Dogma
é influxo de felicidade a promanar sabedoria propõe que a verdadeira
sabedoria não nasce da rigidez de regras inquestionáveis, mas sim de uma fonte
de felicidade e plenitude. Em vez de ser algo imposto de fora, a sabedoria
seria um produto natural e espontâneo de um estado de felicidade interior. A
felicidade interior se expressa por meio de uma confiança espontânea, um
sorriso genuíno, ou uma atitude tranquila diante dos desafios da vida. É a
alegria que simplesmente "é", sem a necessidade de ser provocada.
Se
dogmatismo é uma postura ou doutrina que defende a existência de verdades
absolutas e inquestionáveis, então, crer no Grande Geómetra do Universo, no
Grande Arquiteto do Universo, em Jeová, em alah, ou simplesmente em Deus, por
si só já é o maior dogma aceito pelos homens desde que seja esta sua fé. Do
mesmo modo, não somente crer, mas, reconhecer alguém como irmão de forma
sentida, veraz e irrefutável rutila dogmatismo essencial ao melhor viver
humano. Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que
não vemos (2).
Ocorre
que vivemos por fé e não por vista (3). Desta forma, o credo em algo imaterial
é justamente justificável, além de factível. E isto nos imputa o respeito
(também, autorrespeito) que é o poder capaz de garantir a paz a partir do amor
que devemos ao outro, a quem devemos empatia que pode ser expressa assim:
respeito sua verdade, mas, dou-me o direito de cultuar a minha verdade. O que
não coíbe a mudança de opinião, que é o mais efusivo sinal de inteligência,
posto que, se faz com base evidências e reflexões.
A
palavra "dogma" foi traduzida no século XVII a partir do latim e
significa "princípio filosófico" ou "princípio", é derivado
do grego dogma (δόγμα) significa literalmente "aquilo que se pensa que é
verdade" e o verbo dokein, "parecer bom". A verdade não tem
dono, tem caminhos, afirma Carvalho (4). Uma verdade pode ser demonstrada ainda
que não seja reconhecida como verdadeira, por não ser muito clara. Diz-se que é
um postulado, pois, precisa ainda de comprovações para se chegar a real
verdade.
A
filosofia tem na investigação da verdade o seu maior valor. Para a corrente
filosófica conhecida como relativismo (5) a verdade é relativa, ou seja, não
existe uma verdade absoluta que se aplique no plano geral, pois, depende da
perspectiva in foco. O relativismo não conota ser adogmático, pois, há CRENÇA
na verdade in voga; há DOUTRINA para o emprego desta verdade crida sob a égide
de um conjunto coerente de ideias fundamentais transmitidas, ensinadas;
portanto, há efervescente DOGMA, claro!
Uma trina sabedoria que alimenta o senso de pertencimento sob qual se une
os cativados pelo modus pensante que os faz felizes.
Há
dogma mais corajoso que a felicidade? A felicidade pode ser formada por
diversas emoções e sentimentos, como alegria, contentamento, gratidão, orgulho,
otimismo e amor. A felicidade é subjetiva, variando conforme as percepções e
experiências individuais. Destaco que a
verdade absoluta é aquela que é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O
que é verdade para uma pessoa é verdade para todos. Todos precisam de ar para
respirar, por exemplo. “Simples são as palavras da verdade, aclara Ésquilo (5).
Simplicidade é aquilo que não é complicado, que é simples e natural. A
simplicidade adorna quem é franco, sincero, puro ou inocente.
Quem
é sincero, diz a verdade. “Verdade não tem caminho. A verdade é viva e,
portanto, muda. Abra sua mente para receber novas ideias. Os que não sabem que
caminham na escuridão, jamais verão a luz”, ratifica Lee Jun-fan (6). O credo
na possibilidade de atingir o conhecimento verdadeiro sobre as coisas, sob o
manto dos princípios que o fazem incontestável é o mais alvissareiro fervor do
dogmatismo, portanto, qualquer identificação deste conceito com o modus
operandi das “chamadas” sociedades secretas não é apenas uma coincidência. É
fato vivaz, pois, todas buscam verdades que felicitem a humanidade. E TODAS têm
uma CRENÇA a impelir, têm um ritual a praticar ancorado na DOUTRINA cujos
ideais propugnados vitalizam o psicodrama representado a partir do ritual. E,
como não poderia deixar de tê-lo, têm um DOGMA.
O
psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar,
aprender, treinar ou compreender. É uma
ligação psicológica que enlaça os participes do grupo, a que chamo de relação
de pertencimento, ou seja, é a sensação de que se é parte de um grupo,
comunidade ou ambiente. A obra artística (psicodrama) é o lugar da verdade
como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo, libera um fundamento. Mas, ela
somente pode fazer isso enquanto também vela o próprio fundamento, pondera
Heidegger (7). Este fundamento é desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria
existência.
Simbioticamente,
a espiritualidade é tudo que é capaz de produzir no ser humano, uma mudança de
pensamento, atitudes e conceitos, que o coloque em um novo rumo e lhe ofereça
um novo sentido para a vida. Não sendo necessário, claro, de forma alguma,
aderir a uma religião determinada, nem seguir uma instituição religiosa para
desenvolver a espiritualidade. Presume-se que indivíduos com espiritualidade
acentuada são mais cientes do significado que conferem à vida, assim como mais
“fortes” e perseverantes.
Aponto
que o vínculo entre o homem e o divino é pessoal e íntimo, sem manifestações
externas, nem rituais, o que me remete ao Egito, ao Templo de Luxor (XIV a.C.)
que no átrio anuncia: "O corpo é a casa de Deus”. E, em seu interior,
admoesta: “Homem, conhece a ti mesmo, assim conhecerá os deuses”. Na Grécia, no
Templo de Delphos (IV a.C.), este saber retumba: “Conhece-te a ti mesmo e
conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares
primeiro dentro de ti mesmo, não o acharás em lugar algum".
