quinta-feira, 2 de abril de 2026

A COMUNICAÇÃO SOCIAL COMO VETOR DE SUCESSO INSTITUCIONAL

 

Nascida com o homem, as primeiras formas de comunicação foram não-verbais, baseadas em grunhidos, gritos, gestos e posturas corporais, utilizadas por pré-hominídeos e proto-humanos muito antes do surgimento da espécie Homo sapiens. Conforme o cérebro e a capacidade intelectual evoluíram, esses sinais primitivos deram lugar a uma Era dos Símbolos e Sinais, onde desenhos em cavernas (pinturas rupestres) e representações em ossos ou pedras permitiram registrar o cotidiano e ideias complexas. Nisto, a arte rupestre, também, reafirmava a identidade cultural e delimitava territórios.


Essas produções não tinham apenas uma função estética, mas, agiam como uma "memória social" dos grupos, conectando pessoas através do tempo. A arte rupestre funciona como um marco de comunicação de massa primitiva, pois permitia que uma mensagem fosse "lida" por outros grupos e gerações, mesmo na ausência do emissor. Claramente, a comunicação social surgiu da necessidade fundamental de transmitir informações, alertar sobre perigos e expressar cultura e sentimentos desde que os seres humanos começaram a viver em sociedade, além de garantir a inclusão social e o laços de pertencimento.


Evoluindo perenemente, a fala e a linguagem desenvolveram-se com os Cro-Magnons, permitindo a organização de comunidades, divisão de trabalho e cooperação para caça. A escrita: Surgiu há cerca de 5 mil anos (por volta de 4.000 a.C. na Mesopotâmia e no Egito), marcando o fim da Pré-História e permitindo o registro permanente de bens, transações e ideias, iniciando a História. A invenção da imprensa, do jornal (primeiro exemplar em 59 a.C. em Roma), da rádio, da televisão e, mais recentemente, da internet, transformaram a comunicação em um processo global e instantâneo.


Portentosa, a comunicação social, era após era, segue consolidando o homem como um ser essencialmente social. A evolução da comunicação transformou a velocidade e o alcance das interações, mas, manteve sua função central de unir grupos, passando da sobrevivência em clãs para a formação da "Aldeia Global". A tecnologia não determinou a sociedade, mas foi moldada por ela para suprir a lacuna do indivíduo que sente a necessidade de viver em comunidade, tornando a comunicação um elemento essencial – e não apenas importante – confirmando que o homem é incapaz de viver isolado.


Estudos indicam que a comunicação é imprescindível para os processos sociais, permitindo o compartilhamento de informações e evitando a alienação. O papel da mídia e das redes demonstra que, independentemente do meio – seja o rádio, a televisão ou plataformas digitais como Facebook e TikTok – a comunicação social continua sendo a base para a co-construção de significados e a manutenção do coletivo. Ela não apenas transmite mensagens, mas, elabora coletivamente o universo simbólico dos seres humanos, permitindo a construção de valores, identidades e a organização da sociedade.


Se olharmos para a história, cada salto tecnológico – da fala aos algoritmos – não apenas transmitiu informações, mas reorganizou como nos sentimos parte de um grupo. Aristóteles já dizia que somos "animais políticos" (sociais), e a evolução da mídia só deixou isso mais evidente. Determinada a construir tanto o melhor, quanto o pior, qual seja a vontade homem, a comunicação social funciona como um conjunto de estratégias para conectar indivíduos, instituições e causas. Ela não é apenas uma ferramenta que usamos, mas o que nos define, portanto, a ordem e/ou caos dela germinam.


Resolutamente, a comunicação social molda a nossa "res cogitans" (mente pensante), tornando-nos parte do grupo que o imaginário humano possa construir através dela. Como Marshall McLuhan, que diz que "o meio é a mensagem", portanto, ela jamais será um um canal neutro; ela molda a própria estrutura do pensamento e da organização social. A comunicação social pode ser usada, largamente, para a "produção do caos" – desinformação, polarização e instabilidade – ou habilidosamente para o "bem comum" – mobilização social, causas de impacto e regulação cultural.


