Hoje
(20/08) é aquele dia especialíssimo que nos inspira rememorar de onde vimos,
pois, serve-nos de robustecimento da busca perene da resposta ao questionamento que não cessa:
para onde vamos? Ocorre que um homem sem passado não tem futuro, já que, lhe
falta as bases, o sólido alicerce, para a majestosa ambiência que abriga
sonhos, que os vê realizados, que inspira muitos outros sonhos além destes, que,
também, verá conclusos no futuro, a partir desse solo firme de valores inalteráveis — como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade — que se torna possível erguer
"templos à virtude" e abrigar os mais majestosos sonhos de progresso
para a humanidade.
A
palavra "pedreiro" tem origem no latim petrarium, que
significa relativo às pedras. O profissional geralmente trabalha sob a
orientação de um mestre de obras, engenheiro ou arquiteto, sendo essencial para
a execução física dos projetos de construção civil, o que requer ler e
compreendê-los com argúcia. Chamados alvanéis na antiguidade, eram os oficiais
que trabalhavam com pedras, tijolos e outros materiais de construção.
Os alvanéis
(pedreiros medievais) eram organizados em guildas (ou
corporações de ofício), que eram associações cruciais para a vida econômica,
social e política da época. Essas guildas protegiam os interesses de seus
membros, regulavam a profissão, controlavam a concorrência, definiam salários,
estabeleciam preços justos e de inspecionavam o trabalho para garantir a alta
qualidade das construções.
As
guildas possuíam um sistema de aprendizado, com a hierarquia de aprendiz,
oficial e mestre, a partir do qual assegurava que os conhecimentos e técnicas
fossem transmitidos de geração em geração, garantindo não somente um alto nível
de habilidade, como também, o reconhecimento social, conforme os níveis
hierárquicos que dotavam as guildas de força, de beleza e de sabedoria:
- O
Nível de Aprendizes, composto,
geralmente, por jovens que passavam a viver com o mestre por um período
determinado, aprendendo o ofício. Embora não recebessem salário, eram
acolhidos com galhardia, pois, o futuro da profissão deve ser bem abrigado
e alimentado: material, intelectual e espiritualmente.
- O
nível de Oficiais (ou Jornadeiros), formado por
aprendizes experientes, que já recebiam um salário e trabalhavam para os
mestres, que lhes oportunizavam momentos-prova para que seus conhecimentos
se fizessem sabedoria a partir do uso habitual, garantir-lhes o oficialato
– um status quo intermediário na hierarquia da guilda.
- O
nível de Mestres, constituído por artesãos
plenamente qualificados, donos de suas próprias oficinas e que detinham o
poder decisório dentro da guilda, pois, suas “obras primas” não somente os
precediam como também, certificavam que o discípulo (oficial) estava
pronto para a manifestação da mestria com exata prontidão e com
protagonismos dignificantes.
Funcionando
como uma rede de segurança social, as guildas organizavam fundos para cobrir
custos funerários, auxiliar famílias de membros falecidos e prover
aposentadoria, funcionando como uma forma de seguro de vida e saúde. Este
sistema fulcrava um forte senso de comunidade, honra e valorização do trabalho
manual, o que contribuía para o reconhecimento social dos profissionais.
As
guildas organizavam festivais, elegiam santos padroeiros e garantiam dias de
folga em datas religiosas, promovendo a solidariedade e a coesão social entre
os membros e as sociedades com as quais interagiam. Agências mediante as quais
os membros de guildas podiam ter representação nas câmaras das cidades, o que
lhes dava influência política e a capacidade de defender seus interesses
coletivos.
O
declínio da construção de grandes catedrais na Europa, especialmente após a
Reforma Protestante, levou a uma diminuição na necessidade de pedreiros
operários. Com isso, as guildas de pedreiros começaram a aceitar membros que
não eram construtores profissionais, evoluindo de uma organização estritamente
operacional para uma sociedade com foco no aperfeiçoamento moral, intelectual e
espiritual.
Semeada
na fértil terra da tradição, que mantem a estrutura hierárquica e os rituais
das antigas guildas de alvanéis e/ou pedreiros medievais, ergue-se ao sol do
vanguardismo a plântula da maçonaria operativa regada no tempo
oportuno pelos novéis saberes que agrega, bem como, adubada proporcionalmente
ao seu crescimento pelos augustos valores que passam a fortalecê-la,
embelezá-la e a torná-la mais sábia.
Predestinada
ao progressismo perene, a plântula da maçonaria operativa é proficuamente
sucedida pela maçonaria especulativa, porém, preservando a
estrutura e os símbolos das guildas medievais. A transição ocorreu
gradualmente, à medida que os membros "aceitos" superaram em número
os operativos, mudando o foco da construção material para a construção de um
"templo interior" e de uma sociedade melhor.
