É
dando que se recebe, afirma Giovanni di Pietro di Bernardone, retumbando com
palavras suas o ensinamento de Yeshua ben Yosephf: “Dai, e vos será dado”
(Lucas 6:38), como também, assim fizera Saulo de Tarso: “Mais bem-aventurada
coisa é dar do que receber” (Atos 20:35). Beleza (Serenidade que irmana a
todos), Sabedoria (Razão ensinando o coração a amar) e Força (Persuasão manifestando
o emprego do amor) estabelecendo o princípio da generosidade e da reciprocidade
espiritual.
A
Beleza, por mim descrita como serenidade e harmonia, não é apenas estética,
mas, ética. É a virtude que suaviza as
arestas do ego e permite a conexão fraterna. Na filosofia, a beleza reside na
simplicidade e na capacidade de ver o divino no próximo, criando um espaço de
acolhimento onde a reciprocidade pode florescer sem coerção. É o
"ornamento" moral que torna o ato de dar desejável e não apenas um
dever. Ela elimina barreiras de egoísmo e atrai pessoas por meio da empatia.
A
Sabedoria, como princípio ordenador, aclara o intelecto para compreender que o
isolamento é ilusório. Ela ensina ao coração que o amor racionalizado não é
cálculo, mas a percepção nítida de que o bem do outro é condição para o próprio
bem. Ao orientar o sentimento, a sabedoria educa o coração para que o ato de
dar seja consciente, ético, verdadeiramente útil ao próximo e feliz. É a gnose desvelando
que reter é empobrecer, enquanto doar é expandir a própria existência.
A
Força não se apresenta como violência ou domínio, mas como a pujança da
cativação amorosa. É a energia vital necessária para vencer a inércia do medo e
do apego material. Dar exige muito mais do que coragem; requer a força de
caráter para confiar nas próprias convicções e habilidades, com as quais se age
contra o instinto de acumulação. Essa força é o vetor de transfiguração da boa-vontade
(Sabedoria) e do sentimento (Beleza) em ação concreta a benefício do mundo.
A
lei de reciprocidade espiritual contrapõe a lógica transacional do
egoísmo. Ela não propõe uma troca
comercial ("dou para ganhar"), mas, uma ontologia da abundância: o
ser humano só se realiza plenamente quando se abre ao outro. A generosidade é, muito
mais, que a prova da liberdade interior; quem teme perder ainda é escravo da
posse. A razão, guiada pela fé, discerne a lógica paradoxal do sagrado: quem
salva sua vida (apegando-se), a perde; quem a perde (doando-a), a salva.
Yeshua
e Saulo apontam que o universo moral é estruturado sobre a dinâmica do fluxo.
Assim como a circulação sanguínea é vital para o corpo, a circulação de bens,
afetos e perdão é vital para a sociedade e para a alma. A "justa medida"
nunca será um pagamento externo, mas, a consequência natural de se viver em
alinhamento com essa lei de amor – a generosidade jamais será uma perda, mas
sim, um investimento no patrimônio da alma, cujos royalties se multiplicam
quando compartidos.
A
recompensa do alinhamento com a "lei de amor" é a própria expansão da
consciência e da paz interior (o patrimônio da alma). Compartir conhecimento,
consolo ou amparo, enleva o ecossistema e todos se beneficiam diretamente da
atmosfera cocriada por todos nós que com laços de amor e de carinho, trouxemos
uns aos outros a se aproximarem; aqueles que mutuamente seguramos nos braços
como quem pega uma criança no colo, a quem nos inclinemos a lhes dar de comer.
(Oséias 11:4)
Inconcebível,
portanto, é reter, acumular de forma egoísta ou recusar o perdão, pois, cria um
coágulo nesse sistema vivo. A retenção egoísta e a recusa em perdoar são formas
de apego que geram sofrimento. A generosidade, portanto, é a inteligência
espiritual aplicada à vida prática. É portentoso antídoto contra a cobiça e o
agarrar-se desesperado às coisas, atuando como mecanismo de desbloqueio
energético e moral, impedindo que o apego e o ressentimento estagnem o fluxo da
vida espiritual.
Não
soltar – seja um objeto, uma ideia ou um ressentimento – imprime uma
"impureza" na mente que impede a paz interior. A generosidade,
portanto, não é, singelamente, caridade, mas, uma estratégia de limpeza
mental que rompe o ciclo do desejo desenfreado, permitindo que a mente se
abra para o amor-bondade passando a incitar a doar como um rei o faz, ou seja,
doar o melhor que se tem, inclusive o último recurso, sem pensamento prévio de
perda ou identificação de um "eu" doador.
Em
todas as antigas tradições, a retenção de bens, de emoções e/ou o não perdoar
imputa um peso que dificulta a evolução, enquanto doar é um ato de inteligência
que liberta quem dá tanto quanto quem recebe. Quem dá o melhor de si abre as
portas da própria intimidade para receber as correntes de paz, alegria,
prosperidade e renovação que movimentam o universo transfigurando feitos e
ressignificando efeitos com o vivaz ato de amar. “Sem amor nada seria” (1
Coríntios 13:2), nem nada evolui.
Eflui
deste amor “incondicional”, que em si integra Beleza, Sabedoria e Força, aquilo
que nos transfigura de acumuladores estático e que nos leva a ser um canal
dinâmico da sinergia que une o profano e do sagrado no mesmo influxo, onde o
"receber" é inevitavelmente o efeito colateral de um "dar"
autêntico, tutelando conceitos fortemente ligados à filosofia hermética, à
maçonaria (pela tríade Beleza, Sabedoria e Força) e à espiritualidade
universalista, augustos docentes atemporais do amor.
Atuar
como um canal limpo e desobstruído e dar espaço para que a sinergia universal
flua sem resistência. A abundância, a paz e a realização não são mais
perseguidas, mas sim, contrapartidas naturais da doação sincera. Esse mecanismo
reflete a lei espiritual de que a vida se expande apenas quando compartilhada,
ecoando o princípio de que o amor é a chave mestra que abre as portas da
evolução consciente, levando-nos a participar como coconstrutores da obra de
regeneração e harmonia.
Minhas
percepções dessa reciprocidade universal, que se faz lei, são ancoradas por
tradições milenares, como a maçonaria que manifesta essa lei a partir da tríade
fundamental: Beleza, Sabedoria e Força, que são as colunas sobre as quais se
ergue o templo interior do iniciado e que orientam sua conduta no mundo, onde suas
ações os constroem (ao mundo e a sí próprio). Pari passu, a filosofia hermética, oferta
a base para a compreensão das leis universais que regem a transformação interna
a bem do homem.
Maranguape,
Ceará, 04 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

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