quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DIA NACIONAL DO MAÇOM

Hoje (20/08) é aquele dia especialíssimo que nos inspira rememorar de onde vimos, pois, serve-nos de robustecimento da busca perene da resposta ao questionamento que não cessa: para onde vamos? Ocorre que um homem sem passado não tem futuro, já que, lhe falta as bases, o sólido alicerce, para a majestosa ambiência que abriga sonhos, que os vê realizados, que inspira muitos outros sonhos além destes, que, também, verá conclusos no futuro, a partir desse solo firme de valores inalteráveis — como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade — que se torna possível erguer "templos à virtude" e abrigar os mais majestosos sonhos de progresso para a humanidade.

 

A palavra "pedreiro" tem origem no latim petrarium, que significa relativo às pedras. O profissional geralmente trabalha sob a orientação de um mestre de obras, engenheiro ou arquiteto, sendo essencial para a execução física dos projetos de construção civil, o que requer ler e compreendê-los com argúcia. Chamados alvanéis na antiguidade, eram os oficiais que trabalhavam com pedras, tijolos e outros materiais de construção. 

 

Os alvanéis (pedreiros medievais) eram organizados em guildas (ou corporações de ofício), que eram associações cruciais para a vida econômica, social e política da época. Essas guildas protegiam os interesses de seus membros, regulavam a profissão, controlavam a concorrência, definiam salários, estabeleciam preços justos e de inspecionavam o trabalho para garantir a alta qualidade das construções.

 

As guildas possuíam um sistema de aprendizado, com a hierarquia de aprendiz, oficial e mestre, a partir do qual assegurava que os conhecimentos e técnicas fossem transmitidos de geração em geração, garantindo não somente um alto nível de habilidade, como também, o reconhecimento social, conforme os níveis hierárquicos que dotavam as guildas de força, de beleza e de sabedoria:

 

  • O Nível de Aprendizes, composto, geralmente, por jovens que passavam a viver com o mestre por um período determinado, aprendendo o ofício. Embora não recebessem salário, eram acolhidos com galhardia, pois, o futuro da profissão deve ser bem abrigado e alimentado: material, intelectual e espiritualmente.

 

  • O nível de Oficiais (ou Jornadeiros), formado por aprendizes experientes, que já recebiam um salário e trabalhavam para os mestres, que lhes oportunizavam momentos-prova para que seus conhecimentos se fizessem sabedoria a partir do uso habitual, garantir-lhes o oficialato – um status quo intermediário na hierarquia da guilda.

 

  • O nível de Mestres, constituído por artesãos plenamente qualificados, donos de suas próprias oficinas e que detinham o poder decisório dentro da guilda, pois, suas “obras primas” não somente os precediam como também, certificavam que o discípulo (oficial) estava pronto para a manifestação da mestria com exata prontidão e com protagonismos dignificantes.

 

Funcionando como uma rede de segurança social, as guildas organizavam fundos para cobrir custos funerários, auxiliar famílias de membros falecidos e prover aposentadoria, funcionando como uma forma de seguro de vida e saúde. Este sistema fulcrava um forte senso de comunidade, honra e valorização do trabalho manual, o que contribuía para o reconhecimento social dos profissionais.

 

As guildas organizavam festivais, elegiam santos padroeiros e garantiam dias de folga em datas religiosas, promovendo a solidariedade e a coesão social entre os membros e as sociedades com as quais interagiam. Agências mediante as quais os membros de guildas podiam ter representação nas câmaras das cidades, o que lhes dava influência política e a capacidade de defender seus interesses coletivos.

 

O declínio da construção de grandes catedrais na Europa, especialmente após a Reforma Protestante, levou a uma diminuição na necessidade de pedreiros operários. Com isso, as guildas de pedreiros começaram a aceitar membros que não eram construtores profissionais, evoluindo de uma organização estritamente operacional para uma sociedade com foco no aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual.

 

Semeada na fértil terra da tradição, que mantem a estrutura hierárquica e os rituais das antigas guildas de alvanéis e/ou pedreiros medievais, ergue-se ao sol do vanguardismo a plântula da maçonaria operativa regada no tempo oportuno pelos novéis saberes que agrega, bem como, adubada proporcionalmente ao seu crescimento pelos augustos valores que passam a fortalecê-la, embelezá-la e a torná-la mais sábia.

 

Predestinada ao progressismo perene, a plântula da maçonaria operativa é proficuamente sucedida pela maçonaria especulativa, porém, preservando a estrutura e os símbolos das guildas medievais. A transição ocorreu gradualmente, à medida que os membros "aceitos" superaram em número os operativos, mudando o foco da construção material para a construção de um "templo interior" e de uma sociedade melhor.

 

A Maçonaria moderna é essencialmente especulativa e os maçons (pedreiros livres) valendo-se da disciplina mental que exerce sobre si, a partir do estudo rigoroso das artes liberais e dos oito sentidos que lhe exige foco, raciocínio lógico e perseverança, alcança o objetivo do estudo (a verdade, a clareza intelectual) é comparado à luz do sol da sabedoria que desobscurece os rumos da humanidade construindo-lhe sociedades justas.

