No
Mix Mateus – Maranguape, em companhia de Rosélia, minha esposa, obtendo os
mantimentos para a semana que se inicia, me veio naquela manhã de domingo (02/08/2026)
um pensamento metafórico e inspirador sobre (re)novação, superação e conquista
de um espaço ideal de dignidade humana: o que há por trás da jornada rumo à terra
de leite e mel?
Ao
final deste caminhar, uma terra de leite e mel mostrou-se à frente do homem
novo forjado durante 40 anos para fruí-la. A geração escrava feneceu no processo;
apenas a nova geração, nascida livre e moldada pelas dificuldades, estava
pronta para a conquista da vida plena, onde a inclusão se faz rainha, o pertencimento
é rei e os súditos fiéis são harmonia e felicidade.
Um
percurso que levaria apenas 11 dias, estendeu-se por 40
anos devido à incredulidade e rebeldia da geração liberta do Egito, que
permanecia escrava mental e espiritualmente, grilhões que em nossos dias mantém-nos
aprisionados quando insistimos em padrões de comportamento repetitivos e
destrutivos, ainda que conscientes das dores que nos causam.
Acostumados
aos costumes egípcios e à mentalidade de servidão, essa geração “liberta”
demonstrou constante ingratidão e murmuração contra Deus e Moisés, como ainda
ocorre nesta contemporaneidade onde culpar as circunstâncias e/ou o passado
pelo estado atual e renunciar à responsabilidade os mudar, acha no vitimismo
âncora leal.
O
vitimismo ancora tudo que impede o avanço espiritual e pessoal. Ao
culpar o passado ("melhor ter ficado no Egito") ou as circunstâncias
atuais ("falta de carne", "medo dos gigantes"), renunciamos
o exercício do direito de transfigurar realidades e de crer nas promessas
futuras que nossas habilidosas potencialidades podem realizar com exatidão
plena.
Não
romper com a "mentalidade de escravo" – que prefere o sofrimento
conhecido à confiança no desconhecido prometido –, nos faz andar sempre em
círculos. A saída desse ciclo vicioso exige gratidão, obediência e a coragem de
abandonar as "cebolas do Egito" – representando apegos ao passado
que, embora dolorosos, parecem seguros. Só parecem, jamais são!
Sob
o fito contemporâneo, essa jornada ganha um significado humanista: o deserto
representa o processo de desconstrução de velhos hábitos, preconceitos e
amarras. O "homem novo" só estará pronto para viver em plenitude
quando compreender que o ápice da evolução humana se baseia em três pilares
fundamentais: Inclusão, Pertencimento e Felicidade.
Nesse
"abismo" que ocorre o amadurecimento. O deserto leva o homem a contemplar
sua total impotência e fraqueza quando destituído de apoios terrenos
e hábitos consolidados. É no "despojamento total" que as
velhas estruturas – preconceitos, vícios e comodismos – perdem a sustentação,
criando o espaço vazio necessário para o novo no qual se investe o “velho homem”.
Filtro
pedagógico por excelência, o deserto não destrói para aniquilar, mas, para
limpar o campo, permitindo que a redescoberta do homem não mais como um ser
autossuficiente e fechado, mas, como um ser em construção, aberto à mudança. Ao
sair desse processo de desconstrução, o "homem novo" emerge uma
consciência da existência mais ampliada.
Este
"homem novo" preparado para uma sociedade baseada na harmonia e
felicidade, onde a inclusão e o pertencimento são valores supremos, diferente
de seus pais, que viviam reclamando e olhando para trás, lidera sua geração,
unida sob uma única lei e um único Deus, construindo uma identidade racial,
política e religiosa própria com a qual avançam ao futuro.
A
inclusão e o pertencimento estabeleceram seu reinado, nesta nova ordem porque
todos compartilham da mesma história de libertação e provisão. A felicidade dos
súditos fiéis reside na certeza de que não são mais escravos do passado, mas
filhos livres, habilitados a viver em plenitude na terra que Deus preparou, sob
a égide da harmonia que os faz iguais acima de tudo.