Desde Aristóteles, a ideia de que o ser humano é um animal político e social permanece central para entendermos como nos organizamos. Cada salto tecnológico – da fala à escrita, da imprensa à internet – não apenas ampliou a capacidade de transmitir informações, como, formidavelmente, reconfigurou profundamente os laços sociais, as identidades coletivas e os modos de pertencimento. Hoje, os algoritmos ocupam um lugar central nesse processo, agindo como arquitetos invisíveis da convivência digital, definindo o modus de inclusão e/ou exclusão social nesta sociedade líquida.


Hoje, plataformas digitais usam algoritmos para modular comportamentos, sugerir amizades, conteúdos e produtos. Assim como, a agricultura, por exemplo, não só transformou a dieta humana, como também, alterou a anatomia da fala, introduzindo sons como o "f" e o "v" devido à mudança na posição da mandíbula. A revolução digital está moldando novas formas de interação, onde conversas com inteligências artificiais exigem clareza e precisão, potencialmente ajustando a maneira como nos expressamos. Indo além de ser somente um ferramenta, a comunicação social estrutura a realidade social.


Essas decisões, embora pareçam neutras, são guiadas por lógicas de engajamento e lucro, que reforçam certos tipos de interação – muitas vezes baseadas em emoções intensas, como raiva ou admiração. No fim das contas, a comunicação social nada mais é do que o espelho da nossa evolução. Se ela nos define, o estado atual das nossas redes e diálogos diz muito mais sobre quem decidimos ser coletivamente. Quando suas estratégias são voltadas para a fragmentação, o algoritmo transformar o "animal político" em um "animal tribal", onde a conexão se dá pelo conflito, e não pelo consenso.


Os algoritmos deixaram de ser meras sequências de passos para resolver problemas. Eles agora desempenham um papel institucional, estruturando decisões coletivas e individuais. Assim como leis ou normas sociais, os algoritmos criam ordem, estabilidade e previsibilidade, mas de forma opaca e muitas vezes não questionada. Estudos indicam que algoritmos em redes sociais promovem conteúdos que geram maior engajamento, o que significa desinformação, polarização e teorias conspiratórias, como: a manipulação algorítmica pode transferir o poder de decisão das urnas para os códigos das Big Techs.


Por serem criados a partir de dados históricos e regras humanas, os algoritmos reproduzem e amplificam desigualdades sociais. Racismo, sexismo e classismo podem estar embutidos em sistemas de recomendação, filtros de crédito, ou algoritmos de recrutamento. Um exemplo é o uso de IA em aplicativos de relacionamento que priorizam características físicas associadas à branquitude, ou em ferramentas de edição que "clareiam" automaticamente rostos. Como alerta Karlos G. Liberal, precisamos auditar dados, modelos e governança para intervir em todas as camadas do processo algorítmico.


Cocriadora de mundos, realidades e pessoas, a comunicação social, dos primórdios à era algorítmica, sempre foi um campo de disputa entre ordem e caos, inclusão e exclusão, poder e resistência. Os algoritmos, longe de serem neutros, são inscrições de relações de poder em código. Eles podem conectar, mas também, fragmentar; informar, bem como, manipular. O desafio não é rejeitar a tecnologia, mas, desvelar suas lógicas, reconhecer seu papel constitutivo na vida social e lutar por sistemas que reflitam valores democráticos, justiça e autonomia. Cabe-nos decidir que tipo de comunicação queremos.


Reforcemos que o dever primaz da comunicação social é atuar como ponte estratégica entre as ações de responsabilidade social das organizações e a sociedade, consolidando imagem positiva e transparência, já que, a ela compete divulgar práticas éticas, sustentáveis e de voluntariado, promovendo engajamento interno e fortalecendo a confiança externa, combatendo o greenwashing ao comunicar impactos reais. Bem executada, essa comunicação fortalece a reputação corporativa, gera confiança nos públicos de interesse e diferencia marcas em um mercado competitivo, transformando valores éticos em benefícios tangíveis.