 

Alcançar essa clareza requer esforço. Desta forma, mesmo no "ponto mais quente" do desafio intelectual, onde a intensidade da verdade ou do conhecimento é difícil de suportar ou assimilar imediatamente, como olhar diretamente para o sol em vivaz canícula do meio-dia, o estudante das artes liberais deve perseverar até que o mestre manifeste sua formação humana integral construído o feliz convívio para os homens.

 

Cônscios de seu dever como construtores do novo tempo que auroresce no horizonte, os atuais alvanéis (maçons) sabem que devem ser exemplos de homens virtuosos, aqueles que agem com retidão, honestidade e integridade, que demonstram bondade, prudência e justiça, pois, são um modelo de homem de palavra, que honram seus compromissos, além de lábaros de conduta moral para sua família e comunidade.

 

Diligente, homem de letras, ou seja, um indivíduo erudito, culto e envolvido em atividades literárias, como a escrita profissional, o estudo da linguística e da literatura, ou a filosofia. Do qual se espera que demonstre grande conhecimento e uma dedicação profunda ao mundo das palavras e das ideias. Um intelectual que reflete sobre a sociedade, a política e a condição humana, cujos constructos buscam aprimorá-la.

 

Este venturoso pedreiro livre, como faziam seus ancestrais, analisa o mundo ao seu redor e contribui para o debate público com opiniões ponderadas e bem fundamentadas, sob os auspícios do compasso que estabelece os limites da honorabilidade, sob a égide do esquadro que ancora o humano no homem e sob a firmeza da alavanca que move pensamentos, muda atitudes e institui a felicidade humana como meta.

 

Aprendiz do Quadrivium que foca nas artes relacionadas à matemática e à estrutura do universo: aritmética, geometria, música e astronomia, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, fez da música a alavanca que sob sua mestria transformou os dias do povo nordestino e, também, brasileiro em suas outras regiões, inspirando protagonismos e instituindo a identidade social dos brasileiros na coesão que inspira.

 

O legado deste pedreiro livre notável, o forró, não somente festeja as memórias de seus muitos e incontestáveis feitos e efeitos em prol da nação brasileira, mas, principalmente, celebra a existência dos entes humanos que constroem as sociedades nas quais vicejam bem-estar, coesão e harmonia no mais augusto convívio que ensejam a vida plana de prosperidade, dignidade, felicidade e excelsitude.

 

No cotidiano, a ética maçônica foca na Lapidação do "Templo Interior" – a constante busca pelo aperfeiçoamento moral e retificação da consciência que são seguro porto para o homem integral – e na Justiça Social – o trabalho voltado para o bem-estar da sociedade, a diminuição das injustiças, a inclusão social a partir do acolhimento e apoio aos desvalidos da fortuna e o estabelecimento do senso de pertencimento que abraça a todos como iguais.

 

Esses pontos de referência não são apenas conceitos, mas, ferramentas de identificação que garantem que o maçom, ao se reconhecer nesses valores, mantenha o engajamento e a produtividade no serviço à humanidade, desassociando a imagem de "sociedade secreta" para uma "sociedade discreta" de valores enlevados – um landmark social e político para a humanidade – ancorados na filantropia e na influência positiva nas sociedades.

 

Neste toar, neste 20 de Agosto, festejamos as primícias da ORDEM que formam o acróstico-guia para a excelência pessoal e operacional do maçom. O (Organização): a capacidade de estruturar recursos, tempo e espaço para alcançar objetivos com clareza. R (Regularidade): a manutenção da constância e do ritmo nas ações, evitando a intermitência que prejudica o progresso. D (Disciplina): o cumprimento voluntário de normas e o domínio sobre os próprios impulsos em prol de um propósito maior. E (Esmero): a dedicação ao detalhe e a busca pela perfeição na execução de qualquer tarefa. M (Madureza): a equilíbrio emocional e a capacidade de assumir responsabilidades com consciência e discernimento.

 

Maranguape, 20 de Agosto de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Cléber Tomás Vianna

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

BRUNA


 És brava roseira

Esmerado orgulho meu

Moça guerreira

Meu coração te elegeu

 

Tu me enches de emoção

Declara-me a razão

Mereces reconhecimento

Enalteço teu mérito

 

Com encantamento

Vieste transformar os dias

Trazes-me boaventura

Adornando cada boa hora

 

Meu mais aquilatado tesouro

Hoje tu aniversarias

Destemida novo ciclo inicias

Arquitetando futuro

 

Inauguras tempo novo

Realinhando tuas trajetórias

Onde reina justo inovo

Prospectando reais vitórias

 

Conquistas do bom coração

Que em ti habita contente

Celebrando toda grata ação

De tua mão proeminente

 

Maranguape, Ceará, 19 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, Pai de Bruna

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

QUATRO PILARES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

 

Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tiago 1:17). Seja qual seja o dom, conhecê-lo é preciso (estudar), discerni-lo é crucial (leitura), praticá-lo é necessário (escrita) e exercê-lo com amor (gosto).

 

Estudar é o alicerce de tudo que há estabelecido. O estudo transforma o potencial bruto (o dom) em conhecimento estruturado e consciente. Exige a aquisição de conhecimento adjacentes para que possibilitam uma melhor identificação das fontes de bênçãos galgadas pelo buscador da verdade.

