Quando se ultrapassa a barreira de meio século vivido começa-se a fitar a finitude e ela não se faz de rogada na sua mestria, apregoando conceitos como honestidade, sinceridade e boa-fé que apontam o caminho que há muito tempo devíamos estar a percorrer em busca da luz tão deseja por nós e tão buscada em tantas trilhas já percorridas, algumas das quais ilusórias, outras muitas abandonadas, embora sejam as mais pertinentes à nossa intelecto-sensibilidade, tão bem alicerçada pela filosofia de Immanuel Kant, quanto in voga a cada passo nosso neste caminhar.
Na filosofia, especialmente em Kant, o conhecimento estabelece a relação entre a sensibilidade, que fornece a matéria bruta através da intuição (espaço e tempo), e o entendimento (intelecto), que dá forma a essa matéria. Assim, embora não seja uma palavra única – tão pouco padrão – , a união desses dois conceitos é muitíssimo discutida na teoria do conhecimento e na estética. O conceito de intelecto-sensibilidade é o pivô central da obra de Fayga Ostrower, intitulada "A Sensibilidade do Intelecto", na qual percebemos a fonte da imaginação e do poder criativo humano.
Como afirma Paulo: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Aprendiz do caminho, sou verdadeiro, tendo na honestidade intelectual e no compromisso com a realidade o robusto escudo a afastar-me da falsidades e da desinformação. Agindo com decência, honra e respeito no convívio social pauto minhas decisões na equidade e na imparcialidade e meus pares me reconhecem como nobre justo (Tsadic).
Sem jamais me despir da nobreza que me reveste o reconhecimento dos companheiros que me ladeiam neste caminhar em busca da luz, com eles aprendo o cultivo das mais augustas intenções e dos mais límpidos sentimentos e alcanço a pureza que dissipa e repele as más inclinações e/ou as malícias. Fomentando atitudes que promovem a paz, a reconciliação e o afeto, alcançamos juntos o grau que nos confere Salomão sendo “aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Salmos 24:3-4).
Mestre deste caminho que os exemplos de meus iguais traçam e constroem à minha frente, valorizo o que é de boa reputação e dou testemunho positivo de suas ações, pois, cada uma delas é lume ótimo para as meus passos nesta estrada de iluminação que sigo ao lado deles onde instalo minha mestria nos atos de reconhecimento e exaltação do que é excelente e digno de admiração moral que mutuamente fazemos uns aos outros ao longo de toda a eternidade cumprindo o dever de “guardar nossos corações, porque deles procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23).
Mestre instalado, cônscio de que um coração puro não significa perfeição humana, mas sim, um interior transformado e livre de segundas intenções e totalmente dedicado a Deus, onde habita um coração que manifesta a integridade espiritual e a sinceridade diante do seu Criador, percebo que a comunhão e o acesso à presença de Deus jamais é externa e/ou ritualística, mas sim, uma santidade íntima que limpa a nossa visão espiritual para enxergarmos a presença divina. Envolve coerência entre o que fazemos por fora (mãos limpas) e o que somos por dentro (coração puro).
Este pensamento explora filosoficamente o equilíbrio entre o espiritual e o material. O círculo (divino) une-se ao quadrado (terreno) no desenvolvimento do homem. Ensina que a verdadeira retidão moral provém de forças internas. O dever precisa ser cumprido independentemente dos cenários ao redor. Evoca o respeito e cumprimento rigoroso das tradições e morais, pois, preservam a memória e manifestam na consagração das virtudes e na continuidade do dever guardá-la e difundi-las às gerações por vir, pois, disto depende a a sobrevivência da humanidade.
A ideia de que o homem teria futuro sem a história é contraditória, pois a própria existência humana é historicidade – o ser humano se realiza, se constrói e se projeta no tempo através da ação histórica. Como aponta o pensamento filosófico, especialmente em autores como Gevaert e Caldera, o ser humano é "um vir-a-ser", um projeto em constante transformação que só se realiza no diálogo com o passado e na responsabilidade pelo futuro. Quem não tem passado, não tem futuro, afirmo e mantenho dito. O homem só tem futuro porque viveu e vive a história.