Além da comunicação externa, a comunicação interna desempenha um papel crucial ao disseminar a cultura de responsabilidade social entre os colaboradores, garantindo que a prática não se restrinja a discursos vazios. Se as ações de responsabilidade social não estiverem realmente integradas à cultura e aos valores da empresa, entidade e/ou instituição (o "DNA" organizacional), a comunicação social pode gerar o efeito contrário, resultando em perda de credibilidade e punição por parte dos consumidores. Assim, é essencial que seja autêntica e ética, evitando superficialidades percebidas como mero oportunismo.


Esta visão estabelece a comunicação social – quando aplicada no contexto empresarial (comunicação organizacional/empresarial) – como um pilar estratégico essencial para a sustentabilidade, reputação e perenidade das organizações. Ela é a ponte entre a empresa e seus públicos (interno e externo), garantindo que a cultura e os valores sejam mantidos ao longo do tempo. Focada em robustas colunas – clareza, empatia e consistência – a comunicação social agindo como "cola" que segura a cultura e reputação, garante que a mensagem da empresa seja entendida e mantida, fortalecendo a continuidade da imagem corporativa.


Progressista, a comunicação social deixou de ser apenas administrativa para se tornar integrada (mercadológica, institucional, interna), atuando de forma estratégica para alinhar as ações da empresa com as expectativas da sociedade, promovendo um sentido de pertencimento e sustentabilidade. Transparente, tanto interna quanto externa, é vital para mitigar riscos de imagem e manter a confiança do público, fatores essenciais para a continuidade dos empreendimentos, permitindo, via redes sociais, uma interações diretas, personalizadas e rápidas, construindo relacionamentos duradouros com clientes e stakeholders.


Indubitavelmente, a eficácia de uma empresa, entidade e/ou instituição moderna reside na integração harmoniosa dessas duas vertentes – na transmissão de informações sobre desempenho, metas e processos internos para garantir produtividade e coesão de seus colaborares e na na conexão externa, mobilizando a opinião pública e inspirando ações em prol de causas importantes – onde a comunicação interna transparente apoia a mensagem externa de compromisso social, resultando em maior engajamento dos colaboradores e fortalecimento de sua identidade social.


Instalada desde sua ciese como vetor de sucesso institucional, a comunicação social transforma a relação entre cidadãos e instituições, aumentando a aceitação social ao garantir que as informações sejam acessíveis, claras e eficazes, permitindo que o público compreenda direitos, deveres e políticas públicas. Essa agência oportuniza que a organização construa uma imagem positiva a longo prazo, pois, uma comunicação eficiente evita a desinformação e o pânico em momentos de crise, como demonstrado em campanhas de saúde pública onde a clareza das informações gerou tranquilidade à população.


Neste toar, para maximizar o sucesso empresarial, institucional e/ou pessoal, é fundamental que a comunicação seja bilateral, permitindo que a organização não apenas emita mensagens, mas também ouça ativamente o público e receba feedback contínuo. A integração de ferramentas digitais, o uso de linguagem simples e a adoção de práticas de escuta ativa são fundamentais para que a instituição não apenas informe, mas inspire confiança e fortaleça a cidadania, consolidando sua reputação e legitimidade perante a sociedade. Responsável por si, responsável por todos, eis o alcance da fala.


Aculturadora, a comunicação social eficaz, por meio deste alcance da fala, promove a empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro, o que é vital para colaboração em ambientes com culturas diferentes. O contato com outras manifestações culturais, possibilitado pela linguagem, despertar a consciência de si e a capacidade de desenvolver um olhar crítico, permitindo a transformação daquilo que pode ser incômodo em sua própria cultura. Bem falar é o principal meio para transmitir a cultura, os mitos e os valores de uma geração para a outra, preservando a identidade de uma sociedade (r)evolucionária.


Maranguape, Ceará, 02 de Abril de 2026


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Aderaldo Ferreira de Araújo – Cego Aderaldo
Cadeira ACELP nº 3

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