sexta-feira, 3 de abril de 2026

COMO TAL ME RECONHECEM

 

Como adjetivar, classificar e/o qualificar alguém que jamais utilizou-se do belicismo, do financismo e ou do vitimismo para estabelece poder sobre quem estava consigo por fé na notabilidade que lhe dava suas agências em prol da coletividade a quem ele servia, no mínimo com uma palavra de alento e de esperança? “Tu o dizes” (Lucas 23:3).


Diferente de quem foca em extrair valor das pessoas para benefício próprio, o líder servidor fita a geração de valor através das pessoas. Ele inverte a pirâmide tradicional: o líder não está no topo para ser servido, mas, na base para sustentar e dar condições de crescimento à aqueles que o margeiam. A gratidão eflui progresso imensurável.


Significa que a verdadeira grandeza e autoridade jamais virá do domínio – salvo o sobre si mesmo –, mas, certamente, é influxo da humildade em servir aos outros, tornando-se servo de todos, pois: “aquele que quiser ser servido que sirva primeiro” (Marcos 10:43-44). A integridade exemplar de seu serviço abnegado o identificam e o autorizam.


Como diz Marco Fabossi, líder verdadeiro é aquele que: "cuida do presente enquanto cria um futuro melhor, porque o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas o lugar que estamos construindo." Radica a ideia de que o líder semeia o bem e o melhor para as futuras gerações e da sociedade e jamais sega para alimentar caprichos pessoais.


A relação entre Justiça e Governança está ligada à produção de frutos positivos para a sociedade, como transparência, eficiência, confiança e equidade, pois,“o fruto da justiça será repouso e segurança para sempre” (Isaías 32:17:). A boa governança sempre motivada a prestar contas gera ambientes confiáveis, de menor risco e mais feliz.


Coroa alguma faz rei nenhum, pois, o rei é reconhecido e consagrado unicamente pelo amor que é capaz de despertar onde vide e com quem está. Um “amigo de todos”, como Luiz Gonzaga Pinto da Gama, o é, unicamente, por que assim o veem e, também, assim o dizem tantos quantos ele reconheceu, incluiu e amou servindo-lhes como irmão.


Estabelecido no exemplo das atitudes que inculcam, ainda hoje, nas mentes e memórias de tantos quantos que o virão agir. Além dos incontáveis que passaram a conhecê-lo nos relatos de quem com ele estiver e que saem a refletir suas práticas em suas sociedade salutares ao melhor convívio entre os homens. Seu “amor é o elo perfeito” (Colossenses 3:14).


Segundo Bert Hellinger, as Ordens do Amor – Lei do Pertencimento, da Hierarquia e da Correspondência – regem as relações humanas, visando a harmonia. Assim, o líder eficaz tem nelas a força com que estabelece o vínculo (o senso de pertencimento), a resiliência da equipe e fidedignidade aos propósitos firmados por quem vê-se neles refletidos.


Indiscutivelmente, a troca é a base das interações, desde relações pessoais a transações comerciais, ancorada em conceitos éticos, jurídicos e sistêmicos descritos como a busca pela harmonia e justiça social. Por isso, um Velho Mestre roga: “completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude (Filipenses 2:2).


Da prática contínua de ações justas, sob a tutela da prudência (phrónesis), emerge o indivíduo como um cidadão virtuoso, capaz de contribuir para a estabilidade e harmonia da polis, enquanto, seu esmero e proficiência a representam. Algum cujo hábito ético que sustenta a vida em comum é o alicerce da convivência política e social.


A representatividade traz autenticidade e empatia, conectando as vivências e servindo de exemplo positivo refletindo a diversidade da coletividade e das sociedades. O líder “deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, hospitaleiro e apto para ensinar (1 Timóteo 3:1-7). Envolve edificar vidas e transformar pessoas através do amor e da verdade.


Figura um dever ético e social, que vai além da presença física para garantir que grupos historicamente hipossuficientes – negros, mulheres, pessoas com deficiência – ocupem o lugar que lhes compete. A representatividade é o reflexo, a voz e o exemplo de uma comunidade e/ou organização – o padrão de comportamento dos que a orbitam – seu agir valida as normas.


