade crida sob a égide de um conjunto coerente de ideias fundamentais transmitidas, ensinadas; portanto, há efervescente DOGMA, claro!  Uma trina sabedoria que alimenta o senso de pertencimento sob qual se une os cativados pelo modus pensante que os faz felizes.

 

Há dogma mais corajoso que a felicidade? A felicidade pode ser formada por diversas emoções e sentimentos, como alegria, contentamento, gratidão, orgulho, otimismo e amor. A felicidade é subjetiva, variando conforme as percepções e experiências individuais.  Destaco que a verdade absoluta é aquela que é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todos. Todos precisam de ar para respirar, por exemplo. “Simples são as palavras da verdade, aclara Ésquilo (5). Simplicidade é aquilo que não é complicado, que é simples e natural. A simplicidade adorna quem é franco, sincero, puro ou inocente.

 

Quem é sincero, diz a verdade. “Verdade não tem caminho. A verdade é viva e, portanto, muda. Abra sua mente para receber novas ideias. Os que não sabem que caminham na escuridão, jamais verão a luz”, ratifica Lee Jun-fan (6). O credo na possibilidade de atingir o conhecimento verdadeiro sobre as coisas, sob o manto dos princípios que o fazem incontestável é o mais alvissareiro fervor do dogmatismo, portanto, qualquer identificação deste conceito com o modus operandi das “chamadas” sociedades secretas não é apenas uma coincidência. É fato vivaz, pois, todas buscam verdades que felicitem a humanidade. E TODAS têm uma CRENÇA a impelir, têm um ritual a praticar ancorado na DOUTRINA cujos ideais propugnados vitalizam o psicodrama representado a partir do ritual. E, como não poderia deixar de tê-lo, têm um DOGMA.

 

O psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar, aprender, treinar ou compreender.  É uma ligação psicológica que enlaça os participes do grupo, a que chamo de relação de pertencimento, ou seja, é a sensação de que se é parte de um grupo, comunidade ou ambiente. A obra artística (psicodrama) é o lugar da verdade como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo, libera um fundamento. Mas, ela somente pode fazer isso enquanto também vela o próprio fundamento, pondera Heidegger (7). Este fundamento é desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria existência.

 

Simbioticamente, a espiritualidade é tudo que é capaz de produzir no ser humano, uma mudança de pensamento, atitudes e conceitos, que o coloque em um novo rumo e lhe ofereça um novo sentido para a vida. Não sendo necessário, claro, de forma alguma, aderir a uma religião determinada, nem seguir uma instituição religiosa para desenvolver a espiritualidade. Presume-se que indivíduos com espiritualidade acentuada são mais cientes do significado que conferem à vida, assim como mais “fortes” e perseverantes.

 

Aponto que o vínculo entre o homem e o divino é pessoal e íntimo, sem manifestações externas, nem rituais, o que me remete ao Egito, ao Templo de Luxor (XIV a.C.) que no átrio anuncia: "O corpo é a casa de Deus”. E, em seu interior, admoesta: “Homem, conhece a ti mesmo, assim conhecerá os deuses”. Na Grécia, no Templo de Delphos (IV a.C.), este saber retumba: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não o acharás em lugar algum".

 

Ressalto que Descartes [filósofo francês, 1596-1650], afirma ter reconhecido o lugar, situado no cérebro humano, de onde emanam a presença e as ações divinas. O Cérebro Triuno que de forma física representa a nossa “casa mais elevada” (segundo André Luiz no livro No Mundo Maior) localizado no lóbulo frontal. Os lobos frontais são o frontispício do cérebro humano e são responsáveis por diversas funções como: o pensamento, o movimento e a linguagem, vetores relevantes para a socialidade. E, também, para a espiritualização! Podemos, seguramente, dizer que nossos cérebro esta formado por uma inteligência: intelectual, emocional e espiritual. 


O termo inteligência espiritual criado pelos pesquisadores Ian Marshall e Danah Zohar (8), inaugurado no livro QS Inteligência Espiritual, fita o conhecimento da espiritualidade como lume para uma vida harmoniosamente direcionada à busca por um enriquecimento do eu interior. Desenvolver essa capacidade é desenvolver a habilidade que permite estabelecer melhor equilíbrio entre a razão e a emoção, impactando de forma positiva a saúde e o bem-estar mental. Lembro, neste momento, da Regra de Ouro estabelecida por São Luis Alberto Hurtado Cruchaga (9): “É bom não fazer o mal; mas, é mal não fazer o bem”. O verdadeiro amor deve levar a praticar o bem (…), a sujar as mãos nas obras de amor.