Ressalto que Descartes [filósofo francês, 1596-1650], afirma ter reconhecido o lugar, situado no cérebro humano, de onde emanam a presença e as ações divinas. O Cérebro Triuno que de forma física representa a nossa “casa mais elevada” (segundo André Luiz no livro No Mundo Maior) localizado no lóbulo frontal. Os lobos frontais são o frontispício do cérebro humano e são responsáveis por diversas funções como: o pensamento, o movimento e a linguagem, vetores relevantes para a socialidade. E, também, para a espiritualização! Podemos, seguramente, dizer que nossos cérebro esta formado por uma inteligência: intelectual, emocional e espiritual.
O termo inteligência espiritual criado pelos pesquisadores Ian Marshall e Danah Zohar (8), inaugurado no livro QS Inteligência Espiritual, fita o conhecimento da espiritualidade como lume para uma vida harmoniosamente direcionada à busca por um enriquecimento do eu interior. Desenvolver essa capacidade é desenvolver a habilidade que permite estabelecer melhor equilíbrio entre a razão e a emoção, impactando de forma positiva a saúde e o bem-estar mental. Lembro, neste momento, da Regra de Ouro estabelecida por São Luis Alberto Hurtado Cruchaga (9): “É bom não fazer o mal; mas, é mal não fazer o bem”. O verdadeiro amor deve levar a praticar o bem (…), a sujar as mãos nas obras de amor.
A
principal forma de caridade é querer bem as pessoas. Ressalto que o amor
fraternal vetoriza um forte sentimento de carinho de uma pessoa por outra, ao
ponto dessa pessoa se dedicar e ter um elevado interesse pela outra. A
sociedade impõe comportamentos considerados apropriados para a chamada “boa
convivência” e os comportamentos fora do padrão vigente são relegados às
sombras. Luz para o aceitável, escuridão para o inaceitável. Eis a dualidade!
Ressalto
que para Platão (10), existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida
em duas partes: O mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas
autônomas que encontramos na natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o
mundo das ideias (realidade inteligível) denominado de “mundo ideal”, ou seja,
aproxima-se da ideia de perfeição de algo. Ou seja, através do conhecimento é
possível transcender do mundo material ao mundo das ideais e contemplar as
ideias perfeitas, alcançando assim, a felicidade.
A
busca da felicidade através da inteligência espiritual possibilita um processo
de melhor conhecimento de si mesmo. Quando os eventos da vida, podem
ser pequenos ou grandes, assumem um significado maior, as pessoas que têm
uma espiritualidade maior acabam tendo uma capacidade maior em lidar
com o estresse, além de serem mais propensas a agradecer pelos eventos
agradáveis da vida e a processar com mais estabilidade os desafios. Epicuro
(11), cunhou o termo "ataraxia": imperturbabilidade da alma.
A
felicidade espiritual reflete a paz interior e a satisfação que vêm da fé e da
espiritualidade. A fé estimula a produção de dopamina e endorfina,
neurotransmissores ligados ao prazer e à redução do estresse. Orar e meditar
ajudam a diminuir os níveis de cortisol (hormônio do estresse). Estudos
científicos reconhecem que pessoas doentes que assumem uma postura de fé reagem
melhor aos procedimentos e se recuperam mais rápido, atingindo um estado
de espírito positivo, de bem-estar, contentamento e satisfação.
A
felicidade pode ser cultivada e aprendida, e é um hábito mental que pode ser
vibrante e positivo. Está relacionada com a forma como se percebe o mundo
e a qualidade das relações. O budismo busca a felicidade usando conhecimento e
prática para atingir a equanimidade mental. Salomão (12) diz que feliz é o
homem que encontra a sabedoria. Sabedoria espiritual é um conhecimento
profundo e intuitivo sobre a natureza da existência, da consciência e do
universo.
Embora
possa ter diferentes interpretações dependendo da tradição, a sabedoria
espiritual, em sua essência, é a capacidade de aplicar esse conhecimento
espiritual para viver de forma mais plena e significativa. A sabedoria
espiritual envolve uma conexão com algo que transcende o eu, como uma
divindade, o universo ou um propósito maior, fulcrando um dogma. Dogma é
influxo de felicidade a promanar sabedoria sugere que, se um "dogma"
ou crença leva à felicidade, essa mesma felicidade gera uma sabedoria
autêntica, uma compreensão profunda da vida e do ser. É uma visão mais poética
e idealista, sugerindo que a alegria e o bem-estar são a verdadeira base do
conhecimento, e não o oposto.
REFERÊNCIAS
INSPIRADORAS
(2) Hebreus
11:1.
(3) 2
Coríntios 5:7.
(4) CARVALHO,
Newton Agrella. A Verdade um Bem Inatingível.
(5) ÉSQUILO
(Elêusis, c. 525/524 a.C. – Gela, 456/455 a.C.).
(6) JUN-FAN,
Lee. Intuição Criativa.
(7) HEIDEGGER,
Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição Costa. Lisboa,
Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.
(8) MARSHALL,
Ian. ZOHAR, Danah. QS Inteligência Espiritual.
(9)
CRUCHAGA, São Luis Alberto Hurtado. Regra de Ouro.
(10)
PLATÃO (Atenas, Grécia, 428/427 – Atenas, Grécia, 348/347).
(11)
EPICURO (fevereiro de 341 a.C., Samos, Grécia – 270 a.C., Atenas, Grécia)
(12)
Provérbios 3:13.

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