Pensar,
apenas! Envolve não sufragar, tão pouco obrigar a vontade doutrem e, isto, oportuniza
necessárias corrigendas que tornam os atos menos inexatos e quasse perfeitos. Um
pensar, assim, tão enlevado, alinha o pensamento à liberdade interior e ao
aperfeiçoamento constante das agências humanas. Longe de dominar a outrem,
firma-se com uma moção de autocorreção e de refinamento da própria vontade e incita
a viver e a entender de um jeito mais equilibrado, sem brigas por opiniões, o
mundo que nos abriga e nos desenvolve.
Ao
não validar cegamente ideias pré-estabelecidas, nem forçar a vontade
alheia a se curvar a um dogma, o verdadeiro pensamento reflete não somente o
coração bem formado que nos serve de eixo, com também, a mente galante que nos
mantém em equilíbrio sobre este eixo. Há uma distinção fundamental entre o
cérebro que processa informações e o pensamento que organiza e
estabiliza a existência e o viver nela. O verdadeiro crescimento individual e
intelectual nasce do conflito de pensamentos e de modus divergentes.
A
integração entre o pensar e o querer é delicada. Há vasta incongruência entre o
pensamento e a ação imediata: enquanto o homem de ação satisfaz com seus
resultados, o pensar questiona o que oportunizou estes resultados. No entanto,
filosofar sobre o desejo não nos faz “adestrados” pelo instinto e/ou pela coerção
social, tão pouco nos faz inertes. O querer não deve ser uma tirania que mutila
a personalidade, nem um instrumento para dominar a outrem, pois, contrapõe a
natureza do pensar, que é abrir espaços à verdade e não à imposição.
Quando
o pensamento é reduzido a mero comportamento ou resultado prático, perde-se a
sua capacidade de questionar e de explorar as nuances da realidade, como
também, torna-se incapaz de cocriar com seus pares novas instâncias de feliz
convívio e de arguto desenvolvimento coletivo que enleve a todos. O pensamento
livre recusa a lógica binária do "certo ou errado" imposto
externamente, buscando envesse a harmonia e o crescimento através do
contraditório, que melhor o refina.
Assim
como a flor snowdrop prepara suas energias sob o gelo, o pensar trabalha-se
internamente para renovar suas possibilidades de ação. O pensamento traz à tona
a verdade, avaliando sinceramente a si mesmo e as circunstâncias. A ideia de
"quase perfeitos" sugere que a excelência humana é um horizonte em
movimento, alcançado através do esforço de transformar erros em virtudes. A
essência da ação voluntária verdadeira é a harmonização das tendências,
reconhecendo a legitimidade de cada parte do ser em sinergia com o universo.
Dentre
as responsabilidades assumidas ao longo da eternidade, pensar notabiliza-se como
um ato de liberdade responsável, que nos habilita a não dominar ninguém, embora
dominemos todas as questões que cativem nosso pensamento analítico, que nos favorece com o melhor discernimento. Rejeitar o sufrágio cego e a coerção da
vontade alheia, libertamo-nos para realização do trabalho árduo de esculpir nosso
próprio caráter e a partir dele nosso identidade. Somos o que habitualmente materializamos
de tudo aquilo que pensamos.
Pensar
filosoficamente sobre a própria conduta, transformando a melancolia ou a dúvida
em combustível para uma ação mais coerente, serena e tendente à perfeição é o habitat
da “última liberdade”. O pensamento não se encerra em si próprio, pois, desbravadoramente,
ele é o meio pelo qual a vontade se purifica e a ação se torna menos inexata. Educar
essa vontade é trazer consigo uma paixão por querer o melhor, não por
imposição, mas, por uma compreensão dramática e elevada do mundo, que anseia
por continua evolução.
É
inócuo ter a mente (a “baladeira na gaveta”), formidável mesmo é desvelar seus usos
para evitar a estagnação mental e o fanatismo. Ferramenta ativa que organiza,
critica, estabiliza a existência, o pensamento arquiteta ambiências capazes de
fomentar o desenvolvimento e a mantença deste influxo. O veraz pensamento
requer esmero consciencioso, pois, deve validar emoções ou ideias antigas com a
mesma rutilância com que aclara o discernimento das realidades transfigurando as
informações absorvidas em profícua sabedoria existencial.
Evoluir
pede plasticidade para amoldar-se à impermanência da vida, pois, somente o flexível
e o adaptável sobrevive às mudanças e alcança crescimento nos altos e baixos do
Tempo. A ideia de que o crescimento nasce do "conflito de pensamentos e de
modus divergentes" alinha-se com a visão de que a constância em dogmas
obsoletos é uma forma de "atrofia" ou "covardia
intelectual". Portanto, evoluir exige a habilidade de se reinventar
conforme as circunstâncias mudam, sob a guia do pensamento plasticamente
inventivo.
Um
pensamento criativo, assim, é dignamente inspirado por um coração bem formado que se
assume e manifesta a si como o centro do sentir, da intuição e da
sabedoria interior, atuando como exata bússola para o verdadeiro ser e para a
tomada de decisões equilibradas. Portanto, o "verdadeiro pensamento" nasce
da coerência entre o coração puro e a mente sã, onde o sentimento orienta o
pensamento, permitindo que a energia vital eflua do centro (umbigo/coração)
para a cabeça de forma saudável, promovendo paz, evolução e iluminação
espiritual.
Essa
"mente galante" que equilibra-se sobre o eixo do coração, não o faz através da
rigidez, mas, a partir da capacidade de dialogar com o contraditório. A
descoberta deste equilíbrio ocorre quando se rompe com paradigmas fixos,
possibilitando que a crítica objetiva prevaleça sobre a fé cega ou a ideologia
fechada. Ao rejeitarmos a validação cega de dogmas – "prisões mentais criadas pelo homem" e resultados do pensamento alheio – compreendemos que
a verdadeira liberdade reside na coragem de pensar por nós mesmos. Pensar,
apenas!
Maranguape,
Ceará, 02 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

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