O real propósito da liderança representativa é servir aos interesses coletivos, garantindo que todos tenham as oportunidades e os meios necessários. O líder é, assim, o porta-voz que defende as metas e o bem-estar dos seus liderados perante quaisquer instâncias. "Nenhum homem ridiculize outro e que nenhuma mulher ridiculize outra" (Surata 49:11– Al-Hujurat).


Para que o poder exercido em nome do povo seja legítimo, ele precisa refletir a composição real desse povo. Reconhecer a diversidade é essencial para o desenvolvimento da sociedade e das próprias organizações. Isso minora o distanciamento entre "dirigentes e dirigidos" e cria engajamento e confiança naquilo que instituem.


Quando a sociedade vê alguém "como eles" em posições de poder, aumenta-se o sentimento de pertencimento e motivação. A representatividade como dever cívico transforma o "estar lá" em poder de mudança, de fortalecimento da democracia e da justiça social. Envolve viver honestamente, dar a cada um o que é seu e não prejudicar a ninguém (Ulpiano).


Sem dúvida, esta tríplice coluna de Ulpiano robustece a integridade ética e guia uma liderança imune à pressa, à raiva ou à vaidade. Um bom governante analisa dados e consequências antes de agir, tornando-se menos vulnerável a subornos ou ao uso da coisa pública para benefício próprio e evitando populismos e autoritarismos impertinentes.


Este ânimus de cooperar e ajudar o próximo, baseada na confiança mútua, é um indicador crucial da deseja coesa social, onde, o envolvimento ativo dos indivíduos nos processos de decisão e a garantia de direitos os leva à sensação de serem parte integrante da Estado. Assim, “o fruto (deste) Espírito é: amor, alegria, paz, bondade, fidelidade, domínio próprio”. (Gálatas 5:22-23)


O líder representativo eficaz deve, não somente, revestir-se de “Amigo de Todos”, mas, sê-lo em sua mestria e plenitude. Assim, conscienciosamente, ele percebe que a coesão social é construída quando as pessoas se sentem conectadas, valorizadas e com oportunidades justas para participar da sociedade, promovendo a harmonia e o bem-estar coletivo.


A coesão social – processo pelo qual os indivíduos aprendem e internalizam as normas, valores e comportamentos necessários para funcionar na sociedade – é a oportunidade de resgate da ética e o apoio a causas sociais essenciais para evitar a desintegração social, sob o lume: “como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles” (Lucas 6:31)


Claramente, o futuro não é um destino predeterminado, mas sim, uma construção ativa, onde os tijolos são os feitos e efeitos, conscienciosos ou não, que produzimos ou não ao longo das horas que passam. onde a qualidade ou o "valor" (méritos e deméritos) de cada tijolo é o que determina a solidez e/ou a fragilidade do porvir projetado por quem dele faz parte.


O poder do exemplo pessoal – do agir de acordo com os valores e a ética que se espera dos outros, serve como um modelo inspirador. Líderes, pais ou colegas que demonstram integridade e trabalho árduo influenciam positivamente aqueles ao seu redor. Uma única pessoa com atitudes positivas pode iniciar um "efeito dominó" que a todos beneficia . 


Ser um exemplo positivo oferece um modelo a ser seguido, fundamental para a aprendizagem observacional. Especialmente crucial na educação, não somente, de crianças e jovens, mas, de todos que imitam os comportamentos que veem ao seu redor por lhe serem empáticos e por lhes contentar as expectativas mais intimas de aprimoramento pessoal.


Ser um exemplo é uma responsabilidade social que transcende gerações, garantindo a transmissão de valores essenciais para a construção de um viver melhor.  A coerência entre o que dizemos e o que fazemos constrói a base para a confiança mútua, que é o "preço" que pagamos voluntariamente para colher os frutos de uma sociedade mais harmoniosa e justa.


O exemplo é um providencial vetor para a vida plena, pois, as ações e condutas de indivíduos (seus exemplos) servem como um guia poderoso (vetor) para o alcançar de uma existência repleta de propósito, significado e satisfação (vida plena), onde o cultivo de relacionamentos saudáveis e a busca de crescimento pessoal contribuem para algo de valor imensurável.


