domingo, 2 de agosto de 2026

PENSAR, APENAS!

 

Pensar, apenas! Envolve não sufragar, tão pouco obrigar a vontade doutrem e, isto, oportuniza necessárias corrigendas que tornam os atos menos inexatos e quasse perfeitos. Um pensar, assim, tão enlevado, alinha o pensamento à liberdade interior e ao aperfeiçoamento constante das agências humanas. Longe de dominar a outrem, firma-se com uma moção de autocorreção e de refinamento da própria vontade e incita a viver e a entender de um jeito mais equilibrado, sem brigas por opiniões, o mundo que nos abriga e nos desenvolve.

 

Ao não validar cegamente ideias pré-estabelecidas, nem forçar a vontade alheia a se curvar a um dogma, o verdadeiro pensamento reflete não somente o coração bem formado que nos serve de eixo, com também, a mente galante que nos mantém em equilíbrio sobre este eixo. Há uma distinção fundamental entre o cérebro que processa informações e o pensamento que organiza e estabiliza a existência e o viver nela. O verdadeiro crescimento individual e intelectual nasce do conflito de pensamentos e de modus divergentes.

 

A integração entre o pensar e o querer é delicada. Há vasta incongruência entre o pensamento e a ação imediata: enquanto o homem de ação satisfaz com seus resultados, o pensar questiona o que oportunizou estes resultados. No entanto, filosofar sobre o desejo não nos faz “adestrados” pelo instinto e/ou pela coerção social, tão pouco nos faz inertes. O querer não deve ser uma tirania que mutila a personalidade, nem um instrumento para dominar a outrem, pois, contrapõe a natureza do pensar, que é abrir espaços à verdade e não à imposição.

 

Quando o pensamento é reduzido a mero comportamento ou resultado prático, perde-se a sua capacidade de questionar e de explorar as nuances da realidade, como também, torna-se incapaz de cocriar com seus pares novas instâncias de feliz convívio e de arguto desenvolvimento coletivo que enleve a todos. O pensamento livre recusa a lógica binária do "certo ou errado" imposto externamente, buscando envesse a harmonia e o crescimento através do contraditório, que melhor o refina.

 

Assim como a flor snowdrop prepara suas energias sob o gelo, o pensar trabalha-se internamente para renovar suas possibilidades de ação. O pensamento traz à tona a verdade, avaliando sinceramente a si mesmo e as circunstâncias. A ideia de "quase perfeitos" sugere que a excelência humana é um horizonte em movimento, alcançado através do esforço de transformar erros em virtudes. A essência da ação voluntária verdadeira é a harmonização das tendências, reconhecendo a legitimidade de cada parte do ser em sinergia com o universo.

 

Dentre as responsabilidades assumidas ao longo da eternidade, pensar notabiliza-se como um ato de liberdade responsável, que nos habilita a não dominar ninguém, embora dominemos todas as questões que cativem nosso pensamento analítico, que nos favorece com o melhor discernimento. Rejeitar o sufrágio cego e a coerção da vontade alheia, libertamo-nos para realização do trabalho árduo de esculpir nosso próprio caráter e a partir dele nosso identidade. Somos o que habitualmente materializamos de tudo aquilo que pensamos.

 

Pensar filosoficamente sobre a própria conduta, transformando a melancolia ou a dúvida em combustível para uma ação mais coerente, serena e tendente à perfeição é o habitat da “última liberdade”. O pensamento não se encerra em si próprio, pois, desbravadoramente, ele é o meio pelo qual a vontade se purifica e a ação se torna menos inexata. Educar essa vontade é trazer consigo uma paixão por querer o melhor, não por imposição, mas, por uma compreensão dramática e elevada do mundo, que anseia por continua evolução.

 

É inócuo ter a mente (a “baladeira na gaveta”), formidável mesmo é desvelar seus usos para evitar a estagnação mental e o fanatismo. Ferramenta ativa que organiza, critica, estabiliza a existência, o pensamento arquiteta ambiências capazes de fomentar o desenvolvimento e a mantença deste influxo. O veraz pensamento requer esmero consciencioso, pois, deve validar emoções ou ideias antigas com a mesma rutilância com que aclara o discernimento das realidades transfigurando as informações absorvidas em profícua sabedoria existencial.

 

Evoluir pede plasticidade para amoldar-se à impermanência da vida, pois, somente o flexível e o adaptável sobrevive às mudanças e alcança crescimento nos altos e baixos do Tempo. A ideia de que o crescimento nasce do "conflito de pensamentos e de modus divergentes" alinha-se com a visão de que a constância em dogmas obsoletos é uma forma de "atrofia" ou "covardia intelectual". Portanto, evoluir exige a habilidade de se reinventar conforme as circunstâncias mudam, sob a guia do pensamento plasticamente inventivo.

 

Um pensamento criativo, assim, é dignamente inspirado por um coração bem formado que se assume e manifesta a si como o centro do sentir, da intuição e da sabedoria interior, atuando como exata bússola para o verdadeiro ser e para a tomada de decisões equilibradas. Portanto, o "verdadeiro pensamento" nasce da coerência entre o coração puro e a mente sã, onde o sentimento orienta o pensamento, permitindo que a energia vital eflua do centro (umbigo/coração) para a cabeça de forma saudável, promovendo paz, evolução e iluminação espiritual.

 

Essa "mente galante" que equilibra-se sobre o eixo do coração, não o faz através da rigidez, mas, a partir da capacidade de dialogar com o contraditório.  A descoberta deste equilíbrio ocorre quando se rompe com paradigmas fixos, possibilitando que a crítica objetiva prevaleça sobre a fé cega ou a ideologia fechada. Ao rejeitarmos a validação cega de dogmas – "prisões mentais criadas pelo homem" e resultados do pensamento alheio – compreendemos que a verdadeira liberdade reside na coragem de pensar por nós mesmos. Pensar, apenas!

 

Maranguape, Ceará, 02 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – ACI nº 1789

Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


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