 

Solitário, porém, enaltecedor. Reflexivo e esclarecedor, o verdadeiro estudo requer abnegação, preparação e concentração, especialmente ao conciliar trabalho e aprendizado, para uma melhor aquisição de conhecimentos, cultura e o traçado de objetivos de vida.

 

Essa jornada pede-nos uma postura ativa, análise da realidade para identificar fontes confiáveis e reinventar o entendimento, a partir da pesquisa fatos em fontes confiáveis, do pensar sobre eles por conta própria e da formação da própria opinião, que nos capacita a ser agente ativo do conhecimento.

 

A expansão da consciência e a absorção de conhecimentos adjacentes oportuniza ao buscador da verdade, não somente melhorar sua empregabilidade, mas também, desvelar, desenvolver e estimular a sabedoria necessária para liderar e transformar sua realidade de forma produtiva e promissora.

 

Conscienciosamente, ler expande a mente e traz maturidade; e com ela, o discernimento determina onde, como e quando aplicar o que foi aprendido. Envolve a análise crítica e espiritual para distinguir o que é genuinamente "bom e perfeito" de ilusões ou falsos dons que obstam o humano no homem.

 

Condensa-se, aqui, com exatidão o processo de maturidade integral: a leitura consciente atua como o alicerce que expande a cognição, enquanto o discernimento funciona como o mecanismo de filtro e aplicação prática: separar o que edifica ("bom e perfeito") do que ilude ou estagna o potencial humano

 

A leitura não é unicamente um ato de absorção de dados, mas, um exercício de transformação pessoal. Ela fornece o "alimento sólido" necessário para o desenvolvimento intelectual e espiritual. O conhecimento teórico, por si só, é insuficiente sem a capacidade de aplicação prática.

 

A maturidade espiritual e intelectual é fruto de um processo contínuo de "costume" ou hábito. Fomentar o discernimento exige que saiamos da singeleza dos ensinamentos mais basilares e que avancemos para questões mais profundas. Examinai tudo. Retende o bem (1 Tessalonicenses 5:21).

 

A prática habitual sedimenta o conhecimento. Escrever ou agir tira a ideia do campo abstrato e a transforma em realidade visível, aprazível e duradoura. Reflete a internalização e a documentação da convicção, transformando a teoria em ação tangível e registrada, que possa ser replicada.

 

Agir é a ponte que une o potencial à realidade. Do hábito de escrever e/ou agir, emerge o registro físico do pensamento, impedindo que boas ideias se percam no esquecimento. Manifesta o conceito de práxis, onde o conhecimento abstrato é materializado em ação transformadora e concreta.

 

A prática não é tão somente executar algo, ao contrário, é um processo constante de fazer e refazer que transforma conhecimento em competência e realidade visível. O cérebro aprende executando. O papel revela falhas na teoria. O registro gera um histórico replicável. Ver a evolução motiva a continuidade.

 

O ato de agir sedimenta o conhecimento através do habitus, sistema de disposições duráveis incorporadas que permitem a ação pré-reflexiva e adaptativa, indo além da simples repetição mecânica, transformando regras sociais e experiências passadas em corpo (gestos, postura, tom de voz, reações imediatas).

 

Não é um saber intelectualizado, mas, um “sentido prático”. Cada nova ação reforça ou calibra nossas disposições internas. “O habitus não é um mero automatismo biológico ou uma repetição cega; ele é uma estrutura estruturante que une a história individual e coletiva à ação prática diária”, afirma Pierre Bourdieu.

 

Diferente de um hábito mecânico, o habitus é criativo e gerador. Esta agência tangível permite a reflexividade, onde o desajuste entre disposições habituais e novos contextos estimula a deliberação consciente, consolidando a convicção e possibilitando a replicação do saber adquirido.

 

O habitus oportuniza o enfrentamento de situações inéditas de maneira adequada, usando as regras invisíveis já internalizadas. É o que Bourdieu chama de "sentido do jogo" – antecipar o que vai acontecer e agir de forma eficaz sem seguir um manual, de maneira fluida, contundente e aprazível.

 

O gosto é o motor de permanência. Exercer um dom com amor garante que a caminhada seja leve, excelente e gere frutos verdadeiros para os outros. A aplicação final dos dons deve ser temperada pelo amor, que é o critério supremo da justiça divina. O galardão é proporcional ao mérito.

 

Radicar que "o gosto é o motor de permanência" encontra eco na teologia paulina ao identificar o amor (ágape) não apenas como um mandamento, mas, como a disposição interior que torna o exercício dos dons sustentável e agradável. Sem essa motivação amorosa, tudo se torna fardo, ruído e vaidade.

 

O amor é o "lubrificante" a permitir que as engrenagens dos diferentes dons funcionem harmoniosamente, evitando o atrito do orgulho e da competição. Assim, o "gosto" ou a motivação correta garante a permanente diligência ao transformar a obrigação em deleite e a performance em devoção.

 

A excelência não está na sofisticação do dom, ao contrário, viceja na pureza da motivação. Um dom simples, exercido com amor genuíno, possui mais valor durável do que manifestações extraordinárias desprovidas de caridade. O amor remove o peso, a ansiedade e a divisão ao direcionar o foco para o bem do outro. 