O exemplo ou liderança silenciosa é uma forma poderosa de influência positiva que dispensa discursos e se manifesta através do caráter. Trata-se da ideia de que as ações e o caráter de uma pessoa falam mais alto e têm um poder de influência muito maior do que qualquer palavra ou discurso. Envolve uma mensagem poderosa: COMO TAL ME RECONHECEM!


Maranguape, Ceará, 03 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira AIMI nº 9



quinta-feira, 2 de abril de 2026

A COMUNICAÇÃO SOCIAL COMO VETOR DE SUCESSO INSTITUCIONAL

 

Nascida com o homem, as primeiras formas de comunicação foram não-verbais, baseadas em grunhidos, gritos, gestos e posturas corporais, utilizadas por pré-hominídeos e proto-humanos muito antes do surgimento da espécie Homo sapiens. Conforme o cérebro e a capacidade intelectual evoluíram, esses sinais primitivos deram lugar a uma Era dos Símbolos e Sinais, onde desenhos em cavernas (pinturas rupestres) e representações em ossos ou pedras permitiram registrar o cotidiano e ideias complexas. Nisto, a arte rupestre, também, reafirmava a identidade cultural e delimitava territórios.


Essas produções não tinham apenas uma função estética, mas, agiam como uma "memória social" dos grupos, conectando pessoas através do tempo. A arte rupestre funciona como um marco de comunicação de massa primitiva, pois permitia que uma mensagem fosse "lida" por outros grupos e gerações, mesmo na ausência do emissor. Claramente, a comunicação social surgiu da necessidade fundamental de transmitir informações, alertar sobre perigos e expressar cultura e sentimentos desde que os seres humanos começaram a viver em sociedade, além de garantir a inclusão social e o laços de pertencimento.


Evoluindo perenemente, a fala e a linguagem desenvolveram-se com os Cro-Magnons, permitindo a organização de comunidades, divisão de trabalho e cooperação para caça. A escrita: Surgiu há cerca de 5 mil anos (por volta de 4.000 a.C. na Mesopotâmia e no Egito), marcando o fim da Pré-História e permitindo o registro permanente de bens, transações e ideias, iniciando a História. A invenção da imprensa, do jornal (primeiro exemplar em 59 a.C. em Roma), da rádio, da televisão e, mais recentemente, da internet, transformaram a comunicação em um processo global e instantâneo.


Portentosa, a comunicação social, era após era, segue consolidando o homem como um ser essencialmente social. A evolução da comunicação transformou a velocidade e o alcance das interações, mas, manteve sua função central de unir grupos, passando da sobrevivência em clãs para a formação da "Aldeia Global". A tecnologia não determinou a sociedade, mas foi moldada por ela para suprir a lacuna do indivíduo que sente a necessidade de viver em comunidade, tornando a comunicação um elemento essencial – e não apenas importante – confirmando que o homem é incapaz de viver isolado.


Estudos indicam que a comunicação é imprescindível para os processos sociais, permitindo o compartilhamento de informações e evitando a alienação. O papel da mídia e das redes demonstra que, independentemente do meio – seja o rádio, a televisão ou plataformas digitais como Facebook e TikTok – a comunicação social continua sendo a base para a co-construção de significados e a manutenção do coletivo. Ela não apenas transmite mensagens, mas, elabora coletivamente o universo simbólico dos seres humanos, permitindo a construção de valores, identidades e a organização da sociedade.


Se olharmos para a história, cada salto tecnológico – da fala aos algoritmos – não apenas transmitiu informações, mas reorganizou como nos sentimos parte de um grupo. Aristóteles já dizia que somos "animais políticos" (sociais), e a evolução da mídia só deixou isso mais evidente. Determinada a construir tanto o melhor, quanto o pior, qual seja a vontade homem, a comunicação social funciona como um conjunto de estratégias para conectar indivíduos, instituições e causas. Ela não é apenas uma ferramenta que usamos, mas o que nos define, portanto, a ordem e/ou caos dela germinam.