Sem história, não há identidade, memória, cultura ou projeto coletivo – e, sem isso, o futuro perde sentido. Ela funciona como um mapa que impede a repetição de tragédias (o passado como "lição") e permite a construção de um futuro mais consciente, ético e planejado. A história transforma a experiência vivida em sabedoria acumulada para o futuro. E fornece o contexto, a memória coletiva e as lições dos erros e acertos do passado. Um futuro sem história seria um "eterno presente" ou uma repetição cíclica de erros, anulando o progresso humano.
Além disso, pensadores do pessimismo filosófico, como Schopenhauer, argumentam que o sofrimento humano é uma constante histórica, mas, a consciência desse sofrimento é também um produto da história. Portanto, o futuro humano só pode ser pensado dentro do contexto histórico, não como algo que existiria independentemente dele. O estudo da história jamais será unicamente sobre o passado, pois, ele firma-se dia a dia como uma ferramenta criadora de novas possibilidades, de soluções para problemas atuais e de construção de ambiências para o desenvolvimento humano.
Por oportuno, lembro que esta abordagem, ligada à Escola dos Annales, inovou a historiografia ao focar nas estruturas sociais e na vida cotidiana dos homens, em vez de apenas grandes eventos políticos. Envolve compreender as motivações, valores e contextos dos indivíduos, grupos e civilizações, para melhor entender o presente e as mudanças ao longo do tempo. A história é imprescindível para o melhor entendimento do desenvolvimento do homem – social, cultural e politicamente – em seu perene caminhar rumo ao futuro sob a guia da boa-fé disseminada pelos melhor exemplos do presente.
Incondicionalmente, para que o homem tenha um "futuro", ele precisa de um objetivo. Assim, a História como alavanca da memória coletiva, não somente registra o passado, como também, ela é a base da nossa identidade, da nossa capacidade de aprendizado e do que nos diferencia das outras espécies. Sem ela, o homem seria incapaz de evoluir ou planejar o amanhã. Direitos humanos, democracia e medicina avançada são produtos de séculos de lutas históricas. Sem esse lastro, o futuro da humanidade seria um vazio sem propósito. E o homem não arquitetaria destino algum pra si.
Respeitar as cãs (Levítico 19:32) é um reverberante convite a valorizar a trajetória e a sabedoria acumulada por aqueles que envelheceram regulares e prontos para serem reconhecidamente matrizes de tudo que efervescesse a possibilidade de ser melhorado e (re) validado a partir do inovo trazido pelas novas gerações que dão aos legados construídos ao longo das eras novéis (re)significações que potencializam seus usos sob a égide da inventividade do presente. Respeitar as cãs é reconhecer e celebrar o cabelo branco pela igualdade que ele representa e estabelece como memória da humanidade.
Respeitamos o respeitável, assim, somos respeitados, pois, é uma atitude que reflete valores como consideração, admiração e reconhecimento pelas qualidades alheias, especialmente daqueles que demonstram integridade, responsabilidade e coerência em suas ações. Quando nos posicionamos com respeito diante de quem merece, não apenas honramos essas qualidades, como também, reforçamos nossa própria credibilidade e caráter. Nos vemos no que respeitamos, pois, nos identificam, nos igualam e manifestam o que há de mais probo e excelso em nós.
O verdadeiro respeito vem de dentro, ele não é buscado por reconhecimento externo, mas, é cultivado ao agir com honestidade, sinceridade e boa fé mesmo quando não seja aceito e/ou inconveniente a todos. Pessoas respeitadas são aquelas que, como Ned Stark, personagem de Game of Thrones, assumem suas responsabilidades com coragem e dignidade, mostrando que seu comportamento é guiado por valores inefáveis, não por tosca conveniência. Ser respeitado é um resultado natural de viver de forma autêntica e alinhada aos princípios sólidos que rege o homem que iluminou-se.
Banabuiú, Ceará, 02 de Julho de 2026
Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE
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