A
Maçonaria moderna é essencialmente especulativa e os maçons (pedreiros livres)
valendo-se da disciplina mental que exerce sobre si, a partir do estudo
rigoroso das artes liberais e dos oito sentidos que lhe exige foco, raciocínio
lógico e perseverança, alcança o objetivo do estudo (a verdade, a clareza
intelectual) é comparado à luz do sol da sabedoria que desobscurece os rumos da
humanidade construindo-lhe sociedades justas.
Alcançar
essa clareza requer esforço. Desta forma, mesmo no "ponto mais
quente" do desafio intelectual, onde a intensidade da verdade ou do
conhecimento é difícil de suportar ou assimilar imediatamente, como olhar
diretamente para o sol em vivaz canícula do meio-dia, o estudante das
artes liberais deve perseverar até que o mestre manifeste sua formação humana
integral construído o feliz convívio para os homens.
Cônscios
de seu dever como construtores do novo tempo que auroresce no horizonte, os
atuais alvanéis (maçons) sabem que devem ser exemplos de homens virtuosos,
aqueles que agem com retidão, honestidade e integridade, que demonstram
bondade, prudência e justiça, pois, são um modelo de homem de palavra, que
honram seus compromissos, além de lábaros de conduta moral para sua família e
comunidade.
Diligente, homem
de letras, ou seja, um indivíduo erudito, culto e envolvido em
atividades literárias, como a escrita profissional, o estudo da linguística
e da literatura, ou a filosofia. Do qual se espera que demonstre grande
conhecimento e uma dedicação profunda ao mundo das palavras e das
ideias. Um intelectual que reflete sobre a sociedade, a política e a
condição humana, cujos constructos buscam aprimorá-la.
Este
venturoso pedreiro livre, como faziam seus ancestrais, analisa o mundo ao seu
redor e contribui para o debate público com opiniões ponderadas e bem
fundamentadas, sob os auspícios do compasso que estabelece os limites da
honorabilidade, sob a égide do esquadro que ancora o humano no homem e sob a
firmeza da alavanca que move pensamentos, muda atitudes e institui a felicidade
humana como meta.
Aprendiz do Quadrivium que foca nas artes relacionadas à matemática e à estrutura do universo: aritmética, geometria, música e astronomia, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, fez da música a alavanca que sob sua mestria transformou os dias do povo nordestino e, também, brasileiro em suas outras regiões, inspirando protagonismos e instituindo a identidade social dos brasileiros na coesão que inspira.
O
legado deste pedreiro livre notável, o forró, não somente festeja
as memórias de seus muitos e incontestáveis feitos e efeitos em prol da nação
brasileira, mas, principalmente, celebra a existência dos entes humanos que
constroem as sociedades nas quais vicejam bem-estar, coesão e harmonia no mais
augusto convívio que ensejam a vida plana de prosperidade, dignidade,
felicidade e excelsitude.
No
cotidiano, a ética maçônica foca na Lapidação do "Templo Interior" –
a constante busca pelo aperfeiçoamento moral e retificação da consciência que são
seguro porto para o homem integral – e na Justiça Social – o trabalho voltado
para o bem-estar da sociedade, a diminuição das injustiças, a inclusão social a
partir do acolhimento e apoio aos desvalidos da fortuna e o estabelecimento do
senso de pertencimento que abraça a todos como iguais.
Esses
pontos de referência não são apenas conceitos, mas, ferramentas de
identificação que garantem que o maçom, ao se reconhecer nesses valores,
mantenha o engajamento e a produtividade no serviço à humanidade, desassociando
a imagem de "sociedade secreta" para uma "sociedade
discreta" de valores enlevados – um landmark social e político para a
humanidade – ancorados na filantropia e na influência positiva nas sociedades.
Neste
toar, neste 20 de Agosto, festejamos as primícias da ORDEM que formam o
acróstico-guia para a excelência pessoal e operacional do maçom. O
(Organização): a capacidade de estruturar recursos, tempo e espaço para
alcançar objetivos com clareza. R (Regularidade): a manutenção da constância e
do ritmo nas ações, evitando a intermitência que prejudica o progresso. D
(Disciplina): o cumprimento voluntário de normas e o domínio sobre os próprios
impulsos em prol de um propósito maior. E (Esmero): a dedicação ao detalhe e a
busca pela perfeição na execução de qualquer tarefa. M (Madureza): a equilíbrio
emocional e a capacidade de assumir responsabilidades com consciência e
discernimento.
Maranguape,
20 de Agosto de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo
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