Resolutamente, a comunicação social molda a nossa "res cogitans" (mente pensante), tornando-nos parte do grupo que o imaginário humano possa construir através dela. Como Marshall McLuhan, que diz que "o meio é a mensagem", portanto, ela jamais será um um canal neutro; ela molda a própria estrutura do pensamento e da organização social. A comunicação social pode ser usada, largamente, para a "produção do caos" – desinformação, polarização e instabilidade – ou habilidosamente para o "bem comum" – mobilização social, causas de impacto e regulação cultural.


Desde Aristóteles, a ideia de que o ser humano é um animal político e social permanece central para entendermos como nos organizamos. Cada salto tecnológico – da fala à escrita, da imprensa à internet – não apenas ampliou a capacidade de transmitir informações, como, formidavelmente, reconfigurou profundamente os laços sociais, as identidades coletivas e os modos de pertencimento. Hoje, os algoritmos ocupam um lugar central nesse processo, agindo como arquitetos invisíveis da convivência digital, definindo o modus de inclusão e/ou exclusão social nesta sociedade líquida.


Hoje, plataformas digitais usam algoritmos para modular comportamentos, sugerir amizades, conteúdos e produtos. Assim como, a agricultura, por exemplo, não só transformou a dieta humana, como também, alterou a anatomia da fala, introduzindo sons como o "f" e o "v" devido à mudança na posição da mandíbula. A revolução digital está moldando novas formas de interação, onde conversas com inteligências artificiais exigem clareza e precisão, potencialmente ajustando a maneira como nos expressamos. Indo além de ser somente um ferramenta, a comunicação social estrutura a realidade social.


Essas decisões, embora pareçam neutras, são guiadas por lógicas de engajamento e lucro, que reforçam certos tipos de interação – muitas vezes baseadas em emoções intensas, como raiva ou admiração. No fim das contas, a comunicação social nada mais é do que o espelho da nossa evolução. Se ela nos define, o estado atual das nossas redes e diálogos diz muito mais sobre quem decidimos ser coletivamente. Quando suas estratégias são voltadas para a fragmentação, o algoritmo transformar o "animal político" em um "animal tribal", onde a conexão se dá pelo conflito, e não pelo consenso.


Os algoritmos deixaram de ser meras sequências de passos para resolver problemas. Eles agora desempenham um papel institucional, estruturando decisões coletivas e individuais. Assim como leis ou normas sociais, os algoritmos criam ordem, estabilidade e previsibilidade, mas de forma opaca e muitas vezes não questionada. Estudos indicam que algoritmos em redes sociais promovem conteúdos que geram maior engajamento, o que significa desinformação, polarização e teorias conspiratórias, como: a manipulação algorítmica pode transferir o poder de decisão das urnas para os códigos das Big Techs.


Por serem criados a partir de dados históricos e regras humanas, os algoritmos reproduzem e amplificam desigualdades sociais. Racismo, sexismo e classismo podem estar embutidos em sistemas de recomendação, filtros de crédito, ou algoritmos de recrutamento. Um exemplo é o uso de IA em aplicativos de relacionamento que priorizam características físicas associadas à branquitude, ou em ferramentas de edição que "clareiam" automaticamente rostos. Como alerta Karlos G. Liberal, precisamos auditar dados, modelos e governança para intervir em todas as camadas do processo algorítmico.


Cocriadora de mundos, realidades e pessoas, a comunicação social, dos primórdios à era algorítmica, sempre foi um campo de disputa entre ordem e caos, inclusão e exclusão, poder e resistência. Os algoritmos, longe de serem neutros, são inscrições de relações de poder em código. Eles podem conectar, mas também, fragmentar; informar, bem como, manipular. O desafio não é rejeitar a tecnologia, mas, desvelar suas lógicas, reconhecer seu papel constitutivo na vida social e lutar por sistemas que reflitam valores democráticos, justiça e autonomia. Cabe-nos decidir que tipo de comunicação queremos.


Reforcemos que o dever primaz da comunicação social é atuar como ponte estratégica entre as ações de responsabilidade social das organizações e a sociedade, consolidando imagem positiva e transparência, já que, a ela compete divulgar práticas éticas, sustentáveis e de voluntariado, promovendo engajamento interno e fortalecendo a confiança externa, combatendo o greenwashing ao comunicar impactos reais. Bem executada, essa comunicação fortalece a reputação corporativa, gera confiança nos públicos de interesse e diferencia marcas em um mercado competitivo, transformando valores éticos em benefícios tangíveis.