 

A principal forma de caridade é querer bem as pessoas. Ressalto que o amor fraternal vetoriza um forte sentimento de carinho de uma pessoa por outra, ao ponto dessa pessoa se dedicar e ter um elevado interesse pela outra. A sociedade impõe comportamentos considerados apropriados para a chamada “boa convivência” e os comportamentos fora do padrão vigente são relegados às sombras. Luz para o aceitável, escuridão para o inaceitável. Eis a dualidade!

 

Ressalto que para Platão (10), existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida em duas partes: O mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas autônomas que encontramos na natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o mundo das ideias (realidade inteligível) denominado de “mundo ideal”, ou seja, aproxima-se da ideia de perfeição de algo. Ou seja, através do conhecimento é possível transcender do mundo material ao mundo das ideais e contemplar as ideias perfeitas, alcançando assim, a felicidade.

 

A busca da felicidade através da inteligência espiritual possibilita um processo de melhor conhecimento de si mesmo. Quando os eventos da vida, podem ser pequenos ou grandes, assumem um significado maior, as pessoas que têm uma espiritualidade maior acabam tendo uma capacidade maior em lidar com o estresse, além de serem mais propensas a agradecer pelos eventos agradáveis da vida e a processar com mais estabilidade os desafios. Epicuro (11), cunhou o termo "ataraxia": imperturbabilidade da alma.

 

A felicidade espiritual reflete a paz interior e a satisfação que vêm da fé e da espiritualidade. A fé estimula a produção de dopamina e endorfina, neurotransmissores ligados ao prazer e à redução do estresse. Orar e meditar ajudam a diminuir os níveis de cortisol (hormônio do estresse). Estudos científicos reconhecem que pessoas doentes que assumem uma postura de fé reagem melhor aos procedimentos e se recuperam mais rápido, atingindo um estado de espírito positivo, de bem-estar, contentamento e satisfação.

 

A felicidade pode ser cultivada e aprendida, e é um hábito mental que pode ser vibrante e positivo. Está relacionada com a forma como se percebe o mundo e a qualidade das relações. O budismo busca a felicidade usando conhecimento e prática para atingir a equanimidade mental. Salomão (12) diz que feliz é o homem que encontra a sabedoria. Sabedoria espiritual é um conhecimento profundo e intuitivo sobre a natureza da existência, da consciência e do universo.

 

Embora possa ter diferentes interpretações dependendo da tradição, a sabedoria espiritual, em sua essência, é a capacidade de aplicar esse conhecimento espiritual para viver de forma mais plena e significativa. A sabedoria espiritual envolve uma conexão com algo que transcende o eu, como uma divindade, o universo ou um propósito maior, fulcrando um dogma. Dogma é influxo de felicidade a promanar sabedoria sugere que, se um "dogma" ou crença leva à felicidade, essa mesma felicidade gera uma sabedoria autêntica, uma compreensão profunda da vida e do ser. É uma visão mais poética e idealista, sugerindo que a alegria e o bem-estar são a verdadeira base do conhecimento, e não o oposto. 


REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

(2) Hebreus 11:1. 

(3) 2 Coríntios 5:7.

(4) CARVALHO, Newton Agrella. A Verdade um Bem Inatingível.

(5) ÉSQUILO (Elêusis, c. 525/524 a.C. – Gela, 456/455 a.C.).

(6) JUN-FAN, Lee. Intuição Criativa.

(7) HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição Costa. Lisboa, Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.

(8) MARSHALL, Ian. ZOHAR, Danah. QS Inteligência Espiritual.

(9) CRUCHAGA, São Luis Alberto Hurtado. Regra de Ouro.

(10) PLATÃO (Atenas, Grécia, 428/427 – Atenas, Grécia, 348/347).

(11) EPICURO (fevereiro de 341 a.C., Samos, Grécia – 270 a.C., Atenas, Grécia)

(12) Provérbios 3:13.


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