 

Exercer um dom sem amor é estéril e vazio. O amor, definido por Paulo de Tarso, manifesta ações concretas de caráter: é paciente, benigno, não inveja, não se vangloria e não busca os seus próprios interesses, ao contrário, transforma a diversidade em unidade e não motivo de disputa.

 

Neste toar, sem o estudo, tudo é vão e o dom fica cego. Sem a leitura, a visão é turva e tudo fica sem profundidade. Sem a prática, tudo é inerte e dom fenece. E sem o amor, nada viceja e o dom se torna apenas uma tarefa mecânica. Longe da sinergia deste pilares do desenvolvimento nada progride.

 

 Maranguape, Ceará, 17 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

domingo, 16 de agosto de 2026

SOB O TETO DA AURORA


A aurora, que representa a renovação da vida, a luz que vence a escuridão e o despertar coletivo para valores essenciais como o amor, a paz e a fraternidade universal, é o ponto exato de transição entre o mistério da noite e a clareza do dia. O simbolismo da aurora atravessa séculos através de deusas mitológicas, lendas folclóricas e grandes obras de arte.

 

Nas regiões polares, a aurora obteve significados mágicos e espirituais profundos. Na mitologia finlandesa, acreditava-se que uma raposa mágica corria pelas montanhas nevadas. Sua cauda batia na neve e soltava faíscas que coloriam o céu noturno. Para os Vikings, ela é o reflexo das armaduras brilhantes das Valquírias ou a ponte que conectava a Terra ao reino dos deuses.

 

Na tradição greco-romana, a aurora era personificada como uma divindade que cruzava os céus para abrir as portas do dia. Ela voava pelo céu em uma carruagem antes do Sol (seu irmão Hélio/Apolo) para anunciar a luz do dia. O mito explica o orvalho matinal como as lágrimas da deusa que chorava a perda de seu filho Memnon, morto na Guerra de Troia.

 

Pintores do Renascimento ao Romantismo usavam a imagem da deusa para representar o despertar da consciência humana. Na literatura, poetas como Homero e Shakespeare usavam a aurora como metáfora para novos começos, cura interior e a passagem implacável do tempo a manifestar prodígios, desvelar mistérios e aviar desígnios promovendo a renovação em todo o universo a cada novo ciclo que inicia.

 

Inaugurando o despertar espiritual, a luz que vence a escuridão e o renascimento da consciência, “a aurora simboliza o instante da união mística com o Divino, onde a ignorância se dissipa e a iluminação interior acontece”, afirma Carl Gustave Jung. Sendo uma das metáforas mais potentes para a evolução da alma, a aurora vai muito além do fenômeno físico.

 

O místico e teósofo alemão Jacob Boehme publicou em 1612 uma de suas obras mais importantes, intitulada A Aurora Nascente, onde ele descreve a aurora como a "raiz ou mãe" da filosofia e da astrologia, funcionando como um guia metafísico para compreender as verdades sobrenaturais, as forças da criação através das analogias da natureza, e os influxos da vida.

 

Associada a importantes correntes filosóficas, ordens iniciáticas e tratados clássicos da alquimia, “o nome ‘aurora’ tem sido escolhido estrategicamente para simbolizar o raiar de uma nova era de conhecimento espiritual, onde mistérios e tradições antigas seriam, finalmente, revelados e unificadas, anuncia a Hermetic Order of the Golden Dawn, fundada em 1888.

 

A aurora transcende sua definição astronômica de amanhecer para se tornar uma das metáforas mais profundas da jornada humana. Ela representa o instante crítico de transição onde a estagnação dá lugar ao movimento, e o desconhecido se revela. Magisticamente, evocar a energia da aurora depura energias densas acumuladas durante períodos difíceis ("a noite").

 

Espiritualmente, este fenômeno (aurora) não é unicamente observável no céu, pois, ocorre internamente quando a alma decide romper com padrões antigos e sai à busca de clareza e vitalidade para novos intentos. Representa o momento exato em que o buscador sai da noite escura da alma (nigredo) e entra no estado de purificação e despertar (albedo e citrinitas).

 

A dinâmica entre a luz e a sombra é central para a compreensão da evolução espiritual. A escuridão da noite simboliza a ignorância, o medo e o ego, estados onde a visão turva obsta o melhor discernimento das realidades vistas e a confusão predomina. A chegada da aurora não destrói a noite agressivamente, mas a dissolve gradualmente através da presença da luz.

 

Compreender a "distância entre a sombra e a luz" é crucial para jornada evolutiva do indivíduo, pois, à medida que a consciência se expande, afastam-se os sentimentos densos e o materialismo, oportunizando a aproximação da pureza e do autoconhecimento. A luz da aurora, portanto, atua como um agente revelador que expõe a verdade oculta nas trevas da inconsciência.

 

Na tradição judaico-cristã, a aurora carrega significados paralelos de fidelidade divina e redenção.  Passagens como Salmos 30:5 ("o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã") reforçam a ideia de que o sofrimento é temporário e a renovação é certa. A luz da aurora é efusivamente ligada à própria presença de Deus e à sua revelação.

 

A aurora simboliza ressurreição diuturna da alma, onde velhas identidades morrem para dar lugar a uma compreensão mais elevada da existência e uma conexão mais profunda com o universo. Esse despertar da consciência é percebido como um sair do "sono" espiritual. É o instante em que a essência se manifesta além das limitações físicas e mentais.