Além da comunicação externa, a comunicação interna desempenha um papel crucial ao disseminar a cultura de responsabilidade social entre os colaboradores, garantindo que a prática não se restrinja a discursos vazios. Se as ações de responsabilidade social não estiverem realmente integradas à cultura e aos valores da empresa, entidade e/ou instituição (o "DNA" organizacional), a comunicação social pode gerar o efeito contrário, resultando em perda de credibilidade e punição por parte dos consumidores. Assim, é essencial que seja autêntica e ética, evitando superficialidades percebidas como mero oportunismo.


Esta visão estabelece a comunicação social – quando aplicada no contexto empresarial (comunicação organizacional/empresarial) – como um pilar estratégico essencial para a sustentabilidade, reputação e perenidade das organizações. Ela é a ponte entre a empresa e seus públicos (interno e externo), garantindo que a cultura e os valores sejam mantidos ao longo do tempo. Focada em robustas colunas – clareza, empatia e consistência – a comunicação social agindo como "cola" que segura a cultura e reputação, garante que a mensagem da empresa seja entendida e mantida, fortalecendo a continuidade da imagem corporativa.


Progressista, a comunicação social deixou de ser apenas administrativa para se tornar integrada (mercadológica, institucional, interna), atuando de forma estratégica para alinhar as ações da empresa com as expectativas da sociedade, promovendo um sentido de pertencimento e sustentabilidade. Transparente, tanto interna quanto externa, é vital para mitigar riscos de imagem e manter a confiança do público, fatores essenciais para a continuidade dos empreendimentos, permitindo, via redes sociais, uma interações diretas, personalizadas e rápidas, construindo relacionamentos duradouros com clientes e stakeholders.


Indubitavelmente, a eficácia de uma empresa, entidade e/ou instituição moderna reside na integração harmoniosa dessas duas vertentes – na transmissão de informações sobre desempenho, metas e processos internos para garantir produtividade e coesão de seus colaborares e na na conexão externa, mobilizando a opinião pública e inspirando ações em prol de causas importantes – onde a comunicação interna transparente apoia a mensagem externa de compromisso social, resultando em maior engajamento dos colaboradores e fortalecimento de sua identidade social.


Instalada desde sua ciese como vetor de sucesso institucional, a comunicação social transforma a relação entre cidadãos e instituições, aumentando a aceitação social ao garantir que as informações sejam acessíveis, claras e eficazes, permitindo que o público compreenda direitos, deveres e políticas públicas. Essa agência oportuniza que a organização construa uma imagem positiva a longo prazo, pois, uma comunicação eficiente evita a desinformação e o pânico em momentos de crise, como demonstrado em campanhas de saúde pública onde a clareza das informações gerou tranquilidade à população.


Neste toar, para maximizar o sucesso empresarial, institucional e/ou pessoal, é fundamental que a comunicação seja bilateral, permitindo que a organização não apenas emita mensagens, mas também ouça ativamente o público e receba feedback contínuo. A integração de ferramentas digitais, o uso de linguagem simples e a adoção de práticas de escuta ativa são fundamentais para que a instituição não apenas informe, mas inspire confiança e fortaleça a cidadania, consolidando sua reputação e legitimidade perante a sociedade. Responsável por si, responsável por todos, eis o alcance da fala.


Aculturadora, a comunicação social eficaz, por meio deste alcance da fala, promove a empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro, o que é vital para colaboração em ambientes com culturas diferentes. O contato com outras manifestações culturais, possibilitado pela linguagem, despertar a consciência de si e a capacidade de desenvolver um olhar crítico, permitindo a transformação daquilo que pode ser incômodo em sua própria cultura. Bem falar é o principal meio para transmitir a cultura, os mitos e os valores de uma geração para a outra, preservando a identidade de uma sociedade (r)evolucionária.


