Pertencer é
identificar-se naquilo desperta o senso de pertencimento, que é uma das forças
mais potentes da experiência humana. Quando nos identificamos com um grupo ou
espaço de forma autêntica – sem máscaras, inverdades ou omissões –, nossa
identidade é validada e fortalecida. É essa base de respeito mútuo e igualdade
de direitos que transforma uma simples conexão em um profundo "orgulho de
ser".
Envolve encontrar eco no
outro, em um grupo ou em um espaço por meio das conexões que construímos, que
não se erigem sobre o alicerce da negligência com os direitos que tornam “iguais”
aqueles a quem alcançam. O senso de pertencimento ao imprimir o “orgulho de ser”
tem nos símbolos – sejam eles bandeiras, rituais, linguagens comuns ou
tradições – o renovador permanente de seu abraço.
O pertencimento que "não
se erige sobre o alicerce das inverdades" reverbera diretamente o alerta
da professora Miriam Debieux Rosa, do IPUSP, sobre grupos que
condicionam o pertencimento a uma "adesão acrítica" e se auto
enaltecem em detrimento do outro. O pertencimento genuíno, como ela define,
exige que o sujeito seja reconhecido como sujeito de direitos – dignidade,
cultura e diferenças respeitadas.
Na Fenomenologia do
Espírito, a consciência-de-si não se constitui sozinha: ela precisa de outra
consciência que a confirme. Só sabemos o que somos quando outrem retratam nossa
imagem. Não se trata de espelhamento passivo, mas de uma luta – a dialética do
senhor e do escravo mostra que o reconhecimento unilateral (um que se submete,
outro que domina) é uma forma degenerada, uma "inverdade" estrutural.
Acontece que um
pertencimento construído sobre a subordinação de um ao outro não é
pertencimento, é dominação disfarçada de vínculo. O pertencimento genuíno, no
sentido hegeliano, exige que ambos se reconheçam como sujeitos de igual
dignidade. Alinha-se com as tradições, saberes e expressões artísticas
compartilhadas por uma nação, unindo gerações pelo afeto, pela memória e pelos
símbolos que nos enaltece.
Os símbolos (cores,
rituais, linguagens, bandeiras, músicas) funcionam como marcadores que tornam
tangível a pertença e reforçam o vínculo coletivo. Ocorre quando o eco e a
validação acontecem no nível mais profundo de quem nós somos (gênero,
sexualidade, raça, neurodivergência). Conecta o indivíduo à sua terra natal, à
sua ancestralidade geográfica e ao território onde fincou suas raízes.
Quando essas conexões são
rompidas ou postas em xeque por violações de direitos, o "orgulho de
ser" se desfaz junto com o pertencimento – e é aí que o sentimento vira
uma construção sobre inverdades. E tudo que é assim construído logo rui. Esse
"orgulho de ser", em termos de Honneth, retrata a experiência de uma
relação positiva consigo mesmo que só é possível quando se é reconhecido pelos
demais.
Neste sentido, os
símbolos nacionais são cruciais para o desenvolvimento do senso de
pertencimento, pois, representam a história, os valores e a identidade de uma
nação, proporcionando um sentimento de união e orgulho para os cidadãos.
Eles funcionam como elementos de reconhecimento mútuo, reforçando a sensação de
que se faz parte de um mesmo coletivo. Somos o que nos identifica.
Símbolos, como
bandeiras, músicas (hinos, inclusive) ou monumentos nacionais etc., funcionam
como representações visuais ou auditivas da identidade coletiva. Eles
ajudam a perpetuar memórias históricas compartilhadas e criam um senso de continuidade
entre o passado e o presente. Unem o passado ao futuro, ao passo que, se
arraigam no presente, onde servem como um referencial valioso a orientar nossas
escolhas e ações.
Os símbolos nacionais
carregam em si a essência da independência e da formação da nação, conectando
os cidadãos à sua trajetória e cultura, promovendo a coesão social e o
reconhecimento de uma identidade coletiva comum. Ao celebrar e ensinar sobre os
símbolos nacionais, criam-se pontes entre as novas gerações e a história do
país, garantindo a continuidade da identidade nacional do legado da nação que
representam.
Etimologicamente, a
palavra símbolo foi formada de syn (junção, junto, concomitantemente) e bolleos
(cujo sentido mais próprio concerne a laçadeira); desse modo, synbolon concerne
a sinal de reconhecimento, e muito próximo a senha. Importante lembrar,
ainda, que a palavra latina sina (signa, plural de signum ou signo) significa,
também, sinal: tanto é o processo quanto o resultado da transmissão de
dados.
Representando os ideais e
os valores de uma nação, como o patriotismo e a busca por um futuro próspero,
os símbolos nacionais são compartilhados por todos os membros da sociedade,
sendo usados para expressar o espírito cívico como estabelecem a Lei nº
5.700/1971 regulamenta a forma e a apresentação desses símbolos e a Lei nº
12.472/2011 inclui o estudo dos símbolos nacionais no currículo escolar.
A educação e a cultura,
em suas diversas formas, artes e saberes são, portanto, pilares essenciais para
a construção de um povo livre, próspero e soberano, que reconhecendo e
valorizando sua própria cultura, fortalece a sua identidade e cria uma base sólida
para construir o futuro, evitando o risco de ser subjugado por outras culturas
ou de perder a sua essência. Uma cultura forte não habita numa sociedade fraca.
No Brasil, os símbolos
nacionais são quatro: a bandeira, as armas, o selo e o hino. Eles
representam o nosso país em cerimônias, eventos, documentos importantes e
missões oficiais. Aliás, esses símbolos carregam consigo significados
profundos, servindo como elementos de união e orgulho, por isso, são
respeitados por todos os cidadãos brasileiros. Em alguns momentos, esses
símbolos nacionais nos falam muito alto ao coração!
Por isso, neste dia 18 de
setembro, honramos nossos símbolos nacionais e reafirmamos nosso
compromisso com a pátria e fortalecemos o sentimento de pertencimento e orgulho
entre todos os brasileiros. Nesta ocasião, cultuamos a Bandeira, o Brasão
de Armas, o Hino e Selo Nacional e contemplamos suas relevâncias como emblemas
que representam nossa identidade e valores como nação.
Maranguape, Ceará, 18 de
Setembro de 2026
ACADEMIA INTERNACIONAL DE
MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da
Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação
Social
Bruno Bezerra de Macedo
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