 

Neste contexto, a iluminação interior é uma realização interna onde a dualidade entre o eu e o todo se dissolve. A "luz que vence a escuridão" é a sabedoria que dissipa a ilusão da separação. É comparável à "estrela da alva" que nasce no coração, trazendo clareza absoluta e a a ignorância se dissipa não por esforço intelectual, mas por uma revelação direta da verdade.

 

Em Provérbios 4:18, a vereda dos justos é comparada à luz da aurora que brilha cada vez mais até ser dia perfeito, simbolizando um crescimento espiritual contínuo e progressivo rumo à santidade total. A aurora, então, deixa de ser meramente um tempo cronológico e se torna um estado de graça e presença plena, onde a consciência individual se funde com a Consciência Cósmica.

 

Viver a aurora no dia a dia envolve cultivar a esperança ativa, vigilância espiritual e semear o amor perenemente. Significa iniciar cada dia com gratidão, reconhecendo a misericórdia renovada e as novas oportunidades que se apresentam.  É um convite a sermos aurora onde estivermos dissipando as "trevas" de ressentimentos passados ou medos futuros.

 

Maranguape, Ceará, 16 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas 

sábado, 15 de agosto de 2026

A SABEDORIA SOMENTE EFLORESCE QUANDO SEMEADA

 

Um dos mais formidáveis avanços da humanidade foi aprender o quão é bom cultivar, zelar e guardar tudo que faz do homem, além de humano, um ser humano prodigiosamente social.  Afinal, “o homem nasce como um ser ‘inconcluso’ que se humaniza ao criar e transformar o mundo material, estabelecendo relações sociais mediadas pela produção”, afirmam a teoria histórico-cultural e o materialismo dialético.

 

À humanidade compete o zelo pelo "Jardim" como uma ambiência de vida e feliz convívio, ao passo que à Academia Cearense de Letras cumpre diligenciar a proteção do patrimônio imaterial da sociedade cearense e disseminar todos os mais enaltecedores valores do homem ao longo da jornada evolutiva da humanidade, onde o viver bem e o conviver feliz norteiam os caminhos daqueles que buscam a sabedoria.

 

Neste dia de hoje (14/08) festejamos mais um aniversário da Academia Cearense de Letras, que há 132 anos tem por mister primevo o robustecimento do tecido social, garantindo que a produção intelectual do passado continue a fertilizar o presente e o futuro. Para isto, conserva obras e documentos, além da difusão ativa de valores que enaltecem a condição humana, aprimoram a humanidade e motivam perene evolução.

 

Uma arcádia não é um local onde homens velhos encontram alento para sua velhice, ao contrário é uma ambiência onde todos são novéis. Muito menos é um local onde os homens jovens investidos da imortalidade agem irreverentes e excêntricos, ao contrário, um silogeu é um útero, em ciese plena, aformoseando o novo, sob a inspiração da tradição; onde homens velhos e/ou novos imortalizam(-se) (em) suas artes.

 

Funcionando como um espaço sagrado de formação e aprimoramento, uma academia, resolutamente estabelecida conforme os princípios e preceitos que sustentam sua existência, dá ensejo à cioforia da cultura e jamais será um depósito de memórias antigas, pois, vai além desta delicadeza com o homem, para ser-se edificadora mental da inocência e da novidade a bem sobrevivência da humanidade.

 

O avanço da humanidade, portanto, reside neste desvelo em que a cultura e a ciência são produtos do trabalho coletivo, que não apenas satisfazem necessidades materiais, mas também, humanizam o homem, transformando-o em um ser capaz de refletir, admirar e garantir sua própria reprodução social e histórica, além de fomentar seu desenvolvimento espiritual, intelectual e ético da humanidade a partir deste melhoramento.

 

A escrita, neste influxo, além preservar a memória cultural da sociedade, desempenhando um papel importante para a materialização da mensagem permitindo a comunicação à distância no espaço e no tempo, confere àqueles que se dão ao exercício das artes uma grande responsabilidade, pois, cada palavra que de si transcende ao universo e aos homens é um tijolo bem assentado na construção social com fito no belo.

 

A palavra escrita propõe maior liberdade à nossa mente para criar e nos inspirar a partir de infinitas possibilidades de conteúdos –desde nossos pensamentos até projetos e histórias fictícias. É imprescindível, portanto, que os escritores tenham consciência do poder da escrita e do impacto de suas palavras para que busquem criar obras excelentemente contributivas para um mundo mais inclusivo, harmonioso e feliz.

 

Notabiliza-se a real proposta das letras, que vai muito além de ser um caractere do alfabeto que formam palavras, como as de uma música, para assumir-se no seu mais aquilatado valor: a atividade literária em si, ou seja, o estudo e a produção de textos escritos. "As letras" se referem àqueles que se dedicam ao estudo, ao cultivo da língua e à criação literária. E um chamado àqueles que transformam a vida com sua arte.

 

Escrever é a arte mais antiga exercida pelo homem, desde a mais tenra idade da humanidade. Inicialmente, a partir da pintura rupestre, o homem historiou suas aventuras e desventuras. Descreveu suas batalhas e conquistas. Contou de seus adversários e de seus amigos. Reportou suas festas, a natureza que o abrigava. Disse de si ao universo e ao mundo com este modo pictográfico de falar.