Maranguape, Ceará, 02 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Aderaldo Ferreira de Araújo – Cego Aderaldo
Cadeira ACELP nº 3

quarta-feira, 1 de abril de 2026

A MENTIRA NOSSA DE CADA DIA TEM SEU DIA DE FESTEJAR

 

Hoje (01-04) comemoramos o “Dia da Mentira”, ressaltando que longe de ser, meramente, uma falha de caráter, mentir é uma estratégia evolutiva de sobrevivência que permite aos seres humanos administrar relações sociais complexas, evitar conflitos e proteger a própria imagem ou a de outros. A ciência aponta que a mentira é um comportamento inerente à natureza humana, presente desde os primórdios, e que sua ausência poderia levar ao colapso das interações sociais e à dificuldade de adaptação em grupo.


Mentir, claramente, envolve um esforço cognitivo intenso, envolvendo áreas do cérebro responsáveis pela tomada de decisão e emoção (córtex pré-frontal e amígdala). Estudos sugerem que mentir pode se tornar um hábito que dessensibiliza o cérebro à culpa, tornando o comportamento mais fácil com a repetição. Muitas mentiras são contadas para obter vantagens financeiras, sociais ou de atenção e reconhecimento. Pessoas controladoras – narcisistas, vitimistas, etc –, por exemplo, utilizam a mentira para conduzir situações e para manterem-se no poder.


Historicamente, a dissimulação permitiu aos nossos antepassados conseguir parceiros, exercer liderança, fugir de predadores ou manter o respeito do grupo, sendo tão natural quanto comer ou se reproduzir. Especialistas dizem-na essencial para boa convivência entre as pessoas, contrariando a honestidade absoluta e sem filtros que pode ser prejudicial à estabilidade das relações interpessoais. Como uma espécie de "cola social" ou filtro de diplomacia, pequenas mentiras – “mentiras brancas” – evitam conflitos desnecessários e magoas.


Desde os gregos, a verdade (alétheia) é entendida como desvelamento – o ato de tirar o véu do que estava oculto. Já a mentira, segundo Hesíodo, é uma faculdade das Musas: "Sabemos muitas mentiras dizer semelhantes a coisas autênticas, / E sabemos, quando queremos, verdades proclamar." Isso mostra que, desde cedo, a mentira foi reconhecida como intencional e estratégica, muitas vezes usada para manipular percepções. Esse esforço contínuo para sustentar o falso transforma a mentira em um fardo psicológico e moral.


Como um “escudo psicológico”, a mentira esconde personalidades fragilizadas, ao passo que estabelece uma segurança emocional e uma sensação de atratividade. Indubitavelmente, mentir para si mesmo (autoengano) é imprescindível para uma autoestima saudável, servindo como mecanismo de defesa para tornar a vida mais suportável e lidar com situações traumáticas ou difíceis. Embora considerada um ato negativo e antiético por muitos, a "mentira branca" é vista por especialistas como um "lubrificante" social necessário.


Desde cedo, o cérebro pode associar a mentira à segurança ao perceber que a verdade pode levar à rejeição, vergonha ou castigo. Embora seja uma ferramenta social vital, a mentira torna-se patológica quando se transforma em mitomania, onde o ato de mentir deixa de ter um propósito claro e passa a ser compulsivo, geralmente associado a problemas de autoestima ou transtornos de personalidade. Contraponto a “mentira branca”, a mentira para fins egoístas é portentosamente prejudicial a longo prazo, oportunizando terríveis psicopatias.


A mentira é um traço central e predominante da psicopatia, sendo meticulosamente utilizada não apenas como ferramenta de manipulação, mas como um instrumento de trabalho sistemático que permite ao indivíduo reorganizar sua realidade e exercer poder sobre os outros – tratados como meros ferramentas para fins inescrupulosos. Ao contrário da mentira circunstancial, o psicopata mente com neutralidade, calma e mantendo um olhar firme e sem constrangimento, manifestando um orgulhoso prazer, isento de culpas, remorsos e/ou ansiedades.


Cumpre observar que a mentira patológica manifestas duas dinâmicas: a primeira, para coibir realidades devastadoras e a segunda, para criar uma sensação de superioridade e controle, onde o psicopata manipula a realidade a seu favor, adaptando fatos às suas necessidades narcisísticas. Descritos como mentirosos contumazes e habilidosos, os narcisistas são capazes de misturar verdades em suas narrativas para aumentar a credibilidade e até simular emoções falsas, como lágrimas, para enganar até mesmo profissionais experientes.


