quinta-feira, 17 de setembro de 2026

SÃO CORRUTO DAS PRAGAS DOS ÚLTIMOS DIAS

 

Em tempo de eleição, o corruto ganha dimensão. Todo corruto prega contra si. São os atos falhos gritando a dor de suas consciências feridas por atos ignóbeis que praticam contra a razão, os bons costumes e contra o que estabelece o contrato social a partir do qual toda humanidade entregou sua liberdade natural em prol de um viver feliz onde os homens comungam de interesses comuns ao desenvolvimento e à felicidade de todos.

 

Desesperado, o corruto tenta de todas os modus e formas digredir sua real imagem como a dizer: “só fiz isso por causa dele; não sabia que precisava disto; etc. Ao agir contra a razão e os bons costumes, o corruto carrega uma culpa que o próprio aparato psíquico não consegue calar, vazando em tropeços, contradições e falhas de fala e de gestos que tipificam seu real caráter.

 

Atos falhos são o ponto onde o Superego (a instância moral internalizada) rompe a censura e se faz ouvir. A consciência "grita" porque a repressão não sustenta o peso da transgressão, afinal, se até mesmo um rato tem consciência, que dirá o corruto. Ele reflete a mais pura essência do adágio popular que prenuncia: “quem disso usa, disso cuida”!

 

Surtado pelo vitimismo que o veste em suas incursões convencimento, o corruto afirma sua “santidade” e declara que está sendo crucificado por algozes que o perseguem exatamente por sua pureza, generosidade e abnegação em servir – mas, somente a si. Acometido da Síndrome do Mártir, ele abusa da manipulação psicológica e do falso altruísmo como alavanca do progresso de si sozinho.

 

Desprovido da vergonha, o corruto elege um ícone impoluto dentre os humanos – respeitável o suficiente para ficar-lhe à sua sombra – em nome do qual, descabidamente, encontra a proteção e a respeitabilidade que seu “caráter” jamais comportará. O escolhido geralmente é um membro enlevado da família. Família que o atura por não ter como contê-lo. 

 

O corruto inverte o postulado de Rousseau: “o homem, no estado de natureza, é livre e guiado por uma piedade natural; ao ingressar na sociedade civil, abdica dessa liberdade natural em troca da liberdade civil, regida pela vontade geral’ – a qual deve visar o bem-estar coletivo e a justiça. Em sede de oportunismo invigiado, o corruto toma à força o que não é seu.

 

Seus "atos ignóbeis" violam não apenas a consciência individual, mas, o próprio pacto que fundamenta a coexistência. Agindo contra a lógica, o bom senso e o bem comum, ele não fere apenas a si – ele degenera a cláusula do contrato social que estabelece o “viver feliz onde os homens comungam de interesses comuns à felicidade de todos”.

 

Cego não percebe – e, mesmo que percebesse, não aceitaria jamais – que sua “divinal pureza de caráter” tão efusivamente propagada e que sua “mestria” tão proficiente a difundir os fundamentos da vida e as regras da natureza são exatamente a luz da qual ele se evade, como o diabo foge da cruz, já que, seus atos egóicos são sempre praticados contrariando sua pregação, à plena obscurescência.

 

Olhar para um corruto dá-nos a ver uma triangulação: a dimensão psíquica (ato falho como sintoma de culpa), a dimensão moral (consciência ferida pela transgressão) e a dimensão política (violação do estatuto social) que convergem num único gesto – o da corrupção que, ao agir contra si mesma, denuncia a si mesma. Quem com ferro fere, com ferro é ferido.

 

O "grito" dos atos falhos é, ao mesmo tempo, o grito do indivíduo e o grito da comunidade traída. A culpa do agente corrupto não é uma culpa privada que, por acaso, fere também a comunidade. Ela é, desde o início, uma ferida no tecido que o sustenta. O "grito" não sai de um indivíduo, ele sai do ponto de interseção entre os dois, porque esse ponto é onde o sujeito existe.

 

A comunidade é a substantivação do corruto – o "eu" que ele tem é o "nós" que ele trai. Por isso a corrupção "prega contra si": não é hipocrisia do “dizer uma coisa e fazer outra”, mas sim, é o ato de violar o laço que o constitui, violando a si mesmo na raiz. O grito do ato falho é o som de um nó sendo puxado de dentro, e o nó é, ao mesmo tempo, o indivíduo e a comunidade.

 

Quando o corrupto tropeça, o que se lhe escapa não é apenas "o que ele sente por dentro". É o que o laço não conseguiu processar. A comunidade ouve no tropeço o próprio pacto sendo violado, porque o pacto é a condição de possibilidade da fala que tropeça. O "grito" é duplo porque a dor é uma só dor, partilhada por dois polos de um mesmo nó. Somente no “nós” existe o “eu”!

 

Essa simultaneidade não é uma metáfora bonita. É a topologia do sujeito social: um único ponto de dor, dois nomes. O corruto grita porque a comunidade foi ferida; a comunidade grita porque o corruto é ela. O ato falho é o lugar onde os dois nomes se tocam e a dor se torna inaudível se não for lida em ambas as chaves ao mesmo tempo. Não há rei sem súdito; nem súdito sem rei.

 

O corruto é rei que muito bem usa o sofrimento – quase nunca real, porém, sempre avantajado – como uma vestimenta ("que o veste") para manipular, gerar culpa e dobrar a vontade dos outros ("incursões de convencimento"). Tomado pelo “Complexo do Messias”, ele se autodeclara um “santo” incompreendido e ultrajado por quem expõe suas atrocidades ético-morais.


Executando a tática clássica de gaslighting, o corruto argumenta que seus supostos defeitos são, na verdade, zelo pelo bem comum, pois, somente ele e suas virtudes supra-humanas são capazes de fazer a diferença, transformar os dias e tornar feliz todo o universo. Alega sofrer não por seus erros, mas porque o mundo é "mau" ou "invejoso" demais para suportar seu altruísmo.


Autodeclarado santo, faz-se o intemerato defensor de si próprio, sendo pra si mesmo o seu mais formidável aplaudidor; sempre disposto a pôr na “cruz” – das perfídias, preconceitos, erros e mal falações que prolata – quaisquer que sejam aqueles que o virão sem a maquiagem que disfarça sua verdadeira imagem.
Ave! São Corruto das Pragas dos Últimos Dias.

 

Maranguape, Ceará, 17 de Setembro de 2026

 

Bruno Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

 

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