 

Conscienciosamente, difusora da História e da Cultura, a escrita faz-se o principal instrumento de comunicação ao superar limitações temporais e espaciais, eternizando memórias, ideias e a própria existência humana, oportunizando ao passado ensinar ao futuro. Ao registrar experiências, a escrita disponibiliza uma forma de imortalidade simbólica, garantindo o registro de existências ("eu estive aqui").

 

Além de olhar para trás, a escrita, e os escritores que em torno dela vicejam, possuem um poder prospectivo. O escritor e a escrita compartilham a mesma essência que reside na linguagem como extensão do pensamento. O domínio sobre as letras torna o escritor um habilidoso arquiteto do futuro. A literatura, a educação e o pensamento crítico são cruciais para imaginar e planejar sociedades mais justas e aprazíveis.

 

Da poética e enlevada definição dos escritores, intelectuais e educadores, referidos metaforicamente como "Homens de Letras”, emerge a função dual da escrita: é um "ato de magia" ou ritual que tem o condão de tornar visível (texto) o invisível (pensamento, sonho, o inefável) preservando o passado como alicerce do melhor futuro que constrói a bem do coletivo que ela cativa sob os influxos de memoráveis “homens de letras”.

 

São estes “homens de letras”, que se dedicam ao estudo e produção de textos literários, os portentosos influenciadores culturais coadjuvando evolução intelecto-moral do homem. Eles manifestam ao mundo as academias que representam, ao passo que por elas são representados, no cumprimento do seu mister comum: preservar a memória coletiva a identidade de sua época, garantindo a inclusão estabelecendo o pertencimento.

 

Homens de Letras, com a fundação da Academia Cearense de Letras, 15 de agosto de 1894, granjearam a verdadeira imortalidade, aquela que não está na vida eterna, mas sim, no impacto duradouro que deixam às gerações futuras: bens materiais, ensinamentos, valores, ações e/ou influências que exercem sobre o mundo e na memória das pessoas ao seu redor. O sabedoria de um povo só efloresce quando semeada.

 

Nascida para aclarar os caminhos de muitos, a Academia Cearense de Letras tem por seu primeiro presidente Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que contou o auxílio eficaz de outros 27 Homens de Letras, dentre os quais destacam-se: Guilherme Chambly Studart, Justiniano Jose de Serpa, Antonino da Cunha Fontenele, Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar e Antônio Augusto de Vasconcelos e mais. Estes entes humanos magníficos que vivem na influência que fazem em nossos dias.

 

Tendo como meta a felicidade e o progresso da humanidade a partir do livro que instrui o homem, os “Homens de Letras” impulsionam as academias ao fidedigno cumprimento dos seus compromissos basilares de receber, doar (compartilhar) e guardar os saberes de todos os tempos. Ratificando neste dia (15-08) o compromisso com a memória literária, a normatização do idioma e a democratização do saber.

 

Maranguape, Ceará, 15 de Agosto de 2026

 

ACADEMIA INTERNCIONAL DE MAÇONS IMORTAIS

Assessoria Especial da Presidência

Diretoria de Comunicação Social

Bruno Bezerra de Macedo

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FELICIDADE – O DÍNAMO DE TODO O PROGRESSO HUMANO

 

Formosura da resistência, a felicidade é o dínamo da mais vivaz energia que anima o homem na construção do povir mais aprazível e belo, onde a natureza humana encontra ambiência para manifestar-se com exemplo de intelectualidade humana em sua promoção constante da humanização do homem. A felicidade é, portanto, o "fruto" (o resultado) do "labor" (o esforço/empenho) que a exerce perenemente, ou seja, ela jamais será passiva, ao contrário, é "laborada" ou trabalhada diariamente e tornada mais efusivamente contagiante a cada dia.

 

O trabalho físico transforma a matéria, o "labor pela felicidade" transmuta dificuldades e emoções em aprendizado e resiliência. A felicidade é uma construção ativa, onde o trabalho dedicado de cada um cultiva os frutos da realização pessoal e da alegria. Ela não cai do céu, nem é formada por nenhum toque espiritual, porém, é contagiante, cativante e motivadora do progresso humano desde tempos imemoriais. “O feliz produz o melhor para o mundo”, sustentam as pesquisas realizas pela Saïd Business School da Universidade de Oxford.

 

A felicidade é o labor mais excelso do homem alcançado somente pela prática da virtude e pelo uso da razão. Não é um estado passivo, mas uma atividade da alma ajustada à virtude ao longo de uma vida inteira, segundo Aristóteles. Ela é o pleno desenvolvimento da natureza humana, o "eflorescimento" através da excelência diária, portanto, jamais terceirizada – delegada a outrem. Resultado do trabalho incansável, maduro e consciencioso daqueles que a exercem diuturnamente, a felicidade é inclusão, harmonia, pertencimento e identidade.

 

Esses quatro pilares sustentam a felicidade, que deixa de ser um momento passageiro e firma-se como um estado de paz sustentável. Sentir-se incluído diminui a ansiedade social. Em sinergia com as ambiências e com outrem, experiencia-se um viver com ínfimos índices de conflitos internos e externos. Ser parte – da família, dos grupos de amigos, etc. – é fruto do reconhecimento daqueles que estão em nossa órbita, pois, “somente os iguais se reconhecem, afirma Parmênides. Essa Identidade é forjada no cálido viver autêntico e sem máscaras.