Ancorada numa disfunção no sistema límbico (sistema emocional), que resulta em total falta de empatia e insensibilidade aos sentimentos alheios, a mentira do psicopata faz parte de sua realidade psíquica, permitindo que ele acredite na própria falsidade como sendo mais verdadeira que a realidade objetiva. Especialistas como Paul Ekman indicam que, apesar de extremamente habilidosos, os psicopatas podem revelar sinais através de micro expressões faciais, que são difíceis de controlar, mas exigem treinamento para detecção.


Coisa fenomenal, desvelar uma mentira, pois, "porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz" (Lucas 8:17). Além de lembrar que Deus vê todas as coisas, incluindo ações ocultas, garantindo que a justiça prevalecerá no final, trazendo à luz as obras ocultas nas trevas, é motivo de imensa folia trazer alguém de volta ao eixo da fidalguia, onde a ética e honestidade equilibram-se na condução dos dias na incessante busca pela felicidade do melhor convívio entre os homens.


Desvelar uma mentira é, acima de tudo, um ato de libertação. A mentira exige manutenção constante e uma memória impecável; já a verdade apenas é. Quando ela vem à luz, ela não apenas esclarece os fatos, mas também, expõe o caráter e restaura a realidade. Não existe verdade sem sal, tão pouco mentira sem mel, tudo é influxo da eterna luta entre a luz e a escuridão, do bem contra o mal, aninam a humanidade em seu caminhar evolutivo e inspiram a escrita dos homens letras em todas as eras. Da excelência de seus escritos depente o norte do mundo.


Agostinho de Hipona, em Sobre a Mentira, define-a como "um dizer com a vontade de dizer algo falso", enfatizando a intencionalidade e o desejo de enganar. Para ele, não há justificativa moral para a mentira, mesmo em casos de proteção, pois compromete a pureza da alma. Séculos depois, Kant reforçaria essa visão ao afirmar que mentir é negar a própria humanidade, pois corrompe a função essencial da linguagem: comunicar pensamentos com fidelidade. Ainda assim, há quem tenha a mentira como benéfica – aquela dita por compaixão, para poupar alguém de sofrimento.


Agostinho, por exemplo, já enfrentou essa ideia de beneficidade, rejeitando mentiras mesmo para proteger a castidade ou a vida. No entanto, pensadores como Benjamin Constant argumentaram que a obrigação de dizer a verdade não pode ser absoluta se implicar danos graves. Fernando Pessoa, em uma perspectiva estética, vai além: para ele, a mentira é a linguagem ideal da alma, pois permite comunicar o incomunicável. Ao "perverter a verdadeira natureza" de uma emoção, o artista a torna universal. Assim, mentir pode ser um ato de empatia, não de traição.


Portanto, a percepção de que “tudo é influxo da eterna luta entre a luz e a escuridão, do bem contra o mal" – captura o cerne da questão. A mentira e a verdade não são apenas conceitos epistemológicos, mas, forças morais em conflito constante. Essa luta anima a humanidade em seu caminhar evolutivo e inspira a escrita, a arte, a política e a ética em todas as eras. Desvelar uma mentira é mais que um ato intelectual: é um gesto de coragem, de justiça, de libertação e até uma alegria vibrante, comparada ao espírito de uma celebração popular.


Motivo de felicidade e/ou de tristeza, quais seja o foco que lhe dermos, a mentira, tanto quanto a verdade, constrói os homens e, estes a humanidade. Na literatura, por exemplo, ela é permite a construção de narradores não confiáveis, o desenvolvimento de enredos picarescos e a manipulação da percepção do leitor, indo além da verdade documental para iluminar aspectos profundos da natureza humana. A mentira é uma ferramenta narrativa essencial, funcionando como um mecanismo de criação de suspense, exploração psicológica e crítica social.