A
inclusão, neste contexto, deixa de ser um conceito social para se tornar uma
vivência interior: reconhecer que todos nós somos andarilhos em nossos próprios
desertos. A superação do isolamento num deserto conduz-nos ao discernimento de
que a plenitude não é solitária, mas, compartilhada, rompendo com as amarras da
exclusão, do julgamento e do ódio.
O
pilar do pertencimento surge quando se entende que, mesmo na solidão do (auto)encontro,
somos parte de um todo maior –da humanidade e do cosmos – e, assim, cura a
sensação de exílio interno desvelando nosso lugar não pelo que temos, mas, pelo
somos. E somos, exatamente, o que pensamos e o que destes pensamentos materializamos
habitualmente a bem de todos.
Diferente
da felicidade efêmera ancorada no conforto ou no sucesso material (o
"Egito" a que o povo queria retornar), a felicidade do homem novo é
fruto da liberdade interior. É o estado alcançado por aquele que, tendo perdido
tudo o que era superficial, ganhou a si mesmo em verdade e autenticidade. É a
alegria que persiste mesmo na austeridade, pois, é superadora.
Ao
final dos 40 anos, a terra onde mana leite e mel, apresentou-se não como um
direito adquirido por mérito próprio, mas, como uma herança preparada para um
povo maduro. A conquista não foi apenas militar, mas espiritual: apenas aqueles
que foram moldados pelas dificuldades e que aprenderam a confiar cegamente em
suas aptidões a fruíram plenamente.
A
passagem pelo deserto é um rito de passagem crucial para aquele que resolutamente
aceitou tornar-se maior do que a si próprio, vencendo medos, limitações e o
desconhecido, validando a premissa de que a evolução humana exige a morte do
"velho eu" – cheio de certezas absolutas, preconceitos e vícios –
para o nascimento de uma consciência mais ampla.
Esse
período não foi meramente um castigo, ao contrário, foi uma forja habilidosa,
proficiente e necessária de moldagem espiritual e do caráter, onde uma
geração escrava deu lugar a uma nova geração, nascida livre e preparada para
herdar a promessa divina celebrada na aliança com o sagrado. Uma sinergia que
manifesta na matéria tudo o que espírito aspira.
Quando
a vontade do espírito conduz o desejo da matéria, manifesta-se a terra de leite
e mel, que longe de ser um lugar físico e/ou uma simples metáfora para
fertilidade agrícola, reflete a transfiguração espiritual de energias impuras
em pura Luz divina. Representa a união da alma com o sagrado, superando o ego e
as ilusões do mundo, sob a égide do amor puro.
Nesse
estado de iluminação da consciência e do mais alto despertar do amor puro,
nosso coração bem formado traz ao eixo a mente, e a torna sã, para juntos, num
mesmo propósito, façam da terra de leite e mel seja o solo dos nossos passos em
Terra, vivendo em plenitude e harmonia íntima, com o próximo e com a natureza, fertilizamos
a aridez em um “oásis” da humanidade.
Em
nossa terra de leite e mel, o leite manifesta a conversão do rigor em compaixão
– o sangue vermelho da severidade transfigurado no leite branco da bondade. E o
mel, perfeitamente puro para consumo – e doce –, esotericamente, retrata a
capacidade de extrair a doçura e a Luz espiritual a partir do julgamento e/ou
de situações severas e impuras.
Leite
e mel pintam o quadro de uma vida onde o corpo e a alma são nutridos
simultaneamente, indicando que a matéria, quando submissa ao espírito, torna-se
um veículo perfeito para a expressão divina. A "terra de leite e mel"
é, portanto, o coração humano que feito templo vivo, onde o amor puro reina
soberano dissolvendo a ilusão de separação entre o criador e a criatura.
Maranguape,
Ceará, 03 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

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