 

A felicidade é um processo de autodescoberta, autoconhecimento e de protagonismo da vacuidade – nada existe isoladamente, mas sim, de forma interdepende. Ser feliz é um perene (re)assumir do lugar que nos compete no universo através da virtude, da sabedoria e da conexão genuína com o outro e com o mundo. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e ao universo, pois, se o que buscas não encontrares primeiro em ti, jamais o acharás em lugar algum”, concita-nos esta inscrição inominada lida ainda hoje no Templo de Delphos na Grécia.

 

Autêntica, a felicidade nasce da complementaridade e da inclusão, resultando em paz interior, serenidade e nos mais enlevado senso de pertencimento. Esse sentimento de pertencimento é imprescindível para manter relações estáveis, moldar comportamentos, enquanto a felicidade se identifica com a identidade profunda do indivíduo. Envolve a integração de afetos positivos e negativos, não a ausência de dor, mas a manutenção de um equilíbrio dinâmico. depende daquilo que a pessoa é, e não do que possui e/ou do que representa socialmente.

 

Norte magnético das agências (r)evolutivas humanas, a felicidade atua como um prumo a indicar as necessidades duradouras de equilíbrio afetivo, e não como um mapa rígido de conquistas externas. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, “a felicidade genuína favorece a saúde mental, o altruísmo e o desenvolvimento de relações saudáveis, sendo amiga da harmonia e da verdade”. É arte formidável do melhor viver, estabelecida através das ações virtuosas habitualmente pratica por todos que a buscam como alavanca todo o progresso.

 

A felicidade, neste contexto, não requer "purificação emocional", mas sim, a aceitação da experiência humana completa. Construir paz e harmonia envolve buscar o consenso, o perdão e a possibilidade de vida para todos, pois, robustecem as conexões significativas que se animam na felicidade com a qual contagiam seus feitos e efeitos proeminentes a benefício dos laços que soerguem a fraternidade que manifesta a humanidade no simples ato: “amemos uns aos outros, pois, o amor procede de Deus” (1 João 4:7).

 

Não creio haver, em tempo algum, no passado já vivido, no presente no qual se vive, no qual erigimos o futuro, algo mais pleno de felicidade que ato de amor. O amor é a mais augusta expressão da felicidade e um potente regulador fisiológico e emocional. Pesquisas indicam que vínculos afetivos estáveis reduzem os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e estimulam a liberação de ocitocina, dopamina e endorfinas, substâncias ligadas ao prazer, confiança e alívio da dor. O ato de amar aumenta a empatia, diminui o egocentrismo e cria identidade.

 

O amor e a felicidade longe de serem sentimentos individuais, são, resolutamente, forças motrizes que impulsionam o avanço econômico, social e cultural da humanidade. Não se sabe um finda um e onde começa o outro, mas, com toda certeza, onde não há amor, não respira a felicidade. Da mesma forma, não vicejando a felicidade, o amor não habita. Das magias de ambos, eflui o conhecimento que encanta; o desenvolvimento que facilita o caminhar rumo ao futuro; e a (r)evolução que capacita os empreendimentos de bem-estar e grato convívio no porvir.

 

Neste diapasão, Inácio Ferreira corrobora de maneira consubstanciada aportando uma perspectiva sob a ótica espírita: “o amor é o "sol interior" que reúne anseios e revelações sublimes, sendo o estágio mais elevado do sentimento”. A felicidade, a seu tempo, está intimamente vinculada a esse amor: "a felicidade vem do amor; o progresso vem da cooperação".  Tanto para o amor, quanto para a felicidade apenas o “sentir” não basta, pois, precisam ser materializados, pois, sem ações transformadoras, é tola efemeridade.

 

Um enlevo assim tão gracioso, requer esmero e assunção da responsabilidade pessoal pelo testemunho de amor, criando elos de libertação e paz, onde a felicidade encontre um lar permanente em nossas vidas. A cultura acadêmica por si só não confere sabedoria; é a vivência do amor que acende a luz interior necessária para o verdadeiro progresso. Assim sendo, nenhum progresso há sem diligente dedicação e habitual esmero na busca da excelência; e, de forma igual, a felicidade não prescinde destas mesmas agências que a vigem em nós e no mundo.

 

Maranguape, Ceará, 13 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A ARTE MOVE O AMOR POR ONDE PASSA

 


Nesta quarta-feira (12-08) celebramos o Dia Nacional das Artes, cônscios de que a mais formidável das artes é aquela que cultivando o riso transfigura ambientes e situações construindo convívios melhores onde rir e ser feliz é a ordem do dia a cada nascer do sol. A data marca 210 anos de fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816, hoje Escola de Belas Artes da UFRJ.

 

Na vida – como na arte –, amai o que faz. Nada notabiliza melhor o amor do que o riso, cuja espontaneidade contagia a todos. O amor semeado vira plântula, árvore frondosa, sombra acolhedora e frutos suculentos. Amar enleva tudo e todos em nossa órbita. Se tudo e todos estão sorrindo e felizes, estamos em paz. Não podemos copiar isto, apenas, exercer e sorrir, pois, o sorriso exercido conduz o amor pelos caminhos da vida.