A literatura usa a mentira para inventar possibilidades, agindo como um "vidro fosco" que ilumina a realidade melhor do que fatos objetivos. Pode surgir como exagero, fingimento, auto engano ou omissão, sendo uma forma de arte (o "mentiroso lírico") e não apenas uma falha moral. No Brasil, o malandro (como em Macunaíma ou Memórias de um Sargento de Milícias) utiliza a mentira para enfrentar uma sociedade hostil, um reflexo do pícaro europeu. Nelson Rodrigues, em “A Mentira explora a hipocrisia da classe média”, a vê como uma arma de conflito familiar. E nós, através desta arte, nela achamos nossa identidade.


A mentira social – vista na astúcia de Leonardo Pataca ou de Lazarillo de Tormes – serve para crítica social, ascensão ou sobrevivência, já a mentira literária é definida pela transparência: o leitor sabe que é ficção, o que permite ao autor criar "mundos possíveis" sem intenção de enganar. A mentira literária é um engano artístico que consola, diverte e frequentemente revela verdades profundas através da invenção. Autores como Carson McCullers utilizam-na para atender o que comunicação exige a distorção da verdade íntima para ser compreendida coletivamente.


Inventiva, a literatura criou mentirosos imortais que se tornaram símbolos culturais: Pinóquio, famoso pelo nariz que cresce, que faz emergir o "Paradoxo do Mentiroso" – o que acontece se ele disser "meu nariz vai crescer agora"? –; Bento Santiago – Dom Casmurro), obra que consagra Machado de Assis como “narrador não confiável”, onde aonde a mentira (ou a suspeita dela) reconstrói toda a percepção da realidade do leitor –; o Barão de Münchhausen personagem criado por Rudolf Erich Raspe, é o arquétipo do mentiroso extravagante que conta histórias impossíveis.


A figura literária é ancora-se na pessoa real de Hieronymus Karl Friedrich Freiherr von Münchhausen (1720–1797), um nobre alemão e militar que serviu ao Império Russo e ficou famoso por suas narrativas exageradas e fantásticas sobre suas experiências militares. Raspe, em Narrativa das Maravilhosas Viagens e Campanhas do Barão de Münchhausen na Rússia (1785), criou uma sátira cômica e social, transformando o barão num contador de historia que realizava feitos impossíveis, como, por exemplo, voar sobre um rio em uma bala de canhão e viajar à lua.


Viajar à lua, antes de ser coisa de lunático, é primazia dos filósofos, cujos pensamentos mais audazes não tiveram outra vontade além de contribuir para o progresso da humanidade. Em diálogos como Hípias Menor, Sócrates discute se a capacidade de mentir e manipular a realidade pode ser algo positivo ou uma habilidade técnica superior. Diferente do erro, a mentira tem intenção deliberada de enganar. Sobre isto reflete Michel de Montaigne, que o o maior inimigo da verdade não é a mentira em si, mas a ilusão de que já conhecemos a verdade absoluta.


Afora tudo dito, a verdade real neste momento é o Dia da Mentira, e devemos festejá-la. A data popularizou-se na França no século XVI, quando a mudança do Ano Novo (de abril para janeiro) transformou quem resistia à alteração em "bobos" alvo de brincadeiras. Alguns historiadores associam esta tradição ao festival romano em honra à deusa Cibele, que também celebrava o equinócio com brincadeiras. A Dia da Mentira serve como uma desculpa para brincadeiras inofensivas e trotes leves, promovendo o humor e a leveza sem intenção de causar dano físico ou emocional.


A tradição chegou ao Brasil em 1828, com o jornal mineiro "A Mentira" anunciando falsamente a morte de D. Pedro I. Isto lembra que em tempos de rápida circulação de informações digitais, a data também destaca a necessidade de cuidado com notícias falsas e a distinção entre brincadeira e desinformação prejudicial. Hoje, o Dia da Mentira é um dia para "pregar peças", compartilhar notícias falsas engraçadas e engajar o público com anúncios fictícios, com o objetivo de gerar risadas, não desinformação. É momento de testarmos a criatividade e de sermos felizes.


Maranguape, Ceará, 01 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Maria Aurélia Abreu Braga
Cadeira ACLA nº 18


CARIDOSO DIA PARA TODOS NÓS!

  Eis que o dia hoje (05/09) resplandece, é Dia do Irmão! Cuidem, pois, o primeiro irmão a ser festejado somos nós mesmos, já que, somente q...