 

O riso é a linguagem universal que une, cura e inspira. Rir é um ato de resistência e instrumento de produção de vida, paz e conexão genuína entre as pessoas. A felicidade compartilhada gera paz interior e coletiva. Cada um faz o melhor com o dom que vem dos Pai das Luzes, em que não sombra, nem dúvida. Saber administrar os dons de outrem culmina no aprender a melhor aplicar os nossos próprios dons.

 

Pensar assim, encontra eco na natureza contagiante do riso. Quando alguém ri, esse gesto simples tende a se multiplicar, criando um ambiente de esperança e união. O riso deixa de ser meramente um evento isolado para assumir-se como crucial, pois, onde há riso, existe a afirmação da vida e uma oposição natural às estruturas de poder que muitas vezes tentam gerenciar ou limitar a expressão humana.

 

O teatro, mais antiga das artes, tem o esmerado labor de fazer rir, de contentar e de tornar feliz a humanidade com os psicodramas que protagoniza, a partir dos quais fomenta desenvolvimento humano, semeia a inclusão e a harmonia social e cultiva o pertencimento que fulcra a identidade cultural e social dos povos que tem nessa arte um lume de sabedoria a conduzir-lhes ao futuro augurioso e probo.

 

Ao experimentar diferentes realidades e papéis, o artista desenvolve astúcia, segurança e uma compreensão mais profunda da sociedade, distinguindo o real do imaginário. Esse processo favorece a criatividade, aumenta a autoestima e aprimora a comunicação, sendo uma ferramenta essencial para a educação e o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais.

 

O teatro, como um "espelho institucionalizado", preserva e cultiva a identidade dos povos, desafiando dogmas e permitindo a exploração de narrativas que definem a cultura de uma sociedade. Criando uma comunidade efêmera, onde a inteligência individual se soma à sensibilidade do grupo, ele robustece o senso de pertencimento e interdependência humana, desenvolvendo uma empatia pura.

 

Uma aplicação específica e profunda dessa arte é o Psicodrama, metodologia criada pelo médico e filósofo romeno Jacob Levy Moreno. Através da dramatização espontânea, inversão de papéis e da técnica do espelho, o protagonista visualiza conflitos e a si mesmo sob novas perspectivas. O emprego do teatro, neste influxo, abre caminhos para o autoconhecimento de forma graciosa e profícua.

 

Estabelecido no Brasil em 1949 por Guerreiro Ramos, o psicodrama consolidou-se como uma abordagem existencial que busca a liberdade e a sensibilidade humana, tendo por objetivo recuperar a espontaneidade perdida devido a "conservas culturais" e aos recursos repressores, capacitando o indivíduo a se tornar um agente ativo de sua própria vida e a superar as dores do autoconhecimento.

 

A arte e o autoconhecimento caminham de mãos dadas a pré-história, com as pinturas rupestres, até a contemporaneidade, a arte evolui em paralelo ao desenvolvimento cognitivo e espiritual da humanidade, permitindo a expressão de sentimentos que não são facilmente verbalizados. Nessa sinergia, um trazendo enlevo aos prodígios do outro, flui a evolução tanto da arte quanto o homem de maneira perene.

 

Robusta e consubstanciada, a arte gera conhecimento, transformando as experiências da vida em uma obra que ilumina a identidade individual e promove a expansão da consciência, afirma Arthur Schopenhauer. O hábito artístico possibilita benefícios portentosos como: o aumento da autoestima, sensibilidade aguçada e melhora da coordenação motora, além de atuar promover a transformação social.

 

A transformação social opera sorrindo para, assim, aspergir o amor que nos liberta dos julgo de nossos pensamentos levianos preconceituosos e imaturos. Um amor que parametriza nossa autoeducação para o melhor desenvolvimento de nossa inteligência emocional. Amar para transformar ambiências e vidas n’algo surpreendentemente (r)evolucionador de hábitos, empreendedor de felicidades e amorável.

 

Desvelo nestas poucas linhas não aquilo que se espera do Teatro, tão pouco de todas as artes que têm neste dia hoje seu momento de congraçamento e/ou de congratulação, radico com toda veemência dos feitos e efeitos de todas as artes a bem da humanidade, a ela integrando o homem, cujo dom dado pelo Criador, nela encontra o múnus exequendi que prova seu saber e a excelência da arte em seu esplendor.

 

Hoje cortejamos a arte e aqueles manifestam seus prodígios. As artes nacional são reconhecidas, reverenciadas e felicitadas na República Federativa do Brasil desde 1978, por meio das Leis nº 6.533 e nº 82.385, que regulamentam a profissão de Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões, reconhecendo o valor cultural e profissional das diversas expressões artísticas em todo o solo pátrio brasileiro.

 

Além de honrar os mestres e os discentes das artes nacionais, a data convida a população a valorizar a arte como instrumento de pensamento crítico, lazer e transformação social, abrangendo áreas como teatro, cinema, dança, música e artes visuais. Cada artista é uma arte em eflorescência; é uma magia transformando a vida em sorrisos, ensinado os dias a sorrir e sorrindo em companhia do amor que movimente por onde passa.

 

Maranguape, Ceará, 12 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


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